Questão: Qual é o
grau do nosso livre-arbítrio nas eleições brasileiras diante de um sistema que
decide à nossa revelia?
O
livre-arbítrio — relativo e não absoluto — não desaparece pelo simples fato de
existir um sistema político que distorce os votos dos eleitores. No
Espiritismo, o livre-arbítrio é um atributo essencial do Espírito, o qual se
exerce mesmo sob as condições restritas da encarnação. O que o sistema “decide
por nós” costuma ser o cenário externo; o que permanece nosso é a atitude moral,
a intenção, a forma de reagir e as escolhas que ainda cabem dentro do campo
específico de nossa mente.
Os Espíritos
superiores ensinam-nos que o Espiritismo não é partido político e não deve se
misturar com as disputas de poder terreno. Sua finalidade é o progresso do
Espírito encarnado — esteja ele em tarefa de expiação terrena ou em missão no
campo da mediunidade —, mostrando-nos os caminhos da caridade para a perfeita
evolução com Jesus.
Quer
queiramos ou não, o resultado de uma eleição expressa a vontade daqueles que
votaram. Pelo livre-arbítrio, cada espírito encarnado escolhe e colhe as
consequências de suas opções. Uma nação recebe governantes que, em linhas
gerais, correspondem ao seu estado moral médio e às necessidades de provas ou
expiações coletivas. Não se trata de “castigo” ou “recompensa” divina
arbitrária, mas da lei de causa e efeito atuando no plano social.
Independentemente
de quem governa, o papel do espírita é contribuir para o equilíbrio individual
e coletivo da nação. Nesse sentido, deve trabalhar pelo bem comum, respeitar as
instituições, orar pelos governantes e não alimentar o ódio. Governos passam, e
seus representantes prestarão contas às leis divinas; a lei do progresso é
inexorável.
A História
mostra que períodos de forte polarização frequentemente antecedem grandes
aprendizados coletivos. O Plano Espiritual não “escolhe” candidatos; acompanha
e orienta segundo o merecimento e as necessidades de evolução da humanidade.