10 outubro 2020

Alguns Aspectos das Religiões do Brasil

Desde o seu descobrimento, em 1500, o Brasil foi um país oficialmente católico por quatro séculos. Mesmo com sua independência, em 1822, a Igreja católica continuou oficialmente unida ao novo Estado-nação. Somente no final do século XIX, quando a monarquia foi substituída pelo regime republicano, o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Estado. Na constituição de 1891, inscreveu-se a moderna liberdade de culto. Hoje, temos um pluralismo religioso.

Este pluralismo religioso teve como consequência a expansão das igrejas neopentecostais. Daí o Brasil, mais do que um país católico, tornou-se um país cristão. Quer dizer, o recuo do catolicismo não implica o recuo do cristianismo. Quem abandona o catolicismo, adere a outro ramo do cristianismo. Os pentecostais nada mais fazem do que recristianizar os católicos desistentes da sua antiga Igreja.

O catolicismo, apesar de estar perdendo adeptos, abarca 75% da população brasileira adulta. No censo demográfico de 1991, os católicos no Brasil eram 121 milhões. Em segundo lugar vem o protestantismo, com 13% da população, segundo dados de 1994, dividido, desde o início do século XX, em protestantes históricos e pentecostais. Percebe-se, assim, que a maioria (88% da população adulta) dos brasileiros professa o cristianismo.

O protestantismo tem muito a ver com a chegada de imigrantes, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Lembremo-nos dos alemães que vieram ao Brasil em 1824, originando o luteranismo. Ainda hoje, o luteranismo continua sendo a maior das denominações históricas existentes no Brasil. No final do século XIX, já tínhamos todas as denominações clássicas do protestantismo: luteranos; anglicanos, ou episcopais; metodistas; presbiterianos; congregacionalistas, e batistas, 

Nas primeiras décadas do século XX, começaram a chegar as igrejas pentecostais. Os evangélicos pentecostais cresceram rapidamente e, no início da década de 90, pelo menos um décimo dos brasileiros adultos era pentecostal (10%), ao passo que os protestantes históricos representavam apenas 3% desses brasileiros. Eis algumas de suas igrejas: Assembleia de Deus, Igreja Pentecostal o Brasil para Cristo, Igreja Universal do Reino de Deus, Deus é Amor, Renascer em Cristo.

Fora do campo propriamente cristão, temos o espiritismo, e o conjunto da religiões afro-brasileiras. Há, também, as religiões não cristãs menos representadas no Brasil em número de seguidores: o judaísmo, o islã, o budismo, o Hare Krishna, o xintoísmo e outros cultos vindos do Japão e da Coréia: Seicho-No-Iê, Soka Gakkai, Igreja Messiânica, Perfect Liberty etc.

Destaque especial para a umbanda, que surgiu na década de 1920, no Rio de Janeiro, como sendo uma religião genuinamente brasileira. Além do fato de ter nascida no Brasil, a umbanda também pode ser dita "religião brasileira" porque é a resultante de um encontro histórico: o encontro cultural de diversas crenças e tradições religiosas africanas com as formas populares de catolicismo, mais o sincretismo hindu-cristão trazido pelo espiritismo de origem europeia.

Fonte de Consulta

GAARDER, Jostein, HELLERN, Victor, NOTAKER, Henry. O Livro das Religiões. Tradução Ilsa Mara Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

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