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04 janeiro 2021

Estrada da Vida, A

"A Estrada da Vida" é um subtítulo de "Influência Perniciosa das Ideias Materialistas" do livro Obras Póstumas, de Allan Kardec. Os outros subtítulos são: "Sobre as Artes em Geral - Sua Regeneração pelo Espiritismo", "Teoria do Belo", "A Música Celeste", "A Música Espírita", "As Cinco Alternativas da Humanidade" (doutrina materialista, doutrina panteísta, doutrina deísta, doutrina dogmática e doutrina espírita), "A Morte Espiritual" e "A Vida Futura".  

Começa a sua redação chamando-nos a atenção para a preocupação de muitos filósofos, ou seja, muitos viram na preexistência da alma a única solução possível para os mais importantes problemas da psicologia. Apontavam, porém, uma objeção central: o esquecimento das existências anteriores. Sem memória do passado, o nada fica em evidência. Daí, a importância das instruções dos Espíritos superiores sobre essa questão. Sem a ajuda deles, estaríamos repletos de dúvidas. 

O Espiritismo, contudo, elucida-nos tranquilamente essa questão. De acordo com os seus postulados, a existência espiritual da alma é a existência normal. As existências terrenas são curtos intervalos dentro da existência espiritual normal. Quer dizer, a alma está encarnada, mas os seus laços com as existências anteriores não se rompem. No sono, pode recobrar as memórias de vidas passadas.

Explica-nos, ainda, que o fato de não termos consciência das faltas passadas, é um bem para nossa alma, porque Deus, na infinita bondade, quis poupar-nos das lembranças das existências desgraçadas. A pluralidade das existências dá um norte ao progresso da alma. O futuro está nas próprias mãos do ser humano. Se gasta muito tempo em melhorar, sofre as consequências da demora.

A simbologia da estrada ajuda-nos a entender o problema das reencarnações. Observe que ao longo de uma estrada, há florestas, que precisam ser ultrapassadas, para um retorno à estrada. Ao entrar na floresta, pela primeira vez, o indivíduo se perde. Caminha sem rumo, tateia aqui e ali, e vai vencendo os obstáculos até ultrapassar essa floresta. A experiência da primeira floresta dá-lhe sabedoria para vencer com mais facilidade as dificuldades das demais florestas.

Resumindo: a estrada é a figura da vida espiritual da alma; as florestas são as existências corpóreas, em que cada alma trabalha para o seu progresso e o progresso geral. 

Fonte de Consulta

KARDEC, Allan. Obras Póstumas, página 157.





17 agosto 2011

Três Reinos

Concebeu-se dividir a natureza em: 1) seres orgânicos e seres inorgânicos; 2) reino mineral, reino vegetal e reino animal; 3) reino mineral, reino vegetal, reino animal e reino hominal. Que subsídios a Doutrina Espírita oferece-nos para enfrentarmos esta questão? O capítulo XI do Livro Segundo de O Livro dos Espíritos, que trata dos três reinos, oferece-nos alguns ensinamentos bastante importantes.

De acordo com os pressupostos espíritas, Deus criou os Espíritos — simples e ignorantes —, com a determinação de se tornarem perfeitos. Assim, o progresso do Espírito é sempre compulsório: podemos estacionar por algum tempo, mas os acicates da vida nos impulsionarão para o desenvolvimento ulterior. 

Ainda que haja controvérsias, diz-se que o princípio inteligente ou mônada celeste estagia nesses reinos, começando no mineral e indo até o hominal, extraindo de cada um deles os subsídios necessários para a sua evolução. É por isso que tudo se encadeia na natureza, desde o átomo ao arcanjo. 

Reino Mineral. Allan Kardec escreve pouco sobre esse reino. Diz-nos que ele é constituído de matéria inerte, e não possui mais do que uma força mecânica. Os minerais não têm vitalidade e nem movimentos próprios, sendo formado apenas pela agregação da matéria. 

Reino Vegetal. As plantas, compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Elas não pensam, não têm mais do que a vida orgânica. Podem ser afetadas por ações sobre a matéria, mas não têm percepções; por conseguinte, não têm a sensação de dor. 

Reino Animal. Os animais, constituídos de matéria inerte e dotados de vitalidade, têm uma espécie de inteligência instintiva, limitada, com a consciência de sua existência e de sua individualidade. 

Reino hominal. O homem, tendo tudo o que existe nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, ilimitada, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extra materiais e o conhecimento de Deus.

Três reinos e o homem encerram todo o processo de evolução alcançado pelo desenvolvimento do princípio inteligente. O próximo passo é transformar-se no reino angélico, em que estaria livre de todas as influências da matéria.

 

 

16 dezembro 2009

Evolução e Espiritismo

Evolução significa desenvolvimento, volver para fora o que já está contido em algo. É o desenvolvimento, pela atualização das possibilidades, das potências já inclusas virtualmente em algo. A teoria da evolução pode ser vista sob o ponto de vista da Biologia e da Metafísica. Segundo a Biologia, é a transformação das espécies vivas umas nas outras. Em termos da Metafísica, é o progresso do Universo, hipótese de muitas filosofias e doutrinas religiosas.

A evolução biológica engloba o fixismo e o transformismo. O fixismo admite que as espécies não sofrem mudanças. Surgiram sobre a Terra, cada qual já adaptada ao ambiente onde foi criada. Não havendo necessidade de mudanças, as espécies permaneciam imutáveis desde o momento em que surgiram. O transformismo pressupõe que as espécies não permaneciam imutáveis, mas sofriam modificações. O transformismo só pode ser aceito depois da vinda da Nova Ciência e da descoberta do método teórico-experimental.

Charles Darwin (1809-1882), a bordo do Beagle, registrou inúmeras observações em Sobre a Origem das Espécies (1859). Chegou à conclusão que as espécies se transformavam através da seleção natural. Nesse caso, os indivíduos sofrem modificações espontâneas, mas sobrevivem apenas os mais aptos. Além disso, são esses indivíduos que podem se reproduzir e transmitir esses caracteres a seus descendentes.

Na Metafísica, o evolucionismo, mesmo se servindo dos resultados da teoria biológica, vai muito além. O evolucionismo foi assumido como esquema fundamental de muitas metafísicas, tanto materialistas quanto espiritualistas. A característica fundamental que essas metafísicas distinguem na evolução é o progresso. Para elas, evolução significa essencialmente progresso, e sempre otimista, ao contrário da evolução biológica, que não necessariamente é otimista. Spencer, com o seu homogêneo indiferenciado, e Bérgson, com o seu elã vital, deram valiosas contribuições à divulgação do evolucionismo metafísico.

No Espiritismo, o ponto alto da evolução do Espírito é o aparecimento do senso moral. Enquanto o princípio inteligente estagia no reino animal, o senso moral é quase nulo. Somente quando adquire a razão, o pensamento contínuo e o livre-arbítrio, na fase humana, é que começa a responder pelos seus atos. Daí, a responsabilidade de cada um pelo seu próprio progresso.

O Espiritismo mostra-nos que, no inicio da sua caminhada evolutiva, o Espírito não possui o livre-arbítrio, cuja escolha é deixada a cargo dos mensageiros do espaço. Somente quando desenvolveu o senso moral, foi capaz de responder pelos seus próprios atos. Allan Kardec diz-nos que o ser humano não é fatalmente conduzido ao mal. “Ele pode, como prova ou expiação, escolher uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas será sempre livre de agir como quiser. Assim, o livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas; e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos”. (1)

Allan kardec, em O Livro dos Espíritos, mostra-nos que o progresso intelectual nem sempre anda junto com o progresso moral. No longo prazo, porém, deverão equilibrar-se para que haja maior coerência das ações praticadas pelo ser humano. Nesse sentido, o Espírito Emmanuel adverte-nos que a sabedoria e amor são as duas asas que nos conduzirão ao progresso. Paralelamente, o Espírito André Luiz diz-nos que o ciclo de reencarnações somente terminará quando tivermos sedimentado as nossas ações nas máximas do Evangelho de Jesus.

O progresso é inexorável e a lei de causa e efeito é providencial. Assim, tenhamos consciência dos nossos atos diários. Adiando para amanhã a prática do bem, podemos retardar a nossa evolução material e espiritual.

(1) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995, questão 872.