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06 dezembro 2017

Trevas

Treva significa escuridão, privação ou ausência de luz. Está associada às coisas negativas, aos abismos, aos lugares inferiores e subterrâneos. Para o Espiritismo, lugares povoados e desertos em que erram obscuros Espíritos lastimosos. São as regiões mais inferiores que conhecemos.

Em termos simbólicos, podemos vê-la de duas maneiras: 1) oposição à luz; 2) fogo negro que é a “luz primordial”. Como símbolo caótico, pode ser retratada da seguinte forma: no início tudo era como um “mar sem luz”. Onde não há luz, não há vida; por isto, imaginava-se o mundo dos mortos, rodeado de trevas. Na escuridão pode-se revelar a profundidade do mistério.

O Espírito Irmão X, no capítulo 40 "Nos Domínios da Sombra", do livro Contos e Apólogos, informa-nos a respeito de uma assembleia no reino das sombras, composta pelo poderoso soberano das trevas e milhares de falangistas da miséria e da ignorância. Depois de longa discussão, concluem que a melhor maneira de propagar as sombras é influenciar os médiuns, no sentido de que estes deixem sempre para amanhã a reforma da consciência.

Num outro livro, Contos Desta e Doutra Vida, O Espírito Irmão X, no capítulo 38 "Decisão das Trevas", discorre sobre a organização de obsessões. Há um debate entre o organizador de obsessões e os tipos de obsessões sugeridas aos terráqueos. No final, um vampirizador experiente diz: “Será fácil treinar alguns milhares de companheiros para a hipnose em larga escala e faremos que os espíritas se acreditem santos de carne e osso”.

Devemos temer o Poder das Trevas? Por mais que consigam arrebanhar grandes inteligências para a organização de verdadeiros impérios umbralinos, há algo que está além de sua competência, ou seja, a Sabedoria Divina, com sua justiça. No momento oportuno, a Divina Providência fará uso dos instrumentos corretos para erradicar esta influência maléfica.

Tenhamos sempre em mente que a luz sempre chega e triunfa porque a treva é ausência dela, não tendo, portanto, nenhuma significação real.

Bibliografia Consultada

XAVIER, F. C. Contos e Apólogos, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.

XAVIER, F. C. Contos Desta e Doutra Vida, pelo Espírito Irmão X. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978.



03 julho 2008

Simbologia e Espiritismo

Simbólica é uma disciplina filosófica que estuda a gênese, o desenvolvimento, a vida, a morte e a ressurreição dos símbolos. Para interpretar os significados dos símbolos, utiliza-se do método dialético simbólico, que se funda, sobretudo, na analogia.

Evangelho é um repositório de sabedoria impregnado de muita simbologia. Os seus textos exigem sempre uma interpretação mais acurada de quem investiga os seus ensinamentos. As parábolas contadas por Jesus, por exemplo, estão carregadas de muita simbologia, que precisamos desvendar. A parábola, por definição, é uma narrativa alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior. Jesus falava por parábolas no sentido de despertar a curiosidade dos ouvintes para, depois, dar as explicações necessárias.

Dentre os temas ligados à simbologia, a árvore é o mais rico e o mais difundido. Símbolo da vida, em perpétua evolução e em ascensão para o céu, ela evoca todo o simbolismo da verticalidade. As suas raízes enterradas no solo simbolizam a terra, o subterrâneo. O seu tronco e os seus galhos mostram a ascensão para o Céu, ou seja, a evolução espiritual do ser humano. Por isso, ela é universalmente considerada como o símbolo das relações que se estabelecem entre a terra e o céu.

figueira, assim como a oliveira e a videira, é uma das árvores que simbolizam a abundância. Quando seca, porém, torna-se a árvore do mal. Na simbólica, representa a ciência religiosa. No sentido estrito da simbólica cristã, ela representa não só a ciência como também a Sinagoga que, por não ter reconhecido o Messias da Nova Aliança, já não tem frutos. Quando Jesus amaldiçoa a figueira, ele se dirige à ciência que esta árvore representa, pois a religião que imperava na sua época não servia para ser a lídima herdeira da Doutrina renovadora trazida por ele; por isso, deveria ser condenada à esterilidade.

carvalho é, também, símbolo muito usado. O carvalho, em todos os tempos e lugares, é sinônimo de força: e essa é claramente a impressão que dá a árvore na idade adulta. Para nós, que estamos dentro do Espiritismo, ele assume papel relevante, pois o nome druida (dru [u] id — os muitos sábios) tem relação etimológica com o carvalho (drus). Nesse sentido, os druidas celtas têm direito à sabedoria e à força. Lembremo-nos, pois, de que Allan Kardec foi um sacerdote druida em encarnação passada.

Estudemos atenciosamente cada um dos símbolos do Evangelho, a fim de poder captar as realidades de ordem superior que o mesmo possa evocar.

Fonte de Consulta

CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 6 ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1992

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.