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22 novembro 2022

Sobre a Preguiça

De acordo com o Dicionário de Ética de Stanley J. Grenz e Jay T. Smith, a preguiça é um vício — tanto na ética grega antiga quanto na ética cristã — caracterizado pela aversão ao esforço, pela indolência ou pela falta de entusiasmo. Foi classificada como um dos sete pecados capitais, ao lado da Soberba, Avareza, Luxúria, Inveja, Gula e Ira. 

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O Espírito Humberto de Campos (Irmão X), no capítulo 22 (“O Remédio à Preguiça”), do livro Reportagens de Além-Túmulo, psicografado por Francisco Cândido Xavier, relata a história de Januário Pedroso, preguiçoso nato.

Januário Pedroso era funcionário público, cuja tarefa era a de orientar o trabalho de pecuaristas e lavradores. Até conseguir essa posição, fez todos os esforços possíveis; depois, sob a égide de que funcionário público não faz nada, limitava-se a assinar o ponto, ficando o resto do tempo sentado em sua escrivaninha. O seu superior fez de tudo para tirá-lo da inércia. Mandou-o para o Norte, o Sul, o Oeste e o Leste do país. Mas nada disso foi suficiente para alterar-lhe o ânimo.

Desencarnou e ficou algum tempo nas trevas. Pediu auxílio aos mentores espirituais. Estes lhe disseram que “contra a preguiça, diligência”. Agora, porém, não estamos na esfera do Globo. Você está enfermo e precisa remédio. A senha há de ser diferente...

"— Como? — interrogou o infeliz, aterrado.

O magnânimo orientador dirigiu-lhe significativo olhar e perguntou:

— Que indicava você, na qualidade de servidor do campo, quando o fogo invadia a pastagem?

Pedroso, embora intrigado, respondeu:

— Aconselhava o contra fogo.

O generoso amigo esboçou um gesto de bondade tranquila e esclareceu:

— Tenho de partir do mesmo princípio. A ociosidade invadiu sua vida. Contra a sua preguiça devo receitar a imobilidade. Para que aprenda a estimar o trabalho e a criar o sublime desejo de movimentação no mundo, você renascerá paralítico".

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Para Libertar-nos

A preguiça conserva a cabeça desocupada e as mãos ociosas.

A cabeça desocupada e as mãos ociosas encontram a desordem.

A desordem cai no tempo sem disciplina.

O tempo sem disciplina vai para a invigilância.

A invigilância patrocina a conversação sem proveito.

A conversação sem proveito entretece as sombras da cegueira de espírito.

A cegueira de espírito promove o desequilíbrio.

O desequilíbrio atrai o orgulho.

O orgulho alimenta a vaidade.

A vaidade agrava a preguiça.

Como é fácil de perceber, a preguiça é suscetível de desencadear todos os males, qual a treva que é capaz de induzir a todos os erros.

Compreendamos, assim, que obsessão, loucura, pessimismo, delinquência ou enfermidade podem aparecer por autênticas fecundações da ociosidade intoxicando a mente e arruinando a vida.

E reconheçamos, de igual modo, que o primeiro passo para libertar-nos da inércia será sempre: trabalhar.

Emmanuel

Lição 21 do livro Passos da Vida, de Francisco Cândido Xavier, pelos Espíritos Diversos. 

...

O espírita deve ser "calmo, mas não tão sossegado que se afogue em preguiça". (Capítulo 7 de Opinião Espírita)

"Existe muita preguiça mascarada de dúvida, existindo até mesmo o médium cuja mediunidade todos reconhecem, prezam e valorizam, menos ele..." (Capítulo 17 de Opinião Espírita)

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O Preço da Preguiça

Havia um sábio que não poupava esforços para ensinar bons hábitos a seu povo. Frequentemente fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo o que fazia era para ensinar o povo a ser trabalhador e cauteloso. Ele dizia:

— Nada de bom pode vir a uma nação cujo povo reclama e espera que outros resolvam seus problemas. Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os problemas por conta própria.

Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada. Depois foi se esconder atrás de uma cerca e esperou para ver o que acontecia. Primeiro, veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que levava para moagem na usina.

— Quem já viu tamanho destino? — disse ele contrariado, enquanto desviava sua parelha e contornava a pedra — Por que esses preguiçosos não mandam retirar essa pedra da estrada? E continuou reclamando da inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.

Logo depois, um jovem soldado veio cantando pela estrada. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra e não viu a pedra. Tropeçou nela e se estatelou no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou a espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam largado uma pedra imensa na estrada. Ele também se afastou, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra. Assim correu o dia. Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém a tocava.

Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro por lá passou. Era muito trabalhadeira e estava cansada, pois desde cedo andava ocupada no moinho. Mas disse a si mesma:

“Já está quase escurecendo, alguém pode tropeçar nesta pedra à noite e se ferir gravemente. Vou tirá-la do caminho.”

E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, empurrou, puxou e inclinou a pedra, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra. Ergueu-a. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres:

“Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.”

Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro. A filha do moleiro foi para casa com o coração feliz. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local na estrada onde a pedra estava. Revolveram o pó da estrada com os pés, na esperança de encontrar um pedaço de ouro.

Então, o sábio disse:

— Meus amigos, com frequência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto nos desviamos deles se assim preferirmos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.

Rangel, Alexandre. As mais belas parábolas de todos os tempos. Belo Horizonte, MG: Editora Leitura, 2002.



09 fevereiro 2012

Caminho

“O caminhante não tem caminho, o caminho se faz ao caminhar”.

O caminho é o símbolo expressivo da vida humana. Representa uma incessante caminhada da infância à juventude, desta para a maturidade e da maturidade para a velhice. Há o caminho rústico do homem do campo e o caminho apressado do homem citadino. Podemos caminhar por ruas, avenidas e praças. Nos campos, as estradas estão vazias; nas cidades, superlotadas.   

Tomar um caminho velho, aberto pelas gerações anteriores, é aproveitar as suas experiências, as quais podem nos desviar dos erros que já cometeram. A navegação mostra-se mais suave que na terra, mas tem também os seus percalços, ou seja, as tormentas do alto mar. Psicologicamente, podemos falar do caminho interior, em que cada um faz a sua própria caminhada.  

Do ponto de vista religioso, o que conta é o aproveitamento moral da existência. Nesse sentido, há o bom e o mau caminho. O bom caminho exige esforço, dedicação, persistência para entrar pela porta estreita; o mal, que se fundamenta no comodismo, pode nos levar aos vícios de toda espécie. O caminho é meio, a meta é a salvação. O caminho por excelência do cristão é caminhar com Cristo, que nos leva ao Pai. Jesus não só nos ensina o caminho, como nos faz encontrar com o Pai.

17 agosto 2011

Vida e Morte

A vida é o conjunto dos fenômenos de toda a espécie (particularmente de nutrição e de reprodução), que, para os seres que têm um grau de organização, se estende do nascimento (ou produção do germe) até a morte. A morte é a cessação da vida e manifesta-se pela extinção das atividades vitais: crescimento, assimilação e reprodução no domínio vegetativo; apetites sensoriais no domínio sensitivo.

Qual a essência da vida? A esta pergunta filosófica a Ciência só pode responder através de hipóteses: uma delas é a cadeia evolutiva do germe trazido de outros planetas. A Filosofia tenta penetrar no âmago da questão. Platão, em seu "Mito da Reminiscência das Ideias", informa-nos que a alma preexiste ao corpo. Ela, antes de encarnar, pertence ao mundo das essências - o “topus uranus”. Depois de sua passagem aqui na Terra voltaria ao lugar de origem.

A morte pode ser vista sob vários ângulos: 1.º) como ciclo de uma nova vida - tese de Platão: a alma, mesmo separada do corpo, continua a sua existência; 2.º) como fim do ciclo - tese existencialista: tudo acaba com a morte física; 3.º) como possibilidade existencial - a morte está presente em todos os instantes de nossa vida.

Segundo a Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, fazemos parte de uma única população, denominada espiritual. A diferença é que ora estamos encarnados e ora desencarnados. A morte é a mudança do estado de encarnado para o de desencarnado. Contudo, a essência inteligente é indestrutível e continua a existir além-túmulo. Perceber-se vivo é a grande surpresa daqueles que cometem suicídio.

As alternativas da humanidade com relação à vida futura variam de acordo com a concepção de vida adotada. Se materialistas, o nada aguarda-nos; se panteístas, a absorção no todo universal; se dogmáticos, a ida para o Céu ou para o Inferno. O Espiritismo fornece-nos uma expectativa racional: somos uma individualidade e continuaremos a sê-la, no mundo dos Espíritos. E lá estaremos, inexoravelmente, sujeitos à lei do progresso.

A vida e a morte fazem parte do processo evolutivo do ser. Encaremo-las de forma natural, a fim de vivermos intensamente os instantes de nossa existência terrena.


 


02 julho 2008

Influência dos Espíritos em Nossa Vida

Os Espíritos nos influenciam? Como isto se dá? É a todo o momento? E o nosso livre-arbítrio? Será que não pensamos pela nossa própria cabeça? Como distinguir o que é nosso daquilo que os Espíritos nos sugerem? Eis algumas das várias perguntas que poderíamos fazer sobre o tema, sem a pretensão de respondê-las, mas somente com o intuito de exercitar o nosso pensamento.

Quem nunca ouviu falar do "Saci-Pererê", do "Homem do Saco" e do "Lobisomem"? Quem nunca ouviu falar de lugares assombrados? Quem nunca ouviu uma história sobre os castelos enfeitiçados? A presença de uma força oculta não é apanágio dos dias que correm. Na Antiguidade, os homens da caverna já mantinham contato com o mundo espiritual, denotando que os Espíritos e a mediunidade sempre existiram. J. H. Pires, no livro O Espírito e o Tempo, descreve os vários horizontes alcançados pelo homem, relacionando-os à maneira de se tratar com o sagrado e consequentemente o modo como fomos sendo influenciados pelos Espíritos ao longo de tempo.

Que os Espíritos nos influenciam não resta dúvida. Mas como separar a ideia sugerida pelo Espírito daquela que é nossa? Às vezes eles nos deixam ver claro, quando o fazem através dos ruídos, batidas, ou mesmo tocando-nos; outras vezes são tão sutis que não conseguimos separar uma coisa da outra. É o caso, por exemplo, de se querer distinguir entre a inspiração e a intuição no campo da mediunidade. Na intuição a ideia é da própria pessoa; enquanto na inspiração é o sopro de um Espírito amigo. Temos um pensamento brilhante: ele foi nosso ou de um amigo espiritual? Como assegurarmos com certeza de quem foi?

Somos mais passíveis de receber a influência dos Espíritos inferiores do que a dos Espíritos superiores. Por quê? É que o nosso pensamento, enovelado nos sentimentos sensíveis, não consegue vislumbrar as luzes do mundo mais ditoso. Dado o nosso apego à matéria, os apelos à sensação, ao gozo, à distração são mais fáceis de serem captados. Observe o alcoólatra. Mal levanta, já lhe vem a ideia de beber. É o fenômeno da fixação mental, da ideia fixa, cuja causa inicial foi um descuido, uma abertura de nossa mente para o vício. Depois, enfraquecidos, os Espíritos menos felizes apoderam-se de nossa vontade e dominam-nos sem pena.

Os Espíritos superiores, pelo contrário, não nos molestam e não nos obrigam a fazer isso ou aquilo. Eles simplesmente nos sugerem pensamentos elevados, que se traduzem na prática do bem. Não é, todavia, uma tarefa fácil, porque nos incitam a entrar pela porta estreita, visto ser largo é o caminho da perdição e são muitos os que por ele se desviam. Como somos refratários às sugestões do bem, os Espíritos inferiores tomam a dianteira e assim vamos indo de existência em existência.

Sermos influenciados pelos bons ou maus Espíritos depende muito mais de nós do que imaginamos. Perseverando no bem estaremos naturalmente sendo amparados pelos bons Espíritos. Esforcemo-nos por tal empreendimento.

01 julho 2008

Vida Futura e Espiritismo

Nós, em cada existência terrena, praticamos uma infinidade de atos, com o objetivo de atender às nossas necessidades, tanto físicas quanto espirituais. No meio de nossas alegrias, a morte costuma surgir de forma inesperada. Nesse momento, costumamos indagar: para onde iremos? O que acontecerá além-túmulo? Estaremos melhor ou pior? Continuaremos a existir ou seremos destruídos para sempre?

As expectativas com relação à vida futura dependem de nossa concepção de vida. As religiões exercem grande influência na crença da vida após a morte. A Doutrina Dogmática afirma que o ser sobrevive e conserva a sua individualidade: os maus vão para o Inferno; os bons, para o Céu. A Doutrina Espírita aceita, também, a individualidade da alma, porém sujeita a um progresso ininterrupto. Quer estejamos encarnados, quer desencarnados, estaremos sempre progredindo.

As verdades espirituais existem, independentemente de termos esta ou aquela concepção de mundo. A continuidade da vida após a morte é uma realidade e dela não podemos fugir. A grande surpresa para os indivíduos que cometem o "suicídio" é a de que continuam vivos no mundo dos Espíritos. Fato este, relatado pelos próprios Espíritos, através da mediunidade. Sendo um fato, só nos resta ponderar sobre o seu conteúdo.

A reencarnação, um dos princípios fundamentais do Espiritismo, oferece-nos os meios para entendermos a morte e seus mistérios. A cada nova existência alteramos o teor específico de nossas vibrações mentais. São elas que nos posicionarão no mundo dos Espíritos: se leves e suaves, teremos condições de habitar um mundo mais evoluído; se pesadas e grosseiras, teremos de nos contentar com orbes mais atrasados. Não há privilégios: "A cada um segundo as suas obras", eis a lei.

A morte é a passagem do mundo das formas para o mundo das essências. A paz com a nossa consciência permite-nos um desprendimento suave. O apego à matéria dificulta o desligamento do Espírito do corpo físico. É por isso que os Espíritos superiores estão sempre nos lembrando de nossas mudanças comportamentais: o desapego da matéria, o perdão, o esquecimento da ofensa etc.

Importa estarmos preparados nesse momento crítico de nossa existência física, porque poderemos perceber a coroação de todos os nossos esforços despendidos na prática do bem e das virtudes.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 22 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/vida-futura