28 dezembro 2009

Parábola do Joio e do Trigo

Problema: deve-se arrancar o joio ou deixá-lo crescer junto ao trigo?

As parábolas nada mais são do que ensinamentos paralelos a uma lição principal. É a apresentação de uma realidade concreta que evoca, por comparação, uma realidade superior, notadamente moral e espiritual. O joio – do grego zizanion (cizânia) significava uma gramínea anual que parecia muito com trigo até que amadurecesse.

O texto bíblico. "Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas trigo, recolhei-o no meu celeiro." (Evangelho segundo São Mateus 13:24-30)

A parábola do joio e do trigo é uma continuação da “parábola do semeador”. Na parábola do semeador, há uma situação hipotética, em que a semente cai em terrenos de qualidades distintas. Aqui, há um tipo específico de semente, a do trigo. Com o trigo podemos fazer farinha, e com a farinha, o pão, o macarrão etc. É um produto necessário à manutenção da vida humana. Devemos associá-lo ao conceito de bem.

Os trabalhadores do campo adubaram a terra, cavaram os buracos, jogaram as sementes de trigo e cuidaram de regar as plantinhas tenras. Depois desse esforço, foram dormir, descansar pelo dia trabalhado. Os inimigos, porém, esperaram a noite vir, trabalharam no escuro e jogaram a erva daninha. É um chamamento à vigilância. “É pelo descuido do lavrador que a colheita se perde, é pelo descuido do professor que o aluno se torna ocioso, é pelo descuido da educação que os delinqüentes juvenis surgem. Assim, para que o bem se conserve e se dilate haverá necessidade de esforço constante”.

Nesta parábola, o joio deve crescer junto com o trigo. Por quê? Porque estas ervas são parecidas. Caso tencionássemos tirar o joio, poderíamos, por engano, arrancar também o trigo. Neste caso, Jesus está nos dizendo que o mal deve conviver com o bem, sem, contudo, que o bem seja conivente com o mal. O mal deve ser sempre combatido. Há, porém, a necessidade de esperar o momento certo, pois qualquer coisa que é feita fora de hora pode não produzir seus frutos desejados.

Esta parábola remete-nos à lei de causa e efeito. Todos somos livres para semear; a colheita, porém, será obrigatória. Podemos semear tanto o trigo quanto o joio. É como a opção entre o bem e o mal. Se optarmos pela prática do bem, a recompensa futura será mais liberdade; caso optemos pelo mal, estaremos prisioneiro do mesmo.

O mal é inerente à imperfeição humana. Na Terra, somos todos mais ou menos imperfeitos; por isso, a compaixão que cada um de nós deve nutrir para com o seu próximo. A convivência com o mal é a resignação da alma ante uma situação irremediável. O homem de bem deve combater o mal, mas sempre pelo lado da mansuetude e não pelo da guerra, da violência.

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25 dezembro 2009

Natal e Palavra

Hoje, 25 de dezembro de 2009, estamos comemorando mais um nascimento de Jesus Cristo. Pensar em Cristo é pensar na palavra, na mensagem, na boa nova. Como estão as nossas palavras? Elas estão sintonizadas com os ensinamentos trazidos por Jesus?

A palavra, sendo um dom divino, não deve ser usada para fins escusos, mas para transmitir a autenticidade de nossa personalidade. Nesse caso, as nossas palavras devem ter conexão com as nossas ações. É muito fácil falar de amor, de justiça, de virtude; o difícil é colocar em prática tais palavras.

A palavra está na boca do político, do professor, do padre, do pastor, do expositor espírita, da dona de casa, da enfermeira, do médico, do artesão, do universitário, do juiz, do réu. Há também a palavra não dita, aquela que se percebe nos gestos, na mímica, na feição do rosto. Percebamos o silêncio, os espaços vazios.

No diálogo, a palavra se alterna. Enquanto o primeiro fala, o segundo deve se dispor a ouvir; enquanto o segundo fala, o primeiro deve se dispor a ouvir. Ouvir o outro é uma virtude que anda esquecida. Lembremo-nos de que todos têm algo a ensinar ao seu próximo.

Ser solidário ao próximo é pensar na “salvação” da humanidade. Somos apenas um elo dessa entidade chamada humanidade. Jesus não queria que nenhuma ovelha se perdesse. Coloquemos em prática as suas palavras, repartindo com o próximo o conhecimento já adquirido. Quem sabe se aquela palavra, dita despretensiosamente, não será um alimento para toda a sua existência?

O cristão verdadeiro não deve se preocupar com as dificuldades do caminho. Deve, antes, conscientizar-se que a sua missão é disseminar a palavra divina. A palavra divina é luz e, geralmente, a luz gasta o pavio.

Que as festividades natalinas possam servir de estímulo à nossa mudança comportamental. Que este dia possa despertar em nós novos arroubos de solidariedade e de amor ao próximo. 


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16 dezembro 2009

Evolução e Espiritismo

Evolução significa desenvolvimento, volver para fora o que já está contido em algo. É o desenvolvimento, pela atualização das possibilidades, das potências já inclusas virtualmente em algo. A teoria da evolução pode ser vista sob o ponto de vista da Biologia e da Metafísica. Segundo a Biologia, é a transformação das espécies vivas umas nas outras. Em termos da Metafísica, é o progresso do Universo, hipótese de muitas filosofias e doutrinas religiosas.

A evolução biológica engloba o fixismo e o transformismo. O fixismo admite que as espécies não sofrem mudanças. Surgiram sobre a Terra, cada qual já adaptada ao ambiente onde foi criada. Não havendo necessidade de mudanças, as espécies permaneciam imutáveis desde o momento em que surgiram. O transformismo pressupõe que as espécies não permaneciam imutáveis, mas sofriam modificações. O transformismo só pode ser aceito depois da vinda da Nova Ciência e da descoberta do método teórico-experimental.

Charles Darwin (1809-1882), a bordo do Beagle, registrou inúmeras observações em Sobre a Origem das Espécies (1859). Chegou à conclusão que as espécies se transformavam através da seleção natural. Nesse caso, os indivíduos sofrem modificações espontâneas, mas sobrevivem apenas os mais aptos. Além disso, são esses indivíduos que podem se reproduzir e transmitir esses caracteres a seus descendentes.

Na Metafísica, o evolucionismo, mesmo se servindo dos resultados da teoria biológica, vai muito além. O evolucionismo foi assumido como esquema fundamental de muitas metafísicas, tanto materialistas quanto espiritualistas. A característica fundamental que essas metafísicas distinguem na evolução é o progresso. Para elas, evolução significa essencialmente progresso, e sempre otimista, ao contrário da evolução biológica, que não necessariamente é otimista. Spencer, com o seu homogêneo indiferenciado, e Bérgson, com o seu elã vital, deram valiosas contribuições à divulgação do evolucionismo metafísico.

No Espiritismo, o ponto alto da evolução do Espírito é o aparecimento do senso moral. Enquanto o princípio inteligente estagia no reino animal, o senso moral é quase nulo. Somente quando adquire a razão, o pensamento contínuo e o livre-arbítrio, na fase humana, é que começa a responder pelos seus atos. Daí, a responsabilidade de cada um pelo seu próprio progresso.

O Espiritismo mostra-nos que, no inicio da sua caminhada evolutiva, o Espírito não possui o livre-arbítrio, cuja escolha é deixada a cargo dos mensageiros do espaço. Somente quando desenvolveu o senso moral, foi capaz de responder pelos seus próprios atos. Allan Kardec diz-nos que o ser humano não é fatalmente conduzido ao mal. “Ele pode, como prova ou expiação, escolher uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas será sempre livre de agir como quiser. Assim, o livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas; e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos”. (1)

Allan kardec, em O Livro dos Espíritos, mostra-nos que o progresso intelectual nem sempre anda junto com o progresso moral. No longo prazo, porém, deverão equilibrar-se para que haja maior coerência das ações praticadas pelo ser humano. Nesse sentido, o Espírito Emmanuel adverte-nos que a sabedoria e amor são as duas asas que nos conduzirão ao progresso. Paralelamente, o Espírito André Luiz diz-nos que o ciclo de reencarnações somente terminará quando tivermos sedimentado as nossas ações nas máximas do Evangelho de Jesus.

O progresso é inexorável e a lei de causa e efeito é providencial. Assim, tenhamos consciência dos nossos atos diários. Adiando para amanhã a prática do bem, podemos retardar a nossa evolução material e espiritual.

(1) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995, questão 872. 


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14 dezembro 2009

Confraternização do Fim de Ano de 2009

A maior dificuldade dos grupos sociais está no relacionamento entre os seus integrantes, devido, principalmente, ao individualismo, ao personalismo, à vaidade e ao egoísmo. Cada um de nós acha que está sempre com a razão; esquecemo-nos de ouvir razões alheias. Há também a fofoca, que pode se transformar em maledicência e até em ofensa. De acordo com a teoria das fofocas, se, a cada minuto, uma pessoa conta para duas, em pouco tempo são milhares de pessoas a tomar conhecimento da matéria. É necessário, pois, que passemos cada fofoca pelos três crivos, propostos por Sócrates: verdade, bondade e utilidade. Vejamos.

Certa feita, uma pessoa chega a Sócrates e diz-lhe que tem uma coisa muito grave para lhe falar em particular. Sócrates pergunta-lhe se ele já tinha passado o assunto pelos três crivos: verdade, bondade e utilidade. O crivo da verdade: — Guarda absoluta certeza, quanto àquilo que pretende comunicar? — Assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e... então... O crivo da bondade: — Será pelo menos bom o que pretende me contar? — Isso não... Muito pelo contrário... O crivo da utilidade: — Há proveito naquilo que o aflige? — Útil não é... — Se o que você tem a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema.

Observe a quantidade de fofocas e mal-entendidos que têm circulado em nossa Casa Espírita nesses últimos tempos. De onde surgiram? Por que perduram? Lembremo-nos de as fofocas e as maledicências vão contaminando as pessoas, deixando-as desanimadas quanto ao dever a ser cumprido. E se fôssemos nós os causadores? Como estaríamos nos sentindo? E se as tivéssemos passado pelos três crivos, quais seriam os resultados?

Para mais esclarecimentos, relacionemos a parte e o todo. Primeiramente, o que é verdade à luz da vela nem sempre o é diante da luz do Sol. Quando analisamos as coisas pelo interesse pessoal, podemos agir segundo o sentimento carregado nas seguintes frases: “meu departamento”, “minha sala de aula”, “meu evento”, “meu chá”. A ênfase ao “meu” pode ofuscar a compreensão do “todo”. O Centro Espírita é um todo, que deve funcionar interdependentemente, ou seja, cada pessoa deve trabalhar para a harmonia do grupo, contribuindo para a formação de uma verdadeira sinergia, em que o todo é maior do que a soma das partes.

Numa Casa Espírita, há que se considerar a influência constante que podemos receber dos Espíritos menos felizes. Eles aproveitam-se de nossas brechas e enviam-nos pensamentos de mágoa, de ressentimento, de desgosto e de melindre, que acabam tumultuando o ambiente e desestabilizando todo o grupo. Não resta dúvida que o orar e vigiar é de suma importância. Uma prece fervorosa, enviada aos bons Espíritos, pode encaminhar para a solução de muitas dificuldades.

Que esta “Confraternização de Final de Ano” possa ser um verdadeiro estímulo à união entre todos os colaboradores, alunos e freqüentadores desta Casa Espírita.
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09 dezembro 2009

Religiosidade e Fé Raciocinada

O Espiritismo, doutrina codificada por Allan Kardec, é apontado pelo Espírito Emmanuel como um libertador de consciências. O Espiritismo não é uma religião, mas uma filosofia científica de consequências morais. Religiosamente, se assim o quisermos interpretar, é o cristianismo redivivo. De acordo com os pressupostos espíritas, o Espiritismo só foi possível vir à luz, depois da descoberta do método teórico-experimental e do avanço das ciências.

A Nova Ciência, como assim foi chamada, abrange o período que vai do século XV ao século XVII, em que se desenvolveu a experimentação científica. Os seus protagonistas são: Francis Bacon, Copérnico, Galileu Galilei, Isaac Newton e Giordano Bruno. Eles se afastaram da metafísica e procuraram se fixar no concreto (número, medida, estatística). Formulavam as hipóteses, coletavam os dados, testavam as hipóteses e tiravam as conclusões.

Allan Kardec era um cientista. Para codificar a Doutrina Espírita, valeu-se do método teórico-experimental. Formulou as hipóteses, colheu os dados e tirou as conclusões. Dizia que era preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma que fosse erro. Tinha em mente a lei de causa e efeito, ou seja, alguma coisa não pode vir do nada. Dizia que se o efeito é inteligente, a causa também deve ser. Se a obra da natureza (efeito) é inteligente, a sua causa (Deus) também deve ser inteligente.

Allan Kardec ensina-nos a raciocinar com a lógica e a razão. Por isso, a célebre frase: “Não há fé verdadeira senão aquela que pode enfrentar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”. Foi nesse sentido que desenvolveu os argumentos da fé raciocinada. A fé é inata, mas deve ser raciocinada, para que não se torne uma fé cega, uma fé dogmática. A fé raciocinada procura razões no sentido de fortalecer a crença do sujeito cognoscente.

Usando a lógica do raciocínio dentro da fé raciocinada, podemos enfrentar qualquer tipo de problema. Vejamos, por exemplo, o "Reino dos Céus". Como interpretar essa simbologia? O "Reino dos Céus" não é um lugar circunscrito, um reinado. Ele deve ser entendido como uma conquista interior, não qualquer conquista, mas aquela que segue os ditames da Lei Natural. Quem cumpre a Lei Natural, na sua maior pureza, está apto para entrar no "Reino dos Céus", ou seja, no reino da bem-aventurança, no reino da verdade.

Pensemos em outra passagem evangélica: “Não colocar a candeia debaixo do alqueire”. Aqui a interpretação é transmitir o conhecimento de acordo com a capacidade do ouvinte. De nada adianta comunicar-lhe um conhecimento que ainda não está apto a entender. É como o diálogo entre dois estrangeiros que não falam a mesma língua. Muitas vezes se valem do sinal, dos gestos, da mímica, mas não são base segura para a compreensão da mensagem.

A fé raciocinada leva-nos a conhecer melhor o nosso relacionamento com o Criador. Isso torna a nossa religiosidade mais robusta, mais fortalecida. Coloquemo-nos diante dos fatos, que nos visitam a toda hora: os jornais e a mídia televisiva. Esses meios de comunicação de massa podem estimular os jovens a praticar atos que não dizem respeito à virtude, apregoada pela filosofia e a moral dos costumes elevados.

A Psicologia informa-nos sobre a facilidade de adquirir o vício e a dificuldade de largá-lo. Basta darmos o primeiro passo, que outros passos o seguirão. Se nos faltarem orientações morais e religiosas, podemos sucumbir aos diversos vícios que corroem a humanidade e impõem à sociedade pesados custos, quer seja de ordem médica, quer seja de ordem jurídica, em que o Estado, que usa o nosso dinheiro, é obrigado a gastar mais recursos com a construção de novos hospitais e prisões.

A religião é uma espécie de fiscal de nossa consciência. Pensamos em cometer um ato menos feliz, e lá está o preceito moral importunando a nossa consciência, no sentido de evitarmos tal ação. Religião relaciona-se com prece. Esta deve ser feita mais com o coração do que com as palavras ou gestos. O que conta é a nossa ligação mental com Deus, não o número de palavras proferidas.

Todos nós podemos pedir, por intermédio da prece, forças para vencer as nossas dificuldades. Hoje, estamos acostumados com o comodismo, com a fartura do lazer, com a quantidade enorme de informações que nos chegam a todo o momento. Lembremo-nos de que na antiguidade grega os jovens eram obrigados a dormir em cama dura, para se acostumarem com as adversidades da vida.

Toda criança é potencialmente um adulto, em mais ou menos tempo. O tempo, porém, é irreversível, ou seja, quer seja bem ou mal usado não volta mais. Que são 40, 50, 100 anos ante a eternidade? Nada. Preparemos o nosso futuro; ele chega demasiadamente cedo.
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08 dezembro 2009

Iluminismo e Espiritismo


Iluminismo, ou filosofia das luzes, é o movimento filosófico do século XIX, que se caracteriza pela confiança no progresso e na razão, pelo desafio à tradição e à autoridade e pelo incentivo à liberdade de pensamento. O Espiritismo, considerado um libertador de consciências, utilizou muito esses avanços do pensamento.

O iluminismo não é uma ideia nova. Os compromissos por ele adotados já faziam parte da filosofia antiga, que se esmerava em criticar todo o tipo de crença e de conhecimento. Além disso, procurava usar os novos conhecimentos para os fins práticos da vida. O iluminismo moderno nada mais é do que a aplicação desses compromissos ao período que vai da Revolução inglesa de 1688 até à Revolução Francesa de 1789.

O iluminismo visa à emancipação do ser humano e de toda a humanidade por meio das luzes da razão. A chamada idade da razão tem por objetivo a sua própria autonomia, no sentido de vencer as trevas da superstição, da ignorância, do fanatismo e da intolerância tanto moral quanto religiosa. Nas mãos do iluminismo, a razão se torna uma nova divindade.

O iluminismo assume os pressupostos hedonistas e utilitaristas, em que a felicidade já não é mais utópica, mas encontra-se atrelada ao progresso material e moral da humanidade. Consequentemente, o seu carro chefe é a revolução industrial e o descobrimento de novas técnicas para transformar os bens naturais em bens úteis.

França e Alemanha foram os países que mais propagaram o iluminismo. O iluminismo francês está centrado em Voltaire, Montesquieu e Rousseau que, apesar das diferenças de abordagem, têm dois pontos em comum: confiança na razão e repúdio à religião. O iluminismo alemão tem como lema o sapere aude kantiano, que é a saída dos homens do estado de minoridade devido a eles mesmos. A minoridade é a incapacidade de utilizar o próprio intelecto sem a orientação de outro.

Qual o papel das ciências na propagação do iluminismo? A razão suspeitava de tudo. Para a comprovação dos fatos, precisava de provas. Daí, o aparecimento das diversas ciências, cujo método teórico-experimental, em todos os campos do saber, preparava a revolução industrial, a revolução da energia.

O Espiritismo surgiu na época certa, quando as ciências já estavam desenvolvidas e o método teórico-experimental era aplicado em tudo o que se pensava saber. Se tivesse sido cogitado antes, poderia não vingar. Havia necessidade de aliar a razão à fé, ou seja, tornar a fé raciocinada.

Allan kardec era um cientista e, como tal, tinha muito apreço pela relação causa-efeito. Não resta dúvida que recebera influência do iluminismo, pois não vivia à margem do acontecia na França. Observe a sua posição com relação aos fenômenos das mesas girantes. Enquanto o seu amigo falava que as mesas se moviam, ele aceitava tranquilamente. Foi só relatar que, além de se mover, as mesas também falavam, ele colocou em dúvida tal afirmação e foi procurar a causa, ou seja, de onde vinha aquela voz, já que uma mesa não tem cérebro para pensar.

O Espiritismo prende-se a todos os ramos da Filosofia, da Metafísica, da Psicologia e da Moral. É a síntese de todo o processo de conhecimento, desde a filosofia de Sócrates e Platão, considerados os seus precursores. É a mais completa Doutrina de consolo até hoje aparecida na face da terra. Em seu conteúdo doutrinal, toca em todos os pontos centrais de qualquer filosofia ou religião, como é o caso de Deus, do Espírito, da matéria, da sobrevivência da alma após a morte e da comunicação com os Espíritos.

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06 dezembro 2009

Metafísica e Espiritismo


Metafísica é a doutrina da essência das coisas, o conhecimento das coisas primárias e dos primeiros princípios. É a busca da essência de Deus, do Espírito e da matéria. Como analisar este tema sob a ótica espírita?

Foi por acidente livresco que se deu o nome de Metafísica à filosofia primeira, isto é, ao estudo sistemático dos problemas fundamentais relativos à natureza última da realidade e do conhecimento humano. Isso se deveu a Andrônico de Rodes que, no século I de nossa era, classificou a obra de Aristóteles, colocando os livros da filosofia primeira depois dos de física e se referiu a eles como "os que estão atrás da física" (tà metà tà physikà). Desde essa época, a metafísica é a parte da filosofia que se ocupa do que está mais além do ser físico enquanto tal.

A Metafísica pode ser dividida em três partes: 1) ontologia (teoria do ser); 2) gnosiologia (teoria do conhecimento); 3) teoria do primeiro princípio do conhecimento e do ser (absoluto, Deus). O fato de esta palavra referir-se tanto à ontologia, como à gnosiologia e mesmo a Deus, dificulta a definição rigorosa da mesma. Como analisar esta divisão sob a ótica do Espiritismo?

Teoria do conhecimento. Para Platão, que pressupunha a reminiscência das idéias, conhecemos pelo Espírito; para os sofistas e empíricos, conhecemos pelos sentidos. Para o Espiritismo, a percepção é uma faculdade do Espírito e não do corpo. É uma faculdade geral do Espírito que abrange todo o seu ser. Em realidade, o Espiritismo sintetiza as duas formas de conhecer.

Teoria do ser. A ontologia é a parte da filosofia que trata do ser enquanto ser. Na Filosofia Espírita, cada criatura humana é um ser espiritual, mas é também um ser físico ou um ser corporal. A ligação entre o ser espiritual e o ser físico é feita através do perispírito (corpo perispiritual). Desta forma, o ser não é apenas o Espírito, é também o perispírito e o corpo vital.

Deus. No que tange ao conhecimento do Ser Supremo (Deus), a Doutrina Espírita afirma que quando o nosso Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria, teremos condições de penetrar no mistério da divindade. Por enquanto devemos nos contentar com o conhecimento de seus atributos, ou seja, Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo poderoso, e soberanamente justo e bom.

Consultemos as obras básicas da Codificação, principalmente O Livro dos Espíritos e A Gênese, para obtermos os subsídios necessários à compreensão deste tema.



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25 novembro 2009

A Deus Tudo é Possível

“A Deus tudo é possível”. O que se depreende desta frase? Que o ser humano não está suficientemente apto para perceber integralmente os desígnios do Criador. Há muitas coisas que ainda nos escapam do conhecimento. A distância entre a sabedoria humana e a divina é incomensurável. Teçamos alguns comentários acerca deste assunto.

Queremos que os nossos desejos sejam prontamente atendidos, principalmente aqueles relacionados ao dinheiro e ao poder, na suposição de que nos darão segurança e conforto. Tendo em vista a gama de possibilidades de nossa evolução espiritual, será que o dinheiro e o poder estão nos desígnios de Deus para com nossa pessoa? Desejamos algo, mas Deus que vê melhor do que nós e sabe o que é bom para nosso progresso espiritual, pode negar a concretização de tal pedido.

Como, porém, sabermos quais são os desígnios de Deus a nosso respeito? Inquirindo a nossa própria consciência. Nesse mister, não adianta muito nos compararmos aos outros. Embora o ser humano esteja comprometido com o progresso, cada um de nós é único, tendo, com isso, necessidades diferentes. A Bíblia ensina-nos que "a uns foi dado o dom da profecia, a outros o dom de cura e a outros o dom de falar línguas estrangeiras". Quanto a nós, tenhamos presente os deveres que a nossa consciência nos impõe.

“A Deus tudo é possível” tem íntima relação com a fé e a esperança. É necessário, nos momentos críticos de nossa existência terrena, reportamo-nos à fé e à esperança, pois sem elas poderíamos soçobrar. Suponha uma situação de inteira decepção frente às ocorrências menos felizes de nossa existência. Como sair dessa situação se não tivermos fé no Criador, em Jesus e nos bons Espíritos que nos acompanham?

Lembremo-nos da "Parábola dos Trabalhadores da Última Hora". Uma pessoa estava ansiosa por um trabalho. Ficou à espera: passou uma hora, depois outra, até que na 11ª hora foi chamado. Quando foi aceito na última hora, recebeu o mesmo salário dos que tinham trabalhado as 12 horas. Isso mostra que Deus leva mais em conta, não o trabalho em si, mas a propensão ao trabalho.

No relacionamento com o Criador, podemos nos rebelar contra a Sua Vontade, mas nada nos acontecerá sem a Sua Benevolência. Por isso, é bom desconfiarmos daqueles que se intitulam deuses. “Não é por crescer em poder que o falso se torna verdadeiro”. Somos uma alma no meio de bilhões de almas. A nossa parcela de influência é de pouca monta, pois há muitos outros seres humanos fazendo o bem melhor do que nós mesmos.

Façamos a nossa parte. Deixemos tudo o mais por conta de Deus. Ele sabe o que é melhor para todos nós.
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13 novembro 2009

Percepção Mediúnica

Na Parapsicologia, Rhine criou o termo Percepção Extra-Sensorial (P.E.S.) para designar a percepção de um objeto independentemente dos órgãos do sentido (tato, olfato, paladar, visão e audição). A sua teoria é baseada na função Psi: psigama refere-se aos fenômenos de efeitos inteligentes; psikapa, aos fenômenos de efeitos físicos. Para comprová-los, usa o método estatístico combinado com o cálculo de probabilidade.

A percepção mediúnica difere da Percepção Extra-Sensorial, pois é a visão, audição e comunicação com um mundo que não é percebido pelas vias sensoriais do encarnado. Em se tratando da função psigama, da P.E.S., há a comprovação da telepatia, clarividência, pós e retro-cognição, todos fenômenos anímicos. A percepção mediúnica, por seu turno, refere-se à comunicação com Espíritos desencarnados. Nesse caso, convém nos lembramos da definição de mediunidade: faculdade humana, natural na qual se estabelecem as relações entre os Espíritos desencarnados e os homens, em que os últimos são denominados médiuns, intermediários da mensagem.

Para melhor compreendermos a ideia de percepção mediúnica, recordemo-nos de que o espectro eletromagnético, em comprimentos de ondas em metros, varia de 10-14 a 108, sendo que os nossos olhos captam apenas 1/70 desse universo. Os nossos ouvidos, por outro lado, captam o som entre 20 e 20.000 vibrações por segundo. Estes simples dados mostram que há som, luz, energia, vibrações e radiações além de nossa capacidade de percepção. O mesmo se dá no campo mediúnico.

A percepção mediúnica é a captação de conhecimentos que estão além dos nossos sentidos físicos. Por isso, cegos e surdos do mundo físico são capazes de ver e ouvir muito além, porque veem com os olhos do Espírito. A limitação mediúnica, se assim quisermos colocar, depende de nossos próprios recursos, quais sejam intelectuais e morais. É por isso que os Espíritos, tais como Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes e outros, estão sempre nos incentivando ao estudo e à mudança comportamental.

As mensagens espíritas, principalmente aquelas encontradas nos livros Fonte Viva, Vinha de Luz, Caminho, Verdade e Vida, Pão Nosso, de autoria do Espírito Emmanuel, pela pena do médium Francisco Cândido Xavier, são um alimento valioso para esse progresso moral. O Espírito Emmanuel retrata o cristianismo para os dias atuais. Certa feita teceu comentários sobre a solidão. Ele diz: “À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível... Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio... Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido...”

Há, porém, percepção e percepções. Podemos nos sintonizar com os Espíritos de luz ou os Espíritos das trevas. Há ainda os falsos profetas, ou seja, aqueles Espíritos que se apresentam como se fossem de luz, mas estão inseridos numa grande treva. A mensagem de Jesus só não faz sentido para aqueles que não lhe captam o sentido. É como dois estrangeiros tentando se comunicar. A comunicação passa despercebida ou é mal interpretada.

Tenhamos em mente a perfeita conexão com os Espíritos de luz e as trevas não nos visitarão, porque estaremos sob o amparo beneplácito das correntes amorosas do bem.
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06 novembro 2009

Crimes Cometidos em Nome da Virtude

“Os maiores crimes da história foram cometidos pelo poder oficial”.

O código de ética, para a maioria das pessoas, exalta a virtude e condena o mal. Acontece, porém, que muitos crimes são praticados em função do que se supõe ser virtude. Observe os fatos históricos: o infanticídio fez parte da ética espartana; o genocídio, da ética fascista. Os Jesuítas praticavam a tortura. A Inquisição prendia, condenava e matava impiedosamente os hereges e as bruxas.

O sadismo subjacente e sua racionalização é uma realidade. Veja o sacrifício aos deuses, a perseguição à minoria, os divertimentos dos gladiadores romanos, a matança dos judeus nas cruzadas, as tiranias megalíticas, tais como a de Napoleão. Além do sadismo, há o masoquismo, que é sacrificar a vida pela glória de causas obscuras, sofrer tormentos deliberados como demonstração religiosa, para obter reconhecimento público.

No Inferno de Dante, as prostitutas e adúlteras eram condenadas a perpétua oscilação num vórtice tenebroso, hereges congelados caminhavam em desertos escaldantes, bandidos ferviam num rio de sangue. Presentemente, a compaixão está embotada pela competição, em que a compulsão para vencer substitui o instinto de cooperação. Nesse caso, a caridade é rebaixada.

A história da humanidade é muito mais uma história de guerras do que qualquer outro assunto. Foram poucos os períodos em que não tivemos lutas armadas entre países. A violência, tanto explícita quanto implícita, vem de longa data. O mito da criação na Bíblia, por exemplo, é um ato de violência: Deus expulsa Adão e Eva do Paraíso, simplesmente porque estes haviam cometido o "pecado".

Como, em meio a todos esses acontecimentos, vamos inserir a frase “quem me segue não anda em trevas”, dita pelo mestre Jesus? Eis o grande desafio para aqueles que querem seguir as pegadas de Jesus. Ele, também, nos disse: "Quem tem olhos de ver, veja; quem tem ouvidos, ouça". Vejamos, pois, com outros olhos e ouçamos com outros ouvidos, para não sermos conduzidos cegamente pelo senso comum vigente.

O Espiritismo, que nada mais é do que a revivescência do cristianismo, fornece-nos ensinamentos valiosos para expurgamos, não só a falsa moral como também a falsa virtude, arraigadas em nosso subconsciente. Em O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo encontraremos todos os subsídios necessários para tal empreendimento. Consultemos-los frequentemente.
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04 novembro 2009

Luz e Trevas em São João da Cruz

São João da Cruz (1542-1591), cognominado o “doutor místico”, consagrou-se à formação dos Carmelitas Descalços e à direção espiritual de religiosos seculares. Em 1577, os opositores ao seu propósito reformador prenderam-no, durante nove meses, no Convento de Toledo. No desterro e na solidão, pode compor os seus primeiros versos e vislumbrar a sua doutrina religiosa.

A sua teologia, onde Deus constitui o centro de toda a sua obra, resume-se numa fórmula bem simples: “união do homem com Deus”. Para ele, Deus Se revela em Cristo; ao mesmo tempo, enaltece a transcendência de Deus, supondo-O acima de todas as coisas terrenas. Acentua também a distinção entre o sentido e o espírito. O homem guia-se espontaneamente pelo sentido, mas por exigências naturais e cristãs deve ser espiritual e divino. Consequentemente, o ser humano deve participar de um processo de transformação radical, passando gradativamente do sentido ao espírito e do espírito a Deus.

São João da Cruz era reconhecido por suas “palavras duras”. No Evangelho de Jesus também as há. Lembremo-nos do “odiar pai e mãe”. Diz-se que ele costumava tratar os seus pares como se eles não estivessem ali. Esta atitude não era de desprezo pelos irmãos espirituais, mas como um método para alcançar a iluminação religiosa, pois muitas conversas e muitas amizades podem dificultar o processo de contemplação e meditação interior que tanto zelava.

A “noite” e as “trevas” tinham um significado especial para João da Cruz. Elas não eram consideradas antíteses da luz; faziam parte da mesma. Ele dizia: “penetra na noite e serás iluminado”. Em realidade, a “noite” é o “obscurecimento” de todos os nossos desejos naturais, nossa maneira natural de compreender as coisas. “Não somos iluminados por nossos próprios esforços, nosso próprio amor, nosso próprio sacrifício”. O que ele queria era apagar uma luz inferior para poder receber uma luz mais pura.

Ele procurava “obscurecer” mesmo as noções boas sobre Deus, caridade e oração, a fim de criar condições para o crente alçar um voo mais alto. As suas exigências tinham um objetivo mais profundo, ou seja, queria libertar-nos não apenas do cativeiro da paixão e do egoísmo, mas até da tirania mais sutil da ambição espiritual. Ele queria apagar a vela na luz do dia, pois tanto faz estar acesa ou apagada. O problema maior é não vermos a luz espiritual meridiana da presença de Deus em redor de nós.

Notamos, mais uma vez, que as ideias valem por si mesmas. Elas independem de religião, de filosofia. Importa mais o raciocínio lógico de uma alma aberta a qualquer tipo de conhecimento venha de onde vier.
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01 novembro 2009

Quem me Segue não Anda nas Trevas

“Falou-lhes, pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. (João, 8,12)

O capítulo 8, de o Evangelho segundo João, trata da mulher adúltera e da missão de Jesus. Os versículos de 1 a 11 destacam a absolvição de Jesus a respeito da mulher pega em flagrante adulterando, e que a lei do Velho Testamento mandava apedrejar. Depois que os escribas e fariseus se retiraram, um a um, começando pelos mais velhos, Jesus, a sós com a adúltera, diz: "Vá e não peques mais". A seguir, profere a frase acima: “... Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

Há muitos textos nos Evangelhos que versam sobre a luz do mundo. Em João, 1, 4-9: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam”. Em João, 3,19: “A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”. Em João, 9,5: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
 
Façamos uma análise do par de termos trevas-luz.
Quando Deus criou as trevas, elas não representavam um poder antidivino: simplesmente louvavam o Criador como a própria luz. No decorrer do tempo, passou a significar a pessoa que não está ligada a Deus. Este pensamento já é encontrado no Velho Testamento. No Novo Testamento, a fé cristã é uma passagem das trevas para a luz; imitar Jesus Cristo é andar na luz e não nas trevas.

As trevas têm relação com os pensamentos sombrios. Muitos deles causam o monoideísmo – ideia fixa –, que facilmente pode levar o ser humano à obsessão, à fascinação e à possessão. Nesse caso, os Espíritos inferiores se aproveitam de nossa fraqueza mental e passam a nos influenciar negativamente. Os trabalhos de desobsessão, em Centros Espíritas, retratam esta situação. Há pessoas que ficam completamente desfiguradas pela influência desses Espíritos.

Jesus Cristo, quando esteve encarnado entre nós, procurou disseminar a luz da Boa Nova. A humanidade, porém, preferiu as trevas: em 64, houve a perseguição do Imperador Nero aos cristãos; em 313, Constantino proclamou a liberdade do cristianismo e o fez religião oficial do Império Romano, desfigurando os ensinamentos de Cristo; no século XII foi criada a Inquisição, tribunal eclesiástico da Idade Média, com fogueiras, forcas e pelotões de fuzilamento.

Falar das trevas é fácil; da luz, um pouco mais difícil. É que a nossa visão de mundo ainda está chafurdada na superficialidade da vida. Para que possamos penetrar em outras esferas do pensamento, precisamos, muitas vezes, do beneplácito dos Espíritos de luz, que nos inspiram idéias renovadoras. Se hoje estamos nas trevas, nem sempre será assim. A vida nos oferece oportunidades mil para sairmos do nosso status quo e adquirirmos outros de maior valor moral e intelectual. Acontece que isso não é feito de maneira suave, sem solavancos. Há, muitas vezes, a necessidade da dor, da doença e do sofrimento.

Certa feita, disse o divino Mestre: “Quem me segue, siga-me”; em outra circunstância, afirmou: “Quem me segue não anda em trevas”. São estas as palavras de Cristo pelas quais somos advertidos que meditemos sobre sua vida e seus costumes se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda a cegueira de coração. Reconheçamos que não basta admirar o Cristo e divulgar-lhe os preceitos. É imprescindível acompanhá-lo para que estejamos na bênção da luz.

O Espírito Emmanuel, comentando esta passagem, fala-nos que quando Cristo designou os seus discípulos como sendo a luz do mundo, assinalou-lhes tremenda responsabilidade na Terra. É que a chama da candeia gasta o óleo do pavio. Nesse sentido, o Cristão sem espírito de sacrifício é lâmpada morta no santuário do Evangelho. Recomenda-nos, assim, não nos determos em conflitos ou perquirições sem proveito, visto que a luz não argumenta, mas sim esclarece e socorre, ajuda e ilumina.

Verifiquemos se nossa pretensa luz não seja senão trevas. Muitas vezes imaginamo-nos mais iluminados do que os outros e não passamos de simples velas diante da luz elétrica. Se estivermos constantemente pensando no mal, nas injustiças que foram cometidas contra nós, ficaremos presos às trevas. A prática do perdão, que é lançar luz sobre os acontecimentos, contudo, pode libertar o nosso pensamento para áreas mais úteis ao nosso desenvolvimento moral e espiritual.



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28 outubro 2009

Corrupção, Queda e Pecado Original

Corrupção significa ação de decomposição, de apodrecimento. Na ordem psicológica e moral, denota um estado desordenado e patológico da consciência que leva o sujeito livre a exercer o mal ou pecado. Para Aristóteles, corrupção “é uma mudança que vai de algo ao não-ser desse algo; é absoluta quando vai da substância ao não-ser da substância, específica quando vai para a especificação oposta”.

O mito da queda, segundo o qual a alma humana teria decaído de um estado original de perfeição, encontra-se em Platão, Plotino, os neoplatônicos, os gnósticos e os padres da Igreja Oriental. Orígenes explicou a formação do mundo sensível a partir da queda de substâncias intelectuais que habitavam o mundo inteligível. Esta queda foi o resultado da preguiça e da aversão ao esforço na prática do bem. Renouvier, no mundo moderno, retoma esta tese dizendo que o homem saiu livre das mãos de Deus, mas como criatura livre, perdeu-se no erro. Deverá, assim, passar por provas dolorosas para retornar à harmonia original do universo.

Corrupção, queda e pecado original se entrelaçam na Doutrina da Corrupção do Homem. As discussões filosófico-teologais a respeito do pecado original fundamentam-se no modo como o pecado foi transmitido de Adão aos outros seres humanos. São Tomás de Aquino reflete primeiramente sobre as hipóteses do traducianismo e da hereditariedade. No traducianismo, “a alma racional transmite-se com a semente, de tal maneira que de uma alma infecta derivam almas infectas”; na hereditariedade, “a culpa da alma do primeiro genitor transmite-se à prole, embora a alma não se transmita do mesmo modo como os defeitos do corpo se transmitem de pai para filho”. Posteriormente, formula a sua própria hipótese: “Todos os homens nascidos de Adão podem considerar-se um único homem, porquanto têm a mesma natureza, recebida do primeiro genitor, da mesma maneira como nas cidades todos os homens que pertencem à mesma comunidade se julgam um só corpo, e a comunidade inteira é como um único homem”.

Com Kant e Kierkegaard surge a interpretação filosófica (e não teológica) do pecado original. Os dois procuram separar a origem temporal da origem racional do pecado. A origem temporal deve ser explicada pela doutrina bíblica; a origem racional deve ser resolvida pela doutrina do “mal radical”. Neste caso, o homem está ciente da lei moral, mas prefere seguir o caminho do mal. Kierkegaard acrescenta a noção de angústia, ou seja, a proibição de Deus provoca angústia no que quer ser livre.

Para o Espiritismo, o pecado original não é aquilo que faz objeto do ensino dogmático da Igreja. É a culpa inicial do Espírito, trazida de encarnações passadas, a qual deverá ser solucionada no transcorrer desta vida. A pureza da criança é uma metáfora, pois nela há um Espírito velho, muitas vezes endividado, requerendo dos pais os maiores cuidados para que ele possa trilhar a senda do bem.

A tese filosófica do “mal radical” assemelha-se aos pressupostos da Doutrina Espírita, ou seja, o Espírito traz no seu âmago o conhecimento da Lei Natural. Desviando-se dela, cai no mal. Para prosseguir, deve sofrer primeiramente as consequências do mal; somente depois disso é que está livre para seguir o caminho do bem.
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14 outubro 2009

Sofrimento

A teologia dá grande apreço ao sofrimento, sugerindo que deveríamos imitar o mestre Jesus na cruz, que morreu nessa circunstância para nos salvar. Será necessário que o símbolo da cruz ocupe a posição central da religião cristã? Não teria sido a sua supervalorização a causa da pobreza em que vivem muitos religiosos cristãos? Como distinguir o bom do mau sofrimento?

A palavra apatia significa tanto a ausência de doença, de lesão orgânica, de sofrimento, como a ausência de paixão, de emoções. Apatia provém do grego clássico apatheia. Páthos, em grego, significa "tudo aquilo que afeta o corpo ou a alma" e tanto quer dizer dor, sofrimento, doença, como o estado da alma diante de circunstâncias exteriores capazes de produzir emoções agradáveis ou desagradáveis, paixões.

Há um masoquismo do passado fundamentado no Getsêmani, esse jardim que se tornou um símbolo para as dores humanas. Getsêmani é um jardim situado no sopé do Monte das Oliveiras, em Jerusalém (atual Israel), onde se acredita que Jesus e seus discípulos tenham orado na noite anterior à crucifixão de Jesus. De acordo com o Evangelho segundo Lucas, a angústia de Jesus no Getsêmani foi tão profunda que "seu suor transformou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão”.

Tal como acontecera a Sócrates, que foi obrigado a beber cicuta, Jesus não podia ter se eximido do martírio na cruz? O problema que se coloca: devemos escolher a apatia (desvio do sofrimento) ou aceitá-lo com resignação? Nos dois casos, tanto Sócrates quanto Jesus preferiram enfrentá-lo com determinação, no sentido de mostrar à humanidade que existem valores que estão acima da própria vida. Resultado: passados mais de dois mil anos e ainda estamos nos lembrando de seus exemplos.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, os Espíritos instruem-nos que há o bem e o mal sofrer. Eles nos dizem: “... Ficai satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, onde é preciso, algumas vezes, mais coragem do que num combate sangrento, porque aquele que ficaria firme diante do inimigo, se dobrará sob o constrangimento de uma pena moral. O homem não é recompensado por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os louros e um lugar glorioso”.

Quando, pois, nos atingir um motivo de inquietação ou de contrariedade, esforcemo-nos por superá-lo. Sejamos sempre mais fortes que os inimigos do pensamento e teremos a recompensa do equilíbrio físico e espiritual.
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11 outubro 2009

Esquecimento de Si Mesmo

"É fácil desprezar a vida quando as dificuldades nos cercam; só prossegue corajosamente, aquele que sabe ser desgraçado". (Marcial - Epigramas, II, 9)

A vida é composta de mil nadas que são picadas de alfinete que acabam por nos ferir. Em qualquer época, e muito mais nos tempos presentes, nunca foi fácil manter o equilíbrio emocional e mental. Por isso, somos constantemente convocados ao exercício da paciência, com o seguinte recado: “Não despreze os deveres que a sua própria consciência colocou como objetivo em sua própria vida”. Aquele caminho sugerido, por mais desprezível que seja, pode ser o nosso porto de salvação, pois possivelmente não saberíamos escolher outro melhor.

Firmarmos-nos de tal modo em Jesus Cristo é uma excelente determinação. Há, no mundo, muitos convites, muitas sugestões e muitas portas largas onde estão os prazeres da carne e os vícios de todos os tipos. Apoiar-se cada qual em sua vocação é a melhor das determinações. A vocação religiosa, por exemplo, pode sugerir-nos, tal como aconteceu com Francisco de Assis, o voto de pobreza, a renúncia aos bens materiais, no sentido de nos dedicarmos inteiramente à vida espiritual.

Na família universal, a vocação de um serve de alimento para a vocação do outro. Cabe-nos, assim, potencializar todos os que Deus colocou em nosso caminho. Para o nosso próprio benefício, não deveríamos nos apegar a um posto, a um determinado lugar, mas estarmos sempre prontos a partir a um simples sinal do mestre. Buscar o desconhecido é um sacrifício que devemos fazer, pois renunciar ao que já sabemos exige grande fortaleza de ânimo. Lembremos da máxima evangélica: “Que deixado tudo, se deixa a si mesmo e saia totalmente de si, sem reservar amor-próprio algum, e, depois de feito tudo que soube fazer, reconheça que nada fez”. 

Muitas vezes, para progredirmos na vida espiritual é útil que os outros saibam os nossos defeitos e os apontem. Convém, mesmo estando sob o crivo da crítica, não nos desesperarmos. É nesse instante supremo de sofrimento que os Espíritos superiores instruem-nos para que esqueçamos de nós mesmos, renunciemos ao nosso “eu” e sirvamos mais intensamente ao mestre Jesus.

Para corroborar o nosso pensamento, escutemos o que Tomás A. Kempis, no livro segundo, capitulo 12, item 9, de Imitação do Cristo, diz: “Não é conforme à inclinação humana levar a cruz, amar a cruz, castigar o corpo e impor-lhe sujeição, fugir às honras, aceitar as injúrias, desprezar-se a si mesmo e desejar ser desprezado, suportar as aflições e desgraças e não almejar prosperidade alguma neste mundo. Se olhares somente a ti, reconheces que nada disso és capaz. Mas, se confiares em Deus, do céu te será concedida a fortaleza, e sujeitar-se-ão ao teu mando o mundo e a carne. Nem o infernal inimigo temerás, se andares escudado na fé e armado com a cruz de Cristo”.

Em todas as situações, consideremos os deveres que nos são impostos e as compensações a eles relacionadas, porque as bênçãos são muito mais numerosas do que as dores, quando olhamos o mundo do alto de uma montanha.
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30 setembro 2009

Formas de Caridade

Caridade é o amor a Deus e ao próximo. É uma virtude cristã ao lado da fé e da esperança. Tem relação com a justiça, porque implica exercer deveres e obrigações na sociedade. Nesse caso, regula o procedimento moral do homem para com os outros seres e, especialmente, para com os outros homens. É uma palavra muito ventilada no meio religioso. Convém não deixá-la cair no lugar comum como sói acontecer com o termo Evangelho que, de tanto ser usado, perdeu o sentido de boa nova trazida por Jesus Cristo.

De acordo com o cristianismo, Deus é o pai, o Criador do universo. Em seguida, vem Jesus; posteriormente, toda a humanidade. Como cada um de nós faz parte desta família universal, amar a Deus não pode ser feito sem que amemos o nosso próximo. Observe que a definição de caridade diz exatamente isso, ou seja, “amar a Deus e ao próximo”. Por essa razão, percebemos que somente fazendo bem ao próximo é que podemos dizer que amamos a Deus. Não bastam apenas pensamentos e palavras, temos que expressá-los em atos.

Podemos dizer que a origem da caridade está na vida e nos exemplos de Jesus Cristo. Antes de Jesus, os pais vendiam os seus filhos, as mulheres eram tratadas como alimárias, os velhos eram abandonados. Com a sua presença, um novo clarão apareceu, pois os seus exemplos de obediência ao Pai mudaram a mentalidade da humanidade. O Espirito Emmanuel, no capítulo 16, de Roteriro, psicografado por Francisco Candido Xavier, diz: “O Mestre não se limita a ensinar o bem. Desce ao convívio da multidão e materializa-o com o próprio esforço. Cura os doentes na via pública, sem cerimônia, e ajuda a milhares de ouvintes, amparando-os na solução dos mais complicados problemas de natureza moral, sem valer-se das etiquetas de culto externo”.

A caridade pode ser vista de diversas formas: material (doação de alimentos, dinheiro, roupas, remédios); espiritual (esquecimento da ofensa, audição de uma reprimenda, silêncio ante o interlocutor perturbado). Todas elas, porém, devem convergir para o aspecto moral, que é o esforço de suplantar uma limitação, uma falha de conduta. Não devemos analisar a caridade somente pela lado material, pois podemos incorrer em erros, visto que a caridade, como já vimos, tem íntima relação com a justiça, no sentido de regular o procedimento moral do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes.

A esmola, uma das formas de caridade, faz parte da tradição cristã. Vendo uma pessoa estendendo a sua mão, tiramos uma moeda do bolso e lhe damos. Este dinheiro é útil porque pode aliviar a sua fome. A doação de roupas, alimentos e remédios é também meritória, porque pode satisfazer uma necessidade do próximo. Devemos, contudo, tomar cuidado para que essas ações não aumentem o nosso amor-próprio, dificultando a nossa caminhada espiritual.

Suprir alguém com dinheiro, roupas e alimentos não é tarefa complicada; basta que tenhamos de sobra. Doar tempo em beneficio do próximo, com o esquecimento do “eu” já exige abnegação. Quantas não são as vezes que nos requisitam para uma atividade caritativa e alegamos que temos outra coisa para fazer? A verdadeira caridade implica o sacrifício total da liberdade humana. Tal qual Jesus se sacrificou na cruz, o mesmo deveríamos fazer em nossos dias. Há um grande mérito em saber calar para deixar falar um mais tolo; saber ser surdo quando uma palavra de zombaria escapa da boca escarnecedora.

O Espírito Néio Lúcio, no capitulo 20, de Jesus no Lar, psicografado por Francisco Cândido Xavier, relata a história de um indivíduo, pai de família, que tencionava praticar caridade, mas não tinha dinheiro. Contudo, em sua jornada terrestre auxiliava prazerosamente a quantos se achavam em sofrimento e dificuldade. Procurava sempre extinguir os pensamentos inferiores. Recolhia até detritos da rua para não prejudicar os transeuntes. Desencarnou. Estava com medo dos juizes, mas foi aureolado com um brilhante diadema.

Recordando os avisos espirituais, podemos dizer que a caridade se faz de diversas maneiras, ou seja, por pensamentos, palavras e atos. Saibamos, assim, pensar bem para que as nossas palavras sejam sãs, a fim de possam ser transformadas em atos puros de bondade na sociedade.

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18 setembro 2009

Sacrifício e Espiritismo

Sacrifício – Do latim sacrificium significa o que está relacionado ao ato de fazer com que alguma coisa se torne sagrada. Sacrificar é converter em sagrado o objeto que será dado em oferta. É o ato principal de todo culto religioso; é a oferta feita à divindade em certas cerimônias solenes. Sacrificar-se é crescer; quem cede para os outros adquire para si mesmo.

Na Antiguidade, os sacrifícios de animais, crianças, virgens e prisioneiros de guerra eram corriqueiros. No Antigo Testamento, os sacrifícios eram considerados dons sagrados. Abraão, por exemplo, por ordem de Deus, quis imolar o seu filho Isaac em holocausto e que depois foi substituído por um carneiro. No Novo Testamento, a instituição antiga dos sacrifícios cede lugar ao sacrifício pela Cruz do Cristo. Numa acepção mais contemporânea, há o holocausto alemão praticado ao povo judeu.

A morte de Jesus na Cruz representa o móvel da redenção da Humanidade. O símbolo da cruz, em que juntam o céu e a terra, foi enriquecido prodigiosamente pela tradição cristã, condensando nessa imagem a história da salvação e a paixão do Salvador. A cruz simboliza o Crucificado, o Cristo, o Salvador, o Verbo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Ela é mais do que uma figura de Jesus, ela se identifica com sua história humana, com a sua pessoa. Enquanto no passado havia o “olho por olho e dente por dente”, Jesus ensinou-nos a oferecer a outra face, quando numa delas alguém nos batesse. Enquanto no passado ofereciam-se animais, crianças, alimentos, Jesus oferece-nos um único mandamento: cada qual deve carregar a sua cruz.

Filosoficamente, a coragem para o sacrifício fundamenta-se no deixar o conhecido, o lugar conquistado, a comodidade do pensamento vulgar para se aventurar na busca de novos ensinamentos, novas experiências e novos rumos na vida. “A coragem para o sacrifício está em acreditar poder de novo outra vez. Poder sempre inaugurar um novo sentido, ou mesmo repetir o feito e de novo realizar. É dispor-se à vida que se vive e se realiza vivendo, e compreender que nesse jogo de viver e realizar jogar o incerto e o inesperado, e que assim devem ser acolhidos”. (Pizzolante, 2008, p. 188)

Cumpre observar que o sacrifício não é auto-imposição, mas uma disposição para a abnegação, que é o afastar-se da arrogância do ficar no já conquistado. O sacrifício assemelha-se à dor do parto, pois a mãe sofre, mas em seguida vê o rebento vir à luz, que lhe dá grande alegria. Em nosso caso, o parto refere-se à ideia nova, tal qual Sócrates fazia na Antiguidade, quando ensinava na praça pública. Sadi, por outro lado, dizia-nos: “A paciência é uma planta de raízes assaz amargas, mas de frutos dulcíssimos”.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan kardec ensina-nos que o sacrifício mais agradável a Deus é o do Ressentimento. Ele expressa o pensamento da seguinte forma: “Antes de se apresentar a ele para ser perdoado, é preciso ter perdoado, e que, se cometeu injustiça contra um dos seus irmãos, é preciso tê-la reparado; só então a oferenda será agradável, porque virá de um coração puro de todo o mau pensamento” (1984, cap. X, p.134.) Em outras palavras, antes de entrarmos no templo do Senhor devemos purificar o nosso coração, porque assim teremos mais condições de entrar em perfeita conexão com os Espíritos superiores e deles receber inspirações para as nossas boas ações.

O trabalhador da seara mediúnica não raro registrará as seguintes questões: por que o meu caminho é de sofrimento? Por que a minha vida está repleta de dor? Onde estão os benfeitores espirituais? Por que eles não vêm aliviar as minhas amarguras? Lembremo-nos de que Jesus ensinou que a cruz é o símbolo da redenção do cristão. Os mensageiros de luz vêm apenas estimular as nossas ações dizendo que deveríamos pegar a nossa cruz e caminhar com ela, tanto quanto forem os passos que a divindade nos impuser. E por maior sejam os sacrifícios que teremos de suportar, não cortemos uma pedaço dela, porque poderá fazer falta quando tivermos que usá-la como ponte para atravessar o rio.

O sacrifício mais agradável a Deus é aquele em que o individuo se coloca abertamente para aceitar, sem desânimo e sem reclamações, a determinação dos Espíritos de luz acerca de sua missão na terra.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
PIZZOLANTE, Romulo. A Filosofia e a Coragem para o Sacrifício. In: MEES, L. e PIZZOLANTE, R. (org.). O Presente do Filósofo: Homenagem a Gilvan Fogel. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008.

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28 agosto 2009

Espera do Cônjuge para Reencarnar

É possível alguém esperar o seu cônjuge, no mundo espiritual, para reencarnarem juntos? Podemos defender a idéia de que, o nosso parceiro ou parceira, desencarnando antes de nós, irá nos esperar para uma nova reencarnação?

A aceitação desta tese leva-nos à seguinte pergunta: com que direito podemos prejulgar os desígnios de Deus a nosso respeito? Há muitas comunicações mediúnicas sobre a mudança que opera na mente dos Espíritos, depois que estes adentram o mundo dos desencarnados. Enquanto encarnados, tinham uma percepção de vida, avaliavam as coisas segundo a influência da matéria grosseira. Quantos, depois que passaram para a outra dimensão da vida, não mudaram completamente o seu modo de pensar. Sem as limitações da matéria, ampliaram a sua visão de mundo.

Como prever o futuro, como prejulgar o que está fora do nosso controle? Baseado em quê? Em opiniões, em interesses pessoais? No Espiritismo, aprendemos que não devemos pensar segundo o nosso ponto de vista, segundo as nossas opiniões, segundo o ouvir dizer, mas segundo o conteúdo doutrinal, trazido pelos Espíritos superiores, e codificado por Allan Kardec.

Crer que uma pessoa decidiu não reencarnar e esperar por seu grande amor, que ainda se encontra na carne, para futuramente, reencarnarem juntos, é apenas uma opinião. Não tem cunho doutrinário. Não pode ser, assim, uma premissa espírita.

Além do mais, a Doutrina Espírita nos ensina que os Espíritos mais evoluídos têm algum poder sobre a escolha da sua reencarnação. Mesmo assim, há diversas instruções acerca do que é melhor para eles. Os menos evoluídos têm que aceitar as determinações do Alto, porque devem refazer o passado, na maioria das vezes, delituoso.

Paulo dizia-nos que deveríamos ler de tudo, pensar em tudo, mas recomendava-nos ficar com o que fosse bom. Escolhamos, assim, o substancioso e deixemos de lado o supérfluo, o conhecimento baseado apenas em nossas opiniões.
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17 agosto 2009

47º Aniversário do Centro Espírita Ismael

O Centro Espírita Ismael, fundado em 15/08/2009, completou, em 15/08/2009, 47 anos de existência. Para comemorar esta data, anotamos:
1. Local. O evento realizou-se nas dependências do CEI, ou seja, na sala 25, da Av. Henri Janor, 141.
2. Abertura. Iniciou-se às 15h do dia 16/08/2009 (domingo). Coube à família David, especialmente André, Luciana, Carolina e Mariana, a abertura das solenidades.
3. Palavra do Presidente. O Sr. Sérgio Biagi Gregório (atual presidente e reeleito por mais três anos) apresentou os integrantes da nova diretoria, eleita em 15/08/2009, os quais serão responsáveis pelo destino do Centro até 15/08/2012. Os componentes são:
Presidente: Sérgio Biagi Gregório
Vice-Presidente: Terezinha de Fátima Sgulmar
Secretário Geral: Bismael Batista de Moraes
1.ª Secretária: Marli Dlugosz
2.ª Secretária: Ione Dias Rocha
1.º Tesoureiro: Norberto Paulino da Silva
2.º Tesoureiro: Edgar Lázaro Gonçalves
Apresentou, também, os membros do Conselho Fiscal e dos Departamentos.
Prestou contas dos pagamentos e recebimentos, realizados durante os seus três anos de mandato. Lembrou da compra de um imóvel de 300m2, intitulado Unidade 2, que serviu para a construção de 4 boas salas de aula.
Agradeceu aos que o antecederam e incentivou todos os que estão vindo para dar continuidade ao trabalho de divulgação doutrinária.
Salientou, também, a necessidade de sempre pautarmos a nossa conduta segundo os ditames da Doutrina Espírita, fio condutor do Espiritismo. Disse que a Doutrina deve estar na base, no fundo de qualquer ação, seja ela de que espécie for. Qualquer desvio, leva a outro desvio, este a outro e, quando menos percebermos, já estaremos muito distantes da própria essência espírita.
4. Música. Ivam Ricardo Rogério e sua família brindaram-nos com diversas músicas (a maioria já fez história).
5. Sorteios. André e Luciana comandaram os sorteios de livros, CDs e flores.
6. Teatro: “O Céu Pode Errar?” O ponto central do evento foi esta peça teatral. É a história de dois indivíduos que, ao passarem pelo portão do paraíso, tiveram as suas fichas trocadas: o que deveria ir para o inferno foi para o céu; o que deveria ir para o céu, foi para o inferno. As encenações se concentraram mais no inferno, visto que a pessoa que foi lá por engano, acabou doutrinando o diabo e o diabão, convencendo-os a retornarem ao céu.
A tese de que o céu não erra mostra que o mal, por mais que cresça, ele não poderá suplantar o bem. Este, no longo prazo, é o vencedor. Por isso, todos somos factíveis de retornar ao caminho do bem, pois este é o único e verdadeiro caminho. É a salvação de que nos fala o Evangelho.
7. Vídeo. Apresentação de um pequeno filme com as fotos dos atuais colaboradores do Centro Espírita Ismael.
8. Bolo. Maria Zanino, Edvanir, Eunice e Fátima cortaram e serviram pedaços de bolo para as pessoas presentes
9. Parabéns Ismael. Esteja sempre nos secundando e orientando os nossos passos. Que esta Casa possa, a cada ano, crescer em conhecimento e caridade ao próximo.
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