06 outubro 2010

O Instrutor Espírita diante do Centro Espírita

O objetivo do ensino na Casa Espírita é transmitir ao educando informações básicas acerca dos princípios doutrinários, sem ferir o íntimo de cada ouvinte; ao contrário, criar condições favoráveis à recepção destes postulados, lembrando que cada um de nós está em níveis de percepção espiritual diferentes, cabendo ao instrutor ajustar-se às necessidades de cada grupo.

Para atuar na área de ensino, o colaborador deve ter as seguintes características: 1) não medir esforços para a preparação do assunto que irá expor; 2) ter facilidade de expor idéias aos outros; 3) estar a par das regras de oratória e exposição; 4) ser amante do conhecimento, não só espírita, mas de cultura geral; 5) não se melindrar com críticas e observações acerca de sua exposição; 6) dar abertura à influência do plano espiritual superior.

O instrutor deve ter em mente as técnicas de exposição. Hoje, mais do que nunca, precisamos estar a par dos avanços da informática: recursos dos programas de PowerPoint, por exemplo. Em se tratando das técnicas de exposição, há os diversos métodos de ensino, que nos orientam sobre palestra, dinâmica de grupo, debates orientados, sessão de brainstormings, entre outros. Tudo deve ser feito com critério, pois como se diz: “Se Jesus, na sua época, tivesse usado o PowerPoint, não teria nenhum discípulo”. Quer dizer, a postura e a empatia do expositor contam mais do que as aparelhagens modernas.

Em se tratando de uma Casa Espírita, onde nos ensinam que o Espírito já adquiriu conhecimentos em outras existências, o diálogo é de fundamental importância, pois um aluno com vivências passadas mais ricas do que a nossa, pode também nos ensinar muito, tornando a aula mais proveitosa.

O instrutor deve procurar expressar a Doutrina Espírita em seu tríplice aspecto, ou seja, em termos da filosofia, da ciência e da religião. Para muitos, a interligação parece difícil, mas o Espiritismo, sendo uma síntese de todo o conhecimento veiculado, pode analisar um assunto qualquer sob estes três aspectos. Com isso, desviamo-nos do comodismo de repetir frases de efeito, que não nos levam muito longe em nossas reflexões sobre a própria doutrina.

Evitar o “eu acho”, “eu penso”, “eu isso”, “eu aquilo”. Nosso problema é expor a Doutrina, lembrando que o termo doutrinário significa quem obedece rigidamente aos princípios da própria doutrina, prestando atenção à teoria no seu sentido abstrato, mais do que no prático. Podemos e devemos usar as nossas próprias palavras, mas refletidas e alicerçadas nos fundamentos básicos do Espiritismo.

O instrutor deve ter em mente que ele é apenas uma peça na organização global de uma Casa Espírita. Achar que a sua função é mais importante do que a dos outros pode fazê-lo desviar da verdade. Lembremo-nos de que cada um dos frequentadores tem uma tarefa específica. Ninguém é mais do ninguém, porque todos trabalhamos para a unidade - Centro Espírita - que, por princípio, não tem dono. É simplesmente uma organização religiosa.

Estejamos convictos de que só ensina quem aprende. Não sejamos os falsos profetas do Evangelho, aqueles que se colocam como disseminadores da doutrina do Cristo e não passam de expositores do erro e da discórdia.

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