17 janeiro 2026

Desprezo e Espiritismo

"Desprezo por parte de alguém é a aula da vida para aquisição de humildade."

Desprezo é a falta de respeito, consideração ou apreço por alguém ou algo, sentindo-se superior ou tendo forte aversão, resultando em desdém, desconsideração, e um sentimento de que o outro é inferior ou inútil. Diferente da raiva, que pode ser explosiva e passageira, o desprezo se instala de forma fria e contínua, criando muros invisíveis entre as pessoas. 

O desprezo toca diretamente nosso egoísmo, nosso orgulho e nossa vaidade, pois anelamos ser reconhecidos e valorizados pelos outros. Quando somos esquecidos ou ignorados, a alma se entristece e se sente abatida. Contudo, essas experiências não devem servir de obstáculo à nossa caminhada, mas de convite ao amadurecimento e ao verdadeiro progresso espiritual.

01 janeiro 2026

Ano-Novo, Vida Nova

"Se Deus é por nós, quem será contra nós?”

O ano que se inicia — 2026 —, como todos os anos, é um marco simbólico em que refletimos sobre o que fizemos no ano anterior, no caso, 2025, e o que projetamos para 2026. Pode-se falar de um ritual de renovação. Embora muitos dos nossos propósitos não serão atingidos, serve como um ponto de apoio à nossa mente.

Algumas ideias associadas ao Ano-Novo: 1) renovação e esperança — sentimento de um futuro aberto; 2) planejamento e metas — nossas perspectivas materiais e espirituais; 3) convivência e celebração — rituais, festas e tradições reforçam vínculos e a sensação de pertencimento; 4) simbolismo cultural — cada cultura tem costumes próprios (cores, alimentos, rituais, superstições) que expressam desejos de prosperidade e proteção.

Aproveitando o ensejo, podemos esperar um ano repleto de realizações efetivas para o engrandecimento do nosso Espírito imortal. Que os bons Espíritos — nossos guias protetores — possam, à semelhança de Sócrates, nos advertir daquilo que não devemos fazer e nos inspirar tudo aquilo que concorra para o cumprimento de nossos deveres particulares e sociais.

Peçamos forças para tolerar todos aqueles que estiverem em nosso caminho e que nos ajudam com suas observações e repreensões. Os desígnios de Deus a ele pertencem. Não queiramos ir além daquilo que nos foi facultado saber. Convençamo-nos de que tudo tem sua razão de ser. O acaso não existe. 

Tudo começa e termina em nós mesmos. Embora caminhando só, sejamos solidários, principalmente com aqueles irmãos nossos que não pensam pela nossa cabeça. Incluamos necessariamente os nossos parentes mais próximos, tais como, pais, mães, filhos, netos, genros, entre outros.

Lembremo-nos de que só o bem é real. O mal — por pior que seja — tem por ideal o bem.  

16 novembro 2025

Júlio de Abreu Filho (1893-1972)

Júlio de Abreu Filho (1893-1972). Cearense, nascido em Quixadá em 10 de dezembro de 1893, Júlio Abreu Filho concluiu o ensino fundamental no Colégio São José, na Serra do Estevão. Em Salvador, Bahia, estudou na Escola Politécnica, mas não terminou o curso. Em Ilhéus, trabalhou na Delegacia de Terras, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura. Foi funcionário daquela prefeitura e da Estrada de Ferro Inglesa, onde teve importante participação na construção do trecho ferroviário entre Ilhéus e Vitória da Conquista. 

Em 1921, no Rio de Janeiro, foi empregado da empresa de energia Light. Nesta mesma empresa, em 1929, transferiu-se para São Paulo, onde trabalhou na construção da usina hidrelétrica do parque industrial de Cubatão. 

Entre os anos de 1934 e 1935 foi professor do magistério secundário em vários colégios de São Paulo, capital. Em 1936, tornou-se funcionário da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, no departamento de engenharia rural, organismo responsável por diversos e importantes projetos no interior do Estado. 

15 novembro 2025

Proclamação da República e Espiritismo

Em 15 de novembro de 1889, o Brasil deixou de ser monarquia — governado por um imperador, D. Pedro II — e passou a ser uma república, um sistema de governo em que o chefe de Estado é escolhido pelos cidadãos (direta ou indiretamente). Fato: Marechal Deodoro da Fonseca, apoiado por setores do exército, políticos e parte da elite, liderou um movimento militar que decretou o fim da monarquia, expulsou a família real imperial do Brasil e instalou um governo provisório republicano.

O capítulo 27 — “A República” do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, pelo Espírito Humberto de Campos, mostra-nos o aspecto espiritual desse acontecimento, enfatizando que esta mudança política fazia parte de um processo necessário ao crescimento moral do povo brasileiro. A obra não é historiografia acadêmica — é uma narrativa espiritualista, que busca mostrar o papel espiritual do Brasil no mundo e a atuação de Espíritos na condução dos acontecimentos.

De acordo com Humberto de Campos, a proclamação da República Brasileira representa mais um passo para a consolidação da maioridade coletiva da nação do Evangelho. Isso quer dizer que doravante, o Brasil político será entregue à sua responsabilidade própria. Os amigos do espaço estarão inspirando toda a nação para que essa mudança se faça sem derramamento de sangue.

A Proclamação deve ser vista como “depuração” das estruturas imperiais. De acordo com o livro, o Império possuía méritos, mas também limites: 1) o governo monárquico não conseguia mais atender às exigências do progresso; 2) era necessário criar bases mais flexíveis para uma sociedade em expansão; 3) a República viabilizaria novas ideias, maior participação e transformações sociais

Para Humberto de Campos, os acontecimentos políticos têm finalidade espiritual. A República abre portas para: 1) liberdades civis maiores; 2) pluralidade religiosa e de pensamento; 3) redefinição da educação e do trabalho; 4) crescimento moral do povo. Mesmo com suas falhas históricas, o novo regime possibilitou transformações que conduzem, segundo o livro, ao papel futuro do Brasil como difusor do Evangelho redivivo.

 

 

14 novembro 2025

Roustainguismo e Espiritismo

Jean-Baptiste Roustaing (1805–1879) foi contemporâneo de Kardec. Apresentou-se como um intérprete dos evangelhos — Mateus Marcos, Lucas e João — sob a inspiração espiritual. Na sua obra Os Quatro Evangelhos: Revelação da Revelação defende o corpo fluídico de jesus, ou seja, um corpo aparente, ideia esta criada pelo docetismo (do grego dokein, “parecer”)

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, tem como base o pentateuco espírita — O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritíssimo, A Gênese e o Céu e o Inferno —, além das diversas obras complementares, em especial a Revista Espírita. Seus princípios fundamentais podem ser resumidos: existência e imortalidade da alma; comunicabilidade dos espíritos; lei de causa e efeito, reencarnação, evolução moral e intelectual.

Allan Kardec não aprovava a ideia de Roustaing sobre o corpo fluídico de Jesus. Defendia que Jesus tinha um corpo de carne como qualquer outro ser humano. Enquanto Roustaing dizia que Jesus não sofreu na cruz, Kardec afirmava o contrário. A única ressalva em relação a Jesus é que ele foi o ser humano mais perfeito que reencarnou na Terra. Dada a sua condição de espírito perfeito, o seu perispírito seria formado dos elementos mais sutis do globo. Nesse caso, a dor poderia ser amenizada, mas não suprimida de todo.  

Allan Kardec, no capítulo XV — "Os Milagres do Evangelho", do livro A Gênese, afirma que o corpo de Jesus era, pois, um corpo semelhante ao nosso. Negar a materialidade seria negar a encarnação, o que contradiz o princípio universal da reencarnação. 

No item 67 deste capítulo, diz: "Esta concepção sobre a natureza do corpo de Jesus não é nova. No quarto século, Apolinário de Laodiceia, chefe da seita dos Apolinaristas, pretendia que Jesus não tivesse possuído um corpo como o nosso, mas um corpo ‘impassível’, que descera do céu no seio da Santa Virgem, e não nascera dela; que, por essa forma Jesus não havia nascido nem sofrido, e que só morrera em aparência. Os Apolinaristas foram anatematizados no Concílio de Alexandria, em 360; no de Roma, em 374; e no de Constantinopla, em 381”.


 

12 novembro 2025

O Sentido Oculto do Roustainguismo

"O Sentido Oculto do Roustainguismo" é o título do capítulo VII da Segunda Parte do livro O Verbo e a Carne: Duas Análises do Roustainguismo, de autoria de José Herculano Pires e Júlio Abreu Filho, cuja publicação original é de 1972, pela editora Paideia.   

É o fechamento da série de artigos de análise do livro do Sr. Ismael Gomes Braga, feito por Júlio de Abreu Filho. 

Eis a transcrição deste capítulo: 

Nesta análise por vezes fomos ásperos, dessa aspereza chocante mas necessária nos ambientes espíritas. Mercê de Deus, entretanto, jamais nos afastamos daquela recomendação de Kardec: discutir sem disputar. Nunca deixamos de citar fielmente as fontes; nunca faltamos com o respeito à lógica, aos fatos, à verdade. Se, de passagem, fizemos referências a pessoas, vivas ou desencarnadas, jamais ferimos condições personalíssimas. É que essas criaturas estavam ligadas à projeção social de acontecimentos que interessam à gente espírita de modo muito particular.

Tomaram os espíritas como slogan número um o título de uma obra ditada pelo Espírito de Humberto de Campos: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Meditem os leitores sobre o conceito aí contido. É possível que o Espírito tenha lá as suas razões. Mas como? Quando?

30 outubro 2025

Pedagogia: Jesus e Kardec

Pedagogia. Do grego paidogogia, formada por pais / paidós “criança”, agogós, “aquele que conduz, guia", ago, “conduzir, guiar”. Na Grécia Antiga, paidagogós não era professor, mas sim o escravo encarregado de acompanhar a criança até a escola, cuidar de sua conduta e garantir que estudasse. Literalmente, paidagogos era “aquele que conduz a criança”, ou seja, o guia da criança.

Com o tempo, o termo passou a designar não apenas o acompanhante físico da criança, mas aquele que a orienta na aprendizagem e na formação moral e intelectual. Assim, “pedagogia” evoluiu para significar: “A arte ou ciência de educar e instruir as crianças.” Hoje, o termo abrange a teoria e prática da educação, em sentido amplo, incluindo métodos, princípios e filosofia do ensino.

Pedagogia de Jesus. Jesus não era um pedagogo no sentido atual, pois não foi formado em nenhuma faculdade. A sua abordagem educacional pode ser extraída dos ensinamentos práticos, principalmente aqueles registrados nos evangelhos. Seus princípios fundamentais são: 1) ensino pelo exemplo (fala e ação); 2) respeito pela individualidade; 3) amor incondicional ao próximo; 4) ensinamento por parábolas (histórias simples para uma reflexão profunda).

Pedagogia espírita. Pode-se entender como o modo de conduzir o ser humano em seu processo de aprendizado e progresso moral, segundo os princípios do Espiritismo, codificados por Allan Kardec. Eis alguns pontos: 1) educação moral e espiritual; 2) reencarnação e evolução espiritual; 3) responsabilidade individual e coletiva; 4) desenvolvimento da consciência.

Para mais informações, consultar o livro Pedagogia Espírita do prof. J. Herculano Pires, editado pela Edicel em 1985. Nele encontraremos ensinamentos sobre o mistério do ser, educação integral, a pedagogia de Jesus, a didática de Kardec, o Espiritismo nas escolas, a pedagogia espírita, entre outros.

Podemos dizer que tanto a pedagogia de Jesus quanto a espírita tem um único objetivo: desenvolvimento integral do ser humano.

29 outubro 2025

Honra a teu Pai e a tua Mãe

Honra. Valor moral ligado à dignidade, à boa reputação e ao comportamento ético e virtuoso do indivíduo. Honrar significa agir com integridade e respeito, tanto diante da sociedade quanto no convívio familiar. Esse princípio se manifesta especialmente no cumprimento dos deveres morais, sendo uma virtude essencial para a construção de relações justas e harmoniosas.

No texto evangélico, a honra é destacada nos mandamentos bíblicos: “Honra teu pai e tua mãe”, presente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Essa ordem divina é associada à piedade filial, ou seja, ao respeito e à gratidão dos filhos para com os pais. O Evangelho Segundo o Espiritismo amplia essa ideia, mostrando que a verdadeira honra inclui o reconhecimento espiritual dos laços familiares, que ultrapassam a convivência física e se estendem à dimensão espiritual.

No âmbito da família, devemos reconhecer que os laços entre pais e filhos são resultado de um planejamento espiritual anterior à reencarnação. Assim, as relações familiares não acontecem por acaso, mas têm o propósito de promover aprendizado e reconciliação entre espíritos. A harmonia familiar exige esforço mútuo, especialmente quando há dificuldades decorrentes de desentendimentos passados. 

Bíblia e Espiritismo. Moisés trouxe a Primeira Revelação com os Dez Mandamentos; Jesus, com o Novo Testamento, apresentou a Segunda, baseada no amor a Deus e ao próximo; e o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, constitui a Terceira Revelação, aprofundando e ampliando esses ensinamentos. O Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, reforça que a dívida para com os pais é sagrada e impagável, devendo sempre ser retribuída com respeito, gratidão e cuidado.

Nas responsabilidades mútuas, destaca-se que os pais têm o dever de educar moralmente os filhos e introduzi-los em valores espirituais e éticos. Já os filhos devem retribuir com carinho, assistência e respeito, especialmente na velhice dos pais.

Reafirmamos que honrar pai e mãe é mais do que obedecer: é reconhecer o amor, o sacrifício e a importância desses laços, perpetuando a harmonia e o aprendizado espiritual entre as gerações.

27 outubro 2025

Os Sãos não Precisam de Médico

“Os sãos não precisam de médico” é um dos subitens do capítulo XXIV — “Não por a Candeia Debaixo do Alqueire” de O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec. Os demais subtítulos são: A Candeia Debaixo do Alqueire. Porque Fala Jesus por Parábolas — Não ir aos Gentios — A Coragem da Fé — Carregar a Cruz. Quem Quiser Salvar a Vida.

O endereço bíblico: E aconteceu que, estando Jesus assentado à mesa numa casa, eis que, vindo muitos publicanos e pecadores, se assentaram a comer com ele e com os seus discípulos. E vendo isto os Fariseus, diziam aos seus discípulos: Por que come o vosso mestre com os publicanos e pecadores? Mas, ouvindo-os, Jesus disse: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. (Mateus, IX: 10-12). 

A doença é uma condição que causa desvio ou interrupção do funcionamento normal de um organismo, manifestando-se por um conjunto de sinais e sintomas que limitam a capacidade funcional de um indivíduo. Ela pode ser física, mental e espiritual. Sua causa pode ser encontrada nesta ou em outras existências. Em se tratando da cura: para um problema físico, buscamos a orientação de um médico; se o problema é mental, um psicólogo; se for obsessão, um Centro Espírita.  

Mediunidade é uma faculdade humana, natural em que se estabelecem as relações entre o médium o espirito comunicante. É a relação entre encarnados e desencarnados. É uma condição humana, que não depende da moral do médium. Por isso, não devemos nos revoltar quando virmos médiuns cometendo os mais graves absurdos.

No item em questão, há uma extensa dissertação sobre a mediunidade, orientando-nos a não criticarmos a conduta dos médiuns, pois são eles que precisam do médico. Lembremo-nos de que na época da codificação do Espiritismo, Kardec preferia o médium letrado ao moralizado, com a seguinte explicação: ao divulgar os ensinamentos da nova doutrina, primeiro prega para si mesmo. É a história do dedo indicador apontando para o público, enquanto os outros três voltam-se para si mesmo.  

Se o poder de comunicar-se com os Espíritos só fosse dado aos mais dignos, qual aquele que ousaria pretendê-lo? E onde estaria o limite da dignidade e da indignidade? A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico: aos virtuosos, para os fortalecer no bem; e aos viciosos, para os corrigir. Estes últimos não são os doentes que precisam de médico?

No livro Educandário de Luz, o Espírito Irmão X relata-nos o diálogo entre D. Clara que, por meio de diversas perguntas, feitas ao Espírito Júlio, protetor daquele grupo espírita, tinha o seguinte objetivo: organizar um círculo de criaturas elevadas e sinceras, que apenas cogitem da virtude praticada. No final, pergunta se o Espírito Júlio poderia fazer parte desse grupo, ao que ele responde que não, por causa da sua imperfeição. Concluindo a conversa, o Espírito diz: — Sim, minha filha, um grupo assim tão perfeito deve existir... Com toda certeza deve ser o grupo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A humildade é o fundamento de todas as virtudes. Por mais influência que estivermos recebendo dos mentores espirituais, conscientizemo-nos de que somos simples intermediários dos bons Espíritos. 

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/s%C3%A3os-n%C3%A3o-precisam-de-m%C3%A9dico-os


11 outubro 2025

Conselho Cármico da Terra (Livro)

O médium Luiz Guilherme Marques (Irmandade dos Anônimos), no livro O Conselho Cármico da Terra, diz-nos que existe um governo espiritual responsável pela administração da Terra, sob a direção de Jesus que, embora muitas pessoas reconheçam Sua autoridade espiritual, poucas compreendem como funciona a estrutura que O auxilia nessa tarefa. Procura, assim, explicar o seu funcionamento, incluindo o cuidado não apenas com os humanos, mas também com as criaturas dos reinos inferiores da Natureza.

Esse Conselho é formado por Espíritos de grande elevação moral e sabedoria, como Maria de Nazaré, o Arcanjo Miguel, Allan Kardec, Buda, Gandhi, Chico Xavier, Teresa de Ávila, entre outros. Eles se reúnem quatro vezes por ano — nos últimos dias de março, junho, setembro e dezembro — para avaliar o progresso espiritual da humanidade e definir novas ações para o próximo período. Nessas reuniões, são tratadas questões de alta relevância, como o combate à influência do mal e o processo de regeneração planetária que a Terra vivencia atualmente.

De acordo com o autor, um dos principais desafios enfrentados pelo Conselho Cármico são as drogas, usadas como ferramenta dos espíritos atrasados para dificultar o progresso moral da humanidade. Esses seres, temendo o próprio exílio para mundos inferiores, tentam manter os jovens presos ao vício e à degradação. No entanto, o Conselho atua sem violar o livre-arbítrio, aplicando a Lei Divina conforme o merecimento de cada indivíduo.

Os Espíritos Superiores que fazem parte do Conselho não pertencem a uma religião específica — catolicismo, hinduísmo, xamanismo, e mesmo espiritismo —, pois se orientam pela Lei Divina Universal, válida para todo o cosmos. Assim, o Conselho Cármico reúne entidades que, quando encarnadas, seguiram diversas tradições religiosas ou filosóficas, mas que hoje trabalham unidas pelo bem comum e pelo equilíbrio planetário.

Como o progresso é coletivo, o autor enfatiza a necessidade do "orai e vigiai" de cada indivíduo. Reforça, ainda, que o Bem sempre triunfa — especialmente quando as criaturas humanas se unem, com sinceridade e boa vontade, às forças luminosas que regem o Universo.

08 outubro 2025

Notícia e Espiritualidade

A facilidade da notícia cria a mentalidade da notícia. Se não prestarmos atenção, raras vezes estaremos visitando a nós mesmos.

Notícia é o relato factual, objetivo e atual de um acontecimento de interesse público, divulgado por um veículo de comunicação que, via de regra, deveria ser de forma clara, concisa e imparcial. Seus elementos essenciais são: fato (algo que realmente aconteceu), atualidade (deve tratar de algo recente), interesse público (ser relevante para a sociedade), objetividade (relatar sem opinar) e veracidade (basear-se em informações verdadeiras e verificadas).

Léon Denis, no capítulo 24 — “A disciplina do pensamento e a reforma do caráter”, da terceira parte — “As potências da alma”, do livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, orienta-nos a evitar as discussões barulhentas, as palavras vãs, as leituras frívolas. Acrescenta: “Sejamos comedidos com os jornais. A leitura dos jornais, fazendo-nos passar continuamente de um assunto a outro, torna o espírito ainda mais instável. Vivemos em uma época de anemia intelectual, que é causada pela raridade dos estudos sérios, pela opção abusiva da palavra pela palavra, de forma bela e vazia e, sobretudo, pela insuficiência dos educadores da juventude”.

Por que a insistência com o jornal? Há uma ilusão da notícia. Diz-se que a notícia é, para o cérebro, o que o açúcar é para o corpo: apetitosa, fácil de digerir e altamente destrutiva no longo prazo. Renunciando à notícia, podemos ter pensamentos mais claros, percepções mais valiosas, melhores decisões e muito mais tempo. 

Razões para ficarmos distantes da notícia: 1) nossos cérebros reagem desproporcionalmente a diferentes tipos de informação; 2) notícias são irrelevantes (qual delas contribuiu para nossa melhoria interior?); 3) notícias são perda de tempo (um ser humano médio desperdiça meio dia a cada semana lendo sobre assuntos atuais).

Em geral, lê-se muito, lê-se rapidamente e não se medita. Léon Denis complementa: 

O estudo silencioso e recolhido é sempre fecundo para o desenvolvimento do pensamento. É no silêncio que se elaboram as obras fortes. A palavra é brilhante, mas degenera, com muita frequência, em conversações estéreis, às vezes, malfazejas; desta forma, o pensamento se enfraquece e a alma se esvazia. Ao passo que, com a meditação, o espírito se concentra; dirige-se para o lado grave e solene das coisas; a luz do mundo espiritual banha-o em suas ondas. Há, em torno do pensador, grandes seres invisíveis que só querem inspirá-lo; é na penumbra das horas tranquilas, ou à luz discreta de sua luminária de trabalho, que melhor eles podem estabelecer comunicação com ele. Em toda parte e sempre, uma vida oculta mistura-se à nossa.


Cinquenta Perguntas sobre o Livro "Nosso Lar"

01 – Que tipo de sensação descreveu o Espírito André Luís, logo após o seu desencarne?

R. – Uma sensação de perda da noção de tempo e espaço. Sentia-se amargurado, coração aos saltos e um medo terrível do desconhecido.

02 – Por que pecha de suicida?

R. – André Luiz não conseguia compreender porque o chamavam de suicida. Em sua concepção,tinha cumprido condignamente os deveres de médico, marido e pai. Contudo, ficou sabendo depois, que perdera muita vitalidade com bebidas e alimentação inadequada.

03 – Qual a finalidade da oração coletiva?

R. – Manter o equilíbrio espiritual da colônia. "Para tanto, todas as residências e instituições do "Nosso Lar" estão orando com o Governador, através da audição e visão à distância".

04 – Quais as causas do suicídio, segundo Henrique Luna, do Serviço de Assistência Médica da colônia espiritual?

R. – Modo exasperado e sombrio, cólera, ausência de autodomínio, inadvertência no trato com os semelhantes...

06 outubro 2025

Frases Extraídas do Livro "Horizontes da Mente"

O livro, Horizontes da Mentepela psicografia de João Nunes Maia, em seus 80 capítulos, propiciou-nos a coleta de algumas frases: 

"A mente é como o chuveiro da alma. Aquilo em que pensais firmemente cairá sobre vós mesmos, de modo a vos libertar ou a vos encarcerar, dependendo do teor dos sentimentos que impulsionam as ideias".

"O desenho de sinais na mente é o princípio da comunicação entre as criaturas, e a formação dos pensamentos é uma arte divina, onde o espírito, como co-criador, tem sua maior parte".

"Se desejamos nos confundir com os benfeitores de alta hierarquia espiritual, é preciso que a educação da mente seja o primeiro passo".

"A harmonização da mente não se dá sem a cooperação dos nossos semelhantes, principalmente daqueles que não simpatizam conosco".

"Mesmo que queiramos, nunca conseguiremos parar de pensar, pois a mente é um dínamo sagrado ligado à suprema inteligência universal, pela qual flui, ininterruptamente, a vontade de Deus".

"Os bons costumes tornam a mente límpida e clareiam o verbo, enriquecendo-o, para que os ouvintes sejam estimulados ao exercício do bem eterno".

"Higienizemos a nossa mente, sem afrontá-la agressivamente".

"A mente é uma fornalha de temperaturas variáveis, de conformidade com a evolução da alma, onde se purificam todos os sentimentos provindos dos mais secretos escaninhos do espírito".

"A mente dinâmica nos serviços da benevolência e do perdão prorrompe em nuances incalculáveis, na fraternidade imponderável".

"A mente é como um aditamento espiritual para a alma, uma escola de relevância transcendental na Terra, alojando qualidade e manifestando dons, diante de quantas colisões forem necessárias".

"Caso nos silenciemos, o mal se propaga, criando sérios embaraços por onde transita, e somos responsáveis por todos os estragos feitos em mentes invigilantes".

"Quando conseguirmos um campo mental sem mácula, através do tempo, configurado com o esforço próprio e coletivo, estaremos dando os primeiros passos nos céus do Cristo".

"A mente é um dínamo que, de certo modo, não nos pertence. Contudo, o seu bom funcionamento requer a nossa participação ativa e constante. O que não nos pertence é a sua existência e a sua mecânica".

"As formas mentais têm uma força coesiva sem precedentes, maior que a liga de todas as colas e o traço de todos os cimentes".

"Todos nós, que viajamos na Terra, pertencemos à escola do Cristo, que objetiva, em. todos os seus programas, a educação da mente".

"A vigilância é sempre a eterna âncora da alma, apoiada no fundo do mar tempestuoso da mente, a nos garantir a tranquilidade, disciplinando uma profusão de pensamentos diários, de maneira a serem úteis no seu campo de ação".

"Meus filhos, se começais hoje na educação da mente, tereis certeza da reversão da própria natureza inferior".

"Os pensamentos antecedem as palavras e estas são dirigidas por eles".

"Todo o Evangelho do Cristo são mantras divinos, preparados por Jesus, para a felicidade dos homens".

"O uso dos mantras é uma ciência, e toda ciência bem aplicada tem seus métodos".

"A formação dos nossos pensamentos é que determina a nossa conduta".

"A ação dá continuidade aos pensamentos. Mas são os pensamentos que geram as ações".

04 outubro 2025

Horizontes da Mente (Livro)

O Espírito Miramez, em Horizontes da Mente, pela psicografia de João Nunes Maia, em seus 80 capítulos, discute os vários aspectos relacionados com a mente. Entre eles, citamos: poder da mente, emissão de pensamentos, dinamismo mental, pureza mental, limpeza da mente, magnetismo, olhos do iniciado, criação mental, mantras, poluição mental, poder da palavra, mente humana e mente divina.

Percebemos que tudo está na mente, ou seja, no modo de pensar de cada criatura, pois tudo começa no pensamento. É no pensamento que estão dispostos os princípios pelos quais agimos em sociedade. É por isso que temos que adubar, regar e disciplinar nossos pensamentos  para que a mente humana fique sempre ligada à mente divina. Isso exige esforço, mas sem imposição de espécie alguma, pois o progresso é lento e dificultoso.

No prefácio de Bezerra de Menezes, destacamos:

"Horizontes da Mente é um ato de caridade cristã de uma alma para milhares delas, nos corredores do mundo terreno. Toca em pontos dificilmente comentados pelos escritores espiritualistas, com muita veemência, emprestando a quem lê a convicção de que o trabalho de reforma mental é o alicerce onde será construído o edifício da sua felicidade. Mostra que o céu é mais real dentro de nós, mas que depende de coisas e seres externos".

"Os dois mandamentos escolhidos pelo Mestre — "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos" — são fundamentais para o assunto a que ora nos referimos. Nós estamos, escolhidos, por sintonia, ao lado do próximo. E a vida feliz é aquela que esplende no meio termo: não se esconder demais, nem se mostrar com exagero; não comer fora do limite, nem ficar com fome; não beber para embriagar-se, nem protestar contra a bebida; e, assim, sucessivamente. Não esqueceu o Divino Amigo de dizer: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus"", 

"Horizontes da Mente abre mais um ângulo para a educação aproveitando as forças já em domínio. É aquela caridade que poderemos fazer a nós mesmos e que, certamente, redunda em benefício dos outros, porquanto sempre estamos em convívio com o próximo".

"Horizontes da Mente retrata bem o encontro de Jesus com a samaritana. O escritor espiritual pede um pouco de atenção, que não deixa de ser a água do mundo e, em devolução, dá a água da vida, despertando qualidades no leitor, e nele abrindo um pouco de saber, onde poderá beber de um líquido inextinguível. Este livro é apropriado para a época de tantas desilusões. Se lerdes com cuidado, notareis o que há de ser daqueles que não cuidam da educação da mente, e até onde os seus pensamentos podem atingir".

Horizontes da Mente é um livro em forma de luz e uma luz em forma de livro, para os que querem se livrar das trevas.

 

 

19 setembro 2025

Mediunidade (Vida e Comunicação) [Resumo de Livro]

Título do livro: Mediunidade (Vida e Comunicação): Conceituação da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais. O propósito desta obra é esclarecer a natureza e a função da mediunidade como faculdade humana, buscando unir ciência, filosofia e moral, evitando tanto o misticismo quanto o ceticismo materialista.

Capítulos do livro: — Conceito de Mediunidade — Mediunidade Estática — Mediunidade Dinâmica — Energia Mediúnica — O Ato Mediúnico — O Mediunismo — A Mesa e o Pão — O Vampirismo — A Moral Mediúnica — Relações Mediúnicas — Mediunidade Zoológica — Medicina Espírita — Grau da Mediunidade — Mediunidade Prática — Mediunidade e Religião — Problemas da Desobsessão.

Sobre o autor: José Herculano Pires (1914-1979) foi jornalista, filósofo e conferencista espírita — o "metro que melhor mediu Allan Kardec" —, e por isso, considerado um dos maiores pensadores espíritas do Brasil.

Sobre a natureza da mediunidade. É uma faculdade humana natural, presente em maior ou menor grau em todas as pessoas. Não é um privilégio dos bem dotados. Não depende de religião, cultura ou crença. Está ligada à estrutura do ser humano, sendo uma interligação entre os dois planos, o físico e o espiritual. Sua principal finalidade é ajudar a humanidade a progredir material e espiritualmente.  

Ao longo do livro, Herculano Pires insiste na necessidade de educar a mediunidade, ressaltando que a prática sem preparo pode gerar desequilíbrios psicológicos e espirituais. Para ele, estudo, disciplina e ética são indispensáveis. O médium deve desenvolver virtudes como humildade, responsabilidade e desapego, a fim de evitar ilusões, vaidade ou exploração indevida.

O autor também alerta contra os perigos de uma mediunidade mal conduzida, como a obsessão e a mistificação. Defende que apenas dentro da perspectiva espírita — com base nos princípios de Kardec — é possível compreender plenamente a natureza mediúnica e colocá-la a serviço do bem coletivo.

Herculano, grande conhecedor do espiritismo, reforça a ideia de que a mediunidade nada mais é do que um instrumento de aperfeiçoamento moral e espiritual, e por isso exige responsabilidade.

 

18 setembro 2025

Atenção e Concentração

A atenção e a concentração são duas atitudes relevantes para a aprendizagem e o desempenho nas diversas atividades do dia a dia. São dois processos mentais relacionados, mas não idênticos.

Atenção. Em sua acepção mais geral é a "direção especial do espírito a um objeto". É por ela que exercitamos a capacidade de selecionar, entre vários estímulos, aqueles que merecem foco no momento. Concentração. É a manutenção da atenção em um único objeto, tarefa ou pensamento por um período prolongado de tempo.

Há muitos fatores — de ordem interna e externa — que influenciam a atenção e a concentração. Internamente, temos: motivação, falta de interesse pela atividade, estado emocional... Externamente, citamos: ambiente silencioso ou barulhento, organização do espaço, estímulos visuais...

Para que possamos melhorar a atenção e concentração, devemos adotar algumas estratégias, tais como, criar um ambiente adequado (silencioso, organizado), praticar técnicas de respiração profunda, dormir bem e manter alimentação equilibrada, definir metas claras e objetivas para cada tarefa.

Em termos espirituais e mediúnicos, José Herculano Pires, no capítulo 7, de seu livro Mediunidade, diz-nos que a concentração dos pensamentos numa reunião mediúnica não corresponde ao tipo de concentração individual de uma pessoa num determinado problema a rever ou num estudo a fazer. Trata-se de uma concentração coletiva de pensamentos voltados para um mesmo alvo, por exemplo, Jesus. Nesse sentido, a concentração não deve ser forçada, mas tão logo o pensamento se desvia para outros rumos, faz-se que ele retorne suavemente à ideia centralizadora.

A capacidade de se alhear do mundo externo, isto é, de se concentrar, é o primeiro passo no processo de desenvolvimento mediúnico. Para tanto, deve o médium aguçar o interesse e o entusiasmo, fortalecendo a vontade. O estudo da Doutrina Espírita, a utilização da prece e a disposição de nunca estar ocioso aumentam sobremaneira esse poder de concentração, possibilitando o direcionamento dos pensamentos às esferas superiores do mundo espiritual.

16 setembro 2025

Jesus e César

 A relação entre Jesus e César pode ser vista:

1) Histórico-política: César simboliza o poder imperial romano, que dominava a Palestina na época de Jesus; Jesus, por outro lado, representava uma proposta espiritual e ética que não se confundia com o poder político, mas também não o ignorava; a frase “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” mostra essa distinção: reconhecer a legitimidade da ordem civil sem confundi-la com a esfera divina.

2) Teológica: O contraste entre o Reino de Deus e o reino terreno: César representa a ordem mundana, marcada por poder, impostos, hierarquia e violência; Jesus anuncia um Reino baseado em justiça, amor, humildade e serviço. Enquanto César exigia culto e lealdade absoluta, Jesus rejeita esse tipo de idolatria ao Estado, reafirmando que só Deus merece adoração plena.

3) Filosófico e ético: O dilema entre obedecer às leis humanas e seguir a consciência espiritual. O ensinamento de Jesus inspira reflexão sobre até que ponto é legítimo obedecer à autoridade civil, principalmente quando esta entra em conflito com princípios éticos superiores.

Que poderia ter acontecido se Jesus recorresse à proteção de César? 

Se Jesus tivesse aderido à Cesar em vez de manter sua missão espiritual e profética, o mundo provavelmente teria sido muito diferente. Eis alguns cenários possíveis:

1) O desaparecimento do Cristianismo como o conhecemos: Se Jesus tivesse se submetido a César, sua mensagem teria sido diluída no pragmatismo político e talvez não tivesse passado de mais um movimento religioso local, integrado ao império romano. Sem a cruz e sem a resistência à lógica do poder, dificilmente haveria a mesma inspiração para mártires e comunidades que expandiram a fé.

2) A fusão entre religião e poder já no início: Ao seguir César, Jesus teria legitimado o império romano como parte do plano divino. Isso poderia ter criado uma religião imperial desde o começo, semelhante ao culto ao imperador. O cristianismo poderia ter se tornado apenas um braço religioso do Estado, sem a força transformadora de questionar injustiças.

3) Perda da ética revolucionária: O Sermão da Montanha, a opção pelos pobres, a crítica aos hipócritas e aos poderosos perderiam força. A ética de amor ao inimigo e perdão poderia ter sido substituída por uma moral de obediência e lealdade ao império. A mensagem de Jesus seria adaptada para justificar a ordem existente, e não para transformá-la.

4) Impacto cultural e histórico: Sem o cristianismo como religião independente, a história do Ocidente seria outra: Talvez não houvesse a mesma noção de dignidade da pessoa humana, vinda da ideia de que todos são filhos de Deus. Nem a mesma crítica ética às estruturas de poder. A cultura romana e grega teriam dominado sem contrapeso, e conceitos como caridade universal, misericórdia e perdão talvez não tivessem se espalhado.

Jesus e César 

Que seria do Cristianismo se Jesus recorresse à proteção de César?

Possivelmente, alguns patrícios simpáticos à nova doutrina se encarregariam da obtenção do alto favor. Legiões de soldados viriam garantir o Messias e os amigos do Evangelho alinhar-se-iam à força da espada, não mais de ouvidos espontâneos, mas com a atenção absorvida na postura oficial, Pedro e João, Tiago e Felipe adotariam certas normas de vestir, segundo os programas imperiais, e o próprio Cristo, naturalmente, não poderia ensinar as verdades do Céu, sem prévia audiência das autoridades convencionalistas da Terra. Provavelmente, o Mestre teria vencido exteriormente todos os adversários e dominaria o próprio Sinédrio.

Mas... e depois?

Sem dúvida, ter-se-ia fundado expressiva e bela organização político-religiosa, repleta de preceitos filosóficos, severos e regeneradores. Mateus teria envergado a túnica do escriba estilizado, enquanto Simão gozaria de honras especiais e o próprio Jesus passaria à condição de um Marco Aurélio, cheio de austeridade e nobreza, interessado em ensinar a justiça e a sabedoria, mas em cujo reinado se verificariam perseguições das mais terríveis e sangrentas ao Cristianismo, sem que as ocorrências dolorosas lhe merecessem consideração.

O Mestre, contudo, compreendia a necessidade das organizações humanas, exemplificou o respeito à ordem política, mas, acima de tudo, serviu ao Reino de Deus, de que era representante e portador, neste mundo de experiências provisórias, dirigindo seu Evangelho de Amor, não só ao homem físico, mas essencialmente ao homem espiritual.

Sabia Ele que as organizações religiosas, propriamente ditas, existiam entre as criaturas, muito antes dos templos de Baal. Urgia, porém, entregar aos filhos da Terra a herança do Céu, integrá-los na doutrina viva do bem e da verdade, estabelecer caminhos entre a sombra e a luz, aperfeiçoar caracteres, purificar sentimentos, elevar corações, instituir a universidade do Reino de Deus e sua justiça. Entendia que a sua obra era de semeadura, germinação, crescimento, tempo e trabalho constante.

E plantou com o seu exemplo o Cristianismo sublime no campo da Humanidade, ensinando o acatamento a César, cooperando no aperfeiçoamento de suas obras, mas fazendo sentir que César constituía a autoridade respeitável no tempo, enquanto o Pai guarda o poder divino na eternidade.

Na exemplificação do Cristo, o Espiritismo evangélico, na sua condição de Cristianismo redivivo, deve procurar as suas diretrizes, edificantes no terreno da nova fé. As organizações políticas, de natureza superior, são sempre dignas e respeitáveis e todos os seguidores do Evangelho devem honrar-lhes os programas de realização e progresso coletivo, acatando-lhes as instituições e contribuindo para o seu engrandecimento, na esfera evolutiva, mas não se pode exigir, da política de ordem humana, a solução dos problemas transcendentes de ordem espiritual.

Na atualidade do mundo, o Espiritismo é aquele Consolador prometido, enfeixando nova e bendita oportunidade de redenção. Em seu campo doutrinário, a verdade de Deus não está algemada, seus felizes estudantes e seguidores podem aquecer o coração ao sol da liberdade íntima, sem obstáculos na marcha da consciência para a realização divina.

Aos espiritistas dos tempos novos, portanto, surgem lições vivas, que não podes relegar ao esquecimento.

O sacerdócio organizado costuma ser o cadáver do profetismo, Oculto externo nem sempre favorece a luz da revelação. A teologia, na maior parte das vezes, é o museu do Evangelho.

Urge, pois, em todas as circunstâncias, não olvidar Aquele que auxiliou romanos e judeus, atendendo ao povo e respeitando as autoridades, dando a César o que era de César e a Deus o que é de Deus, ensinando, porém, que o seu reino ainda não é deste mundo. (Capítulo 8 do livro Coletânea do Além, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de F. C. Xavier)