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01 julho 2008

Mito, Mística e Espiritismo

Em sentido próprio, o mito significa uma fábula arquitetada pela fantasia humana para personificar entidades do espírito ou da natureza; a mística, a união do homem com Deus. Em sentido figurado, o mito é a atribuição de um valor absoluto a uma entidade relativa; a mística, representa uma dedicação passional a essa entidade.

Hodiernamente, os mitos e a mística são tomados no sentido figurado. Para bem entender a sutileza desta significação, devemos situar os mitos entre a realidade objetiva e a fantasia. A realidade objetiva mostra o que a coisa é independentemente da observação do sujeito; a fantasia, sendo uma criação mental, distancia-se da realidade. Em outras palavras, os mitos atribuem um valor à realidade: eles não são como a verdade, que descobre valores.

Em termos filosóficos e políticos, há que se considerar o existencialismo, o marxismo e o liberalismo. O existencialismo, por exemplo, atribui um valor absoluto à existência atual, negligenciando as vidas passadas; o marxismo convida-nos a conquistar a justiça e a igualdade através da luta de classes; esquecem-se de que somos desiguais e por isso precisamos de níveis diferentes de renda; o liberalismo apoiando-se na espontaneidade deixa que cada um aja de acordo com a subjetividade de sua consciência; esquecem-se de que devemos agir de acordo com a consciência bem formada.

Em termos práticos, temos o enriquecimento, a tecnologia, o sexocultura e a religião. Somos impelidos a enriquecer e ter posição de destaque; caso não consigamos, somos desprezados pelos que o conseguiram. A tecnologia possibilitou ao homem o domínio da natureza; trouxe, porém o inconveniente de colocar a técnica acima de Deus. O sexualismo foi uma reação contra o puritanismo; descambou, contudo, para o sexo descontrolado. A cultura desenvolveu a inteligência humana; deslocou, entretanto, os atributos da inteligência e da potência divina, para a criação humana. A religião desenvolveu a crença em Deus; criou, contudo, uma idolatria que deturpou os sentimentos mais nobres da verdadeira mística.

Espiritismo não contém mitos, pois foi estruturado segundo o método teórico-experimental. Contudo nós, os espíritas, criamos muitos deles, entre os quais citamos: 1) o mito do mentor - quando aceitamos passivamente as determinações dos nossos mentores sem o cuidado de analisar racionalmente a mensagem transmitida; 2) o mito do trabalho forte - quando nos deixamos governar pela ilusão, aceitando que um trabalho espiritual, por exemplo, o de desobsessão é infinitamente superior ao trabalho de palestra evangélica; 3) o mito da pureza doutrinária - quando só consultamos os livros da codificação, negligenciando os ensinamentos trazidos pelos diversos médiuns espalhados pelo mundo todo.

Disponhamo-nos a ver o Espiritismo como ele é e não como gostaríamos que fosse. Se deixarmos de lado o nosso ponto de vista, não só nos libertaremos dos mitos como também adquiriremos uma vasta cultura espiritual.

Fonte de Consulta

LIMA, A. A. O Existencialismo e Outros Mitos do Nosso Tempo. 2. ed., Rio de Janeiro, Agir, 1956 (Obras Completas XVIII)

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/mito-e-mitologia


15 outubro 2005

Mística e Espiritismo

mística - do grego mystica, de myo, eu calo, é o termo utilizado para retratar a atividade que produz o contato da alma individual com o princípio divino. O modelo do pensamento místico é baseado no retiro de mundo, ou no desligamento das coisas do mundo e no da união com Deus para receber suas luzes.

iluminação súbita pode ser verificada pesquisando a biografia dos grandes pensadores. O filósofo Sócrates que viveu no século V a. C. teve seu insight depois de uma visita que fizera ao Oráculo de Delfos, quando, a partir daí, passou a ensinar o conteúdo da autoconsciência do homem. René Descartes (1596-1650) teve sonhos que lhe indicaram sua missão divina: construir o método para a nova ciência. O íntimo da maioria dos grandes pensadores mostra essa relação com o divino.

O retiro do mundo marca o modo e vida dos religiosos. Hugo de São Vitor distinguia cinco graus ascéticos: primeiro, lectio ou doutrina; segundo, a santa meditação; terceiro, a oração; quarto, a operação; quinto, a contemplação. Em França, no século XVII, funda-se o Oratório, uma instituição religiosa, cujo objetivo era não uma Doutrina Comum mas uma tendência comum para a vida interior e mística, concedendo aos seus adeptos a liberdade mais completa de reverenciar Deus.

Como interpretar o modelo do pensamento místico à luz do Espiritismo? No capítulo I de A Gênese, Allan Kardec trata do problema da revelação divina. Diz-nos que a revelação direta de Deus não é impossível, porém faz-nos entender que a revelação é feita através da mediunidade, ou seja, pelos Espíritos mais próximos de Deus que pela perfeição se imbuem do seu pensamento e podem transmiti-lo. O codificador do Espiritismo pretende, ao analisar o caráter da revelação espírita, desmistificar a facilidade da obtenção do conhecimento divino. Diz-nos que a revelação espírita é de origem divina e da iniciativa dos Espíritos, sendo sua elaboração fruto do trabalho científico do homem. Procede da mesma forma que as ciências naturais: observa, formula hipóteses e tira conclusões.

Algumas seitas pregam a vida de isolamento e o voto de silêncio. Os Espíritos superiores, referindo-se à Lei de Sociedade, advertem-nos o seguinte: se o indivíduo se isola com a finalidade de melhorar a sociedade em que vive, é meritório; se, ao contrário, é para fugir do contato humano, é condenável, pois implica na satisfação do egoísmo.

A missão do Espiritismo é libertar a consciência do indivíduo, projetando-lhe a luz da razão. O Espírita necessita do isolamento, do silêncio e da reflexão, contudo, deve certificar-se de que esse estado de espírito esteja sendo encaminhado para a melhoria de si mesmo e do meio em que habita.