02 dezembro 2021

Estudo da Natureza de Cristo

Estudo da Natureza de Cristo é um tópico do livro Obras Póstumas de Allan Kardec.

Anotemos:

A origem das provas da natureza de Cristo deve ser procurada nos Evangelhos, visto que Jesus nada escreveu, e os seus únicos historiadores, os apóstolos, nada escreveram em vida; nenhum historiador profano, seu contemporâneo, falou dele, não existindo sobre a sua vida e a sua doutrina nenhum documento além dos Evangelhos.

Os milagres não provam a divindade de Cristo. Para o Espiritismo os milagres são efeitos do magnetismo, do sonambulismo, do êxtase, da dupla vista, do hipnotismo, da catalepsia, da letargia, entre outros.

Para a Igreja, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Isso poderia explicar a divindade de Jesus. Mas, eis um exemplo: Jesus o disse: eu não vim de modo próprio, mas foi Ele que me enviou.

Palavras de Jesus depois de sua morte: "Ora, vós sois testemunhas destas coisas. E eu vou mandar sobre vós o dom, que vos está prometido por meu Pai". (S. LUCAS, XXIV, 48, 49. — Aparição aos Apóstolos).

A dupla natureza de Jesus: o que devia ser humano em Jesus era o corpo;  o que era divino nele era alma o espírito.

Os profetas disseram sobre Jesus: "Eu o verei, mas não agora; eu o contemplarei, mas não de perto. Nascerá uma estrela de Jacó, e levantar-se-á uma vara de Israel, e ferirá os capitães de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete (NÚMEROS, XXIV, 17).

Interpretação de "o verbo se fez carne": Jesus podia, pois, ser encarregado de transmitir a palavra de Deus, sem ser Deus, como um embaixador transmite as palavras de seu soberano, sem ser o soberano.

Se a qualificação de Filho de Deus parece apoiar a doutrina da divindade, o contrário deve supor-se da qualificação de Filho do homem, que Jesus se deu em sua missão e que foi objeto de muitos comentários.

 

Evolução

Este tema refere-se às questões 239 a 259 do livro "O Consolador", pelo Espírito Emmanuel.

Anotemos:

A dor física é fenômeno e a dor moral essência. A dor física vem e passa; a dor moral persiste e pode promover o luminoso trabalho do aperfeiçoamento e da redenção.

Por meio da dor podemos resgatar as nossas dívidas e conquistar os valores morais elevados para a nossa emancipação espiritual.

Todos os Espíritos, com exceção de Jesus Cristo, que estiveram na Terra passaram pelo problema da dor para evoluir.

Diferença entre provação e expiação: provação é luta para o aprimoramento; expiação, pena imposta ao malfeitor que comete um crime.

A inflexibilidade e a dureza não existem para a misericórdia divina.

A queda do Espírito verifica-se da seguinte maneira: o livre-arbítrio permite ao Espírito fazer a sua escolha: optando pelo orgulho e pela vaidade cava a sua própria queda.

O ateísmo ou incredulidade absoluta não existe. No íntimo, todos os Espíritos se identificam com a ideia de Deus e da sobrevivência do ser, que lhes é inata.

A virtude é aquisição humana no esforço de vencer as suas deficiências e imperfeições.

Paciência é a exteriorização da alma que realizou muito amor em si mesma. Educando a vontade e curando enfermidades psíquicas seculares vamos adquirindo os valores sagrados da tolerância esclarecida.

A Esperança é a filha dileta da Fé. Ambas estão uma para outra, como a luz reflexa dos planetas está para a luz central e positiva do Sol. A Esperança é como o luar que se constitui dos bálsamos da crença. A Fé é a divina claridade da certeza.

 

Sobre as Artes em Geral. Sua Regeneração pelo Espiritismo

Sobre as Artes em Geral. Sua Regeneração pelo Espiritismo é um tópico do livro Obras Póstumas de Allan Kardec, incluindo a "Teoria do Belo", a "Música Celeste" e a "Música Espírita".

Anotemos:

Quando nossas atividades dizem respeito somente à matéria, as aspirações pelo belo e até pela esperança além-túmulo sofre uma paralisação.

A decadência das artes é o resultado da concentração das ideias sobre as coisas materiais. Deixa-se em segundo plano a fé e a crença na espiritualidade do ser.

O Espiritismo abre à arte um campo novo, pois às preocupações materiais e efêmeras da vida presente, anteporá o estudo da vida futura e eterna da alma.

O belo é um conceito difícil. Exemplo: os negros julgam-se mais belos que os brancos e vice-versa.

A perfeição da forma é consequência da perfeição do Espírito.

O rosto é o espelho da alma. Esta verdade, tornada axiomática, explica o fato vulgar de desaparecerem certas fealdades ao reflexo das qualidades morais do Espírito, e a preferência muitas vezes de uma pessoa feia, dotada de eminentes qualidades, à que não tem senão a beleza plástica.

Só há uma beleza e uma perfeição: é Deus. Fora dele, tudo o que decoramos com aquele título, não passa de pálido reflexo do belo único: uma forma harmoniosa das mil e uma harmonias da criação.

A harmonia, a ciência e a virtude são as três grandes concepções do Espírito: a primeira enleva-o, a segunda esclarece-o, a terceira eleva-o. Quem as possui em sua plenitude tem a pureza que resulta da união das três.

O Espiritismo, moralizando os homens, exercerá necessariamente grande influência na música. Há de produzir mais compositores virtuosos, que comunicarão as virtudes por meio das composições.

 

01 dezembro 2021

Iluminação

“O que crê, apenas admite; mas o que se ilumina vibra e sente”.

A necessidade imediata do Espiritismo não é a de multiplicar prosélitos, mas a de buscar incessantemente o conhecimento e aplicação legítima do Evangelho. O trabalho de cada um na iluminação de si mesmo deve ser permanente e metodizado. “A palavra dos guias e mentores do Além ensina, mas não pode constituir elementos definitivos de redenção, cuja obra exige de cada um sacrifício e renúncias santificantes, no laborioso aprendizado da vida”.

A base da iluminação encontra-se nas  teses e conclusões espíritas em seu tríplice aspecto de filosofia, ciência e religião. Contudo, para a iluminação do íntimo, só o Evangelho do Senhor, que nenhum roteiro doutrinário poderá ultrapassar. "Aliás, o Espiritismo em seus valores cristãos não possui finalidade maior que a de restaurar a verdade evangélica para os corações desesperados e descrentes do mundo".

Observações:

No além da vida, o Espírito prossegue nos seus labores de iluminação. A reencarnação no mundo tem por objetivo principal a consecução desse esforço.

O trabalho de nossa iluminação deve ser iniciado pelo autodomínio, procurando a disciplina dos sentimentos egoísticos e inferiores.

A maior necessidade da criatura humana ainda é a do conhecimento de si mesma.

Em se tratando de iluminação espiritual, não existe fonte alguma além da exemplificação de Jesus, no seu Evangelho de Verdade e Vida.

Questões 218 a 238 do livro "O Consolador", pelo Espírito Emmanuel

Amélie-Gabrielle Boudet

Amélie-Gabrielle Boudet, professora de Letras e Belas Artes, nasceu em 23 de novembro de 1795, Thiais, França. Faleceu em 21 de janeiro de 1883, Paris, França. Casou-se com Allan Kardec em 1832. Era 9 anos mais velha que ele. Escreveu as seguintes obras: Contos Primaveris (1825); Noções de Desenho (1826), e O Essencial em Belas Artes (1828).

Depois de casada, ajudava o marido preparando os cursos gratuitos que haviam organizado na própria residência. Além de conselheira, ela foi a inspiradora de vários projetos que o marido pôs em execução.

Secretária de Allan Kardec. Depois dos primeiros contatos de Allan Kardec com o Espiritismo, em 1854, Amélie acompanhou o esposo, tornando-se sua verdadeira secretária, secundando-o, estimulando-o e incentivando-o no cumprimento de sua missão.

A importância de seu trabalho como secretária. Não fosse a ajuda da esposa, o enorme número de correspondências, vindas da França e de vários outros países, iria roubar tempo de Kardec, o qual deveria ser usado para o preparo dos livros da Codificação e de sua revista.

Sempre que suas forças lhe permitiam, acompanhou Allan Kardec em muitas de suas viagens, cujas despesas, cumpre informar, corriam por conta do próprio casal.

Como atuou depois da morte de Allan Kardec? Esforçando-se por concretizar os planos expostos por Allan Kardec, fundou a “Sociedade Anônima do Espiritismo”, destinada à vulgarização do Espiritismo por todos os meios permitidos pelas leis. Mais tarde, na assembleia geral de 18 de outubro de 1873, foi mudado para: “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.

 

Preocupação com a Morte

A preocupação com a morte é uma consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos. Serve como um contrapeso ao arrastamento que poderia levar o ser humano a deixar prematuramente esta existência. Isso acontece enquanto o homem não for bem esclarecido a respeito da vida futura.

À medida que vai tendo uma melhor compreensão da vida futura, a preocupação com a morte vai diminuindo, o que permite ao ser humano cumprir com mais empenho a sua missão na Terra. O conhecimento da verdade vai nos libertando da ignorância relativa em que nos encontramos.

Há necessidade de se pensar no verdadeiro sentido da vida. Se só nos preocupamos com as coisas materiais, o real para nós é a matéria e os gozos daí advindos. Contudo, o verdadeiramente real está além da matéria. Os que assim pensam, vão se inflamando com uma nova vida, a vida dos espíritos, livre do espírito de sistema.

A incredulidade de alguns pode ser consequência dos seus costumes e das ideias adquiridas na infância. Quando se tem uma vaga ideia da vida futura, a vida futura para eles é uma probabilidade e não uma certeza. Nesse caso, preferem ocupar-se do presente.

A influência dos dogmas religiosos. Algumas religiões mostram as contorções dos danados que expiam nas torturas e nas chamas sem fim os seus erros passageiros. A ideia do inferno não satisfaz às aspirações nem à ideia instintiva de progresso que é a única compatível com a felicidade absoluta. A morte é cercada de cerimônias lúgubres que servem mais para aterrorizar do que para despertar a esperança. Sempre se representa a morte sob um aspecto repulsivo e jamais como um sono de transição.

Por que os espíritas não se preocupam com a morte? Porque a Doutrina Espírita muda completamente a maneira de ver o futuro. A vida futura não é mais uma hipótese, mas uma realidade. Assim, para os espíritas a alma não é mais uma abstração. Ela possui um corpo etéreo que a torna um ser definido, que podemos conceber pelo pensamento.

 

Infecções Fluídicas

Infecções fluídicas” — influências perniciosas dos desencarnados sobre os encarnados propiciando o colapso cerebral.

Para que possamos entender as infecções fluídicas, devemos antes reportamo-nos à simbiose, que pode ser útil ou exploradora. A simbiose é útil quando a união ocasiona um ganho. Exemplo: a que existe entre o cogumelo e a alga, na esfera dos líquens. A simbiose é exploradora quando a união ocasiona uma perda. Exemplo:  as micorrizas das orquidáceas, em que o cogumelo comparece como sendo invasor da raiz da planta.

O Espírito André Luiz, nos capítulos XIV — "Simbiose Espiritual" e XV — "Vampirismo Espiritual", do livro Evolução em Dois Mundos, faz um estudo dessas simbioses para retratar, comparativamente, a simbiose das mentes. Nesse caso, qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência.

Acrescenta que há outros processos simbióticos, tais como a simbiose em condições infelizes, nas quais o desencarnado permanece eivado de ódio ou perversidade enfermiça ao pé das próprias vítimas. Cita, também, a simbiose exploradora de longo curso, em que há uma adaptação progressiva entre o hospedador e o parasita que, mesmo reagindo um sobre o outro, concordam na sociedade em que persistem.

Nesse estudo, o Espírito André Luiz trata também da obsessão e vampirismo, em que as criaturas humanas desencarnadas, que não atenderam à convocação divina, começam a oprimir os companheiros da retaguarda, disputando afeições e riquezas, ou tentando empreitadas de vingança e delinquência.

Como, porém, surgem as “infeções fluídicas”? O Espíritos desencarnados influenciam a imaginação dos encarnados com formas mentais monstruosas, determinando o colapso cerebral com arrasadora loucura. Há, aqueles que imobilizados nas paixões egoísticas descansam em pesado monoideísmo, ao pé dos encarnados, de cuja presença não se sentem capazes de afastar-se.

Qual a terapêutica para o parasitismo da alma? Somente a ação do bem genuíno, com a quebra voluntária de nossos sentimentos inferiores, produz vigorosos fatores de transformação sobre aqueles que nos observam, tanto os bons quanto os maus.

 

23 novembro 2021

Ovoides

Ovoides são esferoides vivos, tristes mentes humanas sem os apetrechos de manifestação.

O surgimento dos ovoides é consequência do monoideísmo auto-hipnotizante, provocado pelo pensamento fixo-depressivo, atrofiando as células que lhe tecem o corpo perispiritual.

O desequilíbrio dos pensamentos pode alterar a forma humana do perispírito.

Os parasitas ovoides. Os Espíritos obstinados pela ideia de fazerem justiça pelas próprias mãos podem, fora do corpo físico, envolver sutilmente aqueles que lhes fazem objeto de atenção.

Ovoides são um tipo de obsessor. O Espírito André Luiz no livro "Evolução em Dois Mundos" diz: “A forma ovoide guarda consigo todos os órgãos de exteriorização da alma, tanto nos planos espirituais quanto nos terrestres, tal qual o ovo ou a semente, que trazem em si a ave ou a árvore do futuro.”

Observação de J. Herculano Pires em seu livro Vampirismo no capítulo "Parasitas e Vampiros"

“André Luiz refere-se a ovoides, espíritos que perderam o seu corpo espiritual e se veem fechados em si mesmos, envoltos numa espécie de membrana. Isso lembra a teoria de Sartre sobre o em-si, forma anterior do ser espiritual, que a rompe ao se projetar na existência por necessidade de comunicação. A ação vampiresca desses ovoides é aceita por muitos espíritas amantes de novidades. Mas essa novidade não tem condições científicas nem respaldo metodológico para ser integrada na doutrina. Não passa de uma informação isolada de um espírito. Nenhuma pesquisa séria, por pesquisadores competentes, provou a realidade dessa teoria. Não basta o conceito do médium para validá-la. As exigências doutrinárias são muito mais rigorosas no tocante à aceitação de novidades. O Espiritismo estaria sujeito à mais completa deformação, se os espíritas se entregassem ao delírio dos caçadores de novidades. André Luiz manifesta-se como um neófito empolgado pela doutrina, empregando às vezes termos que destoam da terminologia doutrinária e conceitos que nem sempre se ajustam aos princípios espíritas. A ampla liberdade que o Espiritismo faculta aos adeptos tem os seus limites rigorosamente fixados na metodologia kardeciana”.

 

 

27 outubro 2021

Resumo das Obras de Léon Denis

Cristianismo e Espiritismo (Christianisme et Spiritisme), Paris, 1898.

Descrição: Neste livro o autor responde aos ataques costumeiros do clero romano, tenta com sucesso projetar sobre o Evangelho o clarão dessa luz secreta, na qual resplende a sublime figura de Jesus de Nazaré.

Depois da Morte (Après la Mort), Paris, 1889.

Descrição: Depois da Morte, fixa em primeiro lugar o ensinamento kardecista, depois de a respeito apresentar uma síntese poderosa. Livro verdadeiramente inspirado, onde a forma reveste a ideia de modo magnífico.

Giovanna (Giovanna), Paris, 1880.

Descrição: Esse é um delicioso romance escrito por Léon Denis, a mais importante figura do movimento espírita francês depois de Allan Kardec. Interessado em difundir a doutrina espírita entre o grande público, o autor criou, com seu estilo inconfundível, uma história fascinante que consegue ser didática, sem perder o encanto do texto literário e o interesse de uma trama bem elaborada.

Joana D'Arc, Médium (Jeanne d’Arc Médium), Paris, 1910.

Descrição: Equaciona um grande problema histórico e analisa os fenômenos maravilhosos que ilustram a vida da virgem Lorena. É um monumento construído de verdade e beleza.

No Invisível (Dans l’Invisible), Paris, 1903.

Descrição: Enfocando especialmente as faculdades psíquicas e reunindo dados especiais e provas fornecidas pela experimentação do ponto de vista do fenômeno.

O Além e a Sobrevivência do Ser (L’Au-delà et la Survivance de l’Être), Paris, 1901.

Descrição: No qual a rica documentação apoiando a grande lei das vidas sucessivas, movendo-se em passagens majestosas, explica os fenômenos da vida; o mistério do destino se esclarece sob uma intensa luz.

O Caminho Reto - Paris, 1889

Descrição: Extraído da obra (“Léon Denis - Depois da Morte”)

O Espiritismo e as Forças Radiantes.

Descrição: Realmente, o estudo dos fluidos e das forças radiantes leva, necessariamente, às formas invisíveis da vida, pois a elas se relaciona, fortemente. É por aí que a Ciência nova chegará a reconhecer a existência do mundo dos espíritos e que as imensas perspectivas do além se abrirão diante dela.

O Espiritismo e o Clero Católico (Le Spiritualisme et le Clergé Catholique), Paris, 1923.

Descrição: Este livro foi classificado por Gaston Luce, o ilustre biógrafo de Denis, como uma "das brochuras de defesa". Este era um dos meios pelo qual Léon Denis respondia aos ataques contra o Espiritismo

O Espiritismo na Arte - Paris, 1922.

Descrição: Em seu trabalho, Léon Denis explica, detalhadamente, o mecanismo da inspiração, ‘procedimento de transmissão da luz divina’, e o importante papel que ela tem desempenhado, em todos os tempos, na evolução das artes e do pensamento.

O Gênio Céltico e o Mundo Invisível (Le Génie Celtique et le Monde Invisible), Paris, 1927.

Descrição: Esta obra de grande valor histórico e cultural foi finalizada as vésperas do desencarne do Mestre Léon Denis. Uma verdadeira viagem ao mundo dos celtas, pois aborda a origem, países célticos, guerras, povos, entre outros aspectos, ressaltando também as semelhanças doutrinárias existentes entre o Espiritismo e Celtismo, incluindo o Druidismo.

O Grande Enigma (La Grande Énigme), Paris, 1911.

Descrição: É uma obra de fé, apoiada na razão e na ciência. Livro de serena elevação diante dos esplendores do universo; poema ardente de um espírito que procura os caminhos que conduzam ao mais alto. 

O Mundo Invisível e a Guerra (Le Monde Invisible et la Guerre), Paris, 1919.

Descrição: Impregna-se do verdadeiro espírito gaélico e de uma imensa piedade humana. É uma das derradeiras obras de um acervo admirável. 

O Porquê da Vida (Le Pourquoi de la Vie), Paris, 1885.

Descrição: O que somos, de onde viemos, para onde vamos? “É a vocês, ó meus irmãos e irmãs em humanidade, a vocês todos a quem o fardo da vida curvou, a vocês a quem as lutas árduas, as preocupações, as provas oprimiram, que dedico estas páginas. É em sua intenção, aflitos, deserdados deste mundo, que as escrevi (...) Possam vocês nelas encontrar alguns ensinamentos úteis, um pouco de luz para clarear seus caminhos”. 

O Problema do Ser, do Destino e da Dor (Le Problème de l’Être et de la Destinée), Paris, 1905.

Descrição: “Tal é o caráter complexo do ser humano – espírito, força e matéria – em quem se resumem todos os elementos construtivos, todas as potências do Universo. Tudo o que está em nós está no Universo. Tudo o que está no Universo se encontra em nós. Por seu corpo fluídico e seu corpo material, o homem se acha ligado à imensa rede da vida universal; por sua alma, a todos os mundos invisíveis e divinos. Nós somos feitos de sombra e de luz. Somos a carne, com todas as suas fraquezas, e o espírito, com suas riquezas latentes, suas esperanças radiosas, seus voos magníficos. E o que está em nós se encontra em todos os seres. Cada alma humana é uma projeção do grande foco eterno. É isto o que consagra e assegura a fraternidade entre os homens.” 

O Progresso - Paris, 1880.

Descrição: Léon Denis nos mostra toda sua face elevada e liberal. Ele foi capaz de analisar, ao mesmo tempo, com grandeza d’alma, o progresso político, o social o religioso e o progresso na Imortalidade. Tais estudos nos demonstram o quanto temos ainda a aprender.

 Os Espíritos e Médiuns (Esprits et Médiums), Paris, 1921.

Descrição: Nesta obra – uma valiosa contribuição de Léon Denis para aclarar o trato do Espiritismo experimental – temos muito que aproveitar, reconhecendo em seu autor um homem habituado lidar com médiuns e espíritos. De uma leitura atenta, podemos extrair inúmeras lições, que nos ajudarão a compreender facetas das comunicações mediúnicas, e que só o tempo poderia nos dar. 

Síntese Doutrinária - Prática do Espiritismo (Synthèse doctrinale et pratique du Spiritualisme), Paris, 1921.

Descrição: Este estudo prático do Espiritismo experimental é ideal para aqueles que aspiram a se tornarem médiuns. É recomendável particularmente aos grupos que têm uma escola de médiuns. 

Socialismo e Espiritismo (Socialisme et Spiritisme), Paris, 1924.

Descrição: Um dos mais notáveis livros de Léon Denis. Fruto de uma série de artigos publicados na Revue Spirite do ano de 1924, o livro representa o pensamento do Mestre sobre as importantes causas sociais e sobre o Socialismo.

 Fonte:

https://www.autoresespiritasclassicos.com/Leon%20Denis%20Livros/Conte%C3%BAdo%20Resumido%20das%20Obras%20de%20L%C3%A9on%20Denis.pdf (em outubro de 2021).

 

15 outubro 2021

Mensagens Espíritas

As mensagens espíritas são sugestões, advertências e incentivo dos benfeitores espirituais, baseadas, a  maioria delas, nos ensinamentos de Jesus sobre o perdão, a paciência, a tolerância, a resignação, entre outras. 

A principal serventia das mensagens espíritas é salientar a mudança de nosso comportamento com relação a nós mesmos, ao próximo e a toda a sociedade de um modo geral, visto que é do nosso pensamento que saem as críticas à conduta dos outros. 

Em se tratando dos Espíritos que se comunicam, citemos: Emmanuel, André Luiz, Hilário Silva, Batuíra, Meimei, Bezerra de Menezes... Notamos que as mensagens mais veiculadas são as do Emmanuel e André Luiz. Contudo, sempre é válido lembrar que o conteúdo da mensagem é muito mais importante do que o renome do autor propriamente dito. 

Há quem reprove as mensagens espíritas, alegando que elas dizem respeito ao consolo e, por isso, não tratam do cerne da Doutrina Espírita.  Convém, contudo, notar que os encarnados no Planeta Terra são Espíritos imperfeitos, necessitando, assim, das lembranças constantes para que fiquem longe dos erros do passado. 

Alguns livros interessantes: 

Caminho, Verdade e Vida, Fonte Viva, Palavras de Vida Eterna, Pão Nosso, Vinha de Luz, Caminho Espírita, Entre os Irmãos de Outras Terras, Estude e Viva, Ideal Espírita, Jesus no Lar, Justiça Divina, Religião dos Espíritos, Seara dos Médiuns...

Uma Mensagem, extraída do livro Espírito da Verdade, psicografia de F. C. Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos Diversos, copyright 1961. (Estudos e dissertações em torno da obra “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” de Allan Kardec)


52 — Há um Século

Cap. XXV — Item 2

I

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.

Fazia frio.

Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.

A pressão aumentava...

Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa.

Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail — a doce Gaby —, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.

II

O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela. E leu:

“Sr. Allan Kardec:

Respeitoso abraço.

Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso.

Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital.

Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoinette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia.

Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo.

Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade...

A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano.

Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.

Minhas forças fugiam.

Namorara diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio. “Seria fácil, não sei nadar” — pensava.

Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a Ponte Marie.

Olhei em torno, contemplando a corrente... E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés.

Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera.

Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça de poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso:

“Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. — A. Laurent.”

Estupefato, li a obra — O LIVRO DOS ESPÍRITOS, ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver.”

Ainda constavam da mensagem agradecimentos finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.

O Codificador desempacotou, então, um exemplar de O LIVRO DOS ESPÍRITOS ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na página do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, mas também outra, em letra firme:

“Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. — Joseph Perrier.”

III

Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro...

Conchegando o livro ao peito, raciocinava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança.

Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas...

Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo.

Allan Kardec levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinhos...

O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima...

Hilário Silva