20 fevereiro 2022

Reclamações

As reclamações fazem parte de nossa existência. Elas são comuns e estão presentes em todas as fases da vida. Começa na infância e se desdobra até o fim da vida. Para cada idade há um tipo de reclamação.

Quando bebê, a criança chora para expressar o seu desagrado ou desconforto. Mais tarde, ela pode recorrer a birras ou comportamentos agressivos. Observe a reação de algumas crianças quando não lhe dão o que pedem: choram, esperneiam, gritam.

Na juventude, podemos elencar as reclamações sobre as mesadas dos pais, sobre o rigor com que estes regulam as suas idas-e-vindas, seus amigos...

Na maturidade, reclamamos da responsabilidade assumida, das dificuldades do relacionamento familiar, da insuficiência do dinheiro...

Na velhice, reclamamos da falta de atenção dos entes queridos, das doenças, da dificuldade de visão... 

A reclamação encaminha o espírito para a escuridão. A escuridão é sinônimo de trevas. As trevas representam a falta de luz, a falta de iluminação. A vivência nesse estado de coisas é muito prejudicial à evolução do Espírito.

Aproveitando o ensejo, façamos uma análise de nossas reclamações e verifiquemos o quanto de sombra estamos carreando para nós mesmos.

Tomando consciência do nosso estado deprimente, peçamos o auxílio ao Alto, mas não nos esqueçamos de acionar a quota do nosso esforço.

Reclamações

Aprendamos a evitar reclamações para não agravar dificuldades.

Perante situações em que a corrigenda se faça realmente necessária, entregue as circunstâncias aos responsáveis pela orientação delas, que sabem quando e como intervir.

Se você achou o ponto nevrálgico de alguma crise, terá encontrado o lugar onde o proveito geral lhe pede auxílio.

Procurando retificar algum erro, vale mais o seu conhecimento do bem que o seu conhecimento do mal.

Resguardando a harmonia de todos, imagine-se na condição da pessoa em que você pretende colocar o seu problema.

Reflita nas tribulações que provavelmente estará atravessando a criatura a quem você deseja apresentar a sua crítica.

A sua reclamação não lhe trará vantagem alguma.

Azedume para com as pessoas das quais você espera cooperação e serviço é o modo mais seguro de preveni-las contra o seu próprio interesse.

Qualquer pessoa, quando cultive a paz, pode retirar-se em paz do lugar onde se julgue em desarmonia ou desapreço.

Experimente desculpar sempre, porquanto aquilo que nos parece falha nos outros, pode surgir por falha igualmente em nós e, em se tratando em desculpar, se hoje podemos dar, chegará sempre para cada um de nós o dia de receber. (Capítulo 36 do livro "Respostas da Vida", pelo Espírito André Luiz)

 

18 fevereiro 2022

Allan Kardec

Hippolyte-Léon Denizard Rivail — Allan Kardec — nasceu no dia 03 de outubro de 1804, às 19 horas, na Cidade de Lyon, na França. Seu pai, Jean-Baptiste-Antoine Rivail, era magistrado, juiz de direito; sua mãe, Jeanne Duhamel, era professora; sua esposa, Amélie Grabielle Boudet, também, era professora. Como homem podemos dizer que foi professor, escritor, filósofo e cientista. Faleceu no dia 31 de março de 1869, com 64 anos de idade. 

De acordo com Henri Sausse, em seu discurso sobre a Biografia de Allan Kardec,  Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado.

Allan Kardec, membro de várias sociedades sábias, notadamente da Academia Real d’Arras, foi premiado, por concurso, em 1831, pela apresentação da sua notável memória: Qual o sistema de estudo mais em harmonia com as necessidades da época?

Dentre as suas numerosas obras convém citar, por ordem cronológica:

Plano apresentado para o melhoramento da instrução pública, em 1828;

Curso prático e teórico de aritmética, em 1829;

Gramática francesa clássica, em 1831

Manual dos exames para obtenção dos diplomas de capacidade, em 1846;

Catecismo gramatical da língua francesa, em 1848;

Ditados normais dos exames na Municipalidade e na Sorbona; Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas, em 1849.

Foi em 1854 que o Sr. Rivail ouviu pela primeira vez falar nas mesas girantes, a princípio do Sr. Fortier, magnetizador, com o qual mantinha relações, em razão dos seus estudos sobre o Magnetismo. O Sr. Fortier lhe disse um dia: “Eis aqui uma coisa que é bem mais extraordinária: não somente se faz girar uma mesa, magnetizando-a, mas também se pode fazê-la falar. Interroga-se, e ela responde.”

— Isso, replicou o Sr. Rivail, é uma outra questão; eu acreditarei quando vir e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir, e que se pode tornar sonâmbula. Até lá, permita-me que não veja nisso senão uma fábula para provocar o sono.

Allan Kardec teve duas encarnações passadas.

1) Segundo os historiadores, o pseudônimo Allan Kardec decorre do fato de que, no início do seu trabalho de pesquisa sobre o Espiritismo, estando Denizard Rivail consciente de que tudo acontecia em relação aos indivíduos, quando ainda parecia mistério, baseava-se na Reencarnação (princípio das vidas sucessivas e interdependentes), um Espírito lhe revelou que, desde remotas existências, já o conhecia, pois o mesmo fora, em vida física passada no solo francês, um DRUÍDA com o nome de ALLAN KARDEC.

2) Como João Huss, professor da Universidade de Praga, que se distinguiu nas discussões mais abstratas e no conhecimento de Aristóteles, da Bíblia e dos Santos Padres. Como tradutor das obras de Wiclef, propagou várias teses antidogmáticas. Baseando-se nos escritos de Wiclef, negou a necessidade de confissão auricular, atacou como idolátrico o culto de imagens, da Virgem Maria e dos Santos e a infalibilidade papal. Com isso, teve a ira do clero contra a sua pessoa, que após várias admoestações acabou sendo queimado no dia 06/07/1415. Ao seu lado morreu Jerônimo de Praga. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

As Obras Básicas, também, cognominadas de Pentateuco Espírita, compõem-se dos seguintes livros :

O Livro dos Espíritos (1857);

O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861);

O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864);

O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865);

A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).

Porém, além destes livros, Kardec escreveu também:

O que é o Espiritismo (1859);

O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples (1862);

Viagem Espírita (1862);

Obras Póstumas (1.ª edição — 1890);

Revista Espírita, periódico mensal (1.ª edição — 1.º de janeiro de 1858)

A característica fundamental do Espiritismo é a UNIVERSALIDADE  dos seus princípios.

Para que o conteúdo doutrinário não ficasse restrito à autoridade de um único Espírito ou de um único médium, Kardec submetia toda a manifestação mediúnica ao crivo da razão. Apoiando-se no método teórico-experimental da ciências naturais, cruzava as diversas respostas dadas por diversos Espíritos a diversos médiuns espalhados pelo mundo inteiro. Assim sendo, dizia que "a única garantia séria do ensinamento dos Espíritos está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente, por intermédio de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares". (Kardec, 1984, p. 11 a 18)

O Espiritismo está penetrando no rádio, na televisão e nos demais meios de comunicação social. Sendo assim, é imperioso conhecermos alguns fatos da vida do seu Codificador. Sem esse esforço de nos inteiramos da sua obra, da sua abnegação, do seu estado de espírito, jamais alcançaremos a plena compreensão da Doutrina dos Espíritos. 

Fonte de Consulta

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

KARDEC, A. O Que é o Espiritismo. 23. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1981.

XAVIER, F. C. A Caminho da Luz - História da Civilização à Luz do Espiritismo, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, 1972.

 

07 fevereiro 2022

Liberdade, Escravidão e Espiritismo

Liberdade — estado do ser que não sofre constrangimento, que age conforme a sua vontade, a sua natureza. Em termos políticos, é a faculdade de fazer o que se queira dentro dos limites do direito. Escravidão — caracteriza-se pelo fato de reduzir uma pessoa humana à condição de coisa ou de animal, como propriedade absoluta de um senhor.

A palavra liberdade presta-se a muitos significados. Falamos de liberdade política, de liberdade econômica e de liberdade de consciência. A liberdade em Cuba é diferente da liberdade nos Estados Unidos. O termo comporta, também, limitações psicológicas, legais e econômicas. Suponhamos a seguinte situação: ir aos Estados Unidos. Sentido psicológico: estou disposto a me deslocar para aquele país? sentido legal: o governo americano  permite a minha estada?;  sentido  econômico: conseguido  o visto de entrada, tenho recursos  financeiros  para tal empreendimento?

Os atos livres praticados pelo indivíduo podem levá-lo à ampliação ou à limitação de outros atos livres. Caso escolha deliberadamente o vício, haverá um tolhimento da vontade, pois esta estará submetida à necessidade de supri-lo, impedindo a continuidade dos atos livres. A dimensão da moral entra, aqui, como elemento que vai permitir a continuidade dos atos livres, ou seja, a aquisição do estado de liberdade.

O estado de liberdade depende do livre-arbítrio, quer dizer, da capacidade de escolha entre o certo e o errado.  Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, diz-nos que o livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha das provas, e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos. Neste sentido, o homem não é fatalmente conduzido ao mal: os crimes que comete não são o resultado de um decreto do destino; será sempre livre para agir como quiser.

Nas perguntas 829 a 832, o codificador do Espiritismo tece comentários sobre o problema da escravidão. Relata-nos que toda a sujeição absoluta de um homem a outro homem é contrária à lei  de Deus mas que desaparecerá com o progresso da  humanidade. Afirma-nos, também, que a desigualdade de aptidões, por ser natural, deve ser utilizada para elevar e não para embrutecer, ainda mais, o próximo.

A perfeita liberdade do Espírito far-se-á pela prática dos preceitos evangélicos. Empenhemo-nos, pois, no estudo e na vivência dos ensinos deixados pelo mestre Jesus.

Complemento

Sobre a Escravidão

1. Escravidão no Código de Hamurábi

Se um homem comprou um escravo (a) e não tiver cumprido seu mês de serviço, se surgir uma reclamação, se for de país estrangeiro. Para cada caso, há uma dada pena.

2. Escravidão entre os hebreus

Com respeito aos escravos, serão estes os estatutos: O escravo hebreu deve servir seis anos, ao término dos quais será liberto. Em se tratando de solteiro, casado, de o escravo vender sua filha... haverá uma dada recomendação.

3. A escravidão, segundo Aristóteles

A propriedade é parte da casa e a arte aquisitiva uma parte da administração doméstica. Os instrumentos podem ser animados e inanimados; no caso, o escravo seria um bem animado.

Natureza e função do escravo: aquele que por natureza não pertence a si mesmo, senão a outro, sendo homem, esse é naturalmente escravo; é coisa de outro, aquele homem que, a despeito da sua condição de homem, é uma propriedade e uma propriedade sendo, de outra, apenas instrumento de ação, bem distinta do proprietário.

4. Espártaco e a revolta dos escravos

Tolere contudo a desonra das revoltas dos escravos; embora o Destino os faça joguete, trata-se afinal de uma espécie de homens de segunda categoria, dos quais podemos dispor por causa de nossa liberdade.

Extraído de PINSKY, Jaime. 100 Textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 2021.

05 fevereiro 2022

Espíritos e a Humanidade, Os

A Humanidade está ainda muito aquém do progresso esperado, principalmente pelas atitudes de egoísmo, vaidade e orgulho de muitos dos seus membros. Observe os políticos, os detentores das redes sociais, os ligados à jurisprudência, entre outros. No Brasil, por exemplo, estão querendo banir as opiniões de religiosos, das pessoas ditas conservadoras, daqueles que defendem a família, daqueles que são contra o aborto etc.

Os Espíritos protetores da Humanidade não estão alheios a esses desmandos. Muitos deles se manifestam aos médiuns mostrando a sua indignação e sua tristeza por esses seres que vão cavando a sua própria ruina. Embora a receptividade seja pequena, eles não se cansam de estimular o nosso pensamento para a mudança comportamental, repetindo a frase evangélica: “quem tem olhos de ver veja; quem tem olhos de ouvir, ouça”.

Em sua prédicas enaltecem a Lei Divina, posta por Deus em nossa consciência. Daí, a exortação ao progresso, pois conforme forem nossas ações, poderemos reencarnar em mundos mais atrasados, como sucedeu aos habitantes de Capela.  De acordo com o Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz, Capela tinha atingido um plano evolutivo mais avançado e os que não se adaptaram ao novo status quo foram encaminhados a outros orbes mais atrasados; muitos deles reencarnaram em nosso Planeta.

A luz de uma pequena vela ilumina um quarto escuro. Esses Espíritos benfeitores exortam que sejamos essa pequena luz na imensidão das trevas que ainda paira em nosso Planeta. Essa luz, por ínfima que seja, poderá iluminar outros seres humanos, e assim formar uma corrente pró-bem. Quando essa corrente for coesa, poderemos iluminar o Planeta inteiro. Contudo, o trabalho cotidiano não pode ser deixado para terceiros. Intensifiquemos diariamente a nossa cota de iluminação interior e sejamos um divulgador dos ensinamentos de Cristo.

O Espírito Emmanuel, no livro O Consolador, ao tratar do tema “Iluminação” destaca as contribuições da filosofia, com suas análises de críticas e reflexão, as contribuições da ciência, provando a existência dos Espíritos e analisando o fenômeno da comunicação mediúnica. O seu destaque, porém, refere-se ao Evangelho de Jesus Cristo, o único móvel que poderá auxiliar o ser humano em sua iluminação, pois somente quando tratarmos todos como gostaríamos de ser tratados estaremos construindo um facho de luz para nós próprios.

Prestemos atenção às mensagens dos benfeitores do espaço. Eles querem o nosso progresso e, para tanto, estimulam-nos a adquirir as virtudes da paciência, da tolerância e da convivência pacífica com todos os que convivem conosco.