26 setembro 2008

Paulo: o Apóstolo dos Gentios

Paulo nasceu em Tarso, na Cilícia, no ano 3 da era cristã, desde que se aceite que a morte de Jesus ocorreu no ano 29 e não no ano 33. Recebeu na circuncisão o nome de Saulo. Somente mais tarde, quando entrou para o mundo cristão, mudou-se para Paulo. Ainda jovem é enviado para Jerusalém, para frequentar a escola de Gamaliel, e preparar-se para a função de escriba. Como era costume judeu, toda a criança devia ser ensinada num trabalho manual. Ensinaram-lhe, assim, a profissão de tecelão. Na época em que Jesus fora crucificado, Paulo não devia estar em Jerusalém, pois não temos notícia de que o havia conhecido pessoalmente.

Paulo era de pequena estatura e aspecto enfermiço. Ele mesmo falava de sua doença. Contudo, isso não o impedia de ser um argumentador ilustre e um profundo psicólogo. Era radical na defesa da lei mosaica. Perseguia, prendia, interrogava sem piedade os cristãos. Não o fazia por vaidade, mas para cumprir a lei, para cumprir aquilo que acreditava ser a verdade, pois fora introduzido nas escrituras do Velho Testamento. Chegou, inclusive, a assistir à morte de Estevão, irmão de sua noiva Abigail.

Dono de uma personalidade marcante, recebe uma autorização do sumo sacerdote, para ir a Damasco prender os cristãos. Na estrada de Damasco, por volta do meio-dia, um clarão esplendoroso derruba-o de seu cavalo, deixando-o cego. Nesse ínterim, ouve a voz de Jesus lhe dizer: “Saulo... Saulo... porque me persegues?” Depois de restabelecida a visão, por intermédio de Ananias, Paulo torna-se um novo ser humano, um ser que mudou o seu comportamento religioso da noite para o dia, causando, inclusive, dúvidas junto aos seus familiares e amigos mais íntimos.

Depois da guinada de 180 graus, precisou de um tempo de preparação para a nova fase de sua vida. O trabalho, com o tear, junto a Áquila e Priscila, foi providencial. De acordo com as instruções dos benfeitores espirituais, a pregação evangélica necessita de um período de maturação, principalmente para aqueles que se lhes opuseram por largo tempo. Posteriormente, a sua pregação começa pelas sinagogas dos judeus. A obstinação dos judeus, contudo, cria dificuldades à expansão do Evangelho. Por isso, a sua dedicação aos gentios, que eram mais fáceis de aceitarem a boa-nova. Daí, a designação de “apóstolo dos gentios”.

Paulo tinha uma postura exemplar. A cada nova igreja que criava, mantinha-a sob sua guarda, visitando-a e tomando nota das suas necessidades. Quando não podia ir pessoalmente, escrevia cartas (epístolas) no sentido de mantê-las informadas sobre os novos ensinamentos. Essas cartas constituíram o “Quinto Evangelho”. Nelas estão arroladas reflexões sobre vários assuntos, desde a conduta da mulher na igreja até as mais radicais correções do pensamento. Observe, por exemplo, estes: “O bem que quero fazer não faço; e o mal que não quero, esse eu pratico”; “Já não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim”.

Paulo é um exemplo vivo de como podemos mudar radicalmente a nossa conduta. Uma vez aceita a palavra da vida eterna, o novo homem deve entrar em cena, consoante a sentença evangélica: “Aquele que tomar a charrua e olhar para trás, não é digno do Reino de Deus”.

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Mudança de Nome

Barnabé disse:

— Saulo, quando Ananias te batizou não chegou a sugerir a mudança do teu nome? 

— Não me lembrei disso. 

—Pois suponho que, doravante, deves considerar tua vida como nova. Foste iluminado pela graça do Mestre, tiveste o teu Pentecostes, foste sagrado Apóstolo para os labores divinos da redenção. 

O ex-doutor da Lei não dissimulou a própria admiração e concluiu:

— Muito bem — respondeu o companheiro —, entre Saulo e Paulo nenhuma diferença existe, a não ser a do hábito de grafia ou de pronúncia. A decisão será uma formosa homenagem ao nosso primeiro triunfo missionário junto dos gentios, ao mesmo tempo que constituirá agradável lembrança de um espírito tão generoso.

Extraído do capítulo IV — "Primeiros Labores Evangélicos" (2.ª Parte) do livro Paulo e Estêvão, pelo Espírito Emmanuel, psicografado por F. C. Xavier. 

 




24 setembro 2008

Paulo e as Epístolas

Paulo viveu na época de Jesus. O seu nome em hebreu é Saulo. Conforme costume judeu, que prescrevia o ensino de uma profissão às crianças, Paulo torna-se tecelão. Saulo é enviado a Jerusalém onde se torna discípulo de Gamaliel, adquirindo vasto conhecimento das escrituras e das tradições judaicas.

Enquanto Jesus era crucificado pelo anúncio de seu Evangelho, Saulo transforma-se num ferrenho perseguidor dos cristãos, na Palestina e na Síria. Jesus havia começado com 12 apóstolos; depois, passou para 120; quando da sua morte, já eram mais de 5.000. Estando a caminho de Damasco, no intuito de perseguir os cristãos, tem uma queda. Nela ouve os seguintes dizeres: “Saulo... Saulo... porque me persegues?” A queda deixa-o cego por alguns dias, sendo obrigado a se curar com o homem a quem perseguia, ou seja, Ananias. Depois de restabelecido, surge um novo homem, um homem voltado para o Cristo.

Paulo captou de tal modo a sua missão, que nada lhe tirava esse ímpeto de seguir o Cristo, nem que para isso fosse necessário perder a própria vida. Depois de alguns anos de quietude, junto ao tear e em companhia de Áquila e Prisca, dá ensejo à sua nova tarefa: divulgar os ensinamentos de Cristo. Para isso, não se intimida ante as perseguições, as desconsiderações e as prisões. Segue os ensejos de seu coração, mas não é capaz de evitar a sua trágica morte (por decapitação).

Impossibilitado de visitar todas as igrejas nascentes, recebe inspirações do além para escrever as cartas, chamadas de epístolas. Doravante, passou a expressar os seus pensamentos em forma de crônicas, para que o maior número de pessoas pudesse entrar em contato com a boa nova do Cristo. Por detrás de toda a comunicação estava a complacência dos Espíritos Estêvão e Abigail, que lhe incentivavam o trabalho. Paulo escreveu 14 epístolas, destinadas aos tessalonicenses, aos coríntios, aos gálatas, aos romanos etc.

Paulo estava preocupado com a divulgação da sã doutrina do Cristo. Neste sentido, combate a idolatria, a circuncisão, o pecado, a luxúria etc.; exalta a justiça pela fé, a humildade, a caridade, a fidelidade a Deus, a submissão à autoridade, a tolerância para com os fracos da fé etc.; dá orientações de como a mulher deve portar-se na Igreja; responde às perguntas sobre o casamento; fala de seus sofrimentos na luta pela implantação da "Boa-Nova"; diz que a Lei é impotente para salvar, mas conduz a Cristo e à fé; descreve acerca da diversidade dos dons espirituais.

Paulo foi quem universalizou o Cristianismo. É o exemplo vivo de como o homem velho pode se transformar no homem novo. Sigamos os seus exemplos. 

 


Apocalipse de João

Apocalipse – do grego apokalypsis significa revelação. O apocalipse de João consiste na revelação tida por João, o Evangelista, na Ilha de Patmos, narradas no fim do Novo Testamento, sobre os futuros acontecimentos que envolverão o planeta e a Humanidade.

João era médium. Conta-nos o Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz, que Jesus chama aos Espaços o Espírito João, transmitindo-lhe a linguagem simbólica. “Recomenda-lhe o Senhor que entregue os seus conhecimentos ao planeta como advertência a todas as nações e a todos os povos da Terra, e o Velho Apóstolo de Patmos transmite aos seus discípulos as advertências extraordinárias do Apocalipse. Todos os fatos posteriores à existência de João estão ali previstos”.

O apocalipse de João está repleto de simbolismos. O Espírito Emmanuel, no livro acima citado, desvenda-nos alguns deles. Ele identifica a besta como sendo o papado e o número 666 como sendo o Sumo pontífice da igreja romana quem usa os títulos de “VICARIVS GENERALIS DEL IN TERRIS”, “VICARIVS FILII DEI” e "DVX CLERI" que significam "Vigário-Geral de Deus na Terra", "Vigário do Filho de Deus" e “Príncipe do Clero". Bastará ao estudioso um pequeno jogo de paciência, somando os algarismos romanos encontrados em cada título papal, a fim de encontrar mesma equação de 666, em cada um deles.

Quantos aos cataclismos futuros, Allan Kardec, em A Gênese, diz-nos: "Fisicamente, a Terra teve as convulsões da sua infância; entrou agora num período de relativa estabilidade: na do progresso pacífico, que se efetua pelo regular retorno dos mesmos fenômenos físicos e pelo concurso inteligente do homem. Está, porém, ainda, em pleno trabalho de gestação do progresso moral. Aí residirá a causa das suas maiores comoções. Até que a Humanidade se haja avantajado suficientemente em perfeição, pela inteligência e pela observância das leis divinas, as maiores perturbações ainda serão causadas pelos homens, mais do que pela Natureza, isto é, serão antes morais e sociais do que físicas".

O grande aprendizado do apocalipse está no apelo à evolução do ser humano. Ao longo do tempo, esquecemos os ensinamentos evangélicos e nos chafurdamos no materialismo exacerbado. Contudo, a lei do progresso nos chama a atenção para uma volta à prática do bem e à redescoberta da verdade. Para que isso ocorra, porém, a humanidade deverá sofrer grandes revezes, traumas incontáveis, a fim de que a luz da nova era possa penetrar no seio de todos os viventes.

Em qualquer atividade do intelecto, devemos ter a humildade de aceitar as diretrizes do Alto. Somente assim conseguiremos nos postar mais de acordo com os anseios dos benfeitores da humanidade.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/apocalipse





17 setembro 2008

A Geração Nova

“A Geração Nova” é um subtítulo do capítulo XVIII – São Chegados os Tempos – do livro A Gênese, de Allan Kardec. Por geração nova, entende-se uma Humanidade mais evoluída do que a atual, uma Humanidade em que a inteligência e a razão caminham em perfeita harmonia com o sentimento inato do bem.

A regeneração da Humanidade faz parte da Lei do Progresso e está nos planos de Deus. Nosso próprio Planeta já passou por várias transformações físicas, desde a sua criação, há 5 bilhões de anos. É possível que, materialmente, ainda haja reparos a serem feitos, pois nenhuma revolução física se faz da noite para o dia. Contudo, os cataclismos previstos nos Evangelhos nada têm de material; eles são eminentemente morais.

O Espiritismo não é o promotor da regeneração, pois a mesma encontra-se nos desígnios de Deus. O Espiritismo nos dá informações, conhecimentos, subsídios para uma melhor compreensão do que está acontecendo e do que está por vir. A tese – os tempos são chegados – é motivo de diversas interpretações: para os incrédulos, nenhuma importância têm; para a maioria dos crentes, qualquer coisa de místico ou de sobrenatural, parecendo-lhes subversão das leis Naturais. O Espiritismo, ao contrário, vem nos dizer que esses acontecimentos estão de acordo com a Divina Providência.

As mortes coletivas, por exemplo, são um transtorno para a maioria da população. Para o Espiritismo, é fator de progresso. Allan Kardec diz-nos que, quando partem muitos de uma só vez, a possibilidade de eles anteverem o progresso é muito maior se eles fossem um a um, dois a dois, dez a dez. Se ficassem encarnados, demorariam muito para voltarem à prática do bem; as ideias retrógradas poderiam ir sedimentando mais e mais que de nada adiantaria viver mais anos neste Planeta. A melhor solução, não resta dúvida, é o desencarne coletivo.

O Planeta Terra está passando do Mundo de Expiação e Provas para o Mundo de Regeneração. No Mundo de Regeneração, o bem deve predominar sobre o mal. Por isso, para aqueles que ainda não se ajustaram à lei do amor, para aqueles que ainda se comprazem em fazer o mal pelo mal, haverá a emigração para outros orbes menos evoluídos. Os desencarnes coletivos fazem com que os Espíritos possam refletir mais objetivamente sobre a sua condição espiritual. Se, nessa passagem pelo mundo dos Espíritos, eles já conseguirem vislumbrar uma outra situação moral, poderão retornar a este Planeta, não precisando ir a mundos mais inferiores.

geração nova é um modelo de perfeição do Espírito. Ninguém pensará em prejudicar o seu próximo. A tônica será: "cada um suplante a si mesmo e não ao seu próximo".

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/gera%C3%A7%C3%A3o-nova






12 setembro 2008

Moradas na Casa do Pai

1. Não se turbe o vosso coração. – Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. – Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais. (João 14, 1 a 3)

A casa do Pai é o Universo. As moradas são os diversos mundos que circundam no espaço infinito, servindo de habitação apropriada ao adiantamento dos diversos Espíritos, espalhados por todo o Cosmo. Por Universo, entende-se o conjunto de tudo quanto existe (incluindo-se a Terra, os astros, as galáxias e toda a matéria disseminada no espaço). Tomado como um todo; o cosmo, o macrocosmo. Em filosofia, diz-se de tudo quanto existe no espaço e no tempo.

Embora não haja uma classificação absoluta, Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, divide-os em cinco tipos:

1) Mundos Primitivos, destinados às primeiras encarnações do Espírito. Nesse mundo, o ser humano ainda é muito rude, pois está na infância da sua evolução espiritual. O livre-arbítrio, pouco desenvolvido, não oferece ao Espírito muitas oportunidades de escolha. No processo de encarne-desencarne, vai adquirindo o senso moral, que o torna responsável pelas suas próprias ações.

2) Mundos de Expiação e Provas, em que há o domínio do mal. É a situação do planeta Terra. Nele o mal tende a suplantar o bem. Os mansos são enganados pelos inescrupulosos, o mais forte rouba o mais fraco, há guerras e rumores de guerra. Além do mal físico, há também o mal moral, que é a atitude de pensar no mal em vez de pensar no bem. Por esta razão, Jesus condenava o "pecado pelo pensamento", pois a pessoa já tinha cometido o "pecado" de coração.

3) Mundos de Regeneração, em que as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta. Pode-se dizer que já há um equilíbrio entre o bem e o mal.

4) Mundos Felizes ou Ditosos, em que o bem sobrepuja o mal. O homem já não é mais lobo do próprio homem, como afirmara Hobbes. Há leveza de locomoção; basta aplicar a vontade que se vai aonde quiser. As doenças, as guerras e os homicídios estão em queda e, consequentemente, toda infraestrutura montada para atender essa demanda.

5) Mundos Celestes ou Divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. As doenças, as prisões e os hospitais não existem mais, porque os Espíritos, devidamente enquadrados na lei de amor, não têm mais necessidade dessas organizações para a sua devida evolução espiritual.

Temos facilidade de pintar as agruras do "inferno" e poucas palavras para descrever o "céu". Por quê? De certa forma, somos o resultado do que pensamos. Se o nosso pensamento é superficial, terra-a-terra, faltam-nos condições de perceber as ideias das esferas mais altas. O corvo voa baixo; a águia procura o cimo. Estamos muito mais para corvo do que para águia. Às vezes, até falamos desses mundos superiores, mas é muito mais fruto de leituras ou de comunicações mediúnicas do que da nossa sapiência.

Santo Agostinho, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz: "A Terra está classificada no mundo de provas e expiações. Esteve material e moralmente num estado inferior ao que está hoje, e atingirá sob esse duplo aspecto, um grau mais avançado. Ela atingiu um dos seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se-á mundo regenerador; então os homens serão felizes, porque a lei de Deus nela reinará".

Para Reflexão: "Nos mundos mais adiantados, o homem não procura elevar-se acima dos outros, mas acima de si para se aperfeiçoar".