29 fevereiro 2012

Pedro, o Apóstolo

O Espírito Irmão X, no capítulo 20 ("Pedro, o Apóstolo"), do livro Crônicas de Além-Túmulo, relata a conversa que teve com Pedro durante o 2.º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Minas Gerais. 

Pedro, nas suas colocações, não se considera um Espírito de luz e não acha que tenha as chaves da porta do Céu, como se costuma apregoar.


20 — Pedro, o Apóstolo

25 de agosto de 1936

Enquanto a Capital dos mineiros, dirigida pelos seus elementos eclesiásticos, se prepara, esperando as grandes manifestações de fé do segundo Congresso Eucarístico Nacional, chegam os turistas elegantes e os peregrinos invisíveis. Também eu quis conhecer de perto as atividades religiosas dos conterrâneos de Augusto de Lima.

Na Praça Raul Soares, espaçosa e ornamentada, vi o monumento dos congressistas, elevando-se em forma de altar, onde os altos religiosos serão celebrados. No topo, a custódia, rodeada de arcanjos petrificados, guardando o símbolo suave e branco da eucaristia, e, cá em baixo, nas linhas irregulares da terra, as acomodações largas e fartas, de onde o povo assistirá, comovido, às manifestações de Minas católica.

Foi nesse ambiente que a figura de um homem trajado à israelita, lembrando alguns tipos que em Jerusalém se dirigem, frequentemente, para o lugar sagrado das lamentações, aguçou a minha curiosidade incorrigível de jornalista.

— Um judeu?! — exclamei, aguardando as novidades de uma entrevista.

— Sim, fui judeu, há algumas centenas de anos — respondeu laconicamente o interpelado.

Sua réplica exaltou a minha bisbilhotice e procurei atrair a atenção da singular personagem.

— Vosso nome? — continuei.

— Simão Pedro.

— O Apóstolo?

E a veneranda figura respondeu afirmativamente, colando ao peito os cabelos respeitáveis da barba encanecida.

Surpreso e sedento da sua palavra, contemplei aquela figura hebraica, cheia de simplicidade e simpatia. Ao meu cérebro afluíam centenas de perguntas, sem que pudesse coordená-las devidamente.

— Mestre — disse-lhe, por fim —, vossa palavra tem para o mundo um valor inestimável. A cristandade nunca vos julgou acessível na face da Terra, acreditando que vos conserváveis no Céu, de cujas portas resplandecentes guardáveis a chave maravilhosa. Não teríeis algumas mensagens do Senhor para transmitir à Humanidade, neste momento angustioso que as criaturas estão vivendo?

E o Apóstolo venerável, dentro da sua expressão resignada e humilde, começou a falar:

— Ignoro a razão por que revestiram a minha figura, na Terra, de semelhantes honrarias. Como homem, não fui mais que um obscuro pescador da Galileia e, como discípulo do Divino Mestre, não tive a fé necessária nos momentos oportunos. O Senhor não poderia, portanto, conferir-me privilégios, quando amava todos os seus apóstolos com igual amor.

— É conhecida, na história das origens do Cristianismo, a vossa desinteligência com Paulo de Tarso. Tudo isso é verdadeiro?

— De alguma forma, tudo isso é verdade — declarou bondosamente o Apóstolo. — Mas, Paulo tinha razão. Sua palavra enérgica evitou que se criasse uma aristocracia injustificável, que, sem ele, teria que desenvolver-se fatalmente entre os amigos de Jesus, que se haviam retirado de Jerusalém para as regiões da Batanéia.

— Nada desejais dizer ao mundo sobre a autenticidade dos Evangelhos?

— Expressão autêntica da biografia e dos atos do Divino Mestre, não seria possível acrescentar qualquer coisa a esse livro sagrado. Muita iniquidade se tem verificado no mundo em nome do estatuto divino, quando todas as hipocrisias e injustiças estão nele sumariamente condenadas.

— E no capítulo dos milagres?

— Não é propriamente milagre o que caracterizou as ações práticas do Senhor. Todos os seus atos foram resultantes do seu imenso poder espiritual. Todas as obras a que se referem os Evangelistas são profundamente verdadeiras.

E, como quem retrocede no tempo, o Apóstolo monologou:

— Em Carfanaum, perto de Genesaré, e em Betsaida, muitas vezes acompanhei o Senhor nas suas abençoadas peregrinações. Na Samaria, ao lado de Cesaréia de Felipe, vi suas mãos carinhosas dar vistas aos cegos e consolação aos desesperados. Aquele sol claro e ardente da Galileia ainda hoje ilumina toda a minha alma e, tantos séculos depois de minhas lutas no mundo, ao lado de alguns companheiros procuro reivindicar para os homens a vida perfeita do Cristianismo, com o advento do Reino de Deus, que Jesus desejou fundar, com o seu exemplo, em cada coração...

— Os filósofos terrenos são quase unânimes em afirmar que o Cristo não conhecia a evolução da ciência grega, naquela época, e que as suas parábolas fazem supor a sua ignorância acerca da organização política do Império Romano: seus apóstolos falam de reis e príncipes que não poderiam ter existido.

— A ação do Cristo — retrucou o Apóstolo — vai mais além que todas as atividades e investigações das filosofias humanas. Cada século que passa imprime um brilho novo à sua figura e um novo fulgor ao seu ensinamento. Ele não foi alheio aos trabalhos do pensamento dos seus contemporâneos. Naquele tempo, as teorias de Lucrécio, expandidas alguns anos antes da obra do Senhor, e as lições de Filon em Alexandria, eram muito inferiores às verdades celestes que Ele vinha trazer à Humanidade atormentada e sofredora...

E, quando a figura venerada de Simão parecia prestes a prosseguir na sua jornada, inquiri, abruptamente:

— Qual o vosso objetivo, atualmente, no Brasil?

— Venho visitar a obra do Evangelho aqui instituída por Ismael, filho de Abraão e de Agar, e dirigida dos espaços por abnegados apóstolos da fraternidade cristã.

— E estais igualmente associado às festas do segundo Congresso Eucarístico Nacional? — perguntei.

Mas, o bondoso Apóstolo expressou uma atitude de profunda incompreensão, ao ouvir as minhas derradeiras palavras.

Foi quando, então, lhe mostrei o rico monumento festivo, as igrejas enfeitadas de ouro, os movimentos de recepção aos prelados, exclamando ele, afinal:

— Não, meu filho!... Esperam-me longe destas ostentações mentirosas os humildes e os desconsolados. O Reino de Deus ainda é a promessa para todos os pobres e para todos os aflitos da Terra. A Igreja romana, cujo chefe se diz possuidor de um trono que me pertence, está condenada no próprio Evangelho, com todas as suas grandezas bem tristes e bem miseráveis. A cadeira de São Pedro é para mim uma ironia muito amarga... Nestes templos faustosos não há lugares para Jesus, nem para os seus continuadores...

— E que sugeris, Mestre, para esclarecer a verdade?

Mas, nesse momento, o Apóstolo venerando enviou-me um gesto compassivo e piedoso, continuando o seu caminho, depois de amarrar, resignadamente, o cordão das sandálias.



Um Cético

O Espírito Irmão X, no capítulo 14 ("Um Cético"), do livro Crônicas de Além-Túmulo, por Francisco Cândido Xavier, relata a conversa que teve com um  monge desencarnado, em que tudo via problemas, descrenças, desilusões.  

... E por que não tenta o Espiritismo? Já tentei, mas também me desiludi.

— Então, nada o convence?

— Nada. Ficarei aqui até à consumação dos evos, se a mão do Diabo não se lembrar, de me arrancar dessa toca de ossos moídos e cinzas asquerosas. E, quanto ao senhor, não procure afastar-me dessa misantropia. Continue gritando para o mundo que lhe guarda os despojos. Eu não o farei.

Judas Iscariotes e a Paixão de Cristo

Na semana em que se comemora a Paixão de Cristo, costuma-se "malhar o Judas". Geralmente, as pessoas o fazem inconscientemente, movidas mais pelos costumes do que pelo fato em si. O Irmão X, no capítulo 5 ("Judas Iscariotes"), do livro Crônicas de Além-Túmulo, pela psicografia de Chico Xavier, mostra-nos o erro que cometemos, pois não levamos em conta a atuação do tempo na evolução do Espírito.

Judas, explicando o ocorrido, diz: "Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas idéias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder já que, no seu manto de pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que aliás apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos".


Delinquência

A delinquência é a falta de obediência a leis ou padrões morais. Embora não haja uma distinção clara entre delinquência e criminalidade, podemos, de acordo com a Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo, dizer: 1.º) a criminalidade é fenômeno que se refere exclusivamente ao comportamento do grupo; a delinquência pode-se referir também ao comportamento do indivíduo; 2.º) a delinquência constitui mais uma categoria sociológica; a criminalidade constitui mais uma categoria jurídica.

Presentemente, há um recrudescimento da delinquência, sobretudo entre os jovens. As causas são variadas. Entre elas, citamos: insatisfação social, questionamento quanto ao comportamento dos adultos, adiamento à entrada no mercado de trabalho, busca do prazer, geralmente sugerido por filmes e propagandas da mídia televisiva, busca de notoriedade numa sociedade cada vez mais burguesa e anônima. 

Na Bíblia, encontramos muitos exemplos de delinquência. Em todas elas, Deus aparece como um Senhor que aplica a lei do talião, ou seja, a do “olho por olho, dente por dente”. Isso acontecia porque naquela época as pessoas eram ainda rudes e desconheciam a obediência natural à vontade do Pai. O próprio Moisés, para educar o seu povo, valeu-se tanto da lei civil, áspera e dura, quanto da lei de Deus, mais de acordo com a justiça divina. Observe que a pedagogia moderna, fundamentada em estudos psicológicos, procura não considerar o crime em si, mas a situação subjetiva do delinquente.

Os evangelistas não tratam especificamente das imposições contra a delinqüência; procuram, através dos ensinamentos de Jesus – baseados na lei do amor –, mudar o comportamento das pessoas, principalmente dos jovens. Enaltecem a prática das boas ações, mostrando que todos nós devemos fazer esforços para nos desviarmos do mal. Para tanto, sugerem que entremos pela porta estreita, a do sacrifício, e não pela porta larga, a dos gozos mundanos.

A Doutrina Espírita, que nada mais é do que o Evangelho redivivo de Jesus, explica-nos em detalhes a lei de reencarnação e a lei causa e efeito, mostrando-nos a responsabilidade pelos nossos atos. Enfatiza que não praticar o bem é o mesmo que praticar o mal. Por isso, não temos o direito de criticar o delinquente, se nada estivermos fazendo para minimizar esse grave problema social.

A eliminação da delinquência do mundo começa por cada um de nós. Como exigir a pureza do outro, se o delito e a criminalidade ainda moram em nossos corações?

Fonte de Consulta


IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

28 fevereiro 2012

Silêncio

De acordo com o dicionário, podemos dizer que o silêncio é a ausência de qualquer ruído, um estado de sossego, de repouso.  Para a filosofia, porém, o silêncio não se confunde com ausência de qualquer ruído; ele representa apenas a abolição da palavra ou da linguagem. Em termos metafísicos, a experiência do silêncio gera uma angústia existencial: "O silêncio eterno dos espaços infinitos me apavora", diz Pascal. Há, também, a experiência mística, que liga o silêncio à oração, à meditação, ao ascetismo e à solidão.

O silêncio segundo alguns pensadores. Para Confúcio, “O silêncio é um amigo que nunca atraiçoa”; para Thomas Browne, “Não penses que o silêncio é a sabedoria dos tolos. Pelo contrário, no devido tempo e no devido lugar, é a honra dos sábios, que não possuem a fraqueza, senão a vontade de calar”; para Alejandro Casona, “Não falar nunca de uma coisa não quer dizer que não se sinta”; para Marcel Arnac, “Saber falar é bom; saber calar é melhor. Quantos cretinos passaram por pessoas inteligentes, simplesmente porque, tendo sabido calar, pensaram as mesmas cretinices que os outros pensaram, mas não as disseram”.

O silêncio é uma atitude fundamental do ser humano, que apresenta aspecto negativo e positivo. Em termos negativos, alude-se à passividade, ao isolamento e à incomunicabilidade. Positivamente, é o momento de reflexão da palavra, da meditação, da assimilação daquilo que foi dito. Sem o silêncio o indivíduo ficaria muito restrito às comunicações verbais sem os fundamentos da profundidade. Ouviria e passaria sem que pudesse ter um peso na evolução do ser humano.

Na Bíblia, há várias passagens acerca do silêncio, tanto no sentido negativo quanto no sentido positivo. A loquacidade, por exemplo, é condenada pela sua leviandade. O domínio da língua, por outro lado, é sinal de autodomínio. Em certo trecho dos Provérbios, “A língua assemelha-se ao timão de um navio, que é preciso dirigir e controlar”. “A sabedoria está em saber calar e saber falar em seu devido tempo”. (Ecl 3, 1-7)

Em se tratando de nossa relação com Deus, silêncio absoluto, estejamos atentos às palavras de Cristo, que veio ao mundo para nos ensinar a obediência ao Pai, no sentido de fazer transcender a nossa alma enfermiça. Por isso, o cuidado de não nos apegarmos demasiadamente à superficialidade do cotidiano, às sugestões da mídia, às sugestões de outras tantas inutilidades para a evolução real do nosso Espírito.

O silêncio é o lenitivo para todas as nossas dores. Exercitemo-nos em ouvir os outros, pois todos podem ser nossos professores em algum detalhe da vida.

Complemento

“Quando a ascética cristã fez a apologia do silêncio, não o fez como negação da comunicação, que é a expressão suprema dos valores interpessoais, mas sim como um serviço a essa comunicação com Deus e com os irmãos”.

Essa apologia foi feita para arrancar a comunicação de seus caminhos rotineiros e superficiais e canalizá-la para as profundezas de um autêntica experiência.

Silencio representa traição à causa quando a situação exige que se proclame corajosamente o Evangelho.

A maravilha de Deus também provoca no homem o silêncio da surpresa, da estupefação.

Neste mundo de tantas palavras tão falsas e superficiais é preciso aprender a fazer silêncio e ponderar bem aquilo que vai dizer, para não repetir slogans maquinalmente, mas falar como expressão de vivência interior. 

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

Complemento: dezembro de 2017

"A infelicidade de um homem começa com a incapacidade de estar a sós, consigo mesmo, num quarto." (Pascal)

Isso diz respeito ao silêncio. Pesquisas da Universidade de Virginia e da Harvard mostram que este problema é bem atual. No teste que aplicaram aos pretendentes (permanecer 6 a 15 minutos em silêncio total), poucos lograram êxito. 


26 fevereiro 2012

Charles Richet e a Fé

O Espírito Irmão X, no capítulo 16 ("A Passagem de Richet"), de Crônicas de Além-Túmulo, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, relata o desencarne de Charles Richet, criador da metapsíquica. Segundo o texto, ele fora enviado ao Planeta Terra com a missão de desenvolver a ideia da imortalidade. Teve todas as circunstâncias favoráveis, mas não deixou a fé crescer em seu coração. 

Daí, a seguinte frase: "Se, após oitenta e cinco anos de existência na face da Terra, ele não pode adquirir, com a sua ciência, a certeza da Imortalidade, é desnecessária a continuação da sua estada nesse mundo. Como recompensa aos seus esforços honestos em benefício dos irmãos em humanidade, quero dar-lhe agora, com o poder do meu amor, a centelha divina na crença, que a ciência planetária jamais lhe concedeu, nos seus labores ingratos e frios". 


25 fevereiro 2012

Hipócritas e Hipocrisia, em o Evangelho Segundo o Espiritismo


Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo

Em “Notícias Históricas”, no item Fariseus, temos: “Acreditavam, ou, pelo menos, fingiam acreditar na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos”. Jesus, que prezava a simplicidade e as qualidades da alma, procurou, em toda a oportunidade, desmascarar-lhes a hipocrisia.

Em “Sócrates e Platão, Precursores da Ideia Cristã e do Espiritismo”, extraímos: Sócrates, como o Cristo, foi vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças que encontrara e colocado a virtude real acima da hipocrisia e do simulacro das formas; o combate aos preconceitos religiosos tem esse preço. 

Capítulo VIII  Bem-Aventurados Aqueles que Têm Puro o Coração.

Em “A Verdadeira Pureza. Mãos não lavadas”, temos: “Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, quando disse: Este povo me honra de lábios, mas conserva longe de mim o coração; é em vão que me honram ensinando máximas e ordenações humanas." (Mateus, 15, 1 a 20)

Comentário: Não é o que entra pela boca que macula o homem, mas o que sai, pois o que sai provém do coração.

Capitulo X    Bem-Aventurados Aqueles que São Misericordiosos

Em “O Argueiro e a Trave no Olho”, temos: “Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho? - Ou, como é que dizeis ao vosso irmão: Deixa-me tirar um argueiro ao teu olho, vós que tendes no vosso uma trave? - Hipócritas, tirai primeiro a trave ao vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão”. (Mateus, 7, 3 a 5.)

Comentário: vemos o mal que há no outro, mas somos incapazes de ver o mal que há dentro de nós. Este é o grande problema da Humanidade. Para resolvê-lo, deveríamos nos colocar no lugar do outro.

Capítulo XI — Amar ao Próximo como a Si Mesmo

Em “Dai a César o que é de César”, os discípulos dos fariseus fazem a seguinte pergunta a Jesus: É-nos permitido pagar ou deixar de pagar a César o tributo? “Jesus, porém, que lhes conhecia a malícia, respondeu: Hipócritas, por que me tentais? Apresentai-me uma das moedas que se dão em pagamento do tributo. E, tendo-lhe eles apresentado um denário, perguntou Jesus: De quem são esta imagem e esta inscrição? - De César, responderam eles. Então, observou-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. (Mateus, 22, 15 a 22; Marcos, 12, 13 a 17.)

Comentário: a questão proposta tinha o cunho de transformar um problema político em religioso. Mas, “Jesus conhecendo sua malícia”, evita a dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, dizendo-lhes para restituírem a cada um o que lhe era devido.

Capítulo XII — Amai os Vossos Inimigos

Em “A Vingança”, os Espíritos nos instruem que a vingança, as mais das vezes assume aparências hipócritas, ocultando nas profundezas do coração os maus sentimentos que o animam. “Toma caminhos escusos, segue na sombra o inimigo, que de nada desconfia, e espera o momento azado para sem perigo feri-lo...”

Capítulo XIII  Que a Vossa Mão Esquerda não Saiba o que Dá a Vossa Mão Direita

Em “Fazer o Bem Sem Ostentação”, anotamos: “Tende cuidado em não praticar as boas obras diante dos homens, para serem vistas, pois, do contrário, não recebereis recompensa de vosso Pai que está nos céus. - Assim, quando derdes esmola, não trombeteeis, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa. - Quando derdes esmola, não saiba a vossa mão esquerda o que faz a vossa mão direita; - a fim de que a esmola fique em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará”. (Mateus, 6 , 1 a 4.)

Comentário: esta passagem evangélica caracteriza a beneficência modesta; é sinal de grande superioridade moral, pois quem o faz deixa de lado a vida presente e concentra-se na vida futura; deixa de lado o reconhecimento dos homens para, se possível, ter o reconhecimento de Deus.

Capítulo XXI — Haverá Falsos Cristos e Falsos Profetas

Em “Não Acrediteis em Todos os Espíritos”, temos: “O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas idéias”.

Comentário: se não analisarmos cuidadosamente a mensagem dos Espíritos, poderemos facilmente cair em suas ciladas.

Capítulo XXVII  Pedi e Obtereis

Em “Qualidades da Prece”, temos: “Quando orardes, não vos assemelheis aos hipócritas, que, afetadamente, oram de pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens. - Digo-vos, em verdade, que eles já receberam sua recompensa...” (Mateus, 6, 5 a 8.)

Comentário: procuremos orar sempre em silêncio, no âmago do nosso coração.

Capítulo XXVIII — Coletâneas de Preces Espíritas

Em “Para Afastar os Maus Espíritos”, anotamos “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que limpais por fora o copo e o prato e estais, por dentro, cheios de rapinas e impurezas. - Fariseus cegos, limpai primeiramente o interior do copo e do prato, a fim de que também o exterior fique limpo. - Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que vos assemelhais a sepulcros branqueados, que por fora parecem belos aos olhos dos homens, mas que, por dentro, estão cheios de toda espécie de podridões. - Assim, pelo exterior, pareceis justos aos olhos dos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidades”. (Mateus, 23, 25 a 28.)

Comentário: os Espíritos não se afastam pela ordenança ou pelo pedido. Precisamos despojar de nós o que os atrai. 

22 fevereiro 2012

Consciência Cristalizada

O que significa cristalizar? Como uma consciência pode se cristalizar? Figuradamente, podemos dizer que cristalizar é a ação de concentrar-se, de fixar-se em torno de um sentimento, de uma ideia, de um assunto etc.: a cristalização da atenção. Em se tratando da consciência, podemos dizer que é aquela que se fixou, se concentrou num conteúdo de ideias e sentimentos, sem querer dele abrir mão.

A consciência se cristaliza porque não nos empenhamos em pensar por nós mesmos, ficando à escuta sempre dos outros ou dos apelos do mundo que nos circunda, como toda a espécie de mídia. Além disso, quando não nos concentramos em nós mesmos, podemos ser presas fáceis do monoideísmo, das ideais fixas, muitas delas nos levando aos quadros de obsessão, com os seus desdobramentos em fascinação e subjugação.

Sócrates,na Antiguidade, já nos falava da necessidade de nos conhecermos a nós mesmos, de nos tornarmos seres humanos autoconscientes. Em 7 de janeiro de 1937, no capítulo 25, do livro Crônicas de Além-Túmulo, pelo Espírito Irmão X, através de Francisco Cândido Xavier, volta ao mesmo tema, ou seja, à “consciência de si mesmo”, como a única maneira de combater o pensamento cristalizado.

Desta mensagem, escolhemos duas passagens que nos auxiliam a compreensão deste tema: 
 1ª) desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens benevolentes e sábias?  Seria inútil, pois os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos; são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si; — 2) há a elite dos filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir. — Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no ataúde das escolas.

No Espiritismo, aprendemos que o estado mórbido da consciência (monoideísmo) caracteriza-se pela persistência de uma ideia, que nem o curso normal das ideias, nem a vontade conseguem dissipar. A fixação mental é uma questão de atitude assumida. Se mudarmos o foco, ou seja, se melhorarmos o teor energético de nosso pensamento,  ampliaremos o nosso campo mental para o bem e estaremos nos libertando dos pensamentos malsãos.

Quando toda a humanidade tornar-se consciente de si, não haverá mais cidadãos da pátria, mas somente irmãos entre si. 


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Sócrates, no Instituto Celeste de Pitágoras

O Espírito Irmão X, no capítulo 25 ("Sócrates"), de Crônicas Além-Túmulo, por Francisco Cândido Xavier, oferece-nos alguns dados para a nossa reflexão. Percebemos que a tônica do pensamento de Sócrates, mesmo depois de todos esses séculos, ainda funda-se na consciência de si. Em todas as suas respostas, vale-se da comparação entre o estado atual da humanidade e a distância para com o perfeito conhecimento de si mesmo.  

Para Sócrates, os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos; ainda são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si. Por isso, acha inútil enviar ao mundo suas mensagens benevolentes e sábias. Acrescenta que, mesmo entre os filósofos,  as suas verdades não seriam reconhecidas, pois eles mantêm o pensamento cristalizado no ataúde das escolas.

Em suas explicações, faz uma indagação: não crucificaram, por lá, o Filho de Deus, que lhes oferecia a própria vida para que conhecessem e praticassem a verdade? 


13 fevereiro 2012

Droga: A Trivialização do Imediato

O problema das drogas assenta-se na transcendência do imediato. Os jovens, mais do que os adultos, necessitam evadir-se do real, pois estão sempre à procura de novas experiências, de novos desafios. Buscam-no, se preciso for, nas drogas, quer sejam lícitas ou não. Na trivialização do imediato, eles não percebem as consequências deste pernicioso vício, cujos malefícios podem se desdobrar para o futuro, inclusive nas próximas encarnações.

As causas, ou o processo de iniciação às drogas, podem ser individuais e sociais. No âmbito individual, apontamos: 1) falta de maturidade para enfrentar a vida; 2) dependência psicológica; 3) falta de adaptação às contrariedades; 4) anseio para evadir-se para mundos fantásticos; 5) pressa para adquirir bens que outros levaram quase a existência inteira; 6) fuga ao esforço para resistir a este vício.  

Os fatores sociais, mais decisivos do que os individuais, são: 1) países desenvolvidos exportam o vício da droga; 2) países pobres gostam de imitar os costumes dos países ricos; 3) a droga é vista como prova de audácia e valentia; 4) anseio juvenil de viver experiências novas; 5) busca-se um clima para sensações fortes e grandes; 6) a droga é mais acessível e parece trazer menos complicações imediatas; 7) confronto com adultos, por causa do caráter proibitivo.

No estudo das drogas, convém salientar que elas não são igualmente perniciosas, pois há as tranquilizantes, as estimulantes e as alucinógenas. Observe que a maconha, o haxixe e as drogas psicodélicas podem ter efeitos prejudiciais, mas não são para sempre. Entretanto, devemos tomar cuidado com as drogas verdadeiramente perniciosas, como o ópio, a morfina, a heroína, a cocaína e o crack.

O tratamento ao drogado deve ser um misto de medicina, psicologia e religião. Na medicina, aplica-se a substância medicamentosa; na psicologia, o aconselhamento salutar; na religião, o amparo da fé. É importante ter muito tato para afastar os jovens desse caminho. Necessitamos propor-lhes novos horizontes, novas perspectivas, enfatizando que a presente situação não é criminosa, mas que pode ser mudada para coisas úteis e produtivas à sociedade.

Embora a cura do drogado seja difícil, a prevenção é o elemento-chave para que o jovem se desvie desse pernicioso mal da sociedade moderna.  

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

PARA REFLETIR


Amigos da Patrícia, que o texto se refere, me mostraram esta matéria e em sabendo de minha formação espírita, pediram se não é possível auxiliar a jovem em questão, apesar de já falecida.  Sendo por esta razão que venho pedir aos senhores que a auxiliem.

Muito obrigado.
Marcílio 

Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Dane minha amiga, para escrever esta carta que será endereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais. Eu era uma jovem "sarada", criada em uma excelente família de classe média alta de Florianópolis.Meu pai é Engenheiro Eletrônico de uma grande estatal, e procurou sempre para mim e para meus dois irmãos dar tudo de bom e o que tem de melhor, inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar. Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim para a Agência Kasting e fui até o final do concurso que selecionou as novas Paquitas do programa da Xuxa. Fui também selecionada para fazer um Book na Agência Elite em São Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava a atenção por onde passava. Estudava no melhor colégio de "Floripa", Coração de Jesus. Tinha todos os garotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana freqüentava shopping, praias, cinema, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer às pessoas saradas, física e mentalmente.
Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destino começou a mudar em outubro de 1994. Fui com uma turma de amigos para a OCTOBERFEST em Blumenau. Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no "Bude", famoso barzinho da Rua XV. À noite fomos ao "PROEB" e no "Pavilhão Galego" tinha um show maneiro da Banda Cavalinho Branco. Aquela movimentação de gente era trimaneira". Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da minha mãe o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado bêbada. Na quinta feira, primeiro dia de OCTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensação legal curti a noite inteira "doidona", beijei uns 10 carinhas, inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado com guaraná para enganar os "meganha", porque menor não podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e os "otários" não percebiam. Lá pelas 4h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quase em coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros. Deram-me umas injeções de glicose para melhorar. Quando fui ao apartamento quase "vomitei as tripas", mas o meu grito de liberdade estava dado.
No dia seguinte aquela dor de cabeça horrível, um mal estar daqueles como tensão pré- menstrual. No sábado conhecemos uma galera de S.Paulo, que alugaram um "ap" no mesmo prédio. Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino.
Bebi um pouco no sábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5:30h da manhã fomos ao "ap" dos garotos para curtir o restante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado "Cigarro de Maconha", que me ofereceram. No começo resisti, mas chamaram a gente de "Catarina careta", mexeram com nossos brios e acabamos experimentando. Fiquei com uma sensação esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente. O garoto mais velho da turma o "Marcos", fazia carreirinho e cheirava um pó branco que descobri ser cocaína. Ofereceram-me, mas não tive coragem aquele dia.
Retornamos a "Floripa" mas percebi que alguma coisa tinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experiências, e não demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino "DRUGS". Aos poucos meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber eu já era uma dependente química, a partir do momento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano. Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com um monte de porcaria. Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína com sangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos não compartilhávamos a seringa e sim o sangue que cada um cedia para diluir o pó. No início a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o preço era acessível. Comecei a comprar a "branca" a R$ 7,00 o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$ 15,00 a boa, e eu precisava no mínimo 5 doses diárias. Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus "novos amigos". Às vezes a gente conseguia o "extasy", dançávamos nos "Points" a noite inteira e depois farra.
O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no início eu disfarçava e dizia que eles não tinham nada a ver com a minha vida. Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas. Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem. Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário para conseguir dinheiro. Aos poucos toda a minha família foi se desestruturando. Fui internada diversas vezes em Clínicas de Recuperação. Meus pais sempre com muito amor gastavam fortunas para tentar reverter o quadro. Quando eu saía da Clínica agüentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola, bons amigos e família.
Em dezembro de 1997 a minha sentença de morte foi decretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS, não sei se me picando, ou através de relações sexuais muitas vezes sem camisinha. Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque os homens pagavam mais para transar sem camisinha. Aos poucos os meus valores, que só agora reconheço, foram acabando, família, amigos, pais, religião, Deus, até Deus, tudo me parecia ridículo. Meu pai e minha mãe fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de amá-los.
Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu a joguei pelo ralo. Estou internada, com 24kg, horrível, não quero receber visitas porque não podem me ver assim, não sei até quando sobrevivo, mas do fundo do coração peço aos jovens que não entrem nessa viagem maluca... Você com certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que é tarde demais pra mim.


OBS.: Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e descreve a enfermeira Danelise, que Patrícia veio a falecer 14 horas mais tarde que escreveram essa carta, de parada cardíaca respiratória em conseqüência da AIDS.
Por favor, repassem esta carta. Este era o último desejo de Patrícia.

Recebido de Marcílio Franco da Costa Pereira em janeiro de 2013. 

09 fevereiro 2012

Caminho

“O caminhante não tem caminho, o caminho se faz ao caminhar”.

caminho é o símbolo expressivo da vida humana. Representa uma incessante caminhada da infância à juventude, desta para a maturidade e da maturidade para a velhice. Há o caminho rústico do homem do campo e o caminho apressado do homem citadino. Podemos caminhar por ruas, avenidas e praças. Nos campos, as estradas estão vazias; nas cidades, superlotadas.   

Tomar um caminho velho, aberto pelas gerações anteriores, é aproveitar as suas experiências, as quais podem nos desviar dos erros que já cometeram. A navegação mostra-se mais suave que na terra, mas tem também os seus percalços, ou seja, as tormentas do alto mar. Psicologicamente, podemos falar do caminho interior, em que cada um faz a sua própria caminhada.  

Do ponto de vista religioso, o que conta é o aproveitamento moral da existência. Nesse sentido, há o bom e o mau caminho. O bom caminho exige esforço, dedicação, persistência para entrar pela porta estreita; o mal, que se fundamenta no comodismo, pode nos levar aos vícios de toda espécie. O caminho é meio, a meta é a salvação. O caminho por excelência do cristão é caminhar com Cristo, que nos leva ao Pai. Jesus não só nos ensina o caminho, como nos faz encontrar com o Pai.

O caminho nos faz lembrar da estrada real, que significa a via direta, a via reta, que está em oposição aos caminhos tortuosos. Vejamos o que Fílon de Alexandria diz a respeito: "Entremos na estrada real, nós que achamos que é preciso abandonar as coisas da terra, nessa estrada real da qual nenhum homem é senhor, somente aquele que é verdadeiramente rei... Aquele que viajar pela estrada real não sentirá fadiga até o seu encontro com o rei". Baseando-se nessa estrada real é que Cristo disse: "eu sou o caminho, a verdade e a vida".

A estrada real da santa cruz, de que nos reporta o Evangelho, é tomar cada um a sua cruz, e com ela caminhar ao reino do céu. Tomas A. Kempis, em Imitação do Cristo,  diz-nos que: “Na cruz está a salvação, na cruz a vida, na cruz o amparo contra os inimigos, na cruz a abundância da suavidade divina, na cruz a fortaleza do coração, na cruz o compêndio das virtudes, na cruz a perfeição da santidade”. Complementa que somente os que tomam a sua cruz e seguem a jesus entrarão na vida eterna.

Que o nosso caminho seja o verdadeiro caminho da salvação de nossa alma.

Novo Texto sobre o Caminho 

Que caminho percorrer na vida? Há determinismo? E a questão do livre-arbítrio? Qual a realidade que nos envolve? Quais são os seus entraves? O que dificulta a nossa caminhada? A oração feita a Deus tira-nos da dificuldade que temos de passar na vida? Por que Jesus disse que o seu jugo era suave se o nosso fardo parece ser cada dia mais pesado? Para refletir sobre este tema, escolhemos três tópicos, ou seja, a dor, o dever e a aquisição de virtudes.

dor é teológica, pois leva consigo um destino. Qual o sentido desta frase? Significa dizer que o passado prepara o presente e este o futuro. A dor é uma realidade, porque tanto sofre aquele que tem riqueza, fama e poder como aquele que nada tem, esquecido numa choupana. A dor é inerente ao progresso espiritual, porque sem ela não percebemos as chagas de nossa alma. Para vencê-la, urge que sejamos fortes e resignados, pois a reclamação e o desânimo mais atrapalham do que ajudam, visto que as lágrimas vertidas não irão substituir o suor que teremos de fazer para atingir a perfeição do Espírito.


dever é o aguilhão da consciência. Ele começa no instante em que ameaçamos a felicidade ou tranquilidade do nosso próximo e termina no limite em que nos vemos ameaçados. A responsabilidade pela prática dos atos livres – tanto bons quanto maus – mostra a força do dever. Nesse sentido, o dever aparece como um resumo prático de todas as especulações morais, porque não é fácil afrontar as angústias da alma, principalmente quando temos de contrariar e sermos contrariados por alguém.


Adquirir virtudes é um requisito essencial no caminho da vidaE por virtude entendemos a potência racional que inclina o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. Virtude vem de virtus, que significa fortaleza. Isso quer dizer que no cumprimento do dever, o esforço para estarmos sempre com a nossa consciência tranquila deve ser sem limites. E não importa o sofrimento, a dor e os revezes que tivermos de passar. Importa estarmos subindo sempre pela mesma escada e não a do vizinho.


Alguns pensamentos para reflexão: "Não digas: essa pessoa me aborrece. – Pensa: essa pessoa me santifica". "Nenhum ideal se torna realidade sem sacrifício. – Nega-te a ti mesmo. – É tão belo ser vítima!" "Tudo o que não leva a Deus é um estorvo. Arranca-o e joga-o para longe". "Virtude sem ordem? – Estranha virtude! Quando tiveres ordem, multiplicar-se-á o teu tempo e, portanto, poderás dar maior glória a Deus, trabalhando mais a seu serviço". "Serás líder se tiveres a ambição de salvar todas as almas".


Conforme formos caminhando ao encontro de Jesus, o próprio caminho vai-se nos abrindo para horizontes mais vastos que antes não tínhamos previsto. Saibamos confiar em Deus. Ele sabe o que é melhor para a salvação de nossa alma.


São Paulo, 18/9/2004.


Caminho. Faixa de terreno ou local de passagem que serve de ligação ou comunicação terrestre entre dois ou mais lugares. P. ext. orientação ou direção de uma sucessão de fatos ou eventos. Simbolicamente, na amplidão do horizonte, vê-se uma linha tênue que ziguezagueia, perdendo-se finalmente na distância.

O caminhar é a expressão de toda a vida: infância, juventude, mocidade e velhice. Quando concluída, premia-se o esforço da alma nesse trajeto. A praça é o local do descanso, da diversão, da distração. O verdadeiro caminho é o da rua, em que o indivíduo se movimenta para um determinado fim. 

Todas as religiões procuram indicar aos seus seguidores o caminho correto da salvação. Buda pregava o "caminho sagrado de oito elementos". Quem seguir o Cristo entra no Reinos dos Céus. Cristo disse de si mesmo que era o caminho, a verdade e a vida.

O caminho na Bíblia. O começo está na saída triunfante do Egito, acompanhada pelo próprio Deus (Ex 13,20-22; Sl 77,20). Em seguida, vem o caminhar pelo deserto em busca da terra prometida. Depois o desterro, que é o amargo caminho do castigo. E depois o regresso à terra santa pelos caminhos da alegria. 

O caminho por excelência dos cristãos é Cristo. Jesus é tido como o intermediário que leva o individuo ao encontro do Pai, Deus. Cristo é o caminho por tanto tempo esperado. Ele é a esperança de salvação da humanidade "pecadora". 

Allan Kardec, no item “Caminho da Vida”, do livro Obras Póstumas, compara a evolução do ser humano às vitórias obtidas na estrada, cujas florestas devem ser ultrapassadas. Na primeira delas, temos muitas dificuldades, pois não conhecemos os seus meandros: erramos, sem saber para onde vamos; mesmos extenuados e rasgados pelos espinhos chegamos ao nosso curso. Na segunda floresta, estamos mais confiantes, pois a experiência da primeira nos desvia do trajeto indevido. Na terceira floresta, estaremos ainda mais confiantes e, assim, sucessivamente.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 81 “Prosseguindo”, do livro Palavras de Vida Eterna, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, consola-nos ao comentar o trecho evangélico “Prossigo para o alvo...” Paulo (Filipenses, 3,14). Ele nos ensina que o menino deixa a infância para entrar mocidade, o jovem deixa a mocidade para entrar na madureza, o adulto deixa a madureza para entrar na senectude e ancião deixa a extrema velhice para entrar no mundo espiritual, não como quem perde os valores adquiridos, mas sim prosseguindo para o alvo que as Leis de Deus nos assinalam a cada um...

Bibliografia Consultada

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

KARDEC, A. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 15.ed., Rio de Janeiro: FEB, 1975.

LURKER, Manfred. Dicionário de Simbologia. Tradução Mário Krauss e Vera Barkow. 2. ed., São Paulo: Martins Fontes, 2003.

XAVIER, F. C. Palavras de Vida Eterna, pelo Espírito Emmanuel. 8. ed., Minas Gerais: CEC, 1986.

São Paulo, outubro de 2015

Diálogo de Filme

Um Diálogo, extraído do filme de Edmund Goulding, denominado "O Fio da Navalha", de 1946, com Tyrone Power, Gene Tierney, John Payne, Anne Baxter e outros. 

Tyrone Power interpreta o papel de um sujeito que está à procura de um sentido para a sua vida. Praticamente no meio do filme, ele faz uma visita a um indiano famoso. 

Eis, a recomendação do sábio indiano:

A estrada para a salvação é difícil de percorrer. Tão difícil quanto o fio de uma navalha. Nós, indianos, acreditamos que há três caminhos para Deus:

1) Caminho da fé e da adoração. 

2) Caminho de bons trabalhos realizados por amor a Deus.

3) Caminho que leva à sabedoria através do conhecimento. 

- Você escolheu o caminho do conhecimento, mas vai descobrir que os três caminhos são um só. 

 - Eu poderia ficar aqui com você, pergunta Tyrone Power. 

 - Não, você não deve ficar, você deve ir ao mundo, mas com o espírito renovado. Não é necessário abandonar o mundo, mas viver no mundo e amar os objetos do mundo, não por si mesmos, mas pelo que há de Deus neles. O seu lugar é com o seu povo. 

 - Você é um dos afortunados, mas pela graça de Deus lhe foi dado a oportunidade de ver a beleza infinita do mundo, que é apenas o reflexo da beleza de Deus num espelho escuro. 

 São Paulo, janeiro de 2016.

Complemento (27/01/2018)

Imagine que no caminho da vida haja uma floresta. Estamos no meio dela, perdidos, sem mentores ou amigos, mas temos que caminhar, pois parados não podemos ficar, em vista de irmos contra a Lei do Progresso, que é inexoravelmente compulsória. 

Dado um primeiro passo, esboçando um desejo de caminhar, uma vontade de progredir, não resta dúvida: os Espíritos de luz estarão prontos para nos ajudar. Além do mais, a falta de esforço atrofia a nossa  inteligência, paralisa o nosso cérebro, criando ao redor de nós uma aura de fracasso e desilusão. 

No caminho da vida, temos que sair das trevas e nos direcionarmos para a luz. Treva pode facilmente ser simbolizada pela ignorância. A ignorância não nos permite uma ação além de nossa limitação, limitação essa que vai nos cegando pouco a pouco. Sejamos como a borboleta que saiu do casulo. 

Saibamos ouvir as mensagens dos Espíritos de luz. Esses toques do Evangelho podem ser a luz de um palito de fósforo, mas é uma luz no meio das trevas.  

Caminhos retos [André Luiz]

Tempo sem desperdício.

Trabalho sem desânimo.

Estudo sem cansaço.

Oração sem inércia.

Alimentação sem abuso.

Tranquilidade sem preguiça.

Alegria sem desordem.

Distração sem vício.

Fé sem fanatismo.

Disciplina sem violência.

Firmeza sem arrogância.

Amor sem egoísmo.

Ajuda sem paga.

Realização sem jactância.

Perdão sem exigência.

Dificilmente libertar-nos-emos da ilusão que nos confunde a vida, se fugirmos de palmilhar esses caminhos retos, rumo à Imortalidade Triunfante. (Capítulo 58 do livro Ideal Espírita)