09 dezembro 2017

Astronomia

Astronomia é uma ciência que estuda os astros, incluindo as galáxias, e procura responder às questões: de onde viemos? Estamos sós? Leucipo, filósofo grego (séc V a.C.), foi o primeiro pensador a conceber corpos celestes separado por espaço vazio. Segundo o seu ponto de vista, tudo o que existe são átomos e o vazio.

Em se tratando do conhecimento do Universo, os instrumentos astronômicos, tais como, telescópios, observatórios e computadores desempenharam papel primordial e permitiram ao cientista afirmar, no final do século XX, que o Universo está em expansão. Com esses instrumentos, pode-se prever o seu destino, que se resume em três teorias: Big-crunch (grande colapso), big-chill (grande frio) e big-rip (rasgar energeticamente).

O que é o Universo? Que ciência o estuda? O Universo é tudo — espaço, tempo, e toda matéria e energia que contém, desde as maiores estrelas até as menores partículas subatômicas. A cosmologia é a ciência que estuda as origens e a evolução do Universo. Houve várias teorias a respeito, mas a cosmologia moderna baseia-se no big-bang.

O big-bang não é uma explosão convencional, mas a explosão do próprio espaço e início do tempo, e é considerado o melhor modelo do início do Universo. Nesse sentido, quando da sua formação, o Universo era infinitamente pequeno, denso e quente, e as leis normais da física não se aplicavam.

O Espírito Galileu, na página 282 da Revista Espírita de 1862, afirma-nos que o espaço é infinito, explicando que ele representa uma ideia primitiva e axiomática, evidente por si mesma, e que as várias definições dadas nada mais fazem que obscurecer. Para compreendê-lo, não precisamos de uma explicação acadêmica. Observe o seguinte: no espaço, quanto mais andarmos mais distante estaremos de um ponto de partida e sempre longe de um ponto de chegada.

Allan Kardec, nas páginas 101 a104 da Revista Espírita de 1867, enfatiza a importância do desenvolvimento científico acerca do Universo, pois com essa informação não teríamos colocado o Inferno nas entranhas da Terra e o Céu acima dela. Por isso, a astronomia e a geologia, secundadas pelas descobertas da física e da química, apoiadas nas leis da mecânica, são as duas poderosas alavancas que bateram os preconceitos sobre a origem e o destino do Universo.

Bibliografia

RIDPATH, Ian. Guia Ilustrado Zahar de Astronomia. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. 2.ed., Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
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06 dezembro 2017

Trevas

Treva significa escuridão, privação ou ausência de luz. Está associada às coisas negativas, aos abismos, aos lugares inferiores e subterrâneos. Para o Espiritismo, lugares povoados e desertos em que erram obscuros Espíritos lastimosos. São as regiões mais inferiores que conhecemos.

Em termos simbólicos, podemos vê-la de duas maneiras: 1) oposição à luz; 2) fogo negro que é a “luz primordial”. Como símbolo caótico, pode ser retratada da seguinte forma: no início tudo era como um “mar sem luz”. Onde não há luz, não há vida; por isto, imaginava-se o mundo dos mortos, rodeado de trevas. Na escuridão pode-se revelar a profundidade do mistério.

O Espírito Irmão X, no capítulo 40 "Nos Domínios da Sombra", do livro Contos e Apólogos, informa-nos a respeito de uma assembleia no reino das sombras, composta pelo poderoso soberano das trevas e milhares de falangistas da miséria e da ignorância. Depois de longa discussão, concluem que a melhor maneira de propagar as sombras é influenciar os médiuns, no sentido de que estes deixem sempre para amanhã a reforma da consciência.

Num outro livro, Contos Desta e Doutra Vida, O Espírito Irmão X, no capítulo 38 "Decisão das Trevas", discorre sobre a organização de obsessões. Há um debate entre o organizador de obsessões e os tipos de obsessões sugeridas aos terráqueos. No final, um vampirizador experiente diz: “Será fácil treinar alguns milhares de companheiros para a hipnose em larga escala e faremos que os espíritas se acreditem santos de carne e osso”.

Devemos temer o Poder das Trevas? Por mais que consigam arrebanhar grandes inteligências para a organização de verdadeiros impérios umbralinos, há algo que está além de sua competência, ou seja, a Sabedoria Divina, com sua justiça. No momento oportuno, a Divina Providência fará uso dos instrumentos corretos para erradicar esta influência maléfica. 

Tenhamos sempre em mente que a luz sempre chega e triunfa porque a treva é ausência dela, não tendo, portanto, nenhuma significação real.

Bibliografia Consultada

XAVIER, F. C. Contos e Apólogos, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.

XAVIER, F. C. Contos Desta e Doutra Vida, pelo Espírito Irmão X. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978.

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28 outubro 2017

29.º Simpósio Espírita do Centro Espírita Ismael

Realizou-se, em 22 de outubro de 2017 (domingo), das 9 às 17h30, o 29.º Simpósio Espírita do Centro Espírita Ismael, cujo tema central foi: “As Missões da Casa Espírita”.

Os sub-temas foram: 

“Criação e Administração de um Centro Espírita”, por Terezinha Sgulmar;
“O Ensino Espírita-Cristão como Base do Centro Espírita”, por Sérgio Biagi Gregório;
"O Trabalho Mediúnico e Assistência Espiritual no Centro Espírita”, por José Roberto Godoy;
“A Assistência Social-Cristã no Centro Espírita”, por Maria Aparecida Fernandes da Silva. 

Um domingo de muito aprendizado sobre a formação, a administração e a manutenção de uma Casa Espírita. Estiveram entrelaçados todos os aspectos inerentes às funções primordiais de um Centro Espírita: sede social, estatuto, ensino, passes espíritas e as atividades de assistência social. 

Áudio do tema O Ensino Espírita-Cristão como Base do Centro Espírita

  
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27 outubro 2017

Carma / Karman

Karma é um termo sânscrito que, literalmente, significa "ação" ou "feito". É o somatório de nossas ações, desta e de outras vidas; determina em que circunstâncias renascemos a cada vez. Na filosofia hindu e budista, é concebido como o princípio de causalidade universal: toda ação é causada por uma ação anterior e por sua vez provoca ações posteriores.

Oportunidade, sorte e acaso são incompatíveis com a lei do karma. Segundo esta lei, "Um homem transforma-se naquilo que faz, no modo como se comporta; sejam quais forem as obras que fizerem colherão o fruto delas; do outro mundo em que vive, regressa a este mundo de obras e de trabalho". Em outras palavras, tudo é determinado pela inflexível lei de causa e efeito. 

Para o budismo e o jainismo, o karma brota do desejo. Extinguindo-se este, extingue-se também o karma. Buda, "o iluminado", dá-nos, através das "Quatro Nobre Verdades"  a doutrina central do budismo –, orientações para vencer o desejo (sofrimento) e atingir o nirvana, um estado no qual todo o karma é anulado e uma pessoa pode sair do ciclo de renascimento.

O "Nobre Caminho Óctuplo" – o caminho para o fim do sofrimento  consiste em oito passos, sem um esquema definido, pois os passos são princípios (não ações). Os passos consistem em: 1.º na justa visão; 2.º na justa resolução; 3.º na justa linguagem; 4.º na justa conduta; 5.º no justo viver; 6.º no justo esforço; 7.º na justa mentalidade; 8.º na justa concentração. 

Na Índia, a crença no karma está espalhada com aspecto de fatalidade, não deixando abertura ao acaso. Diante dessa posição, acabamos visualizando o karma sempre como uma mácula (ação má) que tem de ser erradicada. Daí, usarmos indevidamente esta palavra, principalmente quanto dizemos para um parente: "Você é meu karma". 

Na lei do karma, o indivíduo é levado a pensar da seguinte forma: sendo bom, merecerá alta posição; sendo mal, baixa. Há casos em que o espírito pode reencarnar em forma animal. Nesta filosofia são levados em conta o motivo da ação, a ação propriamente dita e as consequências da ação. Quer dizer, mesmo não fazendo nada, estaremos criando um karma. 

Na concepção da Doutrina Espírita, a palavra carma ajusta-se à lei de ação e reação, porém sem a fatalidade que o termo incorpora, ou seja, sofrer e resgatar dívidas do passado. Em realidade, a reação nada mais é do que uma resposta – boa ou má –, em razão de nossas ações. Pergunta-se: se estamos praticando boas ações, por que aguardar o sofrimento?

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16 outubro 2017

Ideologia de Gênero

A "ideologia de gênero" é uma expressão usada pelos críticos da ideia de que os gêneros são, na realidade, construções sociais. Para os defensores desta "ideologia", não existe apenas o gênero "masculino" e "feminino", mas um espectro que pode ser livremente escolhido pelo indivíduo. De acordo com a ideologia de gênero, o "gênero" pode ser mutável e não limitado, como define as ciências biológicas.

Os defensores da chamada "ideologia de gênero" alegam a necessidade de se discutir a identidade de gênero nas escolas; os críticos à "ideologia de gênero" acusam esta de servir para doutrinação das crianças, desconstruindo os conceitos da família tradicional baseados em preceitos religiosos. (https://www.significados.com.br/ideologia-de-genero/)

Assista aos vídeos abaixo: eles lançam um pouco de luz sobre a polêmica da "ideologia do gênero". 







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11 outubro 2017

Renovando Atitudes

Nosso caminho terreno é marcado por bons e maus momentos. Quando o horizonte fica escuro, a primeira reação é o desespero, a vitimização. Tomando consciência desse agravo do comportamento, peçamos o auxílio dos bons Espíritos. O Espírito Emmanuel, nos livros "Fonte Viva", "Vinha de Luz", "Caminho, Verdade e Vida", entre outros, oferece-nos o lenitivo evangélico para muitas de nossas preocupações. 

Os bons Espíritos estão sempre nos incentivando a perdoar e a orar para aqueles que nos ferem e nos criam problemas. Nesse caso, a oração é um lenitivo poderoso. Em estado de oração, nada de ficar falando mal da pessoa que nos causou problema. Antes, silenciemos o nosso pensamento e enviemos vibrações de paz e harmonia para o seu reequilíbrio psíquico, físico e emocional. 

Concedamos tempo ao tempo. Não queiramos que os entraves se resolvam da noite para o dia. Contudo, mantenhamos a concentração em nossos afazeres, consoante o aviso: "uma bomba ao lado não deve ser suficiente para mudar o foco de nossa atenção". Se o problema persistir, retomar o exercício da prece, mas da prece sincera e não daquela que exige a anulação do nosso próximo. Jesus nos ensinou a perdoar não sete, mas setenta vezes sete vezes. 

Hoje, temos a impressão de que os valores morais estão sendo deixados para o segundo plano. Em política, só ouvimos comentários sobre corrupção. Na apresentação pública, o nu e o obsceno são elevados à categoria de arte, desmoralizando os valores básicos da família. Numa rua dos Jardins de São Paulo, devido às cenas obscenas de travestis, há famílias que se fecham na sexta-feira e só saem à rua na segunda-feira, para trabalhar. 

Às vezes, temos a impressão de que já dominamos um defeito. Contudo, basta voltar o estímulo e já nos refocilamos no solo. É justamente aí que temos de nos recolher e pedir o auxílio dos mensageiros de luz. Eles podem abrir a nossa mente para algo que estava embotado. De qualquer maneira, tenhamos em conta que o problema é sempre nosso.  

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05 outubro 2017

Perispírito: Notas Extraídas da Revista Espírita

Teoria das Manifestações Físicas

Haveria, assim, em nós, duas espécies de matéria: uma grosseira, que constitui o envoltório exterior, outra sutil e indestrutível. A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação da primeira, da que a alma abandona; a outra se libera e segue a alma que acha, desse modo, ter sempre um envoltório; é o que chamamos perispírito. Essa matéria sutil, extraída, por assim dizer, de todas as partes do corpo ao qual estava ligada durante a vida, dele conserva a impressão; ora, eis por que os Espíritos se veem e por que nos aparecem tais quais eram quando vivos. Mas essa matéria sutil não tem a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo; ela é, se assim podemos nos expressar, flexível e expansível; por isso a forma que toma, se bem que calcada sobre a do corpo, não é absoluta; ela se dobra à vontade do Espírito, que pode dar-lhe tal ou tal aparência, à sua vontade, ao passo que o envoltório sólido oferece-lhe uma resistência intransponível; desembaraçado desse entrave que o comprimia, o perispírito se estende ou se retrai, se transforma, em uma palavra, se presta a todas as metamorfoses, segundo a vontade que age sobre ele.

A observação prova – e insistimos nessa palavra observação, porque toda a nossa teoria é a consequência de fatos estudados –, que a matéria sutil, que constitui o segundo envoltório do Espírito, não se liberta senão pouco a pouco, e não instantaneamente, do corpo. Assim, os laços que unem a alma e o corpo não são subitamente rompidos pela morte; ora, o estado de perturbação que observamos, subsiste durante todo o tempo em que se opera o desligamento; o Espírito não recobra a inteira liberdade de suas faculdades e a consciência clara de si mesmo, senão quando seu desligamento se completa. 

A experiência prova, ainda, que a duração desse desligamento varia segundo os indivíduos. Em alguns se opera em três ou quatro dias, ao passo que, em outros, não está inteiramente realizada ao cabo de vários meses. Assim, a destruição do corpo, a decomposição pútrida, não bastam para operar a separação; por isso, certos Espíritos dizem: Sinto que os vermes me roem.

Em algumas pessoas, a separação começa antes da morte; são as que, em vida, se elevaram, pelo pensamento e a pureza de seus sentimentos, acima das coisas materiais; a morte não acha mais do que fracos laços entre a alma e o corpo, e esses laços se rompem quase instantaneamente. Quanto mais o homem viveu materialmente, quanto mais absorveu seus pensamentos nos gozos e nas preocupações da personalidade, tanto mais esses laços são tenazes; parece que a matéria sutil esteja identificada com a matéria compacta, e que haja entre elas coesão molecular; eis por que elas não se separam senão lenta e dificilmente.

Nos primeiros instantes que se seguem à morte, quando ainda há união entre o corpo e o perispírito, este conserva bem melhor a impressão da forma material, da qual reflete, por assim dizer, todas as nuanças, e mesmo todos os acidentes. Eis por que um supliciado nos disse poucos dias depois de sua execução: Se pudésseis me ver, ver-me-íeis com a cabeça separada do tronco. Um homem que morrera assassinado nos disse: Vede a chaga que se me fez no coração. Acreditava que poderíamos vê-lo. (p. 128 - R.E. 1858)

Aparições

Mas, direis, não será esse perispírito uma criação fantástica da imaginação? Não seria mais uma dessas suposições feitas pela ciência para explicar certos efeitos? Não; não é obra da imaginação, porque foram os próprios Espíritos que o revelaram; não se trata de ideia fantástica, desde que pode ser constatado pelos sentidos, ser visto e tocado. A coisa existe, apenas o termo é nosso. Para as coisas novas necessitamos de vocábulos termos novos. E os próprios Espíritos adotam nas comunicações que estabelecem conosco. 

Por sua natureza e em estado normal, o perispírito é para nós invisível, mas pode sofrer modificações que o tornem perceptível, ou por uma espécie de condensação, ou por uma mudança na disposição molecular... Estes diferentes estados do perispírito são o produto da vontade do Espírito e não de uma causa física exterior. 

Uma outra propriedade da substância do perispírito é a penetrabilidade. Nenhuma matéria lhe oferece obstáculo: ele as atravessa a todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. 

O Espírito pode dar-lhe as mais variadas aparências, inclusive de animal ou chamas, Mas se desejam tornar-se conhecidos, tomam exatamente todos os traços sob os quais foram conhecidos e, até, quando necessário, a aparência da vestimenta. (p. 335 R.E. 1858)

Sensações dos Espíritos

No corpo estas sensações estão localizadas em órgãos que lhe servem de canal. Destruído o corpo, as sensações tornam-se gerais. Eis por que o Espírito não diz que sofre da cabeça em vez dos pés. Além disso, é necessário não confundir as sensações do perispírito, que se tornou independente, com as do corpo. A dor que sentem não é, pois, uma dor física, mas um vago sentimento íntimo, que nem se dá perfeita conta. 

Um suicida dizia: "... entretanto sinto que os vermes me roem". Ora, seguramente os vermes não roem o perispírito e, ainda menos o Espírito; apenas roem o corpo. Mas como a separação entre corpo e perispírito não era completa, o resultado era uma espécie de repercussão moral que lhe transmitia a sensação do que se passava no corpo. Repercussão não, era antes a visão daquilo que se passava em seu corpo, ao qual estava ligado o seu perispírito, que lhe produzia uma ilusão, que tomava como realidade. (p. 348 - R.E. 1858)

Causas da Obsessão e Meios de Combate

Sabemos que os Espíritos estão revestidos de um envoltório vaporoso, formando neles um verdadeiro corpo fluídico, ao qual damos o nome de perispírito, cujos elementos são hauridos no fluido universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une ao corpo, nele existe com seu perispírito, que serve de laço entre o Espírito propriamente dito e a matéria corpórea; é o intermediário das sensações percebidas pelo Espírito. Mas esse perispírito não está confinado no corpo como dentro de uma caixa; pela sua natureza fluídica, irradia ao redor e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se libera. Mas o vapor que se libera de um corpo malsão é igualmente malsão, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem muitas pessoas malsãs. Do mesmo modo que esse vapor está impregnado das qualidades do corpo, o perispírito está impregnado das qualidades, quer dizer, do pensamento do Espírito, e faz irradiar essas qualidades em torno do corpo. 

Aqui um outro parêntese para responder imediatamente a uma objeção que alguns opõem à teoria que o Espiritismo dá do estado da alma; acusam-no de materializar a alma, ao passo que, segundo a religião, a alma é puramente imaterial. Esta objeção, como a maioria daquelas que são feitas, provém de um estudo incompleto e superficial. O Espiritismo jamais definiu a natureza da alma, que escapa às nossas investigações; nunca disse que o perispírito constitui a alma: a palavra perispírito diz positivamente o contrário, uma vez que especifica um envoltório ao redor do Espírito. Que diz O Livro dos Espíritos a esse respeito? "Há no homem três coisas: a alma, ou Espírito, princípio inteligente; o corpo, envoltório material; o perispírito, envoltório fluídico semi-material, servindo de laço entre o Espírito e o corpo. "De que na morte do corpo a alma conserva o envoltório fluídico, não quer dizer que esse envoltório e a alma sejam uma só e mesma coisa, não mais que o corpo não faça senão um com a roupa, não mais que a alma não faça senão um com o corpo. A Doutrina Espírita não tira nada à imaterialidade da alma, só lhe dá dois envoltórios em lugar de um durante a vida corpórea, e um depois da morte do corpo, o que é, não uma hipótese, mas um resultado da observação, e com a ajuda desse envoltório ela faz conceber melhor a individualidade e explicar melhor a sua ação sobre a matéria. (p. 357 - R.E. 1862)

Causas da Obsessão e Meios de Combate

Em nosso artigo precedente expomos a maneira pela qual se exerce a ação dos Espíritos sobre o homem, ação, por assim dizer, material. Sua causa está inteiramente no perispírito, princípio não só de todos os fenômenos espíritas propriamente ditos, mas de uma imensidade de efeitos morais, fisiológicos e patológicos, incompreendidos antes do conhecimento desse agente, cuja descoberta, se assim nos podemos exprimir, abrirá horizontes novos à Ciência, quando esta se dispuser a reconhecer a existência do mundo invisível. Como vimos, o perispírito representa importante papel em todos os fenômenos da vida; é a fonte de uma porção de afecções, cuja causa é em vão buscada pelo escalpelo na alteração dos órgãos, e contra as quais é impotente a terapêutica. Por sua expansão explicam-se, ainda, as reações de indivíduo a indivíduo, as atrações e as repulsões instintivas, a ação magnética, etc. No Espírito livre, isto é, desencarnado, substitui o corpo material; é o agente sensitivo, o órgão por meio do qual ele age. Pela natureza fluídica e expansiva do perispírito, o Espírito alcança o indivíduo sobre o qual quer atuar, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza. Vivendo em meio ao mundo invisível, o homem está incessantemente submetido a essas influências, assim como às da atmosfera que respira, traduzindo-se aquelas por efeitos morais e fisiológicos dos quais não se dá conta e que, muitas vezes, atribui a causas inteiramente contrárias. Essa influência difere, naturalmente, segundo as qualidades, boas ou más, do Espírito, como já explicamos no artigo anterior. Se ele for bom e benevolente a influência, ou, se quisermos, a impressão, é agradável e salutar; é como as carícias de uma terna mãe, que abraça o filho. Se for mau e perverso, será dura, penosa, aflitiva e por vezes perniciosa; não abraça: constrange. Vivemos num oceano fluídico, expostos incessantemente a correntes contrárias, que atraímos ou repelimos, e às quais nos abandonamos, conforme nossas qualidades pessoais, mas em cujo meio o homem sempre conserva o seu livre-arbítrio, atributo essencial de sua natureza, em virtude do qual pode sempre escolher o caminho. (p. 1 - R.E. 1863)

Introdução ao Estudo dos Fluidos Espirituais

Algumas pessoas contestaram a utilidade do envoltório perispiritual da alma e, em consequência, a sua existência. A alma, dizem, não precisa de intermediário para agir sobre o corpo; e, uma vez separada do corpo, é um acessório supérfluo.

A isto respondemos, primeiro, que o perispírito não é uma criação imaginária, uma hipótese inventada para chegar a uma solução; sua existência é um fato constatado pela observação. Quanto à sua utilidade, quer durante a vida, quer depois da morte, é preciso admitir que, desde que existe, é que serve para alguma coisa. Os que lhe contestam a utilidade são como um indivíduo que, não compreendendo as funções de certas engrenagens num mecanismo, concluíssem que só servem para complicar desnecessariamente a máquina. Não vê que se a menor peça fosse suprimida, tudo seria desorganizado. Quantas coisas, no grande mecanismo da Natureza, parecem inúteis aos olhos do ignorante e, mesmo, de certos cientistas, que de boa-fé acreditam que se tivessem sido encarregados da construção do Universo, o teriam feito melhor! 

O perispírito é uma das engrenagens mais importantes da economia. A Ciência o observou em alguns de seus efeitos e, sucessivamente, tem sido designado sob o nome de fluido vital, fluido ou influxo nervoso, fluido magnético, eletricidade animal, etc., sem se dar conta precisa de sua natureza, de suas propriedades e, ainda menos, de sua origem. Como envoltório do Espírito após a morte, foi suspeitado desde a mais alta antiguidade. Todas as teogonias atribuem aos seres do mundo invisível um corpo fluídico. São Paulo diz em termos precisos que renascemos com um corpo espiritual (1.ª epístola aos Coríntios, 15:35 a 44 e 50). 

Dá-se o mesmo com todas as grandes verdades baseadas nas leis da Natureza, e das quais, em todas as épocas, os homens de gênio tiveram a intuição. É assim que, desde antes de nossa era, hábeis filósofos tinham suspeitado a redondeza da Terra e seu movimento de rotação, o que nada tira ao mérito de Copérnico e de Galileu, sendo mesmo de presumir-se que estes últimos hajam aproveitado as ideias de seus predecessores. Graças a seus trabalhos, o que não passava de uma teoria individual, de uma teoria incompleta e sem provas, desconhecida das massas, tornou-se uma verdade científica, prática e popular. 

A doutrina do perispírito está no mesmo caso; o Espiritismo não foi o primeiro a descobri-lo. Mas, assim como Copérnico para o movimento da Terra, ele o estudou, demonstrou, analisou, definiu e dele tirou fecundos resultados. Sem os estudos modernos mais completos, esta grande verdade, como muitas outras, ainda estaria no estado de letra morta. (p. 73 - R.E. 1866)

Caráter da Revelação Espírita 

39. – O Espiritismo experimental estudou as propriedades dos fluidos espirituais e a ação deles sobre a matéria. Demonstrou a existência do perispírito, suspeitado desde a antiguidade e designado por São Paulo sob o nome de corpo espiritual, isto é, corpo fluídico da alma, depois da destruição do corpo tangível. Sabe-se hoje que esse invólucro é inseparável da alma, forma um dos elementos constitutivos do ser humano, é o veículo da transmissão do pensamento e, durante a vida do corpo, serve de laço entre o Espírito e a matéria. O perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à fisiologia, assim como à psicologia.

40. – O estudo das propriedades do perispírito, dos fluidos espirituais e dos atributos fisiológicos da alma abre novos horizontes à Ciência e dá a chave de uma multidão de fenômenos incompreendidos até então, por falta de conhecimento da lei que os rege – fenômenos negados pelo materialismo, por se prenderem à espiritualidade, e qualificados como milagres ou sortilégios por outras crenças. Tais são, entre muitos, os fenômenos da dupla vista, da visão a distância, do sonambulismo natural e artificial, dos efeitos psíquicos da catalepsia e da letargia, da presciência, dos pressentimentos, das aparições, das transfigurações, da transmissão do pensamento, da fascinação, das curas instantâneas, das obsessões e possessões, etc. Demonstrando que esses fenômenos repousam em leis naturais, como os fenômenos elétricos, e em que condições se podem reproduzir, o Espiritismo derroca o império do maravilhoso e do sobrenatural e, conseguintemente, a fonte da maior parte das superstições. Se faz que se creia na possibilidade de certas coisas consideradas por alguns como quiméricas, também impede se creia em muitas outras, das quais ele demonstra a impossibilidade e a irracionalidade. (p. 276 - R.E. 1867)

Fotografia do Pensamento

Criando imagens fluídicas, o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho, ou ainda como essas imagens de objetos terrestres que se refletem nos vapores do ar; toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa. Tenha um homem, por exemplo, a ideia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassível, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste último; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar. O pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira é pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espírito.

Desse modo é que os mais secretos movimentos da alma repercutem no envoltório fluídico; que uma alma pode ler noutra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos do corpo. Os olhos do corpo vêem as impressões interiores que se refletem nos traços do rosto: a cólera, a alegria, a tristeza; mas a alma vê nos traços da alma os pensamentos que não se traduzem no exterior. (p. 168 - R.E. 1868)

Conferências 

Numa série de conferências feitas em abril último, pelo Sr. Chavée, no Instituto Livre do boulevard des Capucines, no 39, o orador fez, com tanto talento quanto verdadeira ciência, um estudo analítico e filosófico dos Vedas indianos e das leis de Manu, comparadas com o livro de Jó e os Salmos. O tema conduziu a considerações de elevado alcance, que tocam diretamente os princípios fundamentais do Espiritismo. Eis algumas notas colhidas por um ouvinte dessas conferências; não são senão pensamentos apanhados a esmo, que perdem necessariamente ao serem destacados do conjunto e privados de seus desenvolvimentos, mas que bastam para mostrar a ordem das idéias seguidas pelo autor: 

“De que serve lançar um véu sobre o que é? De que serve não dizer bem alto o que se pensa baixinho? É preciso ter a coragem de dizer. Quanto a mim, terei esta coragem.” 

“Nos Vedas indianos está dito: ‘Têm-se os seus pares no alto.’ E eu sou desta opinião.” 

“Com os olhos da carne não se pode ver tudo.” 

“O homem tem uma existência indefinida e o progresso da alma é indefinido. Seja qual for a soma de suas luzes, ela tem sempre a aprender, porque tem o infinito à sua frente e, embora não o possa atingir, seu objetivo será sempre dele se aproximar cada vez mais.”
(p. 255 - R.E. 1868)
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03 outubro 2017

Allan Kardec: Nova Luz para a Humanidade

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, nasceu em 3 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, França. Foi professor, escritor, filósofo e cientista. Desencarnou em 31 de março de 1869. 

A sua estada em nosso planeta propiciou a vinda de uma nova luz, a luz do Espiritismo, uma marco na história da humanidade. Jesus, quando esteve encarnado, disse que mandaria o Consolador Prometido. A Doutrina Espírita é o Consolador Prometido. Contudo, para que isso fosse possível, haveria a necessidade do desenvolvimento das ciências teóricas-experimentais. Os princípios doutrinários do Espiritismo foram cunhados sob as regras do método científico. 

Hoje, 3 de outubro de 2017, a comunidade espírita está comemorando mais um aniversário de nascimento desse nobre espírito, que não mediu esforços para nos trazer os fundamentos do Espiritismo, consoante o aspecto científico, filosófico e religioso. Além disso, documentou todas as ideias para não acontecer o que aconteceu com o cristianismo que, exposto de forma oral, gerou muitas controvérsias.

A Doutrina Espírita, que não é obra de Kardec mas dos Espíritos, oferece-nos a solução para os diversos fenômenos (mediúnicos, morais, antropológicos) que não encontramos em outras doutrinas conhecidas: simultaneidade de pensamentos, simpatias e antipatias, os conhecimentos intuitivos etc. 

Os princípios da Doutrina Espírita foram formulados de acordo com a universalidade do ensinamento, ou seja, por instruções idênticas, dadas em todos os lugares, por médiuns estranhos uns aos outros, isentos de obsessões e assistidos por espíritos esclarecidos. Foram comunicações de cerca de mil Centros Espíritas sérios, disseminados em diversos pontos do globo. (p. 68 da Revista Espírita de 1864) Esta é a única séria garantia na concordância que existe entre as revelações espontâneas, feitas por grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversas regiões. 

"Foi a universalidade do ensino dos Espíritos que fez a Doutrina Espírita. Cada parte só tem valor e autoridade pela conexão com o conjunto, devendo todas se harmonizar e cada uma chegar a seu tempo e ao seu lugar. Não confiando a um só Espírito o cuidado da promulgação da doutrina, quis, além disso, que o menor, como o maior, entre os Espíritos como entre os homens, trouxesse sua pedra ao edifício, a fim de estabelecer entre eles um laço solidariedade cooperativa, que faltou a todas as doutrinas saídas de uma fonte única". (p. 284 da Revista Espírita de 1867)

Qual foi o papel de Allan Kardec? Nem de inventor, nem de criador. Apenas observou, estudou e organizou os fatos com cuidado e perseverança, deduzindo-lhes as consequências. Uma reflexão sobre essas consequências muda inteiramente a maneira de encarar o futuro. A vida futura não é mais uma hipótese, é uma realidade, pois o estado das almas após a morte é fruto de observação. 

Reverenciemos Allan Kardec e a plêiade de Espíritos que o auxiliaram na disseminação da ideia espírita.  
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30 agosto 2017

Cólera

Cólera. Reação emotiva de raiva violenta. A malquerença, o ódio, o rancor e os pensamentos de vingança são forças negativas que destroçam o equilíbrio mental, espiritual e até mesmo físico de quem as alimenta. Raiva. Irritação violenta, ódio, furor, mágoa. Aversão de alguma coisa ou de alguém.

Este título refere-se às instruções dos Espíritos, contidas no capítulo IX – “Bem-Aventurados Aqueles que São Brandos e Pacíficos”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Registremos um trecho: “O orgulho leva a vos crer mais do que sois; a não poder sofrer uma comparação que possa vos rebaixar; a vos considerar, ao contrário, de tal modo acima de vossos irmãos, seja como espírito, seja como posição social, seja mesmo superioridade pessoal, que o menor paralelo vos irrita e vos fere; e o que ocorre então? Entregai-vos à cólera”. 

De acordo com os pressupostos espíritas, fomos criados simples e ignorantes, mas com a determinação de nos tornarmos perfeitos. Por isso, o apelo de Cristo para que sejamos perfeitos como perfeito é o nosso Pai Celestial. O Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos e Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, instruem-nos sobre a nossa evolução espiritual, desde os primórdios da criação. No início, éramos guiados pelos nossos protetores espirituais. Ao adquirirmos o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e a razão, houve a possibilidade da escolha, com seus erros e acertos.

Cólera, vingança e raiva são emoções que ainda estão no porão do desenvolvimento espiritual. Em termos evolutivos, são os resquícios de nossa animalidade. A origem desses acessos de demência encontra-se quase sempre no orgulho ferido. Um grito de cólera é um raio mortífero que penetra o círculo de pessoas em que foi proferido ocasionando doenças, desgostos e muitas dificuldades. 

O antídoto é a prática da humildade. Estamos habituados a agir mais em função da emoção do que da razão. Há, também, contra o nosso progresso os automatismos nos vícios de diversas espécies. Como a cólera é oposto da humildade, esforcemo-nos para edificar essa virtude em nossa alma, pois, como se diz, a humildade é o fundamento de todas as virtudes. Para tanto, façamos ao contrário do orgulhoso: aceitemos de bom grado a crítica, a admoestação, a opinião contrária. 

Para nos protegermos da cólera, leiamos algumas mensagens espíritas. Eis  algumas sugestões, extraídas do livro Palavras da Vida Eterna, pelo Espírito Emmanuel: "Rixas e Queixas" (lição 173), "Combatendo a Sombra" (lição 31) e "Acalma-te" (lição 33). Nelas, percebemos que se houver problemas com familiares difíceis, pessoas que nos apedrejam, vizinhos que não nos deixam dormir, mesmo assim, emitamos vibrações de paz e amor para todos eles.

Em qualquer ataque de cólera, reflitamos sobre a nossa pequenez diante do Todo Poderoso. Ao mesmo tempo, peçamos forças ao Alto para vencermos este vício de conduta e de comportamento. 

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19 julho 2017

Emmanuel, Espírito

Emmanuel foi o Espírito iluminado, guia de Francisco Cândido Xavier, responsável perante a Hierarquia Espiritual que nos governa, por todo trabalho mediúnico que se inicia nas terras do Cruzeiro. A relação entre Emmanuel e Francisco Cândido Xavier vem de longa data. Em "Na Intimidade de Emmanuel", parte inicial do livro Há Dois Mil Anos, conta-se que os dois viveram juntos na época de Jesus (Emmanuel era Públio Lentulus; Chico, sua filha, Flávia Lentúlia). 

Quando solicitado a se identificar, alegou razões particulares, mas acabou afirmando ter sido padre católico desencarnado no Brasil. Deduz-se que tenha sido Padre Manoel da Nóbrega, grande Espírito que se devotou à nossa Pátria, sendo o primeiro missionário do Evangelho, o primeiro educador. Mais: na Wikepédia, há dez supostas reencarnações de Emmanuel. 

O encontro de Públio Lentulus com Jesus deu-se em circunstância especial. Sua esposa, Lívia, estivera nas pregações de Jesus. Em virtude da doença de sua filha, Flávia, e incentivada pela esposa, busca esse encontro em que mais ouve do que fala. Jesus diz: — "Senador, por que me procuras?"... Depois, — "Sim... Não venho buscar o homem de Estado, superficial e orgulhoso"..., mas atender às súplicas de tua mulher. (p. 85e 86 de Há Dois Mil Anos)

A importância de Emmanuel no desenvolvimento das ideias espíritas no Brasil é bastante significativa, pois produziu, por intermédio de Chico, as mais variadas páginas sobre os mais diversos assuntos. A tônica do Evangelho lhe dá um realce especial, principalmente nos comentários acerca das citações do Novo Testamento (Fonte Viva, Vinha de Luz, Palavras da Vida Eterna etc.)

Reverenciemos esse nobre espírito e aprendamos com ele, nas suas fraquezas e na sua luta pelo progresso espiritual.

Fonte de Consulta

CAMPOS, Pedro de. Lentulus: Encarnações de Emmanuel. São Paulo: Lúmen, 2009.

TAVARES, Clóvis. Amor e Sabedoria de Emmanuel. Araras/SP: Ide, 2009. 
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