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10 junho 2026

Divisão da Lei Natural

Na questão 648 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec propõe — inspirado na estrutura mosaica — a divisão da lei natural em dez partes fundamentais: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, justiça, amor e caridade.

Os méritos dessa divisão residem em sua flexibilidade e na cobertura abrangente das dimensões essenciais da existência humana. Ao espelhar-se nos Dez Mandamentos de Moisés, ela facilita o diálogo com o cristianismo tradicional. Além disso, a proposta se destaca ao elevar o progresso à categoria de lei natural e ao enfatizar que a justiça, o amor e a caridade constituem a lei máxima, que resume e coroa todas as outras.

Por outro lado, a divisão apresenta certa falta de rigor filosófico, gerando sobreposições inevitáveis — como o trabalho, que se interliga diretamente com a conservação e o progresso. Embora seja extremamente útil no Ocidente, essa estrutura pode não capturar as nuances de culturas não ocidentais. Há também o risco de que a fragmentação do que é uno e indivisível (a Lei Divina) em dez partes acabe por prejudicar a compreensão de sua totalidade. Por fim, vale notar o componente histórico: o texto reflete o século XIX, uma época que obviamente não antecipava dinâmicas contemporâneas como a internet e a inteligência artificial.

A divisão proposta por Kardec deve ser entendida como uma atualização ou expansão racional da revelação mosaica. Não se trata de uma substituição, mas de uma forma de organizar a Lei Divina de modo mais dinâmico e aplicável à vida humana integral. Existe uma diferença fundamental de abordagem: A Lei Mosaica: É predominantemente proibitiva ou "negativa" ("Não farás..."). A Abordagem Espírita: Transforma esses preceitos em leis "positivas" e proativas, que descrevem os princípios universais da ação e da evolução.

Para uma compreensão ainda mais profunda, vale a comparação com o Evangelho de Mateus (22:36-40): "Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas."

Embora a divisão em dez partes não deva ser interpretada de forma estanque ou literal, ela permanece como uma ferramenta pedagógica valiosa para organizar os deveres humanos de forma clara, prática e totalmente orientada à evolução espiritual.


01 março 2026

Allan Kardec e O Livro dos Espíritos

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, nascido em 3 de outubro de 1804 e desencarnado em 31 de março de 1869, foi a pessoa escolhida para codificar a Doutrina dos Espíritos, um novo marco na história da Humanidade. O Livro dos Espíritos contém os fundamentos básicos para a compreensão de todo o arcabouço filosófico do Espiritismo e suas consequências para a mudança comportamental dos indivíduos. Elaboremos algumas ideias.

Allan Kardec, além de professor, era também estudioso do magnetismo. Em 1854, o seu amigo Fortier, magnetizador, dissera-lhe que se podia magnetizar uma mesa; tempos depois, acrescentara que a mesa, além de ser magnetizada, podia também falar. É desse diálogo que brota o seguinte pensamento de Kardec: "Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula. Até lá, permita que eu não veja no caso mais do que um conto para fazer-nos dormir em pé".

Em 1855, Allan Kardec começou a frequentar as reuniões mediúnicas na casa do Sr. Baudin, em que a médium Caroline intermediava o Espírito Zéfiro, o qual respondia às perguntas das pessoas presentes. Ele levava um caderno e anotava tudo o que lhe chamava a atenção. Certo dia, quebrando o hábito, indagou se lhe era possível evocar o Espírito Sócrates. Zéfiro responde que Sócrates tem assistido àqueles colóquios, pois você o consulta amiúde mentalmente. Kardec confessa que realmente tinha pensado no filósofo grego na expectativa de obter dele a verdadeira "filosofia dos Espíritos". Posteriormente, levava as suas próprias perguntas, o que lhe deu o ensejo de editar O Livro dos Espíritos.

A primeira edição de O Livro dos Espíritos era em formato grande, in-8.º, com 176 páginas de texto, e apresentava o assunto distribuído em duas colunas. 501 perguntas e respectivas respostas estavam contidas nas três partes em que então se dividia a obra: "Doutrina Espírita", "Leis Morais" e "Esperanças e Consolações". Sobre a publicação do livro, G. Du Challard diz: "O Livro dos Espíritos, do Sr. Allan Kardec, é uma página nova do próprio grande livro do infinito e, estamos persuadidos, uma marca será posta nesta página". Atualmente, O Livro dos Espíritos contém 1019 questões.

O conteúdo filosófico, exposto em O Livro dos Espíritos, tem aproximadamente 150 anos de existência. E o que são 150 anos para a mudança de mentalidade? Muito pouco. Na prática, verificamos que pensamento coletivo ainda está fortemente alicerçado nos preconceitos e superstições das religiões oficiais. Contudo, para que haja um verdadeiro progresso espiritual da Humanidade, urge sairmos para semear a boa semente, no sentido de tornarmos público os conhecimentos espíritas mesmo, que para isso, soframos o desprezo e o ódio daqueles que não estão capacitados a perceber essa nova verdade.

Estudemos criteriosamente O Livro dos Espíritos. Somente assim poderemos ser a verdadeira luz para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de entrar em contato com este libertador de consciências.

 




14 novembro 2025

Roustainguismo e Espiritismo

Jean-Baptiste Roustaing (1805–1879) foi contemporâneo de Kardec. Apresentou-se como um intérprete dos evangelhos — Mateus Marcos, Lucas e João — sob a inspiração espiritual. Na sua obra Os Quatro Evangelhos: Revelação da Revelação defende o corpo fluídico de jesus, ou seja, um corpo aparente, ideia esta criada pelo docetismo (do grego dokein, “parecer”)

O Espiritismo, codificado por Allan Kardec, tem como base o pentateuco espírita — O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritíssimo, A Gênese e o Céu e o Inferno —, além das diversas obras complementares, em especial a Revista Espírita. Seus princípios fundamentais podem ser resumidos: existência e imortalidade da alma; comunicabilidade dos espíritos; lei de causa e efeito, reencarnação, evolução moral e intelectual.

Allan Kardec não aprovava a ideia de Roustaing sobre o corpo fluídico de Jesus. Defendia que Jesus tinha um corpo de carne como qualquer outro ser humano. Enquanto Roustaing dizia que Jesus não sofreu na cruz, Kardec afirmava o contrário. A única ressalva em relação a Jesus é que ele foi o ser humano mais perfeito que reencarnou na Terra. Dada a sua condição de espírito perfeito, o seu perispírito seria formado dos elementos mais sutis do globo. Nesse caso, a dor poderia ser amenizada, mas não suprimida de todo.  

Allan Kardec, no capítulo XV — "Os Milagres do Evangelho", do livro A Gênese, afirma que o corpo de Jesus era, pois, um corpo semelhante ao nosso. Negar a materialidade seria negar a encarnação, o que contradiz o princípio universal da reencarnação. 

No item 67 deste capítulo, diz: "Esta concepção sobre a natureza do corpo de Jesus não é nova. No quarto século, Apolinário de Laodiceia, chefe da seita dos Apolinaristas, pretendia que Jesus não tivesse possuído um corpo como o nosso, mas um corpo ‘impassível’, que descera do céu no seio da Santa Virgem, e não nascera dela; que, por essa forma Jesus não havia nascido nem sofrido, e que só morrera em aparência. Os Apolinaristas foram anatematizados no Concílio de Alexandria, em 360; no de Roma, em 374; e no de Constantinopla, em 381”.


 

12 novembro 2025

O Sentido Oculto do Roustainguismo

"O Sentido Oculto do Roustainguismo" é o título do capítulo VII da Segunda Parte do livro O Verbo e a Carne: Duas Análises do Roustainguismo, de autoria de José Herculano Pires e Júlio Abreu Filho, cuja publicação original é de 1972, pela editora Paideia.   

É o fechamento da série de artigos de análise do livro do Sr. Ismael Gomes Braga, feito por Júlio de Abreu Filho. 

Eis a transcrição deste capítulo: 

Nesta análise por vezes fomos ásperos, dessa aspereza chocante mas necessária nos ambientes espíritas. Mercê de Deus, entretanto, jamais nos afastamos daquela recomendação de Kardec: discutir sem disputar. Nunca deixamos de citar fielmente as fontes; nunca faltamos com o respeito à lógica, aos fatos, à verdade. Se, de passagem, fizemos referências a pessoas, vivas ou desencarnadas, jamais ferimos condições personalíssimas. É que essas criaturas estavam ligadas à projeção social de acontecimentos que interessam à gente espírita de modo muito particular.

Tomaram os espíritas como slogan número um o título de uma obra ditada pelo Espírito de Humberto de Campos: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho. Meditem os leitores sobre o conceito aí contido. É possível que o Espírito tenha lá as suas razões. Mas como? Quando?

30 outubro 2025

Pedagogia: Jesus e Kardec

Pedagogia. Do grego paidogogia, formada por pais / paidós “criança”, agogós, “aquele que conduz, guia", ago, “conduzir, guiar”. Na Grécia Antiga, paidagogós não era professor, mas sim o escravo encarregado de acompanhar a criança até a escola, cuidar de sua conduta e garantir que estudasse. Literalmente, paidagogos era “aquele que conduz a criança”, ou seja, o guia da criança.

Com o tempo, o termo passou a designar não apenas o acompanhante físico da criança, mas aquele que a orienta na aprendizagem e na formação moral e intelectual. Assim, “pedagogia” evoluiu para significar: “A arte ou ciência de educar e instruir as crianças.” Hoje, o termo abrange a teoria e prática da educação, em sentido amplo, incluindo métodos, princípios e filosofia do ensino.

Pedagogia de Jesus. Jesus não era um pedagogo no sentido atual, pois não foi formado em nenhuma faculdade. A sua abordagem educacional pode ser extraída dos ensinamentos práticos, principalmente aqueles registrados nos evangelhos. Seus princípios fundamentais são: 1) ensino pelo exemplo (fala e ação); 2) respeito pela individualidade; 3) amor incondicional ao próximo; 4) ensinamento por parábolas (histórias simples para uma reflexão profunda).

Pedagogia espírita. Pode-se entender como o modo de conduzir o ser humano em seu processo de aprendizado e progresso moral, segundo os princípios do Espiritismo, codificados por Allan Kardec. Eis alguns pontos: 1) educação moral e espiritual; 2) reencarnação e evolução espiritual; 3) responsabilidade individual e coletiva; 4) desenvolvimento da consciência.

Para mais informações, consultar o livro Pedagogia Espírita do prof. J. Herculano Pires, editado pela Edicel em 1985. Nele encontraremos ensinamentos sobre o mistério do ser, educação integral, a pedagogia de Jesus, a didática de Kardec, o Espiritismo nas escolas, a pedagogia espírita, entre outros.

Podemos dizer que tanto a pedagogia de Jesus quanto a espírita tem um único objetivo: desenvolvimento integral do ser humano.

12 junho 2023

Gênese Mosaica

Os seis dias da criação podem ser retratados da seguinte forma: no primeiro dia, Deus criou o céu e a terra; no segundo dia, a separação das águas que estão sob o firmamento das que estão embaixo; no terceiro dia, as águas que estão sob o firmamento se ajuntam; o elemento árido aparece; a terra e os mares; as plantas; no quarto dia, o Sol, a Lua e as estrelas; no quinto dia, os peixes e os pássaros; no sexto dia, os animais terrestres. O homem.

A ciência entende os seis dias como se fossem seis períodos, ou seja, o primeiro dia corresponderia ao período astronômico, o segundo dia, ao período primário; o terceiro dia, ao período de transição; o quarto dia, ao período secundário; o quinto dia, ao período terciário [dilúvio]; o sexto dia, ao período quaternário [pós-diluviano].

Na comparação entre ciência e Bíblia, Allan Kardec diz que os períodos geológicos não correspondem rigorosamente aos dias da criação. Em se tratando da sucessão dos seres orgânicos, é bem próxima, principalmente quando coloca o homem em último lugar. Igualmente há coincidência, não com a ordem numérica dos períodos, mas com o fato, na passagem onde se diz que, no terceiro dia, "as águas que estão sob o céu se juntaram num só lugar, e o elemento árido apareceu".

Allan Kardec analisa, também, neste capítulo, os erros cometidos por Moisés. Diz que para compreender certas partes do Gênese, necessariamente será preciso colocar-se no ponto de vista das ideias cosmogônicas do tempo da qual é o reflexo. Um dos pontos principais é se a luz surgiu antes do Sol. Explica-nos que o Sol não é o princípio da luz universal. O Sol é a causa da luz que espalha, porém é o efeito em relação à que recebeu.

Sobre a afirmação de que Deus formou o homem com o limo da Terra, Moisés tem razão, pois o corpo do homem é composto de elementos hauridos na matéria inorgânica, o que de outro modo se diz, do limo da terra.

Sobre a afirmação de a mulher ser formada da costela de Adão, Allan Kardec complementa que essa alegoria pueril tem um sentido profundo, ou seja, mostrar que o homem e a mulher são da mesma natureza, iguais perante Deus, e não uma criatura à parte, feita para ser usada como escrava e tratada como se fosse uma pária.

Perda do paraíso. Adão não é um homem, mas a personificação da humanidade. Esta passagem diz respeito à progressão dos mundos. Logo que um mundo tem chegado a um de seus períodos de transformação, a fim de ascender na hierarquia dos mundos, operam-se mutações na sua população encarnada e desencarnada. É quando se dão as grandes emigrações e imigrações.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. A Gênese (Capítulo XII — "Gênese Mosaica — Os seis dias... Perda do paraíso")

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/g%C3%AAnese-mosaica


28 dezembro 2022

O Bem e o Mal

“O Bem e o Mal” refere-se ao capítulo III, do livro A Gênese, de Allan Kardec. Abaixo, fizemos um pequeno resumo:

Origem do mal. O mal não pode ter origem em Deus, que é todo bondade, todo sabedoria, todo justiça. O que é infinitamente justo não pode produzir injustiça.

Satanás. Se houvesse tal entidade, ela seria igual a Deus ou lhe seria inferior. No primeiro caso, haveria duas potências em luta; no segundo, esta entidade lhe seria inferior, portanto, ser-lhe-ia subordinada. Consequentemente, Deus teria criado o Espírito do mal, o que seria a negação da infinita bondade.

Causa do mal. Há duas espécies de mal: o que podemos evitar e o que é independente de nossa vontade. Dada a limitação do nosso conhecimento, não conseguimos vislumbrar o conjunto da obra de Deus, e consideramos as coisas más e injustas que, sob outro ponto de vista, seriam totalmente boas e justas.

Flagelos naturais. O ser humano, usando a sua inteligência, e tendo a grande ajuda da ciência, consegue prever alguns flagelos naturais. Com isso, pode ajudar a minorar o mal que tal flagelo poderia causar à humanidade.  

Utilidade dos males. Incitamento à pesquisa dos meios de subtrair esses males, o que é um grande exercício para sua inteligência e de todas as suas faculdades físicas e morais.  "A dor é o aguilhão que empurra o homem para a frente na via do progresso".

Males mais numerosos. São aqueles que o homem criou para si mesmo, por seus próprios vícios, aqueles que provêm de seu orgulho, de seu egoísmo, de sua ambição, de sua cobiça, de seus excessos em todas as coisas.

“Deus estabeleceu leis cheias de sabedoria, as quais não têm outra finalidade senão o bem; o homem encontra em si mesmo tudo o que é necessário para segui-las; seu caminho é traçado por sua consciência; a lei divina está gravada em seu coração; e além disso, Deus as faz lembrar sem cessar, por seus messias e seus profetas, por todos os Espíritos encarnados que receberam a missão de esclarecê-lo, moralizá-lo, aperfeiçoá-lo, e nestes últimos tempos, pela multidão de Espíritos desencarnados que se manifestam em todos os lugares. Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não é duvidoso que evitaria os males mais amargos, e que viveria feliz sobre a terra. Se não o faz, é em virtude de seu livre-arbítrio, e disso ele sofre as consequências”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, ns. 4, 5, e 6 e seguintes).

Remédio o mal proporciona. Chega um momento em que o excesso do mal torna-se intolerável e obriga o homem mudar o seu caminho. Consequentemente, será obrigado a procurar um remédio no bem.

O mal é a ausência do bem. Onde o bem não existe, forçosamente há a presença do mal. Deixar de praticar o mal já é fazer o bem. "Deus não quer senão o bem; o mal provém unicamente do homem".

Sobre as imperfeiçoes do homem. De acordo com o seu livre-arbítrio, o homem não é levado nem ao bem nem ao mal. Deus quis que, pelas suas escolhas, fosse progredindo entre erros e acertos até atingir a perfeição, que é o seu ponto de chegada.

A função das paixões. No começo da jornada espiritual, tem mais necessidades materiais. Conforme o tempo vai passando, passa a ter necessidades intelectuais e morais. "O que outrora era um bem, porque era uma necessidade de sua natureza, torna-se um mal, não somente porque não é mais uma necessidade, mas porque tal se torna nocivo à espiritualização do ser".

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/bem-e-o-mal-o



26 dezembro 2022

Espiritismo entre os Druidas, O

Baseado num texto céltico, que não se sabe a autoria, cuja aparição causou uma certa emoção no mundo sábio.

Na leitura do tema “O Espiritismo entre os Druidas”, contido na edição de abril de 1858, da Revista Espírita, de Allan Kardec, anotamos os seguintes tópicos:

Ponto de partida. Há, em toda parte traços da Doutrina Espírita, ou seja, da universalidade da doutrina que os Espíritos nos ensinam. Coube à época de Kardec coordenar esses fragmentos esparsos entre todos os povos, para chegar à unidade de princípios.

Desfiguração da doutrina dos druidas. A ignorância e os preconceitos contribuíram para essa desfiguração. Acabamos conhecendo a doutrina druida somente pelos seus aspectos exteriores, tais como, sacrifícios sangrentos e culto sagrado ao carvalho. Contudo, elevava-se, sob certos aspectos, até as mais sublimes verdades; mas essas verdades eram apenas para os seus iniciados.

Mesmo convertido ao cristianismo, o druidismo não se extinguiu por completo. Os druidas tiveram uma sociedade solidamente constituída, voltada principalmente, em aparência, ao culto da poesia nacional, mas que, sob o manto poético, conservou com fidelidade notável a herança intelectual da antiga Gaule.

As tríades. Os desenvolvimentos contidos nas tríades estariam fora do cristianismo. Sabe-se que os druidas tinham uma predileção particular pelo número três, e o empregavam especialmente, assim como no-lo mostram a maioria dos monumentos gauleses.

Distribuição da tríades. As onze primeiras estão consagradas à exposição dos atributos característicos da Divindade. Em seguida aos princípios gerais, relativos à natureza de Deus, o texto passa a expor a constituição do Universo.

Resumo da teologia druida. As almas nascem no fundo do Universo, no abismo (annoufn); daí, essas almas passam no círculo de migrações (abred), onde seu destino se determina através de uma série de existências, conforme o uso bom ou mau que fizerem da sua liberdade; enfim, elas se elevam ao círculo supremo (gwynfyd), onde as migrações cessam.

Traço característico dessa teologia. Consiste na ausência de um círculo particular, tal qual o Tártaro da antiguidade pagã, destinado à punição sem fim das almas criminosas.

Pontos de contato com o espiritismo. No espiritismo, temos a escala espírita, com suas ordens e classes. Há grande semelhança com os círculos Cegant, Gwynfyd e Abred da escala druida.

Lembrete: o druidismo admite o possível retorno às camadas inferiores, enquanto o Espírito, conforme o Espiritismo, pode permanecer estacionário, mas não pode degenerar. 


13 julho 2022

Revista Espírita de 1858: Apresentação da Obra

A coleção da Revista Espírita é a mais prodigiosa fonte de informações sobre o espiritismo e de instruções doutrinárias. Allan Kardec a indica, no capítulo 3.º de O Livro dos Médiuns, como obra indispensável para o estudo da Doutrina. Aconselha mesmo a seguinte ordem para esse estudo: 1.º) O que é o Espiritismo; 2.º) O Livro dos Espíritos; 3.º) O Livro dos Médiuns; e 4.º) a Revista Espírita. Considera o primeiro livro indicado como simples introdução, os dois seguintes como fundamentais e a Revista como obra complementar, no sentido exato da palavra, ou seja, destinada a completar o ensino básico de O Livro dos Espíritos e de O Livro dos Médiuns.

Eis como ele se refere à Revista Espírita, no trecho referido: “Variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição das duas obras precedentes, e que representa de alguma maneira a sua aplicação. Sua leitura pode ser feita ao mesmo tempo que a daquelas obras, mas será mais proveitosa e sobretudo mais compreensível após a leitura de O Livros dos Espíritos”.

Esta expressão de Kardec: e que representa de alguma maneira a sua aplicação dá à Revista Espírita uma posição excepcional no conjunto da Codificação, a de verdadeiro documentário, com um sentido ainda mais significativo e valioso que é o de relatório científico e histórico. Aliás, o próprio Kardec escreveria mais tarde, como se pode ler em Obras Póstumas, no capítulo X da Constituição do Espiritismo: “... A Revista foi até agora, e não podia deixar de ser, uma obra pessoal, visto que fazia parte de nossas obras doutrinárias, constituindo os Anais do Espiritismo. Por seu intermédio é que todos os princípios novos foram elaborados e entregues ao estudo. Era pois necessário conservar o seu caráter individual, para que se estabelecesse a unidade.

O Codificador, portanto, é o primeiro a mostrar a importância da Revista Espírita no conjunto da Codificação. Até agora, entretanto, essa obra era simples raridade bibliográfica, reservada ao conhecimento de alguns privilegiados que a possuíam no original francês. E é inacreditável que no Brasil, onde o Espiritismo encontrou por assim dizer o clima espiritual mais apropriado ao seu desenvolvimento, só agora a Revista Espírita seja colocada ao alcance do público, em tradução para a nossa língua. Kardec revela, como vimos, que a Revista foi o seu mais importante instrumento de pesquisa, verdadeira sonda para a captação das reações do público, ao mesmo tempo que instrumento de divulgação e defesa da Doutrina. Mais do que isso, porém, constitui-se numa espécie de laboratório em que as manifestações mediúnicas, colhidas por todo o mundo, eram examinadas à luz dos princípios de O Livro dos Espíritos e controladas pelas experiências da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e pelas novas manifestações espirituais recebidas.

É nas suas páginas que os atuais estudiosos da fenomenologia espírita encontrarão os elementos necessários à ampliação dos seus conhecimentos e à consequente formação de uma sólida cultura doutrinária. Todas as atuais questões surgidas no meio espírita, a respeito de aspectos e pontos da Doutrina, serão elucidadas pelo estudo atencioso do gigantesco acervo desta coleção. Ocorrências que hoje parecem novas e aturdem alguns praticantes e estudiosos do Espiritismo têm aqui os seus precedentes registrados, com as soluções já então oferecidas pelo admirável bom senso de Kardec, aliado às instruções constantes que recebia de seus guias espirituais. Por isso podemos afirmar que a publicação desta coleção marca uma nova era do Espiritismo no Brasil e em todo o continente. Já não é possível a um espírita estudioso prescindir da leitura e do exame dos doze volumes desta coleção.

Allan Kardec, durante onze anos e quatro meses de trabalho intensivo, ofereceu-nos, ao vivo, toda a História do Espiritismo, no processo de seu desenvolvimento e sua propagação no século dezenove. Podemos acompanhar nestas páginas, passo a passo, o esforço ao mesmo tempo grandioso e minucioso de Kardec na construção metódica da Doutrina e na estruturação do movimento espírita. A História do Espiritismo se nos apresenta, assim, como uma forma de vivência que se autofixou na escrita. Podemos senti-la e revivê-la no registro preciso das reuniões, das pesquisas, das comunicações espirituais e dos trabalhos vários da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dos grupos familiares e dos Centros Espíritas, bem como das Sociedades estrangeiras a ela ligadas. Nada se oculta ao leitor. Os problemas, as preocupações de Allan Kardec, suas lutas dentro e fora do meio espírita, suas vitórias tranquilas, sua resistência à calúnia, à mentira, à difamação, sua fé inabalável, tudo isso palpita nestas páginas e nos dá a impressão de vivermos ao lado do Codificador, na sua época.

Numerosas questões apenas afloradas nos livros da Codificação, que não podiam abranger tudo nem tudo esmiuçar, são amplamente tratadas na Revista, com todos os seus pormenores, e exaustivamente analisadas. Problemas como os referentes à mediunidade curadora em seus vários aspectos; aos casos de obsessão e possessão; ao desenvolvimento mediúnico; aos métodos de trabalho prático e teórico; à legitimidade das comunicações e à prevenção das mistificações (que não são um problema espírita, mas humano, pois a mistificação está presente em todos os campos das atividades humanas na Terra); das vidas sucessivas e das formas de reencarnação consciente e inconsciente, neste e em outros mundos; da existência de espíritos não-humanos (que tem servido de arma para ataques de espiritualistas diversos contra o Espiritismo, simplesmente por desconhecerem a posição doutrinária no assunto) são todos esclarecidos de maneira viva na Revista, ou seja, através de exemplos e comunicações a respeito, além das análises de Kardec. Veja-se, no tocante a esse último problema, as comunicações de Espíritos que se apresentam como Gênio das Flores, Anjo das Crianças, os chamados elementares da Teosofia e do Ocultismo.

Capítulo dos mais importantes e estreitamente ligado às pesquisas parapsicológicas atuais é o das manifestações de pessoas vivas. Esse capítulo se estende por toda a coleção através dos relatos de fatos espontâneos e principalmente dos relatórios de pesquisas. Além dos relatórios há o registro ao vivo das sessões da Sociedade em que se faziam evocações experimentais nesse campo. Registros minuciosos, com todas as perguntas e respostas do diálogo entre Kardec e o Espírito manifestante e com todas as informações necessárias ao esclarecimento do assunto. A questão do animismo, sempre levantada contra o Espiritismo, apesar das refutações magistrais e clássicas de Bozzano e Aksakof, foi assim resolvida em definitivo por Kardec, muito antes do trabalho desses cientistas, e resolvida de maneira científica, através dos trabalhos experimentais. É Assim que não só o animismo, mas também os problemas do inconsciente, do automatismo psíquico, da escrita automática, das funções psi em todas as suas modalidades atuais e em outras ainda nem afloradas, do magnetismo e do hipnotismo, das relações psicossomáticas e outras mais, todos esses problemas são enfrentados de maneira científica nestas páginas e levados à devida solução.

Os adversários honestos do Espiritismo encontram nesta coleção a possibilidade de conhecer amplamente a questão espírita e temos a certeza de que muitos deles, após a leitura atenta destes volumes, poderão às conclusões finais de Cesare Lombroso e Charles Richet, rendendo homenagem ao bom senso e ao critério científico de Kardec. Quanto aos adversários sistemáticos, sectários ou de má fé nada podemos esperar, sendo a tentativa de desmerecer a grandeza da obra e a sua verdadeira significação na História do Conhecimento. A propósito, a Revista nos oferece ainda o exemplo das respostas de Kardec aos agressores do Espiritismo. Já naquela época a situação era a mesma: os adversários ignoravam o assunto. Kardec lhes mostra com bom senso e firmeza a fragilidade dos seus argumentos, repele os seus gracejos e as suas ironias em nome da seriedade dos problemas em causa, convida-os a estudar a Doutrina ou a se aprofundarem mais nas próprias questões que levantaram, usando às vezes de energia, porém jamais esquecido da caridade, que foi a bússola constante de sua vida e de todas as suas atividades.

Há ainda um capítulo importante de Psicologia, que se desenvolve nestes volumes: o da natureza dos animais e de suas relações com os homens. As pesquisas psicológicas nesse campo foram bastante intensificadas nos princípios de nosso século e hoje vão sendo enriquecidas com a contribuição das investigações parapsicológicas. Nos Estados Unidos e na Rússia, particularmente, os parapsicólogos se interessam pela verificação das funções psi nos animais. O Espiritismo cuidou desse problema desde o início, como atestam os trabalhos e as comunicações espirituais a respeito, publicadas na Revista. As comunicações do espírito George, discutidas por Kardec, analisadas em seus diversos aspectos e submetidas a debates na Sociedade, e vários fatos referentes à mediunidade nos animais constituem um dos mais curiosos e bem atualizados capítulos desta coleção, revelando ainda uma vez quanto o Espiritismo se antecipou aos problemas científicos dos nossos dias.

A era espacial é outra prova dessa atualidade. Kardec a iniciou não só no plano conceptual, firmando em O Livro dos Espíritos o princípio da pluralidade dos mundos habitados, que Camillo Flammarion posteriormente desenvolveu, com sua autoridade de astrônomo, num livro com esse título, mas também deu início às pesquisas a respeito. Não se servia de telescópios, mas de médiuns. Suas sondas espaciais eram as próprias almas humanas e os Espíritos comunicantes. Veja-se o magnífico desenho da casa de Mozart em Júpiter, incluído neste primeiro volume da Revista e leia-se a análise sensata de Kardec. Quem recebeu o desenho foi o famoso autor teatral Victorien Sardou, médium, que entretanto não sabia desenhar. Mas as comunicações espíritas sobre os mundos habitados, publicadas na seção Palestras Familiares de Além-Túmulo, são documentos ainda mais impressionantes. Até há pouco podia-se rir de tudo isso. Hoje, porém, que os mais céticos já admitem, tanto no mundo capitalista quanto no mundo socialista, tanto entre espiritualistas quanto entre materialistas, a teoria espírita da diversidade das formas de vida nos diferentes planetas, e que as próprias religiões mais contrárias a ela também começam a aceitá-la, é evidente que as observações de Kardec a respeito assumem novo aspecto. Assinale-se ainda que, no campo das pesquisas parapsicológicas, renovam-se em nossos dias as tentativas de comunicação interplanetária por meio do mesmo instrumento usado por Kardec: o médium, pois as provas científicas da possibilidade de telepatia a distâncias imprevisíveis vieram reforçar a posição espírita nesse campo.

A História do Espiritismo, ainda não escrita de maneira sistemática, apesar de algumas contribuições pioneiras como a de Conan Doyle, revela-nos aspectos novos nesta coleção. Kardec estabelece as duplas ligações do Espiritismo com o Cristianismo, de um lado, e com o Druidismo, de outro, e prova que antes das ocorrências espíritas de Hydesville, nos Estados Unidos, com as irmãs Fox, já se realizavam sessões espíritas na França, como as de Charles Renard em Rambouillet, que o levaram a considerar: “É de nosso conhecimento que muitas pessoas ocupavam-se de comunicações espíritas muito antes do aparecimento das mesas-girantes, do que temos provas, com datas certas”. Além disso, Kardec estabelece as relações profundas entre as religiões primitivas, a Mitologia, as chamadas religiões positivas e o Espiritismo, num encadeamento histórico que é também um dos capítulos mais fecundos da Antropologia Cultural, abrindo possibilidades, agora reforçadas pela Parapsicologia, para a elaboração da Antropologia Mediúnica. E há ainda a contribuição espírita para o esclarecimento dos problemas históricos, não só através das curiosas comunicações de personagens famosos, como da interpretação palingenésica que o Espiritismo oferece, renovando as perspectivas da História e da Filosofia da História.

Por tudo isso, e por muito mais ainda, que o leitor e o estudante descobrirão por si mesmos, a coleção da Revista Espírita se apresenta como obra indispensável aos homens de cultura de nosso tempo, sejam ou não espíritas. Mas particularmente os espíritas, e em especial os que têm responsabilidade de orientação no movimento doutrinário, não podem olvidar o seu dever de ler e estudar esta obra com atenção e amor. E foi por isso que a escolhemos para iniciar a publicação, pela primeira vez no mundo, das Obras Completas de Allan Kardec, que agora apresentamos.

Revista Espírita de 1858, tradução de Júlio Abreu Filho. São Paulo: Edicel.

18 fevereiro 2022

Allan Kardec

Hippolyte-Léon Denizard Rivail — Allan Kardec — nasceu no dia 03 de outubro de 1804, às 19 horas, na Cidade de Lyon, na França. Seu pai, Jean-Baptiste-Antoine Rivail, era magistrado, juiz de direito; sua mãe, Jeanne Duhamel, era professora; sua esposa, Amélie Grabielle Boudet, também, era professora. Como homem podemos dizer que foi professor, escritor, filósofo e cientista. Faleceu no dia 31 de março de 1869, com 64 anos de idade. 

De acordo com Henri Sausse, em seu discurso sobre a Biografia de Allan Kardec,  Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado.

Allan Kardec, membro de várias sociedades sábias, notadamente da Academia Real d’Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, pela apresentação da sua notável memória: Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época?

Dentre as suas numerosas obras convém citar, por ordem cronológica:

Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública, em 1828;

Curso prático e teórico de aritmética, em 1829;

Gramática francesa clássica, em 1831

Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade, em 1846;

Catecismo gramatical da língua francesa, em 1848;

Ditados normais dos exames na Municipalidade e na Sorbona; Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas, em 1849.

Foi em 1854 que o Sr. Rivail ouviu pela primeira vez falar nas mesas girantes, a princípio do Sr. Fortier, magnetizador, com o qual mantinha relações, em razão dos seus estudos sobre o Magnetismo. O Sr. Fortier lhe disse um dia: “Eis aqui uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz girar uma mesa, magnetizando-a, mas também se pode fazê-la falar. Interroga-se, e ela responde.”

— Isso, replicou o Sr. Rivail, é uma outra questão; eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir, e que se pode tornar sonâmbula. Até lá, permita-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono.

Allan Kardec teve duas encarnações passadas.

1) Segundo os historiadores, o pseudônimo Allan Kardec decorre do fato de que, no início do seu trabalho de pesquisa sobre o Espiritismo, estando Denizard Rivail consciente de que tudo acontecia em relação aos indivíduos, quando ainda parecia mistério, baseava-se na Reencarnação (princípio das vidas sucessivas e interdependentes), um Espírito lhe revelou que, desde remotas existências, já o conhecia, pois o mesmo fora, em vida física passada no solo francês, um DRUÍDA com o nome de ALLAN KARDEC.

2) Como João Huss, professor da Universidade de Praga, que se distinguiu nas discussões mais abstratas e no conhecimento de Aristóteles, da Bíblia e dos Santos Padres. Como tradutor das obras de Wiclef, propagou várias teses antidogmáticas. Baseando-se nos escritos de Wiclef, negou a necessidade de confissão auricular, atacou como idolátrico o culto de imagens, da Virgem Maria e dos Santos e a infalibilidade papal. Com isso, teve a ira do clero contra a sua pessoa, que após várias admoestações acabou sendo queimado no dia 06/07/1415. Ao seu lado morreu Jerônimo de Praga. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

As Obras Básicas, também, cognominadas de Pentateuco Espírita, compõem-se dos seguintes livros :

O Livro dos Espíritos (1857);

O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861);

O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864);

O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865);

A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).

Porém, além destes livros, Kardec escreveu também:

O que é o Espiritismo (1859);

O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples (1862);

Viagem Espírita (1862);

Obras Póstumas (1.ª edição — 1890);

Revista Espírita, periódico mensal (1.ª edição — 1.º de janeiro de 1858)

A característica fundamental do Espiritismo é a UNIVERSALIDADE  dos seus princípios.

Para que o conteúdo doutrinário não ficasse restrito à autoridade de um único Espírito ou de um único médium, Kardec submetia toda a manifestação mediúnica ao crivo da razão. Apoiando-se no método teórico-experimental da ciências naturais, cruzava as diversas respostas dadas por diversos Espíritos a diversos médiuns espalhados pelo mundo inteiro. Assim sendo, dizia que "a única garantia séria do ensinamento dos Espíritos está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente, por intermédio de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares". (Kardec, 1984, p. 11 a 18)

O Espiritismo está penetrando no rádio, na televisão e nos demais meios de comunicação social. Sendo assim, é imperioso conhecermos alguns fatos da vida do seu Codificador. Sem esse esforço de nos inteiramos da sua obra, da sua abnegação, do seu estado de espírito, jamais alcançaremos a plena compreensão da Doutrina dos Espíritos. 

Fonte de Consulta

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

KARDEC, A. O Que é o Espiritismo. 23. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1981.

XAVIER, F. C. A Caminho da Luz - História da Civilização à Luz do Espiritismo, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, 1972.

 

01 dezembro 2021

Amélie-Gabrielle Boudet

Amélie-Gabrielle Boudet, professora de Letras e Belas Artes, nasceu em 23 de novembro de 1795, Thiais, França. Faleceu em 21 de janeiro de 1883, Paris, França. Casou-se com Allan Kardec em 1832. Era 9 anos mais velha que ele. Escreveu as seguintes obras: Contos Primaveris (1825); Noções de Desenho (1826), e O Essencial em Belas Artes (1828).

Depois de casada, ajudava o marido preparando os cursos gratuitos que haviam organizado na própria residência. Além de conselheira, ela foi a inspiradora de vários projetos que o marido pôs em execução.

Secretária de Allan Kardec. Depois dos primeiros contatos de Allan Kardec com o Espiritismo, em 1854, Amélie acompanhou o esposo, tornando-se sua verdadeira secretária, secundando-o, estimulando-o e incentivando-o no cumprimento de sua missão.

A importância de seu trabalho como secretária. Não fosse a ajuda da esposa, o enorme número de correspondências, vindas da França e de vários outros países, iria roubar tempo de Kardec, o qual deveria ser usado para o preparo dos livros da Codificação e de sua revista.

Sempre que suas forças lhe permitiam, acompanhou Allan Kardec em muitas de suas viagens, cujas despesas, cumpre informar, corriam por conta do próprio casal.

Como atuou depois da morte de Allan Kardec? Esforçando-se por concretizar os planos expostos por Allan Kardec, fundou a “Sociedade Anônima do Espiritismo”, destinada à vulgarização do Espiritismo por todos os meios permitidos pelas leis. Mais tarde, na assembleia geral de 18 de outubro de 1873, foi mudado para: “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.




03 outubro 2020

A Etimologia de Denizard, Segundo o Dr. Canuto de Abreu

Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, nasceu na cidade de Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804, recebendo na pia batismal o nome de Hippolyte. Seu pai se chamava Jean Baptiste Antoine Rivail.

O Dr. Canuto de Abreu, em artigo publicado na revista Santa Aliança, de fevereiro de 1956, tece alguns comentários sobre a etimologia do nome Denizard:

“Segundo creio, o nome Denizard deriva da velha expressão latina Dionysos Ardenae, designativa de Deus Dyonísio, da Floresta de Ardenas. Dentro dessa imensa mata gaulesa que Júlio César calculava em mais de 500 milhas, os druidas celebravam as evocações festivas do Deus Nacional da Gália, denominado Te-Te-Te, Altíssimo, representado por um carvalho secular. 

À sombra do carvalho divino os legionários romanos, após a derrota de Vercingetorix, ergueram a estátua do Deus Dionysius, também conhecido pelo nome de Bacchus, deus das selvas, das campinas, das uvas, dos trigais, amante da rusticidade e da liberdade. E, de conformidade com o costume dos conquistadores, inscreveram uma legenda latina ao pé do monumento. Supõe-se que rezava assim: Dionysio Rústico Eleuthero, com a significação de Dionísio campestre em liberdade.” 

O povo deturpou os nomes: 

"Dionysius sofreu a evolução simplificativa Dionysio-Dionys-Denis. Ardenae, latinização de ard-nae, mata grande, simplificou-se em ard". 

Com a introdução do Cristianismo, surgiram três santos, Denis, Rústico e Eleutério. 

Allan Kardec foi consagrado a Denis-Ard, evocativo do Protetor Espiritual da França. O primeiro nome apresentado ao Maire foi o de Denizard. 

Tal é o relato resumido do Dr. Canuto Abreu. 

Fonte de Consulta

IMBASSAHY, Carlos. A Missão de Allan Kardec. Federação Espírita do Paraná