05 janeiro 2016

Eurípedes Barsanulfo

Eurípides Barsanulfo (1880-1918) nasceu e morreu em Sacramento, Minas Gerais. Foi professor, político e espírita. Em sua juventude, como era muito estudioso, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano".

Ao tomar contato com as obras da Codificação, despertou-lhe o interesse pelos estudos sérios do Espiritismo tendo, como consequência, a incompreensão dos seus familiares e amigos mais próximos. Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária.

A produção de vários fenômenos mediúnicos repercutiu na sociedade. Daí, muitas pessoas procuravam Sacramento para a cura de seus males. Ninguém saia sem um lenitivo para a sua dor. Com a intensidade dos trabalhos espirituais, sentiu necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso, fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905.

Um fato marcante no exercício de sua mediunidade: certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a 1.ª Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.

Eurípedes fundou, em 1.º de abril de 1907, o Colégio Allan Kardec, um verdadeiro marco no campo do ensino. Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia.

O robustecimento do movimento espírita incomodava o clero católico. Este, com o tempo, desenvolveu uma campanha difamatória contra Eurípedes e a Doutrina Espírita. Para se defender, usava as colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus". 

Em vista das divergências doutrinárias, o padre convidou-o para um debate. O padre começou a discussão nos seguintes termos: o Espiritismo é a "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas". Eurípedes, por sua vez, com lógica e dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos.

Fonte de Consulta

NOVELINO, CORINA. Eurípedes, o Homem e a Missão. 3.ed., Araras/SP, IDE, 1979.




04 janeiro 2016

Ir e Pregar

“Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus, 4,17)

Comecemos o estudo deste tema com duas citações bíblicas: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura." (Marcos 16, 15) “Portanto, ide e ensinai.” (Mateus 28, 19 e 20) Em Marcos, há ênfase na pregação; em Mateus, no ensino. Há diferença entre pregar e ensinar? 

Pregar significa fazer sermão para convencer o público, divulgar uma ideia ou um conceito. Exemplo: Pregar a não violênciaEnsinar significa transmitir conhecimentos, instruir alguém em determinada matéria. Desta maneira, quem ensina faz mais do que aquele que prega. Ele não só proclama algo como também instrui, explica, argumenta, raciocina e esclarece por meio da razão.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 116 ("Ir e Ensinar") de Fonte Viva, esclarece-nos o sentido do "ir e ensinar". Em seu entender, Jesus poderia ter enviado os seus emissários, mas preferiu vir pessoalmente para nos dar o exemplo de como nos aperfeiçoarmos e adentrarmos no reino dos céus. Ressaltou a humildade como o fundamento de todo o ensinamento.

Nas suas pregações, Jesus esclarecia-nos sobre o dogma da vida futura. Por isso, dizia que o seu reino não era deste mundo, mas do mundo interior, do mundo moral. A vida não é só física, mas também moral e espiritual. Os valores morais e espirituais são conquistados pelo esforço diário na prática do bem e do amor ao próximo.

Em se tratando da pregação, Allan Kardec, quando codificou a Doutrina Espírita, tinha por princípio não fazer proselitismo. Nesse sentido, ao pregarmos o Evangelho, façamos com que cada ouvinte pense pela sua própria cabeça. O discurso contundente pode levar muitas almas ao precipício, pois obedecendo cegamente à voz o orador acaba não refletindo sobre o que é certo e o que é errado. 

O Espírito Emmanuel, no capítulo 144 ("Em Meio de Lobos") de Vinha de Luz, tece comentários sobre o "Ide, eis que vos mando como cordeiros ao meio dos lobos”. Jesus queria que os cordeiros fossem fortes para vencer as artimanhas dos lobos devoradores. Eis o apelo do Cristo: "É imprescindível caminhar na direção dos lobos, não na condição de fera contra fera, mas na posição de cordeiros-embaixadores; não por emissários da morte, mas por doadores da vida eterna".

A lição do arado é também muito importante. Jesus disse que aquele que lançar mão do arado e olhar para trás não é digno do reino de Deus. Quer dizer, temos que nos preparar para sofrer qualquer tipo de admoestação, pois uma vez iniciada a jornada do Evangelho não podemos mais voltar atrás. 

Para reflexão: como estamos disseminando a palavra do Cristo?