Mostrando postagens com marcador gozos terrenos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gozos terrenos. Mostrar todas as postagens

01 agosto 2026

Felicidade Perfeita na Terra

Na questão 920 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga sobre a possibilidade de haver uma felicidade completa na Terra. Em resposta, os Espíritos esclarecem que, no atual estado do planeta, isso é impossível, por se tratar de um mundo de provas e expiações. Contudo, ressaltam que cabe a cada indivíduo abrandar os próprios males e ser tão feliz quanto seja possível no meio terrestre.

Embora existam múltiplos conceitos de felicidade — com destaque para as reflexões dos filósofos clássicos —, sob a ótica espírita, a felicidade ideal e duradoura é compreendida como um estado de profunda paz de consciência, alinhamento com as Leis Divinas e uma conquista íntima e progressiva do Espírito.

Dentre a pluralidade dos mundos, a Terra encontra-se em processo de transição planetária, deixando de ser um planeta de provas e expiações para se tornar um mundo de regeneração. Nessa nova fase, o mal ainda existirá, mas deixará de predominar; as dores física e moral serão atenuadas e a humanidade experimentará um estado de paz, fraternidade e felicidade muito superior ao que conhecemos hoje.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec caracteriza a Terra não como um lugar de repouso, mas sim como uma espécie de escola e hospital — um ambiente pedagógico e correcional cuja finalidade é aparar as nossas arestas. O autor nos esclarece que as provas são testes para exercitar e comprovar o desenvolvimento moral, enquanto as expiações representam oportunidades de reajuste, perante a Lei de Causa e Efeito, por conta de males praticados em encarnações anteriores.

O Espiritismo nos ensina que a felicidade perfeita não é um lugar físico onde se chega, mas o grau de evolução e harmonia que a alma alcança. Por isso, a Doutrina enfatiza a busca pela felicidade relativa — compatível com o estágio evolutivo do nosso planeta —, que se traduz na paz íntima de saber que se está caminhando na direção do bem, confiando na justiça e no amor do Criador, independentemente das tempestades do mundo exterior.

Se pretendermos buscar a felicidade perfeita e o repouso absoluto em um mundo de aprendizado como o nosso — que funciona como escola e hospital —, estaremos fadados à frustração. A verdadeira chave para a felicidade relativa que nos é acessível na Terra reside no empenho sincero na prática do bem, no cultivo da caridade e no esforço contínuo de autoaperfeiçoamento.

01 março 2026

Penas e Gozos Terrenos

Penas e gozos caracterizam o pensamento dicotômico, em que o 1.º termo assume papel relevante, de mais ênfase. Significa dizer que o sofrimento, a dor, a pena são maiores ou mais sentidos do que o prazer, o gozo, a alegria. Este tema evoca uma reflexão sobre a nossa existência no planeta Terra, classificado por Allan Kardec, como um mundo de provas e expiações.

Há possibilidade de separarmos o mundo terreno do mundo espiritual? Quer dizer, estando sob o jugo da matéria, o espiritual estará esquecido? Não, o que Allan Kardec está fazendo é um estudo didático: primeiro analisa as penas e gozos terrenos; depois trata das penas e gozos futuros. Mas como os Espíritos veem a Terra? Eles sempre falam de um educandário, de um hospital, onde os seus habitantes estão purgando o mal, a fim de se potencializarem na prática do bem. Dessa forma, o nosso ponto de partida é o de que a Terra, sendo um mundo de provas e expiações, o mal nela predomina.

Observemos a felicidade. Será que podemos ser felizes ao lado de irmãos que não têm o necessário para o sustento físico? E por que esses são a maioria? É justamente devido à condição de nosso Planeta. Nesse sentido, nunca poderemos ter uma felicidade plena, a menos que não importemos com o nosso irmão menos aquinhoado. Quem pensa no irmão em dificuldade, dificilmente sentir-se-á feliz. É por isso que o justo é infeliz, pois lutando por uma distribuição mais justa tanto das riquezas materiais como espirituais, será sempre mal compreendido, além de ser desprezado, como o próprio Jesus e outros tantos missionários o foram.

Quais seriam, entretanto, as fontes de infelicidade? Perda de entes queridos, mortes prematuras, antipatias, ingratidão e doenças várias. Dentre elas, a ingratidão assume papel significante. Como, porém, enfrentar essa situação? Lembrando-nos de que a ingratidão é filha do egoísmo e o egoísta encontrará mais tarde corações insensíveis como ele próprio o foi. Além do mais, a ingratidão é uma prova para persistência na prática do bem. Convém ter para com eles muita tolerância e paciência, assim como o Pai Celestial teve e está tendo para conosco.

No meio desses dissabores, o suicídio, que é fruto do desgosto pela vida, corrói as nossas fibras mais íntimas. O que é que leva algumas pessoas ao suicídio? A ociosidade, a falta de fé e a má gestão da sociedade. Assim sendo, sabedores de que a sociedade pode ser injusta, no sentido de não nos oferecer a oportunidade para o sustento de nossa vida, convém não nos desesperamos, quando tal nos acontecer. A beleza não está na facilidade, mas na luta contra as adversidades e revezes, os quais serão levados em conta quando passarmos para a outra dimensão da existência.

Como o nosso mundo é dicotômico, ao lado dos sofrimentos, temos também alegrias, principalmente no contato com os amigos que se afeiçoam com o nosso modo de ser, incentivando-nos e dando-nos forças para continuarmos o cumprimento de nosso dever.