Mostrando postagens com marcador bem-aventurança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bem-aventurança. Mostrar todas as postagens

07 julho 2021

Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos

“Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos” é o título do capítulo IX de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, e trata dos seguintes assuntos: Injúrias e Violências — Instruções dos Espíritos: — A Afabilidade e a Doçura — A Paciência — Obediência e Resignação — A cólera.

As máximas sobre as injúrias e violências podem ser resumidas: os mansos possuirão a Terra, os pacíficos serão chamados filhos de Deus e quem matar será réu em juízo. Nessas máximas, Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência. Consequentemente, condenou a violência e a cólera. 

A frase "Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra" pode ser entendida da seguinte maneira: ao esperar os bens do céu, o homem necessita dos bens da terra para viver. O que ele recomenda, portanto, é que não se dê a estes últimos mais importância que aos primeiros. Em outras palavras, até agora os bens da terra foram açambarcados pelos violentos, em prejuízo dos mansos e pacíficos. Quando imperar a lei de amor e caridade, não haverá mais egoísmo.

A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Necessário que essa afabilidade não seja apenas uma máscara. Em muitos lares, observa-se: chefes de família não podendo ser tirânicos em suas atividades costumeiras, descontam a sua violência dentro do lar, dizendo: Aqui eu mando e sou obedecido”.

Em se tratando da evolução do Espírito, a dor é uma bênção que Deus envia aos seus eleitos. “Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo-poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu”.

Neste capítulo há um apelo à paciência, visto que a paciência é também caridade. Por isso, o exercício do perdão aos que Deus colocou em nossos caminhos. O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto, do que quando curvamos a fronte para a terra.

Quanto à obediência e à resignação ensinadas por Cristo, entendamos: a obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração. Ambas são forças ativas, porque levam o fardo das provas que a revolta insensata deixa cair.

Quanto à cólera, anotemos: “O orgulho vos leva a vos julgardes mais do que sois, a não aceitar uma comparação que vos possa rebaixar, e a vos considerardes, ao contrário, de tal maneira acima de vossos irmãos, seja na finura de espírito, seja no tocante à posição social, seja ainda em relação às vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e vos fere. E o que acontece, então? Entregai-vos à cólera”.

O corpo não dá impulsos de cólera a quem não os tem, como não dá outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. Sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade?



16 agosto 2011

Felicidade não é deste Mundo

Felicidade – do latim felicitas que vem de Felix, ditoso, afortunado, feliz. Num sentido amplo é a ausência de todo o mal, e, vivência plena do bem. Em geral, um estado de satisfação devido à própria situação do mundo. Mundo – o Planeta Terra.

Para Sócrates, o "conhece-te a ti mesmo" é a chave para a conquista da felicidade. Para Platão, a noção de felicidade é relativa à situação do homem no mundo, e aos deveres que aqui lhe cabem. Para Aristóteles, a felicidade é mais acessível ao sábio que mais facilmente basta a si mesmo, mas é aquilo que, na realidade, devem tender todos os homens da cidade.

A ausência de todo o mal e fruição de todo o bem é a aspiração que todo ser humano procura através de seus esforços e trabalhos. Ela é o pólo oculto que magnetiza o dinamismo humano. Toda ação humana, mesmo os gestos mais simples, são atravessados por esse magnetismo. Se este cessasse, o homem perderia o sentido de viver e seria prostrado pelo tédio. Assim, todo o homem tem na vida momentos de felicidade e gostaria que esses momentos nunca mais acabassem. 

Todos buscam a felicidade, porém por caminhos diferentes. Uns imaginam encontrá-la na posse das riquezas, porque supõem que com o dinheiro tudo se compra e que a felicidade é uma mercadoria como tantas outras. Outros procuram encontrá-la nos prazeres sexuais, nas diversões, nos passeios. Outros ainda na glutonaria. O fato mais confirmado pela experiência e pela sabedoria humana é este: a felicidade, no seu sentido pleno, é inatingível na Terra. 

Os amigos espirituais informam-nos de que o nosso planeta não é um dos orbes mais evoluídos do Universo. Ele já esteve mais atrasado, pois já ultrapassou o estado primitivo. Na atualidade, estamos vivendo num mundo de provas e expiações em que o mal ainda predomina sobre o bem. Nesse sentido, por mais que busquemos a felicidade, nunca a encontraremos, pois ela não é deste mundo. Ela pertence a um mundo mais evoluído em que as ações voltadas para a fraternidade universal são a regra. 

A máxima do Eclesiastes, "A felicidade não é deste mundo", pode ser entendida de duas maneiras: 1) que há outros mundos mais evoluídos do que o Planeta Terra, onde a felicidade é mais plena; 2) que a felicidade não estando no mundo material, pode ser encontrada no mundo interior, como consequência do dever retamente cumprido.


09 agosto 2011

Bem-Aventurados os Puros de Coração

Bem-Aventurança. Declaração de bênção com base em uma virtude ou na boa sorte. A fórmula se inicia com "bem-aventurado aquele..." Com Jesus toma a forma de um paradoxo: a bem-aventurança não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas exatamente em virtude de uma má sorte: pobreza, fome, dor, perseguição. Puro.  Sem mistura nem alteração; genuíno. Límpido, claro, transparente, cristalino, sem manchas. Coração. Órgão central do ser humano.

O momento histórico deste ensinamento está no Sermão do Monte, proferido por Jesus há dois mil anos. O ambiente no qual Jesus esteve inserido fazia parte do grande império romano, que estendia as asas das suas águias do Atlântico ao Índico. O jugo romano, porém, pesava de modo especial sobre a Palestina ao contrário dos outros povos. Significa dizer que o discurso de Jesus era como que um grito de alerta contra esse poderio. Assim sendo, em cada um de seus ensinamentos não perdia a oportunidade de realçar esse tipo de autoridade externa, principalmente na indigência com que deixavam o povo palestino.

O pecado e o adultério são "manchas" no coração. Na antiguidade, o pecado era a violação de um tabu; para apagá-lo, havia a necessidade de uma confissão pública. No âmbito do cristianismo, Paulo reportava-se à fé e à graça como antídotos para o pecado. Quanto ao adultério, Jesus chamava-nos a atenção para o pecado por pensamento e não somente à sua significação própria, ou seja, infidelidade conjugal, prevaricação. Por quê? Porque tudo se inicia no pensamento. Nós não podemos fazer nada sem que antes tenhamos pensado para executá-lo.

O escândalo é outra mancha no coração. No sentido vulgar, escândalo é toda a ação que choca com a moral ou decência de um modo ostensivo. O escândalo não está na ação em si mesma, mas no reflexo que ela pode ter. No sentido evangélico, a acepção é mais geral. Não é mais somente o que ofende a consciência de outrem, é tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições dos homens, toda reação má de indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussão. É o resultado efetivo do mal moral.

A criança é um símbolo de pureza de coração. Significa dizer que a entrada no reino de Deus é decorrente da simplicidade e da humildade do Espírito. Nesse sentido, os estados de franqueza, as ações ingênuas e as atitudes de obediência auxiliar-nos-ão eficazmente na percepção das leis naturais. O reino de Deus não vem com aparências externas, ele é fruto de um árduo trabalho de reformulação interior.

A pureza de coração deve ser o principal alvo daquele que quer se elevar espiritualmente. Assemelhando-nos à criança, inocente e sem defesas, teremos maiores possibilidades de não só nos conhecer como também ao nosso próximo.

Referência Bibliográfica

CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. 
Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1998.

GIL, F. (Editor). Enciclopedia Einaudi. Lisboa, Imprensa Nacional, 1985-1991.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.

MACKENZIE, J. L. (S. J.) Dicionário Bíblico. São Paulo, Edições Paulinas, 1984.



10 junho 2009

Bem-Aventurança

Bem-Aventurança — Grande felicidade, suprema ventura, especialmente a que se goza no céu. Para a teologia, são as oito bênçãos (beatitudes) com cuja exposição deu Cristo princípio ao Sermão da Montanha. A Bem-Aventurança é uma declaração de bênção com base em uma virtude ou na boa sorte. A fórmula se inicia com "bem-aventurado aquele..." Com Jesus toma a forma de um paradoxo: a bem-aventurança não é proclamada em virtude de uma boa sorte, mas exatamente em virtude de uma má sorte: pobreza, fome, dor, perseguição. As bem-aventuranças constituem uma mensagem divina aos homens de todas as raças e de todas as épocas, destinada a servir-lhes de roteiro, rumo à perfeição.

Na antiga Grécia, os deuses gregos eram, eles próprios, bem-aventurados. No Velho Testamento, Iavé transfere a sua bênção ao seu povo. Há uma sintonia entre a felicidade terrestre (cheia de bens materiais) e a bem-aventurança celeste. No Novo Testamento, Jesus é, ao mesmo tempo, o ideal e a realização das bem-aventuranças. Jesus não é simplesmente um sábio, mas aquele que vive plenamente o que propõe. No Velho Testamento, exaltam-se os valores terrestres da riqueza; no Novo Testamento, os da pobreza.

As oito bem-aventuranças são o gonzo (dobradiça) pela qual toda a vida cristã deve girar. Gandhi, ao ser indagado sobre o Evangelho de Jesus, diz: "Se tudo o mais do Evangelho for perdido e ficar somente as bem-aventuranças, o cristão em nada ficará prejudicado, pois nestas oito regras estão todos os fundamentos para uma mudança comportamental eficaz".

1ª) Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus

2ª) Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados

3ª) Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque herdarão a Terra

4ª) bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados

5ª) Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia

6ª) Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus

7ª) bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles

8ª) Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (Mateus, 5, 1 a 12)

O prêmio prometido por Jesus àquele que obedece às oito regras é o Reino dos Céus. O Reino dos Céus ou Reino de Deus é um estado de felicidade proporcional ao grau de perfeição adquirido. É a imensidade da virtude. É o estado de sublimação da alma em virtude de sua obediência às Leis Naturais. O Reino dos Céus, porém, não é deste mundo. Quer dizer, ele não será encontrado na satisfação de nossos desejos materiais, no nosso gozo terreno. Ele está em nosso interior, em nosso mundo íntimo.

Bibliografia Consultada

EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]

MACKENZIE, J. L. (S. J.). Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulinas, 1984.

XAVIER, F. C. Pão Nosso, pelo Espírito Emmanuel. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/bem-aventuran%C3%A7as-as





Bem-Aventurados os Misericordiosos

1. Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia. (Mat., 5, 7)
2. Se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados; - mas, se não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados. (Mat., 6, 14 e 15)
3. Se contra vós pecou vosso irmão, ide fazer-lhe sentir a falta em particular, a sós com ele; se vos atender, tereis ganho o vosso irmão. — Então, aproximando-se dele, disse-lhe Pedro: "Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim? Até sete vezes?" — Respondeu-lhe Jesus: "Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes." (Mat., 18, 5, 21 e 22.

Bem-Aventurança é um pedido de bênção, de felicidade para com o seu próximo. Com Jesus toma a forma de um paradoxo, ou seja, a bem-aventurança é feita em cima de uma má-sorte. Por isso, bem-aventurados os pobres, os injustiçados etc. Misericórdia — Do latim miseria e cor-cordis (coração) significa compaixão afetiva a uma miséria de bens, sobretudo o respeito à virtude, que recai sobre um miserável. Dó, compaixão. Compaixão pelos que sofrem.

No Evangelho é anunciado como "bem-aventurados os misericordiosos, porque obterão misericórdia". Cristo anuncia uma certeza: a obtenção de misericórdia. Mas como? Há um condicionamento: antes de obtermos misericórdia, temos que ser misericordiosos. E por que é desta forma e não de outra? É que nada nos vem de mão beijada. Tudo depende de um esforço anterior. "Para que o náufrago se salve, ele tem que se despojar de sua bagagem", diz o anexim. Em se tratando da misericórdia, temos que nos despojar do nosso eu, do nosso amor próprio, da nossa personalidade. Somente assim conseguiremos adentrar no Reino de Deus.

Como interpretar a hipérbole: "Não se deve perdoar sete, mas setenta vezes sete vezes"? Como sabemos, esta foi a resposta dada por Cristo à indagação de Pedro: "quantas vezes devo perdoar o meu semelhante? Sete vezes?" A resposta de Jesus: "Não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes". Quer dizer, indefinidamente. Isso significa que Jesus não tolera limites além dos quais o amor próprio e a dureza reclamam os seus direitos. Quando não perdoamos, o nosso coração fica jungido ao ódio, o que dificulta a libertação do Espírito.

É falso pensamento de que os misericordiosos enfraquecem a justiça. O perdão é um ato de força. E força não quer dizer dureza. Além do mais, o perdão do ofensor não nega a sua culpabilidade. Devemos perdoar não porque a pessoa o mereça, mas porque faz bem à nossa alma. Por isso, o fato de se perdoar é uma espécie de libertação, porque ficamos desagravados e os nossos pensamentos menos felizes a respeito de tal pessoa são substituídos por pensamentos criativos e altruístas, mais apropriados para a construção de um mundo mais feliz e harmonioso.

A nossa maneira habitual de agir e de interpretar os fatos parece corroborar para certa oposição entre justiça e misericórdia. Exemplo: se alguém nos deve, a justiça pode exigir o pagamento integral da dívida. Nós, porém, vendo o estado do devedor, podemos perdoar parte da dívida. De um lado a justiça; de outro, o nosso coração generoso. No âmbito do espírito do Evangelho, seria vão distinguir uma coisa da outra, porque as duas estão interligadas. Relembremos: devemos amar o nosso próximo, não porque o mereça, mas porque é nosso próximo.

A maneira de triunfar da ofensa é recusarmos a considerar-nos ofendidos. Foi esta a razão pela qual Gandhi, quando questionado se já tinha perdoado alguém, ele simplesmente disse que nunca tinha perdoado ninguém, porque nunca se sentira ofendido. Se ele não se sentiu ofendido, não tinha o que perdoar. Mas para atingir esse estado de alma, há muita luta, muita mudança interior a ser realizada.

Tenhamos sempre em mente o perdão, visto sermos também passiveis de culpa. Esta é a melhor forma de nos tornarmos misericordiosos.

Bibliografia Consultada

CHEVROT, Georges. O Sermão da Montanha. Tradução de Alípio Maia de Castro. São Paulo: Quadrante, 1971

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/bem-aventurados-os-misericordiosos