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13 abril 2026

Apagão: Três Dias e Três Noites

A médium Louise Castanhedo participou do programa LINPodcast, onde respondeu a diversas questões sobre sua teoria do chamado “apagão”. A entrevista, com duração aproximada de duas horas, abordou mensagens relacionadas ao ápice da transição planetária, com foco especial nesse evento, que, segundo ela, teria início no Brasil — embora sem data definida.

Em sua exposição, descreve a Terra como um planeta de provas e expiações, que necessitaria de uma transformação moral profunda. Segundo sua interpretação, esse processo implicaria uma separação entre “joio e trigo”, ou seja, entre indivíduos considerados moralmente bons e maus. Afirma ainda que pessoas más apresentariam uma espécie de “marca” no perispírito e que, no momento oportuno, seriam levadas para outros mundos, menos evoluídos que a própria Terra. De acordo com suas declarações, esse processo se encerraria por volta de 2057.

Entretanto, a história registra inúmeras profecias que não se concretizaram. Entre elas, destacam-se: as previsões dos “três dias de escuridão” na Europa; o movimento millerita, em 1844; o caso Heaven's Gate, em 1997; o chamado Bug do Milênio, no ano 2000, que previa um colapso tecnológico global; e as interpretações apocalípticas associadas ao calendário maia, em 2012.

Sob a perspectiva de A Gênese, de Allan Kardec, essa narrativa apresenta fragilidades. Kardec descreve a transformação da humanidade como um processo gradual, e não abrupto, além de interpretar muitas previsões de catástrofes como símbolos, e não eventos literais. Ademais, não há em sua obra referências a “marcas” no perispírito nem à ideia de uma ação coercitiva ou militarizada para segregação de indivíduos.

Diante disso, parece mais razoável compreender o “apagão” em sentido simbólico. Pode-se interpretá-lo como um convite à introspecção: um afastamento voluntário das distrações cotidianas — como tecnologia, excesso de estímulos e exposição constante — por um período que favoreça a reflexão pessoal. Tal proposta encontra ressonância no pensamento de Sócrates e de Santo Agostinho, que valorizavam o autoconhecimento como caminho de transformação moral.

Assim, a narrativa analisada pode ser entendida como uma versão contemporânea — revestida de linguagem espiritual e tecnológica — de um padrão recorrente de profecias apocalípticas. À luz da razão, da doutrina espírita e da experiência histórica, ela não se sustenta como previsão literal, sendo mais plausível interpretá-la como simbólica, especulativa ou fruto de construções culturais e psicológicas.

 

12 novembro 2018

Não Acrediteis em Todos os Espíritos

“Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que se levantaram no mundo.” (João, Epístola l, cap. 4,1).

“Não Acrediteis em Todos os Espíritos”, juntamente com “Conhece-se a Árvore pelos Frutos”, “Prodígios dos Falsos Profetas”, “Caracteres do Verdadeiro Profeta”..., faz parte do capítulo XXI – “Falsos Cristos e Falsos Profetas” de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

Depreende-se do texto que, aquelas pessoas que fossem tentadas a explorar os dons da profecia em proveito próprio, fazendo-se passar por enviadas de Deus, logo seriam descobertas e desmascaradas.

O Espiritismo revela, também, outra categoria de falsos cristos – aqueles que se disfarçam com nomes veneráveis – pertencendo ao grupo dos Espíritos enganadores, hipócritas e orgulhosos, que não estão entre nós, mas entre os Espíritos desencarnados.

O Espiritismo não inventou os Espíritos. É apenas uma doutrina que se funda na crença de existência de Espíritos e nas suas manifestações. Há Espíritos de todos os tipos. Para que eles se comuniquem com os seres humanos, há necessidade dos médiuns, os seus intermediários. Na comunicação dos Espíritos, há a influência do médium, que pode distorcer o conteúdo da mensagem. Por isso, o cuidado de Allan Kardec, quando dizia que é melhor rejeitar dez verdades a aceitar uma só como erro.

Para uma melhor análise deste tema, ser-nos-á útil rever a escala espírita, em que Allan Kardec classifica os Espíritos segundo o seu grau de perfeição. Nas questões 100 a 112,de O Livro dos Espíritos, veremos que: a 3.ª ordem abarca os Espíritos imperfeitos (Espíritos Impuros, Espíritos Levianos, Espíritos Pseudo-Sábios, Espíritos Neutros e Espíritos Batedores), a 2.ª ordem, os Espíritos bons (Espíritos Benévolos, Espíritos Sábios, Espíritos Prudentes ou de Sabedoria e Espíritos Superiores); a 1.ª ordem, os Espíritos Puros.

Referindo-se aos falsos profetas, o Espírito Emmanuel, no livro Levantar e Seguir, diz que falso profeta não é somente aquele que perturba o serviço da fé religiosa, mas todos nós quando negamos a execução fiel dos nossos deveres: na maledicência, somos falsos profetas da fraternidade; na discórdia, somos falsos profetas mistificadores da paz; na preguiça, somos falsos profetas charlatães do trabalho;  na indiferença, somos falsos profetas inimigos do dever.

Não importa a fama do médium nem a envergadura do Espírito. Cabe-nos sempre fazer uma análise serena do conteúdo doutrinal da mensagem mediúnica.