06 março 2012

Consciência (Moral)

A consciência, em seu sentido amplo, é a capacidade de perceber as realidades internas e externas. A consciência moral, por sua vez, é a capacidade de o ser humano avaliar interiormente o que há de bom ou de ruim em uma dada ação. Quando falamos em consciência moral, devemos fazer uma diferença substancial entre a lei, que são normas gerais, e a consciência, que avalia o “hic et nunc” de cada ação. 

Na pergunta 621 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos orientam-nos que a lei de Deus está escrita na consciência do ser. Estar escrita é o que há de inato na consciência. Contudo, a lei de Deus precisa ser atualizada, lembrada e esclarecida, para que se torne algo natural em cada uma de nossas ações. Disso resulta que o imperativo “faça isso” ou “não faça aquilo” seja exercitado com o mínimo de consequências negativas, no sentido de evitar a culpa, o remorso e coisas semelhantes.

Na Bíblia, a consciência é designada de “coração”, tendo uma dimensão interior e exterior. No mito do paraíso, Adão e Eva, por exemplo, passam pelo drama da consciência humana: de um lado a ordem divina; do outro, a serpente, que lhe sugere o mal. Nesse caso, eles agem livremente mesmo contra aquilo que sua consciência lhes aponte como justo. No relato de Caim e Abel, nota-se a consciência tisnada após o crime. Diante desses e de outros deslizes, há os profetas, que constituem a consciência social, aqueles que vêm nos lembrar, despertar a nossa consciência para o bem e a verdade.

Ao longo do tempo, porém, a lei escrita teve mais peso do que a lei moral. Os fariseus, por exemplo, quiseram aplicar a lei de forma objetiva e calculada. Jesus Cristo, ao contrário, procurou combater a moral exterior. Em Lucas 11, 33 a 35, ele diz: “E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas”.  

Paulo, em suas epístolas, desenvolveu a doutrina da consciência. Para ele, a moralidade não pode estar atrelada à Lei, que é exterior, mas ao coração, que é interior. Em Romanos 2, 14 e 15, ele diz: “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram à obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os”.

É lastimável a disseminação do medo, da culpa e do individualismo no mundo moderno. Para desviarmos os seres humanos desse matiz, aceleremos, desde a infância, a reta formação da consciência.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

Nenhum comentário: