22 junho 2018

Evangelhos Apócrifos

Há cinco tipos de Evangelho: 1) O Evangelho de Jesus2) O Evangelho dos Apóstolos3) Os Quatro Evangelhos ("Evangelho Segundo Lucas", "Evangelho Segundo Mateus", "Evangelho Segundo Marcos" e "Evangelho Segundo João"); 4) O Quinto Evangelho (os Atos dos Apóstolos e as Cartas Apostólicas); 5) Evangelhos Apócrifos – Muitas informações acerca de Jesus estão arroladas nos evangelhos apócrifos (escondidos) e nas ágrafas (ensino oral). (Battaglia, 1984)

Apócrifo, que vem do grego apokryphos, significa oculto, aquele que não explorado. Diz-se de uma obra que não tenha sua autenticidade comprovada. Em religião, heresia. Evangelhos Apócrifos. Para a Igreja católica, são todos os livros cuja Inspiração Divina é posta em dúvida. Muitos os denominam de "pseudo-canônicos". 

Canônico. Vem de cânon, que designa a régua, o catálogoEm linguagem bíblica, lista de escritos ou livros considerados pelas religiões cristãs como tendo evidências de Inspiração Divina. A partir do séc. IV, aplicou-se o vocábulo ao catálogo dos livros inspirados por Deus no Antigo e no Novo Testamento. Há, também: Livros Protocanônicos, livros sobre cujo valor inspirado nunca se registraram dúvidas; Livros deuterocanônicos, escritos que só depois de hesitações foram oficialmente recenseados no catálogo bíblico.

Os Evangelhos Apócrifos são numerosos (entre 20 e 40) e das mais variadas índoles. Eis alguns títulos: Evangelho da Infância de Jesus, Evangelho de Maria, dos Doze Apóstolos, de São Pedro, de São Bartolomeu, de Eva, de Zacarias, de Gamaliel e até de Judas Iscariotes. Dentre eles, o mais folclórico é O Evangelho da Infância de Jesus. Observe este trecho: "Um menino, por brincadeira, pula sobre as costas de Jesus. Aí, Jesus zangou-se e, olhando-o, lhe disse: — Não chegarás aonde ias — E o menino caiu fulminado e morto no chão".

O Evangelho de Judas, considerado um texto gnóstico, tem conteúdo polêmico. Trata das relações entre Judas, "o traidor", e Jesus Cristo. Detalha que a traição, pregada pela Igreja, foi bem diferente: Judas na realidade atendeu a um pedido do próprio Jesus para que fosse denunciado aos romanos e, assim, cumprir a sua missão. Judas não teria se enforcado. Fora para o deserto, satisfeito por ter realizado sua grande missão e atendido o pedido de Jesus.

Em se tratando dos Evangelhos Apócrifos, Léon Denis, em Cristianismo e Espiritismo, diz: "Esses Evangelhos, hoje desprezados, não eram, no entanto, destituídos de valor aos olhos da Igreja, pois que num deles, ela foi buscar a crença na descida de Jesus aos Infernos, crença imposta a toda a Cristandade pelo símbolo do Concílio de Niceia, de que não fala nenhum dos Evangelhos canônicos".

Fonte de Consulta

BATTAGLIA, 0scar. Introdução aos Evangelhos — Um Estudo Histórico-crítico. Rio de Janeiro: Vozes, 1984.

Titãs da Religião. Tradução J. Coelho de Carvalho. Rio de Janeiro: Ateneo, s.d.p
http://www.acasadoespiritismo.com.br/citacoesbiblicas/CASOSCONTRO/os%20evangelhos%20apocrifos.htm


31 maio 2018

Aparições, Fantasmas e Assombrações

Aparições, fantasmas e casas assombradas (fenômenos mais antigos e documentados de que se tem notícia) são aspectos relevantes dos filmes e contos de terror. Quem nunca assistiu a filmes assim em que as portas se fecham sem razão alguma, vozes parecem vir do nada, ruídos estranhos e sons desconcertantes? Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, dedica o capítulo VI, Manifestações Visuais, para tratar deste assunto. Nesse capítulo, há, também, o "Ensaio Teórico Sobre as Aparições" e a "Teoria da Alucinação".

"Aparição” (e seu sinônimo “fantasma”) refere-se à "aparência imaterial" de uma figura humana que, se identificável, é a de alguém falecido. As aparições geralmente são vistas por uma única pessoa. Muitos são céticos com relação à aparição, pois como a ocorrência não é verificável com facilidade, a sua comunicação é posta em dúvida. Na religião, embora com o nome de "visão", as aparições desempenharam papel relevante. As aparições começaram a ser testadas somente no fim do século XIX e início do seculo XX. Duas foram as razões: 1) método teórico-experimental nas ciências; 2) descoberta da capacidade psi pela parapsicologia.

Em se tratando das casas assombradas, verificamos quatro tipos de fenômenos: 1) fenômenos auditivos (gritos, gemidos, sussurros, móveis se arrastando); 2) fenômenos visuais (luzes, objetos); 3) fenômenos sensoriais (odores); 4) fenômenos de materialização (fantasmas). Para explicar esses tipos de fenômenos foram desenvolvidas várias teorias: 1) teoria das alucinações; 2) teoria da arquitetura da casa; 3) teoria da gente da casa que possua poderes paranormais; 4) teoria do electromagnetismo; 5) teoria da sobrevivência dos espíritos num determinado local.

Convém, aqui, distinguir os fantasmas que estão sendo "produzidos" por seres vivos a partir de materializações inconscientes ou conscientes de ectoplasma, daqueles que surgem espontaneamente em determinados locais. Num caso, podemos falar em materialização; no outro, aparição. No poltergeist (batidas), o fenômeno se origina da atuação inconsciente do sujeito. Observe o fenômeno de Hydesville, em que as irmãs Fox (por meio de batidas na parede) se comunicaram com o Espírito Charles Rosma, assassinado anteriormente naquela casa.

No item 23 do capítulo VI de O Livro dos Médiuns, há a seguinte questão: como o Espírito pode tornar-se visível? Resposta: o princípio é o mesmo de todas as manifestações e está nas propriedades do perispírito, que pode sofrer diversas modificações, à vontade do Espírito. No item 25, indaga-se sobre a forma de condensação do perispírito. Resposta: não há condensação, mas antes uma combinação de fluidos. Assim, pela combinação de fluidos produz-se no perispírito uma disposição especial, que não tem analogia para nós, encarnados.

Analisemos, também, o item 28, cuja questão é: como podemos ver os Espíritos em estado de vigília? Resposta: "Isso depende do organismo, da facilidade maior ou menor do fluido do vidente de se combinar com o do Espírito. Assim, não basta o Espírito querer mostrar-se; é também necessário que a pessoa a quem se quer mostrar tenha a aptidão para vê-lo".

Fonte de Consulta

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural: Magia, Ocultismo, Esoterismo, Parapsicologia. Consultor especial sobre Parapsicologia Professor J. B. Rhine. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução J. Herculano Pires. São Paulo: Lake, 2013.

SCHOEREDER, Gilberto. Dicionário do Mundo Misterioso: Esoterismo, Ocultismo, Paranormalidade e Ufologia. Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2002.

18 maio 2018

Um Morto Falando ao Vivo

O Programa Visão Espírita apresenta pela primeira vez na TV o espírito desencarnado Dr. Inácio Ferreira falando através do médium Carlos Baccelli.

Dr Inácio desencarnou em 1988, tendo sido médico psiquiatra responsável pelas atividades do Sanatório Espírita de Uberaba durante 50 anos.

O médium Carlos Baccelli é odontólogo, participou da fundação e das atividades de muitas entidades espíritas doutrinárias e sociais de Uberaba/MG.

Também é um fértil psicógrafo do mundo espiritual . A parceria entre o médium Carlos Baccelli e o espírito Dr Inácio resultou até o presente momento em mais de 20 obras literárias.

Umas das perguntas feitas ao Dr. Inácio — Dr. Inácio, no seu âmbito de relacionamento no mundo espiritual, quais as principais considerações sobre as situações políticas que estão ameaçando a paz do mundo? Existe preocupação dos mentores espirituais quanto a essas ameaças à paz mundial?

— Sim. Às vezes eu tenho medo porque os homens sobre a Terra ficam na expectativa de uma intervenção do mundo espiritual superior modificando a situação. Essa intervenção não ocorre como os encarnados imaginam, nem como espíritas pensam. Como os Espíritos serão exilados do Planeta Terra? Eles irão de trem, de espaçonave? Observe a vinda dos capelinos. Eles não vieram diretamente, pois não tinham perispírito apropriado para isso. Tiveram que fazer escalas. O homem é o construtor do seu destino dentro das leis divinas. É o homem que constrói. Nós podemos entrar com a sugestão, com a ideia, com a inspiração. Cristo entrou com o Evangelho, com a ideia, que precisa ser posta em prática. Não imaginem que uma legião descerá do alto para modificar, para separar os bons dos maus. Deve-se tomar consciência, escolher melhor os governantes, cobrar mais das autoridades, ser mais ético em tudo que fizer. Por que, como Espíritos desencarnados, nos preocupamos com a situação do planeta? Porque futuramente poderemos reencarnar e queremos um planeta melhor. Além do esquecimento do passado, pesa muito a influência do meio. Quanto melhor as condições, mais facilidade teremos para progredir.

Assista ao vídeo:







17 maio 2018

Notas de Rodapé - Um Curso de Filosofia Espírita Comparada

José Herculano Pires alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite, e não seguia escolas literárias. Apenas comunicava o que achava necessário da melhor forma possível. Em vista disso, produziu muito conhecimento, que se traduz nas suas 84 obras publicadas. Além disso, organizou e dirigiu cursos de Parapsicologia para os Centros Acadêmicos da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia,entre outros. Proferiu muitas palestras espíritas e participou de diversos debates acerca do Espiritismo. 

Destaque: se compilássemos todas as notas de rodapé feitas por José Herculano Pires, ao longo das suas traduções das diversas obras espíritas, teríamos um curso de filosofia espírita comparada.

Eis algumas delas:

P. 615 (L. E.) A lei de Deus é eterna?
— É eterna e imutável, como o próprio Deus.
JHP — Por este princípio: "a lei natural é a lei de Deus, eterna e imutável, como Ele mesmo", certos teólogos católicos e protestantes acusam o Espiritismo de doutrina panteísta. O mesmo fizeram com Spinoza, para quem Deus, a substância única é a própria Natureza, mas não no seu aspecto material, e sim nas suas leis.

P. 621 (L. E.) Onde está escrita a lei de Deus?
— Na consciência.
JHP — Descartes, na terceira de suas Meditações Metafísicas, declara que a ideia de Deus está impressa no homem "como  marca do obreiro impressa na sua obra". Essa ideia de Deus é inata no homem e o impele à perfeição. Embora as escolas modernas de psicologia neguem a existência de ideias inatas, o Espiritismo sustenta essa existência, através do princípio da reencarnação. Por outro lado, as ideias de Deus, da sobrevivência, do bem e do mal existem e existiram sempre entre todos os povos. A lei de Deus está escrita na consciência do homem como a assinatura do artista na sua obra.

P. 628 (L. E.) — Por que a verdade não esteve sempre ao alcance de todos?
— É necessário que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso que nos habituemos a ela pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria.
JHP — Os textos sagrados das grandes religiões, como a Bíblia e os Vedas, os sistemas de antigos filósofos, as doutrinas de velhas ordens ocultas ou esotéricas, todos encerram grandes verdades nas suas contradições aparentes.

P. 636 (L. E.) O bem e o mal são absolutos para todos os homens?
— O bem é sempre bem e o mal é sempre mal. A diferença está no grau de responsabilidade.
JHP — As pesquisas sociológicas deram motivo a uma reavaliação, em nosso tempo, do conceito tradicional de moral. Entendeu-se que a moral é variável, porque o bem de um povo pode ser mal para outro, e vice-versa. A moral relativa é a convencional, enquanto a moral absoluta é a ditada pela aspiração universal do bem, pela Lei de Deus gravada nas consciências.

P. 663 (L. E. ) As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?
— Vossas provas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação...
JHP — Spinoza dizia que "Deus age segundo unicamente as leis de sua natureza, sem ser constrangido por ninguém" (Proposição XVII da "Ética"), e afirmava a impossibilidade do milagre, por ser violação das leis de Deus. Também no tocante aos males individuais, alegava que eles não existiam na ordem geral do Universo.

P. 700 (L. E.)  A igualdade numérica aproximada entre os sexos é um indício da proporção em que eles se devem unir?
— Sim, pois tudo tem um fim na Natureza.
JHP — O Espiritismo é teleológico, tanto do ponto de vista físico quanto do ético. Henri Bergson, em L'Évolution Créatrice (Evolução Criadora), desenvolveu a teoria do elã vital, segundo a qual todo o curso da evolução, partindo da matéria mais densa, dirige-se à liberação da consciência no homem, aparecendo este como o fim último da vida na Terra. Essa é a tese espírita da evolução até os limites da vida terrena. Mas o Espiritismo vai além, admitindo a "escala dos mundos", através da qual a evolução se processa no infinito, sempre com a finalidade da perfeição.

09 maio 2018

Pires, José Herculano

José Herculano Pires (1914-1979) foi jornalista, filósofo e conferencista espírita. A sua vocação para as letras começou quando ainda tinha 16 anos de idade, quando publicou o conto Sonhos Azuis, seu primeiro livro. Trabalhou nos Diários Associados, exercendo, entre outras, as funções de repórter e redator. Manteve nesse jornal, por mais de 20 anos, uma coluna espírita com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Em 1958, licenciou-se em Filosofia pela USP, tendo publicado uma tese existencial: O Ser e a Serenidade. Sua conversão ao Espiritismo se deu da seguinte forma: como era católico, não encontrava respostas para a sua crise religiosa. Frequentou um tempo a Teosofia. Quando se deparou com um exemplar de O Livro dos Espíritos, encontrou tudo o que procurava.

Além das muitas obras escritas, a sua contribuição ao movimento espírita era exemplar. Defensor da Doutrina Espírita, combateu erros doutrinários, principalmente os cometidos pelas Federações. Para cada erro apontado, dava as suas razões lógicas e doutrinárias. Um órgão coordenador do movimento espírita não pode divulgar erros.

José Herculano Pires publicou várias obras espíritas. Eis algumas delas: Introdução à Filosofia Espírita, Mediunidade (Vida e Comunicação), O Espírito e o Tempo, Agonia das Religiões, Revisão do Cristianismo, Ciência Espírita, Curso Dinâmico de Espiritismo e Centro Espírita.

Presentemente, as obras espíritas traduzidas por esse expoente da Doutrina Espírita são mais procuradas. Nas suas traduções, há diversas notas de rodapé, que nos auxiliam a compreender melhor o texto de Allan Kardec.

Há, no YouTube, uma entrevista curta e bastante didática de sua filha Heloísa Pires, a respeito José Herculano Pires. Vale a pena conferir.




Em 21 de outubro de 2012, Heloísa Pires participou do 24º Simpósio Espírita do Centro Espírita Ismael, cujo tema central foi: “O Espiritismo no Brasil e Meio Século da Nossa Casa Espírita”. Na ocasião, seu tema foi: "Herculano Pires e sua Obra". (Vídeo abaixo)

08 maio 2018

Astrologia

"Como o universo não é acidental, mas a manifestação da Vontade Divina, a astrologia pode ser a chave dessa interpretação."

Astrologia é a "arte de adivinhar o futuro pela observação dos astros". O "estudo das verdadeiras ou supostas relações entre o céu e a terra". "Busca da humanidade por significados profundos no céu". Modernamente,"estudo da influência dos astros, mais especificamente, dos signos do Zodíaco, no comportamento humano". Horóscopo, também conhecido como "mapa da hora", é a ferramenta de trabalho do astrólogo. É uma representação simbólica do zodíaco de doze constelações.

A astrologia surgiu há 2000 a.C. na Mesopotâmia e entre os povos da China Antiga. No Oriente, há uma diferença entre o sistema astrológico chinês e o da Índia. Os chineses usam animais para simbolizar o zodíaco de doze constelações. Nesse caso, cada animal é associado à personalidade daqueles nascidos em determinado ano. Na Índia, enfoca-se a previsão do destino das pessoas. Esse foco de previsão do futuro apareceu na astrologia ocidental e continua presentemente: eventos na vida de uma pessoa podem ser explicados pela posição dos astros.

Pesquisando sobre a astrologia, encontramos alguns termos, entre os quais: 1) astrologia judiciária. No momento em que uma criança nasce, os astros exercem influência sobre ela e fixam seu caráter e o seu futuro; 2) ZodíacoÉ a esfera celeste, cortado ao meio pela eclíptica, e que contém as doze constelações que o Sol percorre aparentemente durante um ano; 3) distribuição das doze constelações. As doze constelações são distribuídas em quatro grupos: Fogo (Áries, Leão, Sagitário), Terra (Capricórnio, Touro, Virgem), Ar (Libra, Aquário, Gêmeos) e Água (Câncer, Escorpião, Peixes).

Os estudiosos da astrologia pedem para que diferenciemos a astrologia dos jornais daquela defendida pelos grandes pensadores. Platão, Pitágoras, São Tomás de Aquino e Johan Kepler aceitaram a astrologia não como um meio de prever o futuro, mas como uma planta básica e simbólica da estrutura de funcionamento do universo que satisfazia a sua experiência interior.

Na pergunta 140  Os astros influenciam igualmente na vida do homem?  de O Consolador, o Espírito Emmanuel esclarece-nos que o campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico, em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra. Não diz nada sobre a influência na personalidade e no caráter.

Paulo Neto, em "Astrologia: pode-se acreditar em seus presságios?", oferece-nos alguns pontos de sua pesquisa nos livros espíritas. Vale a pena consultar: (http://www.oconsolador.com.br/ano6/264/especial.html)

Fonte de Consulta

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural: Magia, Ocultismo, Esoterismo, Parapsicologia. Consultor especial sobre Parapsicologia Professor J. B. Rhine. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.

EDIPE - ENCICLOPÉDIA DIDÁTICA DE INFORMAÇÃO E PESQUISA EDUCACIONAL. 3. ed. São Paulo: Iracema, 1987.

26 abril 2018

Visitando o Poltergeist

O moderno espiritualismo ganhou musculatura a partir dos fenômenos de Hydesville. Em fins de 1847, J. D. Fox, um fazendeiro metodista, mudou-se com a esposa e as duas filhas, Margareth (14 anos) e Catherine ou Kate (12 anos) para uma casa de madeira em Hydesville, no Estado de Nova Iorque. Segundo o depoimento da mãe, as batidas e pancadas davam-se à noite e persistiram por vários meses, barulhos esses que muitas vezes mantinham a família acordada a noite toda.

Eis um trecho do diálogo de 31/03/1848:

— “Senhor Pé-rachado, faça o que eu faço, batendo palmas”.
Imediatamente se ouviram pancadas, em número igual ao das palmas. A sra. Margareth, animada, disse, por sua vez:
— “Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro.”
Logo se fizeram ouvir as pancadas correspondentes.
— “É um espírito?”, perguntou, em seguida. “Se for, dê duas batidas.”
A resposta, afirmativa, não se fez esperar.
— “Se for um espírito assassinado, dá duas batidas. Foi assassinado nesta casa?”
Duas pancadas estrepitosas se fizeram ouvir.
Hoje, em Lily Dale, no Estado de Nova lorque, a tosca cabana é admirada como relíquia histórica e uma placa assinala a data considerada a do nascimento do Novo Espiritualismo. (http://www.guia.heu.nom.br/hydesville.htm)

O que significa poltergeist? Qual sua origem? Poltergeist é uma palavra alemã formada de Geist (espírito) e poltein (ruidoso, chocalhante). Em 858, perto da cidade de Birgen, há relatos de quedas de pedras, ruídos altos e pancadas, os quais eram associados a fenômenos causados por espíritos. Acentuam ainda que esses fenômenos eram imunes ao exorcismo. O poltergeist caracteriza-se por destruição de pratos, quinquilharias e movimento de objetos na cozinha. Esses fenômenos são raros e de pouca duração. Por volta de dois meses.

Diferença entre assombração e poltergeist. O poltergeist ocorre na vizinhança de uma determinada pessoa, geralmente menino ou menina na adolescência. Assombração, crença de que o espírito de uma pessoa morta permaneça no seu habitat ou a ele retornou, não se relaciona diretamente com uma pessoa, mas com um determinado local, tal como, uma "casa mal-assombrada".

Fonte de Consulta

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural: Magia, Ocultismo, Esoterismo, Parapsicologia. Consultor especial sobre Parapsicologia Professor J. B. Rhine. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.


20 abril 2018

Humanidade

A humanidade significa o conjunto dos seres humanos. Tem como sinônimo o gênero humano. Pode ser entendida, também, como o conjunto das características de todos os homens. No fundo do termo "humanidade", encontra-se o homem que, para a filosofia, é um "animal racional", visto que seus pensamentos e seus atos emergem de uma dada racionalidade. Assim, diz-se que a diferença específica com relação ao animal é a sua capacidade de pensar, de raciocinar, de conceituar.

A problemática da humanidade reside na atualização dos "dados" apresentados em cada época da história. Esses "dados" estão em estado "potencial", virtual que, ao longo do tempo, o ser humano deverá fazer o exercício de sua atualização.E como isso se sucede? Aplicando o "dever-fazer", ou seja, atuando de forma a incrementar sempre um novo conhecimento, uma nova conduta ao que já foi sedimentado no seu passivo espiritual.

Agostinho, Confúcio, Jesus Cristo e Allan Kardec são boas sugestões numa possível lista de nomes no transcorrer da histórica. Cada um a seu tempo deu sua contribuição. Jesus Cristo, por exemplo, nos trouxe a lei do amor e enfatizou o amar ao próximo como a si mesmo. Allan Kardec fala-nos da regeneração da humanidade. Para tanto, o ser humano terá que vencer o orgulho e o egoísmo, os dois cancros da sociedade moderna.

Allan Kardec, em Obras Póstumas, esclarece-nos acerca da regeneração da humanidade. A Terra não será transformada por um cataclismo. A geração atual será gradualmente substituída por uma nova e mais bem preparada para gerir os avanços necessários à missão do Planeta. "Em cada criança que nasça, em lugar de um Espírito atrasado e propenso ao mal, encarnará um Espírito mais adiantado e propenso ao bem. Trata-se, portanto, muito menos de uma nova geração corporal, do que de uma nova geração de Espíritos".

A regeneração da Humanidade faz parte da Lei do Progresso e está nos planos de Deus. Nosso próprio Planeta já passou por várias transformações físicas, desde a sua criação, há 5 bilhões de anos. É possível que, materialmente, ainda haja reparos a serem feitos, pois nenhuma revolução física se faz da noite para o dia. Contudo, os cataclismos previstos nos Evangelhos nada têm de material; eles são eminentemente morais.

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, oferece-nos informações valiosas para a nossa mudança comportamental e para a regeneração da humanidade. Basta que nos debrucemos sobre os seus princípios fundamentais. 

15 fevereiro 2018

Bem e Mal Sofrer

Este tema “Bem e Mal Sofrer” diz respeito às instruções dos Espíritos (Lacordaire), que se encontra no capítulo V “Bem-Aventurados os Aflitos”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Este capítulo discorre sobre as causas atuais, as causas anteriores e a justiça das aflições, o esquecimento do passado, os motivos de resignação, o suicídio e a loucura, a felicidade não é deste mundo, entre outros.

Para bem entendermos a questão do bem e mal sofrer, convém observar a diferença que há entre dor e sofrimento. A dor é fisiológica; o sofrimento, psicológico. O sofrimento é um conceito mais abrangente e complexo do que a dor. Em se tratando de uma doença, é o sentimento de angústia, vulnerabilidade, perda de controle e ameaça à integridade do eu. Pode existir dor sem sofrimento e sofrimento sem dor. O sofrimento, sendo mais vasto, é existencial. Ele inclui as dimensões psíquicas, psicológicas, sociais e espirituais do ser humano. A dor influi no sofrimento e o sofrimento influi na dor.

O sofrimento não é castigo de Deus. O Espiritismo ensina-nos que todos os nossos sofrimentos estão afeitos à lei de ação e reação. Estudando pormenorizadamente este capítulo (Bem-Aventurados os Aflitos) vamos aprendendo que Deus, inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, deixa sempre uma porta aberta ao arrependimento e o ressarcimento da falta cometida.

Reação não é sempre sofrimento? Geralmente, a palavra reação vem impregnada de dor e sofrimento. É empregada como sinônimo de carma (sofrer e resgatar as dívidas do passado). Em realidade, a reação nada mais é do que uma resposta – boa ou má –, em razão de nossas ações. Pergunta-se: se estamos praticando boas ações, por que aguardar o sofrimento?

Como a cruz é o símbolo do sofrimento, relembremos esse pequeno conto. Um indivíduo tinha recebido a sua cruz e deveria carregá-la montanha acima. Como estava pesada, cortou alguns pedaços. Chegando ao topo da montanha, deveria usá-la como ponte para a outra montanha. Fato: o comprimento foi insuficiente, e teve de voltar para pegar os pedaços que tinha deixado ao longo do caminho. Pode-e entender como uma metáfora de nossa jornada terrestre que, ao caminharmos, vamos encontrando dificuldades. Fugindo delas, teremos de voltar em uma nova encarnação para a devida reparação.

Observe um trecho das instruções dos Espírito. Eles nos dizem: “... Ficai satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, onde é preciso, algumas vezes, mais coragem do que num combate sangrento, porque aquele que ficaria firme diante do inimigo, se dobrará sob o constrangimento de uma pena moral. O homem não é recompensado por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os louros e um lugar glorioso”.

Repitamos com os Espíritos: "Serão bem-aventurados aqueles que tiverem oportunidade de provarem sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão em cêntuplo a alegria que lhes falta na Terra".  

14 fevereiro 2018

Aprendiz do Evangelho

O Evangelho, a boa nova, trazido por Jesus Cristo é um ideal de perfeição para todos os viventes. Nele, há orientações e instruções para o bom comportamento no lar, na via pública, no bairro e na sociedade como um todo. As lições são claras, puras; contudo, para bem captá-las o nosso coração também deve ser puro. 

Qual o problema? há uma diferença fundamental entre obter informações desses conhecimentos e aplicá-los no dia-a-dia. Por quê? Estamos mais interessados na capa de santo do que na verdadeira santidade. Não é sem razão que o Espírito Emmanuel, grande divulgador do Evangelho nas terras brasileiras, está sempre pedindo um aprofundamento a respeito das parábolas e ensinos de Jesus. Nesse caso, a leitura dos seus livros "Pão Nosso", "Vinha de Luz", "Caminho, Verdade e Vida" e "Fonte Viva" deve ser feita diariamente. 

Aproximar-se do Evangelho assemelha-se muito aos nossos pedidos quando estamos prestes a reencarnar. Um Espírito cheio de dívidas pede para vir aleijado, sem olhos, sofrer todo o tipo de dor, inclusive o desprezo do seu semelhante. Quando encarnado, porém, esquece de sua intenção e volta a cair nos mesmos erros de outrora.  

Dizer-se seguidor do Evangelho, em muitos casos, é mera formalidade. O que realmente conta é o que estamos fazendo com os ensinamentos do mestre Jesus. Lembrete útil: ao partirmos para a outra vida não nos perguntarão o que fomos, mas que tipo de conhecimentos, ações e prática da caridade estamos levando em nosso passivo espiritual. 

Ninguém tem a obrigação de seguir os desmandos da sociedade moderna, chafurdada no materialismo e na satisfação dos apetites da carne. É possível que os bons Espíritos estejam nos preparando um caminho mais de acordo com a moral evangélica. Não percamos tempo: metamos mão à obra.