26 Fevereiro 2012

Charles Richet e a Fé

O Espírito Irmão X, no capítulo 16 ("A Passagem de Richet"), de Crônicas de Além-Túmulo, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, relata o desencarne de Charles Richet, criador da metapsíquica. Segundo o texto, ele fora enviado ao Planeta Terra com a missão de desenvolver a ideia da imortalidade. Teve todas as circunstâncias favoráveis, mas não deixou a fé crescer em seu coração. 

Daí, a seguinte frase: "Se, após oitenta e cinco anos de existência na face da Terra, ele não pode adquirir, com a sua ciência, a certeza da Imortalidade, é desnecessária a continuação da sua estada nesse mundo. Como recompensa aos seus esforços honestos em benefício dos irmãos em humanidade, quero dar-lhe agora, com o poder do meu amor, a centelha divina na crença, que a ciência planetária jamais lhe concedeu, nos seus labores ingratos e frios". 

Leia o texto completo em: https://sites.google.com/site/centroismael/passagem-de-richet-a

25 Fevereiro 2012

Hipócritas e Hipocrisia, em o Evangelho Segundo o Espiritismo


Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo

Em “Notícias Históricas”, no item Fariseus, temos: “Acreditavam, ou, pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos”. Jesus, que prezava a simplicidade e as qualidades da alma, procurou, em toda a oportunidade, desmascarar-lhes a hipocrisia.

Em “Sócrates e Platão, Precursores da Ideia Cristã e do Espiritismo”, extraímos: Sócrates, como o Cristo, foi vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças que encontrara e colocado a virtude real acima da hipocrisia e do simulacro das formas; o combate aos preconceitos religiosos tem esse preço. 

Capítulo VIII  Bem-Aventurados Aqueles que Têm Puro o Coração.

Em “A Verdadeira Pureza. Mãos não lavadas”, temos: “Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, quando disse: Este povo me honra de lábios, mas conserva longe de mim o coração; é em vão que me honram ensinando máximas e ordenações humanas." (Mateus, 15, 1 a 20)

Comentário: Não é o que entra pela boca que macula o homem, mas o que sai, pois o que sai provém do coração.

Capitulo X    Bem-Aventurados Aqueles que São Misericordiosos

Em “O Argueiro e a Trave no Olho”, temos: “Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho? - Ou, como é que dizeis ao vosso irmão: Deixa-me tirar um argueiro ao teu olho, vós que tendes no vosso uma trave? - Hipócritas, tirai primeiro a trave ao vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão”. (Mateus, 7, 3 a 5.)

Comentário: vemos o mal que há no outro, mas somos incapazes de ver o mal que há dentro de nós. Este é o grande problema da Humanidade. Para resolvê-lo, deveríamos nos colocar no lugar do outro.

Capítulo XI — Amar ao Próximo como a Si Mesmo

Em “Dai a César o que é de César”, os discípulos dos fariseus fazem a seguinte pergunta a Jesus: É-nos permitido pagar ou deixar de pagar a César o tributo? “Jesus, porém, que lhes conhecia a malícia, respondeu: Hipócritas, por que me tentais? Apresentai-me uma das moedas que se dão em pagamento do tributo. E, tendo-lhe eles apresentado um denário, perguntou Jesus: De quem são esta imagem e esta inscrição? - De César, responderam eles. Então, observou-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. (Mateus, 22, 15 a 22; Marcos, 12, 13 a 17.)

Comentário: a questão proposta tinha o cunho de transformar um problema político em religioso. Mas, “Jesus conhecendo sua malícia”, evita a dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, dizendo-lhes para restituírem a cada um o que lhe era devido.

Capítulo XII — Amai os Vossos Inimigos

Em “A Vingança”, os Espíritos nos instruem que a vingança, as mais das vezes assume aparências hipócritas, ocultando nas profundezas do coração os maus sentimentos que o animam. “Toma caminhos escusos, segue na sombra o inimigo, que de nada desconfia, e espera o momento azado para sem perigo feri-lo...”

Capítulo XIII  Que a Vossa Mão Esquerda não Saiba o que Dá a Vossa Mão Direita

Em “Fazer o Bem Sem Ostentação”, anotamos: “Tende cuidado em não praticar as boas obras diante dos homens, para serem vistas, pois, do contrário, não recebereis recompensa de vosso Pai que está nos céus. - Assim, quando derdes esmola, não trombeteeis, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. - Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita; - a fim de que a esmola fique em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará”. (Mateus, 6 , 1 a 4.)

Comentário: esta passagem evangélica caracteriza a beneficência modesta; é sinal de grande superioridade moral, pois quem o faz deixa de lado a vida presente e concentra-se na vida futura; deixa de lado o reconhecimento dos homens para, se possível, ter o reconhecimento de Deus.

Capítulo XXI — Haverá Falsos Cristos e Falsos Profetas

Em “Não Acrediteis em Todos os Espíritos”, temos: “O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas idéias”.

Comentário: se não analisarmos cuidadosamente a mensagem dos Espíritos, poderemos facilmente cair em suas ciladas.

Capítulo XXVII  Pedi e Obtereis

Em “Qualidades da Prece”, temos: “Quando orardes, não vos assemelheis aos hipócritas, que, afetadamente, oram de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens. - Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa...” (Mateus, 6, 5 a 8.)

Comentário: procuremos orar sempre em silêncio, no âmago do nosso coração.

Capítulo XXVIII — Coletâneas de Preces Espíritas

Em “Para Afastar os Maus Espíritos”, anotamos “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que limpais por fora o copo e o prato e estais, por dentro, cheios de rapinas e impurezas. - Fariseus cegos, limpai primeiramente o interior do copo e do prato, a fim de que também o exterior fique limpo. - Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que vos assemelhais a sepulcros branqueados, que por fora parecem belos aos olhos dos homens, mas que, por dentro, estão cheios de toda espécie de podridões. - Assim, pelo exterior, pareceis justos aos olhos dos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidades”. (Mateus, 23, 25 a 28.)

Comentário: os Espíritos não se afastam pela ordenança ou pelo pedido. Precisamos despojar de nós o que os atrai. 

22 Fevereiro 2012

Consciência Cristalizada

O que significa cristalizar? Como uma consciência pode se cristalizar? Figuradamente, podemos dizer que cristalizar é a ação de concentrar-se, de fixar-se em torno de um sentimento, de uma ideia, de um assunto etc.: a cristalização da atenção. Em se tratando da consciência, podemos dizer que é aquela que se fixou, se concentrou num conteúdo de ideias e sentimentos, sem querer dele abrir mão.

A consciência se cristaliza porque não nos empenhamos em pensar por nós mesmos, ficando à escuta sempre dos outros ou dos apelos do mundo que nos circunda, como toda a espécie de mídia. Além disso, quando não nos concentramos em nós mesmos, podemos ser presas fáceis do monoideísmo, das ideais fixas, muitas delas nos levando aos quadros de obsessão, com os seus desdobramentos em fascinação e subjugação.

Sócrates,na Antiguidade, já nos falava da necessidade de nos conhecermos a nós mesmos, de nos tornarmos seres humanos autoconscientes. Em 7 de janeiro de 1937, no capítulo 25, do livro Crônicas de Além-Túmulo, pelo Espírito Irmão X, através de Francisco Cândido Xavier, volta ao mesmo tema, ou seja, à “consciência de si mesmo”, como a única maneira de combater o pensamento cristalizado.

Desta mensagem, escolhemos duas passagens que nos auxiliam a compreensão deste tema: 
 1ª) desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens benevolentes e sábias?  Seria inútil, pois os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos; são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si; — 2) há a elite dos filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir. — Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no ataúde das escolas.

No Espiritismo, aprendemos que o estado mórbido da consciência (monoideísmo) caracteriza-se pela persistência de uma ideia, que nem o curso normal das ideias, nem a vontade conseguem dissipar. A fixação mental é uma questão de atitude assumida. Se mudarmos o foco, ou seja, se melhorarmos o teor energético de nosso pensamento,  ampliaremos o nosso campo mental para o bem e estaremos nos libertando dos pensamentos malsãos.

Quando toda a humanidade tornar-se consciente de si, não haverá mais cidadãos da pátria, mas somente irmãos entre si. 

Sócrates, no Instituto Celeste de Pitágoras

O Espírito Irmão X, no capítulo 25 ("Sócrates"), de Crônicas Além-Túmulo, por Francisco Cândido Xavier, oferece-nos alguns dados para a nossa reflexão. Percebemos que a tônica do pensamento de Sócrates, mesmo depois de todos esses séculos, ainda funda-se na consciência de si. Em todas as suas respostas, vale-se da comparação entre o estado atual da humanidade e a distância para com o perfeito conhecimento de si mesmo.  

Para Sócrates, os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos; ainda são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si. Por isso, acha inútil enviar ao mundo suas mensagens benevolentes e sábias. Acrescenta que, mesmo entre os filósofos,  as suas verdades não seriam reconhecidas, pois eles mantêm o pensamento cristalizado no ataúde das escolas.

Em suas explicações, faz uma indagação: não crucificaram, por lá, o Filho de Deus, que lhes oferecia a própria vida para que conhecessem e praticassem a verdade? 

15 Fevereiro 2012

Dúvida

A dúvida é um estado de ânimo, uma indecisão entre duas ou mais escolhas. Podemos vê-la sob o aspecto teórico ou existencial. Teoricamente, diz respeito às indecisões diante dos acontecimentos diários ou diante das verdades especulativas. Existencialmente, caracteriza-se pela impossibilidade de depositarmos confiança nas pessoas ou pela falta de fé diante das dificuldades pelas quais estivermos passando.

Na Antiguidade, confiava-se mais nas evidências imediatas. Com a instauração do método científico, principalmente por Descartes, a dúvida foi se consolidando cada vez mais. Kant, por exemplo, desconfiava de que nosso conhecimento seja capaz de captar a realidade como ela é; Marx rejeitava o valor das ideologias dominantes. Dizia que havia manipulações para a conservação de privilégios sócio-econômicos; Nietzsche suspeitava das “verdades morais” que estimulavam as pessoas a se curvarem ante os mais corajosos.

A ciência moderna acua o ser humano, faz com que a crítica incessante seja a razão de sua existência. Sem o perceber, esse quadro vai minando a confiança que tinha sobre si mesmo e sobre Deus. Da dúvida teórica passamos imperceptivelmente para a dúvida existencial, a que nos deve interessar mais de perto, porque diz respeito à nossa relação com a fé cristã e o nosso relacionamento com Deus.

Lembremo-nos de que a fé cristã sempre foi uma luta contra a dúvida que nasce do coração. É por esta razão que Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, insiste para que todo o cristão faça uso da fé raciocinada, que é a única que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade. 

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.