"Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem."
— Paulo (Romanos 12:21)
O Espírito Emmanuel, no capítulo 35 da obra Fonte Viva —
intitulado "Estendamos o Bem" —, comenta a passagem de Romanos 12:21.
Na Carta aos Romanos, há seções dedicadas à doutrina da Igreja, às práticas
exemplares e, especificamente no versículo 12:21, encontra-se o ponto
culminante da ética paulina, profundamente enraizada nos ensinamentos de Jesus.
Trata-se da aplicação prática da justificativa pela fé: quem foi vencido pela
graça de Deus passa, agora, a vencer o mal com o bem.
Em seus comentários, Emmanuel chama a nossa atenção para os ensinamentos
da natureza. A palavra natureza vem do latim natura, que
significa “nascer”, e refere-se a tudo o que existe no mundo físico e material
de forma espontânea, sem depender da intervenção humana deliberada. Inclui os
fenômenos naturais — como terremotos, enchentes e erupções vulcânicas —, que
ocorrem independentemente da ação do homem.
O mal — embora sentido como real no mundo relativo — pode ser
considerado como a ausência do bem. Onde o bem ainda não se estabeleceu,
observa-se a presença do mal, compreendido não como uma criação autônoma, mas
como a imperfeição ou a falta do próprio bem. Do mesmo modo, o simples ato de
deixar de praticar o mal já representa o primeiro passo na vivência do bem.
A Doutrina Espírita ensina que Deus quer apenas o bem; o mal, portanto,
provém unicamente da ignorância e do livre-arbítrio imperfeito do ser humano. É
por essa razão que Allan Kardec e os Espíritos instrutores, como Emmanuel e
André Luiz, convidam-nos constantemente à prática ativa do bem e à
transformação moral.
O bem, sob a ótica do Espiritismo, é definido como tudo aquilo que está
em harmonia com a Lei de Deus. Na questão 621 de O Livro dos Espíritos,
Kardec pergunta: "Onde está escrita a lei de Deus?", ao que os
Espíritos respondem: "Na consciência." O filósofo J. Herculano
Pires comenta que a lei de Deus está gravada na consciência humana como a
assinatura do artista em sua obra, cabendo-nos atualizá-la no dia a dia da
nossa existência.
Nessa lição, o Espírito Emmanuel recorda-nos de que a própria natureza é
pródiga em nos oferecer lições vivas para a nossa transformação comportamental.
Logo após um temporal — evento muitas vezes encarado como um "mal"
devido à aparente destruição da paisagem —, novas forças da vida organizam-se
para o trabalho de reconstrução:
"O Sol envia luz sobre o lamaçal, curando as chagas do chão; o vento acaricia o arvoredo e enxuga-lhe os ramos; o cântico das aves substitui a voz do trovão... A árvore de frondes quebradas ou feridas regenera-se, em silêncio, a fim de produzir novas flores e novos frutos."
Em última análise, compreende-se que, na economia divina, todo mal
encerra em si a semente ou a oportunidade para um bem maior. É natural que nem
sempre estejamos capacitados a perceber essa finalidade imediata, dada a
limitação do nosso entendimento frente às soberanas Leis de Deus. Contudo, a
nossa confiança na Providência Divina e no amparo dos Bons Espíritos deve
sobressair-se à nossa percepção ainda imperfeita da realidade.