02 setembro 2026

Linguagem

Linguagem é o título do capítulo 43 do livro Fonte Viva, no qual o Espírito Emmanuel comenta o versículo: “Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tito 2:8).

O contexto de Tito 2 é o da organização e disciplina de uma igreja jovem e problemática na ilha de Creta, no final do ministério de Paulo. Dada a fama de os cretenses serem “sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos” (Tito 1:12), Tito tinha a missão de pôr em ordem o que ainda faltava. Logo no primeiro versículo, Paulo orienta: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina”. Mais adiante, dirige-se aos idosos, às mulheres e exorta os jovens a serem moderados. Por fim, no versículo 8, destaca a necessidade de uma fala irrepreensível.

Oriunda do grego parabolé, pelo latim parabola (comparação), a palavra passou, ao longo do tempo, a designar o próprio ato de falar. O Espírito André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos, apresenta a trajetória dessa faculdade — sempre amparada pelos Sábios Tutores —, mostrando sua evolução desde os primeiros grunhidos dos primórdios humanos até a fala racional dos dias atuais. Assim, a linguagem serve para argumentar, formar raciocínios e transmitir conhecimento.

Cada ser humano é um enigma para o outro. Afinal, quem poderá penetrar no âmago do seu próximo? Contudo, há elementos comuns a todos nós: necessidades a suprir, problemas a resolver e dores a suportar. A dor, por exemplo, é teleológica: carrega em si um propósito e um destino. Muitas vezes, ela surge como consequência de imperfeições e equívocos de encarnações passadas. Nesta vida, cabe-nos aparar essas arestas, o que frequentemente ocorre no próprio núcleo familiar em que renascemos.

A linguagem fundamenta-se na expressão, na maneira de falar e na própria voz. No meio espírita, onde as pessoas nos procuram sobrecarregadas por problemas e necessidades diversas, precisamos empregar uma linguagem sã e irrepreensível, como nos orienta o apóstolo Paulo. Assim, após ter percorrido diferentes cultos religiosos sem conseguir aclarar suas dores, o frequentador pode encontrar na palavra acolhedora uma verdadeira injeção de ânimo e fortaleza interior.

E quanto à voz? Para ser compreensível, a palavra sã não pode vir acompanhada de um tom violento ou rude. Há vozes que encantam e arrebatam as pessoas, mas que, no fundo, não transmitem uma verdade fundamental ao ouvinte — buscam apenas iludi-lo e instrumentalizá-lo, como frequentemente ocorre na política. Por isso, o importante é educarmos sempre a nossa voz para que ela se coloque, cada vez mais, a serviço dos Bons Espíritos.

Em suma, que a nossa linguagem não seja nem branda ou doce em excesso, nem tampouco rude demais. Saber dosar o tom, o timbre e manter o equilíbrio — elementos que conduzem à verdadeira moderação — é o que realmente importa no final.