12 novembro 2018

Não Acrediteis em Todos os Espíritos

“Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantaram no mundo.” (João, Epístola l, cap. 4,1).

“Não Acrediteis em Todos os Espíritos”, juntamente com “Conhece-se a Árvore pelos Frutos”, “Prodígios dos Falsos Profetas”, “Caracteres do Verdadeiro Profeta”..., faz parte do capítulo XXI – “Falsos Cristos e Falsos Profetas” de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

Depreende-se do texto que, aquelas pessoas que fossem tentadas a explorar os dons da profecia em proveito próprio, fazendo-se passar por enviadas de Deus, logo seriam descobertas e desmascaradas.

O Espiritismo revela, também, outra categoria de falsos cristos – aqueles que se disfarçam com nomes veneráveis – pertencendo ao grupo dos Espíritos enganadores, hipócritas e orgulhosos, que não estão entre nós, mas entre os Espíritos desencarnados.

O Espiritismo não inventou os Espíritos. É apenas uma doutrina que se funda na crença de existência de Espíritos e nas suas manifestações. Há Espíritos de todos os tipos. Para que eles se comuniquem com os seres humanos, há necessidade dos médiuns, os seus intermediários. Na comunicação dos Espíritos, há a influência do médium, que pode distorcer o conteúdo da mensagem. Por isso, o cuidado de Allan Kardec, quando dizia que é melhor rejeitar dez verdades a aceitar uma só como erro.

Para uma melhor análise deste tema, ser-nos-á útil rever a escala espírita, em que Allan Kardec classifica os Espíritos segundo o seu grau de perfeição. Nas questões 100 a 112,de O Livro dos Espíritos, veremos que: a 3.ª ordem abarca os Espíritos imperfeitos (Espíritos Impuros, Espíritos Levianos, Espíritos Pseudo-Sábios, Espíritos Neutros e Espíritos Batedores), a 2.ª ordem, os Espíritos bons (Espíritos Benévolos, Espíritos Sábios, Espíritos Prudentes ou de Sabedoria e Espíritos Superiores); a 1.ª ordem, os Espíritos Puros.

Referindo-se aos falsos profetas, o Espírito Emmanuel, no livro Levantar e Seguir, diz que falso profeta não é somente aquele que perturba o serviço da fé religiosa, mas todos nós quando negamos a execução fiel dos nossos deveres: na maledicência, somos falsos profetas da fraternidade; na discórdia, somos falsos profetas mistificadores da paz; na preguiça, somos falsos profetas charlatães do trabalho;  na indiferença, somos falsos profetas inimigos do dever.

Não importa a fama do médium nem a envergadura do Espírito. Cabe-nos sempre fazer uma análise serena do conteúdo doutrinal da mensagem mediúnica.