29 agosto 2012

Amai-vos e Instruí-vos

Nas palestras espíritas, ouvimos frequentemente a frase: “amai-vos e instruí-vos”. Quem a proferiu? Onde está situada? Qual o seu alcance? Essa frase encontra-se no capítulo VI (“O Cristo Consolador”) de O Evangelho Segundo o Espiritismo e, mais especificamente, nas instruções dos Espíritos, com o subtítulo “Advento do Espírito de Verdade”.

No quinto parágrafo dessas instruções, há os seguintes dizeres: “Espíritas! amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana, e eis que, além do túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: Irmãos! nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade" (O Espírito de Verdade, Paris, 1860).

Em se tratando do amor, conceito polissêmico, podemos vê-lo sob o ponto de vista do amor egoísta (tudo nos pertence), do amor racional (em que a razão tem grande predominância) e  do amor doação ou incondicional (aquele ensinado por Jesus). Cabe-nos, ao longo de nossa trajetória de progresso, passarmos do amor egoísta ao amor incondicional, em que daremos tudo sem pedir nada em troca.

Instruir é fornecer ou adquirir conhecimentos. É educar ou treinar alguém numa dada atividade. A instrução pode ser do tipo “bancária”, em que o professor dá importância ao “conteúdo da matéria” e instrução “problematizadora”, em que o professor procura formar cabeças pensantes. Há, também, a instrução evangélica, aquela baseada na pedagogia de Jesus, consubstanciada no ensinamento contido no relato da candeia e do alqueire.

Antes de empreender, necessário se faz definir o objetivo. O objetivo da instrução espírita é divulgar os princípios doutrinários do Espiritismo, para que mais pessoas possam entrar em contato com esses ensinamentos de libertação de consciência. Para tanto, o divulgador deve se debruçar sobre as obras básicas e complementares da Doutrina Espírita. Sem isso, assemelha-se ao falso profeta que Jesus denunciava em seu Evangelho. 

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ensina-nos que o amor resume inteiramente a doutrina de Jesus. Diz-nos que "no início o homem não tem senão instintos; mais elevado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado tem sentimentos; e o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas". (Kardec, 1984, p. 146)

O verdadeiro discípulo do Evangelho deve instruir amorosamente os seus adeptos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

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