01 julho 2008

Espinosa e Espiritismo

Benedito Espinosa (1632-1677), filósofo holandês, filho de pais judeus originários de Portugal, é considerado por muitos como o filósofo dos filósofos. A essência de sua filosofia baseia num sistema totalizante, que tudo abarca. Tal sistema, concebido matematicamente, entende Deus como Natureza (Deus sevi Natura). A partir de suposições básicas (definições e axiomas) e uma série de demonstrações geométricas constrói o universo que vem ser igualmente Deus.

Descartes ensinava que o universo é feito de duas espécies de substância: o espírito e o corpo. Esse dualismo não satisfaz Espinosa. Este ensinava que há apenas uma substância que constitui todo o universo. A isso chamou Deus. Vista de certo modo é corpo, vista de outro é espírito. A uma, Espinosa chamou extensão; a outra, espírito. A substância é absolutamente independente de tudo, pois representa tudo. É infinita, causada por si mesma e autônoma. Essa concepção unificadora é conhecida como panteísmo. Muito apegado a essa teoria, muitos a ele se têm referido como inebriado de Deus.

O corpo não afeta o espírito nem este àquele. Ambos, porém, são manifestações de uma única e mesma realidade universal, Deus. A árvore é um atributo de Deus; o pensamento que nos ocorre neste momento é um atributo de Deus. Tudo o que acontece no corpo, acontece também no espírito. É o que se chama paralelismo psicológico, isto é, o corpo e o espírito são sempre paralelos, pois constituem dois aspectos de uma só e mesma realidade. No homem o espírito percebe os seus próprios atos, é consciente. Quer dizer, a substância do espírito é mais complexa do que a substância do corpo, embora todas façam parte de uma única substância.

Para o professor São Marcos, em Noções de História da Filosofia, "Espinosa quebra a rigidez panteísta desmembrando em dois momentos o conceito: Natura Naturans ou Natura Naturata, isto é, Natureza Criadora e Natureza Criada: "Deus sive substância sive natura". Espinosa realiza a ideia embrionária existente no espírito de Descartes: Um Deus imanente na Criação, isto é, não uma individualidade dirigindo de fora o universo, mas aquela entidade suprema que, imanente em todas as coisas, nelas palpita e as mantém".

O panteísmo de Espinosa leva-nos à questão n.º 1 de O Livro dos Espíritos, na qual Allan Kardec define Deus como "Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas". Disto resulta que uma Inteligência ou Entidade que abarca tudo o que existe, não pode estar de fora, pois, não há espaço em que não esteja. Embora confuso para muitos de seus críticos, o panteísmo de Espinosa clareia a intuição de Deus naquilo que é possível de ser absorvida pela nossa limitação humana.

O pensamento de Espinosa mostra que se pudéssemos saber a verdade das coisas seria possível e capaz de agir melhor e ser mais feliz.


São Paulo, 7/06/2006

3 comentários:

Anônimo disse...

Perdoe-me corrigi-lo, mas Spinoza NÃO foi panteísta. O panteísmo postula que o mundo é Deus. Spinoza não diz que o mundo é deus, mas que tudo que existe está em Deus. Tudo, de galáxias a peixes, de espíritos a grãos de areia são modos de expressão de Deus, uma energia (substância) infinitamente infinita e eterna que a tudo produz e amorosamente harmoniza dentro de si.

Unknown disse...

Perdoe-me corrigi-lo José Fernando da Silva. Mas Spinoza era Panteísta sim. Existem várias formas ou sistemas de panteísmo. O panteísmo clássico considerava Deus a única realidade e o universo uma mera manifestação, emanação ou realização de Deus; o estoicismo identificou Deus com o Universo, considerando-O como a força vital e inteligência cósmica que o governa; no neoplatonismo e, mais tarde, com Giordano Bruno, Deus é causa e princípio do universo. O panteísmo materialista ou naturalista vê no universo a própria realidade de Deus. O filósofo holandês Baruch Spinoza (1632-1677) considerava que "Só o mundo é real, sendo Deus a soma de tudo quanto existe." Temos, ainda, o Pananteísmo de Teillard de Chardin, o qual é um panteísmo mais elaborado e complexo, e também o panteísmo científico, que assume a convicção de que o cosmos é divino e a Terra é sagrada. O Neo-Panteísmo é outro sistema que se assenta sobre a ideia de um deus impessoal representado pela Natureza, porém de polaridade sexual feminina.

Unknown disse...

Existem várias formas ou sistemas de panteísmo. O panteísmo clássico considerava Deus a única realidade e o universo uma mera manifestação, emanação ou realização de Deus; o estoicismo identificou Deus com o Universo, considerando-O como a força vital e inteligência cósmica que o governa; no neoplatonismo e, mais tarde, com Giordano Bruno, Deus é causa e princípio do universo. O panteísmo materialista ou naturalista vê no universo a própria realidade de Deus. (1)

O filósofo holandês Baruch Spinoza (1632-1677) considerava que "Só o mundo é real, sendo Deus a soma de tudo quanto existe". Temos, ainda, o Pananteísmo de Teillard de Chardin, o qual é um panteísmo mais elaborado e complexo, e também o panteísmo científico, que assume a convicção de que o cosmos é divino e a Terra é sagrada. (2 e 3)

O neo-Panteísmo é outro sistema que se assenta sobre a ideia de um deus impessoal representado pela Natureza, porém de polaridade sexual feminina.