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26 março 2020

Número e Fatalidade

Allan Kardec, na Revista Espírita de julho de 1868, discorre sobre uma pergunta que lhe foi feita várias vezes: o que você pensa sobre a concordância dos números, e se acredita no valor dessa ciência. Começa a sua análise, dizendo que ainda não tinha pensado no assunto. Observara alguns fatos de concordâncias singulares entre as datas e certos acontecimentos, mas em pequeníssimo número para deles tirar uma conclusão mesmo aproximativa.

Não via razão para tal concordância, mas o fato de não se compreender alguma coisa não significa que não seja verdadeira. Essa correlação pode ser traduzida por números. Contudo, não podemos dar-lhe o nome de ciência. "Uma ciência é um conjunto de fatos bastante numerosos para deles deduzir a regras, e suscetíveis de uma demonstração; ora, no estado de nossos conhecimentos, seria de toda impossibilidade dar dos fatos desse gênero uma teoria qualquer, nem nenhuma explicação satisfatória. Não é, ou, querendo-se, não é ainda uma ciência, o que não implica em sua negação".

Devemos estudar os fatos segundo a duração relativa. Em se tratando dos astros, os termos de comparação variam segundo os mundos, porque fora dos mundos o tempo não existe: não há unidade para medir o infinito. "Não parece, pois, que possa aí haver uma lei universal de concordância para a data dos acontecimentos, uma vez que a suposição da duração varia segundo os mundos, a menos que não haja, sob esse aspecto, uma lei particular para cada mundo ligada à sua organização, como delas há uma para a duração da vida de seus habitantes".

Caso essa lei realmente exista, ela será um dia reconhecida pelo Espiritismo, que é progressista e assimila todas as verdades, quando elas são constatadas. Tendo esta questão sido posta aos Espíritos, foi respondido:

"Certamente, há no conjunto dos fenômenos morais, como nos fenômenos físicos, relações fundadas sobre os números. A lei da concordância das datas não é uma quimera; é uma daquelas que vos serão reveladas mais tarde, e vos darão a chave de coisas que vos parecem anomalias; porque, crede-o bem, a Natureza não tem caprichos; ela caminha sempre com precisão e infalivelmente. Essa lei, aliás, não é tal como a supondes; para compreendê-la em sua razão de ser, seu princípio e sua utilidade, vos será preciso adquirir ideias que ainda não possuis, e que virão com o tempo. Para o momento, esse conhecimento seria prematuro, razão por que ele não vos é dado; seria, pois, inútil insistir. Limitai-vos a recolher os fatos; observai sem nada concluir, de medo de vos enganar. Deus sabe dar aos homens o alimento intelectual à medida que estão em estado de suportá-lo. Trabalhai sobretudo pelo vosso adiantamento moral, é o mais essencial, porque será por aí que merecereis possuir novas luzes."

Na Natureza, muitas coisas estão subordinadas a leis numéricas, suscetíveis dos mais rigorosos cálculos, principalmente o das probabilidades. É certo, pois, que os números estão na Natureza e que as leis numéricas regem a maioria dos fenômenos da ordem física. Ocorre o mesmo com os fenômenos de ordem moral e metafísica? Se os acontecimentos que decidem a sorte da Humanidade têm seus vencimentos regulados por uma lei numérica, é a consagração da fatalidade, e, então, em que se torna o livre-arbítrio do homem?

O Espiritismo jamais negou a fatalidade de certas coisas, mas ela não entrava o livre-arbítrio. Vejamos dois exemplos: 1) o ser humano deve fatalmente morrer; mas se ele apressa voluntariamente a sua morte pelo suicídio ou por excessos, ele age em virtude de seu livre-arbítrio; 2) o ser humano deve comer para viver: é da fatalidade; mas se come além do necessário, pratica ato de liberdade. A Natureza tem suas leis fatais que opõem ao homem uma barreira, mas ao lado da qual pode se mover à vontade.

"O homem pode, pois, ser livre em suas ações, apesar da fatalidade que preside ao conjunto; é livre em uma certa medida, no limite necessário para lhe deixar a responsabilidade de seus atos; se, em virtude dessa liberdade, ele perturba a harmonia pelo mal que faz, se coloca um ponto de parada à marcha providencial das coisas, ele é o primeiro a sofrer por isto, e como as leis da Natureza são mais fortes do que ele, acaba por ser arrastado na corrente; ele sente, então, a necessidade de reentrar no bem, e tudo retoma o seu equilíbrio; de sorte que o retorno ao bem é ainda um ato livre, embora provocado, mas não imposto, pela fatalidade".

Fonte de Consulta 

KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1968, "A Ciência da Concordância dos Números e a Fatalidade"


01 julho 2008

Numerologia e Espiritismo

Numerologia é o conjunto de regras, normas e combinações criadas ao longo dos séculos, que permitem, por meio de relações numéricas bem definidas, reconhecer se determinado nome (nome, apelido, pseudônimo, cognome, alcunha etc. de uma pessoa) encerra, em si, fatores de boa sorte ou de infortúnio. Em ocultismo, é o estudo e significado dos números e de sua influência no caráter e destino das pessoas.

numerologia foi criada pelos gregos há 23 séculos. Há, contudo, certos autores que pretendem que ela tenha sido cultivada pelos Caldeus há 40 séculos. Em termos filosóficos, Pitágoras foi o grande idealizador do número, dizendo que ele é a essência única das coisas que percebemos pelos sentidos, em sua representação fenomênica. O número um, a unidade, é o princípio de todas as coisas. O número dois, oposto de um, estabelece a reta. O número três representa o triângulo, que simboliza a trindade universal: Deus, Espírito e Matéria. O número quatro simboliza a realidade terrena, a vida. A soma desses números dá dez, o número soberano e simbólico que nos lança ao infinito.

A numerologia, segundo a interpretação do ocultismo, procura atribuir valores numéricos e suas respectivas vibrações a cada letra do alfabeto. A letra a, por exemplo, é igual a 1; a letra b é igual a 2; a letra o é igual a 6. Como se procede? Escreve-se o nome da pessoa, separam-se os valores atribuídos às vogais e os valores atribuídos às consoantes. A soma dos números atribuídos às vogais indica a individualidade da pessoa; a soma dos números atribuídos às consoantes indica a personalidade. Somando o total da individualidade e o total da personalidade, temos a síntese. Posteriormente, de acordo com algumas combinações, pode-se dizer se o sujeito é de bom caráter, vai ter boa ou má sorte na vida.

O Espírito Emmanuel, solicitado a opinar sobre o número sete, na pergunta 142 de O Consolador, diz: "Os números, como as vibrações, possuem a sua mística natural, mas em face de nossos imperativos de educação, temos de convir que todos os números, como todas as vibrações, serão sagrados para nós, quando houvermos santificado o coração para Deus, sendo justo, nesse particular, copiarmos a antiga observação do Cristo sobre o sábado, esclarecendo que os números foram feitos para os homens, porém, os homens não foram criados para os números".

Temas como astrologiasimbolismo do nome, influência dos objetos e cartomancia são lembrados nas perguntas 140, 141, 143 e 145 do livro acima citado. Nas respostas a estas questões, Emmanuel procura encaminhar o nosso pensamento para o devido respeito aos símbolos da sociedade, sem, contudo, deixar-nos influenciar pelo que vem de fora. Afirma-nos que o Evangelho solicita o nosso esforço pessoal para a resolução dos problemas atinentes à nossa evolução espiritual, e caso tenhamos nascido num dia aziago, isso deve ser motivo para nos aplicarmos ainda mais, com mais determinação.

Paulo, o apóstolo dos gentios, já nos dizia que deveríamos ler de tudo, mas ficarmos com aquilo que fosse bom. Um estudo sério do Espiritismo encurta o caminho à busca da verdade, impedindo-nos de longas divagações acerca de muitos assuntos.

Fonte de Consulta

TAHAN, Malba. Numerologia. 2. ed., Rio de Janeiro, CEA, 1971.

XAVIER, F. C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.