31 julho 2021

Materialização

"Materialização" é o título do capítulo 10 do livro "Missionários da Luz", pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier. O Instrutor Alexandre começa a sua explanação reiterando ser este um serviço de elevada responsabilidade, "porquanto, além de exigir todas as possibilidades do aparelho mediúnico, há que movimentar todos os elementos de colaboração dos companheiros encarnados, presentes às reuniões destinadas a esses fins". 

Na noite aprazada, Alexandre e André chegaram à residência, com antecedência de cinquenta minutos. Os trabalhos eram superintendidos pelo Irmão Calimério, entidade superior à condição hierárquica de Alexandre. Colimério diz: "— Observar para realizar é serviço divino".

Alexandre comenta que é "indispensável o máximo cuidado para que os princípios mentais de origem inferior não afetem a saúde física dos colaboradores encarnados, nem a pureza do material indispensável aos processos fenomênicos. Em vista disso, torna-se imprescindível insular o núcleo de nossas atividades, defendendo-o contra o acesso de entidades menos dignas, através de fronteiras vibratórias".

Em se tratando dos encarnados, o perigo está na "ausência de preparo dos nossos amigos da Crosta, os quais, na maioria das vezes, alegando impositivos científicos, se furtam a comezinhos princípios de elevação moral". 

"Temos ali esclarecidos cooperadores do serviço, que preparam o ambiente, levando a efeito a ionização da atmosfera, combinando recursos para efeitos elétricos e magnéticos. Nos trabalhos deste teor reclamam-se processos acelerados de materialização e desmaterialização da energia".

Há Espíritos "encarregados de operar a condensação do oxigênio em toda a casa. O ambiente para a materialização de entidade do plano invisível aos olhos dos homens requer elevado teor de ozônio e, além disso, é indispensável semelhante operação, a fim de que todas as larvas e expressões microscópicas de atividade inferior sejam exterminadas. A relativa ozonização da paisagem interior é necessária como trabalho bactericida".

Por que esse cuidado? "— O ectoplasma, ou força nervosa, que será abundantemente extraído do médium, não pode sofrer, sem prejuízos fatais, a intromissão de certos elementos microbianos".

Por essas linhas, vemos a necessidade de nossa preparação técnica e moral para que possamos ser os fiéis colaboradores dos mensageiros do espaço. 


30 julho 2021

Influenciação

"Influenciação" é o título do capítulo 5.º do livro Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Nesse capítulo, há as elucidações do Instrutor Alexandre sobre o frequentar uma reunião espiritual e a transformação real do indivíduo. 

De início, aponta a diferença entre o recinto iluminado pela oração e a via pública. Diz: "A rua, no entanto, é avelhantado repositório de vibrações antagônicas, em meio de sombrios materiais psíquicos e perigosas bactérias de variada procedência, em vista de a maioria dos transeuntes lançar em circulação, incessantemente, não só as colônias imensas de micróbios diversos, mas também os maus pensamentos de toda ordem".

Graças a Deus!, como me sinto melhor! e o Espiritismo é o nosso conforto foram algumas das expressões daqueles que deixaram a reunião. Diante desse otimismo geral, o instrutor Alexandre observou, sorrindo: "— Não se impressione. O problema não é de entusiasmo e sim de esforço persistente. Não podemos dispensar as soluções vagarosas. Raros amigos conseguem guardar uniformidade de emoção e idealismo nas edificações espirituais. Vai para nove anos, com algumas interrupções, que me encontro em concurso ativo nesta casa e, mensalmente, vejo desfilar aqui as promessas novas e os votos de serviço...". 

Para confirmar o seu parecer, o Instrutor Alexandre, propõe seguir um determinado grupo que saíra da reunião espiritual. Nesse grupo havia um companheiro mais fortemente atacado pelas inquietações do sexo. Saíra da reunião junto com a irmã e sua mãe. Três entidades de sombrio aspecto acercaram-se do trio sob observação.

Diante do quadro observado, o Instrutor Alexandre vai esclarecendo algumas dúvidas:

O desenvolvimento mediúnico ajudaria na equação do problema? Nesse caso, "desenvolvimento mediúnico deve ser a última solução, porque antes de enfrentar os inimigos, filhos da ignorância, deveríamos armar o coração com a luz do amor e da sabedoria".

Não há recursos para libertá-los? São eles mesmos que deverão romper as algemas. 

E a retirada dos vampiros inconscientes? Os interessados forçariam a volta deles.

Vivem imantados uns aos outros em todos os lugares? Quase sempre. Satisfazem-se, mutuamente, na permuta contínua das emoções e impressões mais íntimas.

E a doutrinação?  Caso em que os encarnados se converteram em poderosos ímãs de atração, a medida exige tempo e tolerância fraternal



07 julho 2021

Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos

“Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos” é o título do capítulo IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, e trata dos seguintes assuntos: Injúrias e Violências — Instruções dos Espíritos: — A Afabilidade e a Doçura — A Paciência — Obediência e Resignação — A cólera.

As máximas sobre as injúrias e violências podem ser resumidas: os mansos possuirão a Terra, os pacíficos serão chamados filhos de Deus e quem matar será réu em juízo. Nessas máximas, Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência. Consequentemente, condenou a violência e a cólera. 

A frase "Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra" pode ser entendida da seguinte maneira: ao esperar os bens do céu, o homem necessita dos bens da terra para viver. O que ele recomenda, portanto, é que não se dê a estes últimos mais importância que aos primeiros. Em outras palavras, até agora os bens da terra foram açambarcados pelos violentos, em prejuízo dos mansos e pacíficos. Quando imperar a lei de amor e caridade, não haverá mais egoísmo.

A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Necessário que essa afabilidade não seja apenas uma máscara. Em muitos lares, observa-se: chefes de família não podendo ser tirânicos em suas atividades costumeiras, descontam a sua violência dentro do lar, dizendo: Aqui eu mando e sou obedecido”.

Em se tratando da evolução do Espírito, a dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. “Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo-poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu”.

Neste capítulo há um apelo à paciência, visto que a paciência é também caridade. Por isso, o exercício do perdão aos que Deus colocou em nossos caminhos. O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto, do que quando curvamos a fronte para a terra.

Quanto à obediência e à resignação ensinadas por Cristo, entendamos: a obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração. Ambas são forças ativas, porque levam o fardo das provas que a revolta insensata deixa cair.

Quanto à cólera, anotemos: “O orgulho vos leva a vos julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário, de tal maneira acima de vossos irmãos, seja na finura de espírito, seja no tocante à posição social, seja ainda em relação às vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e vos fere. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera”.

O corpo não dá impulsos de cólera a quem não os tem, como não dá outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. Sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade?


Parábola do Juiz Iníquo

“Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que deviam orar sempre e nunca desanimar, dizendo: Havia em certa cidade um juiz, que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que vinha constantemente ter com ele, dizendo: Defende-me do meu adversário. Ele por algum tempo não a queria atender; mas depois disse consigo: se bem que eu não tema: a Deus, nem respeite os homens, todavia como esta viúva me incomoda, julgarei a sua causa, para que ela não continue a molestar-me com as suas visitas. Ouvi, acrescentou o Senhor, o que disse este juiz injusto; e não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a Ele clamam dia e noite, embora seja demorado a defendê-los? Digo-vos que bem depressa lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na Terra?” (Lucas, XVIII, 1-8.)

Tese: uma viúva reclamava constantemente a um juiz, que não queria atendê-la. De tanto insistir, ele resolveu julgar o caso para se livrar dela. 

Iniquidade é a falta de equidade, é a justiça revoltante. Iníquo é o homem perverso, criminoso, seja ele quem for. 

As pessoas não deveriam ser distinguidas pelo dinheiro, nem pelos títulos, mas pelo seu caráter. Nesse caso, o caráter do iníquo é pervertido. Observe o que aconteceu nesta parábola: para não ser importunado, o juiz resolveu o problema, não para servir, mas para ficar livre do incômodo apresentado pela viúva..

A iniquidade encontra-se na demora do despacho na petição da viúva. Foi o que sucedeu com o juiz iníquo ante a insistência da viúva. Se este, fosse equitativo, justo, reto, de bom caráter, cumpridor de seus deveres, a viúva teria recebido deferimento do seu pedido com muito maior antecedência.

A justiça tarda, mas não falha. Se a justiça, embora demorada, se faz na Terra até contra a vontade dos juízes, como não há de ser ela feita pelo Supremo e Justo Juiz do Céu? A deficiência, portanto, não é de Deus, mas dos homens, que ainda são vazios de caridade. 

A iniquidade lavra como um incêndio devorador, aniquilando as consciências e maculando os corações.

Extraído de: Schutel, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus 

Apóstolo Paulo: O Brado da Imortalidade

 “Já não sou mais eu quem vive, mas o Cristo é que vive em mim; já não sou mais eu quem fala e quem age, mas o Cristo é que fala e age em mim.” (Paulo)

O brado de Damasco: Saulo, Saulo, Eu sou Jesus! Duro te é recalcitrar contra o aguilhão: é o brado da Imortalidade e Comunhão Espírita, que se repete, hoje, pelo mundo todo chamando os homens ao Caminho, à Verdade, à Vida!

Saulo perseguia os cristãos. No caminho de Damasco tem uma queda, fica cego e é socorrido por Ananias, a quem perseguia. Posteriormente, muda o seu nome para Paulo, que foi o mais belo rebento da Arvore do Cristianismo.

Dentre todos os grandes da  Fé, Paulo é o mais citado porque sua luz ultrapassa a todos os anseios da Caridade, sua Sabedoria excede a todas as ciências, seus prodígios são superiores a todos os prodígios. 

Jesus teve grande influência na missão de Paulo, pois converteu-o ao Cristianismo por seu saber, sua inteligência e sua perspicácia, no sentido de levar o Evangelho aos Gentios.

Os discípulos e Paulo. Todos os discípulos de Jesus receberam o ensino oral da Divina Doutrina durante a encarnação do Messias; só Paulo o recebeu depois da desencarnação do Nazareno. Há, assim, grande diferença entre eles. No caso dos discípulos, havia o contato direto com os conselhos, as promessas e os milagres de Jesus. Paulo recebeu o próprio Espírito do Mestre, que o assistia, como Elias repousava sobre Eliseu.

Sobre o depender dos outros, dizia: “Nunca fui pesado a quem quer que seja; para a minha subsistência, e para auxiliar os que me são próximos, estes braços me serviram.” Lembremo-nos de que Paulo era tecelão, fabricava ou manipulava tendas de campanha.

Nada podia separar Paulo de Jesus. “Quem me separará do amor de Cristo Jesus? A saúde, a enfermidade, a abundância, a miséria, as potestades, a vida, a morte? Nada me separará do Amor do Cristo.”

Em suas Epístolas ressaltava a sobrevivência humana, a comunicação espírita, a reencarnação, a evolução para a perfeição, para a salvação.

Fonte de Consulta: Schutel, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus


06 julho 2021

Inconvenientes e Perigos da Mediunidade

 “Inconvenientes e Perigos da Mediunidade” é o título do capítulo XVIII de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, e trata da influência do exercício da mediunidade sobre a saúde, sobre o cérebro e sobre as crianças. 

Alguns tópicos:

  • A faculdade mediúnica é um estado às vezes anormal, mas não patológico. 
  • Como qualquer outra atividade, o exercício prolongado da mediunidade também causa fadiga, principalmente nas sessões de efeitos físicos. 
  • O exercício da mediunidade depende do estado físico e moral do médium. Quando o médium começa a se sentir fatigado, deve abster-se. 
  • O exercício da mediunidade não produz a loucura, se esta já não existir em germe. 
  • É inconveniente desenvolver a mediunidade das crianças, porque seus organismos frágeis e delicados seriam muito abalados e sua imaginação infantil muito superexcitada.
  • Quando a faculdade se manifesta espontânea numa criança, é que pertence à sua própria natureza e que a sua constituição é adequada. 
  • Devemos ter cuidado em desenvolver a mediunidade nas crianças por causa dos Espíritos mistificadores. Há, também, a questão do recolhimento não muito usual num corpo juvenil. 
  • Nunca devemos forçar o desenvolvimento da mediunidade em crianças. E quando ela for natural, cuidar para que não se degenere. 


Alienados Mentais

"Alienados Mentais" é o título do capítulo 16 do livro No Mundo Maior, pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier. Excetuados os casos puramente orgânicos, o louco é alguém que procurou forçar a libertação do aprendizado terrestre, por indisciplina ou ignorância. 

Logo no início deste capítulo, o assistente Calderaro convida o Espírito André Luiz para uma visita rápida ao instituto consagrado ao recolhimento de alienados mentais, na Esfera da Crosta. O intuito é que o Espírito André Luiz possa melhor compreender a tragédia dos desencarnados, em pleno desequilíbrio das sensações. Há diversos casos registrados neste domínio tendo como pano de fundo o gênero de suicídio habilmente dissimulado, a auto-eliminação da harmonia mental, pela inconformação da alma nos quadros de luta que a existência humana apresenta. 

Uma ex-marquesa não tolerava a intromissão de médicos inconscientes. Dizia: "Creio estar presa por motivos secretos de família, que averiguarei na primeira oportunidade. Tenho poderosos inimigos na Corte; contudo, as minhas amizades são mais prestigiosas e fiéis". Explicação de Calderaro. Essa irmã já possuía títulos de nobreza em encarnações passadas. Reencarnou para reparar as faltas, mas não teve forças suficientes para suportar a correção, entregando, preferindo vivenciar as imagens da vaidosa marquesa que fora. 

Ilustrações do assistente Calderaro sobre os casos do hospício. São irmãos nossos, revoltados ante os desígnios superiores que os conduziram a recapitular ensinamentos difíceis, qual o de se reaproximarem de velhos inimigos por intermédio de laços consanguíneos ou o de enfrentarem obstáculos aparentemente insuperáveis. Acrescenta: Noventa em cem dos casos de loucura começam nas consequências das faltas graves que praticamos, com impaciência ou com a tristeza.

Sobre um caso obsessivo. O infeliz vem sendo objeto de práticas hipnóticas de implacáveis perseguidores; acha-se exposto a emissões contínuas de forças que o deprimem e enlouquecem. Trata-se de um homem que em encarnações anteriores abusou do magnetismo pessoal. As várias mulheres que lhe sofreram a ação corrosiva assestaram contra ele incessantes explosões de ódio doentio e corruptor. Delinquir é fácil; o retorno à estrada reta, muito complicado. 

Num hospício humano, aprendemos algo dos desequilíbrios que afetam a mente desviada das Leis Universais. 



05 julho 2021

Vida Espírita

"Vida Espírita" é o título do capítulo VI do Segundo Livro — "Mundo Espírita ou dos Espíritos" de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Trata dos seguintes temas: Espíritos Errantes, Mundos Transitórios, Percepções, Sensações e Sofrimentos dos Espíritos, Ensaio Teórico sobre a Sensação nos Espíritos, Escolha das Provas, Relações de Além-Túmulo, Lembrança da Existência Corpórea, Comemoração dos Mortos — Funerais.

A alma, nos intervalos das encarnações, torna-se um Espírito errante que aspira a um novo destino e o espera. Como consequência do livre-arbítrio, a duração pode levar entre algumas horas e milhares de anos. Lembremo-nos de que mesmo errante o Espírito progride; a melhora, porém, depende do desejo e da vontade do Espírito. Contudo, é na existência corpórea  que ele põe em prática as novas ideias adquiridas.

Na questão 234, quer saber se há mundos que servem de estações ou de lugares de repouso aos Espíritos errantes. Resposta: "Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que eles podem habitar temporariamente, espécies de acampamentos, de lugares em que possam repousar de erraticidades muito longas, que são sempre um pouco penosas"

Em se tratando das percepções e dos conhecimentos dos Espíritos, verifica-se que quanto mais se aproximam da perfeição mais sabem: se são superiores, sabem muito; os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes em todos os assuntos. O conhecimento dos Espíritos é relativo. Os Espíritos veem o que não vemos como encarnados, e julgam de modo diferente do nosso. Mas ainda uma vez: isso depende da sua elevação.

Depois da morte, os Espíritos experimentam diversos tipos de sensações, variando entre as mais penosas e as mais sublimes. Alguns dizem sentir "os vermes lhe corroerem as carnes"; outros, apossados de uma agonia profunda, como se estivessem mergulhados numa noite profunda. 

O Espírito se lembra da sua existência corpórea? "Sim, tendo vivido muitas vezes como homem, recorda-se do que foi. E te asseguro que, por vezes, ri-se de piedade de si mesmo. Como o homem que, atingindo a idade da razão, ri das suas loucuras da juventude, ou das suas puerilidades da sua infância".

A vida espírita é a verdadeira vida. Estamos de passagem por este mundo, mas deveremos brevemente voltar ao mundo dos Espíritos, que é a nossa morada eterna. 

Para mais informações sobre a vida espírita, consulte O Livro dos Espíritos



03 julho 2021

Penas e Gozos Futuros

 "Penas e Gozos Futuros" é o título do capítulo II do Livro Quarto - "Esperanças e Consolações" - de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Nele são tratados os seguintes temas: O Nada. A Vida Futura, Intuição das Penas e dos Gozos Futuros, Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas, Natureza das Penas e dos Gozos Futuros, Penas Temporais, Expiação e Arrependimento, Duração das Penas Futuras, Ressureição da Carne, Paraíso, Inferno, Purgatório. Paraíso Perdido. 

Na questão 959, Allan Kardec indaga sobre a origem do sentimento instintivo a respeito da vida futura. Recebe a seguinte consideração: "Antes da encarnação o Espírito conhece todas essas coisas, e a alma guarda uma vaga lembrança do que sabe e do que viu no estado espiritual". Sobre a crença de todos os povos nas penas e recompensas, recebe a seguinte resposta: "Pressentimento da realidade, dado ao homem pelo seu Espírito".

Será que Deus tem necessidade de se ocupar de cada um dos nossos atos, para nos recompensar ou punir? Não. As leis de Deus foram escritas em nossa consciência. A punição resulta na infração dessas leis. Não é Deus quem nos recompensa ou pune, mas as suas leis, chamadas por nós de Leis Divinas ou Naturais. Nesse sentido, quando alguém nos faz um mal, é muito mais sábio deixar a punição pela própria lei divina e não pelas nossas próprias mãos. 

As penas da alma no mundo espiritual não têm nada de material, pois a alma não é de matéria. Os quadros tenebrosos que se nos apresentam da vida após a morte são o resultado da inteligência ainda não muito desenvolvida. Há, também, o problema da linguagem.  "Vossa linguagem é muito imperfeita para exprimir o que existe além do vosso alcance. Por isso foi necessário fazer comparações, sendo essas imagens e figuras tomadas como a própria realidade. Mas à medida que o homem se esclarece, seu pensamento compreende as coisas que a sua linguagem não pode traduzir".

Em linhas gerais, há a felicidade dos bons e a tortura dos maus. A felicidade dos bons Espíritos consiste em conhecer todas as coisas; não ter ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem qualquer das paixões que fazem a infelicidade dos homens. O sofrimento dos maus, que muitas vezes têm dificuldade de nos dar uma ideia, caracteriza-se por um sentimento horrível e o pensame3nto de serem condenados para sempre. 

Conclusão: as penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição do Espírito. Cada um traz em si mesmo o princípio de sua própria felicidade ou infelicidade. 

Consultando este tema em O Livro dos Espíritos, poderemos extrair outros detalhes sumamente importantes.