Linguagem
é o título do capítulo 43 do livro Fonte Viva, no qual o Espírito Emmanuel comenta o
versículo: “Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe,
não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tito 2:8).
O contexto de Tito 2 é o da
organização e disciplina de uma igreja jovem e problemática na ilha de Creta,
no final do ministério de Paulo. Dada a fama de os cretenses serem “sempre
mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos” (Tito 1:12), Tito tinha a missão
de pôr em ordem o que ainda faltava. Logo no primeiro versículo, Paulo orienta:
“Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina”. Mais adiante, dirige-se aos idosos,
às mulheres e exorta os jovens a serem moderados. Por fim, no versículo 8,
destaca a necessidade de uma fala irrepreensível.
Oriunda do grego parabolé, pelo latim parabola (comparação), a palavra passou, ao longo do
tempo, a designar o próprio ato de falar. O Espírito André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos,
apresenta a trajetória dessa faculdade — sempre amparada pelos Sábios Tutores
—, mostrando sua evolução desde os primeiros grunhidos dos primórdios humanos
até a fala racional dos dias atuais. Assim, a linguagem serve para argumentar,
formar raciocínios e transmitir conhecimento.
Cada ser
humano é um enigma para o outro. Afinal, quem poderá penetrar no âmago do seu
próximo? Contudo, há elementos comuns a todos nós: necessidades a suprir,
problemas a resolver e dores a suportar. A dor, por exemplo, é teleológica:
carrega em si um propósito e um destino. Muitas vezes, ela surge como
consequência de imperfeições e equívocos de encarnações passadas. Nesta vida,
cabe-nos aparar essas arestas, o que frequentemente ocorre no próprio núcleo
familiar em que renascemos.
A linguagem fundamenta-se na expressão, na maneira de falar
e na própria voz. No meio espírita, onde as pessoas nos procuram
sobrecarregadas por problemas e necessidades diversas, precisamos empregar uma
linguagem sã e irrepreensível, como nos orienta o apóstolo Paulo. Assim, após
ter percorrido diferentes cultos religiosos sem conseguir aclarar suas dores, o
frequentador pode encontrar na palavra acolhedora uma verdadeira injeção de
ânimo e fortaleza interior.
E quanto
à voz? Para ser compreensível, a palavra sã não pode vir acompanhada de um tom
violento ou rude. Há vozes que encantam e arrebatam as pessoas, mas que, no
fundo, não transmitem uma verdade fundamental ao ouvinte — buscam apenas
iludi-lo e instrumentalizá-lo, como frequentemente ocorre na política. Por
isso, o importante é educarmos sempre a nossa voz para que ela se coloque, cada
vez mais, a serviço dos Bons Espíritos.
Em suma, que a nossa linguagem não seja nem branda ou doce
em excesso, nem tampouco rude demais. Saber dosar o tom, o timbre e manter o
equilíbrio — elementos que conduzem à verdadeira moderação — é o que realmente
importa no final.