Nas obras da Codificação (especialmente O Livro dos Espíritos, O Evangelho segundo o Espiritismo e O Livro dos Médiuns) e nos esclarecimentos posteriores fiéis a Kardec, fica claro que o Espiritismo:
- Não possui sacerdotes, hierarquia sacerdotal, templos ritualísticos nem sacramentos (batismo, casamento religioso etc.);
- Não utiliza paramentos, vestes especiais, altares, imagens, andores, velas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia ou qualquer objeto material como intermediário;
- Não realiza procissões, danças, encenações, despachos, promessas materiais, riscaduras de pontos ou qualquer prática exterior de origem religiosa tradicional;
- Não tem fórmulas mágicas, palavras sacramentais ou rituais de evocação. A evocação, quando feita, é um convite simples e respeitoso ("Rogo a Deus Todo-Poderoso que permita ao Espírito de… comunicar-se conosco"), sem qualquer caráter místico ou cerimonial.
Kardec
enfatizou que o Espiritismo não é uma religião constituída no sentido
tradicional (com culto, ritos e ministros), embora tenha consequências
religiosas e morais. Ele o descreveu como uma doutrina filosófica de bases
científicas e morais, cujo objetivo é o progresso intelectual e moral do ser
humano.
Em se
tratando dos passes, os movimentos das mãos não constituem ritualismo, desde
que sejam compreendidos e aplicados corretamente à luz da Doutrina Espírita.
Kardec deixou claro que a forma dos movimentos não tem poder em si mesma. Na Revista
Espírita (setembro de 1865), ele observa que a ignorância leva algumas
pessoas a crer na influência desta ou daquela forma, misturando práticas
supersticiosas às quais se deve dar o valor que merecem (ou seja, quase
nenhum).
Para uma melhor compreensão deste assunto, conceituemos:
- Ritual: A maneira de fazer, o conjunto de gestos, procedimentos ou sequência de ações que se emprega para realizar determinada prática (no caso do passe, os movimentos das mãos, a postura, a ordem de dispersão e doação de fluidos etc.).
- Ritualismo: O apego excessivo a essa técnica, a valorização exagerada da forma externa, a crença de que o resultado depende da execução correta e rígida dos gestos, como se estes tivessem poder intrínseco ou fossem indispensáveis.
No Espiritismo, admite-se o uso de técnicas e procedimentos práticos (no passe, nas reuniões de estudo ou na prática mediúnica), desde que sejam simples, racionais e subordinados ao essencial: a intenção, a moralidade, a prece e a assistência espiritual. O problema surge quando se passa da técnica útil para o ritualismo:
- Quando os movimentos do passe são tratados como obrigatórios ou "sagrados";
- Quando se acredita que, se não forem feitos de determinada forma, o benefício não ocorre.
- Quando a atenção se concentra mais na gesticulação do que no sentimento de caridade e na elevação do pensamento.
Em
síntese, como espíritas conscientes, devemos compreender a organização e a
técnica em uma Casa Espírita da mesma forma que um médico compreende os
protocolos de uma cirurgia: utiliza-se a técnica tão somente como uma
ferramenta necessária, sem nunca converter o método em um ato de veneração ou
culto exterior.
Texto corrigido pela IA.
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