30 outubro 2025

Pedagogia: Jesus e Kardec

Pedagogia. Do grego paidogogia, formada por pais / paidós “criança”, agogós, “aquele que conduz, guia", ago, “conduzir, guiar”. Na Grécia Antiga, paidagogós não era professor, mas sim o escravo encarregado de acompanhar a criança até a escola, cuidar de sua conduta e garantir que estudasse. Literalmente, paidagogos era “aquele que conduz a criança”, ou seja, o guia da criança.

Com o tempo, o termo passou a designar não apenas o acompanhante físico da criança, mas aquele que a orienta na aprendizagem e na formação moral e intelectual. Assim, “pedagogia” evoluiu para significar: “A arte ou ciência de educar e instruir as crianças.” Hoje, o termo abrange a teoria e prática da educação, em sentido amplo, incluindo métodos, princípios e filosofia do ensino.

Pedagogia de Jesus. Jesus não era um pedagogo no sentido atual, pois não foi formado em nenhuma faculdade. A sua abordagem educacional pode ser extraída dos ensinamentos práticos, principalmente aqueles registrados nos evangelhos. Seus princípios fundamentais são: 1) ensino pelo exemplo (fala e ação); 2) respeito pela individualidade; 3) amor incondicional ao próximo; 4) ensinamento por parábolas (histórias simples para uma reflexão profunda).

Pedagogia espírita. Pode-se entender como o modo de conduzir o ser humano em seu processo de aprendizado e progresso moral, segundo os princípios do Espiritismo, codificados por Allan Kardec. Eis alguns pontos: 1) educação moral e espiritual; 2) reencarnação e evolução espiritual; 3) responsabilidade individual e coletiva; 4) desenvolvimento da consciência.

Para mais informações, consultar o livro Pedagogia Espírita do prof. J. Herculano Pires, editado pela Edicel em 1985. Nele encontraremos ensinamentos sobre o mistério do ser, educação integral, a pedagogia de Jesus, a didática de Kardec, o Espiritismo nas escolas, a pedagogia espírita, entre outros.

Podemos dizer que tanto a pedagogia de Jesus quanto a espírita tem um único objetivo: desenvolvimento integral do ser humano.

29 outubro 2025

Honra a teu Pai e a tua Mãe

Honra. Valor moral ligado à dignidade, à boa reputação e ao comportamento ético e virtuoso do indivíduo. Honrar significa agir com integridade e respeito, tanto diante da sociedade quanto no convívio familiar. Esse princípio se manifesta especialmente no cumprimento dos deveres morais, sendo uma virtude essencial para a construção de relações justas e harmoniosas.

No texto evangélico, a honra é destacada nos mandamentos bíblicos: “Honra teu pai e tua mãe”, presente tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Essa ordem divina é associada à piedade filial, ou seja, ao respeito e à gratidão dos filhos para com os pais. O Evangelho Segundo o Espiritismo amplia essa ideia, mostrando que a verdadeira honra inclui o reconhecimento espiritual dos laços familiares, que ultrapassam a convivência física e se estendem à dimensão espiritual.

No âmbito da família, devemos reconhecer que os laços entre pais e filhos são resultado de um planejamento espiritual anterior à reencarnação. Assim, as relações familiares não acontecem por acaso, mas têm o propósito de promover aprendizado e reconciliação entre espíritos. A harmonia familiar exige esforço mútuo, especialmente quando há dificuldades decorrentes de desentendimentos passados. 

Bíblia e Espiritismo. Moisés trouxe a Primeira Revelação com os Dez Mandamentos; Jesus, com o Novo Testamento, apresentou a Segunda, baseada no amor a Deus e ao próximo; e o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, constitui a Terceira Revelação, aprofundando e ampliando esses ensinamentos. O Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, reforça que a dívida para com os pais é sagrada e impagável, devendo sempre ser retribuída com respeito, gratidão e cuidado.

Nas responsabilidades mútuas, destaca-se que os pais têm o dever de educar moralmente os filhos e introduzi-los em valores espirituais e éticos. Já os filhos devem retribuir com carinho, assistência e respeito, especialmente na velhice dos pais.

Reafirmamos que honrar pai e mãe é mais do que obedecer: é reconhecer o amor, o sacrifício e a importância desses laços, perpetuando a harmonia e o aprendizado espiritual entre as gerações.

27 outubro 2025

Os Sãos não Precisam de Médico

“Os sãos não precisam de médico” é um dos subitens do capítulo XXIV — “Não por a Candeia Debaixo do Alqueire” de O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec. Os demais subtítulos são: A Candeia Debaixo do Alqueire. Porque Fala Jesus por Parábolas — Não ir aos Gentios — A Coragem da Fé — Carregar a Cruz. Quem Quiser Salvar a Vida.

O endereço bíblico: E aconteceu que, estando Jesus assentado à mesa numa casa, eis que, vindo muitos publicanos e pecadores, se assentaram a comer com ele e com os seus discípulos. E vendo isto os Fariseus, diziam aos seus discípulos: Por que come o vosso mestre com os publicanos e pecadores? Mas, ouvindo-os, Jesus disse: Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. (Mateus, IX: 10-12). 

A doença é uma condição que causa desvio ou interrupção do funcionamento normal de um organismo, manifestando-se por um conjunto de sinais e sintomas que limitam a capacidade funcional de um indivíduo. Ela pode ser física, mental e espiritual. Sua causa pode ser encontrada nesta ou em outras existências. Em se tratando da cura: para um problema físico, buscamos a orientação de um médico; se o problema é mental, um psicólogo; se for obsessão, um Centro Espírita.  

Mediunidade é uma faculdade humana, natural em que se estabelecem as relações entre o médium o espirito comunicante. É a relação entre encarnados e desencarnados. É uma condição humana, que não depende da moral do médium. Por isso, não devemos nos revoltar quando virmos médiuns cometendo os mais graves absurdos.

No item em questão, há uma extensa dissertação sobre a mediunidade, orientando-nos a não criticarmos a conduta dos médiuns, pois são eles que precisam do médico. Lembremo-nos de que na época da codificação do Espiritismo, Kardec preferia o médium letrado ao moralizado, com a seguinte explicação: ao divulgar os ensinamentos da nova doutrina, primeiro prega para si mesmo. É a história do dedo indicador apontando para o público, enquanto os outros três voltam-se para si mesmo.  

Se o poder de comunicar-se com os Espíritos só fosse dado aos mais dignos, qual aquele que ousaria pretendê-lo? E onde estaria o limite da dignidade e da indignidade? A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico: aos virtuosos, para os fortalecer no bem; e aos viciosos, para os corrigir. Estes últimos não são os doentes que precisam de médico?

No livro Educandário de Luz, o Espírito Irmão X relata-nos o diálogo entre D. Clara que, por meio de diversas perguntas, feitas ao Espírito Júlio, protetor daquele grupo espírita, tinha o seguinte objetivo: organizar um círculo de criaturas elevadas e sinceras, que apenas cogitem da virtude praticada. No final, pergunta se o Espírito Júlio poderia fazer parte desse grupo, ao que ele responde que não, por causa da sua imperfeição. Concluindo a conversa, o Espírito diz: — Sim, minha filha, um grupo assim tão perfeito deve existir... Com toda certeza deve ser o grupo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A humildade é o fundamento de todas as virtudes. Por mais influência que estivermos recebendo dos mentores espirituais, conscientizemo-nos de que somos simples intermediários dos bons Espíritos. 

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/s%C3%A3os-n%C3%A3o-precisam-de-m%C3%A9dico-os


08 outubro 2025

Notícia e Espiritualidade

A facilidade da notícia cria a mentalidade da notícia. Se não prestarmos atenção, raras vezes estaremos visitando a nós mesmos.

Notícia é o relato factual, objetivo e atual de um acontecimento de interesse público, divulgado por um veículo de comunicação que, via de regra, deveria ser de forma clara, concisa e imparcial. Seus elementos essenciais são: fato (algo que realmente aconteceu), atualidade (deve tratar de algo recente), interesse público (ser relevante para a sociedade), objetividade (relatar sem opinar) e veracidade (basear-se em informações verdadeiras e verificadas).

Léon Denis, no capítulo 24 — “A disciplina do pensamento e a reforma do caráter”, da terceira parte — “As potências da alma”, do livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, orienta-nos a evitar as discussões barulhentas, as palavras vãs, as leituras frívolas. Acrescenta: “Sejamos comedidos com os jornais. A leitura dos jornais, fazendo-nos passar continuamente de um assunto a outro, torna o espírito ainda mais instável. Vivemos em uma época de anemia intelectual, que é causada pela raridade dos estudos sérios, pela opção abusiva da palavra pela palavra, de forma bela e vazia e, sobretudo, pela insuficiência dos educadores da juventude”.

Por que a insistência com o jornal? Há uma ilusão da notícia. Diz-se que a notícia é, para o cérebro, o que o açúcar é para o corpo: apetitosa, fácil de digerir e altamente destrutiva no longo prazo. Renunciando à notícia, podemos ter pensamentos mais claros, percepções mais valiosas, melhores decisões e muito mais tempo. 

Razões para ficarmos distantes da notícia: 1) nossos cérebros reagem desproporcionalmente a diferentes tipos de informação; 2) notícias são irrelevantes (qual delas contribuiu para nossa melhoria interior?); 3) notícias são perda de tempo (um ser humano médio desperdiça meio dia a cada semana lendo sobre assuntos atuais).

Em geral, lê-se muito, lê-se rapidamente e não se medita. Léon Denis complementa: 

O estudo silencioso e recolhido é sempre fecundo para o desenvolvimento do pensamento. É no silêncio que se elaboram as obras fortes. A palavra é brilhante, mas degenera, com muita frequência, em conversações estéreis, às vezes, malfazejas; desta forma, o pensamento se enfraquece e a alma se esvazia. Ao passo que, com a meditação, o espírito se concentra; dirige-se para o lado grave e solene das coisas; a luz do mundo espiritual banha-o em suas ondas. Há, em torno do pensador, grandes seres invisíveis que só querem inspirá-lo; é na penumbra das horas tranquilas, ou à luz discreta de sua luminária de trabalho, que melhor eles podem estabelecer comunicação com ele. Em toda parte e sempre, uma vida oculta mistura-se à nossa.


Cinquenta Perguntas sobre o Livro "Nosso Lar"

01 – Que tipo de sensação descreveu o Espírito André Luís, logo após o seu desencarne?

R. – Uma sensação de perda da noção de tempo e espaço. Sentia-se amargurado, coração aos saltos e um medo terrível do desconhecido.

02 – Por que pecha de suicida?

R. – André Luiz não conseguia compreender porque o chamavam de suicida. Em sua concepção,tinha cumprido condignamente os deveres de médico, marido e pai. Contudo, ficou sabendo depois, que perdera muita vitalidade com bebidas e alimentação inadequada.

03 – Qual a finalidade da oração coletiva?

R. – Manter o equilíbrio espiritual da colônia. "Para tanto, todas as residências e instituições do "Nosso Lar" estão orando com o Governador, através da audição e visão à distância".

04 – Quais as causas do suicídio, segundo Henrique Luna, do Serviço de Assistência Médica da colônia espiritual?

R. – Modo exasperado e sombrio, cólera, ausência de autodomínio, inadvertência no trato com os semelhantes...