14 agosto 2018

Idolatria

“Não vos façais, pois, idólatras” (Paulo, I Coríntios, 10:7)

Idolatria é a adoração de ídolos. Figuradamente, amor exagerado. Ídolo. Figura, estátua que representa uma divindade que se adora. Imagem. Representação mental que retrata um objeto externo percebido pelos sentidos. As imagens podem ser: escultóricas, pictóricas e literárias.

Há diferença entre ídolo e imagem: ídolo  absoluto e opaco  representa sempre um termo final de veneração; a imagem  relativa e transparente  sempre se refere ao outro. Quanto ao culto às imagens, percebemos que no judaísmo há proibição; no cristianismo, há tanto liberação quanto proibição. Muitos autores e cristãos antigos se opuseram à adoração das imagens por medo da idolatria.

A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, não estimula a idolatria, mas os espíritas acabam caindo nesse crasso erro de adoração. Há ainda espíritas que tratam Jesus como sendo Deus. Mas, segundo as orientações espíritas, devemos entender que Jesus é filho de Deus e não o próprio Deus. E para tirarmos o ranço de idolatria, talvez fosse interessante usar o termo Lei de Reverência em vez de Lei de Adoração.

Presentemente, há um culto cego ao que os líderes falam. Basta um orador espírita se tornar famoso e tudo o que escreve e fala acaba se tornando uma verdade. À maioria dos devotos falta um olhar crítico. Lembremo-nos da posição de Allan Kardec que preferia rejeitar nove verdades a aceitar uma só como erro.

Para auxiliar o nosso pensamento a respeito do assunto.

Estamos sempre à procura de um ídolo, de um salvador porque não meditamos sobre o sapere aude! ("atreva-se a conhecer" ou "ouse saber" ) de Kant.

“É indispensável evitar a idolatria em todas as circunstâncias. Suas manifestações sempre representaram sérios perigos para a vida espiritual.” (Espírito Emmanuel)

Sobre a adoração exterior, vejamos o que Allan Kardec diz em O Livro dos Espíritos (Cap. II - Livro Terceiro, perg. 653-a): "Sim, se não for um fingimento. É sempre útil dar um bom exemplo; mas os que a fazem somente por afetação e amor-próprio, e cuja conduta desmente a sua aparente piedade, dão um exemplo antes mau do que bom, e fazem maior mal do que supõem".

Observe, também, o exemplo de Chico Xavier, que disse: – Considero-me, na mediunidade, um animal em serviço. Eu sou um animal a serviço dos bons espíritos, e nunca fiz mistério disto. E todas as vezes em que me externei a respeito do assunto, nunca me vi, absolutamente, como uma pessoa privilegiada. Sou uma criatura de condição muito primitiva. Não sei como os espíritos me suportam. Cada vez mais eu sinto a minha desvalia, porque nada tenho a dar de mim. O problema da idolatria corre por conta daqueles que gostam dos mitos.

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