07 dezembro 2016

Gratidão

gratidão é o sentimento de estima em relação àqueles que nos fizeram algum benefício. Diz-se que é a expressão da alma generosa que não se acha dona de tudo e, por isso, respeita cada ser humano, como que fazendo parte da humanidade. 

Bíblia pode ser vista como a história da gratidão e da ingratidão humana em vista dos bens concedidos por Deus. Os salmos, por exemplo, são ações de graças por bens alcançados por pessoas ou pelo povo. Neles, encontramos cânticos de alegria, de exaltação, de louvor e de glorificação a Deus. No Novo Testamento, a gratidão ocupa um lugar privilegiado.  

O ser humano deve ser grato por tudo o que lhe sucede na vida. Primeiramente a Deus, depois aos bons Espíritos, que estão sempre prontos a nos ajudar sem, que para isso, façam uso de trombetas. Observe que a nossa vida foi recebida de Deus, através dos nossos pais, que não mediram esforços para nos educar para o bem e para a verdade. A atitude o homem religioso deve ser sempre uma atitude de agradecimento à fonte de todos os bens, que é Deus. 

Desconfiarmos de muitas ideologias modernas que estimulam a luta de classes, o nós contra eles, desdenhando os sentimentos de gratidão. Os ensinamentos de Jesus devem ser os parâmetros de nossas ações. Nesse caso, é preferível ter todo mundo contrário a renegar a nossa fé, nossas convicções religiosas e filosóficas. Ainda: vivamos alegremente essa situação. 

Lembremo-nos de que ser homem é ser indigente, necessitando da generosa contribuição dos outros. 

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

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Prece de Gratidão, pelo Espírito Emmanuel

Pelo apoio do lar;

Pelo amparo da escola;

Pela proteção do trabalho;

Pela alegria de servir;

Pela defesa da higiene;

Pelo aviso da experiência;

Pelo exercício da tolerância;

Pela capacidade de ser útil;

Pelo Dom de discernir;

Pela força da paciência;

Pelo amigo que me socorre;

Pelo adversário que me instrui;

Pelos estímulos com que me conduzes;

Pelas provações com que me esclareces;

Pelas dificuldades com que me controlas;

Pela energia da esperança e por todas as bênçãos de amor que me proporcionas, através dos entes queridos que me confias.

Obrigado Meu DEUS !...

 





28 novembro 2016

Wicca

Wicca é um nome alternativo para a bruxaria. É uma religião pagã, ou seja, tem por base o culto aos deuses antigos (antes do cristianismo). O culto à Deusa Tríplice e seu Consorte fundamenta os princípios basilares do seu arcabouço teórico e doutrinário. Não é uma religião livre onde todos fazem o que querem; a prática da Wicca implica a observância de regras.

Em linhas gerais, há 11 regras para delinear o sacerdócio ou a pretensão ao sacerdócio: culto à Deusa Tríplice, iniciação, submissão à Lei Tríplice, crença na reencarnação, crença na Grande Teia universal, proibição ao proselitismo etc. Dentre todas essas regras, há uma que implica o respeito aos semelhantes. Ela diz: "Faça o que quiser, se a ninguém prejudicar."

De acordo com a Wicca, todas as pessoas estão, por uma lei universal, sujeitas a receber o retorno energético por seus atos. Em outras palavras, um ato virtuoso recebe um bom retorno; um ato "pecaminoso"; um mau retorno. Acham que, por ter adquirido conhecimento, o praticante da Wicca deve ser triplamente responsável. Além disso, a norma para assumir a vida não pode ser feita com restrições mentais. 

A Wicca proíbe o proselitismo. Uma de suas regras é o respeito a todas as formas de crença. Não é justo convencer alguém, que já é adepto de uma religião, deixá-la para seguir a Wicca. Se alguém pedir informações, deve-se expor com toda a naturalidade, mas não sair por aí caçando seguidores. 

Em se tratando da reencarnação, não fazem um estudo aprofundado como sói acontecer na Doutrina Espírita. Eles aceitam a tese da metempsicose, ou seja, que um espírito humano possa reencarnar em corpo de animal. A tese da reencarnação existe somente para enfatizar que a vida continua depois da morte que, por essa razão, o espírito pode voltar novamente a este mundo. 

Ao proclamarem a Grande Teia universal, aceitam também a metáfora para a crença de que tudo o que existe está interligado e o que fazemos influencia o Todo. Os Deuses antigos são o Todo. 

Fonte de Consulta

CERIDWEN, Mavesper CY. Wicca Brasil: Guia de Rituais das Deusas Brasileiras. São Paulo: Gaia, 2003. (Coleção Gaia Alemdalenda)



06 outubro 2016

Atlântida

Atlântida diz respeito aos relatos sobre um continente ou ilha gigantesca, situada em algum local do oceano, que desapareceu numa catástrofe. Pelo fato de existirem inúmeras obras sobre a Atlântida, começa-se a considerá-la não apenas como uma lenda mas como uma realidade. Atlante vem do tolteca atlan, que significa "no meio da água". 

Os primeiros relatos sobre a Atlântida surgiram no Timeu e no Crítias de Platão, por volta de 380 a.C., e descrevem a localização (oceano Atlântico) e a forma de governo da sociedade atlante (9 mil anos antes). Essencialmente, Atlântida seria uma civilização poderosa, com imensos conhecimentos filosóficos e científicos, cuja influência no planeta teria causado um grande choque.

Para James Churchward, a existência da Atlântida é mais antiga do que Platão havia exposto. Esta hipótese é confirmada pelo arqueólogo Henry Schliemann. Essas informações foram dadas por Paul Schliemann, neto de Henry Schliemann que, ao vasculhar os trabalhos inacabados do avô, encontra nos hieróglifos fenícios uma inscrição referindo-se à Atlântida.

A Atlântida tem relação com as doutrinas ocultas. Primeiramente, as semelhanças encontradas entre as civilizações dos egípcios e dos maias ratificam tal aceitação. Os ocultistas acreditam que os sacerdotes da Atlântida praticavam o psiquismo científico, sendo capazes de prever o futuro e realizar curas. 

Em termos espíritas, há duas citações: 1) do Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz, que descreve os grandes agrupamentos primitivos da Lemúria, da Atlântida e de outras regiões que ficaram imprecisas no acervo do conhecimento dos povos; 2) de Edgar Armond, em Os Exilados de Capela, que relata que parte dos Espíritos provenientes de Capela teria se tornado os constituintes da terceira e quarta raça de "atlantes".

Fonte de Consulta

SCHOEREDER, Gilberto. Dicionário do Mundo Misterioso: Esoterismo, Ocultismo, Paranormalidade e Ufologia. Rio de Janeiro: Record: Nova Era, 2002.

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O livro de W. Scott-Elliot, Atlântida e Lemúria: Continentes Desaparecidos, traduzido por Rubens Rusche, da editora Pensamento, 1995, baseia-se em pesquisas que utilizaram recursos da clarividência e estudos esotéricos. 

Na suas pesquisas, usa as seguintes fontes que fornecem dados corroborativos: 

Primeira, as provas das sondagens do fundo do mar.

Segunda, a distribuição da fauna e da flora.

Terceira, a similaridade de língua e dom tipo etnológico.

Quarta, a similaridade de crença, ritual e arquitetura religiosas. 

Quinta, os depoimentos dos antigos escritos, as tradições de raças primitivas e as antigas lendas a respeito do dilúvio. 

Acredita que:

A raça atlante pode ter ocupado um vasto ambiente que se estendia desde o ponto a leste da Islândia até a região atualmente ocupada pelo Rio de Janeiro. O primitivo continente da Lemúria pode ter sido um continente hoje submerso no Oceano Índico, e se estendia ao sul do que é hoje a Ásia, atingindo a leste a Índia e as ilhas Sunda, e chegando a oeste a Madagascar e à costa sul da África. 

A destruição da Atlântida foi motivada por uma série de catástrofes das mais variadas espécies, e submergiu em decorrência de grandes maremotos; o continente da Lemúria pereceu por ação vulcânica. 

 







05 outubro 2016

Sublimação e Espiritismo

Sublimação. É um fenômeno físico-químico que consiste na passagem direta de uma substância do estado sólido para o estado gasoso e vice-versa, sem passar pelo estado líquido. Figuradamente, exaltação, engrandecimento, purificação. Transformação dos instintos básicos em sentimentos sublimes. Na psicanálise, termo introduzido por Sigmund Freud para designar a "defesa do eu", ocasião em que determinados impulsos inconscientes são integrados na personalidade e propiciam atitudes positivas na sociedade.

As pulsões são a base da sublimação freudiana. Freud acha que as atividades artísticas e investigações intelectuais, mesmo sem aparente ligação com a sexualidade, são dela emanados. Nesse sentido, a capacidade de sublimação nada mais é do que a troca do objeto sexual originário por um que não o é. Acrescenta: é o recuo da libido para o eu que torna possível a dessexualização.

O que é pulsão? Na psicanálise, é a pressão exercida pelo somático no psíquico. Um impulso que tende para a ação. Há controvérsias: os etologistas preferem usar o termo ato instintivo; os behavioristas, comportamentos de consumo; os psicofisiologistas, "tensão" e "nível de vigilância". Discute-se também a frustração, que é o desprazer quando um alvo não é alcançado. Exemplo de sublimação: um lutador de boxe direciona a sua agressividade para o esporte, uma vez que dentro do ringue essa manifestação é socialmente aceitável.

Segundo o Espiritismo, a sublimação é o caminho do equilíbrio. Implica processos dolorosos de renúncia, de repressão equilibrada e de investimento da energia libidinal em objetivos mais elevados. Os desvios das funções sexuais propostas por Freud não estão em desacordo com as instruções dos Espíritos, porque a energia sexual é a energia da própria vida e não existe somente para ser aplicada nas relações sexuais de caráter fisiológico. 

Cabe, porém, uma ressalva, pois o instinto sexual, no Espiritismo, é visto em termos de co-criação, que é um direcionamento das forças sexuais da alma para um determinado fim. Quanto mais animalizado for o Espírito, mais tenderá para os gozos sensíveis. Conforme for depurando o instinto sexual, mais tenderá para a sua integração com a Humanidade.

O Espiritismo nos ensina também que o amor assume dimensões mais elevadas tanto para os que se verticalizam na virtude como para os que se horizontalizam na inteligência. Em todo o caso, o objetivo maior é a sublimação do instinto sexual. 

Fonte de Consulta

DORON, Roland e PAROT, Françoise. Dicionário de Psicologia. Tradução de Odilon Soares Leme. São Paulo: Atica, 2001. 

MOUSSEAU, Jacques (org.). Dicionário do Inconsciente. Lisboa/SP: Verbo, 1984. 

CAMPETTI SOBRINHO, Geraldo (Coord.). O Espiritismo de A a Z. 4.ed., Brasília: FEB, 2013.



26 setembro 2016

Epistemologia e Espiritismo

Epistemologia vem de episteme, que é um corpo organizado de conhecimento, uma ciência. Etimologicamente, epistemologia significa "discurso sobre a ciência". Presentemente, emprega-se como um estudo crítico das ciências naturais e matemáticas. Sendo a ciência positiva, poderíamos falar de uma epistemologia espírita?

Ao longo da história, procurou-se verificar a autonomia das várias ciências em relação à filosofia. Para Platão, o saber rigorosamente científico é concebido univocamente como filosofia, e esta se reporta ás coisas invisíveis. Aristóteles, por sua vez, diz que a ciência se reporta às coisas físicas, mas não despreza o o rigor do silogismo de Platão. 

O grande passo na separação entre ciência e filosofia foi dado por Galileu (1564-1642). Galileu diz que a ciência cuida dos fatos, dos fenômenos; ela não está interessada no porquê das coisas. Foi ele também quem assinalou os momentos da pesquisa científica: observação, hipótese, verificação. As epistemologias contemporâneas procuram basear-se em Galileu, ou seja, na demarcação clara entre o que é ciência e o que é filosofia. 

A epistemologia espírita pode ser entendida como o estudo e a crítica do conhecimento à luz do Espiritismo. José Herculano Pires, no capítulo X "Epistemologia Espírita", do livro Curso Dinâmico de Espiritismo, acentua que não há menção deste termo nas obras de Kardec, mas pode-se verificar implicitamente tal assertiva em O Livro dos Espíritos.

Assim, na introdução de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec afirma que o Espiritismo é uma Ciência que se defronta com as outras ciências em pé de igualdade e não pode ser julgada pelos cientistas que não a conhecem. Na Ciência, o que importa são os fatos e não as opiniões. Na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem prudente.

Rebatendo as críticas ao objetivo de sua doutrina, Allan Kardec afirmou que "o Espírito é um ser concreto e circunscrito, um ser real, definido, que em certos casos pode ser apreendido pelos nossos sentidos da vista, da audição e do tato". Quando, certa vez, foi arguido que o Espiritismo tinha se originado na dança da mesas, ele contra argumentou: a dança das rãs não dera a Galvani a possibilidade de descobrir a eletricidade? 

Fonte de Consulta 

LOGOS – ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE FILOSOFIA. Rio de Janeiro: Verbo, 1990.

PIRES, José Herculano Pires. Curso Dinâmico de Espiritismo. Capítulo X (Epistemologia Espírita). 



10 maio 2016

Estigma

"A orientação inicial que alguém recebe da educação também marca a sua conduta ulterior." (Platão)

Estigma é uma cicatriz provocada no corpo por uma ferida ou machucado. No âmbito religioso, é o nome dado às feridas feitas por alguns religiosos em seus corpos, na tentativa de representar as chagas de Cristo. Pejorativamente, indigno, desonroso.

Os gregos da Antiguidade criaram o termo estigma para caracterizar algo extraordinário ou mau sobre o status moral de quem os apresentava. Os sinais, feitos com corte ou fogo, avisavam que o portador poderia ser um escravo, um criminoso ou traidor. Ao longo do tempo, foram acrescentadas algumas metáforas, principalmente as referentes às chagas de Cristo. Presentemente, o termo é aplicado tanto ao seu sentido original quanto à desgraça do indivíduo, mais do que ao próprio corpo. 

Erving Goffman foi o pioneiro a pensar o conceito de estigma numa perspectiva social: relação entre atributo e estereótipo. A sociedade institui um padrão natural e normal de comportamento. Quem atua de modo estranho à naturalidade, ganha os atributos que o tornam diferente. Eis o círculo vicioso: o estigma está relacionado a conhecimentos insuficientes ou inadequados (estereótipos), que leva a preconceitos (pressupostos negativos), à discriminação e ao distanciamento da pessoa estigmatizada. 

O estigma tem relação com o preconceito. As nossas concepções ingênuas, geralmente provenientes da tradição e dos costumes, forjaram “ideologias” e estigmatizaram “povos”. Não paramos para pensar se as atitudes de alguns indivíduos referem-se ou não à totalidade das pessoas. Com uma ideia pré-definida vamos marcando as pessoas, tais como, o judeu é ganancioso, o negro é indolente, os americanos são superficiais, e assim por diante.

Quem estigmatiza quem? Observe o discurso político da vitimização. Muitas vezes aquele que se passa por vítima nada mais é do que o vitimizador. 

No meio espírita, o estigma não deveria existir, pois para o Espiritismo, todos os Espíritos foram criados simples e ignorantes, sujeitos ao progresso. Todos somos irmãos em Cristo Jesus. Cada um de nós está num determinado nível de progresso. Por isso, a missão do homem inteligente na Terra é ajudar os mais ignorantes, nunca os desprezar ou marcá-los com um sinal negativo.

Fonte de Consulta

GOFFMAN, Erving. Estigma: Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada. Tradução de Márcia Bandeira de Mello Leite Nunes. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988. 


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Uma Pessoa que fugiu da Normalidade

“Querida Senhorita Lonelyhearts,

Tenho 16 anos e não sei como agir. Gostaria muito que a senhora me aconselhasse. Quando eu era criança, não era muito ruim porque me acostumei com os meninos do quarteirão que caçoavam de mim, mas agora eu gostaria de ter namorados como as outras meninas e sair nas noites de sábado, mas nenhum rapaz sairá comigo porque nasci sem nariz — embora eu dance bem, tenha um tipo bonito e meu pai me compre lindas roupas.

Passo o dia inteiro sentada, me olhando e chorando. Tenho um grande buraco no meio do meu rosto que: amedronta as pessoas e a mim mesma, e não posso, portanto, culpar os rapazes por não quererem sair comigo. Minha mãe me ama muito, mas chora muito quando olha para mim.

Que fiz eu para merecer um destino tão terrível? Mesmo que eu tivesse feito algumas coisas ruins, não as fiz antes de ter um ano de idade, e eu nasci assim. Perguntei a papai e ele disse que não sabe, mas que pode ser que eu tenha feito algo no outro mundo, antes de nascer, ou que eu esteja sendo punida pelos pecados dele. Não acredito nisto porque ele é um homem muito bom. Devo me suicidar?

Sinceramente,

Desesperada.”

Extraído de Miss Lonelyhearts, de Nathanael West, pp. 14-15. Copyright 1962 por New Directions. Reimpressa por permissão de New Directions, Publishers

N. do T. — Corações Solitários.



20 abril 2016

Caridade Material e Caridade Moral

A palavra "caridade", tal como "Evangelho", de tanto ser repetida acaba perdendo o seu sentido original, o seu sentido real. Caridade vem do latim caritas (amor). Para resgatar o seu sentido essencial, ela identifica-se com o amor, mas o amor sem ambiguidade, ou seja, o amor "doação" ensinado pelo mestre Jesus.

“A Caridade Material e a Caridade Moral” diz respeito às instruções dos Espíritos, que estão catalogadas no capítulo XIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, cujo título é: “Que a vossa Mão Esquerda não Saiba o que Dá a vossa Mão Direita”. Os outros subtítulos desse capítulo são: Fazer o bem sem ostentação, Os infortúnios ocultos, O óbolo da viúva, Convidar os pobres e os estropiados, A beneficência, A piedade, Os órfãos, Benefícios pagos com ingratidão e Beneficência exclusiva.

Os esclarecimentos dos Espíritos sobre o tema se dão através de duas instruções: 

Instrução 1

Começa com a máxima: “Amemo-nos uns aos outros e façamos a outrem o que queríamos que nos fosse feito.”

Quem se basear nessa regra áurea estará agindo na busca de sua perfeição.

Chama a atenção dos ricos para darem que serão recompensados.

Esse infeliz que repelis pode ter sido um filho, um pai... em outras vidas.

Caridade moral consiste em se suportar uns aos outros.

Há grande mérito calar para deixar o mais tolo falar.

Não anotar os erros dos outros não é humildade, mas caridade.

Esta não pode impedir a outra ou seja, a caridade material.

Irmã Rosália, Paris, 1860.

Instrução 2

Como posso fazer caridade se não possuo o necessário?

A caridade pode ser feita de muitas maneiras: por pensamentospalavras ações.

Em pensamentos — orando pelos pobres abandonados que morreram sem ter podido mesmo ver a luz;

Em palavras — dirigindo palavras de ânimo aos irritados pelo desespero, às crianças e aos velhos descrentes de Deus;

Em ações — doando nosso tempo, nossos recursos financeiros, nossa boa vontade para os nossos semelhantes.

Meus amigos, a cada regimento novo o general fornece uma bandeira; eu vos dou esta máxima do Cristo: “Amai-vos uns aos outros.” Praticai essa máxima; reuni-vos todos ao redor desse estandarte, e dele recebereis a felicidade e a consolação.

Um Espírito protetor, Lião, 1860.

Para que a caridade material tenha o seu fundamento cristão, convém não deixarmos que a moeda queime na mão daquele que a recebe.






05 janeiro 2016

Eurípedes Barsanulfo

Eurípides Barsanulfo (1880-1918) nasceu e morreu em Sacramento, Minas Gerais. Foi professor, político e espírita. Em sua juventude, como era muito estudioso, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano".

Ao tomar contato com as obras da Codificação, despertou-lhe o interesse pelos estudos sérios do Espiritismo tendo, como consequência, a incompreensão dos seus familiares e amigos mais próximos. Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária.

A produção de vários fenômenos mediúnicos repercutiu na sociedade. Daí, muitas pessoas procuravam Sacramento para a cura de seus males. Ninguém saia sem um lenitivo para a sua dor. Com a intensidade dos trabalhos espirituais, sentiu necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso, fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905.

Um fato marcante no exercício de sua mediunidade: certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a 1.ª Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.

Eurípedes fundou, em 1.º de abril de 1907, o Colégio Allan Kardec, um verdadeiro marco no campo do ensino. Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia.

O robustecimento do movimento espírita incomodava o clero católico. Este, com o tempo, desenvolveu uma campanha difamatória contra Eurípedes e a Doutrina Espírita. Para se defender, usava as colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus". 

Em vista das divergências doutrinárias, o padre convidou-o para um debate. O padre começou a discussão nos seguintes termos: o Espiritismo é a "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas". Eurípedes, por sua vez, com lógica e dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos.

Fonte de Consulta

NOVELINO, CORINA. Eurípedes, o Homem e a Missão. 3.ed., Araras/SP, IDE, 1979.




04 janeiro 2016

Ir e Pregar

“Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus, 4,17)

Comecemos o estudo deste tema com duas citações bíblicas: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura." (Marcos 16, 15) “Portanto, ide e ensinai.” (Mateus 28, 19 e 20) Em Marcos, há ênfase na pregação; em Mateus, no ensino. Há diferença entre pregar e ensinar? 

Pregar significa fazer sermão para convencer o público, divulgar uma ideia ou um conceito. Exemplo: Pregar a não violênciaEnsinar significa transmitir conhecimentos, instruir alguém em determinada matéria. Desta maneira, quem ensina faz mais do que aquele que prega. Ele não só proclama algo como também instrui, explica, argumenta, raciocina e esclarece por meio da razão.

O Espírito Emmanuel, no capítulo 116 ("Ir e Ensinar") de Fonte Viva, esclarece-nos o sentido do "ir e ensinar". Em seu entender, Jesus poderia ter enviado os seus emissários, mas preferiu vir pessoalmente para nos dar o exemplo de como nos aperfeiçoarmos e adentrarmos no reino dos céus. Ressaltou a humildade como o fundamento de todo o ensinamento.

Nas suas pregações, Jesus esclarecia-nos sobre o dogma da vida futura. Por isso, dizia que o seu reino não era deste mundo, mas do mundo interior, do mundo moral. A vida não é só física, mas também moral e espiritual. Os valores morais e espirituais são conquistados pelo esforço diário na prática do bem e do amor ao próximo.

Em se tratando da pregação, Allan Kardec, quando codificou a Doutrina Espírita, tinha por princípio não fazer proselitismo. Nesse sentido, ao pregarmos o Evangelho, façamos com que cada ouvinte pense pela sua própria cabeça. O discurso contundente pode levar muitas almas ao precipício, pois obedecendo cegamente à voz o orador acaba não refletindo sobre o que é certo e o que é errado. 

O Espírito Emmanuel, no capítulo 144 ("Em Meio de Lobos") de Vinha de Luz, tece comentários sobre o "Ide, eis que vos mando como cordeiros ao meio dos lobos”. Jesus queria que os cordeiros fossem fortes para vencer as artimanhas dos lobos devoradores. Eis o apelo do Cristo: "É imprescindível caminhar na direção dos lobos, não na condição de fera contra fera, mas na posição de cordeiros-embaixadores; não por emissários da morte, mas por doadores da vida eterna".

A lição do arado é também muito importante. Jesus disse que aquele que lançar mão do arado e olhar para trás não é digno do reino de Deus. Quer dizer, temos que nos preparar para sofrer qualquer tipo de admoestação, pois uma vez iniciada a jornada do Evangelho não podemos mais voltar atrás. 

Para reflexão: como estamos disseminando a palavra do Cristo?