03 julho 2008

Simbologia e Espiritismo

A Simbólica é uma disciplina filosófica que estuda a gênese, o desenvolvimento, a vida, a morte e a ressurreição dos símbolos. Para interpretar os significados dos símbolos, utiliza-se do método dialético simbólico, que se funda, sobretudo, na analogia.

O Evangelho é um repositório de sabedoria impregnado de muita simbologia. Os seus textos exigem sempre uma interpretação mais acurada de quem investiga os seus ensinamentos. As parábolas contadas por Jesus, por exemplo, estão carregadas de muita simbologia, que precisamos desvendar. A parábola, por definição, é uma narrativa alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior. Jesus falava por parábolas no sentido de despertar a curiosidade dos ouvintes para, depois, dar as explicações necessárias.

Dentre os temas ligados à simbologia, a árvore é o mais rico e o mais difundido. Símbolo da vida, em perpétua evolução e em ascensão para o céu, ela evoca todo o simbolismo da verticalidade. As suas raízes enterradas no solo simbolizam a terra, o subterrâneo. O seu tronco e os seus galhos mostram a ascensão para o Céu, ou seja, a evolução espiritual do ser humano. Por isso, ela é universalmente considerada como o símbolo das relações que se estabelecem entre a terra e o céu.

A figueira, assim como a oliveira e a videira, é uma das árvores que simbolizam a abundância. Quando seca, porém, torna-se a árvore do mal. Na simbólica, representa a ciência religiosa. No sentido estrito da simbólica cristã, ela representa não só a ciência como também a Sinagoga que, por não ter reconhecido o Messias da Nova Aliança, já não tem frutos. Quando Jesus amaldiçoa a figueira, ele se dirige à ciência que esta árvore representa, pois a religião que imperava na sua época não servia para ser a lídima herdeira da Doutrina renovadora trazida por ele; por isso, deveria ser condenada à esterilidade.

O carvalho é, também, símbolo muito usado. O carvalho, em todos os tempos e lugares, é sinônimo de força: e essa é claramente a impressão que dá a árvore na idade adulta. Para nós, que estamos dentro do Espiritismo, ele assume papel relevante, pois o nome druida (dru [u] id — os muitos sábios) tem relação etimológica com o carvalho (drus). Nesse sentido, os druidas celtas têm direito à sabedoria e à força. Lembremo-nos, pois, que Allan Kardec foi um sacerdote druida em encarnação passada.

Estudemos atenciosamente cada um dos símbolos do Evangelho, a fim de poder captar as realidades de ordem superior que o mesmo possa evocar.

Fonte de Consulta

CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 6 ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1992.
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.

São Paulo, 24/09/1999.

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