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18 março 2015

Transe

Transe. É um estado de baixa tensão psíquica com estreitamento do campo da consciência e dissociação. É caracterizado pela suspensão dos movimentos voluntários, e às vezes pelo automatismo da atividade ou do pensamento. 

O transe apresenta-se de várias formas: os mais comuns são o transe hipnótico e transe mediúnico. Além desses, há os provocados pela debilidade física, pelas drogas, pela música, pela respiração etc. Embora haja uma grande diversidade de modos, a raiz do transe é uma só, ou seja, a dissociação da consciência. O que varia, na realidade, são os graus do transe, que começa por um estado de "transe leve" e, depois, pode chegar até o estado da possessão extática. No transe hipnótico, por exemplo, há uma indução do hipnoterapeuta no sentido de relaxar progressivamente os sujeitos até estes atingirem o grau de dissociação da consciência.

Querer explicar o mecanismo do transe é entrar por um caminho nebuloso. O máximo que conseguiremos é expressar algumas hipóteses: 1) tensão forte prolongada, infligida ao cérebro, pelo corpo ou pela mente; 2) as drogas provocam falta parcial de oxigênio no cérebro; 3) os exercícios respiratórios inundam o sangue de oxigênio e privam o cérebro de açúcar. 

Os parapsicólogos dão, também, as suas explicações sobre o transe: para os discípulos de Wilhelm Reich, o transe é a reação da mente aos efeitos produzidos pela misteriosa "energia orgone"; para alguns junguianos, o transe é como "uma descida ao inconsciente coletivo"; para os behaviouristas modernos, o transe assemelha-se à inibição transmarginal, mecanismo de proteção do cérebro que, sob tensão, pode alterar a forma como responde aos estímulos externos. 

Quanto ao uso de drogas psicotrópicas, cabe uma observação: elas não são uma descoberta moderna, como a maioria tende a pensar. Na antiguidade clássica grega, o oráculo de Delfos mascava as "ervas de Apolo", os xamãs da Sibéria tomavam agárico (o "cogumelo sagrado" das teorias modernas) e os heróis semidivinos da antiga Índia bebiam o misterioso soma.

O transe mediúnico é considerado auto-sugerido, uma forma de auto-hipnose. No transe mediúnico, os médiuns autênticos atingem voluntariamente a dissociação de consciência. O transe mediúnico processa-se de forma progressiva. Observe o PACEM, fases do desenvolvimento mediúnico, criado pelo Comandante Edgar Armond: P - Percepção dos fluidos; A - Aproximação do Espírito comunicante; C - Contato do Espírito comunicante; E - Envolvimento do médium; M - Manifestação do Espírito comunicante.

A discussão do conceito e do mecanismo do transe é bastante útil. Para o médium autêntico, porém, o que importa é a vivência da comunicação mediúnica. 

Fonte de Consulta

CAVENDISH, Ricardo (org.). Enciclopédia do Sobrenatural. Tradução de Alda Porto e Marcos Santarrita. Porto Alegre: L&PM, 1993.



08 julho 2009

Paranormalidade e Espiritismo

Considera-se fenômeno normal todo acontecimento cujo mecanismo causal se enquadra no conjunto das leis que admitimos governarem os processos da natureza. Designamos por fenômeno paranormal todo o acontecimento "inusitado", "além do normal", ou seja, fora do conjunto dos fatos normais.

Normalidade é perceber o mundo através dos cinco sentidos, que são: audição, olfato, paladar, tato e visão. Tudo o que escapa a esses sentidos, a Parapsicologia convencionou chamar de paranormalidade. A paranormalidade foi muito utilizada pelo Dr. Joseph Banks Rhine, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos que, através da pesquisa quantitativa, modernizou a Metapsíquica e transformou-a na Parapsicologia. Paranormal é o fenômeno que ocorre paralelamente ao normal.

O objeto da Parapsicologia é o estudo dos fenômenos inconscientes extranormais e dos fenômenos paranormais. Em se tratando dos paranormais, Rhine inclui todos os que não podem ser explicados sem se admitir no Homem a existência de uma faculdade espiritual, por se não deverem a nenhum tipo de energia física conhecida ou possível. De acordo com Robert Amadou, "A parapsicologia coloca em evidência o estudo experimental das funções psíquicas, ainda não incorporadas ao sistema da psicologia científica, com vistas à sua incorporação neste sistema ampliado e completado".

Os fenômenos paranormais foram englobados, no 1.º Congresso Internacional de Parapsicologia, na cidade de Utrecht, em 1953, sob a designação genérica de fenômenos Psi (letra grega). J. B. Rhine classificou os fenômenos de telepatia, clarividência e pré e post-coginição (P.E.S.) como função "psi-gama", a telecinesia, a teleplastia e a psicocinesia – dinamismo psíquico – como função "psi-kapa". Para a avaliação quantitativa da função "psi", Rhine escolheu o método estatístico combinado com o cálculo das probabilidades. Na pesquisa da função "psi-gama", Rhine elegeu como principal instrumento o baralho zener, composto de 25 cartas, distribuídas em 5 naipes (quadrado, ondas, estrela, sinal de mais e o círculo). Para verificação da função "psi-kapa", escolheu os dados de jogar. (Andrade, 1976)

Para a Parapsicologia, os dados paranormais pertencem às funções "psi-gama" ou "psi-kapa". Para o Espiritismo, esses dados poderão ser perfeitamente enquadrados nos conceitos de fenômeno anímico e fenômeno mediúnico. A telepatia, a clarividência e a premonição são fenômenos anímicos; a psicografia e a xenoglossia, fenômenos mediúnicos. Levitação e deslocamento de objetos, dados do "psi-kapa", são classificados, no Espiritismo, como fenômenos mediúnicos de efeitos físicos.

A reportagem da Superinteressante, cujo título de capa é "Parnormais", relata que Joseph McMoneagle cobra 250 dólares por hora de trabalho, e a vidente Noreen Renier, 1.000 dólares por consulta. Para o Espiritismo, a mediunidade deve ser gratuita, pois está fundamentada na frase "dar de graça o que graça receber". O médium espírita deve ter consciência de que não é nenhum missionário na acepção da palavra, mas um Espírito bastante endividado, que reencarnou com a tarefa de redimir os seus erros do passado. Para tanto, deve encaminhar para o bem, as pessoas que houvera desviado em encarnações passadas. Cobrar por algo que não lhe pertence pode lhe trazer conseqüências funestas, inclusive com a perda da própria mediunidade.

"Ao que muito foi dado, muito será exigido, e mais lhe será acrescentado", diz o Evangelho. Se, pela misericórdia divina, fomos bafejados pela luz de verdade, convém, para o nosso próprio bem, expandir este clarão para os demais seres humanos.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ANDRADE, H. G. Parapsicologia Experimental. 2. ed. São Paulo: Boa Nova, 1976.

Revista Superinteressante, julho de 2009.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/paranormalidade