26 novembro 2012

Desvio de Rumo

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram."
 (Mateus, 7, 13 e 14.)

O rumo de um Centro Espírita é uma linha imaginária traçada de acordo com os princípios codificados por Allan Kardec. Tudo o que foge do aspecto doutrinário do Espiritismo pode ser considerado um desvio de rota, distanciando-nos, como pessoas e Centro Espírita, do porto de chegada, do nível de evolução que podemos atingir.

O desvio de rumo pode ser assim caracterizado: inclusão de preces (extraídas de outras religiões), sala para aplicação do Reiki, uso de roupas especiais, de cristais etc. Ainda: anexar ao Centro Espírita salas para médicos, dentistas, psicólogos etc. Quando se amplia demasiadamente os trabalhos que não dizem respeito diretamente ao Espiritismo, perde-se o foco da verdadeira missão de um Centro Espírita, que é a divulgação da Doutrina Espírita.

O Espiritismo é ciência, filosofia e religião. Na codificação, há esclarecimentos  para qualquer tipo de dúvida, além das conhecidas mensagens evangélicas, próprias para o consolo de nossa alma. Em princípio, não haveria necessidade de incluir coisas externas. O médico, o professor de ioga, o psicólogo e o terapeuta devem ser buscados fora do Centro. No Centro Espírita dever-se-ia, segundo o nosso ponto de vista, atender às coisas da Doutrina e da modificação interior, que já são muitas.   

O problema está em implantar esses serviços dentro de um Centro Espírita. Até que ponto eles são essenciais ao funcionamento de um Centro Espírita? Não estaríamos desviando o foco, o objetivo central do Espiritismo, que é a libertação da consciência pelo conhecimento e uso da razão?

Imaginemos a perda de foco, de objetivo. Há muitas histórias a respeito. Lembremo-nos de uma (“O Problema Mais Difícil” [cap. 36]), extraída do livro Jesus no Lar, pelo Espírito Neio Lúcio, psicografado por Francisco Cândido Xavier, em que um rei incumbira os seus três filhos de levar uma dádiva ao palácio do príncipe governante: o primeiro seria o portador de um rico vaso; o segundo levaria uma corça rara; o terceiro transportaria um bolo primoroso. No caminho, principiaram a discutir. “O depositário do vaso não concordou com a maneira pela qual o irmão puxava a corça delicada, e o responsável pelo animal dava instruções ao carregador do bolo, a fim de que não tropeçasse, perdendo o manjar; este último aconselhava o portador do vaso valioso, para que não caísse”. Resultado: o bolo caiu, o vaso quebrou-se e a corça fugiu.

Antes de implantarmos algo novo num Centro Espírita, verifiquemos, primeiramente, se atende aos princípios doutrinários do Espiritismo.  
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