08 julho 2008

Reflexos Condicionados e Mudança Comportamental

O estudo dos reflexos condicionados leva-nos a uma reflexão sobre as nossas atitudes. A atitude pode ser definida como uma maneira peculiar de reagir aos acontecimentos. Ela forma-se, toma força, estrutura-se e, sem o percebermos, todas as nossas reações acabam transformando-se em respostas automáticas aos estímulos oferecidos. Se, por um acaso, quisermos mudar a resposta, achamo-nos em erro e desistimos incontinente.

A formação das atitudes pode ser feita de três maneiras: a) princípio de associação; b) princípio de transferência; c) princípio de satisfação de necessidade. Na realidade, os componentes formadores das atitudes podem ser "pensamentos", "crenças", "sentimentos ou emoções" e "tendência para reagir". Quer dizer, ao vermos alguém praticar um determinado ato, achamo-nos no direito de imitá-lo: começamos, repetimos e incorporamo-lo em nossa conduta pessoal. Com o tempo, o referido ato torna-se um hábito tão natural, que nos sentimos sem forças para modificá-lo.

Os psicólogos sociais mostraram, através de pesquisa, que há muita facilidade em construir hábitos. Basta iniciá-los, que as circunstâncias concorrem para solidificá-los. A modificação, porém, não é tarefa fácil. A substituição (ou extinção) requer mais força do que se imagina. A persuasão é o elemento chave que está na base dessas pesquisas. Nesse sentido, chamam-nos a atenção para a persuasão dos crédulos, que são facilmente sugestionados pelo carisma e magnetismo dos seus líderes. Após serem vítimas de uma lavagem cerebral, não conseguem mais pensar pela própria cabeça. Por isso, quando seguimos a multidão podemos estar no contrapé da história.

Esses psicólogos sociais mostraram também que há um aspecto relevante no esforço despendido para mudar o hábito negativo, ou seja, quando mudamos uma tendência todas as outras sofrem um realinhamento na mesma direção. É que, segundo esses cientistas, o ser humano funciona globalmente, e tudo o que fizermos no particular terá uma repercussão no todo orgânico. Nesse sentido, o psicólogo Emile Coué escreveu uma frase sugestiva que dá a ideia da generalidade: "Todos os dias sob todos os aspectos vou cada vez melhor".

O tempo decorrido de um automatismo negativo é sumamente importante. A influência dos Espíritos obsessores que estão nos prejudicando deve ser analisada. André Luiz em Missionários da Luz chama nossa atenção para a dificuldade de se quebrar as algemas obsessivas forjadas ao longo de várias encarnações. É que na simbiose das mentes as almas alimentam-se mutuamente. Se quisermos romper de uma hora para a outra, haverá prejuízo de ambas as partes. Nesse sentido, a paciência, a prece, a vigilância, as prédicas evangélicas assumem papel deveras salutar.

Deus, porém, não desampara ninguém. Ele está sempre enviando os professores sociais da boa nova. Basta termos confiança neles, e eles serão farol de nossa libertação espiritual.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. A Obsessão. 3. ed., São Paulo, O Clarim, 1978.
São Paulo, 13/11/1997

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