13 novembro 2019

Clichês Mentais

"A mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos." (Instrutor Albério)

Clichê. Chapa metálica que traz gravada em relevo uma imagem destinada a ser reproduzida para impressão de imagens e textos por meio de prensa tipográfica. Em sentido figurado, clichê é um chavão, repetido exaustivamente. Clichê mental. São ideias fixas sobre determinado ponto de vista. Elas ficam congeladas, cristalizadas em nossa mente.

Quando ingerimos alguns tipos de alimentos e bebidas alcoólicas, há uma mudança em nosso hálito, que as pessoas mais próximas de nós poderão detectar imediatamente. O mesmo ocorre com os "hálitos mentais", que serão determinados pelo teor de nossos pensamentos. Nesse sentido, nossas ideias são criações incessantes que se projetam no espaço e no tempo. As pessoas que se chafurdam no mal projetam de si pensamentos malsãos, os quais entram em sintonia com todos aqueles pensamentos dos indivíduos que se encontram na mesma faixa vibratória.

Para uma melhor compreensão do tema, vejamos as instruções do Espírito Emmanuel, expostas no capítulo 12 ("Família"), do livro Pensamento e Vida. Ele diz que tanto o homem primitivo quanto o homem civilizado permanecem longo tempo em suas relações familiares, até que a soma de suas aquisições o recomende a diferentes realizações. "A chamada hereditariedade psicológica é, por isso, de algum modo, a natural aglutinação dos Espíritos que se afinam nas mesmas atividades e inclinações".

Todos somos reféns dos nossos clichês mentais. Por que é tão difícil nos libertamos dos clichês negativos? Por ignorância e, também, pelo comodismo, por não querermos enfrentar o novo, o desconhecido. Contudo, um dia veremos tudo com um grau de consciência maior, porque a Lei do Progresso é compulsória. Quer queiramos ou não, teremos de evoluir, buscar a perfeição. Dica dos filósofos antigos: pense pela sua cabeça e não pela cabeça dos outros.

O Espírito André Luiz, em Ação e Reação (cap. 4, pp. 53 e 54), cita o caso de uma pessoa dominada pelo Satã. O instrutor disse: "É um clichê mental, criado e nutrido por ela mesma. As ideias macabras da magia aviltante, quais sejam as da bruxaria e do demonismo que as igrejas denominadas cristãs propagam, a pretexto de combatê-los, mantendo crendices e superstições, ao preço de conjurações e exorcismos, geram imagens como esta, a se difundirem nos cérebros fracos e desprevenidos, estabelecendo epidemias de pavor alucinatório".

Urge, assim, tomarmos consciência dos nossos clichês mentais, pois será mais fácil vencermos as criações mentais menos felizes.

Escrita

"Por teres escutado a voz de tua mulher e comido da árvore da qual eu te havia prescrito não comer, o solo será maldito por sua causa. É com fadiga que te alimentarás dele todos os dias de tua vida. E com fadiga escreverás teus ensaios todas as noites de tua vida". (Gênesis, 3, 17)

Anotemos, inicialmente, os seguintes pontos:

  • Escrita. Ação ou efeito de escrever, de representar algo por sinais gráficos.
  • Origem da escrita. Há 4.000 a.C, na antiga Mesopotâmia, os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme, letras cunhadas em placas de barro.
  • Importância da escrita. Nas sociedades antigas, antes da invenção da escrita, as informações estavam de posse dos mais velhos. Uma peste poderia dizimar todas as pessoas e a história daquele povo.
  • Primeiros livros. Para guardar as informações, inventaram tabuinhas de barro cozido, onde deixavam impressos os seus textos. Estes foram os primeiros "livros", depois progressivamente modificados até chegarem a ser feitos em grande tiragem.

Na história da escrita e sua documentação, a invenção da imprensa, por Gutenberg, em 1450, deu outro rumo à disseminação do conhecimento. Muitos copistas demoravam meses para produzir apenas um volume. Entre 1450 e 1500, cerca de dez milhões de livros foram publicados. Por essa razão, deveríamos sempre preferir o escrito ao oral. Imagine se Cristo tivesse registrado os seus ensinamentos; não haveria tanta polêmica como sempre tivermos. Além do mais, escrever é um exercício, uma disciplina do pensamento.

No campo religioso, temos a Escritura, que é um laço que liga sempre o passado, o presente e o futuro, quanto ao ensino progressivo e gradual da verdade. No campo mediúnico, temos a escrita automática, quando o médium apoia um lápis sobre o papel e sente sua mão escrever sem que ele exerça qualquer ação muscular, e a escrita direta, ou pneumatografia, escrita que não é produzida por nenhuma das pessoas presentes.

Em se tratando da escrita e da disseminação do conhecimento, convém refletir sobre o princípio de nossas ações. Uma palavra, escrita ou falada, pode salvar uma alma ou induzi-la à morte. Nesse caso, quanto mais conhecimento adquirido, maior será nossa responsabilidade perante os outros. Por isso, devemos sempre pedir aos bons Espíritos para nos afastar das más influências e dos Espíritos maléficos que querem a perdição da humanidade.

Número e Espiritismo

Todos sabemos o que é o número. Sua conceituação, porém, cria muitos embaraços, pois ele não é uma entidade física, mas abstrata. Neste sentido, Frege define o número como a classe de todas as classes que estão em correspondência com uma dada classe (portanto também entre si). Em se tratando da sua origem, ela pode ser encontrada nos entalhes na fíbula (osso da panturrilha) de um babuíno, cerca de 35 mil anos atrás. Para Georges Ifran, em sua História Universal dos Algarismos, os primeiros algarismos foram inventados para substituir as pedras por objetos.

Há algumas explicações fantasiosas sobre a origem dos números. Eis algumas delas: 1) os formatos dos algarismos representam tantos ângulos quanto o numeral deve indicar; 2) os formatos dos algarismos apresentam tantos segmentos quanto o numeral deve indicar; 3) os numerais eram representados por pontos que posteriormente teriam sido ligados dando origem aos nove sinais conhecidos.

Depois de inventadas as letras, houve o desejo de relacioná-las aos números, ou seja, poder-se-ia escrever números por meio delas. O domínio mágico, porém, preocupou-se mais com a soma dos valores das letras do que as letras em si. Exemplo: o número 26 tornou-se um número divino para os judeus. YAHWEH (Y + H + W + H = 10 + 5 + 6 + 5 = 26).

O número 666 refere-se à besta do Apocalipse. O Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz (capítulo 14, página 128), dá-nos a seguinte explicação: o número 666 pode ser encontrado em: “VICARIVS GENERALIS DEL IN TERRIS”, “VICARIVS FILII DEI” e "DVX CLERI" que significam "Vigário-Geral de Deus na Terra", "Vigário do Filho de Deus" e “Príncipe do Clero". Somando os algarismos romanos encontrados em cada título papal, obterá 666 em cada um deles.

O Espírito Emmanuel, na pergunta 142 de O Consolador, deixa claro que números, à semelhança do sábado para Cristo, foram feitos para os homens, porém, os homens não foram criados para os números. Diz, também, que a astrologia e cartomancia têm sua importância relativa, contudo o Evangelho solicita o nosso esforço pessoal para a resolução dos problemas atinentes à nossa evolução espiritual, e caso tenhamos nascido num dia aziago, isso deve ser motivo para nos aplicarmos ainda mais, com mais determinação.

10 novembro 2019

Revisão do Cristianismo (Livro)

Revisão do Cristianismo, de José Herculano Pires, foi publicado em 1980, pela Paideia, e trata dos seguintes assuntos: "A Descoberta do Cristo", "A Mitologia Cristã", "A Herança Mágica", "A Revelação", "O Culto Cristão", "O Olimpo Cristão", "Cristo e o Mundo", "A Desfiguração do Cristo", "Os Mandatários de Jesus", "A Existência de Jesus", "A Razão do Mito", "O Mito da Razão" e "Matéria, Mito e Antimatéria".

Tônica do livro: distinguir o mito da realidade.

Por que fazer uma revisão do Cristianismo? Para aclarar o maior número de mentes acerca dos erros e das superstições mitológicas ocorridos ao longo do tempo. Jesus combateu a magia e os mitos, mas o Cristianismo se organizou na sistemática mitológica e acabou transformando o próprio Mestre em mito. Há necessidade de um ato de coragem para revisar o cristianismo à luz da lógica e crítica histórica. Os efeitos, contudo, seriam admiráveis.

Renan, através das pesquisas históricas, e Kardec, através das comunicações mediúnicas, chegaram às conclusões de que os ensinos morais do mestre são os de real valor. A revelação, por exemplo, tem no Espiritismo um caráter humano e divino.

Herculano Pires enfatiza, neste compêndio, a influência grega na edificação do Cristianismo: 1) Jesus recebera um nome grego que ele jamais tivera, e que passaria a designar o futuro de sua doutrina; 2) a assimilação das doutrinas de Platão, por Santo Agostinho, e de Aristóteles, por São Tomás de Aquino, completariam o quadro dessa influência.

Como todo o livro está centrado na questão do mito, explica-nos que a inclusão de Cristo como a segundo pessoa de Deus na Mitologia Cristã, advém de outros mitos, principalmente do mito da trindade egípcia, formada por Osíris, Ísis e Hórus.

No capítulo II, "A Mitologia Cristã", tece comentários sobre o Espírito da Verdade (João 16, 12 e 13), cujo texto trata da promessa de Cristo sobre a vinda de um Espírito que nos guiará por toda a verdade. Herculano diz: "O Espírito da Verdade não é uma entidade definida, uma criatura humana ou espiritual, mas simplesmente a essência do ensino de Jesus, que se restabeleceria através dos homens que mais rapidamente se aproximassem da sua verdadeira compreensão".

Detalhemos um pouco mais a questão do mito e da razão:

A adoração do religioso funda-se em algum tipo de racionalidade; a adoração mágica altera os textos sagrados para atender às conveniências sectaristas. Exemplo: cobrança de indulgências. 

O Olimpo Cristão é uma cópia do Olimpo Grego, em que aqueles deuses são substituídos pelos deuses de batina, onde se encontram diversos absurdos: criação da Santíssima Trindade, infalibilidade papal, arrogância clerical em relação à ciência.

A imaginação humana, aliada às paixões, criaram, talvez pela influência de Espíritos inferiores (falta de vigilância), teorias e práticas ridicularizantes para desfigurarem a imagem real do Cristo e imposição da mitologia.

Renan, corajoso em suas pesquisas, reconhece a existência histórica de Jesus, mas não aceita a divindade dada pelos teólogos. Kardec, por outro lado, contesta o nascimento virginal de Jesus, afirmando que Jesus era um homem como outro qualquer, com a missão de regenerar a população.

19 outubro 2019

Resumo Analítico das Obras de Allan Kardec

Florentino Barrera, argentino, pesquisador meticuloso das obras de Allan Kardec, trata, em Resumo Analítico das Obras de Allan Kardec (2003), do histórico de cada obra, suas diversas edições, os comentários recebidos, as traduções feitas para diversos países. Eduardo Carvalho Monteiro, na introdução deste livro, diz: "Estendendo nossa análise, diríamos que ele também apresenta uma visão geral da Codificação, de seus primórdios, de suas consequências para o patrimônio espiritual da humanidade, favorecendo velhos profitentes tanto quanto iniciantes do espiritismo a ter uma macrovisão da Doutrina Espírita".

Além das obras básicas, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, A Gênese, analisa, também, Obras Póstumas, Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas, O Que é o Espiritismo?, O Espiritismo em sua Expressão mais Simples, Viagem Espírita em 1862, Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas, Auto-de-Fé de Barcelona, Coleção de Orações Espíritas Extraídas de O Evangelho Segundo EspiritismoCaracteres da Revelação Espírita, Catálogo Racional de Obras que podem Servir para Fundar uma Biblioteca Espírita, Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos, Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Rivail e Kardec: Duas Obras Distintas.

Notas extraídas do livro:

Concebido em 1855, o texto de O Livro dos Espíritos se distribuía em duas colunas e estava dividido em três livros ou partes e 24 capítulos, 501 perguntas e notas.

Atendendo ao conselho dos Espíritos, reserva o nome dos médiuns para proteger-lhes e evitar os perigos a que foram expostas as irmãs Fox.

Para Canuto de Abreu, a tarefa mediúnica foi realizada por Caroline Baudin, Julie Baudin, Ruth Celine Japhet e Aline Carlotti. Acrescenta o concurso de outros médiuns, tais como, Lecrec, Canu, Clément, para a tarefa de revisão.

A segunda edição de O Livro dos Espíritos traz em sua capa o termo Filosofia Espiritualista e contém os princípios da doutrina espírita sobre imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade, segundo o ensinamento dado pelos Espíritos Superiores com a ajuda de diferentes médiuns. Publicada em 1860, a obra é composta de quatro livros ou partes com 1018 parágrafos numerados.

Pesquisando este livro, o estudioso do espiritismo obterá outras informações valiosas sobre Allan Kardec e todo o processo de codificação da Doutrina Espírita.


18 outubro 2019

Textos em Português e Inglês

Nossa companheira Jaqueline Ferreira, do Spiritist Organization of Seattle, nos Estados Unidos, está traduzindo alguns textos que foram publicados em forma de palestra no site do ceismael.com.br e sergiobiagigregorio.com.b

Os arquivos estão em PDF e PPT (português/inglês ou somente em inglês)

Link para o site: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/text/text.htm

Link para o Google drive: https://drive.google.com/open?id=1qh8F1DdLmD0J-5053799xndh0QmMHI6r

26 setembro 2019

Homem Integral, O (Livro)

O Espírito Joanna de Ângelis, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, escreve "O Homem Integral", em 1990. Na sua apresentação, destaca que o momento mais eloquente de seu caminho evolutivo deu-se quando, pela consciência, consegue discernir o bem do mal, a verdade da mentira, o certo do errado, prosseguindo essa marcha rumo à angelitude.

Em termos históricos: Protágoras afirmava que o "homem é a medida de todas as coisas"; Sócrates tinha-o como o objeto mais direto da preocupação filosófica; no estoicismo e no neoplatonismo, preocupava com "dissolução do homem em a Natureza"; no cristianismo, ele transcende o mundo; no racionalismo de Descartes, é o “ser pensante por excelência, como a razão que compreende e explica o mundo e a si mesma.”; no espiritualismo, o espírito tem primazia; no materialismo, a matéria sobrepõe ao espírito.

Sócrates e Platão afirmavam que o homem era o resultado do Espírito imortal. Os filósofos atomistas reduziram-no ao capricho das partículas. "Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral, por haver desenvolvido todas as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia. Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real".

A Filosofia e a Psicologia, mediante as suas diversas escolas, oferecem caminhos múltiplos para o desenvolvimento do ser humano. A Psicologia, inicialmente confundida com a Filosofia, buscando estudar a psique, alcançou expressão de relevo para a compreensão do homem, dos seus problemas e seus desafios psicológicos. Os psicólogos tentam libertar o indivíduo de seus problemas e de suas dificuldades. 

Em 1966, nos Estados Unidos, surgiu a quarta força em Psicologia, ou seja, a Psicologia Transpessoal, ampliando o campo de investigação além do Behaviorismo, da Psicanálise e da Psicologia Humanista, fornecendo mais amplos esclarecimentos sobre o homem integral... Neles, há uma visão espiritualista do ser humano em maior profundidade. 

O Espiritismo, sintetizando as diversas correntes do pensamento psicológico, estuda o homem na sua condição de Espírito imortal, fundamentando suas teses na imortalidade da alma, no sentido de auxiliar a sua evolução, com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve seguir.

Este livro trata de diversos temas da atualidade, entre os quais, citamos: rotina, ansiedade, medo, solidão, homens-aparência, fobia social, ódio, suicídio, consciência ética, religião, religiosidade, crise, conflitos e problemas neuróticos. Todos esses temas são tratados sob a ótica da Psicologia, da Filosofia, do Espiritismo e do Evangelho de Jesus.

Divaldo e Marxismo

Alcione Giacomitti analisa trechos da exposição de Divaldo Pereira Franco.

"Marxismo está falindo o mundo".

Assista ao vídeo



Algumas notas da exposição de Divaldo

Allan Kardec vai enfrentar o materialismo marxista.

Marx era discípulo de Spencer, materialista inglês. Marx não trabalhava e vivia a expensas de sua esposa, que era rica. Prega uma doutrina revolucionária que tem levado o mundo à falência. A teoria marxista é uma teoria ética e falsamente científica. Ele era economista e não filósofo.

Na obra O Capital, Marx trata da melhor maneira de devastar o povo e um dos itens principais é destruir a família, degradar a sociedade para que esta perca os padrões éticos como está acontecendo no Brasil.

Dilma Rousseff apresentou o projeto da liberação infantil para que esta escolha o sexo que deseja ter. Não é importante a anatomia para o marxismo, o que interessa é a desordem, a ausência de ética. Quer dizer, uma criança de 5 anos tem o direito de dizer o sexo que deseja seguir. Que discernimento tem uma criança de 5 anos sobre sexo? Fala da glândula pineal e de sua relação com o sexo. É de surpreender que uma pessoa religiosa possa admitir uma situação dessa natureza. Daí, a degradação moral no mundo e não somente no Brasil.

Essa degradação foi extraída do Tratado de Psicologia, cujo autor (?) enfatizou três males da atualidade: sexismo, egoísmo e consumismo. Em 2025, a depressão (suicídio) será a primeira causa da morte das pessoas.

Fala do caminho para o vazio existencial, principalmente em decorrência do erotismo que povoam as redes sociais. "Falsa proteção dos direitos humanos apresentada pela ONU". Pais ficam com conflito para não provocar nenhum conflito ao filho.

Psicólogos e estudiosos do século passado e deste afirmam que educar é criar hábitos. Ninguém tem hábitos sem disciplina. Família se degrada, não se tem lar. Escola transformada num campo de batalha, com exceção das escolas militares no Brasil. Por que? Disciplina. Aproveita para contar quando Chico Xavier fora convidado por Emmanuel para ser a ponte com o mundo espiritual. Chico quer saber como atuar. O Espírito Emmanuel diz-lhe que são necessárias três condições: 1.ª) disciplina; 2.ª) disciplina; 3.ª) disciplina.

A criança bate no pai, desafia o mestre, desrespeita os seus colegas. Que podemos esperar? Que sociedade poderemos ter? "Está chegando o momento de reconstruirmos a família" em bases de respeito e de autoridade.

Qual é a meta? Para Allan Kardec, a meta é o Evangelho de Jesus, o maior tratado de ética da humanidade. Buda, Zoroastro, Confúcio, Krishna... trouxeram-nos a ética nobre, mas ninguém apresentou a ética do amor. Jesus fala que o amor é a base essencial da vida. Allan Kardec acrescenta que a luz da vida é a caridade. Paulo soube expressá-la de modo significativo. Kardec adverte que de todas as virtudes teologais (fé, esperança e caridade), a caridade é a mais excelsa. Jesus diz também: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".

25 setembro 2019

Jesus Cristo (1-33)

Jesus Cristo ocupa toda a História Universal. Mesmo sem nada escrever, muitos são os escritos sobre sua vida e os seus ensinamentos. No livro Titãs da Religião, há várias referências, tais como, o Cristo dos Evangelhos Apócrifos, o Cristo dos Heterodoxos, o Cristo do Milenarismo, o Cristo, "Mito Pitagórico", Cristo, Líder de Partido, o Cristo de Celso, o Cristo das Catacumbas, o Cristo dos Montanistas, o Cristo dos Adocionistas, o Cristo dos Monarquistas, o Cristo do Arianismo, entre outros. Anotemos alguns deles.

O Cristo dos Evangelhos Apócrifos. Eis alguns deles: Evangelho da Infância de Jesus, Evangelho de Maria, dos Doze Apóstolos, de São Pedro, de São Bartolomeu etc. Em geral, esses Evangelhos refletem a imagem de "Cristo folclórico". O Evangelho da Infância de Jesus é um dos mais “folclóricos”. Observe estas duas passagens: 1) um menino, por brincadeira, pula sobre as costas de Jesus. Aí, Jesus zangou-se e, olhando-o, lhe disse: — Não chegarás aonde ias — E o menino caiu fulminado e morto no chão; 2) estava Jesus ainda no berço: e um dia olhou para sua mãe e falou com ela, declarando-lhe os mistérios da encarnação: — Eu sou Jesus, o Filho de Deus, o Verbo que tu engendraste, segundo to anunciou o arcanjo. São Gabriel. Enviou-me o Pai para redimir o mundo dos seus pecados.

O Cristo dos Heterodoxos. Defende a presença dos heterodoxos, pois segundo o apóstolo, Oportet haeresses esse, ou seja, foi conveniente que houvesse hereges, porque da contradição saiu a luz. Entre tais hereges, Tertuliano ou Orígenes, deduzidos seus erros, foram grandes luminares da Igreja.

O Cristo do Milenarismo. Baseando em passagens evangélicas como, por exemplo, "preparai-vos, porque o reino de Cristo está para chegar" (Paulo), surge a teoria segundo a qual Cristo estava para voltar, e estabeleceria o seu reino, que duraria na terra 1000 anos de paz e tranquilidade. Nesses 1000 anos, o diabo seria preso no centro da terra. Após esse período, estaria livre, seduziria os fiéis e enfrentaria Cristo. Cristo, porém, o reduziria a pó. Só depois disso, começaria o seu reinado.

O Cristo, Líder de Partido. No século I, a ideia professada entre políticos e escritores oficiais era: a nova seita "político-social" tinha um líder chamado Cristo, supliciado na cruz. Spengler (1880-1936) também aceitava essa teoria, ou seja, de que João Batista seria o líder dos essênios. Uma vez degolado por Herodes, Cristo receberia a liderança do partido.

O Cristo de Celso. Celso foi um porta-voz eminente do Império Romano e o acusador de Cristo e dos cristãos. Devido aos seus ataques desmedidos, Orígenes acabou escrevendo o Contra Celsum para mostrar-nos a verdade sobre Cristo. Um dos ataques de Celso: "Como podemos ter por Deus um homem que nada fez do que prometeu? — escrevia Celso. — Perseguido para ser aprisionado e supliciado. E quando preso, por fim, viu-se abandonado por quantos se diziam seus discípulos!..."

Para mais informações, consulte: Titãs da Religião. Tradução J. Coelho de Carvalho. Rio de Janeiro: Ateneo, s.d.p.

03 setembro 2019

Conflito

ConflitoDesigna contenda entre poderes opostos, muitas vezes marcada pela violência, chegando, em alguns casos, à luta armada. Conflito de deveres é quando, na sua moral aplicada, um mesmo ato parece ao mesmo tempo legítimo e ilegítimo. Kant fala-nos do "conflito da razão consigo mesma", mostrando-nos a contradição que a razão experimenta no esforço que faz para encontrar nos fenômenos um incondicional de que dependeriam todos os condicionados. Conflito específico. Diz respeito às doenças psicossomáticas, reflexos de nossa estrutura espiritual construída desarmonicamente em vidas passadas.

Na psicologia, o conflito baseia-se nos fenômenos de recalcamento, principalmente na oposição entre o consciente e o inconsciente. Freud, nos seus estudos psicanalíticos, elucida-nos sobre as três forças da personalidade: nossos impulsos biológicos (o id), as ordens e proibições da sociedade (o superego) e as várias maneiras em que aprendemos a satisfazer o primeiro enquanto regulamos o segundo (o ego). Queremos fazer algo, mas sabemos que não podemos ou não devemos. Há um conflito, e temos que tomar uma decisão.

Nem todos os conflitos são negativos; eles também podem ser positivos, pois podem contribuir para o crescimento de pessoas, grupos e coletividades. Desde a Antiguidade, os cientistas e os filósofos divergem muito sobre essa positividade ou negatividade. Os estudos realizados ao longo do tempo podem ser postos em dois campos: 1) como fenômeno patológico (Émile Durkheim e Talcott Parson); 2) formas normais de interação (Hegel, Marx).

O conceito de conflito é muito amplo, pois diz respeito a todos os nossos relacionamentos pessoais e interpessoais. Por isso, devemos conviver com eles, tentando canalizá-los para um fim altruísta, no sentido de diminuir os custos da vida humana. As sociedades abertas têm mais chance de chegar a um acordo harmonioso como decorrência de um conflito. Nas sociedade rígidas, a tarefa é mais árdua e, às vezes, pode resultar em guerra.

Conflito entre religião e ciência. O Espírito Emmanuel, no capítulo 27 "Os Dogmas e os Preconceitos", de Emmanuel, diz: "A ciência criou a academia, e a religião sectarista criou a sacristia; uma e outra, abarrotada de dogmas e preconceitos, repelindo-se como pólos contrários, dentro dos seus conflitos têm somente realizado separação em vez de união, guerra em vez de paz, descrença em vez de fé, arruinando almas e afastando-as da luz da verdadeira espiritualidade".