23 fevereiro 2011

Parábola da Figueira Seca

Figueira é o nome vulgar da Fícus carica, pequena árvore (por vezes reduzida a arbusto) caducifólia, da família das Moráceas e subfamília das Artocarpoídeas. É originária da Região Mediterrânea e frequentemente cultivada em Portugal em sítios com nível freático pouco fundo e de clima bastante quente e seco no verão, aparecendo por vezes subespontânea nas fendas das rochas e dos muros velhos.

No dia seguinte, saindo eles de Betânia, teve fome – vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa. Aproximando-se, nada achou senão folhas; porque ainda não era tempo de figos. Disse-lhe: Nunca jamais coma alguém fruto de ti; e seus discípulos ouviram isto. Quando chegava a tarde saíram da cidade. Ao passarem de manhã, viram que a figueira estava seca até a raiz. Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Olhe, Mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste! (Marcos, XI, 12-14 19-21.)

Parábola da Figueira Seca faz parte da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O título bíblico é Figueira Seca: a Purificação do Templo. Nessa passagem, Jesus expulsou os vendilhões do templo, exaltou a fé em Deus e teceu comentários sobre a oração e o perdão.

A relação entre folhas e frutos pode ser assim entendida: Na antiga Palestina, diziam que os primeiros brotos de frutos da figueira aparecem dois meses antes das folhas. Nesse caso, mesmo não sendo época de figos, a figueira já tinha estrutura para, mesmo fora de época, possuir frutos. Cristo se baseia nessa premissa para lançar uma “praga” à figueira.

Daí: a morte de uma árvore pode estar conectada ao uso do magnetismo. Se Jesus destruiu as células prejudiciais e causadoras de enfermidades – curas dos dez leprosos, a mulher que sofria de hemorragia, por que não poderia destruir as células de uma árvore? Mas, foi isso que ocorreu? Parece-nos que o mais provável é: Jesus, conhecedor das leis da natureza, e sabendo que ela iria morrer, disse-lhe para não dar mais frutos. Não foi ele que matou a figueira, mas ela que já estava a definhar.

Allan Kardec, nos itens 9 e 10 do capítulo 19 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ressalta três tipos de símbolos que podemos observar nesta parábola: 1) Pessoas que aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom; 2) pessoas que podem ser úteis e não o são; 3) médiuns que se desviam de sua missão.

A esterilidade é nota destoante. Uma coisa estéril nada produz. Com o tempo, a obra estéril desaparece. Jesus está, nesta passagem evangélica, chamando a nossa atenção para as boas obras, não de aparência, mas de real valor para a Humanidade. O verniz da caridade nada vale, pois a salvação da alma está presa ao essencial, não ao que aparentamos ser.

A vida de aparência caridosa pode enganar aos homens, pode até fazer prosélitos, mas não consegue ludibriar a Deus, que é eminentemente sabedoria e justiça. Esta é a lição que devemos extrair dessa parábola.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/par%C3%A1bola-da-figueira-seca


Transcrição da apresentação — em PowerPoint — feita pela Inteligência Artificial em fevereiro de 2026

A Parábola da Figueira Seca: Aparência e Essência na Vida Espiritual

Sérgio Biagi Gregório
(Org. da apresentação original – 21/02/2011)

Introdução

A parábola da figueira seca constitui uma das passagens mais reflexivas do Evangelho. À primeira vista, pode causar estranheza: por que Jesus teria amaldiçoado uma árvore que não produzia frutos, se ainda não era tempo de figos? Contudo, como toda parábola evangélica, seu sentido não deve ser buscado na literalidade do fato, mas na mensagem moral que encerra.

O objetivo deste estudo é examinar o endereço bíblico do episódio, seu contexto histórico, aspectos simbólicos e sua aplicação à vivência espírita.


O Texto Bíblico e Seu Contexto

O episódio encontra-se em Marcos, 11:12-14 e 19-21. Jesus, saindo de Betânia, sente fome e avista ao longe uma figueira com folhas. Aproxima-se na expectativa de encontrar frutos, mas nada encontra além da folhagem. Então declara que jamais alguém coma fruto daquela árvore. No dia seguinte, os discípulos observam que a figueira secou até a raiz.

O fato ocorre no contexto da purificação do templo, quando Jesus expulsa os vendilhões e reafirma que a casa de Deus é casa de oração. Nesse mesmo capítulo, Ele também ensina sobre fé, oração e perdão. Assim, a figueira seca aparece como símbolo dentro de um conjunto de ensinamentos morais profundos.


A Relação entre Folhas e Frutos

Segundo tradições da antiga Palestina, os primeiros brotos da figueira surgiam antes mesmo das folhas. Isso significa que, mesmo fora da estação principal, a presença de folhas poderia indicar a existência de frutos iniciais.

A árvore apresentava aparência promissora, mas não possuía substância correspondente. Essa discrepância entre exterior e interior constitui o núcleo simbólico da parábola.


Natureza, Magnetismo e Interpretação Espírita

Alguns estudiosos espíritas admitem que Jesus, pelo magnetismo superior que possuía, poderia agir sobre os elementos da natureza. Outros entendem que Ele apenas anunciou um processo natural já em curso.

Independentemente da interpretação física do fenômeno, o essencial está na lição moral. Conforme O Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. XIX, itens 9 e 10), a figueira simboliza:

  1. Pessoas que aparentam o bem, mas nada produzem de útil.
  2. Indivíduos que poderiam ser instrumentos valiosos e não o são.
  3. Médiuns que se desviam de sua missão.

Esterilidade Moral e Vida de Aparência

A obra estéril, com o tempo, desaparece. O verniz da caridade não sustenta o espírito diante da lei divina. Não é a aparência, a eloquência ou o brilho exterior que têm valor real, mas os frutos produzidos em benefício do próximo.

Como ensina Emmanuel, em Fonte Viva (cap. 7), não é o porte da árvore que importa, mas seus frutos. O que vale é a substância da colaboração no progresso comum.


Aplicação ao Centro Espírita

A parábola também se aplica às instituições. Um Centro Espírita que não consola, não esclarece e não serve pode transformar-se simbolicamente em uma “figueira seca”. Quando opiniões pessoais se sobrepõem aos princípios doutrinários e ao espírito de serviço, instala-se a esterilidade moral.

Cada integrante é chamado ao sacrifício das vaidades individuais em favor do bem coletivo.


Conclusão

A vida de aparência pode enganar aos homens, mas jamais a Deus. A sabedoria divina não se impressiona com folhas vistosas, mas avalia os frutos produzidos.

A parábola da figueira seca convida-nos à coerência entre discurso e prática, fé e ação, intenção e resultado. Ensina-nos que o verdadeiro valor espiritual está na utilidade, na produção do bem e na autenticidade da vivência moral.

Em última análise, somos todos figueiras no campo da vida. A pergunta que permanece é: estamos oferecendo frutos ou apenas exibindo folhas?

Referências

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, s.d.

SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus. São Paulo: O Clarim, 1979.

ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, s.d.

 


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