14 outubro 2009

Sofrimento

A teologia dá grande apreço ao sofrimento, sugerindo que deveríamos imitar o mestre Jesus na cruz, que morreu nessa circunstância para nos salvar. Será necessário que o símbolo da cruz ocupe a posição central da religião cristã? Não teria sido a sua supervalorização a causa da pobreza em que vivem muitos religiosos cristãos? Como distinguir o bom do mau sofrimento?

A palavra apatia significa tanto a ausência de doença, de lesão orgânica, de sofrimento, como a ausência de paixão, de emoções. Apatia provém do grego clássico apatheia. Páthos, em grego, significa "tudo aquilo que afeta o corpo ou a alma" e tanto quer dizer dor, sofrimento, doença, como o estado da alma diante de circunstâncias exteriores capazes de produzir emoções agradáveis ou desagradáveis, paixões.

Há um masoquismo do passado fundamentado no Getsêmani, esse jardim que se tornou um símbolo para as dores humanas. Getsêmani é um jardim situado no sopé do Monte das Oliveiras, em Jerusalém (atual Israel), onde se acredita que Jesus e seus discípulos tenham orado na noite anterior à crucifixão de Jesus. De acordo com o Evangelho segundo Lucas, a angústia de Jesus no Getsêmani foi tão profunda que "seu suor transformou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão”.

Tal como acontecera a Sócrates, que foi obrigado a beber cicuta, Jesus não podia ter se eximido do martírio na cruz? O problema que se coloca: devemos escolher a apatia (desvio do sofrimento) ou aceitá-lo com resignação? Nos dois casos, tanto Sócrates quanto Jesus preferiram enfrentá-lo com determinação, no sentido de mostrar à humanidade que existem valores que estão acima da própria vida. Resultado: passados mais de dois mil anos e ainda estamos nos lembrando de seus exemplos.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, os Espíritos instruem-nos que há o bem e o mal sofrer. Eles nos dizem: “... Ficai satisfeitos quando Deus vos envia à luta. Essa luta não é o fogo da batalha, mas as amarguras da vida, onde é preciso, algumas vezes, mais coragem do que num combate sangrento, porque aquele que ficaria firme diante do inimigo, se dobrará sob o constrangimento de uma pena moral. O homem não é recompensado por essa espécie de coragem, mas Deus lhe reserva os louros e um lugar glorioso”.

Quando, pois, nos atingir um motivo de inquietação ou de contrariedade, esforcemo-nos por superá-lo. Sejamos sempre mais fortes que os inimigos do pensamento e teremos a recompensa do equilíbrio físico e espiritual.

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