07 março 2012

Dinheiro

O dinheiro é o símbolo de riqueza, poder e prestígio. Ele é o deus deste mundo, sob o qual se prostram todos os seus adoradores. Pode ser um elemento-chave de pensamento, que condiciona o ser humano por toda a sua vida, deixando em segundo plano os valores de amor, fidelidade e religiosidade. Interpretando-o como uma forma de miséria humana, Papini diz que o dinheiro é o “excremento” corrompido do diabo.

Até o limiar da época moderna, usávamos o termo “riqueza” para designar a posse de bens materiais, tais como, casas e terrenos; a partir da Idade Média, com a expansão do comércio, o dinheiro adquiriu o estatuto de riqueza a ponto de se tornar o seu sinônimo para a maioria das pessoas. Posteriormente, a sua acumulação passa a ser um dos principais objetivos da atividade econômica, caracterizando e fortalecendo o sistema capitalista de mercado.

Embora o dinheiro tenha adquirido o status de riqueza, ele é simplesmente um meio de troca. Em vez de usarmos sal, boi e farinha, optamos pelo dinheiro, pela sua facilidade nas transações de mercadorias. Que necessidade de dinheiro teria o indivíduo numa ilha solitária, como aconteceu com Robinson Crusoe? Uma faca e uma vara de pescar teriam mais utilidade. Foi mais por causa do cosmopolitismo que virou sinônimo de riqueza. Daí, a impressão de que quanto mais dinheiro mais rico o indivíduo é.  

Em se tratando do aspecto religioso, Jesus Cristo compara o dinheiro ao deus Mamon, que compete com do Deus verdadeiro, enaltece o óbulo da viúva e profere a frase: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Seguindo os seus exemplos, os primeiros cristãos vendiam os seus bens e com o dinheiro arrecadado socorriam aos mais pobres em suas necessidades.

O dinheiro é ao mesmo tempo expressão de grandeza e de perdição. O problema está na sua posse. Por isso, o apóstolo Paulo, em I Timóteo, 6,10, diz-nos: “A paixão pelo dinheiro é a raiz de toda a espécie de males e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. Acrescentemos, também, a frase: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo e perder a sua alma?” — Jesus (Marcos, 8,36).

Se não prestarmos atenção, tudo gira em torno do dinheiro: arte, filosofia, cultura e mesmo a religião eletrônica. Lembremo-nos, assim, do dístico evangélico de repartir com o próximo o que Deus nos ofertou, quer seja dinheiro, tempo e recursos pessoais.


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