20 maio 2009

Parábola do Bom Samaritano

Os Samaritanos são as pessoas naturais da Samaria. Desde a separação das dez tribos e a ereção do bezerro de ouro em Samaria, capital do reino de Israel, os samaritanos, porque admitiam somente o Pentateuco de Moisés, eram considerados heréticos e, ao mesmo tempo, desprezados, anatematizados e perseguidos pelos judeus ortodoxos.

Jesus, nesta parábola, traça as diretrizes do amor ao próximo. Escolhe o samaritano, considerado herege pelos judeus. Quer mostrar que o amor é universal e pode ser vivenciado em qualquer circunstância, quer seja de afeto, quer seja de adversidade. Em vista de o samaritano ceder o seu tempo, o seu dinheiro e a sua pessoa para ajudar o seu próximo, que nem sabia quem era, esta parábola é considerada o fundamento básico do conceito de caridade, que é a perfeição do amor.

Além desta parábola, há também o episódio do poço de Samaria e dos dez leprosos, os dois referindo-se ao samaritano. O poço de Samaria é retratado assim: Vindo tirar água uma mulher (Fotina) da Samaria, disse-lhe Jesus: "Dá-me de beber". Respondeu-lhe, porém, esta samaritana: "Como! Vós que sois judeus, me pedis de beber, a mim que sou samaritana?". Os judeus não conversavam com os samaritanos, mas Jesus fez questão de puxar prosa com esta mulher. No episódio dos dez leprosos curados, somente um veio agradecer, o samaritano.

Jesus inicia esta parábola com a pergunta do doutor da lei, ou seja, de um especialista no estudo da torah, porção da bíblia judaica conhecida como lei, equivalente aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. O doutor da lei queria saber o que ele devia fazer para possuir a vida eterna. Jesus lhes respondeu: "Que está escrito na lei? Que ledes nela? Ele lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, de todas as vossas forças e de todo o vosso espírito, e vosso próximo como a vós mesmos". Jesus lhe disse: Respondeste muito bem; fazei isso e viverás.

Jesus respondeu à pergunta com outra pergunta. A resposta do doutor da lei mostra que ele conhece a lei, mas a conhece na letra, não na prática. E é isso que Jesus quer lhe mostrar, fazê-lo refletir sobre esse ponto. Mais adiante explicita o amor ao próximo, contando uma pequena história: havia um homem caído, passara um sacerdote e um levita, sem lhe dar atenção. Em seguida, veio o samaritano, que o socorreu. Daí, a pergunta: quem foi o próximo? Para se ter amor ao próximo é preciso ver, sentir a contrição do seu semelhante e ter um sentimento de piedade pela miséria alheia.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que no quadro desta parábola é preciso separar a figura da alegoria. A homens que estavam ainda na infância da espiritualidade, Jesus precisou utilizar-se de imagens materiais, surpreendentes e capazes de impressionar. Mas ao lado dessa parte acessória e figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade que espera o justo e da infelicidade reservada ao mau. Jesus não fala das convenções externas da religião; simplesmente quer exaltar a caridade, o único meio de salvação da alma.

É por esta razão que Jesus coloca o Samaritano, considerado herético, acima do ortodoxo que falta com a caridade.


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