27 outubro 2017

Carma / Karman

Karma é um termo sânscrito que, literalmente, significa "ação" ou "feito". É o somatório de nossas ações, desta e de outras vidas; determina em que circunstâncias renascemos a cada vez. Na filosofia hindu e budista, é concebido como o princípio de causalidade universal: toda ação é causada por uma ação anterior e por sua vez provoca ações posteriores.

Oportunidade, sorte e acaso são incompatíveis com a lei do karma. Segundo esta lei, "Um homem transforma-se naquilo que faz, no modo como se comporta; sejam quais forem as obras que fizerem colherão o fruto delas; do outro mundo em que vive, regressa a este mundo de obras e de trabalho". Em outras palavras, tudo é determinado pela inflexível lei de causa e efeito. 

Para o budismo e o jainismo, o karma brota do desejo. Extinguindo-se este, extingue-se também o karma. Buda, "o iluminado", dá-nos, através das "Quatro Nobre Verdades"  a doutrina central do budismo –, orientações para vencer o desejo (sofrimento) e atingir o nirvana, um estado no qual todo o karma é anulado e uma pessoa pode sair do ciclo de renascimento.

O "Nobre Caminho Óctuplo" – o caminho para o fim do sofrimento  consiste em oito passos, sem um esquema definido, pois os passos são princípios (não ações). Os passos consistem em: 1.º na justa visão; 2.º na justa resolução; 3.º na justa linguagem; 4.º na justa conduta; 5.º no justo viver; 6.º no justo esforço; 7.º na justa mentalidade; 8.º na justa concentração. 

Na Índia, a crença no karma está espalhada com aspecto de fatalidade, não deixando abertura ao acaso. Diante dessa posição, acabamos visualizando o karma sempre como uma mácula (ação má) que tem de ser erradicada. Daí, usarmos indevidamente esta palavra, principalmente quanto dizemos para um parente: "Você é meu karma". 

Na lei do karma, o indivíduo é levado a pensar da seguinte forma: sendo bom, merecerá alta posição; sendo mal, baixa. Há casos em que o espírito pode reencarnar em forma animal. Nesta filosofia são levados em conta o motivo da ação, a ação propriamente dita e as consequências da ação. Quer dizer, mesmo não fazendo nada, estaremos criando um karma. 

Na concepção da Doutrina Espírita, a palavra carma ajusta-se à lei de ação e reação, porém sem a fatalidade que o termo incorpora, ou seja, sofrer e resgatar dívidas do passado. Em realidade, a reação nada mais é do que uma resposta – boa ou má –, em razão de nossas ações. Pergunta-se: se estamos praticando boas ações, por que aguardar o sofrimento?

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