31 dezembro 2011

Alberto Nogueira e o Compromisso Esquecido

O Espírito Humberto de Campos (Irmão X), no capítulo 15 (“O Compromisso”), do livro Estante da Vida, psicografado por Francisco Cândido Xavier, relata a história de Alberto Nogueira, que reencarnou com muita dívida do passado.

Alberto Nogueira, prestes a reencarnar neste Planeta, diante de seu quadro de deslizes morais e espirituais, pede uma existência com inúmeras deficiências físicas e dificuldades de toda a sorte. 

Os amigos do espaço, diante desse pedido, oferecem-lhe um outro modo de resgatar o seu passado delituoso: MEDIUNIDADE. 

Passados mais de 30 anos, os benfeitores do espaço, precisando de alguém para tratar de um caso de obsessão, não o acham em serviço. 

“Aquele espírito valoroso que pedira lepra, cegueira, loucura, idiotia, fogo, lágrimas, penúria e abandono, a fim de desagravar a própria consciência, no plano físico, depois de acomodar-se nas concessões do Senhor, esquecera todas as necessidades que lhe caracterizavam a obra de reajuste e preferia a ociosidade, enquadrado em pijama, com medo de trabalhar”. 

 

09 dezembro 2011

Lei do Retorno: Tragédia no Circo

O Espírito Irmão X (Humberto de Campos), no capítulo 6 (“Tragédia No Circo”), do livro Cartas e Crônicas, psicografado por Francisco Cândido Xavier, dá-nos uma ideia sobre a lei do retorno, independentemente do tempo transcorrido. Começa falando-nos das mortes impiedosas, que eram impostas aos cristãos, no século II de nossa era.

Conclui:

"Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento... Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação, reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação, a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em comovedora tragédia num circo".

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/trag%C3%A9dia-do-circo


01 dezembro 2011

Doença Mental e Espiritismo

Doença é a alteração na saúde dos seres vivos. Doença mental é a variação mórbida do normal, variação esta capaz de produzir prejuízo na performance global da pessoa (social, ocupacional, familiar e pessoal).

Há vários tipos de doenças mentais; as mais comuns na população são depressão e os transtornos de ansiedade. Vejamos o significado de algumas delas:

  • Depressão: sentimento de tristeza intensa, profunda e persistente, desproporcional ao acontecimento
  • Distúrbio de ansiedade generalizado: nervosismo e preocupação intensos, duradouros e frequentes, com permanências de pelo menos seis meses.
  • Distúrbio do pânico: ansiedade extrema, com sintomas físicos como dores no peito, falta de ar, agitação, sudorese e palpitações.
  • Transtorno bipolar: episódios de depressão alternados com episódios de exaltação e euforia.
  • Esquizofrenia: perda do contato com a realidade, alucinações, delírios, alteração do desempenho e motivação diminuída.

Em se tratando das doenças mentais, há falsos conceitos. Muitos estigmatizam os seus portadores como: “frutos da imaginação”; “não têm cura”; “preguiçosos, perigosos e imprevisíveis”.

Para o Espiritismo, a doença mental pode ser explicada da seguinte forma: a consciência, desarmonizada consigo mesma, desarmonizará todo o ser. A mente enferma refletirá sua anormalidade sobre o perispírito, que é dirigido por ela, e este sobre o corpo carnal, que é escravo de ambos, através do sistema nervoso. Tem como causa primeira a fraqueza moral que torna o indivíduo incapaz de suportar o choque de certas impressões: a mágoa, o desespero, o desapontamento e todas as tribulações da vida.

A função precípua do Espiritismo – para com as doenças mentais – é o de dar à alma a força que lhe falta em muitas circunstâncias, e é nisto que ele pode reduzir as suas causas. Além disso, os Centros Espíritas prestam um socorro ímpar, com os seus trabalhos de passes e evangelização aos que lhe pedem ajuda.




30 novembro 2011

Hipocrisia

"Nas pessoas de capacidade limitada, a modéstia não passa de mera honestidade, mas em quem possui grande talento, é hipocrisia." (Arthur Schopenhaeur)

Hipocrisia é o vício que consiste em aparentar uma virtude ou um sentimento que não se sentem. É, também, fingimento, falsidade, falsa devoção. A hipocrisia revela as convicções inconsistentes do hipócrita. Os pontos de vista expressos dos hipócritas entram em conflito com as convicções implícitas demonstradas por seu comportamento.

Hipocrisia é ensinar o que não se sabe. Quando assim agirmos, caímos na frase lapidar de Jesus: "Túmulos caiados por fora, guardando restos putrefatos e fétidos por dentro". Hipócrita é aquele que ora querendo se sobressair ante os defeitos dos outros. Em sua jornada terrena, Jesus não se cansou de criticar a hipocrisia dos fariseus. Como prova de sua missão divina, apresenta-lhes a cura de um cego de nascença e a ressurreição de Lázaro

A hipocrisia dos opositores serve para fortificar a Doutrina Espírita. Em sua mensagem pós-túmulo, Allan Kardec lembra-nos da sua convicção sobre os princípios fundamentais do Espiritismo. Tendo uma visão mais acurada, acha que tanto a benevolência, a boa-vontade e o devotamento de alguns, como a má-fé, a hipocrisia e as maldosas manobras dos outros, servem para fortificar o edifício doutrinário. Ele afirma: "Nas mãos das potestades superiores, que presidem a todos os progressos, as resistências inconscientes ou simuladas, os ataques visando semear o descrédito e o ridículo, se tornam elementos de elaboração".

Vários pensadores também tratam do tema hipocrisia.

Rousseau, em A Nova Heloísa (1761), exalta o direito da paixão, mesmo quando ilegítima, contra a hipocrisia da sociedade. A mentira seria um produto social. É romance filosófico que exalta a pureza em luta contra uma ordem social corrompida e injusta.

Michel de Montaigne, em seus Ensaios - Da Vaidade, procura visualizar a hipocrisia do ser, quando os filósofos propõem regras que excedem a nossa prática e as nossas forças. Ele diz: “Vejo frequentes vezes proporem-nos modelos de vida que nem quem os propõe nem os seus auditores têm alguma esperança de seguir ou, o que é pior, desejo de o fazer. Da mesma folha de papel onde acabou de escrever uma sentença de condenação de um adultério, o juiz rasga um pedaço para enviar um bilhetinho amoroso à mulher de um colega”.

La Rochefoucauld, em Reflexões, critica a hipocrisia do conselho. Ele diz:

“Nada é mais hipócrita do que pedir ou dar conselhos. Quem pede, parece ter um respeito venerando pelos sentimentos do amigo a quem os pede, mas, no fundo, quer é fazer aprovar os sentimentos próprios e, assim, tornar o outro responsável pela sua conduta. Por outro lado, o que presta os conselhos retribui a confiança que lhe é dada, com um zelo ardente e desinteressado, apesar de, quase sempre, querer, através dos conselhos que dá, satisfazer os seus interesses ou a sua glória”.

...

"A hipocrisia dos religiosos que 'desfiguram o rosto com o fim de parecerem aos homens que jejuam', tem feito maior mal ao homem do que todas as teorias materialistas reunidas!" (Capítulo 2  "Aparência não Basta", de Jugo Leve, de Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Inácio Ferreira [2012])





22 novembro 2011

"Homo Novus", Cérebro Novo

De acordo com Krishnamurti, em O Mistério da Compreensão, o cérebro se torna novo quando há uma distância entre um fato e a reação do sujeito em relação a este mesmo fato. Quando reagimos imediatamente, estamos apenas confirmando o nosso ponto de vista, as nossas opiniões, o nosso preconceito, a nossa superficialidade. Para que um cérebro se torne novo, devemos conceder-lhe um tempo para refletir, para pensar, para sopesar, para meditar.

O cérebro novo requer que olhemos para as mesmas coisas, mas sem pressa, sem querer resolver instantaneamente aquilo que se nos apresentou. O tempo que damos, entre uma sensação e sua avaliação, transforma um ato fragmentário num ato total, aquele que pertence ao todo do indivíduo. Em se tratando do homem, e olhando-o sob a perspectiva do todo, não existe o brasileiro, o norte-americano, o chinês, porque todos os indivíduos fazem parte da espécie humana.

Como transformar, então, o homem velho no homem novo de que nos reporta o evangelho? Buscando refletir sobre o velho, sem o intuito de mudá-lo bruscamente. Quando a vontade age, ela fragmenta o próprio homem. Eu quero me tornar perfeito, eu quero ser grande e mundialmente reconhecido, eu quero que as coisas saiam sempre ao meu gosto. Nesse caso, há uma imposição sobre uma ideia, sobre um comportamento, sobre uma atitude. Essas resoluções não nos deixam espaço para outras acepções, as acepções do homo novus de que nos fala Paulo nas suas pregações.

O cérebro velho está acostumado com um tipo de resposta, com um tipo de comportamento. O novo causa-lhe incômodo. Quando propomos ao cérebro outro tipo de resposta, fazemo-lo agir em nosso benefício. Façamos uma analogia com a prece, cujos estímulos enviamos a Deus, com a intenção de nos livrarmos de alguma dificuldade, de algum problema. Na realidade, esses estímulos enviados a Deus não modificam o problema, a dificuldade, mas fazem-nos pensar de forma diferente a respeito de uma dada dificuldade. Este é o homem novo com cérebro novo.

O cérebro é o repositório dos conhecimentos, adquiridos ao longo do tempo. Para que ele se torne novo, jovial, leve e solto, é necessário que evitemos entulhá-lo com coisas superficiais e insignificantes.

03 outubro 2011

Conduta Espírita

A conduta espírita pode ser entendida como o comportamento do espírita ante as diversas situações do seu dia-a-dia. Em se tratando de uma Casa Espírita, lembremo-nos de que “da conduta dos indivíduos depende o destino das organizações”.

O Espírito André Luiz, no livro Conduta Espírita, traça-nos um roteiro eficaz para um exímio comportamento nas mais diversas ocasiões, dentro e fora de uma Casa Espírita. Em sua mensagem ao leitor, ele diz: “Rogamos que não se veja em nossos apontamentos esse ou aquele propósito de culto às convenções do mundo exterior, nem teorização de disciplinas superficiais”. Seu objetivo é ajudar o aperfeiçoamento do indivíduo, no caso, o adepto do Espiritismo.

Eis algumas sugestões interessantes:

Comportamento do dirigente de reuniões doutrinárias: observar rigorosamente o horário das sessões; ser assíduo; esquivar-se de realizar sessões inopinadamente; evitar excessiva credulidade; não se prevenir contra pessoas ou assuntos; impedir, sem alarde, pessoas alcoolizadas no ambiente; desaprovar o emprego de rituais, imagens ou símbolos de qualquer natureza; fugir de julgar-se superior somente por estar na cabina de comando.

Comportamento do médium: não se supor detentor de missões extraordinárias; reconhecer-se humilde portador de tarefas comuns; vencer os imprevistos que lhe possam impedir o comparecimento às reuniões; preparar-se interiormente para as sessões mediúnicas; nos trabalhos mediúnicos, evitar a respiração ofegante, gemidos, gritos e contorções; silenciar todo o prurido de evidência pessoal.

Comportamento no Templo Espírita: entrar pontualmente no recinto, sem provocar alarido ou perturbações; evitar bocejos e tosses bulhentas; não provocar aplausos; privar-se dos primeiros lugares no auditório; acostumar-se a não confundir preguiça ou timidez com humildade; desaprovar a conservação de retratos e quadros nos recintos das reuniões.

Observe também: o comportamento nas Obras Assistenciais, na Tribuna, perante os profitentes de outras religiões, diante dos Espíritos Sofredores, do fenômeno mediúnico, perante a Doutrina Espírita etc. 

Fonte de Consulta

VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita. Pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro: FEB, 1981.


06 setembro 2011

Os Centros de Força

Os centros vitais são fulcros energéticos que, sob a direção automática da alma, imprimem às células a especialização extrema, que possibilita ao homem possuir um corpo denso. Os plexos são redes de cordões vasculares ou nervosos, anastomosados e entrelaçados. Os centros de força são os receptores e transmissores de energia cósmica e espiritual. A palavra chakra é sânscrita e significa roda. Em Espiritismo, deveríamos optar por “centros de força”, pois este é o termo usado na literatura espírita, principalmente nos livros de André Luiz.

Os centros de força estão localizados no corpo espiritual (perispírito). Os plexos, redes de nervos entrelaçados, estão localizados no corpo físico. Os seus pontos correspondentes, localizados no corpo espiritual, são os centros de força. Nesse caso, há uma íntima relação entre os dois, pois o corpo físico influencia o corpo espiritual e, o corpo espiritual, por sua vez, influencia o corpo físico.

coronário é o principal centro de força. Ele está localizado na região central do cérebro, regendo toda a atividade funcional dos órgãos. Além disso, supervisiona, também, os outros centros (cerebral, laríngeo, cardíaco, esplênico, gástrico e genésico), todos interligados entre si.

O centro cerebral, contínuo ao coronário, governa todo o sistema nervoso e a atividade das glândulas endócrinas; o laríngeo, controla a respiração e a fonação; o cardíaco, dirige a emotividade e as forças de base; o esplênico, é útil às atividades do sistema hepático; o gástrico, auxilia a digestão e a absorção de alimentos; o genésico, guia a modelagem de novas formas ou o estabelecimento de estímulos criadores, com vistas ao trabalho, à associação e à realização entre as almas. (1)

Neste estudo sobre os centros de força, lembremo-nos da epífise. Segundo o assistente Alexandre, em Missionários da Luz, o que para a medicina convencional representa controle, é fonte criadora e válvula de escapamento; enquanto as glândulas genitais segregam os hormônios do sexo, a glândula pineal segrega "hormônios psíquicos". Ela conserva ascendência em todo o sistema endocrínico. (2)

O nosso corpo está imerso num fluxo contínuo de energia, quer seja de ordem material, quer seja de ordem espiritual. Sejamos, assim, comedidos em nossa alimentação e em nossas emoções.

Fonte de Consulta

(1) Luiz, A. Evolução em Dois Mundos, cap. II.

(2) Luiz, A. Missionários da Luz, cap. III.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/centros-de-for%C3%A7a



02 setembro 2011

Parábola do Credor Incompassivo

O Reino do Céu é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. Quando começou o acerto, levaram a ele um que devia dez mil talentos. Como o empregado não tinha com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, ajoelhado, suplicava: 'Dá-me um prazo. E eu te pagarei tudo'. Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado, e lhe perdoou a dívida. Ao sair daí, esse empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Pague logo o que me deve'. O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dê-me um prazo, e eu pagarei a você'. Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.

Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?' O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. É assim que fará com vocês o meu Pai que está no céu, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão. (Mateus, 18, 23 a 35)

Há uma pergunta que antecede essa passagem: Pedro aproximou-se de Jesus, e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" Jesus respondeu: "Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. (Mateus, 18, 21-22). O número sete e seus múltiplos não estão restritos à medida, ao peso, mas têm conotação moral, ou seja, eles representam um número indeterminado de vezes que devemos perdoar o nosso semelhante.

Nesta parábola, nota-se a grande diferença entre as duas dívidas. O primeiro devia dez mil talentos; o outro, apenas cem dinheiros, uma quantia infinitamente menor. Se a pessoa foi perdoada de uma grande dívida, por que não perdoou uma dívida pequena de seu irmão de jornada? Nota-se que o perdão é o elemento chave nesta história.

O Espírito Emmanuel, em Caminho, Verdade e Vida, e Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, oferecem-nos subsídios valiosos para uma melhor compreensão deste texto. Emmanuel diz-nos que Deus estabeleceu a lei de cooperação como princípio dos mais nobres. Há um só Pai, que é Deus. Todos somos irmãos que devemos nos ajudar mutuamente. Allan Kardec lembra-nos de dois célebres ensinamentos de Jesus: “amar ao próximo como a nós mesmos”; “fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito”.

As duas frases acima resumem todos os nossos deveres para com o próximo. Colocando-as em prática, estaremos contribuindo para uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Fonte de Consulta

XAVIER, F. C. Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel. 6. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1973, capítulo, 20.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984, capítulo 11.

 

Ectoplasma e Materialização

Na biologia, ectoplasma é a camada periférica hialina do citoplasma que rodeia a zona central do endoplasma. Na parapsicologia, é a substância que é liberada pelo corpo de alguns médiuns durante o transe. Para Charles Richet, é a substância fluídica que emana do corpo do médium e se presta, sobretudo, para a realização de fenômenos de efeitos físicos. Segundo o Assistente Áulus, ectoplasma é matéria em estado de condensação intermediário entre a matéria densa e a perispirítica... amorfo, mas de grande potência e vitalidade... animado de princípios criativos que funcionam como condutores de eletricidade e à vontade do médium que os exterioriza ou dos Espíritos encarnados ou não, que sintonizam com a mente mediúnica, senhoreando-lhe o modo de ser (1).

Numa sessão de efeitos físicos, constata-se a utilização de três tipos de fluidos: fluido A, representando as forças superiores e sutis de nossa esfera; fluido B, que são os recursos dos médiuns e dos companheiros que os assistem; fluido C, energias tomadas da natureza (1).

Um trabalho de efeitos físicos é realizado observando-se os seguintes aspectos: proteção do ambiente, preparação do ambiente, preparação do médium e isolação em relação aos distúrbios. No que diz respeito à proteção e preparação de ambiente, fala-se da ionização da atmosfera, combinando recursos elétricos e magnéticos. Em se tratando da preparação do médium, este é submetido a operações magnéticas destinadas a socorrer-lhe o organismo nos processos de nutrição, circulação, metabolismo e ações protoplásmicas, a fim de que seu equilíbrio fisiológico seja mantido acima de qualquer surpresa menos agradável. No que toca à isolação, os alcoólatras, por exemplo, são cercados por diversos operários espirituais, para que os princípios etílicos não prejudiquem a sessão. (1)

Em termos históricos, destacamos William Crookes, personalidade científica de sua época, que se tornou famoso pelas pesquisas realizadas entre 1870 e 1874, quando se sentiu atraído pela materialização a partir de ectoplasma emanado do corpo do médium. São clássicos os seus estudos sobre Florence Cook e as materializações de Katie King, onde obteve uma série de fotografias.

Por que hoje em dia não vemos mais fenômenos de materializações? Os trabalhos de materialização dependem de médiuns dispostos a realizá-los. Eles não são feitos para simples passatempo; devem ter uma utilidade. Antes do surgimento do Espiritismo, precisávamos de fenômenos ostensivos, no sentido de chamar a atenção para a invasão organizada que viria em seguida. Presentemente, temos muito mais necessidade de subsídios para a reformulação de nosso pensamento e da compreensão do mundo espiritual.

Fonte de Consulta

(1) XAVIER, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 10. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1979, capítulo 28.




17 agosto 2011

Vida e Morte

vida é o conjunto dos fenômenos de toda a espécie (particularmente de nutrição e de reprodução), que, para os seres que têm um grau de organização, se estende do nascimento (ou produção do germe) até a morte. A morte é a cessação da vida e manifesta-se pela extinção das atividades vitais: crescimento, assimilação e reprodução no domínio vegetativo; apetites sensoriais no domínio sensitivo.

Qual a essência da vida? A esta pergunta filosófica a Ciência só pode responder através de hipóteses: uma delas é a cadeia evolutiva do germe trazido de outros planetas. A Filosofia tenta penetrar no âmago da questão. Platão, em seu "Mito da Reminiscência das Ideias", informa-nos que a alma preexiste ao corpo. Ela, antes de encarnar, pertence ao mundo das essências - o “topus uranus”. Depois de sua passagem aqui na Terra voltaria ao lugar de origem.

A morte pode ser vista sob vários ângulos: 1.º) como ciclo de uma nova vida - tese de Platão: a alma, mesmo separada do corpo, continua a sua existência; 2.º) como fim do ciclo - tese existencialista: tudo acaba com a morte física; 3.º) como possibilidade existencial - a morte está presente em todos os instantes de nossa vida.

Segundo a Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, fazemos parte de uma única população, denominada espiritual. A diferença é que ora estamos encarnados e ora desencarnados. A morte é a mudança do estado de encarnado para o de desencarnado. Contudo, a essência inteligente é indestrutível e continua a existir além-túmulo. Perceber-se vivo é a grande surpresa daqueles que cometem suicídio.

As alternativas da humanidade com relação à vida futura variam de acordo com a concepção de vida adotada. Se materialistas, o nada aguarda-nos; se panteístas, a absorção no todo universal; se dogmáticos, a ida para o Céu ou para o Inferno. O Espiritismo fornece-nos uma expectativa racional: somos uma individualidade e continuaremos a sê-la, no mundo dos Espíritos. E lá estaremos, inexoravelmente, sujeitos à lei do progresso.

A vida e a morte fazem parte do processo evolutivo do ser. Encaremo-las de forma natural, a fim de vivermos intensamente os instantes de nossa existência terrena.


 


Verdadeira Desgraça

Desgraça significa desdita, infortúnio, infelicidade, caso triste, lastimável. O tema – "A Verdadeira Desgraça" – foi extraído do item 24 do capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, em que são tratados os problemas da aflição humana e suas consequências, tanto nesta como em outras existências.

Se existe a verdadeira desgraça haverá também a falsa. Sobre esta sentença, o Espírito Delphine de Girardin tece alguns comentários. Acha ele que os homens de uma maneira geral enganam-se acerca da infelicidade, pois a vêm no fogão sem lume, no credor ameaçador, no berço vazio do anjo que sorria, nas lágrimas, no féretro que se acompanha de cabeça descoberta e de coração partido, na angústia da traição, na nudez do orgulhoso que gostaria de se cobrir de púrpura etc. Eles se esquecem de que toda a ação humana deve ser vista pela sua consequência e não por ela em si mesma.

Geralmente, vemos a desgraça: 1) na miséria, que é um estado habitual de privação de bens supérfluos, de bens necessários à condição social e de bens necessários à vida; 2) nos furacões e terremotos; 3) nos atentados à vida. São as guerras, as investidas terroristas, o fundamentalismo belicoso. 

Os Espíritos superiores orientam-nos para que não olhemos os fatos em si mesmos, mas pelas suas consequências. Se a consequência for boa é porque o ato também o foi, embora no princípio não o pareça. Observe as tempestades que assolam as cidades e os campos. Enquanto elas estão se processando, estamos reclamando e nos rebelando contra a vontade divina. Depois que ela passa, verificamos que estamos respirando melhor, que houve um saneamento no planeta. Somente aí é que começamos ver o lado bom daquela destruição transitória. Se bom, teremos as recompensa do bem; se mal, as recompensas do mal.

Os Espíritos de luz afirmam que a verdadeira desgraça é a alegria, a fama, o prazer e a vã agitação. Como entender? É que essas ações fazem calar a consciência, roubando-nos o tempo que poderia estar sendo mais bem aproveitado no incremento de nossa evolução espiritual. A infelicidade é o ópio do esquecimento que reclamamos diariamente. É preciso, pois, olhar tudo de uma forma invertida, a fim de que possamos captar a verdade por detrás dos fatos.

Saibamos agradecer as injunções de nosso caminho. Se julgarmos que a nossa desgraça é maior que a dos nossos vizinhos, façamos um visita a um hospital, a uma prisão e veremos que a nossa dor não é tão grande quanto parece.


 

Três Reinos

Concebeu-se dividir a natureza em: 1) seres orgânicos e seres inorgânicos; 2) reino mineral, reino vegetal e reino animal; 3) reino mineral, reino vegetal, reino animal e reino hominal. Que subsídios a Doutrina Espírita oferece-nos para enfrentarmos esta questão? O capítulo XI do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, que trata dos três reinos, oferece-nos alguns ensinamentos bastante importantes.

De acordo com os pressupostos espíritas, Deus criou os Espíritos — simples e ignorantes —, com a determinação de se tornarem perfeitos. Assim, o progresso do Espírito é sempre compulsório: podemos estacionar por algum tempo, mas os acicates da vida nos impulsionarão para o desenvolvimento ulterior. 

Ainda que haja controvérsias, diz-se que o princípio inteligente ou mônada celeste estagia nesses reinos, começando no mineral e indo até o hominal, extraindo de cada um deles os subsídios necessários para a sua evolução. É por isso que tudo se encadeia na natureza, desde o átomo ao arcanjo. 

Reino Mineral. Allan Kardec escreve pouco sobre esse reino. Diz-nos que ele é constituído de matéria inerte, e não possui mais do que uma força mecânica. Os minerais não têm vitalidade e nem movimentos próprios, sendo formado apenas pela agregação da matéria. 

Reino Vegetal. As plantas, compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Elas não pensam, não têm mais do que a vida orgânica. Podem ser afetadas por ações sobre a matéria, mas não têm percepções; por conseguinte, não têm a sensação de dor. 

Reino Animal. Os animais, constituídos de matéria inerte e dotados de vitalidade, têm uma espécie de inteligência instintiva, limitada, com a consciência de sua existência e de sua individualidade. 

Reino hominal. O homem, tendo tudo o que existe nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, ilimitada, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extra materiais e o conhecimento de Deus.

Três reinos e o homem encerram todo o processo de evolução alcançado pelo desenvolvimento do princípio inteligente. O próximo passo é transformar-se no reino angélico, em que estaria livre de todas as influências da matéria.

 

 

Tédio e Espiritismo

tédio é um sentimento humano, um estado de falta de estímulo. Aborrecimento, fastio, nojo, desgosto. Ter muito ou pouco tempo pode ocasionar o tédio. De acordo com a Doutrina Espírita, o tédio é um insulto à fraternidade humana, porque a dor e a necessidade, a tristeza e a doença, a pobreza e a morte não se acham longe de ti.

Desde a Antiguidade até a Idade Média o termo correspondente ao tédio é acédia. Os pensadores cristãos do fim da Antiguidade e começo da Idade Média tinham o termo como indiferença e ociosidade. Esta concepção fez Heidegger dizer que o tédio é "a raiz de todos os males". Há, porém, uma diferença entre os termos acédia e tédio. O primeiro refere-se à alma, à moral; o segundo, ao estado psicológico.

Por que deveríamos considerar o tédio como um problema filosófico e não apenas psicológico, religioso e sociológico? O problema filosófico mostra uma certa desorientação, algo que não temos uma resposta de imediato. Observe que para Wittegenstein, um problema filosófico tem a forma: "Não sei por onde ir". Nesta mesma linha de pensamento, Martin Heidegger diz que "Um conhecimento não completo" transforma-se em um problema filosófico. O tédio se encaixa bem a essas observações, por isso pode ser considerado como uma das grandes questões de filosofia.

Kierkegaard descreveu o tédio como "a raiz de todo o mal". Rochefoucauld, referindo-se à corte francesa, disse: "Quase sempre somos entediados por pessoas para as quais nós mesmos somos entediantes". Para Pascal, "o homem sem Deus está condenado à diversão". Para Nietzsche, o tédio é "a 'desagradável calma' da alma" que precede os atos criativos, e enquanto os espíritos criativos o suportam, "natureza menores" fogem dele. No romance Lucinde (1799), no capítulo "O Idílio do Lazer", Friedrich Schlegel escreve: "Toda atividade vazia, agitada, não produz qualquer coisa senão tédio – o dos outros e o nosso".

Para nós, que somos adeptos do Espiritismo, o tédio deveria ser considerado uma espécie de alarme. Denota que algo não anda bem conosco. É possível que não estejamos praticando os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Talvez estejamos menosprezando as sábias instruções dos benfeitores espirituais. 

O Espírito François de Genève esclarece-nos que a vaga tristeza que o Espírito sente, quando está jungido a um corpo físico, é porque aspira à felicidade e à liberdade, a qual não encontra neste mundo. Consequentemente surge o desânimo, o cansaço, a descrença, gerando pensamentos sombrios e impelindo-nos ao tédio.

O espírito Emmanuel, em Vida e sexo, tece alguns comentários sobre a presença do tédio entre os casais. No relacionamento entre os casais, muitas arestas devem ser aparadas, pois cada qual, em sua posição, deve consertar erros do passado e preparar-se para um futuro mais promissor.

O tédio pode ser positivo e negativo. É positivo, quando esse sentimento nos leva a criar, a sair do nosso mundo interior e progredir. É negativo, quando nos faz abaixar a cabeça e chafurdarmo-nos em nossas desgraças.

 



Violência e Espiritismo

Violência vem do latim violentia, que significa violência, caráter violento ou bravio, força. O verbo violare significa trotar com violência, profanar, transgredir. O sociólogo H. L. Nieburg define a violência como "uma ação direta ou indireta, destinada a limitar, ferir ou destruir as pessoas ou os bens". O Oxford English Dicitonary define a violência como o "uso ilegítimo da força".

Há a violência manifesta e a violência oculta. O ato da criação narrado na Bíblia é um ato de violência, embora não seja um ato manifesto. Observe que Adão e Eva são expulsos do paraíso por desobedecerem a Lei de Deus; não houve, por parte do Criador, nenhum perdão. Além do mais, tanto Adão quanto Eva tiveram que provar o mal para conhecer o bem.

Segundo Krishnamurti, "a fonte da violência é o "eu", o "ego", que se expressa de muitos e vários modos — dividindo, lutando para tornar-se ou ser importante etc.; que se divide em "eu" e "não eu", em consciente e inconsciente; que se identifica, ou não, com a família, a comunidade etc. 

"Haveis aprendido o que foi dito aos Antigos: Vós não matareis, e todo aquele que matar merecerá ser condenado pelo julgamento. Mas eu vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser a seu irmão Racca, merecerá ser condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: Vós sois louco, merecerá ser condenado ao fogo do inferno".(Mateus, 21 e 22). Por essas máximas, Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei: condena, por conseguinte, a violência, a cólera e mesmo toda expressão descortês com respeito ao semelhante. 

Saibamos ponderar os esforços para a erradicação da violência. Quem sabe não estamos nos violentando a pretexto de eliminar a violência que há dentro de nós?

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Notas de livros

Planeta Terra em Transição, de Izoldino Rezende de Moraes, pelo Espírito Ismael, copyright 2011

Duzentos anos antes de Jesus reencarnar na Terra, foram retirados da crosta terrestre mais de dois milhões de Espíritos, os quais foram magnetizados através do sono. Depois, a oportunidade de reencarnar na Terra.

Deus permite que o mal possa conviver com o bem, para que haja certo equilíbrio, e, aquele que segue o mal possa ter o exemplo do bem. Para que aqueles que estão seguindo o caminho do bem, vendo o mal e suas consequências, possam consolidar em si a bondade.

E ao assumirem o poder de liderança na área política ou no comando de exércitos, muitos se transformam em ditadores sanguinários. Utilizam de todo o potencial de sabedoria e de conhecimento intelectual no campo das invenções para construírem armas de grande poder de destruição.

E as Terras Brasileiras?

O país está em guerra. Ao observarmos melhor, veremos que o país está enfrentando um dos piores problemas da humanidade: a desagregação das famílias, o aumento do vício em entorpecentes, as drogas, a criminalidade, a corrupção está disseminada pela sociedade.

Nesse período de transição, todos os setores da sociedade estão sendo influenciados negativamente pelos espíritos vampirizadores. Os jovens, sem nenhuma orientação espiritual, estão sendo manipulados por eles, e através das pichações, dos jogos eletrônicos, desenhos animados e todas as formas e uma pseudo-arte incentivam a violência e a criminalidade. Fazendo total apologia ao uso de drogas, como saída libertadora de seus conflitos interiores, mas que na verdade, é escravidão que os leva para a total destruição de suas próprias vidas.

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Transição Planetária, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, copyright  2008. 

As grandes calamidades têm por finalidade convidar a criatura humana à reflexão em torno da transitoriedade da jornada carnal em relação à sua imortalidade.

Os problemas levantados: transtornos depressivos, drogadição, sexo desvairado, fugas psicológicas, crimes estarrecedores, desrespeito às leis e à ética, desconsideração pelos direitos humanos, animais e Natureza.

Os apóstolos da caridade do plano espiritual descem ao Planeta para ajudar nessa dolorosa transição.

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Amanhecer de uma Nova Era, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, copyright 2012. 

Pelo fato de haver o desrespeito à vida e aos princípios éticos e morais, em que autoridades insanas entregam-se à corrupção, enquanto os cidadãos comuns jazem na miséria de todo tipo, sem esperança nem alegria de viver, fugindo pelas armadilhas da depressão, do suicídio, das drogas ilícitas, surge a necessidade de uma programação de alto significado espiritual, mas sem modificar a Codificação Espírita. Torna-se urgente que providências sejam tomadas, a fim de que não ocorra o mesmo que sucedeu ao Cristianismo nascente.

 



Sede Perfeitos

Perfeição – de perfectio, designa o estado de um ser cujas virtualidades se encontram plenamente atualizadas ou realizadas. Em teologia, plena realização, sob o ponto de vista moral, consumação no bem que compete a cada um possuir e atuar. Assim: "Todo o homem é chamado à perfeição ou santidade". Sede – imperativo do verbo ser. Implica a ideia de ordem, de comando.

Deus, quando nos criou, criou-nos simples e ignorantes, ou seja, potencialmente perfeitos. Os Espíritos superiores, no início de nossa caminhada espiritual, guiaram os nossos passos como um pai segura as mãos de seu filho. Com o passar do tempo, eles nos deixaram entregues ao nosso livre-arbítrio, com a responsabilidade pelas ações realizadas. Assim sendo, em cada encarnação nós vamos atualizando a potência de perfeição que existe em cada um de nós.

Há, na natureza, uma lei de causalidade, que nos mostra uma relação de causa e efeito. A causa é ato anterior que tinha uma possibilidade de se atualizar. Para que a causa se atualize, ela precisa de fatores emergentes e de fatores predisponentes. Os fatores emergentes dizem respeito à ordem interna da causa; os fatores predisponentes, à ordem externa.

A frase "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito" mostra uma ordem, uma ordenação dada por Jesus a todos os habitantes do Planeta Terra, independente da seita ou da religião que professe. Pergunta-se: não sabia Jesus que somos fracos e imperfeitos? Como pode Ele dar essa ordem peremptória? Lógico que Ele sabia e sabe ainda, mas o problema é que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. 

Diante desta verdade, devemos prestar contas ao Pai dentro do melhor nível de evolução que pudermos alcançar. O modelo para chegarmos ao Pai é Jesus, porque, dentre os encarnados, ele foi o Espírito mais evoluído que desceu neste Planeta. A sua missão foi a de nos mostrar o caminho da salvação. Qual o exemplo que nos deu? Sofreu perseguições, sarcasmos, blasfêmias e morreu na cruz. Tudo isso para nos ensinar que o reino de Deus está dentro de nós e que só o alcançaremos se seguirmos as suas pegadas.

O progresso material, pelas suas facilidades, tem nos distanciado de nós mesmos, de nossa interioridade. Convém, para o nosso próprio bem, que saibamos nos isolar do corre-corre e do diz-que-diz, a fim de acharmos tempo para o cultivo de nossa alma imortal.



Salvação da Alma

Salvação. Ser salvo é ser tirado dum perigo onde se corria risco de perecer. Na linguagem religiosa, salvação é a realização do destino eterno do homem na vista e posse de Deus. Salvar-se é libertar-se dos erros, das paixões insanas e da ignorância. Ensinar para o bem, através do pensamento, da palavra e do exemplo, é salvar.

A palavra "salvação" é um “termo técnico” que tem origem na tradição judeu-cristã e recebe aplicação geral. Religião de “salvação” é a que oferece um diagnóstico da condição humana e oferece um caminho para a saúde ou integridade.

No Antigo Testamento, fica claro que o plano salvador de Deus é um plano universal. É Abraão quem recebe a promessa salvadora. Ao longo dos evangelhos, Jesus é apresentado como o Salvador por antonomásia: o seu nome é Salvador.

As alternativas da humanidade com relação à vida futura podem ser resumidas: niilismo (espera do nada); panteísmo (absorção no todo); individualidade da alma. Para o dogmatismo religioso, a sorte da alma está selada. Para o Espiritismo, o Espírito, independente da matéria, foi criado simples e ignorante. 

O Espiritismo, ensinando-nos a lei de evolução, é o que melhor explica a salvação da alma. Diz-nos que todos os seres humanos partiram do mesmo ponto, sujeitos à lei do progresso. Aqueles que praticam o bem, evoluem mais rapidamente e fazem parte da legião dos "anjos", dos "arcanjos" e dos "querubins". Os que praticam o mal, recebem novas oportunidades de melhoria, através das inúmeras encarnações.

Substituamos a palavra salvação por evolução. Somente assim nos livraremos da crença de que estamos sendo salvos simplesmente por aderirmos a uma doutrina ou por termos sido submetidos a algum sacramento religioso.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/salva%C3%A7%C3%A3o


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Resposta à pergunta: só há salvação para os que creem em Jesus Cristo? E os chineses?

CHICO XAVIER — Há tempos uma senhora nos procurou e alegou que o esposo não tinha religião, que era um homem reto e bom, mas na condição de companheira dele ela sentia falta da religião no marido e pedia ao nosso Emmanuel que se externasse com respeito ao assunto, já que ela desejava fosse o marido portador da fé cristã. Então disse o nosso Emmanuel que a Providência Divina tem pressa de que o homem seja bom, mas acreditar, isso fica para quando o homem possa realizar em si mesmo o campo da sua própria fé. Deus é pai de misericórdia. Não deserda filho algum e nós precisamos adaptar a nossa fé cristã às dimensões do mundo de hoje, em que nós todos nos aceitamos como filhos de Deus, para termos uma vida de respeito recíproco. Temos as nossas ideias dispares, os nossos pontos-de-vista diferentes, mas no fundo somos todos filhos de Deus e o conceito de salvação, também, sem qualquer ofensa aos nossos pontos-de-vista tradicionais em religião, o conceito de salvação sofre no mundo de hoje uma certa diferença. Quando nós dizemos: O navio foi salvo. Foi socorrido e foi salvo. A casa foi salva do incêndio pelo Corpo de Bombeiros. A casa foi salva para ser novamente habitada. O navio foi salvo para trabalhar, a Cristo, servindo. A salvação quer dizer reequilíbrio, reestruturação da nossa vida em Cristo Jesus, para que nós possamos servir-nos uns aos outros. Agora, o Senhor naturalmente que não tem os pensamentos de crítica nem de vingança contra nós, quando nós não possamos ter uma fé. Se nós nos amarmos nós teremos realizado o prodígio da felicidade humana, com a bênção dele. E amando-nos nós vamos descobri-lo em nós mesmos. (Capítulo 13 — "A Salvação", do livro Dos Hippies aos Problemas do Mundo, de Francisco Cândido Xavier)




Sagrado ante o Espiritismo

O conceito de sagrado deve ser visto, levando-se em conta a Lei de Adoração. A palavra adorar vem do latim ad e orare que significa orar para alguém. É render homenagem através de palavras, gestos, atitudes e cultos. Subentende um sentimento de admiração. Para Mircea Eliade, sagrado é a manifestação de uma realidade de ordem inteiramente diferente da das realidades "naturais". Tem como contrapartida a noção de profano.

Em termos históricos, o totemismo é a base dos estudos do sagrado. Na época havia o totem - tudo o que se considerava sagrado, mana e orenda - força impessoal comum aos símbolos sagrado e o tabu - a instituição em virtude da qual determinadas coisas, certos atos são proibidos. A religião, nesse contexto, é a separação do profano e do sagrado.

Além da religião, o direito, a ética, a estética, a política, o casamento, a família, o sexo, a morte, a arte, a arquitetura e muitos outros aspectos da vida são igualmente envolvidos pelo sagrado.

O sagrado, em muitas religiões, vem pela revelação. Todas as religiões tiveram seus reveladores. Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Quer dizer, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.

O Espiritismo funciona à semelhança das ciências naturais, utilizando a observação, a formulação de hipóteses, a experiência e as conclusões. É uma doutrina científica filosófica, que se utiliza do método teórico-experimental, como o faz a maioria da ciências. O Espiritismo não é questão de forma, mas de fundo. Devemos evitar a idolatria de Espíritos, de médiuns e de divulgadores da Doutrina Espírita.

Há necessidade de irmos ao Espiritismo isentos de ideias preconcebidas. Paulatinamente, sem correrias, buscar a identificação com os princípios básicos codificados por Allan Kardec. Aplicar o bom senso e a razão em tudo que empreendermos no campo do sagrado.



Resumo Histórico do Espiritismo

O objetivo deste estudo é mostrar que a ideia espírita sempre existiu. Embora Allan Kardec tenha criado os termos Espiritismo e Espírita, no sentido de estabelecer uma terminologia própria, ele nada inventou. Quem consultar os livros básicos da Doutrina Espírita verá que ele apenas organizou, com o auxílio dos Espíritos e dos médiuns, os princípios fundamentais que consubstanciam o relacionamento entre os encarnados e os desencarnados.

Desde que o homem veio à Terra o seu relacionamento com os Espíritos jamais cessou. No começo de sua evolução, as comunicações davam-se pelo sono, através dos sonhos. O homem da caverna já assistia às materializações dos seus antepassados. 

J. H. Pires, no livro O Espírito e o Tempo, traça-nos um roteiro histórico da evolução do Espírito. Começa no horizonte tribal (mediunismo primitivo), passa pelo horizonte agrícola (animismo e culto dos ancestrais), pelo horizonte civilizado (mediunismo oracular), pelo horizonte profético (mediunismo bíblico) e termina no horizonte espiritual (mediunidade positiva).

No horizonte espiritual, pondo por terra ideias errôneas, o indivíduo descobre que Deus e o Homem se assemelham, pois a caminhada evolutiva do ser humano vai até a divindade. O homem, como Espírito, pode chegar à condição de anjo, pelo seu esforço no bem. A codificação do Espiritismo, por Allan Kardec, dá base para esse entendimento. 

O Espiritismo é uma doutrina fundada sobre a crença de existência de Espíritos e nas suas manifestações. A doutrina pressupõe um conjunto de princípios. Os princípios são as molas propulsoras de qualquer Filosofia, Ciência ou Religião. Os princípios espíritas diferem sobremaneira de outros princípios, principalmente das doutrinas espiritualistas. Nesse sentido, o Espiritismo difere das religiões pela ausência total de misticismo, não invocando revelações nem o sobrenatural. O espiritismo só admite fatos experimentais, com as deduções que deles se desprendem. Também se distingue da Metafísica ao repelir todo o raciocínio a priori e toda a solução puramente imaginativa.

O Espiritismo é a síntese de todo o processo cognitivo. Fornecendo-nos uma dimensão mais acurada do mundo espiritual e do seu relacionamento com o mundo físico, renova-nos a visão do "eu", do "nós" e do "mundo" que nos rodeia. Baseando-se nos fatos experimentais, os Espíritas têm mais facilidade de estabelecer um vínculo racional entre o materialismo e o espiritualismo. 


Religião e Vivência Religiosa

Religião é a crença na existência de uma força superior considerada como criadora do Universo. Trata-se de uma experiência universal da humanidade, através da qual tenta-se compreender os mistérios que envolve o homem e o seu relacionamento com o Criador.

As ideias religiosas estão presentes em todos os povos e em todos os estádios culturais. Certas religiões recrutam seus adeptos apenas dentro de um grupo determinado, p. ex., uma tribo ou aldeia: são as chamadas religiões tribais e nacionais. Denominam-se religiões universais as que recrutam seus adeptos por todo o mundo. As principais são o cristianismo, o islamismo e o budismo, que, através de missionários, difundiram-se longe de seus países de origem.

O Cristianismo, religião dos cristãos, está centrado na vida e obra de Jesus Cristo. À semelhança de Sócrates, Cristo não nos deixou nada escrito. Seus ensinamentos são anotados pelos apóstolos e passam, mais tarde, a constituir os Evangelhos. A palavra Evangelho, no singular, representa a unidade do pensamento de Jesus, ou seja, o alegre anúncio; no plural, a diversidade de interpretação dos evangelistas. Por isso, dizemos o Evangelho segundo Mateus, o Evangelho segundo Lucas, o Evangelho segundo Marcos e o Evangelho segundo João.

Vivência religiosa é caracterizada pelo sentimento de dependência do crente em relação ao Ser Supremo. Desde a Antiguidade até os nossos dias, manifesta-se sob vários matizes: ora menos racional, ora mais. Contudo, sempre imerso num mundo sobrenatural, estigmatizado pelo amor e pelo temor.

A diferença fundamental entre as diversas crenças reside no caráter da vivência religiosa básica. O budista considera todo o tipo de vida como um sofrimento absoluto. Na essência do cristianismo está o amor de Deus, que nos impõe condições e estende-se inclusive aos pecadores. A palavra árabe "islam" significa submissão. A vontade de Alá marca toda a existência, e o primeiro dever do bom crente é submeter-se a ela inteiramente. 

Do estudo ora encetado, cabe-nos distinguir o ser religioso do ser que tem uma religião. Podemos frequentar uma Igreja, atender à sua ortodoxia e nem por isso sermos religiosos. O verdadeiro religioso é aquele que pratica a lei da Justiça, do Amor e da Caridade na sua maior pureza. 

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Lavagem Cerebral e Religião

Pavlov (1849-1936), fisiologista, cujos experimentos mais famosos começaram em 1889, demonstrando os reflexos condicionados e incondicionados nos cães. Ele faz as suas experiências dentro de rigoroso controle das condições: amarra um cão, isola-o de todos os barulhos externos, e dá-lhe uma substância sialogênica para produzir ensalivação; ao mesmo tempo, faz retinir um som, por exemplo, o de uma campainha. Depois de várias repetições, suspende a substância sialogênica, permanecendo tão somente com o som da campainha. Resultado: o cão, sem o estímulo inicial, emite suco gástrico, associando-o apenas ao som da campainha. Pronto. Está posto o reflexo condicionado.

Os mecanismos do reflexo condicionado passaram rapidamente para o campo da política e, também, da propaganda. Quando temos algum slogan, que se repete constantemente, temos a teoria de Pavlov colocada em prática. Geralmente, na propaganda política, há uma palavra-chave, uma ideia-força, que é repetida muitas e muitas vezes, a fim de penetrar no subconsciente dos ouvintes. O mesmo se dá com a propaganda comercial: quando querem vender um produto, ficam lançando estímulos de vários matizes: cor, som, artista famoso etc.

A religião é pródiga nesse mister. Há o jejum, o castigo da carne por flagelação ou desconforto físico, a regulação da respiração, a revelação de mistérios terríveis, os toques de tambor, as danças, os cantos, o pânico, o incenso e as drogas. Em meio a essas posturas, há diversos slogans, no sentido de atingir mais a emoção do que a razão. Observe a conversão do religioso Wesley. Seus esforços para vencer a depressão mental eram ineficazes, até que surgiu Peter Böhler, outro religioso, que o fez mudar repentinamente, via lavagem cerebral: da salvação pela execução das obras, passou para a salvação pela fé somente. Em termos práticos, é passar de católico a protestante, uma mudança radical.

Wesley, depois de sua conversão à fé, passou a utilizar o mesmo método de lavagem cerebral usada por Böhler. Hinos eram dirigidos à emoção religiosa e não à inteligência. Wesley criava alta tensão emocional em seus prosélitos potenciais. Quem deixasse a reunião "sem mudar" e sofresse um acidente repentino iria direto para a fornalha fervente. Para ele, "O medo do fogo eterno afetava o cérebro tal qual o medo de morrer afogado dos cães de Pavlov na inundação de Leningrado".

Da mesma forma que hoje se visita uma cartomante, um psiquiatra ou um padre católico, os gregos da antiguidade consultavam os oráculos. Vários escritores gregos descrevem com pormenores os efeitos emocionais da iniciação mística. Consistiam em calafrio, tremor, suor, confusão mental, aflição, consternação e alegria misturados com alarma e agitação. Timarco, por exemplo, querendo saber o que poderia ser o demônio de Sócrates, desceu à caverna de Trofônio e executou todas as cerimônias que eram exigidas para obter um oráculo. Depois de passar lá duas noites e um dia, voltou completamente mudado, pronto a fazer lavagem cerebral nos outros seres humanos.

O mundo está cheio de slogans: comerciais, políticos e religiosos. Saibamos nos colocar um pouco a parte deles, para não sermos levados pelo turbilhão das ideias-forças vigentes.

 



Perfeição Moral

"Perfeição Moral" é o título do capítulo XII do Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. Explora as virtudes e os vícios, as paixões, o egoísmo, caracteres do homem de bem e conhecimento de si mesmo.

As virtudes e os vícios. Todas as virtudes têm seu mérito, mas a mais meritória de todas elas é a caridade desinteressada. Como a imperfeição moral assenta-se no interesse pessoal, a prática da caridade faz-nos pensar no próximo, estimulando a renúncia de posses pessoais. Cabe lembrar que quando precisamos de muito esforço para praticar a caridade é porque essa virtude não faz parte de nossas tendências genuínas.

Das paixões. A paixão não é um mal em si mesma. O problema está no excesso provocado pela vontade. Em se tratando dos limites da paixão, pensemos: "as paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão se torna perniciosa no momento em que a deixais de governar e quando resulta num prejuízo qualquer".

Do egoísmo. Entre os vícios, o mais radical é o egoísmo. "Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos existe o egoísmo. Por mais que luteis contra eles não chegareis a extirpá-los enquanto não os atacardes pela raiz, enquanto não lhes houverdes destruído a causa. Que todos os vossos esforços tendam para este fim, porque nele se encontra a verdadeira chaga da sociedade". Só venceremos o egoísmo quando a vida moral tiver predominância sobre a vida material.

Caracteres do homem de bem. "O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua mais completa pureza. Se interroga sua consciência sobre os atos praticados, perguntará se não violou essa lei, se não cometeu nenhum mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém teve que se queixar dele, enfim, se fez para os outros tudo o que gostaria que os outros lhe fizessem".

Conhecimento de si mesmo. O meio mais eficaz de se conhecer a si mesmo é seguir o exemplo de Santo Agostinho que todas as noites repassava o seu dia para ver como é que foi em palavras e ações. Nesse caso, formulemos perguntas claras e precisas, e não temamos multiplicá-las ao máximo.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, capítulo 12, livro terceiro.