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01 março 2026

Chico Xavier

Francisco Cândido Xavier nasceu no dia 2 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais. O seu longo sofrimento começou desde os primeiros anos de sua existência, pois quando tinha cinco anos de idade sua mãe veio a falecer. De família numerosa e poucas posses, seu pai achou por bem distribuir os filhos entre os parentes. Na diáspora da família, Chico vai para a casa da madrinha, dona Maria Rita de Cássia, uma mulher extremamente maldosa que, entre outras, dava-lhe uma surra todo o dia, enfiava o garfo em sua barriga e, certa vez, obrigou-o a lamber a ferida de outro menino adotivo.

fenômeno mediúnico é o marco fundamental de sua existência. Hoje, tem mais de 400 obras psicografadas, que transformadas em tempo, perfazem aproximadamente 11 anos de transe mediúnico. Sua atividade mediúnica começou desde garoto, isto é, desde os 5 anos de idade, quando já conversava com sua mãe desencarnada. Dela recebia uma série de conselhos que o ajudaram a suportar todos os revezes e dissabores de sua infância sofrida junto à sua madrinha. Educado no catolicismo, não foi muito fácil a aceitação dos parentes e amigos sobre o desenvolvimento de sua mediunidade

O Espírito Emmanuel é o seu guia protetor. Esse espírito, como a maioria dos Espíritas sabe, foi Públio Lêntulus, senador romano da Antiguidade. Diz-se também que ele teve uma reencarnação no Brasil como Padre Manoel da Nóbrega. É por intermédio de Emmanuel que o Chico Xavier escreveu a maioria de seus livros. Além disso, guia-o, inclusive, no aprimoramento do idioma português, para melhor expressar a Doutrina dos Espíritos. Confessa isso no programa Pinga Fogo, levado ao ar pela antiga TV Tupi, em 1971.

A vida de Chico Xavier é entremeada de muitos fatos, entre os quais, relatamos: 1º) para auxiliar um cego que tinha sofrido uma queda, precisou da colaboração de 2 prostitutas, que depois mudaram de vida em virtude de suas preces; 2º) relata o episódio do avião, que em pleno vôo começou a fazer peripécias no espaço e, ele como os demais tripulantes, começaram a gritar no que Emmanuel retruca: "Se tiver de morrer, morra com educação"; 3º) sua vizinha roubava-lhe as verduras. Pede auxílio à sua mãe, já desencarnada. Esta o aconselha, quando todos saírem, a entregar a chave da casa para a vizinha tomar conta. Consequência: acabou o furto.

Emmanuel, o grande protetor do Brasil, cujas obras evangélicas constituem o 5º Evangelho, dá sempre orientações ao médium Chico Xavier. Fala-lhe sobre a disciplina, a porta estreita e o caminho reto. Diz que as limitações físicas não devem ser consideradas como obstáculos, mas um grande incentivo à pratica da mediunidade, pois quem poderia afirmar que a riqueza, a saúde, a comodidade e outras facilidades não lhe tirariam a devida concentração e meditação para o trabalho mediúnico?

odo o espírita deveria conhecer a biografia de Chico Xavier, pois, quer queiramos ou não, a sua mediunidade é responsável pela maioria de nossas ideias acerca do Espiritismo.

Fonte de Consulta

IBSEN, S. R. (Organizador). Chico Xavier por ele mesmo. São Paulo, Martin Claret, 1994.

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No Correio Fraterno, de maio/junho de 2022, o jornalista, escritor e roteirista Marcel Souto Maior, sob o título “20 Anos sem Chico Xavier”, mergulha na essência da simplicidade mineira e resgata o que aprendeu com Chico, exemplos que nunca foram tão necessários como agora. (https://correio.news/especial/as-licoes-de-chico-xavier)



03 fevereiro 2025

Essa Profunda Serenidade

“Essa Profunda Serenidade” é um capítulo do livro Pinga-Fogo 1, em que Chico Xavier é questionado sobre a psicografia de romances.

Presentemente, estamos todos apressados, dando mais importância à comunicação superficial do que àquela de conteúdo mais profundo e duradouro. Possivelmente, esta advertência ao Chico Xavier possa também ser um alerta para nós outros, que não nos empenhamos devidamente na educação de nossa mediunidade, como comumente se diz "mediunidade com Jesus".

Observe a situação de Chico Xavier. Desejoso de psicografar romances, recebeu a seguinte instrução do Espírito Emmanuel: “Para que você receba romances, você precisa ter a mente em estado de profunda serenidade. Se você quiser se comprometer a nos oferecer um clima mental adequado, de paciência e de calma, escreveremos por você algumas de nossas memórias”.

Pergunta e a resposta

Herculano Pires — Meu caro Chico. — Eu queria perguntar a você o seguinte: Na imensidade da sua obra psicográfica e também na profundeza dessa obra, você tem uma curiosa série de romances que geralmente chamamos de uma série dos romances romanos de Emmanuel. São romances que se passam na Roma antiga: Há dois mil anos, 50 Anos Depois, Ave Cristo e até mesmo Paulo e Estevãoque segundo me parece é a obra-prima da sua mediunidade no campo da ficção literária, embora eu saiba que os espíritos não têm a intenção de fazer ficção literária e sim de transmitir às criaturas humanas, uma mensagem através das suas próprias experiências de vida. Mas eu queria saber o seguinte: Para escrever esses romances em que figuram não somente as situações geográficas da Roma antiga, as questões políticas, os problemas imperiais, você consultou que livros e que bibliotecas?

Chico Xavier — Não consultei livro algum. Quando ouvi a respeito dos romances mediúnicos recebidos pela médium Zilda Gama, cuja memória nós todos acatamos muito na Doutrina Espírita, eu senti aquele desejo de ser médium também para romances, isso por volta de 1936. Nessa ocasião lidava com um grupo de crianças da família porque, pelo fato de eu não ter renascido nesta existência para o casamento, fiquei com 14 crianças, irmãos menores e sobrinhos dos quais presentemente eu estou distante por haverem crescido e tomado as suas responsabilidades. Nesse tempo a minha cabeça era atormentada por muitos problemas quando eu anunciei o desejo de receber romances, o espírito Emmanuel então me explicou: Para que você receba romances, você precisa ter a mente em estado de profunda serenidade. Se você quiser se comprometer a nos oferecer um clima mental adequado, de paciência e de calma, escreveremos por você algumas de nossas memórias. Mas se puder ou quiser assumir o compromisso. Eu, naquela ocasião, não conseguia assumir o compromisso porque os problemas domésticos eram muitos. De modo que 4 anos se passaram e tão somente em 1939 a começar do fim de 1938, eu assumi com ele o compromisso de me acalmar. Quaisquer que fossem os problemas dentro de casa, com as crianças que já estavam mais crescidas, eu ofereceria a ele um campo mental pacificado na oração. Então ele marcou, que eu me concentrasse durante uma hora por dia e me dispusesse a datilografar outra hora por dia, durante o tempo em que perdurasse a psicografia do romance. Então deu o Há 2000 Anos Eu acompanhei a psicografia como acompanho também as nossas novelas da TV, com muito interesse, com muito carinho e torcendo por determinados personagens. Mas eu lia o que a mão escrevia. Peço permissão para aduzir um detalhe interessante. Quando o livro começou, ele começa com uma cena de dois romanos a trocarem ideias no jardim, diante de um céu nebuloso que depois rebentou numa tempestade. Eu comecei a ver aquela cidade e o céu tempestuoso e a chuva caindo e aqueles dois homens vestidos à moda antiga, de túnicas, deitados naqueles sofás longos, comendo frutas com as mãos. Eu me assustei com aquela visão que parecia uma visão estranha porque estava dentro de mim e fora de mim. Comecei a assistir só, a um cinema em que eu tomasse parte na tela e estivesse fora da tela. Então eu me assustei. Parei de escrever. Então ele me disse: “Você está debaixo de uma certa hipnose. Você está vendo o que eu estou pensando. Mas não sabe o que eu estou escrevendo.” De modo que eu vivi muito mais o romance ao recebê-lo, do que ao ler ou reler o que eu escrevia.

Herculano Pires — Eu gostaria então que você esclarecesse bem o seguinte, Chico: Você tinha uma visão assim cinematográfica do enredo. Você estava vendo o desenrolar do romance sem saber bem como, de que maneira. Mas não tinha consciência do que escrevia.

Chico Xavier — Não tinha consciência do que escrevia e nem da continuidade dos assuntos, porque muitos dos personagens que me eram simpáticos e que eu não desejava que sofressem, passaram a sofrer contra a minha vontade.