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17 abril 2023

Iluminação da Consciência

O Espírito Emmanuel, conhecido mundialmente por suas comunicações por meio do médium Francisco Cândido Xavier, deixa entrever em muitas de suas mensagens o aspecto relevante da “iluminação da consciência”. Em vista disso, parece-nos que deveríamos nos deter mais pormenorizadamente sobre esse tópico, pois abre os nossos olhos para a necessidade de voltarmo-nos para nós mesmos no sentido de enfatizarmos o desabrochar do nosso progresso espiritual. 

Na pergunta 621 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec elucida-nos que a Lei de Deus está escrita na consciência do ser, e nosso papel é atualizá-la ao longo do tempo. A partir do momento que começamos a iluminá-la, vamos conhecendo com mais detalhes a lei de Deus, mais precisamente as leis naturais.

Em se tratando do Espirito Emmanuel, vejamos a variedade de frases que elabora sobre a "iluminação da consciência": "iluminação espiritual do nosso íntimo"; "iluminação interior do homem do coração e da consciência"; "iluminação dos espíritos encarnados"; "cristianização das consciências"; "iluminação das energias interiores". 

Tomemos um exemplo: nas questões 253 e 254 de O Consolador, quando trata da virtude e, consequentemente da paciência, ele nos diz que a tolerância esclarecida, que é o seu conceito de paciência, só será possível quando o individuo tiver iluminado a sua consciência; caso contrário, não poderá alcançar a plenitude do Espirito. O mesmo se dá quando ele trata da política, da esmola etc. O princípio é o mesmo, ou seja, a necessidade do esforço próprio para se iluminar interiormente.

Um Espírito comunicante, ao término de uma sessão espiritual, comentando o tema “Ajuda, e o Céu te Ajudará”, enfatiza os pontos principais para a compreensão dessa lição do Evangelho: conhecimento de si mesmo e consciência. Esses são os dois requisitos básicos para que o indivíduo tenha uma atuação aceitável no campo da sua evolução material e espiritual. Conclui que o elemento-chave é a autoconsciência, ou seja, o esforço que cada um de nós deve envidar para conhecer-se a si mesmo, no sentido de criar condições para ser chamado discípulo de Jesus.

Por mais difícil que seja a nossa existência, aprendamos a fazer com que as cosias negativas concorram para o nosso proveito. Há barulho externo, leiamos um livro, copiemos uma mensagem, escrevamos algo. O tempo perdido em lamentar a situação pode ser melhor aproveitado se usado para o nosso enriquecimento material, moral e espiritual.

 

 

06 março 2012

Consciência (Moral)

consciência, em seu sentido amplo, é a capacidade de perceber as realidades internas e externas. A consciência moral, por sua vez, é a capacidade de o ser humano avaliar interiormente o que há de bom ou de ruim em uma dada ação. Quando falamos em consciência moral, devemos fazer uma diferença substancial entre a lei, que são normas gerais, e a consciência, que avalia o “hic et nunc” de cada ação. 

Na pergunta 621 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos orientam-nos que a lei de Deus está escrita na consciência do ser. Estar escrita é o que há de inato na consciência. Contudo, a lei de Deus precisa ser atualizada, lembrada e esclarecida, para que se torne algo natural em cada uma de nossas ações. Disso resulta que o imperativo “faça isso” ou “não faça aquilo” seja exercitado com o mínimo de consequências negativas, no sentido de evitar a culpa, o remorso e coisas semelhantes.

Na Bíblia, a consciência é designada de “coração”, tendo uma dimensão interior e exterior. No mito do paraíso, Adão e Eva, por exemplo, passam pelo drama da consciência humana: de um lado a ordem divina; do outro, a serpente, que lhe sugere o mal. Nesse caso, eles agem livremente mesmo contra aquilo que sua consciência lhes aponte como justo. No relato de Caim e Abel, nota-se a consciência tisnada após o crime. Diante desses e de outros deslizes, há os profetas, que constituem a consciência social, aqueles que vêm nos lembrar, despertar a nossa consciência para o bem e a verdade.

Ao longo do tempo, porém, a lei escrita teve mais peso do que a lei moral. Os fariseus, por exemplo, quiseram aplicar a lei de forma objetiva e calculada. Jesus Cristo, ao contrário, procurou combater a moral exterior. Em Lucas 11, 33 a 35, ele diz: “E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas”.  

Paulo, em suas epístolas, desenvolveu a doutrina da consciência. Para ele, a moralidade não pode estar atrelada à Lei, que é exterior, mas ao coração, que é interior. Em Romanos 2, 14 e 15, ele diz: “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram à obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os”.

É lastimável a disseminação do medo, da culpa e do individualismo no mundo moderno. Para desviarmos os seres humanos desse matiz, aceleremos, desde a infância, a reta formação da consciência.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

 

22 fevereiro 2012

Consciência Cristalizada

O que significa cristalizar? Como uma consciência pode se cristalizar? Figuradamente, podemos dizer que cristalizar é a ação de concentrar-se, de fixar-se em torno de um sentimento, de uma ideia, de um assunto etc.: a cristalização da atenção. Em se tratando da consciência, podemos dizer que é aquela que se fixou, se concentrou num conteúdo de ideias e sentimentos, sem querer dele abrir mão.

A consciência se cristaliza porque não nos empenhamos em pensar por nós mesmos, ficando à escuta sempre dos outros ou dos apelos do mundo que nos circunda, como toda a espécie de mídia. Além disso, quando não nos concentramos em nós mesmos, podemos ser presas fáceis do monoideísmo, das ideais fixas, muitas delas nos levando aos quadros de obsessão, com os seus desdobramentos em fascinação e subjugação.

Sócrates,na Antiguidade, já nos falava da necessidade de nos conhecermos a nós mesmos, de nos tornarmos seres humanos autoconscientes. Em 7 de janeiro de 1937, no capítulo 25, do livro Crônicas de Além-Túmulo, pelo Espírito Irmão X, através de Francisco Cândido Xavier, volta ao mesmo tema, ou seja, à “consciência de si mesmo”, como a única maneira de combater o pensamento cristalizado.

Desta mensagem, escolhemos duas passagens que nos auxiliam a compreensão deste tema: 
 1ª) desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens benevolentes e sábias?  Seria inútil, pois os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos; são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si; — 2) há a elite dos filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir. — Mesmo entre eles as nossas verdades não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no ataúde das escolas.

No Espiritismo, aprendemos que o estado mórbido da consciência (monoideísmo) caracteriza-se pela persistência de uma ideia, que nem o curso normal das ideias, nem a vontade conseguem dissipar. A fixação mental é uma questão de atitude assumida. Se mudarmos o foco, ou seja, se melhorarmos o teor energético de nosso pensamento,  ampliaremos o nosso campo mental para o bem e estaremos nos libertando dos pensamentos malsãos.

Quando toda a humanidade tornar-se consciente de si, não haverá mais cidadãos da pátria, mas somente irmãos entre si. 




02 julho 2008

Lei e Consciência

As circunstâncias que nos cercam constam de muitas e diferentes "coisas" - chamadas de "entes" - pelos filósofos. Suas características comuns são: existem num determinado lugar; têm começo, meio e fim; estão sujeitas às mudanças; são particulares e; podem não existir. No meio desse mundo aparece a Lei, porém sem essas particularidades apontadas. Exemplo: a Lei matemática não está num determinado lugar; não está sujeita ao tempo; não é individual; é universal. Isto quer dizer que dois mais dois são quatro em qualquer parte do globo.

A Ciência investiga, formula hipóteses e tira conclusões das Leis, mas não se interessa em explicar o que é a Lei. Essa tarefa cabe à Filosofia. E, nesse mister, os próprios filósofos entram em contradição: se idealistas, a fonte da explicação está no espírito; se materialistas, na matéria. A Filosofia espírita lança-nos uma luz sobre esse fato.

Allan Kardec, na pergunta 621 de O Livro dos Espíritos, afirma-nos que a Lei está escrita na consciência do ser. Diz-nos que entre as leis divinas ou naturais, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: são as leis físicas; seu estudo pertence ao domínio da Ciência. As outras concernem especialmente ao homem e às suas relações com Deus e com o seus semelhantes. Compreendem as regras da vida do corpo e as da vida da alma: são as leis morais.

O que significa dizer que a Lei Divina ou Natural está escrita na consciência do ser? Os Espíritos foram criados simples e ignorantes, porém potencialmente perfeitos. Assemelham-se a uma semente, que traz potencialmente a árvore e os frutos dentro de si mesma. A consciência se atualiza nas várias existências terrenas, sujeita ao uso do livre-arbítrio. Se optarmos pelo bem, avançaremos livremente; se pelo mal, dificultosamente.

A porta estreita - o caminho reto - exige esforços constantes. Nem sempre estamos dispostos a renunciar à nossa comodidade, aos nossos vícios e aos nossos defeitos. Quanto mais cedermos a essas atitudes, mais a nossa consciência fica obscurecida pelos apetites da carne em detrimento dos anseios do Espírito. Contudo, a Lei do Progresso é compulsória e deveremos retornar ao caminho da perfeição moral.

Por isso, a dor é o grande termômetro de nossa evolução espiritual. Afastando-nos da prática do bem, ela surge com todo o seu vigor, impulsionando-nos de volta, a fim de retomarmos a consciência das leis naturais que havíamos esquecidos.

Fonte de Consulta

BOCHENSKI, J. M. Diretrizes do Pensamento Filosófico. 5. Ed., São Paulo, EPU, 1973.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. São Paulo, FEESP, 1995