30 setembro 2021

Influenciações Espirituais Sutis

Sempre que você experimente um estado de espírito tendente ao derrotismo, perdurado há várias horas, sem causa orgânica ou moral de destaque, avente a hipótese de uma influenciação espiritual sutil.

Seja claro consigo para auxiliar os Mentores Espirituais a socorrer você. Essa é a verdadeira ocasião de humildade, da prece, do passe.

Dentre os fatores que mais revelam essa condição da alma, incluem-se:

— dificuldade de concentrar ideias em motivos otimistas;

— ausência de ambiente íntimo para elevar sentimentos em oração ou concentrar-se em leitura edificante;

— indisposição inexplicável, tristeza sem razão aparente e pressentimentos de desastres imediatos;

— aborrecimentos imanifestos por não encontrar semelhantes ou assuntos sobre quem ou o que descarregá-los;

— pessimismos sub-reptícios, irritações surdas, queixas, exageros de sensibilidade e aptidão a condenar quem não tem culpa;

 interpretação forçada de fatos e atitudes suas ou dos outros, que você sabe não corresponder à realidade;

— hiperemotividade ou depressão raiando na iminência de pranto;

— ânsia de investir-se no papel de vítima ou de tomar uma posição absurda de automartírio;

— teimosia em não aceitar, para você mesmo, que haja influenciação espiritual para consigo, mas passados minutos ou horas do acontecimento, vêm-lhe a mudança de impulsos, o arrependimento, a recomposição do tom mental e, não raro, a constatação de que é tarde para desfazer o erro consumado.

São sempre acompanhamentos discretos e eventuais por parte do desencarnado e imperceptíveis ao encarnado pela finura do processo.

O Espírito responsável pode estar tão inconsciente de seus atos que os efeitos negativos se fazem sentir como se fossem desenvolvidos pela própria pessoa.

Quando o influenciador é consciente, a ocorrência é preparada com antecedência e meticulosidade, às vezes, dias e semanas antes do sorrateiro assalto, marcado para a oportunidade de encontro em perspectiva, conversação, recebimento de carta clímax de negócio ou crise imprevista de serviço.

Não se sabe o que tem causado maior dano à Humanidade: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas meio-obsessões de quase obsidiados, despercebidas, contudo bem mais frequentes, que minam as energias de uma só criatura incauta, mas influenciando o roteiro de legiões de outras.

Quantas desavenças, separações e fracassos não surgem assim?

Estude em sua existência se nessa última quinzena você não esteve em alguma circunstância com características de influenciação espiritual sutil. Estude e ajude a você mesmo.

(Cópia do capítulo 35 do livro Estude e Viva, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, copyright 1965. 

 

28 setembro 2021

Caminho Espírita: Notas sobre a Doutrina Espírita

Caminho Espírita, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelos Espíritos Diversos, copyright 1967.

Notas sobre a Doutrina Espírita

"Recorremos a semelhantes imagens para definir a Doutrina Espírita, como sendo atualmente a avenida segura de nossos interesses imperecíveis — lembrando rodovia legalmente constituída ante os Poderes Superiores da Vida —, administrada à luz dos códigos de trânsito, formados na base da justiça igual para a comunidade dos viajantes. Nela, a Doutrina Espírita, que revive os ensinamentos do Cristo de Deus, possuímos a Religião Universal do Amor e da Sabedoria, cujas diretrizes funcionam na consciência de cada um, com amparo e orientação para todos e sem favoritismo ou exclusão para ninguém, tão válidos na Terra, quanto em qualquer ou Lar Planetário da imensa família cósmica". (“Caminho espírita", pelo Espírito Emmanuel)

"Reflitamos no assunto, porque, se a Doutrina Espírita nos induz à convicção na imortalidade, semelhante convicção vale pouco sem ação que lhe dê coerência". (Capítulo 14 — "Reflexão espírita", pelo Espírito Albino Teixeira)

"Assim também, a Doutrina Espírita interpreta o Evangelho de Jesus, através de Allan Kardec, para que venhamos a entrar na vivência da Religião do Cristo, que é a Religião do Universo". (Capítulo 52 — “Até e depois”, pelo Espírito Albino Teixeira)

"Para eles e junto deles, todos nós temos a Doutrina Espírita por filtro de tratamento". (Capítulo 60 — “Fenômenos mediúnicos”, pelo Espírito Albino Teixeira)

"Quem recebe uma fé raciocinada para o coração e para a cabeça, qual acontece na Doutrina Espírita ajustada ao Evangelho de Jesus, adquiriu o mais alto instrumento que se pode obter do mundo para construir em si mesmo a elevação do próprio destino". (Capítulo 64 — “Discernimentos”, pelo Espírito Albino Teixeira)

"É por isso que somos chamados, na Doutrina Espírita, a estudar instruindo-nos, e, pela mesma razão, advertiu-nos Jesus de que apenas o conhecimento da verdade nos fará livres". (Capítulo 66 — “Libertação espiritual", pelo Espírito Albino Teixeira)

 

25 setembro 2021

Vida Escreve, A: Algumas Notas

A Vida Escreve, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelo Espírito Hilário Silva, copyright 1960.

Notas

“O caderno em branco chama-se Tempo.

E nós somos autores de todos os capítulos que se desenrolam por fatos vivos, no livro da Eternidade”. (“A Vida Escreve”)

“A senhora me desculpe, mas tanto erro eu com o cigarro reprovável quanto a senhora com o calçado inconveniente”. (Capítulo 4 [parte 1] — “Conselho trocado”)

“O mais difícil é ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar... A aquisição mais difícil para nós todos chama-se paciência”. (Capítulo 10 [parte 1] — “O mais difícil”)

A respeito da dificuldade de praticar a Doutrina Espírita, o diretor do trabalho responde: — “Como é que a senhora queria que ela fosse?...” (Capítulo 14 [parte 1] — “Pergunta e contra pergunta”)

“A vaidade tem consigo o progresso da cauda de cavalo — Só cresce para baixo”. (Capítulo 19 [parte 1] — “Só cresce para baixo”)

— “Pois olhe, meu filho, quando alguém não sente o mal que pratica, em verdade carrega consigo a consciência morta. É um morto-vivo”. (Capítulo 10 [parte 2] — “O aparte”)

— “Eu, João? Que posso falar? Penso apenas que o único remédio em seu caso seria Deus conceder a você dois estômagos...” (Capítulo 17 [parte 2] — “O que acha o irmão”)

“O orientador fez uma pausa e continuou:

— Nome, forma, gesto, fama e autoridade são aspectos na pessoa, sem serem, de modo algum, a pessoa em si.

Em seguida, concluiu:

— Se vocês quiserem realmente conhecer benfeitores e malfeitores, sábios e ignorantes, sãos e doentes, encarnados e desencarnados, escutem, com atenção, a fala de cada um”. (Capítulo 21 [parte 2] — “A fala de cada um”)

— “Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o praticam...” (Capítulo 27 [parte 2] — “A visão de Eurípedes”)

24 setembro 2021

Lugar no Céu

Os pregadores de algumas religiões apregoam que, praticando certos atos, iremos ao céu, ao paraíso, e ficaremos num repouso eterno.

Nessa perspectiva, acabamos praticando alguns atos com o intuito de recompensa: ir ao céu, conviver com Jesus e outros escolhidos. Daí, o atos praticados não são praticados de livre e espontânea vontade, mas segundo uma recompensa futura.

Se ajudamos um transeunte, não o ajudamos por sentimento de fraternidade, mas pensando no céu. Se doamos algo a alguém, não o fazemos para ajudá-lo, mas para ir ao céuSe oferecemos uma quantia monetária a um desvalido, não estamos pensando nele, mas para adquirir a graça de alcançar o céu. E assim, sucessivamente. 

De repente, nos vemos do outro lado da vida. A primeira providência é a busca da recompensa, do céu, do paraíso. Aí vem a desilusão, pois os nossos benfeitores amorosamente avaliam o nosso passado, as nossas obras, as nossas intenções, e dizem: volte à Terra, reencarne novamente, cumpra integralmente a vontade do Pai e retorne para uma nova conversa. 

Em sendo assim, tomemos consciência de nossas tarefas, das tarefas que nos foram designadas. Deixemos de nos preocupar com um lugar no céu. Prefiramos a busca do reino de Deus, que é a perfeita obediência à vontade de Deus a nosso respeito. 


 

22 setembro 2021

Alvorada Cristã: Algumas Notas

Alvorada Cristã, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Neio Lúcio, copyright 1949.

Notas

“Assim também acontece na vida. Em todas as ocasiões, temos sempre grande número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de utilidade real aqueles que já aprenderam a suportar, servir e sofrer, sem cogitar de si mesmos”. (Capítulo 10 — “O burro de carga”)

“— Se o senhor não tem cuidado com as ferramentas que lhe pertencem, como preservará nossas máquinas? Se é indiferente naquilo em que deve sentir-se honrado, chegará a ser útil aos interesses alheios? Quem não zela atentamente no “pouco” de que dispõe, não é digno de receber o “muito”.” (Capítulo 13 — “O servidor negligente”)

"Por que não aprende a falar e a calar, a benefício de todos?

Ajude em vez de reclamar.

A cólera é força infernal que nos distancia da paz divina.

A própria guerra, que extermina milhões de criaturas, não é senão a ira venenosa de alguns homens que se alastra, por muito tempo, ameaçando o mundo inteiro". (Capítulo 26 — “O grito de cólera”)

"A cólera nada edifica e nada restaura... Apenas semeia desconfiança e temor, ao redor de teus passos.

Não ameaces com a voz, nem te insurjas Contra ninguém.

É provável que guardes alguma reclamação contra mim, teu pai, porque eu também sou ainda humano. No entanto, filho, acima de nós ambos permanece o Pai Supremo, e que seria de ti e de mim, se Deus, um dia, se encolerizasse contra nós?" (Capítulo 27 — “Carta paterna”) 

"— O cristão está condenado a compreender e ajudar, amar e perdoar, educar e construir, distribuir tarefas edificantes e bênçãos de luz renovadora, onde estiver". (Capítulo 32 — “A sentença cristã”) 

"Não abandones o enfermo, receando aborrecimentos, e nem fujas ao irmão desditoso que caiu nas malhas da justiça, temendo dissabores". (Capítulo 35 — “Na sementeira do amor”) 

"Transcorridos dois meses, Julião era restituído à autoridade paternal, rosado, robusto e feliz. Ardia, agora, em desejos de ser útil, ansioso por fazer algo de bom. Descobrira, enfim, que o serviço para o bem é a mais rica fonte de saúde". (Capítulo 38 — O remédio imprevisto”)


17 setembro 2021

Morrer para Descansar

A perspectiva de um repouso eterno, após a passagem por esta vida, pode nos iludir quanto à morte. Há, assim, o desejo de muita gente, inclusive dos espíritas, de que morrendo vamos descansar, vamos viver num paraíso, ao lado de Jesus e dos nossos amigos mais caros.

Vejamos: o que acontece no além é a resposta daquilo que estivermos fazendo aqui na terra. São as consequências de nossos atos, de nossa conduta de vida, do que que fizemos de bem ou de mal. 

Nesse sentido, quer estejamos encarnados quer desencarnados é a atividade do espírito que conta. Não há ociosidade para a alma em seu progresso ininterrupto. Encarnados ou desencarnados somos convidados a evoluir.

Para ilustrar o tema, vejamos o capítulo 18 — “Morrer para descansar”, do livro Pontos e Contos, psicografia de F. C. Xavier, pelo Espírito Irmão X, Copyright 1958.

É a história de um espírita que estava sempre reclamando das agruras da existência terrena e não via a hora de partir para o mundo espiritual. No entanto, os amigos do espaço estavam sempre alertando que a vida lá não é de ociosidade, mas de trabalho muito duro. Mas ele não acreditava. E assim foi, até que um leve resfriado o levou ao mundo espiritual.

Eis o diálogo entre Sérgio Mafra e Ricardo, o guia do além:

"Esperou-o Ricardo, pacientemente, abraçou-o, no limiar da vida nova e falou como quem não encontrava outro remédio senão a conformação:

— Boa sorte, meu amigo! Planejaste a morte e abandonaste o corpo!...

— Sim, sim — replicou Sérgio, de olhos brilhantes —, sempre desejei colaborar ao vosso lado.

— Então sigamos ao serviço, não temos tempo a perder — acrescentou o benfeitor amável e bem-humorado.

E aplicando-lhe forças magnéticas, para que Mafra não se deixasse dominar por sensações de sono, fez-se acompanhar por ele, deliberadamente, ao seu campo de serviços complexos.

Estava Sérgio encantado a princípio, mas, aos poucos, reconheceu que Ricardo dispunha de raríssimas horas para repouso, durante o dia. Não conseguiam nem mesmo ensejo os mais longos entendimentos. O nobre amigo estava cheio de ocupações sacrificiais e o recém-desencarnado viu-se na obrigação de acompanhá-lo em peregrinação através de hospitais, creches orfanatos, necrotérios, oficinas, templos e instituições de caridade, em serviço ativo de socorro a doente e a menos favorecidos da sorte, encarnados e desencarnados.

Compelido a seguir-lhe o ritmo de serviço, Sérgio estava exausto, ao fim de duas semanas.

Humilhado, vencido, dirigiu-se, em pranto, ao benfeitor, penitenciando-se:

— Ah! Meu nobre Ricardo, quantas exigências no trabalho espiritual! A experiência é para mim muito dolorosa! Tende paciência, não suporto mais!...

Ricardo, porém, não sorriu, e considerou em tom grave:

— Não desejavas, em caráter prematuro, as tarefas reservadas ao homem, depois da morte física? Não aproveitaste uma gripe benigna para facilitar o desequilíbrio orgânico? Na terra maternal, erguias-te pela manhã, tomava o teu café reconfortador, trabalhavas algumas horas no curso do dia, entregavas-te ao gosto das refeições bem-feitas, distraias o coração na palestra afetuosa dos familiares queridos, recebias a cooperação de desvelados benfeitores encarnados e desencarnados e dormias na calma do sono e nos deslumbramentos do sonho... Todavia, não obstante a sinceridade de tua fé considerava a existência um martírio execrável. Traduzias a bênção do Eterno por incomodo ao coração. Presentemente, porém, observa que os teus serviços terrenos eram bem suaves e constituíam verdadeiro paraíso em comparação com os deveres de hoje.

Mafra contemplava-o de olhar ansioso, aguardando a dispensa de obrigações que lhe pareciam tão duro. Mas, muito longe de programar o repouso, Ricardo fixou, nele os olhos lúcidos e concluiu:

— Agora, Sérgio, não te posso desobrigar, porque meus avisos à tua alma foram reiterados e veementes; e, não podendo olvidar meus deveres, também não te posso abandonar ao léu, no caminho de sombras. É, portanto, de teu interesse que venhas comigo ao trabalho áspero, para que não te suceda alguma coisa pior."

 

16 setembro 2021

Boa Nova: Algumas Notas

Boa Nova, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Humberto de Campos, copyright 1941.

Notas

“André, se algum dia teus olhos se fecharem para a luz da Terra, serve a Deus com a tua palavra e com os ouvidos; se ficares mudo, toma, assim mesmo, a charrua, valendo-te das tuas mãos. Ainda que ficasses privado dos olhos e da palavra, das mãos e dos pés, poderias servir a Deus com a paciência e a coragem, porque a virtude é o verbo dessa fidelidade que nos conduzirá ao amor dos amores!” (Capítulo 6 — "Fidelidade a Deus")

“— Simão — disse o Mestre com desvelado carinho —, poderíamos acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E se fôssemos contar o tempo, na ampulheta das inquietações humanas, quem seria o mais velho de todos nós? A vida, na sua expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constitui de suas flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. O fruto, porém, é sempre uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é uma esperança; a flor uma promessa; o fruto é realização. Só ele contém o doce mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da Divindade!...” (Capítulo 9 — "Velho e moços")

“O Pai não impõe a reforma a seus filhos: esclarece-os no momento oportuno. Joana, o apostolado do Evangelho é o de colaboração com o céu, nos grandes princípios da redenção.” (Capítulo 15 — "Joana de Cusa")

“— Tomé — exclamou o Senhor, com energia —, Deus não exige que os homens o conheçam senão no santuário do perfeito conhecimento de si mesmos. Eu venho de meu Pai e tenho de ensinar as suas verdades divinas. Nunca reclamei dos meus discípulos as suas homenagens pessoais, apenas tenho recomendado a todos que se amem, reciprocamente, através da vida!” (Capítulo 16 — "O testemunho de Tomé")

“— "Pai Nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome." E, ponderando que a redenção da criatura nunca se poderá efetuar sem a misericórdia do Criador, considerada a imensa bagagem das imperfeições humanas, continuou: — "Venha a nós o teu reino." Dando a entender que a vontade de Deus, amorosa e justa, deve cumprir-se em todas as circunstâncias, acrescentou: — "Seja feita a tua vontade, assim na Terra como nos céus." Esclarecendo que todas as possibilidades de saúde, trabalho e experiência chegam invariavelmente, para os homens, da fonte sagrada da proteção divina, prosseguiu: — "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje." Mostrando que as criaturas estão sempre sob a ação da lei de compensações e que cada uma precisa desvencilhar-se das penosas algemas do passado obscuro pela exemplificação sublime do amor, acentuou: — "Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." Conhecedor, porém, das fragilidades humanas, para estabelecer o princípio da luta eterna dos cristãos contra o mal, terminou a sua oração, dizendo com infinita simplicidade: — "Não nos deixes cair em tentação e livra-nos de todo mal, porque teus são o reino, o poder e glória para sempre. Assim seja."” (Capítulo 18 — "Oração dominical")

15 setembro 2021

Palavras do Infinito: Algumas Notas

Palavras do Infinito, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Humberto de Campos e outros Espíritos, copyright 1936.

Notas

Neste compêndio, há alguns temas já desenvolvidos em Crônicas de Além-Túmulo como, por exemplo, "A passagem de Richet", "Hauptman", "Judas Iscariotes"...

Importa salientar aqui algumas mensagens sobre o momento político brasileiro, que trata da democracia, fascismo e comunismo.

Chico Xavier responde a três delicadas perguntas de um estudioso em assuntos financeiros.

Posto em contato com Chico Xavier, o Sr. Teixeira da Costa, já à noite, deixou-lhe em mãos as três proposições seguintes:

“I, — Dado o aumento da população mundial e a escassez do ouro necessário à circulação, a socialização do sistema monetário, tendo por base certa percentagem da exportação de cada país conseguiria, pela emissão naquela base, regular o fenômeno da troca?

II — Atendendo a que, na vida, econômica, interessando a produção a três classes — Estado, Capital e Trabalho — em favor destas pode ser regulada a circulação, emitindo-se certa percentagem na base do valor da produção exportável, emissão que será regulada pela estatística, a fim de aumentar ou diminuir automaticamente o regime da circulação, evitando-se inflação ou escassez de numerário?

III — A economia dirigida é um erro científico, que embaraça o progresso econômico dos povos?”

“A síntese é a alma da verdade. Prolixidade não significa lógica".

Em buscando explicar as questões formuladas, o nosso objeto é apenas integrar o homem no conhecimento das suas possibilidades próprias, porquanto a chave da solução de todos os problemas que interessam ao progresso humano, o “quid” da realização dos seus superiores idealismos reside nas mãos da humanidade mesma.

Faltam os executores, os cérebros e os sentimentos.

Evite-se a expansão do interesse pessoal, as competições mesquinhas, a ambição de ganhos e domínios, os assaltos ao Tesouro Público, o exibicionismo e cultive-se, acima de tudo, o interesse da coletividade. Basta isso. A coletividade é a nação e não se compreende o patriotismo fora dessas normas.

Para o estado atual do Brasil não se enquadra outro regime fora da democracia liberal!”

 

13 setembro 2021

Lázaro Redivivo: Algumas Notas

 Lázaro Redivivo, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Irmão X, copyright 1945.

Notas

“Giordano Bruno foi queimado por ensinar as leis da Natureza. Galileu morreu cego, depois de sofrer, já septuagenário, escandalosas acusações por divulgar alguns detalhes das maravilhas celestes. João Huss, o precursor da Reforma, experimentou a fogueira. Gutenberg foi processado, entre dissabores e vicissitudes, terminando a existência, em extremo infortúnio, na companhia de um clérigo que o recolheu caritativamente. Pestalozzi, a princípio, era considerado mau aluno. Edison suportou o sarcasmo de técnicos e acadêmicos dos últimos tempos. Pasteur, em certa ocasião, na cadeira de Química do Instituto de Dijon, foi tido por medíocre. Para que intensificar as citações? Quase todos os que pugnaram com Jesus pelo mundo melhor, nos primeiros séculos do Cristianismo, receberam bofetadas e açoites, devassas e confiscações, pedradas de ingratos e insultos de ignorantes, servindo de pasto a feras, gemendo nos cárceres ou atados em postes de martírio. E como só a objetiva do tempo consegue fixar as verdadeiras imagens do bem, as gerações posteriores exaltaram-lhes os sacrifícios, aureolando-lhes o nome de glória universal”. (Capítulo 4 — "Aos médiuns")

“— É o protótipo da ingratidão para Deus — respondeu o venerável instrutor. O diabo é do Eterno o filho que menospreza a celeste herança. Recebe os tesouros divinos e converte-os em misérias letais. Das bênçãos que lhe felicita o caminho, faz maldições que estende aos semelhantes. Cego às belezas universais que o cercam, vive afirmando sua permanência no inferno, criação dele mesmo, em seu plano interior. É alma repleta de atributos sublimes que permanece, entretanto, na Obra do Pai, como gênio destruidor. É sábio de raciocínio, mas pérfido de sentimento. Seu cérebro elabora rapidamente as mais complicadas operações para a ofensiva do mal, todavia, seu coração é paralítico para o bem. Sua cabeça é fogo para a mentira, contudo, o seu peito é de gelo para a verdade. Escarra nas mãos que o acariciam, está sempre disposto a condenar, perverter e confundir os demais filhos de Deus, lançando a perturbação em geral, para que seus interesses isolados prevaleçam. Pela ciência e perversidade de que oferece testemunho, é um misto de anjo e monstro, no qual se confundem a santidade e a bestialidade, a luz e a treva, o céu e o abismo. Criatura desventurada pelo desvio a que se entregou voluntariamente é, de fato, mais infeliz que infame, merecendo, antes de qualquer consideração, nosso entendimento e piedade”. (Capítulo 10 — "O diabo")

“Calar a tempo, desculpar ofensas, compreender a ignorância dos outros e tolerá-la, sofrer com serenidade pela causa do bem comum, ausentar-se da lamentação, reconhecer a superioridade onde se encontre e aproveitar-lhe as sugestões e exercer o ministério sagrado da divina virtude”. (Capítulo 19 — "Caridade")

“— Então, ouça: poderia ele permanecer aqui, em nosso recanto celeste, mas a mente do infeliz ainda está no inferno que se esforça por conservar indefinidamente, depois da morte do corpo. Não intente violentar as leis evolutivas”. (Capítulo 21 — "Proteção e realidade")

“A fé, a paz, o ideal, a confiança, a libertação, a sabedoria, constituem obras individuais de cada um. Ninguém possuirá a felicidade, se não construí-la dentro de si mesmo”. (Capítulo 24 — "No estudo da fé")

“Recorda-te que, quando o Senhor deseja conhecer as conquistas de uma alma, dá-lhe a autoridade e a fortuna, o governo e o trono para a terrível experiência. Atende a Deus e domina-te”. (Capítulo 25 — "A palavra do morto")

“Não são os Espíritos que, desenvolvem os médiuns e sim estes que apuram as faculdades receptivas, alargando as suas possibilidades de colaboração e valorizando-as pelo estudo constante e pela aplicação própria às obras da verdade e do bem”. (Capítulo 26 — “Na edificação")

“Afirmavam os antigos: “dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. Atualmente, com os novas conhecimentos que felicitam os homens, poderíamos dizer: “dize-me o que fazes e dir-te-ei com quem andas”. (Capítulo 30 — "Intercâmbio")

“— A maioria dos enfermos terrestres roga-nos diagnósticos infalíveis e esclarecimentos exatos, reclamando sejam informados com realidade absoluta, alegando que nós, os Espíritos exonerados da carne, devemos ser rigorosamente verdadeiros. Como demonstrar, porém, a eles, autores de seus próprios desastres, que destruíram o fígado com as irritações inconsequentes, que envenenaram o estômago nos excessos da mesa, que arruinaram o sangue em aventuras condenáveis, que adquiriram infecções perigosas, através da precipitação ou do relaxamento?” (Capítulo 32 — "Buscando a verdade")

“Também os médiuns devem sofrear o desejo de adiantar ilações do que observam em silêncio, porque em assuntos de espiritualidade toda a prudência se faz imprescindível.

Compreende você a responsabilidade dos que fazem conclusões precipitadas ou que adiantam informações prematuras? Responderemos por todas as imagens mentais que criarmos nos cérebros alheios”. (Capítulo 41 — “Adivinhações")

12 setembro 2021

Novas Mensagens: Algumas Notas

Novas Mensagens, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Humberto de Campos, copyright 1940

Notas

— "Esta maçã, meus amigos, é o símbolo do atual Império. Nunca mais voltaremos ao seio das nossas antigas tradições!... No dia em que esta fruta voltasse a ser bela, retomando a sua pureza primitiva, também nós teríamos restaurado a alegria de nossa vida, com a volta aos sagrados costumes!...” ("O carnaval no Rio")

— "O maior inimigo dos médiuns está dentro de nossos próprios muros!..." ("História de um médium")

“Enquanto os melhores aparelhos da América possuem um diâmetro de duzentas polegadas, com a possibilidade de aumentar a imagem de Marte doze mil vezes, a astronomia marciana pode contemplar e estudar a Terra, aumentando-lhe a imagem mais de cem mil vezes, chegando ao extremo de examinar as vibrações de ordem psíquica, na sua atmosfera.

Seus telescópios estão frios, suas máquinas, geladas. Faltam-lhes os ardores divinos da intuição sublime e pura, com as vibrações da fé que os levariam da ciência transitória à sabedoria imortal. ("Marte")

“Dizia Renan que o "o cérebro queimado pelo raciocínio tem sede de simplicidade, como o deserto tem sede de água pura". E nós observamos que a ciência do mundo, nas suas explosões de inconsciência, se reduz, agora, a um punhado de escombros”. ("Carta a Gastão Penalva")

“O generalíssimo das batalhas, para Deus, não passava de um verme obscuro e insolente, condenado a prestar as mais severas contas de suas atividades sobre a Terra..." ("Ludendorff")

“Humberto de Campos, órfão ao primeiro lustro de idade, teve a criação rústica, rebelde, defeituosíssima, tão comum nos nascidos em vilarejos do interior brasileiro, atrofiado pelos maus exemplos, pela linguagem viciada e baixa, grosseira e suja, pelos conselhos malsãos, pela agressividade das atitudes dos valentões da faca à cinta; aprendiz de alfaiate, e depois de tipógrafo, e afinal empregado sem categoria no comércio vilão; aluno primário de escolas onde aprendeu rudimentos; tais os valores negativos que recebeu para entrar na vida — que devia seguir — dentro do seu Destino de glória dolorosa e cheia de penúrias.

Martinho Lutero, eminente entre os maiores homens do seu século, era filho de um rude operário mineiro, e muitas vezes comeu pão de esmola, a cantar nas ruas com outros condiscípulos pobrezinhos, para poder frequentar as aulas onde estudava — distante e sem auxílio dos pais.

Assim, teve margem para sofrer todas as provações duras e humilhantes, necessárias ao abatimento do orgulho, opulência e vaidade de vidas anteriores, quando possivelmente infligiu a outros as mesmas agruras que veio, em resgate, sofrer, por sua vez.

Moreno, cabelo duro, de uma feiura que chamava atenção, grande boca com os dentes um tanto abrutalhados, o próprio Humberto de Campos estranhava e não definia esse capricho da natureza, pois na família predominava o sangue europeu.

O principal traço do seu Espírito, Humberto de Campos o sentia talvez na perseverança com que trilhava o caminho da vida, mesmo o da obscuridade, porque (a frase é sua) disse: Gosto de subir, mas não gosto de mudar de escada. ("Antíteses da Personalidade de Humberto de Campos")

“Francisco Cândido Xavier é um Espírito reencarnado para a grande missão de espargir as luzes da Verdade universal, sob a égide protetora e vigilante de verdadeiros Amigos, missionários da nova catequese nas terras de Santa Cruz.

De uma feita, nessa reportagem, escreveu — DO FIM PARA O PRINCÍPIO — um trecho em inglês (idioma ignorado do médium), trecho que só pode ser lido com auxílio de espelho refletindo o positivo do original negativo. ("Francisco Cândido Xavier")

 

11 setembro 2021

Luz Acima: Algumas Notas

 Luz Acima, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Irmão X, copyright 1948.

Notas

“— Sim, vamos. Todos os que permanecem neste este átrio de repouso merecem a bênção divina. O católico, o reformista, o espiritista e o incrédulo, suscetíveis de serem erguidos até aqui, foram, homens de elevada expressão na melhoria do mundo. Todavia, para servir imediatamente ao meu lado, prefiro o irmão que não tenha o pensamento prisioneiro do salário celestial. Preciso de um cooperador liberado das complicações de pagamento. A conta prévia costuma dificultar o trabalho”. (Capítulo 6 — "O anjo servidor")

“— Dizem igualmente que até hoje, muitos séculos decorridos sobre os ensinamentos de Jesus, raríssimas pessoas aparecem pleiteando posição no Reinado Celestial, mas milhões de criaturas disputam ferozmente, todos os dias, os melhores recursos de alcançarem a maioridade terrestre, segundo as definições de Satanás...” (Capítulo 7 — "No reino da Terra")

“O homem poderá rir com Voltaire, estudar com Darwin, filosofar com Spinoza, conquistar com Napoleão, teorizar com Einstein, ou mesmo fazer teologia com São Tomás; entretanto, para viver a existência digna, há que alimentar-se intimamente de princípios santificantes, tanto, quanto entretém o corpo à custa de pão. Quem não dispõe do divino combustível para uso próprio, recorre inconscientemente às reservas alheias, porquanto, não existe idealismo superior que não tenha nascido da atividade espiritual e, sem ele, o conceito de civilização redunda em grossa mentira”. (Capítulo 11 — "Esclarecimento")

“— Trata-se da perda do dia de serviço útil, que representa ônus definitivo, por distanciar-nos de todos os companheiros que se eximem a essa falha”. (Capítulo 16 — "A perda irreparável")

“— O único remédio seguro que conheço contra as tentações é o mergulho do pensamento e das mãos no trabalho que nos dignifique a vida para o Senhor”. (Capítulo 17 — "Remédio contra as tentações")

“Você sabe que o peixe, para elevar-se das profundezas abismais a que se adaptou, necessita modificar a bexiga natatória. E que fazer com milhões de mentes humanas, estacionadas em processos inferiores da inteligência, incapazes de respirar além da atmosfera densa do vale, se não lhes forem proporcionadas aqui condições de vida análogas ou profundamente análogas às da Crosta Terrestre?” (Capítulo 20 — "Em resposta")

“Antônio acercou-se da vaca, levantou-a, e sem que bolinha percebesse guiou-a para alto, de onde se contemplava enorme precipício. Do cimo, o santo ajudou-a a projetar-se rampa abaixo. Em breves segundos a vaca não mais pertencia ao rol dos animais vivos na Terra”. (Capítulo 26 — "A proteção de Santo Antônio")

“Examinou as pupilas do homem e descobriu a inquietação da maldade. Sondou os olhos do boi e encontrou calma e paz”. (Capítulo 28 — "O homem e o boi")

“— A Verdade! quero a Verdade!...

A benfeitora, reconhecendo-o novamente cego, viu-se inibida de atender. Inclinando-se-lhe aos ouvidos, esclareceu:

— Agora é tarde...

O moribundo suplicou a intervenção do Tempo, mas o Tempo escusou-se, informando, inflexível:

— Agora será necessário esperar...

E a Morte, querida e detestada, respeitada e incompreendida, aproximou-se serenamente, baixou o pano e concluiu:

— Agora, é comigo. Tratarei de seu caso.” (Capítulo 30 — "Velho apólogo")

“— Pedro, há precisamente uma hora procurava situar o domicílio de nossos maiores adversários. De então para cá, cinco apareceram, entre nós: o medo, a cólera, a dureza, a vaidade e a maledicência... Como reconheces, nossos piores inimigos moram em nosso próprio coração”. (Capítulo 31 — "Os maiores inimigos")

“— Parece-me que o paraíso, sonhado por você, é o éden da espécie "Limax arborum". Essas criaturas, que no fundo são igualmente filhas de Deus, organizam o próprio lar, através de folhas e flores. Aquietam-se e dormem descansadas sob a claridade do firmamento. Nada perguntam. Não riem, nem choram. Desconhecem os enigmas. Não sabem o que vem a ser aflição ou dor de cabeça. Alimentam-se daquilo que encontram nas árvores preciosas da vida. Ignoram se há guerra ou paz, dificuldade ou pesadelo entre os homens. Vivem alheias aos dramas biológicos, aos conflitos espirituais e, se um cataclismo fulminasse o Universo em que nos achamos, não registrariam grandes diferenças...” (Capítulo 32 — "Numa cidade celeste")

“— Como reconheces, Filipe, não foi a claridade do alto que nos dificultou a marcha e, sim, a pedrinha modesta do chão”. (Capítulo 34 — "Na subida cristã")

“— Se a prática do mal exige tanta inteligência e serviço de um homem, calculemos a nossa necessidade de compreensão, devotamento e perseverança no sacrifício que nos reclama a execução do verdadeiro bem”. (Capítulo 35 — "Inesperada observação")

“— Pedro, para ferir e amaldiçoar, sentenciar e punir, a cidade e o campo estão cheios de maus servidores. Nosso ministério ultrapassa a própria justiça. O Evangelho, para ser realizado, reclama o concurso de quem ampara e educa, edifica e salva, consola e renuncia, ama e perdoa...” (Capítulo 36 — "Nas hesitações de Pedro")

“— Prossegue em teu caminho e não teimes. Realmente, reclamamos companheiros para o ministério. Já possuis, todavia, muitos títulos de inibição e o Evangelho precisa justamente de corações desembaraçados que estejam prontos ao necessário auxílio em nome de Nosso Pai”. (Capítulo 37 — "Candidato impedido")

“Intensa luminosidade espiritual resplandecia em torno de sua cabeça venerável. Nova bênção desceu de mais alto e, com surpresa de todos no dia imediato, Ildefonso acordou paralítico...” (Capítulo 40 — "Rogativa reajustada")

“— Sim — disse o sábio interlocutor —, você chegou até Moisés. Voltará naturalmente ao corpo de carne, a fim de prosseguir o aprendizado com Jesus-Cristo.

E, sorridente, acrescentou:

— Seu curso está com um atraso de mil e novecentos anos...” (Capítulo 42 — "Até Moisés")

“— Neste poço singelo, Judas, tens a lição que desejas. Quando quiseres água pura, retira-a com cuidado e reconhecimento. Não há necessidade de alvoroçar a lama do fundo e das margens. Quando tiveres sede de ternura e amor, faze o mesmo com teus amigos. Recebe-lhes a cooperação afetuosa sem cogitar do mal, a fim de que não percas o bem supremo”. (Capítulo 44 — "Do aprendizado de Judas")

“— A escritura divina do Evangelho é o próprio coração do discípulo”. (Capítulo 45 — "A escritura do Evangelho")

 

 

 

09 setembro 2021

Reportagens de Além-Túmulo: Algumas Notas

Reportagens de Além-Túmulo, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Humberto de Campos, copyright 1943.

Notas

“Foi quando, então, dirigiu a Jesus a súplica mais fervorosa de sua vida espiritual, implorando que lhe permitisse voltar à Terra, a fim de esconder no esquecimento da carne as suas enormes desditas. Queria fugir do plano invisível, detestava o título de santo, aborrecia todas as homenagens, atormentava-o o altar do mundo. Suas lágrimas eram amargas e comovedoras, e o Senhor, como sempre, não lhe faltou com a bondade infinita”. (Capítulo 1 — "Amarguras de um santo")

“O nosso amigo conhecia de longos anos o Salvador, mas só agora encontrara o Mestre. Emiliano Jardim regressou, renovado, ao labor do Evangelho, depois do Natal diferente”. (Capítulo 5 — "O natal diferente")

“Como veem — concluiu o narrador emocionado —, André foi indiferente à educação moral dos filhos, esquecendo-se de efetuar a semeadura da infância, a fim de construir-lhes o caráter na juventude. A experiência resultou-lhe em frutos bem amargos. Depois de eliminar, involuntariamente, um deles, acabou assassinado pelo outro”. (Capítulo 6 — "O drama de André")

“— Imensa é a tragédia dos Espíritos sofredores. Mas, no auxílio efetivo, é indispensável considerar que cada doente reclama o seu remédio. A maioria dos suicidas requisita a dureza e a ironia para que possa entender a verdade. Até que se verifique a próxima experiência terrestre, Tomasino Pereira estudará sinceramente a própria situação e não se queixará mais...” (Capítulo 9 — "Desapontamento de um suicida")

“— Falas de Crookes, de Flournoy, de De Rochas, de Lombroso, de Richet, mas esqueces que precisas de construção própria. Tanto vacilaste no Planeta, que terminaste a última experiência duvidando de ti mesmo. Quando procuravas ansiosamente a fraude nos outros, não vias que fraudavas a própria alma. Desafiaste médiuns e trabalhadores; entretanto, não atendeste aos desafios que a luta nobre te facultou em cada dia terreno”. (Capítulo 10 — “O investigador inconsciente")

“— Meu filho, não te queixes senão de ti mesmo. O Dono da Vinha jamais esqueceu os trabalhadores. Materiais, ferramentas, possibilidades, talentos, oportunidades, tudo foi colocado pela bondade do Senhor, em teus caminhos. Preferiste, porém, fixar os obstáculos, desatendendo a tarefa. Reparaste o mau tempo, a circunstância adversa, o tropeço material, a perturbação física e, assim, nunca prestaste maior atenção ao serviço real que te levara ao Planeta. Esqueceste que o trabalho da realização divina oferece compensações e tônicos que lhe são peculiares, independentemente dos convencionalismos do mundo exterior. O Senhor não precisa de operários que passem o tempo a relacionar óbices, pedras, espinhos, dificuldades e confusões, e sim daqueles que cooperem fielmente na edificação eterna, sem interpelações descabidas, desde as atividades mais simples às mais complexas. Enquanto olhavas o chão duro, a enxada enferrujou-se e o dia passou. Choras? O arrependimento é bendito, mas não remedeia a dilação. Continua retificando os desvios da atividade mental e aguarda o futuro infinito. Deus não faltará, jamais, à boa-vontade sincera!” (Capítulo 13 — "O trabalhador fracassado")

“Tanto se pode invocar a entidade celeste, quanto atrair a criatura terrestre, na mesma lei que rege o constante intercâmbio das almas. Não olvides, pois, estas preciosas verdades!” (Capítulo 14 — "Invocações diretas")

“— Toda a zona mental está invadida de larvas venenosas. As zonas de receptividade permanecem fechadas à influenciação superior. Teu protegido está absolutamente hipnotizado pela mulher que lhe armou o laço de mel”. (Capítulo 21 — "A moléstia salvadora")

“— Tal circunstância lhe agrava a situação. Se houvesse lesado alguém, na esfera particular, a intercessão e a tolerância facilitariam a solução dos seus problemas; todavia, você é obrigado a prestar contas à coletividade, destacando-se uma classe inteira, sobre a qual sua vida pesou como parasita indesejável”. (Capítulo 22 — "O remédio à preguiça")

“Diante do que observamos, o verdadeiro obsessor é a médium obstinada. A vigorosa potencialidade magnética de Isolina é a gaiola, e Juliano o pássaro cativo. É preciso restabelecer o equilíbrio da verdadeira situação”. (Capítulo 33 — "Obsessão desconhecida")

 

08 setembro 2021

Pontos e Contos: Algumas Notas

 Pontos e Contos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Irmão X, copyright 1958.

Notas

“— Diariamente, milhões de almas humanas abandonam a carne e tornam a ela, no aprendizado da verdadeira vida. Quem morre no mundo grosseiro perde apenas a forma efêmera. O que importa no plano espiritual não é o “interromper” ou o “recomeçar” da experiência e, sim, a iluminação duradoura para a vida imortal. Não percais tempo, buscando novos programas, quando nem mesmo iniciastes a execução dos velhos ensinamentos. Aprendiz algum tem o direito de invocar a presença do Mestre, de novo, antes de atender as lições anteriormente indicadas. Voltai e aprendei! Não existe outro caminho para a distração voluntária”. (Capítulo 3 — "As portas celestes")

“Os companheiros encarnados mantinham-se prontos para o comentário cintilante e vivo. Qualificavam os comunicantes, queixavam-se dos sacrifícios a que eram obrigados por semelhantes visitas, reclamavam-lhes a ficha individual, situavam-nos entre os verdugos da vida privada; todavia, não houve um só que entendesse a lição legítima da noite, nela reconhecendo uma advertência do Alto para reajustamento de roteiro, enquanto era tempo. Ninguém percebeu que, doutrinando os Espíritos, o grupo estava sendo igualmente doutrinado”. (Capítulo 4 — "Em sessão prática")

“— A maior benfeitora para Deus, aqui, no entanto, ainda não é a viúva humilde que se desfez do pão de um momento... É aquela mulher dobrada de trabalho, frágil e macilenta, que está fornecendo à grandeza do Templo o seu próprio suor”. (Capítulo 8 — "A maior dádiva")

“— O aprendiz de longe pode crer e descrer, abordando a verdade e esquecendo-a, periodicamente, mas o discípulo de perto empenhará a própria vida na execução da Divina Vontade, permanecendo, dia e noite, no monte da decisão”. (Capítulo 10 — "O Discípulo de perto")

“Efetivamente, o rapaz, em duas semanas, estava quase radicalmente curado. A Senhora Ramos não cabia em si de contente. Anacleto, porém, assim que se viu exonerado dos impedimentos físicos, não mais quis saber das edificantes palestras maternais. Não longe do balneário funcionava grande seção de jogos de azar que, de pronto, lhe fascinaram a mente doentia. Incapaz de procurar o entretenimento sadio, útil ao sistema nervoso enfermiço, atirou-se ao pano verde, desvairadamente, tomado de estranha sede. Ocultando-se à vigilância materna, durante oito noites sucessivas aventurou somas enormes. Quando perdeu o conteúdo da própria bolsa, valeu-se de dois cheques em branco que o pai havia confiado à genitora, devidamente assinados, para despesas eventuais na excursão de cura. Fez dois saques vultosos, mas perdeu irremediavelmente. Quando viu rolar a ficha derradeira, ausentou-se, alucinado; enceguecido, semilouco, não conseguiu registrar-nos a assistência espiritual e, a sós, no quarto de dormir, ralado de ódio e vergonha, suicidou-se estourando o crânio. E assim terminou a experiência. A Senhora Ramos retirou-se de casa conduzindo um filho doente e regressou trazendo um cadáver”. (Capítulo 11 — "O problema de saúde")

“— Por enquanto, Rosalino, ainda não paguei todas as consequências do empréstimo que te foi concedido e do qual fui espontaneamente avalista. Tuas lágrimas, agora, não me sensibilizam tão fortemente o coração”. (Capítulo 21 — "O empréstimo")

“— Minha irmã, o nosso amigo padece de inchação da inteligência pelos crimes cometidos com as armas intelectuais. Seus órgãos da ideia foram atacados pela hipertrofia de amor-próprio. Ao que vejo, a única medida capaz de lhe apressar a cura é a hidrocefalia no corpo terrestre.

A nobre genitora chorou amargurada, mas não havia remédio senão conformar-se.

E, daí a algum tempo, pela inesgotável bondade do Cristo, Abelardo Tourinho podia ser identificado por amigos espirituais numa desventurada criança do mundo, colada a triste carrinho de rodas, apresentando um crânio terrivelmente disforme, para curar os desvarios da “grande cabeça””.  (Capítulo 23 — "Cabeça grande")

“Nossa amiga tem recebido até hoje a proteção confortadora, mas, doravante, necessita receber a proteção educativa”. (Capítulo — 24 "Proteção educativa")

“A grande questão de todos os tempos não é propriamente a de conhecer, mas a de entender a finalidade do conhecimento”. (Capítulo 27 — "Espiritismo científico apenas?")

“— Pedro, todos os fracassos do dia constituem a resultante da ação de um só adversário que muitos acalentam. Esse adversário invisível é o medo. Tiveste medo da opinião dos outros, Tiago sentiu medo da reprovação alheia, Bartolomeu asilou o medo da perseguição e Felipe guardou o medo da crítica...” (Capítulo 36 — "O adversário invisível")

“— Sabemos que existe alimentação e assimilação, estudo e aproveitamento, dor e renovação. Esgota-se o corpo físico, quando se alimenta e não assimila. Entrega-se o estudante a muitos disparates, quando lê e não medita. Precipita-se a alma em regiões infernais, quando sofre e não recolhe os valores da lição. Lembre-se de semelhantes verdades na Terra”. (Capítulo 39 — "Provas de paciência")

“O verdadeiro humilde, embora conheça a insuficiência própria, declara-se escravo da vontade do Senhor, para atender-lhe aos sublimes desígnios, seja onde for. Aqui, como acontece na maioria das instituições terrestres, todos querem colher, mas não desejam semear”. (Capítulo 41 — "A tarefa recusada")

“Cuidaste apenas de matar o tempo e o teu tempo agora permanece morto”. (Capítulo 42 — "O homem que matava o tempo")