25 agosto 2015

Remorso e Arrependimento




O remorso tem a sua utilidade: faz o Espírito culpado compreender a gravidade de suas faltas. 

Remorso. Do lat. remorsus, particípio passado de remordere, tornar a morder, significa inquietação, abatimento da consciência que percebe ter cometido uma falta, um erro. Em termos teológicos e morais, é o estado de pena interior depois de ter cometido um ato de violação à ordem moral. Arrependimento. Sentimento de pesar causado por violação de uma lei ou de uma conduta moral: resulta na livre aceitação do castigo e na disposição de evitar futuras violações.

Embora associados, remorso e arrependimento têm significados diferentes. O remorso é um sentimento e o arrependimento uma vontade: é a consciência dolorosa de uma falta passada, somada à vontade de evitá-la daí em diante e, se possível, repará-la. Em termos espíritas, o remorso é o prelúdio do castigo, enquanto o arrependimento, a caridade e a fé nos conduzirão à felicidade. 

Allan Kardec, na Revista Espírita de 1858, publica um diálogo feito com o ASSASSINO LEMAIRE, condenado à pena última pelo júri de Aisne, e executado a 31 de dezembro de 1857. Foi evocado em 29 de janeiro de 1858. Nas suas 41 respostas, anotamos duas pertinentes ao nosso tema: 1) "Eu estava imerso numa grande perturbação"; 2) "Um sofrimento intolerável, uma espécie de remorso pungente, cuja causa ignorava". 

O remorso é consequência de algo, algo que poderia ser apontado como a verdadeira chaga da sociedade, ou seja, a incredulidade. A incredulidade , não resta dúvida, é a causa de todas as desordens. A negação do princípio espiritual, a crença no nada depois da morte e as ideias materialistas preconizadas pelos homens influentes infiltram-se nas mentes dos jovens e sugam-lhes o ímpeto para devassar o invisível.

Remorso tem ligação com nossas escolhas e a consciência. A consciência produz dois efeitos diferentes: a satisfação de ter agido bem, a paz que deixa a consciência do dever cumprido, e o remorso que penetra e tortura quando se praticou uma ação reprovada por Deus, pelos homens ou pela honra. As nossas escolhas pertencem ao nosso livre-arbítrio. Se optarmos pelo bem, teremos, como consequência, mais liberdade; pelo mal, menos liberdade. A razão é simples: o bem livra o nosso Espírito do remorso, do arrependimento; o mal requer que refaçamos o erro cometido.

A pena do remorso não é eterna. De acordo com o Espiritismo, o prazo da expiação está subordinado ao melhoramento do culpado. Os trinta e três itens do código da vida futura podem ser resumidos em: arrependimento, expiação e reparação, ou seja, apagar os traços de uma falta e suas consequências. Nesse sentido, o arrependimento por si só não é suficiente; ele apenas prepara e suaviza a expiação. Uma ação má é um desvio com relação à Lei Natural; a sua consequência é a dor e o sofrimento.

Em síntese: ante uma falta grave, exercitemos o arrependimento e a expiação. Depois, metamos mãos à obra para reparar o que de errado fizemos. 


Nenhum comentário: