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22 agosto 2018

Desequilíbrio

Para o nosso próprio bem, é salutar que caiamos em desgraça, que nos desequilibremos momentaneamente e, com isso, ampliar a nossa confiança em Deus.

A dor presente pode ser vista no futuro. Diz-se que Deus escreve certo por linhas tortas. O que isso quer dizer? Dado um movimento em falso, é possível que o fato refletido mostre os nossos defeitos e o que pode ser feito para sua correção. Vejamos cada coisa mais pela sua consequência do que por ela mesma.

Observe a humanidade que, segundo alguns pensadores, está invertida. A maioria elege o que menos importa para a evolução espiritual. Exemplo: corrida em busca do dinheiro e das coisas materiais. Isso pode causar desequilíbrios: depressão, neurastenia, melancolia etc.

O desequilíbrio é retratado em muitos livros espíritas. Neles, há um combate ao orgulho e à vaidade, estimuladores potenciais do pensamento para o mal e não para o bem. O grande problema é a formação de nossos hábitos. Depois de incrustados em nosso psiquismo, fica difícil nos desfazer deles. Por isso, um não no princípio evita muitas quedas posteriores. Por outro lado, se dissermos sim ao equilíbrio, poderemos ter momentos de paz em nosso caminho na vida.

Reflitamos sobre as notas abaixo.

Nota 1

"Ecoam gritos de ódio em palco de amor, através da comunicação simultânea de alguns Espíritos, uns simplesmente desnorteados, em passageira ou prolongada aflição, exibindo, às vezes sem saber sequer que foram despojados do veículo carnal, sintomas de desequilíbrio e deformidades (remorsos, aleijões etc.) outros, em maior parcela, pondo à mostra alucinados desejos de vingança como perseguidores implacáveis de criaturas indefesas, que lhes prejudicaram em encarnações passadas". (Cap. VI "Gritos de Ódio em Palco de Amor", do livro Minha Doce Casa Espírita, por Nazareno Tourinho. Capivari/SP: EME, 1998.)

Nota 2 

"A faina incessante da vida moderna, a sede de confortos supérfluos, a ânsia pelo prazer exorbitante, as demandas injustificáveis são apresentadas invariavelmente como fatores básicos para explicarem os desequilíbrios da emoção que atormentam o homem". (DV, 21). Do livro Repositório de Sabedoria, pelo Espírito Joana de Ângelis. Salvador: Livraria Espírita Alvorada Editoria, 1980)

Nota 3

"Mentalizemos as radiações gravitantes que arremessamos de nós, em torno do próprio veículo que nos exterioriza. Os órgãos vivos que o constituem reproduzir-lhes-ão o impulso e a natureza, inclinando-nos ao equilíbrio ou ao desequilíbrio, à saúde ou à enfermidade.

Nossa mente pode ser comparada a vigorosa usina electromagnética de emissão e recepção e o nosso corpo espiritual, seja no círculo da carne ou em nosso presente estágio evolutivo fora dela, é um condensador em que os centros de força desempenham a função de baterias e em que os nervos servem por fios condutores, transmitindo-nos as emanações mentais e absorvendo-as, em primeira mão, de conformidade com a lei de correspondência ou de fluxo e refluxo.

No exame de quaisquer perturbações, é indispensável o serviço de autoanálise para conhecer a onda vibratória em que nos situamos e a fim de ponderar quanto aos elementos que estamos atraindo". (Cap. 33 "Um Antigo Lidador", pelo Espírito Ernesto Senra - Do livro: Instruções Psicofônicas, Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.)

Nota 4

"A técnica, como consequência da ciência, nos trouxe grande soma de informações, incrustadas no despreparado cotidiano humano. A totalidade dos seres ainda não possui condições ideais de realizar a filtragem de todas essas propostas. O despreparo humano refere-se à falta de Espiritualidade. A condição material foi eleita, na maioria das sociedades humanas, como sendo o "bom deus" das comodidades; entretanto, consideremos que as comodidades bem dosadas, atadas ao processo evolutivo, são necessárias e devem ser utilizadas. No excesso estará o desequilíbrio do egoísmo. A avidez de riqueza e poder vedou a percepção de reais horizontes humanos". ("Razões Espirituais", do livro Lastro Espiritual nos Fatos Científicos, por Jorge Andrea dos Santos. Petrópolis/RJ: Sociedade Editora Espiritualista F. V. Lorenz)




22 novembro 2011

"Homo Novus", Cérebro Novo

De acordo com Krishnamurti, em O Mistério da Compreensão, o cérebro se torna novo quando há uma distância entre um fato e a reação do sujeito em relação a este mesmo fato. Quando reagimos imediatamente, estamos apenas confirmando o nosso ponto de vista, as nossas opiniões, o nosso preconceito, a nossa superficialidade. Para que um cérebro se torne novo, devemos conceder-lhe um tempo para refletir, para pensar, para sopesar, para meditar.

O cérebro novo requer que olhemos para as mesmas coisas, mas sem pressa, sem querer resolver instantaneamente aquilo que se nos apresentou. O tempo que damos, entre uma sensação e sua avaliação, transforma um ato fragmentário num ato total, aquele que pertence ao todo do indivíduo. Em se tratando do homem, e olhando-o sob a perspectiva do todo, não existe o brasileiro, o norte-americano, o chinês, porque todos os indivíduos fazem parte da espécie humana.

Como transformar, então, o homem velho no homem novo de que nos reporta o evangelho? Buscando refletir sobre o velho, sem o intuito de mudá-lo bruscamente. Quando a vontade age, ela fragmenta o próprio homem. Eu quero me tornar perfeito, eu quero ser grande e mundialmente reconhecido, eu quero que as coisas saiam sempre ao meu gosto. Nesse caso, há uma imposição sobre uma ideia, sobre um comportamento, sobre uma atitude. Essas resoluções não nos deixam espaço para outras acepções, as acepções do homo novus de que nos fala Paulo nas suas pregações.

O cérebro velho está acostumado com um tipo de resposta, com um tipo de comportamento. O novo causa-lhe incômodo. Quando propomos ao cérebro outro tipo de resposta, fazemo-lo agir em nosso benefício. Façamos uma analogia com a prece, cujos estímulos enviamos a Deus, com a intenção de nos livrarmos de alguma dificuldade, de algum problema. Na realidade, esses estímulos enviados a Deus não modificam o problema, a dificuldade, mas fazem-nos pensar de forma diferente a respeito de uma dada dificuldade. Este é o homem novo com cérebro novo.

O cérebro é o repositório dos conhecimentos, adquiridos ao longo do tempo. Para que ele se torne novo, jovial, leve e solto, é necessário que evitemos entulhá-lo com coisas superficiais e insignificantes.

17 agosto 2011

Violência e Espiritismo

Violência vem do latim violentia, que significa violência, caráter violento ou bravio, força. O verbo violare significa trotar com violência, profanar, transgredir. O sociólogo H. L. Nieburg define a violência como "uma ação direta ou indireta, destinada a limitar, ferir ou destruir as pessoas ou os bens". O Oxford English Dicitonary define a violência como o "uso ilegítimo da força".

Há a violência manifesta e a violência oculta. O ato da criação narrado na Bíblia é um ato de violência, embora não seja um ato manifesto. Observe que Adão e Eva são expulsos do paraíso por desobedecerem a Lei de Deus; não houve, por parte do Criador, nenhum perdão. Além do mais, tanto Adão quanto Eva tiveram que provar o mal para conhecer o bem.

Segundo Krishnamurti, "a fonte da violência é o "eu", o "ego", que se expressa de muitos e vários modos — dividindo, lutando para tornar-se ou ser importante etc.; que se divide em "eu" e "não eu", em consciente e inconsciente; que se identifica, ou não, com a família, a comunidade etc. 

"Haveis aprendido o que foi dito aos Antigos: Vós não matareis, e todo aquele que matar merecerá ser condenado pelo julgamento. Mas eu vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser a seu irmão Racca, merecerá ser condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: Vós sois louco, merecerá ser condenado ao fogo do inferno".(Mateus, 21 e 22). Por essas máximas, Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei: condena, por conseguinte, a violência, a cólera e mesmo toda expressão descortês com respeito ao semelhante. 

Saibamos ponderar os esforços para a erradicação da violência. Quem sabe não estamos nos violentando a pretexto de eliminar a violência que há dentro de nós?

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Notas de livros

Planeta Terra em Transição, de Izoldino Rezende de Moraes, pelo Espírito Ismael, copyright 2011

Duzentos anos antes de Jesus reencarnar na Terra, foram retirados da crosta terrestre mais de dois milhões de Espíritos, os quais foram magnetizados através do sono. Depois, a oportunidade de reencarnar na Terra.

Deus permite que o mal possa conviver com o bem, para que haja certo equilíbrio, e, aquele que segue o mal possa ter o exemplo do bem. Para que aqueles que estão seguindo o caminho do bem, vendo o mal e suas consequências, possam consolidar em si a bondade.

E ao assumirem o poder de liderança na área política ou no comando de exércitos, muitos se transformam em ditadores sanguinários. Utilizam de todo o potencial de sabedoria e de conhecimento intelectual no campo das invenções para construírem armas de grande poder de destruição.

E as Terras Brasileiras?

O país está em guerra. Ao observarmos melhor, veremos que o país está enfrentando um dos piores problemas da humanidade: a desagregação das famílias, o aumento do vício em entorpecentes, as drogas, a criminalidade, a corrupção está disseminada pela sociedade.

Nesse período de transição, todos os setores da sociedade estão sendo influenciados negativamente pelos espíritos vampirizadores. Os jovens, sem nenhuma orientação espiritual, estão sendo manipulados por eles, e através das pichações, dos jogos eletrônicos, desenhos animados e todas as formas e uma pseudo-arte incentivam a violência e a criminalidade. Fazendo total apologia ao uso de drogas, como saída libertadora de seus conflitos interiores, mas que na verdade, é escravidão que os leva para a total destruição de suas próprias vidas.

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Transição Planetária, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, copyright  2008. 

As grandes calamidades têm por finalidade convidar a criatura humana à reflexão em torno da transitoriedade da jornada carnal em relação à sua imortalidade.

Os problemas levantados: transtornos depressivos, drogadição, sexo desvairado, fugas psicológicas, crimes estarrecedores, desrespeito às leis e à ética, desconsideração pelos direitos humanos, animais e Natureza.

Os apóstolos da caridade do plano espiritual descem ao Planeta para ajudar nessa dolorosa transição.

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Amanhecer de uma Nova Era, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, copyright 2012. 

Pelo fato de haver o desrespeito à vida e aos princípios éticos e morais, em que autoridades insanas entregam-se à corrupção, enquanto os cidadãos comuns jazem na miséria de todo tipo, sem esperança nem alegria de viver, fugindo pelas armadilhas da depressão, do suicídio, das drogas ilícitas, surge a necessidade de uma programação de alto significado espiritual, mas sem modificar a Codificação Espírita. Torna-se urgente que providências sejam tomadas, a fim de que não ocorra o mesmo que sucedeu ao Cristianismo nascente.

 



Pensamento

"O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo." (Espírito Emmanuel) 

Pensamento — do lat. pensare significa pesar, isto é, medir, avaliar e comparar. No sentido mais lato, designa-se por pensamento toda a atividade psíquica; numa acepção mais estreita, só o conjunto de todos os fenômenos cognitivos, e excluindo, portanto, os sentimentos e as volições; mais estritamente ainda, pensamento é sinônimo de "intelecto", enquanto permite compreender — ou inteligir — a matéria do conhecimento e na medida em que realiza um grau de síntese mais elevado que a percepção, a memória e a imaginação.

Para o Espiritismo, é o elemento nobre, modelador das ações dos Espíritos, através de fluídos etéreos. Allan Kardec, em A Gênese, diz que o pensamento “é a grande oficina ou o laboratório da vida espiritual”. “O pensamento e a vontade são para os Espíritos aquilo que a mão é para o homem”.

06 setembro 2010

Depressão e Espiritismo

Depressão é o estado de abatimento psíquico e físico. É normal que as pessoas tenham períodos de depressão nervosa, mas quando ela é muito acentuada ou quando tende a se manter por períodos muito longos, pode-se tratar de uma perturbação mental. A psiquiatria é a ciência que cuida desses problemas mais graves, pois concebe a depressão como uma doença. Nesse caso, pode-se buscar a cura, inclusive com uso de remédios.

depressão não é característica apenas da era moderna Na Bíblia, há relatos sobre os padecimentos dos atingidos pelo infortúnio, aqueles que perderam a fé em Deus, e com isso a esperança no futuro. Hipócrates, o pai da medicina, no século IV a.C., já nos esclarecia que a depressão tinha relações estreitas com o temperamento melancólico. Na Idade Média, esteve associada à força mística de alguma entidade misteriosa. Somente no século XVIII é que passou a ter características de método científico.

Os tipos de depressão são os mais variados. Há os casos próprios (depressão endógena) e os provenientes de doenças e frustrações várias. Exemplo: depressão das doenças orgânicas (hepatite, câncer, enfarte, Parkinson); depressão traumática (acidentes automobilísticos, acidentes de trabalho); depressão dos lutos patológicos; depressão em virtude da decepção amorosa.

Algumas estimativas numéricas: a depressão afeta 15 a 20% das mulheres e 5 a 10% dos homens; aproximadamente 60% das pessoas com depressão não fazem tratamento; atualmente 10% da população mundial sofrem do mal. Em dez anos, acredita-se que esse número será de 20%; recentemente, a Organização Mundial da Saúde classificou a depressão como uma das doenças que mais causam incapacidade. É a 4.ª numa lista de 5. Até 2020 terá ocupado o 2.º posto.

No Espiritismo, os passes e as prédicas evangélicas curam a depressão? Não resta dúvida que os fluidos emitidos pelos passes, seguidos pelas orientações doutrinárias espíritas, são extremamente úteis. Entretanto, o tratamento médico deve vir em primeiro lugar; os passes e as palestras são complemento não substituição. Tratar de uma obsessão quando o problema é físico pode gerar graves incômodos ao sujeito com depressão.

A depressão de hoje pode ter íntimas relações com vivências passadas. O Espírito André Luiz, no capítulo 4 de “No Mundo Maior”, oferece-nos subsídios para compreendermos o cérebro intoxicado. É caso do sujeito que assassinou o padrasto, roubou-lhe certa quantia de dinheiro, mas não deixou pista alguma à justiça. “Conseguiu ludibriar os homens, mas não pode iludir a si mesmo”. O padrasto, já no mundo espiritual, concentrando a mente na ideia de vingança, passou a segui-lo ininterruptamente. Daí em diante não teve mais sossego, por mais que trabalhasse e cuidasse dos seus familiares.

O Espírito Joana de Ângelis, nesta linha de vivências passadas, mostra-nos, na mensagem “Nostalgia e Depressão”, que as pessoas vitimadas pela insegurança e pelo arrependimento, perdem a liberdade de movimentos, de ação e de aspiração. A nostalgia reflete evocações ricas de momentos felizes, que não mais se experimentam. Pode perfeitamente proceder de existências passadas do Espírito.

Em vista da gravidade da depressão, que é o desarranjo do nosso estado mental, saibamos cultivar pensamentos de paz, alegria e bom ânimo, alicerçados nas prédicas trazidas por Jesus.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/depress%C3%A3o






03 março 2010

Amor, Frustração e Humildade (Jornal)

Amor que Alcança o Outro

Frustração Faz Crescer 

A Humildade é o Esteio da Evolução Espiritual

 O Amor que Alcança o Outro

QUESTÕES de Ariana Pereira, repórter do jornal Diário da Região, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, para a revista Bem-Estar e RESPOSTAS de Sérgio Biagi Gregório

Por que Jesus, um grande mestre espiritual, insistia tanto na questão do amor ao próximo?

Para entendermos a posição de Jesus, quanto ao amor ao próximo, temos de nos reportar à Lei de Deus, ou seja, aos Dez Mandamentos, recebidos mediunicamente por Moisés. De acordo com Allan Kardec, "esta lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino". Jesus não veio destruir esta lei, mas dar-lhe cumprimento, desenvolvê-la segundo o grau de adiantamento da humanidade. Em realidade, Jesus resumiu o Decálogo num único mandamento, que costumamos chamar de o 11.º Mandamento: "Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo". Jesus também acrescenta: "Está aí toda a lei e os profetas". Para Jesus, o próximo é o canal que nos leva a Deus. Sem o próximo, todo o nosso esforço é em vão, porque acabamos chafurdando no egoísmo, o principal cancro da humanidade.

21 julho 2008

Injúrias e Violências

Injúria — do lat. injuria — significa ação que ofende a outrem; agravo, vitupério, afronta. Violência — do lat. violentia —, o que se exerce com uma força impetuosa. Diz-se do sentimento ou da afeição, quando supera a vontade.

Para os antigos gregos, cada ser tinha um lugar destinado e tudo se resumia a manter a hierarquia dos valores de cada um na totalidade. Essa concepção não implica luta e violência. No entanto, mesmo entre os próprios gregos surgiu a concepção de mundo como luta de contrários. O mundo "faz-se" precisamente no conflito entre as forças contrárias, do qual brota o novo.

O segundo esquema impôs-se nos tempos modernos. Hobbes formula essa ideia dizendo que "o homem é lobo do próprio homem". Darwin fala em seleção dos mais aptos, na sua teoria sobre a evolução das espécies. Hegel traça as linhas da dialética, como superação dos contrários. Marx quer atingir a igualdade através da luta de classes. Como vemos, tudo gira em torno da força para manter a ordem.

Contudo, o mestre Jesus dizia: "Bem-aventurados aqueles que são brandos, porque eles possuirão a Terra"; "Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus". Acrescenta "que todo aquele que se encolerizar contra o seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser ao seu irmão Racca, merecerá ser condenado pelo conselho”. Por essas máximas, Jesus fez da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei; condena, por conseguinte, a violência, a cólera e mesmo toda a expressão descortês com respeito ao semelhante.

Na interpretação de Kardec, no cap. IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, os textos evangélicos denotam a ideia de que, até esse dia, os bens da terra estão açambarcados pelos violentos em prejuízo daqueles que são brandos e pacíficos. Porém, quando a lei de amor e caridade for a lei da Humanidade, não haverá mais egoísmo; o fraco e o pacífico não serão mais explorados pelo forte e pelo violento.

O mundo é violento porque somos violentos. Se optarmos pela afabilidade e pela doçura, estaremos auxiliando a construir o mundo ditoso do terceiro milênio.




08 julho 2008

Reflexos Condicionados e Mudança Comportamental

O estudo dos reflexos condicionados leva-nos a uma reflexão sobre as nossas atitudes. A atitude pode ser definida como uma maneira peculiar de reagir aos acontecimentos. Ela forma-se, toma força, estrutura-se e, sem o percebermos, todas as nossas reações acabam transformando-se em respostas automáticas aos estímulos oferecidos. Se, por um acaso, quisermos mudar a resposta, achamo-nos em erro e desistimos incontinente.

A formação das atitudes pode ser feita de três maneiras: a) princípio de associação; b) princípio de transferência; c) princípio de satisfação de necessidade. Na realidade, os componentes formadores das atitudes podem ser "pensamentos", "crenças", "sentimentos ou emoções" e "tendência para reagir". Quer dizer, ao vermos alguém praticar um determinado ato, achamo-nos no direito de imitá-lo: começamos, repetimos e incorporamo-lo em nossa conduta pessoal. Com o tempo, o referido ato torna-se um hábito tão natural, que nos sentimos sem forças para modificá-lo.

Os psicólogos sociais mostraram, através de pesquisa, que há muita facilidade em construir hábitos. Basta iniciá-los, que as circunstâncias concorrem para solidificá-los. A modificação, porém, não é tarefa fácil. A substituição (ou extinção) requer mais força do que se imagina. A persuasão é o elemento chave que está na base dessas pesquisas. Nesse sentido, chamam-nos a atenção para a persuasão dos crédulos, que são facilmente sugestionados pelo carisma e magnetismo dos seus líderes. Após serem vítimas de uma lavagem cerebral, não conseguem mais pensar pela própria cabeça. Por isso, quando seguimos a multidão podemos estar no contrapé da história.

Esses psicólogos sociais mostraram também que há um aspecto relevante no esforço despendido para mudar o hábito negativo, ou seja, quando mudamos uma tendência todas as outras sofrem um realinhamento na mesma direção. É que, segundo esses cientistas, o ser humano funciona globalmente, e tudo o que fizermos no particular terá uma repercussão no todo orgânico. Nesse sentido, o psicólogo Emile Coué escreveu uma frase sugestiva que dá a ideia da generalidade: "Todos os dias sob todos os aspectos vou cada vez melhor".

O tempo decorrido de um automatismo negativo é sumamente importante. A influência dos Espíritos obsessores que estão nos prejudicando deve ser analisada. André Luiz em Missionários da Luz chama nossa atenção para a dificuldade de se quebrar as algemas obsessivas forjadas ao longo de várias encarnações. É que na simbiose das mentes as almas alimentam-se mutuamente. Se quisermos romper de uma hora para a outra, haverá prejuízo de ambas as partes. Nesse sentido, a paciência, a prece, a vigilância, as prédicas evangélicas assumem papel deveras salutar.

Deus, porém, não desampara ninguém. Ele está sempre enviando os professores sociais da boa nova. Basta termos confiança neles, e eles serão farol de nossa libertação espiritual.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. A Obsessão. 3. ed., São Paulo, O Clarim, 1978.