14 janeiro 2019

Vedas, Os

Os Vedas - do sânscrito, conhecimento, saber sagrado, ou Livros da Sabedoria, são a mais antiga literatura religiosa da Índia. É base para o bramanismo, hinduísmo e, indiretamente, o budismo. Os primeiros livros surgiram aproximadamente há 1500 a.C. Esses livros representam a fixação escrita dos ensinos orais repetidos ao longo do tempo. Por isso, são também conhecidos por Shruti (ensino oral). Admitiam 33 deuses, divididos em 3 grupos de 11, ocupando o Alto Céu, a Atmosfera e a Terra.

Veda é a sabedoria que se adquire por meio do ouvido, não pelos olhos. Em lugar de "está escrito", usa-se o "está ouvido". As principais coleções de textos podem ser assim divididas: o Rigveda (o livro das orações e dos hinos) [parte mais antiga], o Yajurveda (o livro das fórmulas de consagração), o Samaveda (o livro dos cânticos) e o Atarveda (um livro de encantamentos mágicos e especulação filosófica).

O componente filosófico dos Vedas está contido nos Upanixades. Os Upanixades (sânscr. upanisad, o ato de algo que se senta) são parte das escrituras Shruti hindus, que discutem meditação e filosofia, e que a maioria das escolas do hinduísmo consideram-nos como instruções religiosas. Constituem, também, o principal comentário filosófico original às escrituras hindus. 12 de seus 123 livros são considerados básicos por todos os hinduístas. Vedanta é a escola filosófica hindu interessada em proteger a verdade literal dos Upanixades.

O deus principal dos Vedas é Brama, ao qual associaram uma divindade conservadora (Vixinu) e outra destruidora (Xiva), cuja trindade denominou-se Trimúrti. Desta trindade, originou-se o regime de castas: da cabeça de Brama saíram os brâmanes (sacerdotes e reis); do braço, os xátiras (guerreiros); da coxa, os vaicias (negociantes e industriais) e dos pés, sudras (servidores). Abaixo de todas elas havia ainda a dos párias, que não podiam morar nas cidades, nem manter relações de quaisquer espécies com os membros das demais castas.

O sacrifício tem destaque relevante no Vedismo. Como acreditam que os mortos têm necessidade de alimentos para sobreviver, os deuses também; por isso, com a ajuda do fogo, celebram sacrifícios em seu louvor, e que lhes vertam o soma, licor da imortalidade. O sacrifício mantém os deuses; o sacrifício criou os deuses. Assim, é o ato que criou o ser. Este sacrifício, por meio dos deuses, permite satisfazer os desejos humanos: sobrevivência, longevidade, riqueza, descendência masculina. A salvação é a salvação pelo sacrifício.

Fonte de Consulta

BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. Consultoria da edição brasileira, Danilo Marcondes. Tradução de Desidério Murcho ... et al. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

CHALLAYE, F. As Grandes Religiões. São Paulo: Ibrasa, 1981.

EDIPE - ENCICLOPÉDIA DIDÁTICA DE INFORMAÇÃO E PESQUISA EDUCACIONAL. 3. ed. São Paulo: Iracema, 1987.


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