10 outubro 2020

Alguns Aspectos das Religiões do Brasil

Desde o seu descobrimento, em 1500, o Brasil foi um país oficialmente católico por quatro séculos. Mesmo com sua independência, em 1822, a Igreja católica continuou oficialmente unida ao novo Estado-nação. Somente no final do século XIX, quando a monarquia foi substituída pelo regime republicano, o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Estado. Na constituição de 1891, inscreveu-se a moderna liberdade de culto. Hoje, temos um pluralismo religioso.

Este pluralismo religioso teve como consequência a expansão das igrejas neopentecostais. Daí o Brasil, mais do que um país católico, tornou-se um país cristão. Quer dizer, o recuo do catolicismo não implica o recuo do cristianismo. Quem abandona o catolicismo, adere a outro ramo do cristianismo. Os pentecostais nada mais fazem do que recristianizar os católicos desistentes da sua antiga Igreja.

O catolicismo, apesar de estar perdendo adeptos, abarca 75% da população brasileira adulta. No censo demográfico de 1991, os católicos no Brasil eram 121 milhões. Em segundo lugar vem o protestantismo, com 13% da população, segundo dados de 1994, dividido, desde o início do século XX, em protestantes históricos e pentecostais. Percebe-se, assim, que a maioria (88% da população adulta) dos brasileiros professa o cristianismo.

O protestantismo tem muito a ver com a chegada de imigrantes, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Lembremo-nos dos alemães que vieram ao Brasil em 1824, originando o luteranismo. Ainda hoje, o luteranismo continua sendo a maior das denominações históricas existentes no Brasil. No final do século XIX, já tínhamos todas as denominações clássicas do protestantismo: luteranos; anglicanos, ou episcopais; metodistas; presbiterianos; congregacionalistas, e batistas, 

Nas primeiras décadas do século XX, começaram a chegar as igrejas pentecostais. Os evangélicos pentecostais cresceram rapidamente e, no início da década de 90, pelo menos um décimo dos brasileiros adultos era pentecostal (10%), ao passo que os protestantes históricos representavam apenas 3% desses brasileiros. Eis algumas de suas igrejas: Assembleia de Deus, Igreja Pentecostal o Brasil para Cristo, Igreja Universal do Reino de Deus, Deus é Amor, Renascer em Cristo.

Fora do campo propriamente cristão, temos o espiritismo, e o conjunto da religiões afro-brasileiras. Há, também, as religiões não cristãs menos representadas no Brasil em número de seguidores: o judaísmo, o islã, o budismo, o Hare Krishna, o xintoísmo e outros cultos vindos do Japão e da Coréia: Seicho-No-Iê, Soka Gakkai, Igreja Messiânica, Perfect Liberty etc.

Destaque especial para a umbanda, que surgiu na década de 1920, no Rio de Janeiro, como sendo uma religião genuinamente brasileira. Além do fato de ter nascida no Brasil, a umbanda também pode ser dita "religião brasileira" porque é a resultante de um encontro histórico: o encontro cultural de diversas crenças e tradições religiosas africanas com as formas populares de catolicismo, mais o sincretismo hindu-cristão trazido pelo espiritismo de origem europeia.

Fonte de Consulta

GAARDER, Jostein, HELLERN, Victor, NOTAKER, Henry. O Livro das Religiões. Tradução Ilsa Mara Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

03 outubro 2020

A Etimologia de Denizard, Segundo o Dr. Canuto de Abreu

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, nasceu na cidade de Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804, recebendo na pia batismal o nome de Hippolyte. Seu pai se chamava Jean Baptiste Antoine Rivail.

O Dr. Canuto de Abreu, em artigo publicado na revista Santa Aliança, de fevereiro de 1956, tece alguns comentários sobre a etimologia do nome Denizard:

“Segundo creio, o nome Denizard deriva da velha expressão latina Dionysos Ardenae, designativa de Deus Dyonísio, da Floresta de Ardenas. Dentro dessa imensa mata gaulesa que Júlio César calculava em mais de 500 milhas, os druidas celebravam as evocações festivas do Deus Nacional da Gália, denominado Te-Te-Te, Altíssimo, representado por um carvalho secular. 

À sombra do carvalho divino os legionários romanos, após a derrota de Vercingetorix, ergueram a estátua do Deus Dionysius, também conhecido pelo nome de Bacchus, deus das selvas, das campinas, das uvas, dos trigais, amante da rusticidade e da liberdade. E, de conformidade com o costume dos conquistadores, inscreveram uma legenda latina ao pé do monumento. Supõe-se que rezava assim: Dionysio Rústico Eleuthero, com a significação de Dionísio campestre em liberdade.” 

O povo deturpou os nomes: 

"Dionysius sofreu a evolução simplificativa Dionysio-Dionys-Denis. Ardenae, latinização de ard-nae, mata grande, simplificou-se em ard". 

Com a introdução do Cristianismo, surgiram três santos, Denis, Rústico e Eleutério. 

Allan Kardec foi consagrado a Denis-Ard, evocativo do Protetor Espiritual da França. O primeiro nome apresentado ao Maire foi o de Denizard. 

Tal é o relato resumido do Dr. Canuto Abreu. 

Extraído de: IMBASSAHY, Carlos. A Missão de Allan Kardec. Federação Espírita do Paraná



16 setembro 2020

Cristianismo Primitivo

O Cristianismo primitivo pode ser entendido como os ensinamentos evangélicos (em estado puro) que Jesus transmitiu aos seus discípulos. O Cristianismo é um corpo doutrinário sem remendos, sem peças justapostas. Em suas máximas, temos: a prática da caridade, o amar ao próximo como a si mesmo, o oferecer a face esquerda quando baterem na direita etc.

Jesus, quando esteve encarnado, já previa a desfiguração dos seus ensinamentos. Tanto é verdade que, em João 14, 15 a 17 e 26, há o seguinte: “Mas o Consolador, que é o Santo-Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenha dito". Nota-se que ensinar e relembrar tem relação com esquecido ou deturpado.

As pessoas, ao longo do tempo, foram criando narrativas diferentes para a boa nova apresentada por Jesus. Além dessas narrativas, acrescentemos, também, os interesses políticos e religiosos. Politicamente, a conversão ao Cristianismo pelo imperador Constantino, que propiciou o surgimento do catolicismo. Religiosamente, lembremo-nos do Padre Alta que disse: “Fomos desfigurando o Cristianismo do Cristo para aceitarmos o Cristianismo dos vigários".

Em termos da volta ao Cristo e à pureza de seus ensinamentos, ressaltemos o grande trabalho dos protestantes, que foram os grandes tradutores da Bíblia [para a língua pátria], diretamente dos textos originais hebraicos e gregos. Entre tais nomes, temos: John Wycliff (1328-1384), Martinho Lutero (1483-1546), William Tyndale (1484-1536) e King James (1566-1625) que reuniu uma série de estudiosos para traduzir a Bíblia para o inglês. Objetivo; libertar o povo das garras papais. 

Introduzamos Jan Huss (1369-1415) nesse contexto. John Wycliff (1328-1384), em 1380, usou a Vulgata de São Jerônimo e traduziu alguns escritos para o inglês. Depois de 40 anos, o papa mandou desenterrar o seu corpo, queimar seus ossos e jogar as cinzas no rio. Ele era apenas um tradutor. Dez anos mais tarde, Jan Huss [encarnação anterior de Allan Kardec] levou as ideias de Wycliff para a Boêmia. Foi queimado junto aos livros e à Bíblia somente pelo fato de querer a volta à palavra da escritura.

O Espiritismo, como Consolador Prometido, tem a missão de restaurar os ensinamentos puros veiculados por Jesus: ensinará todas as coisas e nos lembrará daquelas que foram esquecidas. Nesse sentido, o espírita tem o dever de divulgar os conhecimentos de Jesus, sem os dogmas da Igreja e o espírito de sistema. O procedimento: debruçando-se sobre as obras básicas e complementares, para que suas ações sejam sempre bem fundamentadas.

 

03 setembro 2020

Identidade dos Espíritos

Tese: há uma regra invariável e sem exceção que a linguagem dos espíritos corresponde sempre ao seu grau de elevação.

A "Identidade dos Espíritos" é o título do capítulo XXIV da Segunda Parte ("Das Manifestações Espíritas") de O Livro dos Médiuns. Nele, Allan Kardec trata das provas possíveis de identidade e como distinguir os Espíritos bons e maus.

Começa dizendo que a questão da identidade dos Espíritos é muito controvertida. Qual a razão? É porque os Espíritos não trazem nenhum documento de identificação e sabe-se com que facilidade alguns deles usam nomes emprestados. Acrescenta que a identificação de personagens antigos é também difícil de constatar. Na maioria das vezes, a identificação se reduz a uma possibilidade de apreciação puramente intelectual. Como proceder? Um Espírito se apresenta com um nome famoso: dizendo trivialidades e puerilidades, a identificação é descartada; se as coisas ditas são dignas do nome, então há uma possibilidade moral de que seja ele.

Distinguir os Espíritos superiores tem também os seus inconvenientes. Isto por que à medida que os Espíritos se purificam — embora mantenham a individualidade as características distintivas de sua personalidade desaparecem. Nessa posição, o nome que tiveram na Terra pouco significa.

Dentre os Espíritos, os Espíritos contemporâneos, cujos hábitos e caráter são conhecidos, hábitos que não tiveram tempo de se livrar, são mais fáceis de constatar.

Um Espírito inferior usar nomes pomposos para se fazer acreditar. Ele o faz mais pelo orgulho do que pela sapiência, pois quer simplesmente impingir as ideias mais ridículas.

Meio para assegurar a identidade do Espírito. Quando o Espírito se torna suspeito, pede-se para ele afirmar em nome de Deus todo-poderoso que é ele mesmo. A caligrafia ajuda a identificar os Espíritos, mas devemos ter cuidado, pois como há falsários na terra, há também os do mundo espiritual.

Conselho do Espírito São Luís:

“Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao vos entregardes aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião.”

Agostinho e o Espiritismo

Agostinho (354-430 d.C.), natural de Tagaste, norte da África, foi bispo de Hipona (hoje Annaba, na Argélia) durante trinta e quatro anos, onde escreveu, combateu heresias e viveu em comunidade com outros cristãos. Para ele, filosofia e teologia estavam ligadas de maneira indissociável. Suas principais obras foram Confissões e A Cidade de Deus, obras que continuam sendo lidas até hoje.

Em Confissões, procura mostrar pelo seu exemplo o que pode a graça para os mais desesperados dos pecadores. Com admirável franqueza e contrição confessa os desregramentos de sua mocidade (teve inclusive um filho bastardo, Adeodato), sempre atribuindo a si mesmo as tendências perversas e a Deus os progressos de seu espírito para o bem. Foi um homem em permanente batalha contra as suas próprias emoções e fraquezas. Discute também questões acerca do tempo e a presença do mal no mundo.

Em A Cidade de Deus, discute a vontade humana, as relações entre teologia e razão e a divisão da história entre as duas cidades – dos homens e de Deus. O pensamento político. contido em A Cidade de Deus, forja-se no encontro de duas tradições: a da cultura greco-romana e a das Escrituras judaico-cristãs. Da Antiguidade grega Agostinho retém as ideias de Platão (República e Leis). Traça, assim, os planos de uma cidade ideal, a Cidade de Deus, em contrapartida com a da cidade terrestre, em que predomina a guerra, a injustiça, o egoísmo etc. Para ele, a verdadeira administração de uma cidade deve estar baseada na justiça, e esta por sua vez na caridade, ensinada por Cristo.

Recebeu de Platão e dos neoplatônicos a distinção entre o mundo imperfeito e transitório das coisas materiais, acessado por meio dos sentidos, e o mundo perfeito e eteno, acessado por meio do intelecto. Assim, baseando-se na filosofia socrático-platônica, santo Agostinho busca a verdade necessária, imutável e eterna, não nas coisas materiais, que estão sempre em transição, mas em Deus, pois somente Deus é a verdade.

A explicação de Agostinho sobre o mal do mundo. Para ele, a culpa está no pecado original. O divino está dentro de nós, mas foi maculado por aquilo que aconteceu no Jardim do Éden. O remédio está na graça divina. Os escolhidos por Deus estavam predestinados a serem salvos da maldição eterna.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontram-se algumas comunicações deste insigne Espírito. São elas: Os Mundos de Expiações e de Provas, Mundos Regeneradores e Progressão dos Mundos (Cap. 3, 13 a 19), O Mal e o Remédio (Cap. 4, 19), O Duelo (Cap. 12, 11 e 12), A Ingratidão dos Filhos e os Laços de Família (Cap. 14, 9) e Alegria da Prece (Cap. 27, 23). Em O Livro dos Médiuns há anotações Sobre o Espiritismo (Cap. 31, 1) e Sobre as Sociedades Espíritas (Cap. 31, 16).

O Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, comenta sobre as comunicações de santo Agostinho: 1) Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo; ele se manifesta quase que por toda parte; 2) Como muitos, ele também foi arrancado do paganismo; 3) Em meio de seus excessos, sentiu o alerta dos Espíritos superiores: a felicidade se encontra alhures e não nos prazeres imediatos; 4) Depois de ter perdido a sua mãe, disse: “Eu estou persuadido de que minha mãe voltará a me visitar e me dar conselhos, revelando-me o que nos espera a vida futura”; 5) Hoje, vendo chegada a hora para a divulgação da verdade que ele havia pressentido outrora, se fez dela o ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para responder a todos aqueles que o chamam. (Kardec, 1984, cap. 1, item 11, p. 41)

Há, também, uma nota de Allan Kardec: Santo Agostinho veio destruir aquilo que edificou? Não. Ele agora vê com os olhos do espírito; sua alma liberta da matéria entrevê novos horizontes, que lhe propiciam compreender o que não compreendia antes. Sobre a Terra, julgava as coisas segundo os conhecimentos que possuía, mas, quando uma nova luz se fez para ele, pode julgá-las mais judiciosamente. “Foi assim que mudou de ideia sobre sua crença concernente aos Espíritos íncubos e súcubos e sobre o anátema que havia lançado contra a teoria dos antípodas”. Com uma nova luz pode, sem renegar a sua fé, fazer-se propagador do Espiritismo, porque nele vê o cumprimento das coisas preditas. Proclamando-o, hoje, não faz senão nos conduzir a uma interpretação mais sã e mais lógica dos textos. (Kardec, 1984, cap. 1, p. 42)
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

Colônias e Fraternidades do Espaço

As Fraternidades do Espaço são agrupamentos de Espíritos que têm a finalidade de auxiliar os encarnados. O Comandante Edgar Armond, no tempo que colaborou na FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo), catalogou e classificou as fraternidades. Ele anotava o nome da Fraternidade, o seu dirigente, a sua finalidade e o número de Espíritos a ela ligado. Depois, consultava o grupo de médiuns para confirmação.

Vejamos algumas delas: Fraternidade dos Cruzados (Proteger os trabalhos da FEESP, na década de 40); Fraternidade do Trevo (Auxiliar na organização e direção da FEESP); Fraternidade dos Essênios (Esclarecimento evangélico para auxiliar a Reforma Íntima); Fraternidade dos Humildes (Orientação dos trabalhos de cura na FEESP); Fraternidade dos Egípcios (Fortalecer o psiquismo dos Médiuns); Fraternidade dos Hindus (Elucidar o desenvolvimento Mediúnico); Fraternidade do Cálice (Apoio aos doentes). 

O Instituto de Confraternização, em São Paulo, está na mesma dimensão que a Colônia "Nosso Lar", situada sobre a Zona Norte do Estado do Rio de Janeiro. O Instituto é um edifício de cinco andares e se encontra no meio de um grande jardim, formando uma cruz, tomando-se como ponto de referência Santo Amaro ─ Vila Maria e São Caetano ─ Freguesia do Ó. (Thomaz, Feesp)

No Capítulo V “Prelúdios da Reencarnação” do livro Memórias de um Suicida, de Yvonne A. Pereira, há o Departamento de Reencarnação na Colônia Correcional Maria de Nazaré. Este Departamento tinha as seguintes sessões de auxílio: Recolhimento; Análise (Gabinete secreto, inacessível aos visitantes); Programação das recapitulações; Pesquisas; Planejamento dos envoltórios físico-terrenos.

Mais colônias espirituais:

"Mansão da Paz" é uma instituição destinada a receber Espíritos infelizes ou enfermos, mas decididos a trabalhar pela própria regeneração. Está sob a jurisdição de “Nosso Lar”. (livro Ação e Reação, de André Luiz).

“Campo da Paz” é um posto de socorro que recebe Espíritos enfermos, mais desequilibrados do que maus. (livro Os Mensageiros, de André Luiz)

A Casa Transitória de Fabiano é um Posto de Auxílio móvel, que se desloca quando se faz necessário, ao longo das regiões umbralinas. Presta socorro aos sofredores, condenados pela própria consciência à revolta e à dor. (livro Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz)
THOMAZ, Martha Gallego. O Instituto de Confraternização Universal e as Fraternidades do Espaço. São Paulo: FEESP

Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita

Allan Kardec, na introdução de O Livro dos Espíritos, cujo título é "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita", levanta algumas questões pertinentes ao Espiritismo, tais como, "Espiritismo e Espiritualismo", "Alma, Princípio Vital e Fluido Vital", "Manifestações Inteligentes", A Doutrina e seus Contraditores", "A Linguagem dos Espíritos e o Poder Diabólico", totalizando 17 tópicos. 

Vejamos alguns pontos:
  • A opção por Espiritismo em vez de Espiritualismo é devido ao fato de o  Espiritualismo já ter conceituação própria. Aplicando-o aos conceitos espíritas seria multiplicar as causas já numerosas de anfibologia.
  • O problema da terminologia. Para as coisas novas necessitamos de palavras novas. Em se tratando da alma, aceita que ela é o ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo. Princípio vital e fluido vital nada mais são do que uma das transformações do fluido cósmico universal.
  • Os contraditores da Doutrina. Para convencer os seus contraditores, compara a dança das rãs de Galvani com a dança das mesas. Há necessidade uma aprofundamento dos fatos observados.
  • Mesas girantes. Allan Kardec descobriu que havia algo inteligente por trás das mesas girantes. Esta é a causa original da codificação do espiritismo, pois ofereceu um campo inteiramente novo de observação.
  • Psicografia. Em vez de esperar a prancheta escrever, utiliza a própria mão do médium.
  • Resumo da Doutrina dos Espíritos. O Espiritismo trata de Deus, dos Espíritos, da matéria e de toda a relação que há entre o mundo espiritual, o verdadeiro mundo, e o mundo material, incluindo cada um de nós.
  • Dificuldade de a ciência aceitar o fato espírita. Se o fato observado não é palpável, há, entre os cientistas, muitas conjecturas. Por isso, a ciência espírita utiliza a percepção extra-sensorial.
  • Requisitos indispensáveis para a compreensão da Doutrina Espírita. Perseverança e seriedade, pois a Doutrina nos lança numa nova ordens de coisas, que não são absorvidas de uma hora para outra.
  • O Espírito disse: já é uma verdade? Os Espíritos pertencem a diferentes ordens de evolução e se manifestam de acordo com o seu grau de aperfeiçoamento moral e intelectual.
  • Divergências de linguagem. Os Espíritos, sendo diferentes em conhecimento e moral, expressam-se segundo essas mesmas condições evolutivas . A contradição entre os Espíritos superiores diz respeito mais às palavras usadas do que ao conteúdo da mensagem propriamente dita.
  • Causas da loucura. As mais comuns são: as decepções, as desgraças, as afeições contrariadas, que são também as causas mais frequentes do suicídio.


11 agosto 2020

Mateus ou Marcos?

Por que o Evangelho segundo Mateus aparece primeiro no Novo Testamento?

Há muita controvérsia sobre quem escreveu primeiro o Evangelho. A posição usual é que Marcos escreveu o primeiro Evangelho. Posteriormente, Mateus e Lucas utilizaram Marcos e outra fonte que consistia em frases atribuídas a Jesus, conhecida com Q. Isso ajudou os historiadores. Mas, de onde Marcos retirou o seu material? Marcos devia dispor de tradições orais, que reuniu e colocou em determinada ordem.

Bruno da Silva Moreira, no Projeto Missionário de Deus em Marcos 6,7-13: Fundamentos Bíblicos Marcanos de uma Teologia da Missão, apresentado à Faculdade de São Bento para obtenção do título de Bacharelado em Teologia, joga uma luz sobre o impasse: quem foi o primeiro evangelista: Mateus ou Marcos?

Eis um trecho do referido trabalho:

"Recordando uma antiga tradição cristã, alguém poderá perguntar se o primeiro evangelista não foi Mateus. A tradição diz, ainda, que ele foi o primeiro a escrever um evangelho, e o fez em hebraico (ou aramaico). Mas não temos, hoje, nenhum evangelho aramaico ou hebraico, todos os quatro evangelhos que possuímos foram escritos em língua grega. Eis aí a primeira dúvida a respeito do texto de Marcos. Além disso, o evangelho de Mateus tem as características de ter sido elaborado com base em Marcos. Logo, parece altamente provável que Marcos seja o mais antigo e simples dos quatro; no entanto, é tão importante e profundo quanto os outros. Ainda, destaca-se que Marcos serviu de base para a redação de Mateus e Lucas.

Com a afirmação de que Marcos foi o primeiro evangelho, levanta-se outro problema: Será que Marcos foi o criador do gênero literário evangelho, ou, pelo contrário, tal gênero, nos escritos judaicos, gregos e romanos, já é dependente de literaturas paralelas? Para Bultmann, foi Marcos que criou esse novo tipo de literatura. Dentre os evangelistas, Marcos é o único que vai se referir ao evangelho como “Boa Notícia”. Portanto, será com ele que iremos saber o significado de Evangelho, isto é, qual é essa boa notícia.

Como já mencionado anteriormente, Marcos inaugurou no cristianismo o gênero literário denominado evangelho. Seu anúncio vivo e autêntico torna Jesus Cristo atualmente presente, pois o Evangelho é Jesus Cristo presente no anúncio da Palavra. “Nesse sentido, Marcos é original e inovador, ele próprio decidiu ser o portador de uma Boa Notícia escrita, e o conteúdo disso seria a pessoa de Jesus, suas palavras e ações. Assim, com Marcos surge esse gênero literário, ou seja, um modo de transmitir uma boa notícia”.

Ao contrário de Mateus e Lucas que tiveram durante séculos posição privilegiada, Marcos não teve o mesmo destino, ficando, assim, relegado a segundo plano pela Igreja. “Alguns escritores antigos, como Santo Agostinho, o classificaram como resumo de Mateus”. Devido a esse tipo de comentário pouco se prestou atenção a sua obra na Antiguidade e Idade Média. “Foi por volta de 1900 que os historiadores começaram a dispensar-lhe mais atenção, pensando que ele era mais merecedor de fé do que os outros evangelhos e mais próximo da história de Jesus”. Desde então o evangelho de Marcos passou a ser destaque para os estudiosos, uma fonte preferida.

Dentre os evangelhos sinóticos Marcos é o mais breve, porém isso em nada diminui o valor qualitativo de sua mensagem, o valor literário, seu anúncio e sua intenção teológica. Marcos apresenta não uma biografia de Jesus, mas uma narrativa de Cristo como evangelho (Boa Nova), isto é, uma mensagem de fé a partir da vida histórica de Jesus, à luz do desígnio de Deus."

Para mais informações, acesse http://faculdadedesaobento.com.br/files/pesquisas_43715416-03310777-8663-132018.pdf

28 julho 2020

Telecinesia

Telecinesia. De tele, distância, e cinesia, movimento, significa o movimento de objetos sem o emprego de qualquer força mecânica.  Psicocinesia, telecinesia e psi-kappa têm grande semelhança, pois traduzem a força do pensamento, e descrevem a capacidade de uma pessoa movimentar, manipular ou exercer força sobre um sistema físico sem interação física, mas usando apenas a mente. 

O termo "psicocinese" foi criado por Henry Holt (autor estadunidense, em 1914). J. B. Rhine (parapsicólogo) popularizou-o nos anos 30. O termo "telecinesia" foi criado por Alexandre Aksakof (parapsicólogo) em 1890. No Espiritismo, podemos traduzi-la como os fenômenos de efeitos físicos, notadamente levitação e transporte.

Por causa da falta de controle e de repetição dos experimentos, a comunidade científica classifica a telecinesia como pseudociência. Esquecem-se de que os fenômenos mediúnicos não seguem uma ordem dada pelo ente encarnado. Esta é razão pela qual muitos cientistas que foram combater o fenômeno acabaram se rendendo a ele. Eis alguns sábios ilustres que se dedicaram ao seu estudo: William Crookes, Gully, Lodge, Lombroso, Zöellner, Charles Richet, Aksacof, Rochas e muitos outros.

Para ilustrar este assunto, há um tópico interessante no livro O Fenômeno Espírita, de Gabriel Delanne, que se intitula "Medição da Força Psíquica". Essa força, relatada por inúmeros testemunhos, foi alvo de medições. Roberto Hare, na América do Norte, e William Crookes, na Inglaterra, submeteram-na a um exame rigorosamente científico. 

Eis o processo de Hare: "A longa extremidade de uma prancha presa a uma balança de espiral, com um indicador fixo para marcar o peso. A mão do médium foi colocada sobre a outra extremidade da prancha, de modo que, qualquer pressão que houvesse, não pudesse ser exercida para baixo; mas, pelo contrário, produzisse o efeito oposto, isto é, suspendesse a outra extremidade. Com grande surpresa sua, esta extremidade desceu, aumentando assim o peso de algumas libras na balança". 

Efeitos físicos, raps, materialização, ectoplasmia, transporte, levitação etc. são outros tantos assuntos ligados a este tema. Dediquemo-nos ao seu estudo e ampliemos o nosso conhecimento sobre a Doutrina Espírita. 

27 julho 2020

Pragmatismo e Espiritismo

Pragmatismo. É um pensamento filosófico criado, no fim do século XIX, pelo filósofo americano Charles Sanders Peirce (1839-1914), pelo psicólogo William James (1844-1910) e pelo jurista Oliver Wendell Holmes Jr (1841-1935). Valoriza mais a prática do que a teoria. Seus idealizadores defendem o empirismo no campo da teoria do conhecimento e o utilitarismo no campo da moral. O critério da verdade deve ser encontrado nos efeitos e consequências de uma ideia, ou seja, em seu êxito.

O pragmático age em função da lógica, tendo sempre um objetivo definido. Quer dizer, as ideias e os atos só são verdadeiros se servirem para a solução imediata de seus problemas. Vejamos dois exemplos: 1) o bem é aquilo que tem êxito; 2) o verdadeiro é aquilo que é útil, eficaz, coisa que funciona. Ele adota o postulado básico do pragmatismo, ou seja, o significado de uma doutrina é idêntico aos efeitos práticos que resultam de sua adoção. 

Em se tratando do Espiritismo, a relação entre teoria e prática tem grande relevância, pois o verdadeiro espírita deve nortear suas ações em função dos princípios básicos codificados por Allan Kardec, a partir de 1857. Seus livros preferidos devem ser: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. Acrescentemos, também, os livros complementares e as obras mediúnicas da atualidade. 

Primeiro o estudo, depois a prática. Nesse caso, o pragmatismo espírita não deve ser analisado em virtude de uma solução imediata das dificuldades encontradas. Há muitos problemas envoltos em diversas encarnações. É o caso, por exemplo, de se querer eliminar um obsessor de uma vez por todas. Pode ser uma associação que vem de muitas encarnações passadas. Por isso, todo cuidado é pouco, no sentido de que problema seja resolvido em sua essência, na sua causa e não somente nos efeitos presentes.

Comparemos o Espiritismo prático e o Espiritismo praticado. O Espiritismo prático refere-se, geralmente, aos trabalhos de intercâmbio com o mundo espiritual, principalmente nas seções mediúnicas de desobsessão, em que o doutrinador tem a oportunidade de auxiliar os Espíritos menos felizes. O Espiritismo praticado tem um alcance maior: há necessidade da mudança de comportamento, pois o espírita sincero deve ser espírita tanto dentro de um Centro Espírita quanto no seu convívio com próximo, independentemente das circunstâncias. Nesse caso, pode haver discrepância entre o Espiritismo prático e o Espiritismo praticado. 

Estudemos o Espiritismo, reflitamos sobre os seus postulados básicos e, sempre que possível, acionemos a nossa força interior para por em prática esses ensinamentos.