01 março 2026

Santo Agostinho e Comunicação Mediúnica

Santo Agostinho (354-430 d.C.), filho de Patrício e Mônica, nasceu em Tagaste, norte da África. Aos 16 anos, foi estudar direito em Cartago. Em 375, começou a se dedicar à filosofia, como resultado da leitura de Hortêncio, de Cícero. Converteu-se ao Maniqueísmo. Por algum tempo, atraiu-o o neoplatonismo. Em 386, sob a influência de Ambrósio, torna-se cristão e, em 391, é ordenado, mesmo contra a sua vontade, bispo de Hipona. Exerceu esse mandato por mais de 30 anos. Morreu em Hipona, aos 76 anos, durante cerco da cidade pelos vândalos.

Santo Agostinho deixou-nos muitas obras. A Cidade de Deus e Confissões são as mais importantes. Na Cidade de Deus discute o problema do bem e do mal e as relações entre o mundo material e o mundo espiritual. Na cidade dos homens, o egoísmo humano leva os governos à guerra e às mortes; na cidade de Deus, as relações são governadas pela justiça e caridade, tendo-se paz e harmonia. Em Confissões, faz uma autobiografia: conta em detalhes o drama de um pecador, principalmente na época em que era pagão.

Santo Agostinho, na época da Patrística, procurou relacionar a fé, vinda da revelação, com a razão, vinda da filosofia grega. Até então havia muita dúvida, pois alguns pais da Igreja afirmavam que a fé estava acima da razão. Para ele não há contradição entre fé e razão, pois Deus cria as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias ou razões não existem em um mundo à parte, como afirmava Platão, mas na própria mente ou sabedoria divina, conforme o testemunho da Bíblia.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo há várias comunicações mediúnicas, ditadas por Santo Agostinho. Pergunta-se: essas comunicações são genuinamente espíritas ou trazem um ranço do catolicismo? Pelo fato de exercer muitos anos o bispado, não há um automatismo dos conceitos religiosos? A princípio, poderíamos dizer que sim. Mas, lendo uma nota de Allan Kardec, mudamos de idéia. Ele nos diz que o Espírito, desprovido do corpo físico, faz uma melhor avaliação do que seja a verdade. Pode penetrá-la mais facilmente do que se estivesse no corpo físico.

A caminhada espiritual de Santo Agostinho assemelha-se à trajetória de Paulo, quando uma intensa luz o cega no caminho de Damasco. A partir desse momento, opera-se uma mudança radical em sua existência: de perseguidor dos cristãos passa a ser perseguido. O mesmo acontece com Santo Agostinho: tomando consciência de que vida é muito mais do que a existência física, lança-se com todo o vigor do seu Espírito na obtenção da felicidade, que não é fruto dos prazeres da matéria, mas, sim, dos gozos do Espírito imortal.

Aprendamos com os exemplos dos grandes homens. Eles podem ser um excelente incentivo para a nossa mudança de atitude. Basta apenas que nos disponhamos a sair do nosso comodismo.

 

Mediunidade

Mediunidade  do lat. mediumnidade  é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre os homens e os Espíritos. Desenvolve-se naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para a captação mental e sensorial de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta com suas vibrações psíquicas e afetivas.

Os fatos mediúnicos não são fenômenos de nossos dias. Eles sempre existiram. J. H. Pires, no livro O Espírito e o Tempo, relata-nos o processo histórico de tais fatos, começando pelo mediunismo primitivo, passando pelo mediunismo oracular e profético, até atingir a mediunidade positiva, com a codificação do Espiritismo por Allan Kardec, no Século XIX. A mediunidade diz-se positiva, porque Allan Kardec utilizou-se do método teórico-experimental, portanto racional e científico.

O codificador do Espiritismo, para efeito didático, dividiu a mediunidade em duas grandes áreas: quanto ao fenômeno e quanto ao aspecto funcional. Subdividiu o fenômeno em efeitos físicos e em efeitos inteligentes; o aspecto funcional, em mediunidade natural e em mediunidade de prova. A percepção clara dessas distinções terminológicas auxiliar-nos-ão a compreender melhor toda a fenomenologia espírita, diferenciando-a de outras doutrinas espiritualistas e dos diversos sincretismos religiosos.

Todos somos médiuns. Allan Kardec, no cap. XIV de O Livro dos Médiuns, afirma que toda a pessoa é médium, pois todos somos passíveis de receber as influências dos Espíritos. Contudo, na prática, são considerados médiuns somente aqueles que têm uma constituição orgânica própria para o exercício da mediunidade, quando se desenvolvem nestes a psicografia, a psicofonia, a vidência etc.

fenômeno mediúnico, a mediunidade e o Espiritismo são termos distintos que se relacionam entre si. O fenômeno mediúnico diz respeito ao mediunismo, ou seja, às formas incipientes do intercâmbio mediúnico; a mediunidade é a comunicação mediúnica passada pelo crivo da razão e da metodologia científica; o Espiritismo é uma doutrina filosófica e científica de consequências morais. Kardec utilizou-se do fenômeno mediúnico e da mediunidade como meio para atingir um fim: a codificação dos princípios fundamentais do Espiritismo.

Exercitemos a nossa mediunidade, tanto de efeitos físicos como de efeitos inteligentes, natural ou de prova, mas não nos esqueçamos de nos ajustar aos preceitos morais que daí dimanam.

...

Existe grande diferença entre ser médium de espíritos e Médium do Espírito. Em médium de espíritos pode ocorrer muitas distorções. "Jesus deliberou vir ele mesmo ao mundo, para que o Pensamento de Deus, através de sua palavra, não sofresse possíveis interferências". (Capítulo 57  "Médiuns Humanos", de Jugo Leve, de Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Inácio Ferreira [2012])

 

Parábola dos Talentos

Parábola — do lat. Parábola — significa argumento que consiste no aduzir uma comparação ou um paralelo. No sentido evangélico, espécie de alegoria que envolve algum preceito moral. Talento — do lat. talentum —, peso e moeda da antiga Grécia e Roma. O sentido metafórico desse termo, derivado da parábola evangélica dos talentos, é o de “uma superioridade da faculdade conhecedora, que não provém do ensino mas da aptidão natural do sujeito”.

A Parábola dos Talentos (Mateus, cap. 25, vv. 14 a 30) retrata a situação de um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou seus servos, e entregou-lhes os seus bens. Ao primeiro deu cinco talentos, ao segundo, dois e ao terceiro, um. Os dois primeiros negociaram os talentos recebidos e devolveram, respectivamente, dez e quatro talentos. O terceiro devolveu apenas o que havia recebido. Os que multiplicaram seus talentos ganharam novas intendências. Mas o que guardou, até este o amo lhe tirou, dizendo: "Porque a todo o que já tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem".

Missão do Homem Inteligente na Terra

Missão – do lat. missione – significa função ou poder que se confere a alguém para fazer algo; encargo; incumbência. Homem – do lat. homine –, qualquer indivíduo pertencente à espécie animal que apresenta maior grau de complexidade na escala evolutiva; o ser humano. Inteligência – do lat. Intelligentia –, faculdade de aprender, apreender ou compreender.

Todo o homem possui uma missão, grande ou pequena, no planeta Terra. A diversidade de aptidões direciona-nos ao campo de atividade que se coaduna com nossa vocação. A escolha de uma profissão, quando bem refletida, revela os anseios divinos com relação ao nosso desenvolvimento intelectual e moral. Embora não exista a fatalidade, há um determinismo que guia os nossos passos, fruto de nossa escolha, quando desencarnados.

A inteligência, como faculdade de elaborar conexões, é extremamente valiosa. Através dela, conceituamos, relacionamos causa e efeito, resolvemos problemas de matemática, construímos máquinas etc. À medida que o homem exercita sua inteligência, ela amplia-se. Do simples chegamos ao complexo; do conhecido ao desconhecido. Porém, surgem, também, os desmandos intelectuais, ou seja, o homem começa a se colocar acima do Criador, enveredando-se pela trilha do orgulho.

O ser humano jamais deveria orgulhar-se da sua inteligência. Se Deus, na sua infinita bondade, concedeu-nos a oportunidade de renascermos num meio em que possamos desenvolver a nossa inteligência, é para que a utilizemos em nosso benefício e dos nossos semelhantes

A inteligência desenvolvida é um talento com finalidade útil nas mãos das criaturas, para que estas ajudem àqueles que têm uma inteligência menos desenvolvida, objetivando fazer com que se aproximem, cada vez mais, do Criador.

O Espírito Ferdinando, em mensagem transcrita no cap. VII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, diz-nos que a inteligência é rica de méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada; se todos os homens dotados se servissem dela segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil no sentido de a humanidade avançar. Infelizmente, muitos abusam desta e de outras faculdades, sendo causa de orgulho e de perdição para si mesmos.

Valorizemos a nossa existência. Apliquemos todos os nossos recursos pessoais no engrandecimento de nossa inteligência, a fim de melhor servir àqueles que nos rodeiam.




Não Colocar a Candeia debaixo do Alqueire

Candeia – do lat. candela, "vela de sebo ou de cera" – significa pequeno aparelho de iluminação, que se suspende por um prego. Alqueire – do ár. al-kail –, antiga medida de capacidade para secos e líquidos, variável de terra para terra. Não colocar a candeia debaixo do alqueire quer dizer, em vez disso, deve-se suspendê-la até o prego, a fim de que se produza iluminação para todas as pessoas do recinto.

A candeia e o alqueire são uma alegoria acerca do conhecimento. O conhecimento é uma relação entre o Sujeito e o Objeto. O Sujeito apreende o Objeto e dele tira o conteúdo da aprendizagem. Fá-lo, porém, por tentativas e erros, ou seja, à medida que toma consciência do erro, corrige-o até atingir a maior plenitude da verdade. Nesse sentido, deve-se evitar o tom dogmático e cético, procurando, pelo contrário, o equilíbrio através da ponderação racional.

Candeia e alqueire denotam não só a apreensão do conhecimento como também a sua transmissão. Não é a verdade que nos perde, mas a maneira de dizê-la. Dessa forma, a alegoria da candeia mostra que o conhecimento das coisas espirituais deve ser ministrado conforme a capacidade de absorção dos ouvintes. Um clarão pode ofuscar, enquanto a luz de uma vela pode representar o porto da salvação.

A comunicação via parábola explicita o nosso raciocínio. Quando Jesus pregava a Boa Nova, utilizava-se da linguagem exotérica e da esotérica. A linguagem exotérica refere-se às parábolas que Jesus contava ao público em geral. Afirmava que para entendê-la havia a necessidade de se ter olhos de ver e ouvidos de ouvir. Por outro lado, a sós com os discípulos, utilizava-se da linguagem esotérica, pois podia falar claramente as verdades espirituais. Contudo, mesmo entre estes, não falava tudo.

A comunicação caracteriza-se pela emissão, mensagem e recepção. Há que se ter cuidado na transmissão, porque se o receptor não capta, o esforço torna-se vão. É por isso que os amigos espirituais exortam-nos a cuidar da voz, da postura, dos gestos etc. Na atualidade, não temos mais desculpas linguísticas na perda de almas para o apostolado do Cristo. Precisamos estar preparados para essa nobre tarefa.

O alcance da palavra é infinito. Cuidemos, pois, para que de nossa boca saiam somente frases de luz, para que elas possam auxiliar-nos a construir um mundo mais fraterno e mais justo.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/candeia-e-o-alqueire-a





Reflexos Condicionados e Espiritismo

herança e o automatismo são os pontos de contato entre a Fisiologia e a Psicologia. No capítulo IV de Evolução em Dois Mundos, o Espírito André Luiz remete-nos aos evos dos tempos, dizendo-nos: "Se, no círculo humano, a inteligência é seguida pela razão e a razão pela responsabilidade, nas linhas da Civilização, sob os signos da cultura, observamos que, na retaguarda do transformismo, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade refletida, que é base da inteligência..." Acrescenta, ainda, que o princípio inteligente adquire a atração no mineral, a sensação no vegetal e o instinto no animal, transformando, gradativamente, toda a atividade nervosa em vida psíquica.

Pavlov, em uma de suas experiências, separou alguns cães do convívio materno, desde o nascimento, sujeitando-os ao aleitamento artificial. Como é lógico, revelaram naturalmente os reflexos congênitos, quais o patelar e o córneo-palpebral, mas, quando lhes foi mostrada a carne, tanto aos olhos quanto ao olfato, não segregaram saliva, não obstante à frente do alimento tradicional da espécie, demonstrando a esperada secreção apenas quando a carne lhes foi colocada na boca. A partir daí, os animais apresentavam a mencionada secreção sempre que o alimento fosse apresentado à vista ou ao olfato. Segundo André Luiz, no capítulo XII de Mecanismos da Mediunidade, houve uma espécie de enxertia do reflexo condicionado sobre o reflexo congênito desencadeado pelo alimento introduzido na boca.

A experiência mencionada acima serve para compreendermos a função da indução na formação de nossos reflexos condicionados psíquicos. Nos cães de Pavlov, a faculdade de comer representa atitude espontânea (reflexo congênito), mas o interesse pela carne a que foram habituados define uma atitude excitante (reflexo condicionado). A conjugação mediúnica origina-se desses reflexos condicionados psíquicos, pois emitindo uma onda mental, entraremos em contato com todas as ondas mentais de mesmo teor, recebendo, em contrapartida, o retorno dessas ondas enriquecidas do teor energético dos outros agentes.

O reflexo condicionado psíquico pode ser visto nas situações mais complexas quanto nas mais simples. Observe a influência que algumas pessoas, sob o disfarce de um título honroso qualquer, exercem sobre as outras. Lançam uma idéia no centro de um grupo e todas as pessoas presentes passam a seguir-lhes incontinente. Embora todos sejamos passíveis de sermos influenciados por esse líder, cada um será responsável pela duração e aplicação desses pensamentos. A mediunidade é intercâmbio. Nesse sentido, quanto mais ficarmos envoltos com esses pensamentos mais estaremos alimentando-os. Por isso, o recurso da prece é extremamente valioso para quebrar o reflexo condicionado negativo.

A ligação mental do médium à entidade espiritual merece um destaque especial. Como a lei de associação de idéias é uma lei universal, quanto mais nos demorarmos num teor específico de fluxo mental mais estaremos condicionados ao modo de pensar e agir daquela entidade, pessoa ou coisa. O reflexo é automático e muitas vezes, sem o percebemos, acabamos criando um monoideísmo, difícil de ser extinto. É por esta razão que os amigos espirituais estão sempre nos alertando para a vigilância sobre os vícios mais vulgares, qual sejam a maledicência, a crítica sistemática, os abusos da alimentação etc., por serem estes os grandes indutores de nossos reflexos condicionados psíquicos.

Convém, para o nosso próprio bem, rompermos os automatismos negativos, a fim de vislumbrarmos um mundo diferente daquele que estamos vivenciando.


Consolador Prometido

Consolar - do lat. consolare - significa aliviar ou suavizar a aflição, o sofrimento, o padecimento; dar lenitivo a, mitigar, confortar. Prometer - Do lat. promittere, "atirar longe", obrigar-se verbalmente ou por escrito a (fazer ou dar alguma coisa); comprometer-se a; pressagiar, anunciar, dar esperança.

"Se vós me amais, guardai meus mandamentos; e eu pedirei a meu Pai, e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o conhece. Mas quanto a vós, vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará relembrar de tudo aquilo que eu vos tenho dito". (São João, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26).

Jesus, personificador da segunda revelação divina, abriu caminho para o advento do Espiritismo. O início do cristianismo, ou seja, a propagação dos ensinos de Cristo, foi caracterizado pelo clima de opressão em que viviam os judeus. Todos estavam esperando o Salvador. Este chega numa manjedoura e educa-se junto à carpintaria. Jesus falava por parábolas, isto é, colocava um véu sobre certos aspectos da vida espiritual. Contudo, prometeu o "Consolador".

Espiritismo vem, no tempo marcado, cumprir a promessa do Cristo: o Espírito de Verdade preside a sua instituição, chama os homens à observância da lei e ensina todas as coisas em fazendo compreender o que foi dito por Cristo através das parábolas. O Espiritismo vem abrir os nossos olhos e ouvidos, porque fala sem figuras e sem alegorias; ele ergue o véu deixado propositadamente sobre certos mistérios. Vem, por fim, trazer uma suprema consolação aos que sofrem, dando uma causa justa e um fim útil a todas as dores.

O Consolador veio para consolar. Nesse sentido, os espíritas devem preparar-se para serem os fiéis intérpretes dos Benfeitores Espirituais. Renunciar ao ponto de vista pessoal e eliminar preconceitos auxiliam sobremaneira. Ainda: o espírita deve estar sempre estudando o conteúdo doutrinário, a fim de que possa penetrar nos meandros da alma alheia e fornecer-lhe o alimento espiritual de que necessita.

Sejamos o sal da terra. Que a nossa palavra possa sempre ser um refrigério para as almas que nos procuram.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/consolador-prometido





A Alma e a Imortalidade

imortalidade da alma exprime a noção essencialmente positiva, de vida-sem-fim, daquilo que não é submetido à morte. Excetuando-se o seu uso metafórico, em que uma pessoa pode ser imortal pelas suas ideias ou por seus livros, a imortalidade é a crença de que a alma prossegue viva no além-túmulo. Esta hipótese é sustentada não só pelas religiões como também pelo conjunto da filosofia espiritualista desde a Antiguidade.

Não se sabe quando o ser humano começou a se interessar pela vida após a morte. No período paleolítico – pedra lascada – (2.500.000 a.C. a 10.000 a.C.) não se tem notícia. Somente no período neolítico – pedra polida – (10.000 a.C. a 4000 a.C.) foram registrados alguns indícios: objetos e alimentos deixados perto dos mortos. No antigo Egito, a convicção da existência de uma vida futura era categórica, principalmente pela prática de embalsamar os faraós mortos.

Dependendo do ângulo observado, a palavra alma está sujeita a várias interpretações. Para os materialistas, a alma é o princípio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida; para os panteístas, a alma vem de Todo universal, toma um corpo e com a morte volta novamente ao Todo; para os espiritualistas, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte. Allan Kardec, por sua vez, além de corroborar com a tese espiritualista, define-a como sendo um Espírito encarnado.

A morte é uma experiência universal. O ser humano nasce, cresce, luta, sofre, sonha, mas é vencido pela morte. A transição deste para o outro mundo depende de crenças e hábitos dos diversos povos. Para alguns há o medo do fogo do inferno; para outros, a serenidade. Os americanos negam a morte, enquanto os Trukeses, os habitantes das ilhas Truk (Pacífico), ratificam-na. Alguns povos choram a morte de seus parentes; outros a festejam. O espírita, porém, não deve temer a morte, porque sabe que receberá toda a proteção necessária dos amigos espirituais.

As expectativas após a morte dependem do próprio conceito de alma, visto anteriormente. Para os materialistas, é o nada que nos espera; para os panteístas, é a dissolução no Todo universal; para os espiritualistas dogmáticos, é a crença num Céu e num Inferno e a ressurreição no dia do Juízo Final; para os espíritas, é a crença de que a alma continua a sua caminhada no mundo espiritual, guardando a sua individualidade e sujeita a um progresso ininterrupto, sofrendo pelos erros cometidos e sendo agraciada pelo bem que fez ao semelhante.

Sejamos obedientes a Deus, aceitando sem reservas as Suas determinações. Somente assim vamos adquirindo uma visão mais acurada da realidade que nos aguarda, a verdadeira realidade espiritual.



Ideias Inatas

Ideias Inatas  Segundo a filosofia, são as ideias com as quais a gente nasce, que não se aprende. Para o Espiritismo, são o resultado dos conhecimentos adquiridos nas existências anteriores; são ideias que se conservam no estado de intuição para servirem de base à apreciação de outras novas. As ideias inatas não são mais do que a herança intelectual e moral que vêm das nossas vidas passadas.

Para os idealistas, o Espírito, o pensamento, a ideia é o fenômeno principal; a matéria, um epifenômeno. Para os empiristas, matéria é o fenômeno principal; o espírito, um epifenômeno. Esta divergência entre idealistas e materialistas ainda não chegou a um acordo satisfatório. Falta-lhes um elemento conciliador — o PERISPÍRITO —, que é o elo de ligação entre o Espírito e o corpo físico. Se dedicassem mais tempo à compreensão desse corpo energético, melhor compreenderiam a relação entre o sensível e o não sensível.

Platão foi o primeiro pensador a nos fornecer uma imagem das ideias inatas. Para ele, o homem deve passar além dos sentidos, ou seja, para as ideias que não se derivam da experiência, nem dela dependem. Em Kant, as ideias da razão pura são objetos de pensamento para os quais não podemos encontrar qualquer correspondência na nossa experiência; são as ideias da alma, do mundo e de Deus. Em Hegel, a Ideia é o princípio universal do devir, que engendra a Natureza e se torna Espírito. Para Descartes e os cartesianos, as ideias inatas são as que pertencem ao espírito do homem desde o nascimento e só dependem de sua própria natureza: extensão, substância, Deus...

Há relatos de crianças em que o quociente de inteligência é bastante alto. Algumas falam de assuntos que extrapolam as suas idades físicas; outras tocam maravilhosamente bem um instrumento musical; outras ainda possuem uma capacidade de memorização de estarrecer. A que se deve isso? Se elas não tiveram tempo de aprender, de onde tiraram esse saber? Conclusão: esses fatos só podem ser explicados pelo princípio da reencarnação, princípio este que mostra que todos já tivemos outras vidas antes desta. Através delas é que fomos adicionando informações e conhecimentos ao nosso passivo espiritual.

Na resposta à pergunta 218 A (A teoria das ideias inatas não é quimérica?) de O Livro dos Espíritos, os Espíritos superiores nos orientam que "Os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação, pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente".

O Espiritismo, como Doutrina codificada por Allan Kardec, trouxe-nos uma nova visão sobre o estoque de conhecimento existente. Cabe-nos debruçar sobre os seus princípios fundamentais, extraindo deles as instruções necessárias para o correto direcionamento do nosso Espírito rumo às ideias supremas do bem e do belo.

 

 

Teologia Druidica

Druidismo é a religião dos sacerdotes pagãos que habitavam a Gália e a Bretanha no século II a. C. Como toda a religião, havia traços exotéricos e esotéricos. Os que não se aprofundaram na análise esotérica, ficaram com a impressão de que o druidismo é uma religião primitiva, principalmente por causa dos sacrifícios que impunha. Porém, ao penetrarem no âmago, no âmbito esotérico, mudaram de opinião, porque vislumbraram uma doutrina reveladora das altas verdades e das leis superiores do Espírito.

O corpo de sua teologia era baseado nas tríades. As Tríades eram formadas, utilizando-se de três tipos de ensinamentos, em que cada um completava os outros dois. Seria como o filho numa família constituída de pai e mãe. Quer dizer, para que o filho exista deve existir antes um pai e uma mãe. Faltando o pai ou a mãe, o filho não pode vir à luz. Nesse sentido, os ensinamentos são transmitidos de forma lógica, em que se atrelando um ao outro, tem-se todo o sistema organizado.

O conteúdo doutrinário da teologia druídica compunha-se de ensinamentos orais, em que as onze primeiras tríades dizem respeito a Deus e ao Universo. A primeira tríade, por exemplo, relaciona Deus, verdade e ponto de liberdade. As dez tríades seguintes partem sempre de Deus como doador da vida, do amor e da virtude. Ele é a garantia da realização terrena, porque Dele emana a ciência perfeita, o supremo poder, a suprema inteligência e tudo o que o homem precisa para saber distinguir o bem do mal.

Há, também, três círculos de existência: o círculo da região vazia (cegant) onde — exceto Deus — não há nada vivo nem morto e nenhum ser que Deus não possa atravessar; o círculo da migração (abred), onde todo ser animado procede da morte, que o homem atravessou; o círculo da felicidade (gwynfyd), onde todo ser animado procede da vida, que o homem atravessará no céu. Além disso, há três fases necessárias de toda a existência com relação à vida: começo em annoufn, a transmigração em abred e a plenitude em gwynfyd; e sem estas três coisas nada pode existir, exceto Deus.

Fica claro que a teologia druídica parte de um Deus supremo, situado muito além dos conhecimentos humanos. Tem-se a impressão que Deus é tudo e está em tudo, o que possibilitou a muitos definir o druidismo como um panteísmo materialista cheio de mistérios. Deixando de lado as questões terminológicas mais graves, fica claro que a alma começa do nada (Annoufn), passa por sucessivas migrações (Abred) até alcançar a região dos bem-aventurados (Gwynfyd).

Percebemos que o conteúdo esotérico da religião druídica foi bastante avançado para a sua época. Procuremos, pois, refletir sobre esses ensinamentos, comparando-os com aqueles veiculados pelas diversas religiões da atualidade.

Fonte de Consulta 

DENIS, L. O Gênio Céltico e o Mundo Invisível. Rio de Janeiro, CELD, 1995.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/druidismo



Penas e Gozos Terrenos

Penas e gozos caracterizam o pensamento dicotômico, em que o 1.º termo assume papel relevante, de mais ênfase. Significa dizer que o sofrimento, a dor, a pena são maiores ou mais sentidos do que o prazer, o gozo, a alegria. Este tema evoca uma reflexão sobre a nossa existência no planeta Terra, classificado por Allan Kardec, como um mundo de provas e expiações.

Há possibilidade de separarmos o mundo terreno do mundo espiritual? Quer dizer, estando sob o jugo da matéria, o espiritual estará esquecido? Não, o que Allan Kardec está fazendo é um estudo didático: primeiro analisa as penas e gozos terrenos; depois trata das penas e gozos futuros. Mas como os Espíritos veem a Terra? Eles sempre falam de um educandário, de um hospital, onde os seus habitantes estão purgando o mal, a fim de se potencializarem na prática do bem. Dessa forma, o nosso ponto de partida é o de que a Terra, sendo um mundo de provas e expiações, o mal nela predomina.

Observemos a felicidade. Será que podemos ser felizes ao lado de irmãos que não têm o necessário para o sustento físico? E por que esses são a maioria? É justamente devido à condição de nosso Planeta. Nesse sentido, nunca poderemos ter uma felicidade plena, a menos que não importemos com o nosso irmão menos aquinhoado. Quem pensa no irmão em dificuldade, dificilmente sentir-se-á feliz. É por isso que o justo é infeliz, pois lutando por uma distribuição mais justa tanto das riquezas materiais como espirituais, será sempre mal compreendido, além de ser desprezado, como o próprio Jesus e outros tantos missionários o foram.

Quais seriam, entretanto, as fontes de infelicidade? Perda de entes queridos, mortes prematuras, antipatias, ingratidão e doenças várias. Dentre elas, a ingratidão assume papel significante. Como, porém, enfrentar essa situação? Lembrando-nos de que a ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta encontrará mais tarde corações insensíveis como ele próprio o foi. Além do mais, a ingratidão é uma prova para persistência na prática do bem. Convém ter para com eles muita tolerância e paciência, assim como o Pai Celestial teve e está tendo para conosco.

No meio desses dissabores, o suicídio, que é fruto do desgosto pela vida, corrói as nossas fibras mais íntimas. O que é que leva algumas pessoas ao suicídio? A ociosidade, a falta de fé e a má gestão da sociedade. Assim sendo, sabedores de que a sociedade pode ser injusta, no sentido de não nos oferecer a oportunidade para o sustento de nossa vida, convém não nos desesperamos, quando tal nos acontecer. A beleza não está na facilidade, mas na luta contra as adversidades e revezes, os quais serão levados em conta quando passarmos para a outra dimensão da existência.

Como o nosso mundo é dicotômico, ao lado dos sofrimentos, temos também alegrias, principalmente no contato com os amigos que se afeiçoam com o nosso modo de ser, incentivando-nos e dando-nos forças para continuarmos o cumprimento de nosso dever.





Alternativas da Humanidade com Relação ao Mundo Espiritual

Os pensadores da humanidade desenvolveram, ao longo do tempo, três concepções de mundo: MaterialistaIdealista e Religiosa. De acordo com essas concepções, construíram as diversas doutrinas. As mais importantes para o propósito de nossos estudos dizem respeito ao Niilismo, ao Panteísmo, ao Dogmatismo Religioso e ao Espiritismo.

Niilismo — do lat. nihil, nada, fruto da doutrina materialista — significa ausência de toda a crença. Como a matéria é a única fonte do ser, a morte é considerada o fim de tudo. Os adeptos do materialismo incentivam o gozo dos bens materiais, dizendo que quanto mais usufruirmos deles, mais felizes seremos. Como se vê, a consequência do niilismo é a corrida em busca do dinheiro, da projeção social e do bem-estar material.

Panteísmo — do grego pan, o todo, e Theos, Deus — significa absorção no todo. De acordo com essa doutrina, o Espírito, ao encarnar, é extraído do todo universal; individualiza-se em cada ser durante a vida e volta, por efeito da morte, à massa comum. As consequências morais dessa doutrina são semelhantes às do materialismo, pois ir para o todo, sem individualidade e sem consciência de si, é como não existir.

Dogmatismo Religioso afirma que a alma, independente da matéria, é criada por ocasião do nascimento do ser; sobrevive e conserva a individualidade após a morte. A sua sorte já está determinada: os que morreram em "pecado" irão para o fogo eterno; os justos, para o céu, gozar as delícias do paraíso. Essa visão deixa sem respostas uma série de anomalias que acompanham a humanidade, como, por exemplo, os aleijões e a idiotia.

Espiritismo mostra-nos que o Espírito, independente da matéria, foi criado simples e ignorante. Todos partiram do mesmo ponto, sujeitos à lei do progresso. Aqueles que praticam o bem, evoluem mais rapidamente e fazem parte da legião dos "anjos", dos "arcanjos" e dos "querubins". Os que praticam o mal, recebem novas oportunidades de melhoria, através das inúmeras encarnações.

O progresso é indefinido. Tenhamos em mente que todo o dia é dia de renovar o destino. Aproveitemos, assim, todas as oportunidades que Deus nos concede.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. (popular), Rio de Janeiro, FEB, 1975

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/alternativas-da-humanidade-em-rela%C3%A7%C3%A3o-ao-mundo-espiritual

&&&

Este tema, que se encontra em Obras Póstumas, tem como título "As Cinco Alternativas da Humanidade". Nesse caso, faltou relatar a Doutrina Deísta, que ora transcrevemos da referida obra. 

"O deísmo compreende duas ordens bem distintas de crentes: os deístas independentes e os providenciais. Os primeiros creem em Deus e admitem todos os seus atributos como criador.

Deus, dizem, estabeleceu as leis gerais, que regem o universo; mas essas leis, uma vez estabelecidas, funcionam por si sós, sem que o seu autor cuide delas. As criaturas fazem o que querem ou o que podem, sem que Ele com isso se importe.

Não há providência, e desde que Deus não se ocupa conosco, nada temos que lhe pedir e menos que lhe agradecer. Quem nega a intervenção da providência na vida do homem, faz como a criança, que se julga com bastante capacidade para dispensar a tutela, os conselhos e a proteção dos pais; ou pensa que estes não se devem mais ocupar com ela, desde que lhe deram o ser. Sob pretexto de glorificar o Senhor, muito grande, dizem, para se abaixar até às criaturas, fazem dele um grande egoísta, rebaixando-o ao nível dos animais, que abandonam os filhos aos azares da vida.

Esta crença é filha do orgulho e encerra o pensamento de libertar-se de um poder superior, que fere o amor próprio de cada um. Ao passo que uns recusam reconhecer aquele poder, outros aceitam a sua existência, condenando-o porém à nulidade.

Há uma diferença essencial entre o deísta independente, de que nos temos ocupado, e o deísta providencial; este crê não somente na existência e no poder criador de Deus, como também em sua intervenção incessante na criação; não admite, porém, o culto externo, nem o dogmatismo atual".

Notas do Rev. José Herculano Pires

[61] Apesar de todas as inovações culturais e avanços científicos verificados depois de Kardec até os nossos dias, a tese das cinco alternativas não foi alterada. Mudaram-se alguns rótulos, mas as posições continuam as mesmas: materialismo, panteísmo, deísmo, dogmatismo ou espiritismo. Nesta última incluem-se as grandes doutrinas reencarnacionistas já existentes no tempo de Kardec e escolas que surgiram posteriormente, inspiradas nos princípios espíritas, como os vários ramos teosóficos. (N. do Rev.)

[62] Hoje a expressão de Kardec: pequena minoria parece inadequada. O materialismo expandiu-se como ideologia política e domina mais de metade do globo. Por outro lado, a generalização de Kardec sobre a irresponsabilidade e o comodismo dos materialistas não se justifica, diante das lutas e dos sacrifícios destes para a implantação de uma nova ordem social no mundo. Há mesmo, como assinala Annie Besant em suas memórias, inegável abnegação de parte daqueles que estoicamente se sacrificam, sem nada esperar após a morte, pela construção de um mundo melhor para as gerações futuras. Mas, apesar disso, a ambição e o imediatismo solapam os movimentos ideológicos do materialismo e ameaçam destruir as suas conquistas logo após as primeiras vitórias. Kardec, embora não tivesse podido examinar a fundo o problema, percebeu a fragilidade dessa posição, motivada por um desvio de visão da natureza espiritual do homem. Por outro lado, a maioria numérica não corresponde à realidade ideológica. Mesmo nos países dominados pelo materialismo a grande maioria continua espiritualista. (N. do Rev.)

[63] O extremismo é um fenômeno psicológico determinado pelo imediatismo, pelo desejo de solução imediata dos problemas. É comum no homem a passagem de um extremo ao outro. Karl Marx, opondo-se ao extremismo religioso, passou para o outro extremo, o do materialismo. Augusto Comte cai no positivismo materialista para fugir às abstrações da metafísica. Sigmund Freud, para combater os exageros do psiquismo afunda-se no pansexualismo. Kardec teve o mérito de não cair em nenhum extremismo, dando ao Espiritismo o equilíbrio que o conserva como doutrina coerente, baseada na tolerância, na fraternidade e na compreensão profunda da natureza evolutiva do homem. (N. do Rev.)

[64] Essa teoria da conservação da individualidade nos estágios inferiores da evolução aparece na Teosofia com a doutrina da alma grupo dos animais. Cada espécie animal constituiria uma alma grupo, para a qual voltaria a alma individual do animal após a morte, enriquecendo com suas experiências o psiquismo da espécie. O Espiritismo considera a individualização como objetivo da evolução do princípio inteligente (essência da alma) para o desenvolvimento da consciência em direção a Deus, que é a consciência suprema, mas não para fundir-se nesta e sim para conviver com ela. Essa teoria panteísta confunde a individualidade com o egoísmo. Este, que é uma deformação do indivíduo, é que desaparece com a evolução. (N. do Rev.)

[65] A revolução teológica da atualidade procura eliminar, tanto no Catolicismo como no Protestantismo, estes pontos negativos da Teologia clássica. Veja-se o esforço gigantesco de Teilhard de Chardin para dar uma orientação evolucionista ao Catolicismo. No Protestantismo a revolução teológica chegou ao extremo do Cristianismo Ateu. Todas as soluções apresentadas até agora são insuficientes e padecem às vezes de gritante incoerência. Enquanto as religiões dogmáticas não substituírem os seus dogmas de fé (que sustentam a fé cega) pelo dogma racional da reencarnação (fundamento bíblico e evangélico do Cristianismo) não escaparão do absurdo, do ilogismo em que se afundaram. (N. do Rev.)

[66] As experiências parapsicológicas atuais comprovaram cientificamente esta verdade espírita, demonstrando que os retardados e deficientes mentais, no plano extra-sensorial (libertos da rede dos sentidos orgânicos) equiparam-se às criaturas normais e não raro as superam. Débeis mentais exercem funções psi competindo com indivíduos normais. Kardec, em suas experiências na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (Ver Revista Espírita) já havia comprovado que os espíritos de idiotas manifestavam-se com plena lucidez e podiam comentar as suas dificuldades do estado de vigília, quando sofriam o constrangimento das imperfeições orgânicas. (N. do Rev.)

 

 

Ciência e Espiritismo

ciência é um conjunto de conhecimentos organizados relativos a uma determinada matéria, comprovado empiricamente. Os requisitos fundamentais da ciência são: regularidade, observação, previsão, experimentação, causalidade e testes estatísticos. Ela não aceita soluções provisórias nem tampouco lucubrações literárias. Tudo deve ser colocado à prova dos fatos.

A ciência espírita procede da mesma forma que as ciências naturais. O cientista natural observa, experimenta, faz hipóteses e tira conclusões. As consequências serão aceitas se confirmadas pela experiência sensorial dos fatos. O cientista espírita observa, experimenta, formula hipóteses e tira conclusões. As consequências serão aceitas se comprovadas pela experiência extra-sensorial. O procedimento é o mesmo. A diferença consiste na natureza das percepções consideradas.

Um estudo acurado do Espiritismo mostra-nos que a ciência não pode existir sem o Espiritismo nem o Espiritismo sem ela. Por que? Há no universo dois princípios fundamentais: o princípio material e o princípio espiritual. A ciência incumbir-se-ia de processar a revolução material; o Espiritismo encarregar-se-ia de estimular a revolução moral. O elo entre o Espírito e a matéria está no perispírito. O Espiritismo não inventou o perispírito, nem os Espíritos. Apenas teorizou o fato observado.

A ciência aumentou sobremaneira a capacidade de instrumentalização do homem. Desenvolvendo tecnologias avançadas, liberou a mão de obra para atuar na área de serviços e pesquisas científicas. À medida que a ciência avança, o indivíduo fica com mais tempo livre. O Espiritismo surge para dar uma direção não só ao tempo livre do homem como também à criação e utilização da nova tecnologia. Sem uma clara distinção entre o bem e o mal, podemos enveredar todo o nosso progresso científico para a destruição de nosso planeta.

O Espiritismo surgiu no momento oportuno, quando as ciências já tinham desenvolvido o método teórico-experimental, facilitando a sua aceitação com mais naturalidade. Sabe-se que cada um deve progredir por si mesmo, descobrindo as suas próprias verdades. Porém, a presença de um professor diminui o tempo que levaríamos, caso quiséssemos descobrir tudo por nós mesmos. O Espiritismo é esse professor que nos estimula o pensamento na busca da verdade.

Exercitemos o nosso pensamento científico. Saibamos rechaçar toda e qualquer opinião que não tenha respaldo nos princípios espíritas codificados por Allan Kardec.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.

CURTI, R. Espiritismo e Reforma Íntima. 3. ed., São Paulo, FEESP, 1981.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/ci%C3%AAncias-e-espiritismo

&&&

Há sempre razão de se conhecer as coisas com mais precisão. As relações entre ciência e fé persistem por muitos séculos. Conta-se que Galileu, que se retratou, para não morrer queimado, é sempre citado na oposição entre fé e ciência. Esse detalhe ocorreu na Idade Média. De lá para cá, a religião refez muitos de seus conceitos e, hoje, a teologia cristã aceita tranquilamente os avanços da ciência moderna, que condiz com a revelação divina.

Observa-se, por outro lado, a ferrenha oposição dos cientistas aos artigos de fé. Isso começou com o advento da ciência moderna e perpetuou-se com o positivismo de Comte e de Littré e o evolucionismo de Darwin. Disto resultou o aparecimento de um materialismo exacerbado, pois a fé foi posta de lado e a ciência quer explicar tudo, inclusive as coisas de Deus. Ela deve limitar-se aos seus casos particulares e não ter a pretensão de ser a verdade total.

"Há dois meios para se adquirir a ciência de além-túmulo: de um lado o estudo experimental, de outro a intuição e o raciocínio, de que só as inteligências exercitadas sabem e podem utilizar-se. A experimentação é preferida pela grande maioria dos nossos contemporâneos. Está mais de acordo com os hábitos do mundo ocidental, bem pouco iniciado ainda no conhecimento das secretas e profundas capacidades da alma". (II - "A marcha ascensional: os métodos de estudo", de "No invisível", de Léon Denis)

 





Allan Kardec e O Livro dos Espíritos

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, nascido em 3 de outubro de 1804 e desencarnado em 31 de março de 1869, foi a pessoa escolhida para codificar a Doutrina dos Espíritos, um novo marco na história da Humanidade. O Livro dos Espíritos contém os fundamentos básicos para a compreensão de todo o arcabouço filosófico do Espiritismo e suas consequências para a mudança comportamental dos indivíduos. Elaboremos algumas ideias.

Allan Kardec, além de professor, era também estudioso do magnetismo. Em 1854, o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera-lhe que se podia magnetizar uma mesa; tempos depois, acrescentara que a mesa, além de ser magnetizada, podia também falar. É desse diálogo que brota o seguinte pensamento de Kardec: "Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé".

Em 1855, Allan Kardec começou a frequentar as reuniões mediúnicas na casa do Sr. Baudin, em que a médium Caroline intermediava o Espírito Zéfiro, o qual respondia às perguntas das pessoas presentes. Ele levava um caderno e anotava tudo o que lhe chamava a atenção. Certo dia, quebrando o hábito, indagou se lhe era possível evocar o Espírito Sócrates. Zéfiro responde que Sócrates tem assistido àqueles colóquios, pois você o consulta amiúde mentalmente. Kardec confessa que realmente tinha pensado no filósofo grego na expectativa de obter dele a verdadeira "filosofia dos Espíritos". Posteriormente, levava as suas próprias perguntas, o que lhe deu o ensejo de editar O Livro dos Espíritos.

A primeira edição de O Livro dos Espíritos era em formato grande, in-8.º, com 176 páginas de texto, e apresentava o assunto distribuído em duas colunas. 501 perguntas e respectivas respostas estavam contidas nas três partes em que então se dividia a obra: "Doutrina Espírita", "Leis Morais" e "Esperanças e Consolações". Sobre a publicação do livro, G. Du Challard diz: "O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nesta página". Atualmente, O Livro dos Espíritos contém 1019 questões.

O conteúdo filosófico, exposto em O Livro dos Espíritos, tem aproximadamente 150 anos de existência. E o que são 150 anos para a mudança de mentalidade? Muito pouco. Na prática, verificamos que pensamento coletivo ainda está fortemente alicerçado nos preconceitos e superstições das religiões oficiais. Contudo, para que haja um verdadeiro progresso espiritual da Humanidade, urge sairmos para semear a boa semente, no sentido de tornarmos público os conhecimentos espíritas mesmo, que para isso, soframos o desprezo e o ódio daqueles que não estão capacitados a perceber essa nova verdade.

Estudemos criteriosamente O Livro dos Espíritos. Somente assim poderemos ser a verdadeira luz para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de entrar em contato com este libertador de consciências.

 




Chico Xavier

Francisco Cândido Xavier nasceu no dia 2 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. O seu longo sofrimento começou desde os primeiros anos de sua existência, pois quando tinha cinco anos de idade sua mãe veio a falecer. De família numerosa e poucas posses, seu pai achou por bem distribuir os filhos entre os parentes. Na diáspora da família, Chico vai para a casa da madrinha, dona Maria Rita de Cássia, uma mulher extremamente maldosa que, entre outras, dava-lhe uma surra todo o dia, enfiava o garfo em sua barriga e, certa vez, obrigou-o a lamber a ferida de outro menino adotivo.

fenômeno mediúnico é o marco fundamental de sua existência. Hoje, tem mais de 400 obras psicografadas, que transformadas em tempo, perfazem aproximadamente 11 anos de transe mediúnico. Sua atividade mediúnica começou desde garoto, isto é, desde os 5 anos de idade, quando já conversava com sua mãe desencarnada. Dela recebia uma série de conselhos que o ajudaram a suportar todos os revezes e dissabores de sua infância sofrida junto à sua madrinha. Educado no catolicismo, não foi muito fácil a aceitação dos parentes e amigos sobre o desenvolvimento de sua mediunidade

O Espírito Emmanuel é o seu guia protetor. Esse espírito, como a maioria dos Espíritas sabe, foi Públio Lêntulus, senador romano da Antiguidade. Diz-se também que ele teve uma reencarnação no Brasil como Padre Manoel da Nóbrega. É por intermédio de Emmanuel que o Chico Xavier escreveu a maioria de seus livros. Além disso, guia-o, inclusive, no aprimoramento do idioma português, para melhor expressar a Doutrina dos Espíritos. Confessa isso no programa Pinga Fogo, levado ao ar pela antiga TV Tupi, em 1971.

A vida de Chico Xavier é entremeada de muitos fatos, entre os quais, relatamos: 1º) para auxiliar um cego que tinha sofrido uma queda, precisou da colaboração de 2 prostitutas, que depois mudaram de vida em virtude de suas preces; 2º) relata o episódio do avião, que em pleno vôo começou a fazer peripécias no espaço e, ele como os demais tripulantes, começaram a gritar no que Emmanuel retruca: "Se tiver de morrer, morra com educação"; 3º) sua vizinha roubava-lhe as verduras. Pede auxílio à sua mãe, já desencarnada. Esta o aconselha, quando todos saírem, a entregar a chave da casa para a vizinha tomar conta. Consequência: acabou o furto.

Emmanuel, o grande protetor do Brasil, cujas obras evangélicas constituem o 5º Evangelho, dá sempre orientações ao médium Chico Xavier. Fala-lhe sobre a disciplina, a porta estreita e o caminho reto. Diz que as limitações físicas não devem ser consideradas como obstáculos, mas um grande incentivo à pratica da mediunidade, pois quem poderia afirmar que a riqueza, a saúde, a comodidade e outras facilidades não lhe tirariam a devida concentração e meditação para o trabalho mediúnico?

odo o espírita deveria conhecer a biografia de Chico Xavier, pois, quer queiramos ou não, a sua mediunidade é responsável pela maioria de nossas ideias acerca do Espiritismo.

Fonte de Consulta

IBSEN, S. R. (Organizador). Chico Xavier por ele mesmo. São Paulo, Martin Claret, 1994.

&&&

No Correio Fraterno, de maio/junho de 2022, o jornalista, escritor e roteirista Marcel Souto Maior, sob o título “20 Anos sem Chico Xavier”, mergulha na essência da simplicidade mineira e resgata o que aprendeu com Chico, exemplos que nunca foram tão necessários como agora. (https://correio.news/especial/as-licoes-de-chico-xavier)



17 janeiro 2026

Desprezo e Espiritismo

"Desprezo por parte de alguém é a aula da vida para aquisição de humildade."

Desprezo é a falta de respeito, consideração ou apreço por alguém ou algo, sentindo-se superior ou tendo forte aversão, resultando em desdém, desconsideração, e um sentimento de que o outro é inferior ou inútil. Diferente da raiva, que pode ser explosiva e passageira, o desprezo se instala de forma fria e contínua, criando muros invisíveis entre as pessoas. 

O desprezo toca diretamente nosso egoísmo, nosso orgulho e nossa vaidade, pois anelamos ser reconhecidos e valorizados pelos outros. Quando somos esquecidos ou ignorados, a alma se entristece e se sente abatida. Contudo, essas experiências não devem servir de obstáculo à nossa caminhada, mas de convite ao amadurecimento e ao verdadeiro progresso espiritual.

01 janeiro 2026

Ano-Novo, Vida Nova

"Se Deus é por nós, quem será contra nós?”

O ano que se inicia — 2026 —, como todos os anos, é um marco simbólico em que refletimos sobre o que fizemos no ano anterior, no caso, 2025, e o que projetamos para 2026. Pode-se falar de um ritual de renovação. Embora muitos dos nossos propósitos não serão atingidos, serve como um ponto de apoio à nossa mente.

Algumas ideias associadas ao Ano-Novo: 1) renovação e esperança — sentimento de um futuro aberto; 2) planejamento e metas — nossas perspectivas materiais e espirituais; 3) convivência e celebração — rituais, festas e tradições reforçam vínculos e a sensação de pertencimento; 4) simbolismo cultural — cada cultura tem costumes próprios (cores, alimentos, rituais, superstições) que expressam desejos de prosperidade e proteção.

Aproveitando o ensejo, podemos esperar um ano repleto de realizações efetivas para o engrandecimento do nosso Espírito imortal. Que os bons Espíritos — nossos guias protetores — possam, à semelhança de Sócrates, nos advertir daquilo que não devemos fazer e nos inspirar tudo aquilo que concorra para o cumprimento de nossos deveres particulares e sociais.

Peçamos forças para tolerar todos aqueles que estiverem em nosso caminho e que nos ajudam com suas observações e repreensões. Os desígnios de Deus a ele pertencem. Não queiramos ir além daquilo que nos foi facultado saber. Convençamo-nos de que tudo tem sua razão de ser. O acaso não existe. 

Tudo começa e termina em nós mesmos. Embora caminhando só, sejamos solidários, principalmente com aqueles irmãos nossos que não pensam pela nossa cabeça. Incluamos necessariamente os nossos parentes mais próximos, tais como, pais, mães, filhos, netos, genros, entre outros.

Lembremo-nos de que só o bem é real. O mal — por pior que seja — tem por ideal o bem.  

16 novembro 2025

Júlio de Abreu Filho (1893-1972)

Júlio de Abreu Filho (1893-1972). Cearense, nascido em Quixadá em 10 de dezembro de 1893, Júlio Abreu Filho concluiu o ensino fundamental no Colégio São José, na Serra do Estevão. Em Salvador, Bahia, estudou na Escola Politécnica, mas não terminou o curso. Em Ilhéus, trabalhou na Delegacia de Terras, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura. Foi funcionário daquela prefeitura e da Estrada de Ferro Inglesa, onde teve importante participação na construção do trecho ferroviário entre Ilhéus e Vitória da Conquista. 

Em 1921, no Rio de Janeiro, foi empregado da empresa de energia Light. Nesta mesma empresa, em 1929, transferiu-se para São Paulo, onde trabalhou na construção da usina hidrelétrica do parque industrial de Cubatão. 

Entre os anos de 1934 e 1935 foi professor do magistério secundário em vários colégios de São Paulo, capital. Em 1936, tornou-se funcionário da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, no departamento de engenharia rural, organismo responsável por diversos e importantes projetos no interior do Estado.