16 setembro 2015

Medo

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz." (Platão)

Medo vem do latim metu, medo, causador de cuidados, vocábulo que está também na raiz de médico, remédio, remediar, irremediável. O medo é um temor, surto violento, grande inquietação em presença de um perigo real ou imaginário. O medo difere da angústia. No medo, o fenômeno psicológico ameaçador do perigo é identificável; na angústia, não. 

O medo pode ser visto tanto pela psicologia quanto pela filosofia entre tantos outros aspectos. Na psicologia, o medo é definido como uma perturbação angustiosa causada pela presença ou perspectiva de uma situação em que se arrisca a segurança presente ou futura. Na filosofia, é uma forte emoção que inibe um filosofar original. Segundo Bunge, alguns filósofos esposaram o irracionalismo por medo da ciência, o nominalismo por medo do idealismo, o idealismo por medo da religião e do marxismo.

Hoje, o medo está presente em muitos aspectos de nossa vida. Há o medo de perder o emprego, de envelhecer, de ficar doente, de ser assaltado em plena luz do dia. Em termos mais globais, talvez o terrorismo seja um dos maiores medos da humanidade. Por quê? Porque os terroristas já não alvejam somente os seus inimigos políticos, mas também os inocentes, como aconteceu no dia 11 de setembro 2001, no ataque às torres gêmeas nos Estados Unidos da América. 

A mente e a imaginação têm grande influência na concretização do medo. O poder da imaginação é sem limite: basta alguém nos relatar uma doença e já a sentimos em nossa própria pele. O pensador Emile Coué costumava dizer que andamos tranquilamente sobre uma prancha no chão. Basta pô-la no alto para o medo surgir imediatamente. A busca de segurança e o hábito de fazer comparações também enfraquecem a nossa mente, dando origem ao aparecimento do medo. 

Jesus disse: "Não temas, crê". Qual o alcance desta frase? A fé na Divina Providência enche-nos de força para enfrentarmos todas as dificuldades que se nos apresentarem. Lembremo-nos de que Deus deixa-nos sempre uma porta aberta à esperança, por pior que seja o problema. Além do mais, como nos ensina o Evangelho, Ele não coloca em nossos ombros um fardo mais pesado do que possamos carregar.

Diante de um medo, sigamos os exemplos do Mestre Jesus, que tudo sofreu para nos ensinar o caminho da salvação. Caso nos sintamos fracos para tal empreendimento, peçamos o auxílio dos benfeitores espirituais. Eles estão sempre prontos a nos ajudar. Lembremo-nos de que "aqueles que tiverem medo de ser confessar discípulos da verdade não são dignos de serem admitidos no reino da verdade". 




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