16 novembro 2025

Júlio de Abreu Filho (1893-1972)

Júlio de Abreu Filho (1893-1972). Cearense, nascido em Quixadá em 10 de dezembro de 1893, Júlio Abreu Filho concluiu o ensino fundamental no Colégio São José, na Serra do Estevão. Em Salvador, Bahia, estudou na Escola Politécnica, mas não terminou o curso. Em Ilhéus, trabalhou na Delegacia de Terras, órgão vinculado à Secretaria da Agricultura. Foi funcionário daquela prefeitura e da Estrada de Ferro Inglesa, onde teve importante participação na construção do trecho ferroviário entre Ilhéus e Vitória da Conquista. 

Em 1921, no Rio de Janeiro, foi empregado da empresa de energia Light. Nesta mesma empresa, em 1929, transferiu-se para São Paulo, onde trabalhou na construção da usina hidrelétrica do parque industrial de Cubatão. 

Entre os anos de 1934 e 1935 foi professor do magistério secundário em vários colégios de São Paulo, capital. Em 1936, tornou-se funcionário da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, no departamento de engenharia rural, organismo responsável por diversos e importantes projetos no interior do Estado. 

15 novembro 2025

Proclamação da República e Espiritismo

Em 15 de novembro de 1889, o Brasil deixou de ser monarquia — governado por um imperador, D. Pedro II — e passou a ser uma república, um sistema de governo em que o chefe de Estado é escolhido pelos cidadãos (direta ou indiretamente). Fato: Marechal Deodoro da Fonseca, apoiado por setores do exército, políticos e parte da elite, liderou um movimento militar que decretou o fim da monarquia, expulsou a família real imperial do Brasil e instalou um governo provisório republicano.

O capítulo 27 — “A República” do livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, pelo Espírito Humberto de Campos, mostra-nos o aspecto espiritual desse acontecimento, enfatizando que esta mudança política fazia parte de um processo necessário ao crescimento moral do povo brasileiro. A obra não é historiografia acadêmica — é uma narrativa espiritualista, que busca mostrar o papel espiritual do Brasil no mundo e a atuação de Espíritos na condução dos acontecimentos.

De acordo com Humberto de Campos, a proclamação da República Brasileira representa mais um passo para a consolidação da maioridade coletiva da nação do Evangelho. Isso quer dizer que doravante, o Brasil político será entregue à sua responsabilidade própria. Os amigos do espaço estarão inspirando toda a nação para que essa mudança se faça sem derramamento de sangue.

A Proclamação deve ser vista como “depuração” das estruturas imperiais. De acordo com o livro, o Império possuía méritos, mas também limites: 1) o governo monárquico não conseguia mais atender às exigências do progresso; 2) era necessário criar bases mais flexíveis para uma sociedade em expansão; 3) a República viabilizaria novas ideias, maior participação e transformações sociais

Para Humberto de Campos, os acontecimentos políticos têm finalidade espiritual. A República abre portas para: 1) liberdades civis maiores; 2) pluralidade religiosa e de pensamento; 3) redefinição da educação e do trabalho; 4) crescimento moral do povo. Mesmo com suas falhas históricas, o novo regime possibilitou transformações que conduzem, segundo o livro, ao papel futuro do Brasil como difusor do Evangelho redivivo.

 

 

14 novembro 2025

Roustainguismo e Espiritismo

Jean-Baptiste Roustaing (1805–1879) foi contemporâneo de Kardec. Apresentou-se como um intérprete dos evangelhos — Mateus Marcos, Lucas e João — sob a inspiração espiritual. Na sua obra Os Quatro Evangelhos: Revelação da Revelação defende o corpo fluídico de jesus, ou seja, um corpo aparente, ideia esta criada pelo docetismo (do grego dokein, “parecer”)

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, tem como base o pentateuco espírita — O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritíssimo, A Gênese e o Céu e o Inferno —, além das diversas obras complementares, em especial a Revista Espírita. Seus princípios fundamentais podem ser resumidos: existência e imortalidade da alma; comunicabilidade dos espíritos; lei de causa e efeito, reencarnação, evolução moral e intelectual.

Allan Kardec não aprovava a ideia de Roustaing sobre o corpo fluídico de Jesus. Defendia que Jesus tinha um corpo de carne como qualquer outro ser humano. Enquanto Roustaing dizia que Jesus não sofreu na cruz, Kardec afirmava o contrário. A única ressalva em relação a Jesus é que ele foi o ser humano mais perfeito que reencarnou na Terra. Dada a sua condição de espírito perfeito, o seu perispírito seria formado dos elementos mais sutis do globo. Nesse caso, a dor poderia ser amenizada, mas não suprimida de todo.  

Allan Kardec, no capítulo XV — "Os Milagres do Evangelho", do livro A Gênese, afirma que o corpo de Jesus era, pois, um corpo semelhante ao nosso. Negar a materialidade seria negar a encarnação, o que contradiz o princípio universal da reencarnação. 

No item 67 deste capítulo, diz: "Esta concepção sobre a natureza do corpo de Jesus não é nova. No quarto século, Apolinário de Laodiceia, chefe da seita dos Apolinaristas, pretendia que Jesus não tivesse possuído um corpo como o nosso, mas um corpo ‘impassível’, que descera do céu no seio da Santa Virgem, e não nascera dela; que, por essa forma Jesus não havia nascido nem sofrido, e que só morrera em aparência. Os Apolinaristas foram anatematizados no Concílio de Alexandria, em 360; no de Roma, em 374; e no de Constantinopla, em 381”.


 

12 novembro 2025

O Sentido Oculto do Roustainguismo

"O Sentido Oculto do Roustainguismo" é o título do capítulo VII da Segunda Parte do livro O Verbo e a Carne: Duas Análises do Roustainguismo, de autoria de José Herculano Pires e Júlio Abreu Filho, cuja publicação original é de 1972, pela editora Paideia.   

É o fechamento da série de artigos de análise do livro do Sr. Ismael Gomes Braga, feito por Júlio de Abreu Filho. 

Eis a transcrição deste capítulo: 

Nesta análise por vezes fomos ásperos, dessa aspereza chocante mas necessária nos ambientes espíritas. Mercê de Deus, entretanto, jamais nos afastamos daquela recomendação de Kardec: discutir sem disputar. Nunca deixamos de citar fielmente as fontes; nunca faltamos com o respeito à lógica, aos fatos, à verdade. Se, de passagem, fizemos referências a pessoas, vivas ou desencarnadas, jamais ferimos condições personalíssimas. É que essas criaturas estavam ligadas à projeção social de acontecimentos que interessam à gente espírita de modo muito particular.

Tomaram os espíritas como slogan número um o título de uma obra ditada pelo Espírito de Humberto de Campos: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Meditem os leitores sobre o conceito aí contido. É possível que o Espírito tenha lá as suas razões. Mas como? Quando?