03 setembro 2019

Conflito

ConflitoDesigna contenda entre poderes opostos, muitas vezes marcada pela violência, chegando, em alguns casos, à luta armada. Conflito de deveres é quando, na sua moral aplicada, um mesmo ato parece ao mesmo tempo legítimo e ilegítimo. Kant fala-nos do "conflito da razão consigo mesma", mostrando-nos a contradição que a razão experimenta no esforço que faz para encontrar nos fenômenos um incondicional de que dependeriam todos os condicionados. Conflito específico. Diz respeito às doenças psicossomáticas, reflexos de nossa estrutura espiritual construída desarmonicamente em vidas passadas.

Na psicologia, o conflito baseia-se nos fenômenos de recalcamento, principalmente na oposição entre o consciente e o inconsciente. Freud, nos seus estudos psicanalíticos, elucida-nos sobre as três forças da personalidade: nossos impulsos biológicos (o id), as ordens e proibições da sociedade (o superego) e as várias maneiras em que aprendemos a satisfazer o primeiro enquanto regulamos o segundo (o ego). Queremos fazer algo, mas sabemos que não podemos ou não devemos. Há um conflito, e temos que tomar uma decisão.

Nem todos os conflitos são negativos; eles também podem ser positivos, pois podem contribuir para o crescimento de pessoas, grupos e coletividades. Desde a Antiguidade, os cientistas e os filósofos divergem muito sobre essa positividade ou negatividade. Os estudos realizados ao longo do tempo podem ser postos em dois campos: 1) como fenômeno patológico (Émile Durkheim e Talcott Parson); 2) formas normais de interação (Hegel, Marx).

O conceito de conflito é muito amplo, pois diz respeito a todos os nossos relacionamentos pessoais e interpessoais. Por isso, devemos conviver com eles, tentando canalizá-los para um fim altruísta, no sentido de diminuir os custos da vida humana. As sociedades abertas têm mais chance de chegar a um acordo harmonioso como decorrência de um conflito. Nas sociedade rígidas, a tarefa é mais árdua e, às vezes, pode resultar em guerra.

Conflito entre religião e ciência. O Espírito Emmanuel, no capítulo 27 "Os Dogmas e os Preconceitos", de Emmanuel, diz: "A ciência criou a academia, e a religião sectarista criou a sacristia; uma e outra, abarrotada de dogmas e preconceitos, repelindo-se como pólos contrários, dentro dos seus conflitos têm somente realizado separação em vez de união, guerra em vez de paz, descrença em vez de fé, arruinando almas e afastando-as da luz da verdadeira espiritualidade".


28 agosto 2019

Religião e Espiritismo

Religião é a crença na existência de uma força superior considerada como criadora do Universo. O termo vem do latim "religio" que parece derivar de "re + ligare". Com o prefixo iterativo "re" significaria um sentimento de vinculação, de obrigação para com o Ser Supremo. Em linhas gerais, a origem das religiões pode ser encontrada nas cosmogonias, no sincretismo, na criação do mundo etc.

A religião é a ligação com o objeto que a pessoa considera sagrado. Sistema de crenças não testáveis existentes para uma ou mais deidades, e as práticas que acompanham a adoração e os sacrifícios. Segundo o Espírito Emmanuel, é o sentimento divino que liga a criatura ao Criador. Tem o papel de explicar os conteúdos existenciais do ser humano: de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde iremos depois da morte. Fundamenta-se na salvação, na revelação e na fé.

O Espírito Emmanuel, no capítulo IV de Emmanuel, reforça a ideia de que em vista do dogmatismo e dos diversos rituais, estabelecer a diferença religião e religiões. "A religião é o sentimento divino que prende o homem ao Criador. As religiões são organizações dos homens, falíveis e imperfeitas como eles próprios"; "muitas delas, porém, estão desviadas do bom caminho pelo interesse criminoso e pela ambição lamentável dos seus expositores".

Em se tratando da revelação, Allan Kardec, no capítulo I ("Caráter da Revelação Espírita") de A Gênese, explica-nos que todas religiões tiveram os seus reveladores, pois a revelação é a forma pela qual o homem recebe as verdades religiosas. Embora estivessem longe de conhecer toda a verdade, tinham uma razão de ser providencial, porque eram apropriadas ao tempo e ao meio em que viviam". Infelizmente, as religiões hão sido sempre instrumentos de dominação. Para o Espiritismo, considerado a terceira revelação, houve, naturalmente duas anteriores, ou seja: a de Moisés e a de Jesus.

L. M. Barros, em Contribuição para o Esclarecimento do Tema: O Espiritismo como Religião, aponta para a existência da religião na codificação kardequiana. O Livro dos Espíritos. Trata-se de um trabalho de "revelação", o que é fundamentalmente uma Religião, pois não há Religião sem "revelação", sem profetismo. O Livro dos Médiuns. Estudo aprofundado da mediunidade, e portanto, de revelação, o que implica no aspecto religioso. O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Céu e O Inferno tratam ainda do problema religioso. O único livro propriamente dito científico é A Gênese, mas ainda voltado para uma explicação científica dos fatos religiosos, tais como os milagres e as curas.

Allan Kardec, em Obras Póstumas, à página 247, diz: "O Espiritismo é uma doutrina filosófica que tem consequências religiosas como toda a filosofia espiritualista, pelo que toca forçosamente nas bases fundamentais de todas as religiões: Deus, alma e vida futura. Não é ele, porém, uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templo, e entre os seus adeptos nenhum tomou nem recebeu o título de sacerdote ou "papa"".

23 agosto 2019

Células-Tronco

As células são consideradas como a menor porção viva do organismo. São formadas, fundamentalmente de três partes: membrana envolvente, citoplasma e núcleo. Tecido é um grupo de células semelhantes destinado à realização de determinadas funções. Órgãos são formados por um tecido ou um grupo de tecidos que desempenham determinadas funções. Sistemas são formados por um conjunto de órgãos constituídos por um único tecido. Aparelhos são formados por um conjunto de órgãos constituídos por vários tecidos. O organismo humano é formado por numerosos órgãos, os quais trabalham harmonicamente para assegurar a vida. (1)

Uma célula-tronco é uma célula que pode se reproduzir e gerar diferentes tipos de células funcionais. Presentemente, as células-tronco mais famosas são as células-tronco embrionárias (CTEs), cultivadas in vitro. Lembrando que o embrião é uma estrutura originária da fertilização de um óvulo (gameta feminino) por um espermatozoide (gameta masculino).

Para uma melhor compreensão do assunto, anotemos:

Cultura de tecidos. Consiste em produzir células fora do corpo, em tubos de ensaio. Foi a partir de 1950 que começou a ser usada, quando passou a ser possível comprar de fornecedores biológicos.

Terapia celular. É o uso de novas células para substituir as que morreram e introduzi-las na parte do corpo em questão. Exemplos: células do músculo do coração para um coração fraco; neurônios em uma parte do cérebro afetada por um AVC.

Transplante de medula óssea. É a mais importante forma de terapia com células-tronco, pois é possível coletar medula óssea (e as células-tronco hematopoéticas que contém) em quantidade suficiente de doadores vivos.

Pretensas terapias com células-troncoSão as "terapias com células-tronco" que não tem explicação científica clara. Isso normalmente envolve enxertos autólogos de células de uma parte do corpo em outra, ou às vezes enxertos alogênicos de determinada linhagem de celular na região afetada. (2)

Quando analisamos a questão das células-tronco na perspectiva espírita, devemos ter em mente que, teoricamente, é possível que muitos embriões concebidos in vitro não tenham Espíritos, porém, é impossível aceitar que, nesse tipo de fertilização, nunca haverá ligação de Espíritos. Assim, se foram criados com a intenção de nascer, podem perfeitamente ter Espíritos ligados. Se o embrião congelado não é vida, por que o embrião no útero seria? (3)

Fonte de Consulta

(1) DUARTE, José Coimbra. O Corpo Humano. 8.ª ed., São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971. 
(2) SLACK, Jonathan. Células-Tronco: uma Breve Introdução. Tradução de Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018. (Coleção L&PM POCKET, v. 1293)
(3) (matéria publicada na Folha Espírita em março de 2006)

09 agosto 2019

Franco, Divaldo Pereira

Divaldo Pereira Franco é médium e conferencista espírita. Nasceu em 5 de maio de 1927, na cidade de Feira de Santana, na Bahia.

Divaldo Franco, juntamente com Nilson de Souza Pereira, Tio Nilson, para atender as crianças carentes da região, fundou a Mansão do Caminho no dia 15 de agosto de 1952, Em mais de quarenta anos, cerca de 680 crianças e jovens residiram nesses lares substitutos, até a emancipação. Uma grande parte deles constituiu família, mantendo seus lares com edificação, trabalhando dignamente, cada qual na área escolhida.

Sua conversão ao Espiritismo se deu da seguinte forma: abalado pela morte de seu irmão mais velho, e não encontrando amparo médico, recebe ajuda de dona Ana Ribeiro Borges, que o conduziu à Doutrina Espírita.

O seu trabalho de psicografia começou em 1947, em que diversas mensagens foram escritas por seu intermédio. Depois de algum tempo, os Benfeitores espirituais pediram para rasgá-las, pois não passava de simples exercício. Dentre os Espíritos comunicantes, Joanna de Ângelis revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, que conforta as pessoas necessitadas de diretriz espiritual.

Em sua trajetória doutrinária, proferiu palestras por diversas cidades brasileiras e muitos países. Destaca-se o título de Doutor Honoris Causa em Humanidades pela Universidade do Canadá. Até 2010, havia publicado 290 obras.

Por ocasião do Movimento Você e a Paz, idealizado por Divaldo, o querido irmão tem visitado, há dez anos, os bairros populosos da cidade do Salvador, levando-lhes a mensagem preciosa da paz. Esse movimento está sendo propagado, com brilhantismo, em vários países da Europa, tais como: Portugal, França e Espanha, nos Estados Unidos e Paraguai, levando, desta maneira, a proposta urgente da paz a todas as nações.

Fonte de Consulta: http://www.mansaodocaminho.com.br/divaldo-franco/


08 agosto 2019

Guerra na Visão Espírita

Guerra. Refere-se à luta armada entre duas ou mais nações ou bandos. Implica o rompimento de um estado de paz. Etimologicamente, procede do germânico werra, que se transformou em war (inglês). Inicialmente, não representava um conflito sangrento, mas algo na linha da discordância, que podia nascer de uma discussão verbal e chegar, no máximo, a um duelo.

Há diversos tipos de guerras. Guerra preventiva (nação declara guerra antes que outra ataque), guerra civil (dentro do próprio país), guerra santa (motivos religiosos), guerra suja (ações fora do quadro legal ou declarado). Há, também, o sentido moral e psicológico como alusão ao combate ou oposição.

As guerras não acontecem por acaso; elas são frutos do livre-arbítrio das pessoas racionais. Nesse caso, elas podem ser justas ou injustas. Para que uma guerra seja justa, há algumas condições: 1) Que haja um direito líquido e certo, injustamente desrespeitado; 2) ocorrer somente depois de esgotados todos os esforços de acordo; 3) equivalência moral entre o bem que se espera, a reparação do direito do ofendido, e os males inerentes ao desencadear da violência.

Idígoras, em seu Vocabulário Teológico para a América Latina, diz que na Bíblia, há mandamentos divinos que conclamam a luta contra os adversários. Daí, percebemos que se trata de um profundo problema humano. Em outras palavras, para defender ou ampliar posses, os indivíduos entram em litígio. Quando as articulações não conseguem o seu fim, a luta se torna inevitável. Em certos casos, a guerra é certamente moral, quando se trata de defender os direitos atingidos ou impedir que os opressores explorem os mais fracos ou pacíficos. Assim, "não é a guerra que se apresenta como injusta, mas sim a sua utilização para causas ou objetivos de opressão".

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec trata da guerra.

Pergunta 742 - Qual a causa que leva o homem à guerra?
Predominância da natureza animal sobre a espiritual e a satisfação  das paixões.

Pergunta 743 - A guerra desaparecerá um dia da face da Terra?
Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus. Então todos os povos serão irmãos.

Pergunta 744 - Qual o objetivo da Providência ao tornar a guerra necessária?
A liberdade e o progresso.

Pergunta 744 a - Se a guerra deve ter como efeito conduzir à liberdade, como se explica que ela tenha geralmente por fim e por resultado a escravização?
Escravização momentânea para sovar os povos, a fim de fazê-los  andar mais depressa.

Pergunta 745 - Que pensar daquele que suscita a guerra em seu proveito? (p. 745)
Esse é o verdadeiro culpado e necessitará de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa, porque responderá por cada homem cuja morte tenha causado para satisfazer a sua ambição.

05 agosto 2019

Livro sobre Perispírito

Geziel Andrade tem vários livros publicados. O último deles, intitula-se Perispírito: o que os Espíritos disseram a respeito.

Na apresentação, diz: “Só entenderemos a complexidade da vida do Espírito se forem bem compreendidas as propriedades e as características do corpo que o reveste – o perispírito – bem como o papel por ele desempenhado.”

Proposta:
A proposta do livro é a de oferecer um conjunto de informações sobre o perispírito a partir de diferentes autores. Estas informações são organizadas por autor e por tema. Propõe-se compará-las salientando as concordâncias.

Formato:
O livro é dividido em quatro partes sendo que a primeira explora as contribuições de Allan Kardec para o tema, a segunda parte traz informações de diversos médiuns e espíritos, a terceira parte é dedicada ao espírito André Luiz, e a quarta parte contém algumas conclusões. Cada parte é dividida em pequenos capítulos onde cada um explora um aspecto do perispírito. A formatação dos textos e a qualidade da impressão são boas.


Para mais informações, acesse o link  "Analisando o Livro Espírita"


29 julho 2019

Contradições e Mistificações

Contradição significa dizer uma coisa e sua negação. A contradição está sempre no discurso, na opinião, nunca no mundo real. A realidade é o que é, independentemente de nosso julgamento. Dizer que o círculo é quadrado é uma contradição, pois o círculo real é redondo. Nas obras de Hegel e Marx, uma contradição é um par de características que produzem conjuntamente uma tensão instável num sistema político ou social.

Na Doutrina Espírita, a contradição refere-se à divergência de opiniões em torno dos fenômenos mediúnicos. Muitos detratores do Espiritismo baseiam-se nas contradições dos Espíritos para denegrir os fundamentos doutrinários. Para bem entender o assunto, temos que nos identificar com a natureza do mundo invisível. Os Espíritos não pensam da mesma maneira em virtude da infinidade de graus de evolução. Talvez, o mais importante é detectar as causas dessas contradições: ignorância de certos Espíritos, velhacaria, insuficiência da linguagem humana e dos meios de comunicação para o Espírito transmitir todo o seu pensamento.

Os Espíritos superiores não se contradizem. As mensagens podem ser diferentes conforme as pessoas e os lugares. Assim sendo, a contradição é apenas aparente, pois baseia-se nas palavras e não no pensamento. Além do mais, os Espíritos superiores empregam linguagem diferente sobre o mesmo tema, por que não é conveniente atacar bruscamente os preconceitos, com vistas de não perder o ouvinte. Falam de acordo com a opinião do grupo, procurando levá-los pouco a pouco à verdade. Ainda: precisamos aprofundar as respostas e meditá-las longa e seriamente; é todo um estudo que se tem a fazer. É preciso tempo para isso, como para tudo o mais.

A mistificação refere-se aos Espíritos enganadores e àqueles que tomam o nome de pessoas famosas nas suas manifestações. Empregam diversos meios, entre os quais a revelação de pretensos tesouros ocultos, aviso de heranças ou fontes de fortuna. Pergunta-se: por que Deus permite que pessoas sinceras sejam mistificadas? Deus permite as mistificações para  provar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que fazem do Espiritismo um simples meio de divertimento.

Embora não estejamos totalmente livres das mistificações, podemos preveni-las. Assim, não nos deixemos ofuscar pelos nomes usados pelos Espíritos para darem validade às suas palavras. Desconfiemos das teorias empregadas, principalmente quando se afastam dos objetivos morais das manifestações.

Fonte de Consulta 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, cap. XXVII.

04 junho 2019

Mensageiros, Os (Livro Mediúnico)

"Os Mensageiros", pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, é o 2.º livro da coleção “A Vida no Mundo Espiritual”, cuja primeira edição data de 1944. Relata as experiências (e os malogros) de vários Espíritos que tinham reencarnado com tarefas definidas no campo da mediunidade. Há, também, instruções sobre o culto do Evangelho no Lar, os benefícios da prática do bem e a manipulação da energia mental.

Cinco exemplos de fracasso dos que renasceram com condições de êxito no campo da mediunidade:

1) A queda de Otávio (cap. 7). Depois do preparo para o reencarne, deveria estar solteiro (para fazer bom uso da mediunidade) e cuidar de 6 órfãos. Afastou-se deles; por uma ação menos digna, foi obrigado a casar-se pela violência.

2) O desastre de Acelino (cap. 8). Partiu também de "Nosso Lar". Resolveu cobrar por sua mediunidade. Em vez de auxiliar o crescimento espiritual com Jesus, fez viciados da crença religiosa, mutilados da fé e aleijados do pensamento.

3) A experiência de Joel (cap. 10). A tarefa mediúnica de Joel exigia sensibilidade mais apurada. Deixou-se empolgar pela curiosidade doentia. Excedeu-se nesse exercício. Na clarividência, ia em busca de companheiros visíveis e invisíveis, no setor das velhas lutas religiosas, fazendo questão de reconstituir-lhes as fichas biográficas.

4) Belarmino e as agruras de um doutrinador falido (cap. 11). Seus propósitos egoístas atrapalharam a sua boa jornada espiritual. Como os novos amigos queriam demonstrações de toda a sorte e, ansioso por colher colaboradores na esfera da autoridade científica, ele exigia dos pobres médiuns longas e porfiadas perquirições nos planos invisíveis.

5) As ponderações de Monteiro (cap. 12). O seu fascínio comercial com o invisível desviou-o da essência moral da doutrina. Sentia volúpia na doutrinação aos desencarnados de condição inferior. Aos sofredores, fazia ver que padeciam por culpa própria. Aos embusteiros, recomendava, enfaticamente, a abstenção da mentira criminosa.

Lendo este livro, percebemos a grande distinção entre os Espíritos desencarnados e os que estão ainda encarnados. De acordo com os discursos dos desencarnados, em tarefa de ensino, os encarnados têm que melhorar muito as suas faculdades morais e intelectuais. Frequentar um Centro Espírita ou qualquer religião não mostra que o sujeito é religioso. Muitas vezes, está ali para mascarar a realidade, principalmente quando se coloca acima dos seus irmãos de outras crenças.

Para mais informações, leia o livro todo. 

27 maio 2019

Páscoa

Páscoa (Pessach)O seu significado etimológico é incerto. Alguns procuram-no na raiz egípcia e, nesse caso, significaria "golpe", "ferida". Há quem prefira ligar a palavra ao siríaco e então significaria "ser feliz", "estar alegre". Designaria portanto a festa de júbilo por excelência. Entretanto, o significado geralmente aceite é o que adquiriu no hebraico bíblico. (1)

A Páscoa judaica, cuja comemoração dura entre sete e oito dias, celebra a noite anterior à passagem de Deus pelos fiéis, em que os hebreus foram alertados para prepararem determinados alimentos que os sustentassem na saída, às pressas, do Egito. Para tanto, um cordeiro deveria ser assado e pães ázimos (sem fermento) distribuídos. Em outras palavras, a Páscoa, ou passagem, simboliza a libertação do povo hebreu do jugo egípcio. (2)

As dez "pragas", que Deus mandou contra os egípcios, desempenhou papel importante na libertação do povo hebreu. Segundo o livro Êxodo, Deus vai enviando pragas cada vez mais severas para alertar o faraó a libertar os hebreus. A décima "praga" foi a mais severa de todas, pois mostra Deus passando pelos egípcios e matando todos os primogênitos, que não tivessem sido marcados pelo sangue do cordeiro. Quando o primogênito do faraó foi morto, ele acabou libertando os hebreus. (2)

A Páscoa cristã está relacionada com a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Entende-se que Deus liberta o homem dos pecados por meio de Jesus Cristo, o novo cordeiro pascal. Há, também, a simbologia do ovo e do coelho. O ovo representa a vida; o coelho, a fertilidade. Com o tempo, na Alemanha, este símbolo passou a representar uma lebre que põe ovos. Nos Estados Unidos, a partir do século XVII, a lebre passou a pôr ovos de chocolate. (2)

O Espiritismo, embora respeitando a tradição cristã, não comemora a Páscoa. A razão é simples. Allan Kardec (encarnado) e Espíritos já no mundo espiritual, como Emmanuel, trouxeram-nos outra visão do entendimento religioso. Explicam-nos que a ressurreição física não é possível, mas que poderíamos exercitar a ressurreição do espírito, ou seja, as nossas mudanças na prática do bem e da virtude evangélicas ensinadas pelo mestre Jesus.

Resumindo: de que maneira os espíritas deveriam comemorar a Páscoa? Vivenciando diariamente os ensinamentos trazidos pelo mestre Jesus.

Bibliografia Consultada

(1) Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

(2) ARP, Robert (Editor). 1001 Ideias que Mudaram a Nossa Forma de Pensar. Tradução Andre Fiker, Ivo Korytowski, Bruno Alexander, Paulo Polzonoff Jr e Pedro Jorgensen. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

26 maio 2019

Faculdades Morais e Intelectuais

Faculdade é uma potência inata da alma. Exemplo: a potência de sentir (a sensibilidade); a potência de pensar (inteligência). Moral é o conjunto das obrigações ou das proibições que a impomos a nós mesmos; concerne ao bem-estar de outras pessoas e nossa responsabilidade para com elas. Intelectual. Que pertence à inteligência, que está na inteligência. Inteligência. Faculdade que tem o espírito de resolver um problema, de compreender o complexo, o novo. 

André Comte-Sponville, em seu "Dicionário Filosófico", faz algumas anotações sobre a moral, que transcrevemos abaixo: 

Suponha que se anuncie o fim do mundo para amanhã de manhã. Na política, poderia haver alguma desordem, mas moralmente falando, as atitudes dos indivíduos permaneceriam inalteradas, pois cada pessoa agiria segundo as regras impostas pela sua própria consciência.

Para Kant, "Uma ação realizada por dever não tira seu valor do objetivo a ser alcançado por ela, mas da máxima segundo a qual é decidida". O indivíduo age exclusivamente segundo a regra que estabelece, ou seja, "sem levar em conta nenhum dos objetos da faculdade de desejar" e "fazendo-se abstração dos fins que podem ser alcançados por tal ação" (Fundamentos..., I). "Ela não tem a menor necessidade da religião", insiste Kant, nem de um fim ou objetivo qualquer: "ela se basta a si própria" (A religião nos limites da simples razão, Prefácio).

Para Rousseau, a moral é livre ("a obediência à lei prescrita para si mesmo é liberdade"); para Kant,autônoma (porque o indivíduo está submetido unicamente à "sua legislação própria e, no entanto, universal").

Questiona se a moral é realmente universal, mas admite que ela é universalizável.

Em "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, anotamos algumas perguntas:


Pergunta 361. De onde vêm para o homem as suas qualidades morais, boas ou más? 

São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.

Pergunta 363. Os Espíritos têm paixões estranhas à Humanidade?

Não; se assim fosse, vós também as teríeis.

Pergunta 365. Por que os homens mais inteligentes, que revelam um Espírito superior neles encarnados, são, às vezes, ao mesmo tempo, profundamente viciosos?

É que Espírito encarnado não é bastante puro, e o homem cede à influência de outros Espíritos ainda piores.