18 dezembro 2014

Ideia Renovadora e Perseguição

Allan Kardec, na página 134 da Revista Espírita de 1868, discorre sobre "Porque toda Grande Ideia Renovadora Recebe o Batismo da Perseguição".

Tese: Que esperam, pois, da perseguição? Deter o impulso das ideias novas pela intimidação? Tal objetivo pode ser atingido? 

Começa dizendo que todas as ideias renovadoras, quer na ciência quer na moral, recebem o batismo da perseguição, porque elas ferem os interesses do preconceito, do status quo, do modus operandi. Mas a perseguição detém o seu curso? Não acontece o contrário, ou seja, essas ideias acabam crescendo. Os perseguidores trabalham contra si próprios, porque fazem crescer o que queriam estancar. Daí o anexim: "Ninguém atira pedra em árvore que não tem fruto". 

Como o Espiritismo é uma grande ideia, ele também devia receber o seu batismo. A perseguição dos opositores fez aumentar o interesse e a curiosidade para a ideia nova.

Acompanhemos algumas palavras de Allan Kardec: 

"A curiosidade é tanto mais superexcitada quanto mais a pessoa é cercada de mais estima e consideração; cada um quer saber o porquê e o como; conhecer o fundo dessas opiniões, que despertam tanta cólera; interrogam, leem, e eis como uma porção de gente, que talvez jamais se teria ocupado de Espiritismo, é levada a conhecê-lo, a julgá-lo, a apreciá-lo e a adotá-lo. Tal foi, como se sabe, o resultado das declamações furibundas, das interdições pastorais, das diatribes de toda sorte. Tal será o das perseguições. Estas fazem mais: elevam o Espiritismo ao nível das crenças sérias, porque diz o bom-senso que não se combatem quimeras.

A perseguição contra as ideias falsas, errôneas, é inútil, porque estas se desacreditam e caem por si mesmas. Tem como efeito criar partidários e defensores, e retardar a sua queda, porque muitos as consideram como boas, precisamente porque são perseguidas. Quando a perseguição se ataca a ideias verdadeiras, vai diretamente contra o seu objetivo, porque lhe favorece o desenvolvimento; é, pois, em todos os casos, uma inabilidade que se volta contra os que a cometem".

As perseguições podem impedir por algum tempo a propagação das ideias. Elas, porém, à semelhança das plantas, ficam na estufa: crescem mais depressa. 



ver mais

Eletricidade do Pensamento

Allan Kardec, na página 343 da Revista Espírita de 1860, discorre sobre a eletricidade do pensamento, fenômeno que se assemelha à eletricidade física. É o magnetismo que une o Espírito dos homens em reunião, e os faz a todos compreender, todos ao mesmo tempo, a mesma ideia. 

Acompanhemos as palavras de Allan Kardec: 

"Com efeito, reunidos, os homens liberam um fluido que lhes transmite, com a rapidez do relâmpago, as menores impressões. Por que jamais se pensou em empregar esse meio, por exemplo, para descobrir um criminoso, ou fazer que as massas compreendam as verdades da religião ou do Espiritismo? Nos grandes processos criminais ou políticos, todos os assistentes dos dramas judiciários puderam constatar a corrente magnética que, pouco a pouco, forçava as pessoas mais interessadas a ocultar o pensamento, a descobri-lo, até mesmo a se acusar, por não mais poderem suportar a pressão elétrica que, mau grado seu, fazia brotar a verdade, não de sua consciência, mas de seu coração. Deixando de lado essas grandes emoções, o mesmo fenômeno se reproduz nas ideias intelectuais, que se comunicam de cérebro a cérebro. O meio, portanto, já foi encontrado; trata-se de aplicá-lo: reunir num mesmo centro homens convictos, ou homens instruídos, e lhes opor a ignorância ou o vício. Essas experiências devem ser feitas conscientemente, e são mais importantes do que os inúteis debates travados sobre palavras". (Médium: Sra. Costel; Espírito: Delphine de Girardin)

Depreende-se que a união dos pensamentos em torno de um ideal tem um peso muito grande. Por isso, a necessidade de agirmos conscientemente, forjarmos pensamentos elevados, porque podemos ser levados pela enxurrada de pensamentos menos felizes. 

ver mais

16 dezembro 2014

Caráter e Receptividade

As circunstâncias externas influenciam grande parte dos nossos pensamentos e das nossas ações. A mídia não pára o dia todo. Ouvindo o rádio, sintonizando um canal televisivo ou acessando a internet, estaremos nos conectando com as informações e as notícias vindas de lugares que nem imaginamos, mas que são percebidas pela nossa mente em forma de sugestão mental. 

O modo como recebemos as sugestões externas tem muito a ver com a força e a energia do nosso caráter. Caráter é a qualidade que faz com que o indivíduo escolha algo e se mantenha fiel ao que foi escolhido. Se tivermos um caráter forte, robusto, alicerçado na ética e na moral, teremos mais condições de resistir aos apelos da propaganda inoportuna. Se ele for fraco, sucumbiremos ao apelo dos gozos e prazeres materiais. 

Diante desse quadro, cabe-nos educar a vontade do nosso caráter. Como educar sem um mestre? Não podemos ser vítimas do preconceito? Não podemos nos desviar para o radicalismo? Sim. Mas temos também ao nosso lado a influência positiva dos Espíritos superiores quanto à qualidade do nosso progresso material e espiritual. "Na dúvida, abstém", diz o trecho evangélico. A sintonia com os protetores do espaço auxilia sobremaneira essa empreitada. Estejamos alerta com o "vigiai e orai".   

Jesus, em seu Evangelho, fala-nos da edificação do reino de Deus em nosso coração. Quando começamos a estudar e praticar os preceitos evangélicos trazidos pelo mestre Jesus, vamos naturalmente construindo esse reino interior. Jesus, o grande pedagogo, lembra-nos de que devemos viver no mundo, mas sem ser do mundo. Ou seja, não devemos nos deixar contaminar pelas coisas negativas, para as coisas que não tragam valor agregativo ao nosso progresso espiritual. 

Uma boa relação entre caráter e receptividade exige a expansão de nossa consciência. Saiamos da condição de eterno pedinte, da mendicância e dos complexos de inferioridade. Para tanto, esqueçamos de nós mesmos e construamos o reino de Deus nos corações de todos. A expansão da consciência permite-nos entrar em contato com as forças invisíveis do espaço, no sentido de sermos os receptores da vontade divina para o progresso da humanidade. 

O mundo pode estar tumultuado, as coisas podem estar caminhando para o abismo. Para os que têm a consciência tranquila nada disso os abalará.  



ver mais

Eugenia

Eugenia - do grego genos (nascimento) e do prefixo eu (bem) refere-se a tudo o que é "bem nascido". Eugenismo e eugênico provêm desta etimologia. Eugenia é a parte da genética que tem por objetivo estudar as condições mais favoráveis à reprodução humana, para a melhoria das condições de saúde dos indivíduos e das populações. O eugenismo, considerado muitas vezes como sinônimo de eugenia, exerce mais a função de um sistema, sem ter a devida conta com a ética e a moralidade. 

A eugenia é uma ciência que busca a melhoria da "raça" humana. Quando trata de plantas e animais não sofre represália. Em se tratando do ser humano, há que ponderar sobre os aspectos jurídicos, éticos, morais e religiosos. A melhoria é um fim nobre, mas há os inconvenientes: Observe a atuação de Hitler que buscava a raça pura e, para isso, cometeu o genocídio, matando muitos e muitos Judeus nos campos de concentração.


Desde a Antiguidade, a eugenia e o eugenismo estavam presentes no pensamento e na ação dos homens, principalmente com a finalidade de eliminar os filhos menos aptos e os não desejados. A eugenia em si é boa, mas os meios ilícitos atrapalharam o seu desenvolvimento. É só observar a incidência do eugenismo em alguns países como, por exemplo, os Estados Unidos, a Alemanha e os países escandinavos. O caso mais extremo foi o eugenismo, na Alemanha de Hitler, que levou ao racismo nazista desde 1933 até o final da II Grande Guerra (1945). 


Hoje, fala-se pouco da eugenia, justamente por causa dos reflexos negativos da aberração de Hitler. A doutrina da eugenia não mudou; o que mudou foi o nome que empregam. Em vez de usar o substantivo "eugenia", substituíram-no pelo adjetivo "eugenismo". Eis como se reportam ao tema: aborto eugênico, esterilização eugênica, contracepção eugênica, eutanásia eugênica etc.


O Cristianismo manifestou objeções de ordem moral e religiosa contra o eugenismo. Não se aceita que para a melhoria da raça humana se sacrifiquem os direitos elementares de ser humano. Isso porque o ser humano, antes de ser homem material, pertence a uma dimensão espiritual. Não é um animal como outro qualquer. "É um ser criado por Deus para um diálogo de caridade com os outros homens e um diálogo salvador com Deus. É, no fundo, o que queremos dizer ao afirmar que o homem tem uma alma imortal".

Em se tratando do Espiritismo, que é o Cristianismo redivivo, introduzamos a tese da reencarnação. Sem essa perspectiva, não temos condições de entender o todo do ser humano. É pela reencarnação - lei de ação e reação ou causa e efeito - que podemos ressarcir os nossos erros do passado. Doença, dor, sofrimento e corpo mal formado são situações que o Espírito precisa passar para atingir o nível de evolução requerido. O Espírito doente num corpo são não seria a oportunidade ideal para tal finalidade.  

Reconheçamos o esforço da ciência para propiciar os "bem nascidos", mas não percamos de vista que a vida vai além de um simples corpo perfeito. Para habitar um corpo perfeito, aperfeiçoemos primeiramente a alma que nele irá habitar. 

Fonte de Consulta


POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.


ver mais

12 dezembro 2014

Vibração

O pêndulo oscila quando se move de um lado para o outro num movimento repetido de vaivém sobre o mesmo ponto central. Uma vibração é uma oscilação, mas em geral refere-se a uma oscilação rápida em uma distância pequena. Quando tocada, a corda do violão vibra. Pode-se dizer, também, que os átomos vibram no interior de um sólido.

Para várias tradições ocultas e místicas, as vibrações são a “causa” principal dos fenômenos ocultos. Em muitas cosmologias, o som da palavra de Deus criou os diversos mundos. Para a numerologia, "vivemos num universo de vibrações, e cada pessoa que vem a este mundo tem uma vibração peculiar ao individual, distinta dos demais". "A numerologia é simplesmente um estudo ampliado da vibração", e os números de 1 a 9 "formam um ciclo completo de vibração".

Para uma melhor compreensão do termo "vibração" na Doutrina Espírita, convém consultarmos o capítulo XIV - "Os Fluidos", de A Gênese, de Allan Kardec, cujo ponto de partida é o fluido cósmico universal. O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva, cujas modificações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza. Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele.

Vibração tem relação com as ondas. Relembremos alguns elementos importantes: 

Período – É o tempo de uma oscilação, medida em segundos.
Frequência – Número de oscilações executadas durante UM segundo. Quanto maior a frequência, mais ALTA é ela; quanto menor, mais BAIXA.
Amplitude – É medida pela distância maior ou menor de subida e descida numa linha média.
Comprimento da onda – É a distância que medeia entre duas oscilações.
Crista – É o ponto máximo de uma oscilação.

No universo tudo vibra e se transforma. O Planeta Terra é uma usina vibratória. Se admitirmos que toda atividade mental é uma vibração, poderemos deduzir que o nosso modo de pensar pode alterar os átomos do nosso corpo físico. No passe, por exemplo, há uma irradiação de energia (vibração, magnetismo) do médium passista para o sujet (aquele que recebe o passe).

Há vibrações mais intensas e vibrações menos intensas. Em se tratando de uma Casa Espírita, devemos nos sintonizar com os mentores espirituais, no sentido de absorver deles os eflúvios mais puros e, consequentemente, repassá-los aos mais necessitados que nós mesmos.

Fonte de Consulta

ARDLEY, Neil. Dicionário Temático de Ciências. Tradução de Sérgio Quadros. São Paulo: Scipione, 1996. 

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.

KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.


ver mais

10 dezembro 2014

Dar e Receber

“A quem muito foi dado, muito será pedido.” (Lc 12,48)

Embora estejamos presos ao visível, ao concreto, há uma força invisível que tudo conduz. Essa força pode ser denominada de Deus, do Bem, da Consciência Cósmica, do Princípio Único. Aqueles que se preocupam com a Causa, logo percebem o poder dessa força invisível em nossas vidas e nas vidas daqueles que nos rodeiam. Daí dizer-se que o acaso não existe.

O indivíduo que se deixa guiar pela "Circunstância" associa-se à massa passiva. Sem iniciativa e sem perspectiva, deixa-se dominar pelos detentores do poder, dos fabricadores de ídolos, dos propagadores de ideologias baratas. São estes indivíduos que devem receber um upgrade de pensamentos sadios, estimulando-os a pensarem pela própria cabeça e não pela cabeça de terceiros. Dar-lhes também instruções de que, embora limitados, o pensamento não o é, pois pode alçar voos transcendentais. 

A regra básica para viver intensamente é pensar no bem. Basta direcionarmos o nosso olhar para qualquer direção, o defeito, o mal e a impureza aparecem. Não que devamos fechar os nossos olhos para a realidade. Temos que suplantá-la pensando no bem e não repercutindo indefinidamente o mal que nos visita. Lembremo-nos de que uma vela acesa ilumina pouco, mas pode induzir muitas pessoas a acenderem outras velas.

Viver na superfície é viver na mediocridade. Para que possamos dar, temos que ter algo para dar. Do mesmo modo que para ensinar primeiro temos que aprender. Por isso, o esforço, a dedicação e o entusiasmo, independentemente do pagamento monetário, do elogio ou de qualquer outro tipo de recompensa. Dando o melhor de nós, vamos recebendo mais, mais ideias, mais saúde, mais harmonia, mais amigos.

Aquele que recebe deve distribuir, principalmente para aqueles que não tiveram oportunidade de perceber as novas realidades do conhecimento. Jesus, por exemplo, deu a sua vida para nos salvar. Não sejamos como a maioria que prefere receber sem dar nada. Doemos o nosso tempo, o nosso conhecimento, as nossas alegrias. 

Aproveitemos o momento presente, dando o melhor de nós e sem expectativa de recompensa. Não sejamos mercenários dos bens espirituais. 


ver mais

28 novembro 2014

Cursos Gratuitos do Centro Espírita Ismael em 2015

Centro Espírita Ismael
Av. Henri Janor, 141, Jaçanã/São Paulo/Capital
www.ceismael.com.br


A) PARA INICIANTES
     1)  CURSO  BÁSICO  DE ESPIRITISMO
    (1.º ano do Curso de Educação Mediúnica), com duração de 4 anos
            - 2.ª feira............20:00                Início: 23/02/2015
- 3.ª feira............20:00                Início: 24/02/2015
- 6.ª feira ...........14:30                Início: 20/02/2015
- Sábado........... 10:00 e 17:30   Início: 21/02/2015

     2) CURSO  DE  INTRODUÇÃO AO  EVANGELHO  
    (Antigo  Curso Aprendiz do Evangelho): duração de 1 ano.
- 5.ª feira...........15:00 e 20:00    Início: 26/02/2015

B) FORMAÇÃO DE COLABORADORES
    1) CURSO DE "PASSE ESPÍRITA" (duração de três meses)
- 4.ª feira............20:00                Início: 04/03/2015
Requisito: ter concluído o 2.º ano do C.E.M.

    2) CURSO DE EXPOSITOR ESPÍRITA (duração de 1 semestre)
- 4.ª feira............20:00                Início: 04/03/2015
Requisito: ter concluído o 3.º ano do C.E.M.

    3) CURSO DE ENTREVISTADOR ESPÍRITA (duração de 1 ano )
- 4.ª feira............20:00                Início: 11/03/2015
Requisito: ter concluído o C.E.M. e o Curso de Passe

    4) CURSO DE DOUTRINADOR ESPÍRITA (duração de 1 ano)
- Sábado............16:00                Início: 07/03/2015
Requisito: estar pelo menos no 3º ano do C.E.M.
   
C) DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO
    1) CURSO DE APRIMORAMENTO MEDIÚNICO (duração de 1 ano)
- 5.ª feira...........20:00                Início: 26/02/2015
- Sábado...........09:30                Início: 21/02/2015
Requisito: ter concluído o 3º ano do C.E.M. e ser indicado pelos instrutores do C.E.M.
 
D) GRUPO DE ESTUDO
    1) APROFUNDAMENTO DOUTRINÁRIO (duração de 1 ano)
- Sábado...........17:30                 Início: 07/03/2015
Requisito: ter concluído o 1º ano do C.E.M.

    2) O LIVRO DOS MÉDIUNS (duração de 1 ano)
- 6.ª Feira..........19:30                Início: 20/02/2015
Requisito: ter concluído o 1º ano do C.E.M.
    3) HARMONIA INTERIOR (duração de 1 ano)
- 4.ª Feira..........20:00                Início: 25/022015
Requisito: ter concluído o 1º ano do C.E.M.
C.E.M. (Curso de Educação Mediúnica [4 anos])

ver mais

26 novembro 2014

Liberdade: Exemplo de Jesus

"Para liberdade Cristo nos libertou." (Gálatas, 5,1)

Possuímos ou somos possuído? Somos proprietário ou propriedade? O problema de possuir muitos bens é que temos de cuidar deles. Renunciando às coisas, menos coisas temos com que nos preocupar. A frase "Livra-me das minhas necessidades" é bastante ilustrativa. 

Jesus Cristo é pintado como um revolucionário. Parece que Ele veio para transgredir a ordem estabelecida, jogar pais contra os filhos, marido contra a mulher, os ricos contra os pobres. Acham que veio para ferir instituições e derrubar princípios. 

Anotemos alguns trechos da mensagem "Liberdade em Jesus", pelo Espírito Emmanuel. 

Jesus...

Não exige berço dourado para ingressar no mundo.

Aceita de bom grado a infância humilde e laboriosa.

Nunca se volta contra a autoridade estabelecida.

Trabalha na extinção da crueldade e da hipocrisia, do simonismo e da delinquência, mas em momento algum persegue ou golpeia os homens que lhes sofrem o aviltante domínio.

Vai ao encontro dos enfermos e dos aflitos para ofertar-lhes o coração. 

Sofre a incompreensão alheia, procurando compreender para ajudar com mais segurança. 

Não espera recompensa, nem mesmo aquela que surge em forma de simpatia e entendimento nos círculos afetivos.

Padece a ingratidão de beneficiados e seguidores, sem qualquer ideia de revide.

Recebe a condenação indébita e submete-se aos tormentos da cruz, sem recorrer à justiça.

E ninguém se fez mais livre que Ele - livre para continuar servindo e amando, através dos séculos remanescentes.

Ensinou-nos, assim, não a liberdade que explode de nossas paixões indomesticadas, mas a que verte, sublime, do cativeiro consciente às nossas obrigações, diante do Pai Excelso.

Nas sombras do "eu", a liberdade do "faço o que quero" frequentemente cria a desordem e favorece a loucura.

Na luz do Cristo, a liberdade do "devo servir" gera o progresso e a sublimação.

Se quisermos ser livres, aprendamos a obedecer.

Apenas através do dever retamente cumprido, permaneceremos firmes, sem nos dobrarmos diante da escravidão a que, muitas vezes somos constrangidos pela inconsequência de nossos próprios desejos. 

XAVIER, F. C. Palavras de Vida Eterna, pelo Espírito Emmanuel. 8. ed., Minas Gerais: CEC, 1986. (capítulo 27)




ver mais

23 novembro 2014

Grande Cabeça

O Espírito Irmão X, no capítulo 23 (Grande Cabeça), do livro Pontos e Contos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, mostra-nos um caso sui generis sobre a lei de causa e efeito: possuímos o livre-arbítrio, mas teremos que responder pelos nossos atos, nesta ou em outra existência. 

Começa assinalando que o Dr. Abelardo Tourinho, advogado de renome, era verdadeira águia de inteligência, pois não conhecia derrotas no campo do direito: conseguia surpreender as colisões das leis humanas entre si. Com isso, não perdia nenhuma oportunidade de advogar para clientes ricos, mesmo que para isso tivesse que defender o mal. 

Chamavam-lhe "grande cabeça" nos círculos da convivência comum. 

Abelardo nunca fora visto defendendo os fracos contra os poderosos. Dado seu apelido, interessava-se somente pelas grandes questões. 

Sua mãe, porém, que o acompanhava de perto, pedia que mudasse o seu modo de ser, atuando também na ajuda aos mais fracos, aos mais desafortunados. Apesar da insistência, não lhe dava ouvidos. 

A experiência terrestre segue o seu curso: primeiro a mãe deixa esta vida; depois, chega a sua vez. Ele apresenta-se no mundo espiritual com um grande débito, ou seja, crescera-lhe a cabeça enormemente, subtraindo-lhe a posição de equilíbrio normal. 

Consequência: tempos depois, reencarna com hidrocefalia




ver mais

22 novembro 2014

Crise Política, Corrupção e Espiritismo

O objetivo central da política é a obtenção do bem comum. O bem comum é “um conjunto de condições concretas que permite a todos os membros de uma comunidade atingir um nível de vida à altura da dignidade humana”. Esta dignidade refere-se tanto às coisas materiais quanto às espirituais. Depreende-se que todo o cidadão deve ter liberdade de exercer uma profissão e aderir a qualquer culto religioso. Diz-se, também, que almejar o bem comum é proporcionar a felicidade natural a todos os habitantes de uma comunidade. 

A corrupção, ou seja, o pagamento de propina para obter vantagens, quer sejam de ordem financeira ou tráfico de influência, deteriora a obtenção do bem comum, pois algumas pessoas estão sendo lesadas para que outras obtenham vantagens. Lembremo-nos de que “todo poder corrompe e todo poder absoluto corrompe absolutamente”. Significa dizer que sempre teremos que conviver com algum tipo de corrupção. Eticamente falando, o problema maior está no grau, no tamanho da corrupção e não a corrupção em si mesma.

No Brasil, estamos assistindo a uma enxurrada de denúncias, que vão desde o chamado caixa 2 de campanha política, até a compra de votos para aprovar projetos importantes na área governamental. O vídeo que mostra um funcionário dos Correios recebendo propina foi o estopim da crise. De lá para cá as denúncias não param. O deputado Roberto Jefferson, um dos acusados de comandar a propina nos Correios, saiu distribuindo acusações para todos os lados, no sentido de se defender do ocorrido.

Diante deste fato, pergunta-se: que tipo de subsídio o Espiritismo nos fornece para a compreensão dessa situação? Em O Evangelho Segundo o Espiritismo há alusão aos escândalos. Primeiramente, Jesus nos fala dos escândalos e que estes deverão vir, mas “Ai do mundo por causa dos escândalos; pois é necessário que venham escândalos; mas, ai do homem por quem o escândalo venha”.O escândalo significa mau exemplo, princípios falsos e abuso do poder. Ele deve ser sempre considerado do lado positivo, ou seja, como um estímulo para que o ser humano combata em si mesmo o orgulho, o egoísmo e a vaidade.

Lembremo-nos também da frase: “Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; - pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente”. (S. LUCAS, cap. VIII, vv. 16 e 17.). A verdade, assim, não pode ficar oculta para sempre. Deduz-se que aquele que não soube fazer esforços para se pautar corretamente no bem, sofrerá as conseqüências de suas ações.

O Espiritismo auxiliará eficazmente as resoluções de ordem política, porque propõe substituirmos os impulsos antigos do egoísmo pelos da fraternidade universal. Allan Kardec propõe, em Obras Póstumas, o regime político que deverá vigorar no futuro, ou seja, a aristocracia intelecto-moral. Aristocracia - do grego aristos (melhor) e cracia (poder) significa poder dos melhores. Poder dos melhores pressupõe que os governantes tenham dado uma direção moral às suas inteligências.

Somente quando o poder da inteligência for banhado pelo poder moral e ético é que conseguiremos atingir um mundo mais justo e mais de acordo com o bem comum, pois os que governam propiciarão sob todos os meios possíveis a felicidade da maioria.

Este texto, escrito em 2005, poderia ter sido escrito hoje. 

ver mais

11 novembro 2014

Centro Espírita, um Solo Sagrado

Em comunicação mediúnica, um Espírito disse que o Centro Espírita é o solo sagrado dos Espíritas.

ver mais

04 novembro 2014

Dirigente, Preocupação dos Mentores e Cento Espírita

Numa reunião mediúnica, o mentor espiritual ressaltou que o plano espiritual tem dificuldade de escolher dirigentes compenetrados de sua tarefa; nesse caso, os menos capacitados acabam por ocupar esses cargos, gerando rusgas entre os trabalhadores. O egoísmo e a inveja (aos que sabem mais) dificultam o bom relacionamento entre as pessoas. O tempo pede mudanças; a união faz a força. Por isso, todos devem se unir nas responsabilidades, esclarecendo quanto às normas a serem cumpridas.

Em vista do exposto:

1) A disciplina deve ser enfatizada, começando pelos cursos. É na sala de aula que o instrutor poderá passar, não só o conhecimento doutrinário, mas dar o exemplo do cumprimento de horário, do programa, atitudes essas que estimulam os alunos a seguir o comportamento do instrutor. Muitas vezes reclamamos que o tempo da aula não é suficiente: passamos do horário; o correto é sempre terminar no tempo programado, pois o aluno pode ter compromisso, com hora marcada.  

2) No trabalho de passes, as normas do departamento devem ser postas em prática. Nesse caso, convém, ao adentrar numa câmara de passes, esquecer tudo o que se passou durante o dia, ficando em estado de passividade aos bons eflúvios dos mentores do trabalho. Não façamos como aquele padre que teve de parar a sua pregação, porque alguém no público estava falando ao celular.  

3) Podemos, a qualquer momento, solicitar a orientação telepática dos nossos protetores espirituais, pois eles querem o nosso bem, o nosso equilíbrio, a nossa participação eficaz. Com essa confiança, podemos receber boas inspirações, inclusive para chamar atenção sobre aquilo que não está indo a contento. 

4) Um dirigente de sessão é um representante do movimento espírita: sua atenção para o cumprimento do horário, para o desenvolvimento do tema evangélico, para a divulgação doutrinária do Espiritismo é um elo de luz para muitas mentes em estado de aflição e descontrole emocional. 

5) Alguns pensamentos: "O olho do dono engorda o porco"; "o preço da liberdade é a eterna vigilância"; "antes de mandar, aprenda a obedecer"; "somos usufrutuários e não proprietários das coisas"; "ao que muito foi dado, muito será pedido, mas mais lhe será acrescentado". 


ver mais

31 outubro 2014

Eleições e Lei do Progresso

A lei do progresso é uma das dez leis naturais de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Parte-se de um estado natural, que é a infância da Humanidade, para se chegar a um aprimoramento moral e intelectual. Quer queiramos ou não, mais cedo ou mais tarde esta lei se cumprirá.  No início do processo evolutivo, o Espírito é conduzido pelos instrutores espirituais. Com o passar do tempo, vai adquirindo o livre-arbítrio e o senso moral. A partir daí começa a responder por seus atos, ou seja, adquire a responsabilidade, que se amplia ao longo do tempo.

No Brasil, há muitos desvios morais que parecem natural, como é o caso de comprarmos CD pirata, não pedirmos nem darmos nota fiscal, colarmos para passar de ano na escola, pedirmos coisas emprestadas e jamais devolver. São pequenas falhas que mostram o que realmente somos diante da ética e da consciência moral. O Espiritismo chama a nossa atenção para ajustarmos o nosso comportamento, fundamentando-o numa consciência bem formada, de moral elevada. 

Durante as eleições, a mentira foi a tônica das propagandas. Que tipo de consciência moral terão, como consequência, os nossos filhos e netos? A primeira coisa que os marqueteiros fazem é confundir a cabeça do eleitor, dando a impressão que todos os políticos são iguais e que tanto faz escolher um quanto o outro. Ledo engano. Na período eleitoral, não seria o momento oportuno para divulgar novos valores, discutir ideias, programas. Tudo o que se fala durante as eleições, faz-se o contrário depois. O exemplo não deve vir de cima?

No livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, o Espírito irmão X traça, desde o descobrimento, a caminhada do povo brasileiro. Faz uma inter-relação entre o progresso material e a influência dos Espíritos, pois estes estão de atalaia e não querem que o país se divida. Ressaltemos que, embora haja esta influência benéfica, temos o livre-arbítrio: podemos escolher qualquer tipo de caminho, inclusive aquele que pode levar à derrocada do país. 

Mas, há uma questão: pode o ser humano impedir a marcha do progresso? Não. Os que tentam impedir o progresso agem como a pedra sob uma roda; retardam o seu andamento, mas acabam esmagados por ela. Quando, entretanto, um povo não caminha com a pressa desejável na evolução natural, Deus, através de suas leis, lhe suscita o progresso com um grande abalo físico ou moral. Em outras palavras: o mal prospera porque o bem se esconde. 



ver mais

28 outubro 2014

Eleições, Liberdade e Espiritismo

O Espiritismo, na concepção do Espírito Emmanuel, é um libertador de consciências. Libertador tem relação com liberdade, autonomia, ação livre. Consciência tem relação com qualquer tipo de atividade exercida pelo ser humano: econômica, política, religiosa. Daí, poder-se-ia falar da liberdade econômica, da liberdade politica, da liberdade religiosa. 

A economia - como ciência - possui suas leis. Ignorá-las ou alterá-las por decreto nunca deu certo. Na realidade, é atravancar o progresso, desviar-se do rumo, impor restrições à alocação eficiente dos recursos. A lei econômica não está afeita a mentiras políticas; ela tem o seu desenvolvimento próprio. Não se pode mudar a "lei da gravidade" porque o governo o quer. Tal qual a justiça que não tarda em punir o malfeitor, a conta um dia chegará e alguém terá de pagá-la. 

Nas eleições de 2014, assistimos ao tolhimento da liberdade de algumas pessoas, pois foram submetidas a um terrorismo eleitoral: poderiam perder a bolsa família se o adversário vencesse as eleições. Criam-se vassalos e não pessoas livres para agir e pensar. No fundo, há um desejo de manter os pobres para angariar votos e não a predisposição de libertá-los pelo trabalho digno. A máxima "ensinar a pescar e não dar o peixe" está sendo deixada de lado. 

A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, ensina-nos que é preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma única como erro. Em se tratando da fé, diz-nos que ela deve ser racional e não dogmática. O Espiritismo, embora nos dê total liberdade de agir, afirma que toda ação tem a sua reação: ação boa gera liberdade; ação má, escravidão. Nesse sentido, aconselha-nos a pensar pela própria cabeça, procurando fundamentar o nosso comportamento nas lições evangélicas trazidas por Jesus.

Em vista disso, deveríamos ficar indignados com a situação atual, pois a coisa pública está sendo dilapidada pelos aproveitadores de plantão. Se estamos sendo coniventes com isso, também seremos responsabilizados. O Brasil é de todos os brasileiros. O coração do Evangelho deve ser mantido. Não deixemos que as forças negativas o cortem ao meio, mas envidemos todos os esforços para que haja mais justiça nas questões de Estado. 



ver mais

02 outubro 2014

Júpiter e Terra

O nosso sistema planetário (Sistema Solar) é constituído por oito planetas principais: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Júpiter, o planeta gigante, é o centro de um sistema composto por 63 satélites e um tênue anel. Com um raio de 71.492 Km, um volume 1.300 vezes superior ao da Terra e uma massa equivalente a quase 318 massas terrestres, Júpiter supera todos os outros corpos do Sistema Solar, exceptuando o Sol.

O Planeta Terra, com 510.934.000 km2 de área total, dos quais 148.148 km2 (um quinto) são ocupados por terra e 149.500.000 km distante do Sol, está localizado na órbita ideal — entre a de Vênus e a de Marte — para sustentar a vida. Se mais próximo do Sol, estaria muito quente; se mais distante, muito frio. Forma um ecossistema único e finito, imerso no vento solar, bombardeado por partículas do espaço e radiado pela luz solar. Possui, ainda, um campo magnético que o defende de partículas de alta velocidade, vindas do Sol e do Cosmo.

Os graus de evolução do planeta Júpiter e do planeta Terra são antagônicos. Enquanto no planeta Terra  mundo de expiações e provas  o mal predomina sobre o bem, em Júpiter o mal é inexistente e o bem é uma constante em todas as suas atividades. Em Júpiter, todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana são engrandecidos e purificados; há um desejo incessante de se atingir o plano dos Espíritos puros, o que não é um tormento, mas uma nobre ambição que os impele ao aperfeiçoamento.

No planeta Terra ainda temos necessidade da sombra do mal para sentir o bem, das trevas para admirar a luz, da doença para apreciar a saúde, da guerra para vislumbrar a paz. Em Júpiter, esses contrastes são desnecessários, pois a eterna luz, a eterna bondade e a eterna serenidade propiciam aos seus habitantes uma eterna alegria. Pelo fato de vivermos num mundo inferior, não conseguimos compreender esse estado de coisas. Mas, mesmo assim, não nos faltam os avisos espirituais para começarmos esse caminho de evolução. 

No planeta Terra temos facilidade de pintar o inferno de mil modos como o fez Dante em sua Divina Comédia, mas faltam-nos elementos para pintar um mundo mais beatífico que o nosso. Ressaltemos, aqui, o papel dos médiuns  no sentido de entrar em contato com Espíritos mais evoluídos e repassar essas informações a toda a humanidade.   

No mundo como o nosso, dominado pela avareza, pelos descalabros de toda espécie, receber informações de um mundo perfeito em que o bem reine soberanamente, traz-nos uma imensa paz de espírito é um apelo à esperança. 

Para mais detalhes, consulte a Revista Espírita de 1860, p. 334 a 336, de Allan Kardec. 
ver mais

06 setembro 2014

Raça

Raça é o conjunto de indivíduos procedentes do mesmo tronco e com características comuns dentro de sua espécie. As três principais são: raça branca, raça amarela e raça negra. O uso do termo “raça” deve ser feito com cuidado, pois podemos confundi-lo com a etnia, que é um agrupamento humano cuja unidade repousa na comunhão de língua, cultura, religião e maneiras de agir. Nesse sentido, as expressões raça portuguesa, raça francesa devem ser evitadas, por serem expressões inexatas.

O racismo repousa na desigualdade das raças humanas, raças que se confundem com a noção de etnia. Ao lado do racismo, temos o etnocentrismo, que é a atitude que repudia as formas culturais mais afastadas das nossas. Expressa o seguinte pensamento: “a cultura que me formou é forçosamente a melhor”. Evoca, assim, um grande perigo quando chega a negar o direito do outro à diferença: resulta então no racismo, no genocídio (extermínio sistemático de populações humanas) ou etnocídio (destruição da identidade cultural de um grupo étnico).

O Espiritismo nos esclarece a respeito da raça adâmica. São colônias de Espíritos, vindas de outra esfera, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão. São Espíritos que cometeram falhas em vida anterior e mereceram, por suas faltas, vir encarnar neste mundo expiatório. Dela provém quatro grandes povos: O grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia. 

Allan Kardec, na página 8 de A Revista Espírita de 1862, diz: "Não é, com efeito, o papel que cumpre até este dia a raça adâmica? Relegando-a sobre esta Terra, de trabalho e de sofrimento, Deus não teve razão em dizer-lhe: "dela tirarás o teu sustento com o suor de teu rosto"? Se ela mereceu esse castigo por causas semelhantes às que temos hoje, não é justo dizer que ela está perdida pelo orgulho? Em sua mansuetude, não poderia lhe prometer que lhe enviaria um Salvador, quer dizer, aquele que deveria esclarecê-la sobre o caminho a seguir para chegar à felicidade dos eleitos? Este salvador enviou-lhe na pessoa do Cristo, que ensinou a lei de amor e de caridade, como a verdadeira âncora de salvação".

Espírito Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, tece alguns comentários sobre os grandes agrupamentos primitivos da Lemúria e da Atlântida. Embora tenha ficado impreciso o conhecimento desses povos, "os exilados da Capela trabalharam proficuamente, adquirindo a provisão de amor para suas consciências ressequidas. Não houve retrocesso, mas providência justa de administração, segundo os méritos de cada qual, no terreno do trabalho e do sofrimento para a redenção". (Xavier, 1972, pág. 40)

Fonte de Consulta

DUROZOI, G. e ROUSSEL, A. Dicionário de Filosofia. Tradução de Marina Appenzeller. Campinas, SP: Papirus, 1993.


XAVIER, F. C. A Caminho da Luz - História da Civilização à Luz do Espiritismo, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1972.
ver mais

03 setembro 2014

Indiferença

“Quem não vive conforme pensa, acaba por pensar conforme vive.” (P. Bourget)

Indiferença. Os gregos antigos usavam o termo “adiáfora”. Para os cínicos e os estoicos, indiferentes são todas as coisas que não contribuem para a virtude nem para a maldade. Nesse sentido, eram indiferentes à riqueza e à saúde. Para a teologia, o termo "indiferença" – aparentado aos de abandono e abnegação, mas não seu sinônimo – designa a atitude de disponibilidade total perante a vontade divina. Não se trata, portanto, de apatia ou desinteresse.

Ao refletirmos sobre a indiferença, surge a problemática ética de saber se é possível haver atos que não sejam bons nem maus. Em muitos casos, alguns atos aparentam ausência de moral, mas é ilusório. Observe que, quer queiramos ou não, todos os nossos atos são bons ou maus, pois todos os nossos atos implicam relação com a norma moral. Deixar de fazer o bem é fazer o mal. 

No âmbito da Doutrina Espírita, temos: 

Quantos pais não são infelizes porque não combateram desde o princípio as más tendências de seus filhos? Mais tarde, quando sentem a ingratidão deles, sofrem o que semearam. 

A indiferença como fator positivo. A resignação ante as vicissitudes da vida dão ao espírito confiança e serenidade quanto ao futuro. É o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio

A principal virtude de nossa época é o desenvolvimento intelectual. O principal vício é a indiferença moral.

O Espiritismo nos faz ver as coisas do alto. Implica uma diminuição da importância dos problemas terrenos. Com isso, elimina a ideia de abreviarmos a nossa existência, entendendo que o Espírito é imortal e, mesmo cometendo o suicídio, continua vivo no além-túmulo. 

Quando não cultivamos a verdadeira fraternidade, temos como consequência a ausência do amor. Quando somos impermeáveis ao bem, tornamo-nos representantes do mal.

A importância do outro na nossa evolução espiritual. Nós sempre precisamos do nosso próximo. Tanto para ensinar como para aprender. Os que aprendem alguma coisa valem-se dos que já passaram e não seguem além se não há interesse de seus contemporâneos.

Fonte de Consulta

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.




ver mais

26 agosto 2014

Tragédia e Fatalidade

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)

Tragédia pode ser entendida como um fato real que aconteceu ou que irá acontecer, a qual é muito ruim e que nunca será esquecida. Seus sinônimos são: adversidade, calamidade, catástrofe, infortúnio. Exemplo: queda das Torres Gêmeas, nos Estados Unidos. Fatalidade é a qualidade do que é fatal. Acontecimento funesto marcado pelo destino ou fado. Aquilo que não se consegue evitar. Consequência desastrosa de algum acontecimento.

Aristóteles define a tragédia como a “Imitação de acontecimentos que provocam piedade e terror e que ocasionam a purificação dessas emoções”. (Poét., 6 1449 b 23) Pode-se dizer que as situações que provocam “piedade e terror” são aquelas em que a vida ou a felicidade de pessoas inocentes é posta em perigo, em que os conflitos não são resolvidos ou são resolvidos de tal modo que determinam “piedade e terror” nos espectadores.

Allan Kardec, na pergunta 851 de O Livro dos Espíritos, ensina-nos que a fatalidade existe no tocante à escolha feita pelo Espírito antes de reencarnar, ou seja, passar por determinadas provas físicas. Ceder ou resistir à prova depende do seu livre-arbítrio.

Nas questões subsequentes, que vão até o número 867, explica-nos:

No caso de a desgraça estar sempre no caminho de uma pessoa. Pode ser o resultado das escolhas feitas pelo Espírito antes de reencarnar. No seu verdadeiro sentido, fatal só é o instante da morte.

O ser humano pode impedir os acontecimentos que deviam realizar-se? Sim. Desde que caiba na ordem geral da vida que ele escolheu.

O fato de as pessoas nunca conseguirem êxito na vida não quer dizer que seja fatalidade. Está mais para as escolhas feitas, pois essas pessoas quiseram ser experimentadas por uma vida de decepções.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Tradução de José Herculano Pires. 14.ed., São Paulo: Feesp, 2010, perguntas 851 a 867.
ver mais

25 agosto 2014

Notas Extraídas do Livro "No Invisível", de Léon Denis

“No Invisível”, de Léon Denis, foi escrito no início de 1900. Este livro é um tratado de Espiritualismo experimental. Assim, há estudos sobre incorporações e materializações de Espíritos, métodos de experimentação, formação e direção dos grupos de trabalho, entre outros. Eis algumas notas.

O mundo invisível é a continuação, o prolongamento natural do mundo visível. Em sua unidade, formam um todo inseparável; mas é no invisível que importa procurar o mundo das causas. 

Na ciência do invisível, devemos ultrapassar os métodos humanos. No Espiritismo, há uma zona que escapa à verificação. É a ação do Espírito livre no Espaço; é a natureza da força de que ele dispõe.

A investigação científica tem íntima relação com a elevação do pensamento. Se não elevarmos o nosso pensamento, purificarmos os nossos sentimentos a comunhão com os seres superiores se torna irrealizável. Com isso, não obteremos nenhuma proteção eficaz. Convém salientar que toda a experimentação deve ser realizada com a proteção do Alto.

No contato com o invisível, devemos levar em conta a lei das afinidades. A lei das afinidades é a regra básica das relações com o invisível. De acordo com a lei de atração, baixos objetivos atraem coisas levianas. Em contrapartida, altos objetivos encaminham-nos para a ascensão do nosso Espírito imortal.

Quando queremos prova de tudo, quando imprimimos somente o método da ciência positiva, podemos nos colocar em sintonia com os elementos inferiores do Além, com a multidão de Espíritos atrasados. A fraude, por exemplo, nada mais é do que a consequência da atração dos Espíritos levianos.

Léon Denis acha que há dois Espiritismos: um nos põe em comunicação com os Espíritos superiores, com nossas almas queridas; o outro faz-nos entrar em contato com os elementos inferiores do mundo invisível.

Na vida, devemos ter em mente que há o aspecto físico e o suprafísico. Nosso corpo físico pertence ao mundo visível; nosso corpo fluídico, ao mundo invisível. Esses dois corpos coexistem nele durante a vida. A morte é a sua separação.

Sobre a Humanidade física há uma Humanidade invisível, composta dos seres que viveram na Terra e se despojaram de suas vestes materiais. Acima dos vivos, encarnados em corpo mortal, os supervivos prosseguem, no Espaço, a existência livre do Espírito.

Os dois meios para adquirir a ciência do além-túmulo são o estudo experimental e a intuição e o raciocínio. A experimentação é preferida pela grande maioria dos nossos contemporâneos. Está mais de acordo com os hábitos do mundo ocidental, bem pouco iniciado ainda no conhecimento das secretas e profundas capacidades da alma.

A ciência ainda se mantém ignorante do mundo invisível. Por quê? Porque ela se diz positiva, ou seja, precisa de fatos concretos. As regras que ela aplica ao plano físico serão insuficientes, sempre que as quiserem aplicar ao mundo dos Espíritos. Para penetrar neste, é preciso antes de tudo compreender que nós mesmos somos espíritos, e que não podemos entrar em relação com o universo espiritual senão pelos sentidos do espírito.

Devemos exaltar a importância da mediunidade no trato com o invisível. É através da mediunidade que penetramos o mundo invisível. A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres.

Fonte de Consulta

DENIS, Léon. No Invisível: Espiritismo e Mediunidade. Tradução de Leopoldo Cirne.  12. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1987. 


ver mais

19 agosto 2014

Profecia: Velho e Novo Mundo

Profecia é a ação de predizer (prever) o futuro. Pode ser pessoal ou por inspiração divina. P.ext. O prenúncio de um acontecimento futuro, feito por dedução, suposição ou hipótese. Velho Mundo. É o mundo dos preconceitos, das ilusões, do egoísmo, do corre-corre, das distrações. Novo Mundo. É o mundo das transformações, o mundo da regeneração, o mundo o progresso espiritual, a nova era. 

A maioria das alusões relacionada ao fim do mundo é fruto da capacidade fabuladora e criadora do ser humano. Observe o que se esperava no final de 1999: bug do milênio, em 2000 o mundo iria acabar, venda de um lugar em algum ponto da terra. Os prognósticos, entretanto, não se concretizaram. Haverá realmente essa transformação do mundo velho em mundo novo? Há uma data prevista? Como tratar esse assunto?

De acordo com Fernando Malkun, especialista na cultura maia, a data-limite do velho mundo estava prevista para 22 de dezembro de 2012. A base de seu raciocínio está no calendário maia, que é muito preciso e porque está baseado no movimento dos corpos celestes como é observado pelos estudiosos da Astronomia. Em se tratando do dinheiro, Malkun diz que ele é uma mistura de energia e consciência. Como somos uma sociedade capitalista, precisamos de dinheiro. No futuro, porém, haverá uma mudança na ambição humana, influenciada por outras formas de frequência de vibrações. 

Com base na revelação dada por Chico Xavier, a data-limite não será 2012, mas 2019, quando ocorrerá o fim de velho mundo. Por que 2019? De acordo com Geraldino Lemos, os Espíritos das Altas Esferas se reuniram pela terceira vez ao redor da Terra, em 1969, na mesma data em que o homem pisou a Lua. Na época, Jesus concedeu mais 50 anos de moratória à sociedade terrena (20/07/1969 + 50 anos = 20/07/2019). 

E depois de 2019? No lado positivo, o avanço das ciências e da tecnologia. No lado negativo, poderíamos estar envoltos com a 3.ª Guerra Mundial, quando então teríamos os abalos físicos da natureza.

Allan Kardec, no cap. IX, itens 13 e 14 de A Gênese, diz-nos que as transformações (cataclismos), salientadas na Bíblia, são de ordem exclusivamente moral. Até que a humanidade alcance a perfeição, pela inteligência e pela observância das leis divinas, as maiores perturbações ainda serão causadas pelos homens mais do que pela natureza, isto é, serão antes morais e sociais do que físicas. 

Fonte de Consulta

NOBRE, Marlene e LEMOS Neto, Geraldino. Não Será em 2012: Chico Xavier Revela a Data-Limite do Velho Mundo. 7. ed., São Paulo: FE Editora, 2013.
ver mais

11 julho 2014

Dar o que Tem

Nós julgamos ter um corpo, uma casa, um óculos, um iate. Eles, porém, não nos pertencem. O bem material, inclusive o dinheiro, é um empréstimo que a Providência Divina nos concede para auxiliar o nosso progresso moral, intelectual e espiritual. Nesse mister, há uma grande ilusão quando os governos prometem dar isso e aquilo. Rigorosamente, eles só podem dar aquilo que arrecadaram em impostos e taxas. 

ver mais

04 julho 2014

Antagonismo

Antagonismo. Do grego anti, “contrário”, e agone, “luta”, significa luta de uns contra os outros. Pessoas e facções divergem e entram em choque pela defesa de seus interesses. Os antagonismos econômicos e políticos podem levar à guerra, quando não forem bem administrados. Na área médica, é efeito que se observa quando uma substância, atuando sobre o organismo, inibe os efeitos de outra ou quando uma substância medicamentosa produz um efeito contrário ao distúrbio observado. Na vida comum, o antagonismo é sinônimo de rivalidade ou incompatibilidade. Ocorre entre marido e mulher, pais e filhos, sogras e genros etc. 

No reino animal, a agressividade e o medo, o ataque e a fuga raramente são puros. O animal pode passar insensivelmente de uma posição de ataque para o de fuga. E. von Holst, estimulando eletricamente um centro intracerebral de uma galinha, despertou nela, diante de um furão empalhado, uma reação inicialmente de ataque, que se transformou em uma reação de fuga com a persistência da estimulação.

Na filosofia, poder-se-ia dar dois exemplos a respeito do antagonismo. Para Heráclito, o devir se realiza por meio de uma contínua passagem de um contrário ao outro. Daí, parecer que a guerra é o que regula o mundo. Isto é verdade, mas muito superficial. Para Hegel, tudo começa por uma tese (um). Da tese aparece a antítese (dois). O resultado desse antagonismo é a síntese (três). E isso se repete indefinidamente. 

Os conflitos familiares revelam o grau de antagonismo que há entre os membros de uma mesma família. Eles são benéficos? Sim. Desde que saibamos contornar esses antagonismos, pois o Espiritismo nos remete a encarnações passadas, a fim de termos mais condições de compreender as rivalidades que há no seio de uma família. 

De acordo com os pressupostos espíritas, a reconciliação com o adversário enquanto estivermos a caminho, é sumamente importante, porque a morte não nos livra dos nossos inimigos, pois eles continuam vivos além-túmulos. Acontece que a ausência da vestimenta física é um elemento de maior facilidade para o ataque mental, isto é, através das interferências em nossos mais secretos pensamentos.




ver mais

02 julho 2014

Maternidade e Paternidade

Maternidade é o estado ou qualidade de ser mãe. Laço de parentesco que liga a mãe aos filhos. Paternidade é a posição conferida a um homem perante um filho seu, pelo fato de o ter gerado. Segundo o Espiritismo, maternidade é luz divina, o berço da grandeza humana, e a mulher, por isso mesmo, é sacrário maternal; é a escola abençoada do sentimento, a plenitude do coração feminino, que norteia o progresso. 

Quando um filho é legítimo, não há dificuldade jurídica. O relevo jurídico no reconhecimento da filiação surge quando há dúvida acerca da legitimidade. Nesse sentido, “Se o filho é ilegítimo ou, embora legítimo, não beneficia de presunção de legitimidade, e se, em qualquer destes casos, falta o reconhecimento por outro meio legal (perfilhação, designadamente), o filho só pode ser reconhecido mediante investigação judicial”. 

Nas culturas antigas, a maternidade era valorizada. Na época moderna, grande número de mulheres não adota a maternidade. Há, inclusive, a possibilidade de se criar filho in vitro. A função da religião e do cristianismo é dar sustentação à nova dimensão da mulher que, saindo da esfera do lar, apresenta-se na sociedade, assumindo funções nas empresas privadas e nas esferas governamentais. Antes de competir com o homem, ela deve andar junto com ele, para proporcionar a devida humanização da sociedade. 

O Espiritismo proporciona à mãe diversas orientações, alertando-a sobre os riscos de negligenciar a sua verdadeira missão, como genitora e protetora de seus rebentos. “A maternidade é uma dádiva. Ajudar um pequenino a desenvolver-se e a descobrir-se, tornando-se um adulto digno, é responsabilidade que Deus confere ao coração da mulher que se transforma em mãe”.

Para que a mãe terrestre cumpra evangelicamente os seus deveres com relação aos seus filhos, deve ter em mente que os filhos por ela gerados são antes filhos de Deus, que a missão materna resume-se em dar sempre o amor de Deus, que pôs no coração das mães a sagrada essência da vida. 

Tanto o pai quanto a mãe, para bem cumprirem as suas missões de paternidade e maternidade, devem desde a infância preparar os seus filhos para o trabalho e para a luta que os esperam.

Fonte de Consulta

ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

XAVIER, F. C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977. 


ver mais