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09 setembro 2026

Ludibriar ou Iludir a si Mesmo?

Tese: “Conseguiu ludibriar os homens, mas não pôde iludir a si mesmo”.

A frase “Conseguiu ludibriar os homens, mas não pôde iludir a si mesmo”, proferida pelo mentor Calderaro no capítulo 4 — “Estudando o Cérebro” —, da obra No Mundo Maior, psicografada por Francisco Cândido Xavier e atribuída ao espírito André Luiz, é uma das mais substanciais e pedagógicas de todo o livro.

O personagem em questão assassinou o antigo tutor e chefe num acesso de fúria, apoderou-se do dinheiro a que se julgava com direito e, com notável habilidade, conseguiu despistar completamente a justiça humana. Chegou a representar o papel de “filho adotivo” zeloso — protegendo a viúva e os filhos da vítima — e construiu, posteriormente, uma sólida posição social e familiar. Aos olhos do mundo, tornou-se um homem bem-sucedido e respeitável.

Entretanto, a consciência não o deixou em paz. O espírito da vítima aferrou-se a ele “à maneira de hera sobre muro viscoso”, e o próprio remorso passou a ocupar permanentemente a região intermediária de seu cérebro, impedindo o acesso livre às zonas superiores da mente (os lobos frontais, sede da consciência divina e dos ideais mais elevados). O resultado foi o desequilíbrio progressivo do perispírito, refletido no corpo físico sob a forma de uma enfermidade nervosa grave.

A frase sintetiza a infalibilidade da Lei de Causa e Efeito e a soberania da consciência individual:

1) A justiça humana é falível; a divina, inexorável: Kardec ensina que as leis humanas refletem a falibilidade dos homens, ao passo que as leis divinas são imutáveis e perfeitas. No caso analisado, André Luiz demonstra que o criminoso enganou juízes, a polícia e a opinião pública, mas não conseguiu burlar a própria consciência nem a lei moral.

2) Ninguém se esconde de si mesmo: Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec destaca a consciência como o verdadeiro “guardião da probidade interior”. Mesmo com um cotidiano recheado de trabalho, cuidados familiares e devotamento ao próximo, a voz da consciência permanece ativa no íntimo do ser, gerando remorso e angústia. Neste capítulo, Calderaro elucida que o cérebro é o órgão de manifestação da mente: quando esta se fixa predominantemente nas regiões intermediárias — devido ao remorso e à culpa —, as zonas superiores se obscurecem, refletindo-se na saúde do organismo.

3) A impossibilidade do autoengano: Podemos ludibriar os outros, construir máscaras e até tentar convencer a nós mesmos; contudo, a memória espiritual registra tudo. No fundo da mente, onde o criminoso enclausurou as impressões destruidoras do delito, o remorso continua exercendo pressão constante. A fuga por meio do ativismo material ou da constituição de uma família, embora sirva como atenuante, não resolve o problema em sua raiz.

4) Consequências terapêuticas: O instrutor mostra que a verdadeira libertação advém da confissão interior, do arrependimento sincero e do trabalho reparador. Enquanto o indivíduo se recusar a enfrentar o que fez, a carga fluídica negativa permanecerá arquivada, manifestando-se sob a forma de enfermidade. O amor fraterno dos familiares oferece alívio e amparo, mas não substitui o imperativo do refazimento íntimo.

Em síntese, a frase ultrapassa o caso particular do homicídio, aplicando-se a qualquer atitude em que tentamos enganar os outros ou a nós mesmos — como as dissimulações, as hipocrisias, as omissões e as mágoas cultivadas. No íntimo, permanece a nossa consciência que, alinhada às leis superiores, adverte-nos constantemente sobre esses desvios.

09 junho 2023

Cérebro e Mente

O cérebro é apenas uma parte do sistema nervoso central — embora seja a mais complexa. Consiste de uma massa de tecidos nervosos que ocupa a maior parte do crânio e que desempenha, entre outras funções, a do raciocínio e a da linguagem. Mente é a potência intelectual da alma. É um fenômeno complexo que se associa ao pensamento. É uma faculdade do cérebro que permite ao ser humano compilar informação, analisá-la e extrair conclusões.

Buscando novos conhecimentos sobre o cérebro e a mente, deparamo-nos com o livro de Paolo Nichelli, com esse mesmo título, em que, como neurologista, utiliza a sua experiência no ramo, revelando vários casos de pessoas que passaram pelo seu consultório. Revela que o conhecimento adquirido sobre o cérebro e sua relação com a mente é fruto das anomalias que pessoas tiveram.

A título de exemplo, eis algumas ideias extraídas desse livro:

Nos últimos 25 anos, a ressonância magnética funcional desempenhou um papel de liderança. Baseia-se no registro das variações de oxigenação cerebral em resposta a diferentes tipos de estímulos. Pressupõe-se que o aumento local na demanda de oxigênio reflita o aumento na atividade das células nervosas.

Quanto ao cérebro de uma pessoa cega, diz que a visão não é necessária para “enxergar” o mundo, para formar uma representação efetiva do que nos cerca. Nesse sentido, a percepção pode, em parte, ser independente da estimulação visual.

Em outra parte do livro, explica-nos como as expectativas são formadas. Os registros inseridos em nossa memória funcionam como um banco de dados para ações futuras. A dor que o nosso vizinho sente entra em conexão com aquilo que já sentimos antes e podemos nos solidarizar com ele.

Para que o cérebro esteja sempre leve, plástico e maleável, ele precisa de novidade, dificuldade, regularidade e, também, de bons alimentos. Pense em algo rotineiro: que tipo de sensação advém? Que tal coisa é simples; que somos levados a ajustar nosso comportamento ao mais prático, àquilo que não exige muito esforço. A coisa difícil requer mais tempo, mais dedicação do intelecto, do pensamento.

O cérebro não tem necessidade de muita informação. Para ele, o que vale é a justa medida, aquela que fornece matéria prima para o seu dono, o espírito, se expressar. O cérebro é um meio, uma ferramenta de trabalho, por onde o Espírito se comunica, entra em contato com os demais seres humanos. Um cérebro oco, sem conteúdo, comunicará nada mais do que a aquilo que possui em si mesmo, que são os pensamentos superficiais, pensamentos fracos ou inautênticos, como diriam os filósofos.

Mais:

Como podemos interpretar a frase “mente sã em corpo são”? Na mente, temos os processos e atividades que, na sua maioria, são de caráter cognitivo; no corpo, as condições, os meios para ela se expressar, principalmente por meio do cérebro. Cuidar bem do cérebro ajuda enormemente a manifestação de nossa mente. 

Como relacionar cérebro e mediunidade? Quanto mais recheado for o cérebro, os Espíritos comunicantes terão mais material para poderem se expressar.

Fonte de Consulta

NICHELLI, Paolo. O Cérebro e a Mente. Tradução de Raquel Tonini Schneider. São Paulo: Edições Loyola, 2023.

 

06 julho 2021

Inconvenientes e Perigos da Mediunidade

 “Inconvenientes e Perigos da Mediunidade” é o título do capítulo XVIII de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, e trata da influência do exercício da mediunidade sobre a saúde, sobre o cérebro e sobre as crianças. 

Alguns tópicos:

  • A faculdade mediúnica é um estado às vezes anormal, mas não patológico. 
  • Como qualquer outra atividade, o exercício prolongado da mediunidade também causa fadiga, principalmente nas sessões de efeitos físicos. 
  • O exercício da mediunidade depende do estado físico e moral do médium. Quando o médium começa a se sentir fatigado, deve abster-se. 
  • O exercício da mediunidade não produz a loucura, se esta já não existir em germe. 
  • É inconveniente desenvolver a mediunidade das crianças, porque seus organismos frágeis e delicados seriam muito abalados e sua imaginação infantil muito superexcitada.
  • Quando a faculdade se manifesta espontânea numa criança, é que pertence à sua própria natureza e que a sua constituição é adequada. 
  • Devemos ter cuidado em desenvolver a mediunidade nas crianças por causa dos Espíritos mistificadores. Há, também, a questão do recolhimento não muito usual num corpo juvenil. 
  • Nunca devemos forçar o desenvolvimento da mediunidade em crianças. E quando ela for natural, cuidar para que não se degenere. 




22 novembro 2011

"Homo Novus", Cérebro Novo

De acordo com Krishnamurti, em O Mistério da Compreensão, o cérebro se torna novo quando há uma distância entre um fato e a reação do sujeito em relação a este mesmo fato. Quando reagimos imediatamente, estamos apenas confirmando o nosso ponto de vista, as nossas opiniões, o nosso preconceito, a nossa superficialidade. Para que um cérebro se torne novo, devemos conceder-lhe um tempo para refletir, para pensar, para sopesar, para meditar.

O cérebro novo requer que olhemos para as mesmas coisas, mas sem pressa, sem querer resolver instantaneamente aquilo que se nos apresentou. O tempo que damos, entre uma sensação e sua avaliação, transforma um ato fragmentário num ato total, aquele que pertence ao todo do indivíduo. Em se tratando do homem, e olhando-o sob a perspectiva do todo, não existe o brasileiro, o norte-americano, o chinês, porque todos os indivíduos fazem parte da espécie humana.

Como transformar, então, o homem velho no homem novo de que nos reporta o evangelho? Buscando refletir sobre o velho, sem o intuito de mudá-lo bruscamente. Quando a vontade age, ela fragmenta o próprio homem. Eu quero me tornar perfeito, eu quero ser grande e mundialmente reconhecido, eu quero que as coisas saiam sempre ao meu gosto. Nesse caso, há uma imposição sobre uma ideia, sobre um comportamento, sobre uma atitude. Essas resoluções não nos deixam espaço para outras acepções, as acepções do homo novus de que nos fala Paulo nas suas pregações.

O cérebro velho está acostumado com um tipo de resposta, com um tipo de comportamento. O novo causa-lhe incômodo. Quando propomos ao cérebro outro tipo de resposta, fazemo-lo agir em nosso benefício. Façamos uma analogia com a prece, cujos estímulos enviamos a Deus, com a intenção de nos livrarmos de alguma dificuldade, de algum problema. Na realidade, esses estímulos enviados a Deus não modificam o problema, a dificuldade, mas fazem-nos pensar de forma diferente a respeito de uma dada dificuldade. Este é o homem novo com cérebro novo.

O cérebro é o repositório dos conhecimentos, adquiridos ao longo do tempo. Para que ele se torne novo, jovial, leve e solto, é necessário que evitemos entulhá-lo com coisas superficiais e insignificantes.

18 junho 2008

Cérebro e Mediunidade

O cérebro é apenas uma parte do sistema nervoso central – embora seja a mais complexa. Consiste de uma massa de tecidos nervosos que ocupa a maior parte do crânio e que desempenha, entre outras funções, a do raciocínio e a da linguagem. Tem a forma de um ovoide com a porção mais alargada voltada para trás. Pesa em média 1.100 gramas. O lado esquerdo do cérebro comanda o lado direito do corpo e o lado direito do cérebro comanda o lado esquerdo do corpo. O lado esquerdo do cérebro é lógico enquanto o lado direito é intuitivo.

A memória é o registro no cérebro de acontecimentos da vida diária, de habilidades motoras, do significado de palavras, da linguagem etc. Lembramo-nos amplamente dos acontecimentos recentes e reduzidamente dos acontecimentos passados. Os neurofisiologistas não descobriram uma única região cerebral que armazenasse toda a memória. Identificaram, porém, uma área envolvida pelo córtex que parece ser essencial para a fixação de lembranças permanentes: o hipocampo. É pela memória que voltamos a um acontecimento. Sem ela ficaríamos à deriva na vida. Por isso o provérbio que diz: “A memória é a carteira da velhice; é preciso enchê-la”.

O cérebro, de acordo com o Espírito André Luiz, em No Mundo Maior, pode ser descrito como um castelo de três andares. O 1.º andar – subconsciente – é a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados. O 2.º andar – consciente – é o “domínio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando. O 3.º andar – superconsciente – é a “casa das noções superiores”, indicando as eminências de que nos cumpre atingir. Para que nossa mente prossiga na direção do alto, é indispensável o equilíbrio destas três zonas de nosso cérebro.

A glândula pineal ou epífise, um minúsculo cone de células nervosas situado acima da raiz do cérebro, é o elemento de ligação com o mundo espiritual. De acordo com André Luiz em Missionários da Luz, no exercício mediúnico de qualquer modalidade, a epífise desempenha o papel mais importante. Através de suas forças equilibradas, a mente humana intensifica o poder de emissão e de recepção de raios peculiares à nossa esfera. É nela, na epífise, que reside o sentido novo dos homens; entretanto, na grande maioria deles, a potência divina dorme embrionária.

A educação mediúnica reveste-se de substancial importância. Educar-se mediunicamente é encher o cérebro de informações para que os Espíritos possam melhor expressar as suas ideias. Os Espíritos, ao usarem o cérebro do médium, não tiram as ideias dos médiuns, mas o material que podem formalizar as ideias a serem transmitidas. Quer dizer, quanto mais recheado de bons pensamentos, de boa cultura, de bons hábitos, mais estaremos colaborando para uma perfeita comunicação mediúnica.

Ocupemos sadiamente as circunvoluções do nosso cérebro, a fim de sermos os verdadeiros arautos do senhor.

Fonte de Consulta

XAVIER, F. C. Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz. 8. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1970.

XAVIER, F. C. No Mundo Maior, pelo Espírito André Luiz. 7. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

Pesquisas de Conhecer. O Corpo Humano. São Paulo, Abril, 1985.