29 dezembro 2022

Joana d’Arc

Baseando-nos no livro Joana d’Arc Médium, de Léon Denis, anotamos alguns dados biográficos deste Espírito, encarnado na França, durante o período da Guerra dos 100 Anos, entre França e Inglaterra.

No momento em que Joana d'Arc vai aparecer na cena da História, a França era um país curvado ao poderio inglês. Não era propriamente um país como hoje é conhecido. Constituía-se de vários feudos.

Joana d’Arc nasceu em 1412, numa aldeia ignorada até então, que se tornaria célebre e célebre faria Domremy. Filha de pobres lavradores, aprendeu a fiar a lã junto com sua mãe e guardava o rebanho de ovelhas. Teve três irmãos e uma irmã. Não aprendeu a ler, nem a escrever, pois cedo o trabalho lhe absorveu as horas.

Como a aldeia era afastada, somente tomou contato com os horrores da guerra, quando as tropas inglesas se aproximaram e toda a família precisou fugir e se esconder.

Aos 12 anos começou a ter visões. A figura que ela divisou, identificou como sendo a do arcanjo São Miguel. As duas mensageiras espirituais que o acompanhavam, como Catarina e Margarida, santas conforme a Igreja que ela frequentava.

Impulsionada pelas supostas vozes, Joana d'Arc acreditava que tinha duas missões. Uma era salvar sua terra, a França, e a outra era libertar a cidade de Orleans e fazer com que o Carlos VII fosse coroado rei. Durante 4 anos ela hesitou e a história de suas visões começou a se espalhar. Ao alvorecer de um dia de inverno, ela se levanta, prepara uma ligeira bagagem, e parte para a sua nobre misão.

Joana d'Arc  foi condenada pela Igreja por prática de feitiçaria. O objetivo era provar que Joana era uma enviada do demônio. Consequentemente, se desmoralizaria o rei Carlos VII. Afinal, que espécie de rei era aquele que se deixara enganar por uma bruxa?

Durante 6 meses ela é submetida a uma verdadeira tortura moral. Os interrogatórios são longos, cansativos. A execução se dá no dia 30 de maio de 1431. Seu cabelo foi raspado. Ela é atada a um poste e a fogueira é acesa. Quando as chamas a envolvem e lhe mordem as carnes, ela exclama: "Sim, minhas vozes eram de Deus! Minhas vozes não me enganaram."

A morte de joana d'Arc era a prova inequívoca da mediunidade que lhe guiara a trajetória terrena. No capítulo XXXI de O livro dos médiuns, vindo a lume no ano de 1861, quando o Codificador reúne Dissertações Espíritas, confere à de Joana D'Arc o número 12, onde ela se dirige aos médiuns, em especial, concitando-os ao exercício do mediunato.

Segundo o Espírito Humberto de Campos, pelo médium Chico Xavier, a última reencarnação de Judas Iscariotes na Terra foi da conhecida heroína francesa Joana d'Arc, queimada nas fogueiras inquisitoriais do século XV, conforme mensagem apresentada no livro Crônicas de Além Túmulo.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/joana-darc

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Depois dos vários dias e das várias perguntas sobre as vozes que ouvia, e com o veredicto de morte pelo fogo, disse: "Viver sem fé é mais terrível que o fogo, mais terrível que morrer jovem. Não tenho mais nada a fazer aqui." (Do filme Joana d'Arc, de 1948)




28 dezembro 2022

O Bem e o Mal

“O Bem e o Mal” refere-se ao capítulo III, do livro A Gênese, de Allan Kardec. Abaixo, fizemos um pequeno resumo:

Origem do mal. O mal não pode ter origem em Deus, que é todo bondade, todo sabedoria, todo justiça. O que é infinitamente justo não pode produzir injustiça.

Satanás. Se houvesse tal entidade, ela seria igual a Deus ou lhe seria inferior. No primeiro caso, haveria duas potências em luta; no segundo, esta entidade lhe seria inferior, portanto, ser-lhe-ia subordinada. Consequentemente, Deus teria criado o Espírito do mal, o que seria a negação da infinita bondade.

Causa do mal. Há duas espécies de mal: o que podemos evitar e o que é independente de nossa vontade. Dada a limitação do nosso conhecimento, não conseguimos vislumbrar o conjunto da obra de Deus, e consideramos as coisas más e injustas que, sob outro ponto de vista, seriam totalmente boas e justas.

Flagelos naturais. O ser humano, usando a sua inteligência, e tendo a grande ajuda da ciência, consegue prever alguns flagelos naturais. Com isso, pode ajudar a minorar o mal que tal flagelo poderia causar à humanidade.  

Utilidade dos males. Incitamento à pesquisa dos meios de subtrair esses males, o que é um grande exercício para sua inteligência e de todas as suas faculdades físicas e morais.  "A dor é o aguilhão que empurra o homem para a frente na via do progresso".

Males mais numerosos. São aqueles que o homem criou para si mesmo, por seus próprios vícios, aqueles que provêm de seu orgulho, de seu egoísmo, de sua ambição, de sua cobiça, de seus excessos em todas as coisas.

“Deus estabeleceu leis cheias de sabedoria, as quais não têm outra finalidade senão o bem; o homem encontra em si mesmo tudo o que é necessário para segui-las; seu caminho é traçado por sua consciência; a lei divina está gravada em seu coração; e além disso, Deus as faz lembrar sem cessar, por seus messias e seus profetas, por todos os Espíritos encarnados que receberam a missão de esclarecê-lo, moralizá-lo, aperfeiçoá-lo, e nestes últimos tempos, pela multidão de Espíritos desencarnados que se manifestam em todos os lugares. Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não é duvidoso que evitaria os males mais amargos, e que viveria feliz sobre a terra. Se não o faz, é em virtude de seu livre-arbítrio, e disso ele sofre as consequências”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, ns. 4, 5, e 6 e seguintes).

Remédio o mal proporciona. Chega um momento em que o excesso do mal torna-se intolerável e obriga o homem mudar o seu caminho. Consequentemente, será obrigado a procurar um remédio no bem.

O mal é a ausência do bem. Onde o bem não existe, forçosamente há a presença do mal. Deixar de praticar o mal já é fazer o bem. "Deus não quer senão o bem; o mal provém unicamente do homem".

Sobre as imperfeiçoes do homem. De acordo com o seu livre-arbítrio, o homem não é levado nem ao bem nem ao mal. Deus quis que, pelas suas escolhas, fosse progredindo entre erros e acertos até atingir a perfeição, que é o seu ponto de chegada.

A função das paixões. No começo da jornada espiritual, tem mais necessidades materiais. Conforme o tempo vai passando, passa a ter necessidades intelectuais e morais. "O que outrora era um bem, porque era uma necessidade de sua natureza, torna-se um mal, não somente porque não é mais uma necessidade, mas porque tal se torna nocivo à espiritualização do ser".

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/bem-e-o-mal-o



26 dezembro 2022

Espiritismo entre os Druidas, O

Baseado num texto céltico, que não se sabe a autoria, cuja aparição causou uma certa emoção no mundo sábio.

Na leitura do tema “O Espiritismo entre os Druidas”, contido na edição de abril de 1858, da Revista Espírita, de Allan Kardec, anotamos os seguintes tópicos:

Ponto de partida. Há, em toda parte traços da Doutrina Espírita, ou seja, da universalidade da doutrina que os Espíritos nos ensinam. Coube à época de Kardec coordenar esses fragmentos esparsos entre todos os povos, para chegar à unidade de princípios.

Desfiguração da doutrina dos druidas. A ignorância e os preconceitos contribuíram para essa desfiguração. Acabamos conhecendo a doutrina druida somente pelos seus aspectos exteriores, tais como, sacrifícios sangrentos e culto sagrado ao carvalho. Contudo, elevava-se, sob certos aspectos, até as mais sublimes verdades; mas essas verdades eram apenas para os seus iniciados.

Mesmo convertido ao cristianismo, o druidismo não se extinguiu por completo. Os druidas tiveram uma sociedade solidamente constituída, voltada principalmente, em aparência, ao culto da poesia nacional, mas que, sob o manto poético, conservou com fidelidade notável a herança intelectual da antiga Gaule.

As tríades. Os desenvolvimentos contidos nas tríades estariam fora do cristianismo. Sabe-se que os druidas tinham uma predileção particular pelo número três, e o empregavam especialmente, assim como no-lo mostram a maioria dos monumentos gauleses.

Distribuição da tríades. As onze primeiras estão consagradas à exposição dos atributos característicos da Divindade. Em seguida aos princípios gerais, relativos à natureza de Deus, o texto passa a expor a constituição do Universo.

Resumo da teologia druida. As almas nascem no fundo do Universo, no abismo (annoufn); daí, essas almas passam no círculo de migrações (abred), onde seu destino se determina através de uma série de existências, conforme o uso bom ou mau que fizerem da sua liberdade; enfim, elas se elevam ao círculo supremo (gwynfyd), onde as migrações cessam.

Traço característico dessa teologia. Consiste na ausência de um círculo particular, tal qual o Tártaro da antiguidade pagã, destinado à punição sem fim das almas criminosas.

Pontos de contato com o espiritismo. No espiritismo, temos a escala espírita, com suas ordens e classes. Há grande semelhança com os círculos Cegant, Gwynfyd e Abred da escala druida.

Lembrete: o druidismo admite o possível retorno às camadas inferiores, enquanto o Espírito, conforme o Espiritismo, pode permanecer estacionário, mas não pode degenerar. 


25 dezembro 2022

Cristo e Nós

“E disse-lhe o Senhor em visão: — Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor!” — (Atos, 9:10.)

“Cristo e Nós” refere-se ao capítulo 17 do livro Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

Algumas notas deste capítulo:

Espera recíproca. Nós esperamos por Jesus e Jesus espera igualmente de nós. Nesse sentido, cada um de seus discípulos deve sincronizar o seu desejo com o desejo do mestre Jesus, para que o Evangelho possa ser disseminado no seio da humanidade.

Redenção do mundo. Nada ocorre ao acaso, sem esforço, sem trabalho. Não podemos vislumbrar um mundo redimido sem que os seus habitantes estejam redimidos.

Início do trabalho de redenção. Jesus buscou primeiramente Pedro e André; depois, formou uma assembleia de 12 apóstolos, que foram se multiplicando ao longo do tempo. Nós também podemos fazer parte desse exército, desde que nos disponhamos a seguir os seus ensinamentos.

Insistência do mestre em nossa conversão. A redenção procede do Alto, mas não se concretizará sem mãos e braços fortes para levar adiante os apelos de evangelização de todas as criaturas.

O papel de Ananias na divulgação da Boa-Nova. Depois da queda de Paulo no caminho de Damasco, foi necessário que Ananias lhe tirasse a cegueira dos olhos, a fim de que se convertesse num verdadeiro divulgador da mensagem de Cristo.

Assistência pessoal do mestre ao Paulo. Esta assistência mostra que a Humanidade não pode iluminar-se e progredir sem o Cristo. Por esta razão, o Cristo não dispensa os homens na obra de soerguimento e sublimação do mundo.

Principais afirmativas do mestre. “Ide e pregai”, “Eis que vos mando”, “Resplandeça a vossa luz diante dos homens”, “A Seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros”... Essas afirmativas mostram a importância que Jesus dava à contribuição humana.

Ideia condensada. Cristianismo significa Cristo e nós.

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/cristo-e-n%C3%B3s

 

22 novembro 2022

Sobre a Preguiça

De acordo com o Dicionário de Ética de Stanley J. Grenz e Jay T. Smith, a preguiça é um vício — tanto na ética grega antiga quanto na ética cristã — caracterizado pela aversão ao esforço, pela indolência ou pela falta de entusiasmo. Foi classificada como um dos sete pecados capitais, ao lado da Soberba, Avareza, Luxúria, Inveja, Gula e Ira. 

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O Espírito Humberto de Campos (Irmão X), no capítulo 22 (“O Remédio à Preguiça”), do livro Reportagens de Além-Túmulo, psicografado por Francisco Cândido Xavier, relata a história de Januário Pedroso, preguiçoso nato.

Januário Pedroso era funcionário público, cuja tarefa era a de orientar o trabalho de pecuaristas e lavradores. Até conseguir essa posição, fez todos os esforços possíveis; depois, sob a égide de que funcionário público não faz nada, limitava-se a assinar o ponto, ficando o resto do tempo sentado em sua escrivaninha. O seu superior fez de tudo para tirá-lo da inércia. Mandou-o para o Norte, o Sul, o Oeste e o Leste do país. Mas nada disso foi suficiente para alterar-lhe o ânimo.

Desencarnou e ficou algum tempo nas trevas. Pediu auxílio aos mentores espirituais. Estes lhe disseram que “contra a preguiça, diligência”. Agora, porém, não estamos na esfera do Globo. Você está enfermo e precisa remédio. A senha há de ser diferente...

"— Como? — interrogou o infeliz, aterrado.

O magnânimo orientador dirigiu-lhe significativo olhar e perguntou:

— Que indicava você, na qualidade de servidor do campo, quando o fogo invadia a pastagem?

Pedroso, embora intrigado, respondeu:

— Aconselhava o contra fogo.

O generoso amigo esboçou um gesto de bondade tranquila e esclareceu:

— Tenho de partir do mesmo princípio. A ociosidade invadiu sua vida. Contra a sua preguiça devo receitar a imobilidade. Para que aprenda a estimar o trabalho e a criar o sublime desejo de movimentação no mundo, você renascerá paralítico".

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Para Libertar-nos

A preguiça conserva a cabeça desocupada e as mãos ociosas.

A cabeça desocupada e as mãos ociosas encontram a desordem.

A desordem cai no tempo sem disciplina.

O tempo sem disciplina vai para a invigilância.

A invigilância patrocina a conversação sem proveito.

A conversação sem proveito entretece as sombras da cegueira de espírito.

A cegueira de espírito promove o desequilíbrio.

O desequilíbrio atrai o orgulho.

O orgulho alimenta a vaidade.

A vaidade agrava a preguiça.

Como é fácil de perceber, a preguiça é suscetível de desencadear todos os males, qual a treva que é capaz de induzir a todos os erros.

Compreendamos, assim, que obsessão, loucura, pessimismo, delinquência ou enfermidade podem aparecer por autênticas fecundações da ociosidade intoxicando a mente e arruinando a vida.

E reconheçamos, de igual modo, que o primeiro passo para libertar-nos da inércia será sempre: trabalhar.

Emmanuel

Lição 21 do livro Passos da Vida, de Francisco Cândido Xavier, pelos Espíritos Diversos. 

...

O espírita deve ser "calmo, mas não tão sossegado que se afogue em preguiça". (Capítulo 7 de Opinião Espírita)

"Existe muita preguiça mascarada de dúvida, existindo até mesmo o médium cuja mediunidade todos reconhecem, prezam e valorizam, menos ele..." (Capítulo 17 de Opinião Espírita)

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O Preço da Preguiça

Havia um sábio que não poupava esforços para ensinar bons hábitos a seu povo. Frequentemente fazia coisas que pareciam estranhas e inúteis; mas tudo o que fazia era para ensinar o povo a ser trabalhador e cauteloso. Ele dizia:

— Nada de bom pode vir a uma nação cujo povo reclama e espera que outros resolvam seus problemas. Deus dá as coisas boas da vida a quem lida com os problemas por conta própria.

Uma noite, enquanto todos dormiam, ele pôs uma enorme pedra na estrada. Depois foi se esconder atrás de uma cerca e esperou para ver o que acontecia. Primeiro, veio um fazendeiro com uma carroça carregada de sementes que levava para moagem na usina.

— Quem já viu tamanho destino? — disse ele contrariado, enquanto desviava sua parelha e contornava a pedra — Por que esses preguiçosos não mandam retirar essa pedra da estrada? E continuou reclamando da inutilidade dos outros, mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.

Logo depois, um jovem soldado veio cantando pela estrada. Ele pensava na maravilhosa coragem que mostraria na guerra e não viu a pedra. Tropeçou nela e se estatelou no chão poeirento. Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa, pegou a espada e enfureceu-se com os preguiçosos que insensatamente haviam largado uma pedra imensa na estrada. Ele também se afastou, sem pensar uma única vez que ele próprio poderia retirar a pedra. Assim correu o dia. Todos que por ali passavam reclamavam e resmungavam por causa da pedra colocada na estrada, mas ninguém a tocava.

Finalmente, ao cair da noite, a filha do moleiro por lá passou. Era muito trabalhadeira e estava cansada, pois desde cedo andava ocupada no moinho. Mas disse a si mesma:

“Já está quase escurecendo, alguém pode tropeçar nesta pedra à noite e se ferir gravemente. Vou tirá-la do caminho.”

E tentou arrastar dali a pedra. Era muito pesada, mas a moça empurrou, empurrou, puxou e inclinou a pedra, até que conseguiu retirá-la do lugar. Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra. Ergueu-a. Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa. Havia na tampa os seguintes dizeres:

“Esta caixa pertence a quem retirar a pedra.”

Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro. A filha do moleiro foi para casa com o coração feliz. Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros ouviram o que havia ocorrido, juntaram-se em torno do local na estrada onde a pedra estava. Revolveram o pó da estrada com os pés, na esperança de encontrar um pedaço de ouro.

Então, o sábio disse:

— Meus amigos, com frequência encontramos obstáculos e fardos no caminho. Podemos reclamar em alto e bom som enquanto nos desviamos deles se assim preferirmos, ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam. A decepção é normalmente o preço da preguiça.

Rangel, Alexandre. As mais belas parábolas de todos os tempos. Belo Horizonte, MG: Editora Leitura, 2002.



01 novembro 2022

Perda de Pessoas Amadas e Mortes Prematuras

Este tema está inserido no capítulo V “Bem-Aventurados os Aflitos”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Os subtítulos são: justiça das aflições, causas atuais das aflições, causas anteriores das aflições, esquecimento do passado, entre outros. Refere-se às instruções dos Espíritos.  

Perda. No sentido da Doutrina Espírita, não perdemos o ente querido; despedimo-nos momentaneamente. A perda é física, não moral ou espiritual.

Todos os sofrimentos — misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados — encontram consolação em a fé no futuro. Os dizeres sobre a morte de alguém que não gostamos muito, como por exemplo, “já foi tarde”, “fiquei livre de tal pessoa” e “vai colher o que plantou” não caem bem no âmago da Doutrina Espírita, pois ela, além de consoladora, dá-nos a dimensão da justiça divina.  

As mortes prematuras fazem-nos refletir sobre a relação entre a idade física e a idade espiritual. Pensamos: Deus levou um jovem, mas deveria levar um velho. O jovem tem um futuro pela frente; o velho já viveu bastante, vai dar trabalho aos que ficam. E os desígnios de Deus? Como detectar a sua justiça?

O lado visível é claro: Deus levou uma pessoa em tenra idade. E o lado invisível? Como interpretar os designíos do Criador? Em tudo, Ele sabe melhor do que nós o que é importante. Vamos imaginar um jovem que se enveredou pelo crime e pelo vício. Sua partida precipitada pode diminuir a sua carga de débitos em seu passivo perispiritual.

A parte e o todo. Diz-se que aquilo que é bom para a parte pode não ser bom para o todo. Podemos também pensar o seguinte: aquilo que é ruim para a parte pode ser bom para o todo. Retirando do mundo um delinquente, o mundo como um todo terá necessariamente menos crimes cometidos. 

Digno de nota é a resignação com que os espíritas aceitam a desencarnação de seus entes queridos, familiares e amigos. Isso pode causar uma impressão profunda naqueles que não estão identificados com a consoladora Doutrina dos Espíritos. 

O espírita aceita a desencarnação como um imperativo biológico-espiritual próprio da existência humana. Sofre, como os demais, mas procura se esforçar, amparado na convicção doutrinária, refugiado no consolo evangélico, no sentido de aceitar, tanto quanto possível valorosamente, as separações. 

A justiça humana tem um limite; a divina, não. Cabe-nos tentar ampliar o nosso modo de pensar, a fim de penetrar cada vez mais na essência da Sabedoria Divina, que é a verdade.

 

 

26 setembro 2022

Soler, Amalia Domingo

Amália Domingo Soler (1835-1909) foi uma escritora, costureira e grande expoente do movimento espírita espanhol. Com oito dias de idade, e durante três meses, ficou cega, tendo sido curada por um farmacêutico. Quando tinha 10 anos de idade começou a escrever poesias. Aos 18 anos, publicou seus primeiros versos. Aos 25 anos de idade, e com a falecimento de sua mãe, passou muitas dificuldades, inclusive ficando cega. Certo dia, o médico que cuidava de seus olhos — um materialista — falou-lhe de uns "loucos", os espiritistas, que procuram explicar todas as dores, e prometeu-lhe trazer um jornal que recebia "El Critério". Na simples leitura do jornal, Amália identificou-se com os ensinamentos espíritas. Interessou-se, em seguida, pelas obras de Kardec.

Certa manhã, sentiu uma sensação estranha e dolorosa na cabeça, como se estivesse cheia de neve. Daí a instantes, ouviu uma voz que lhe dizia: Luz!... Luz!... e recobrou, quase que inteiramente, a visão. Depois, passou a escrever e enviar o material para a redação do "El Critério" que foi publicada e, também, para o jornal "La Revelación" que, além de publicá-la, ofereceu-lhe suas colunas para que escrevesse a respeito do Espiritismo.

Começou a frequentar a Sociedade Espiritista Espanhola, onde se fez querida e apreciada. A 4 de abril de 1874, quando a sociedade comemorava o aniversário de Allan Kardec, Amália foi convidada a declamar uma poesia, que ela própria escrevera, intitulada "A Ia memória de Allan Kardec". Tanto foi seu sucesso que, daí para diante, participou de muitos trabalhos da Sociedade.

Trabalhava de dia e escrevia à noite. Muitos jornais espíritas passaram a reclamar sua colaboração. Foi Fernandes Colavida quem lhe presenteou com a coleção completa das obras de Kardec, em cujos ensinos, desde os primeiros dias, orientou seus trabalhos.

Convidada a ir para Alicante, os membros da sociedade espiritista, quiseram tomá-la sob sua proteção para que dedicasse todo o seu tempo ao Espiritismo. Amália abominou a ideia de viver às custas da Doutrina. Queria ganhar o próprio sustento apesar da cegueira que a ameaçava, pois, costurando consumia seus olhos no trabalho.

Para mais informações, leia abaixo o texto copiado do livro "Reencarnação e Vida", de sua autoria. 

Breve nota biográfica

Amália Domingo Soler nasceu em Sevilha, aos 10 de dezembro de 1835.

Com oito dias de idade, e durante três meses, ficou cega, tendo sido curada por um farmacêutico.

Quando tinha 10 anos de idade começou a escrever poesias.

Aos 18 anos, publicou seus primeiros versos.

Contava 25 anos quando faleceu sua genitora, deixando-a só no mundo. Educada e tratada como uma princesa, daí para frente abriu-se-lhe uma estrada de sofrimentos. Quando escassearam suas posses, os parentes, que a alimentaram provisoriamente, sugeriram seu ingresso num convento, o que repeliu de pronto. Depois, tentaram convencê-la a casar-se com um velho abastado, solução que também não aceitou.

Preferiu ganhar a própria vida, costurando e escrevendo, e como em Madrid teria melhor paga, mudou-se para lá.

Mas, trabalhando dia e noite, seus olhos não suportaram a tarefa, e em pouco tempo, viu-se quase cega. Impedida de ganhar o seu sustento, ia procurar, nas casas das senhoras que lhe davam serviço, o que comer. Desesperada, vagou pelos templos católicos e protestantes procurando uma mensagem que a consolasse. Sua situação piorava dia a dia. Chegou a ir buscar sua sopa em uma instituição que atendia os mendigos.

O médico que cuidava de seus olhos — um materialista — certo dia falou-lhe de uns "loucos", os espiritistas, que procuram explicar todas as dores, e prometeu-lhe trazer um jornal que recebia "El Critério". Na simples leitura do jornal, Amália identificou-se com os ensinamentos espíritas.

Passou a procurar uma família de espíritas que tivesse as obras de Kardec e, apesar de sua semi-cegueira, leu-as afanosamente ganhando uma convicção absoluta.

Certa manhã, sentiu uma sensação estranha e dolorosa na cabeça, como se estivesse cheia de neve. Daí a instantes, ouviu uma voz que lhe dizia: Luz!. . . Luz!. . . e recobrou, quase que inteiramente, a visão.

Principiou, então, a escrever. Mandou uma poesia para a redação do "El Critério" que foi publicada. Mandou outra para o jornal "La Revelación" que, além de publicá-la, ofereceu-lhe suas colunas para que escrevesse a respeito do Espiritismo.

Seu primeiro artigo sobre matéria doutrinária, foi publicado pelo "El Critério", em seu número 9 e na primeira página, em 1872 — há cem anos, portanto — e se intitulava "A Fé Espírita".

Começou a frequentar a Sociedade Espiritista Espanhola, onde se fez querida e apreciada. A 4 de abril de 1874, quando a sociedade comemorava o aniversário de Allan Kardec, Amália foi convidada a declamar uma poesia, que ela própria escrevera, intitulada "A Ia memória de Allan Kardec". Tanto foi seu sucesso que, daí para diante, participou de muitos trabalhos da Sociedade.

Trabalhava de dia e escrevia à noite. Muitos jornais espíritas passaram a reclamar sua colaboração.

Foi Fernandes Colavida quem lhe presenteou com a coleção completa das obras de Kardec, em cujos ensinos, desde os primeiros dias, orientou seus trabalhos.

Convidada a ir para Alicante, os membros da sociedade espiritista, quiseram tomá-la sob sua proteção para que dedicasse todo o seu tempo ao Espiritismo. Amália abominou a ideia de viver às custas da Doutrina. Queria ganhar o próprio sustento apesar da cegueira que a ameaçava, pois, costurando consumia seus olhos no trabalho.

De Alicante foi para Múrcia onde os espíritas a receberam de braços abertos. Permaneceu ali 4 meses convalescendo de uma enfermidade. Como em Múrcia havia pouco trabalho para ela, em fevereiro de 1876 voltou para Madrid.

A 20 de junho de 1876, convidada pelo Circulo "La Buena Nueva", foi para Barcelona. Quis iniciar seu trabalho de costureira, mas o Presidente do Círculo, Luís Llach profetizou-lhe que em 3 meses ficaria cega; se escrevesse, no entanto, para o Espiritismo teria a visão pelo resto dos seus dias. Amália não se submeteu e, ao cabo de 3 meses, quase não podia ver.

A 10 de agosto de 1876, mudou-se para a casa de Luís. Convencida da sua desvalia dedicou-se a escrever para os jornais espíritas. Luís a estimulava continuamente e foi esse homem generoso que se erigiu em seu protetor, quem a impulsionou no trabalho doutrinário.

Frequentava o Círculo, nessa época Miguel Vives e, através da sua mediunidade, Amália recebeu extensa e terna comunicação do Espírito de sua mãe, cujas palavras levantaram decididamente seu ânimo.

Em breve, revelou-se no Círculo um médium sonâmbulo notável, Eudaldo, que se tornou companheiro dedicado de Amália e recebeu grande número das mensagens contidas neste volume.

Em fins de agosto de 1877, Luís Llach pediu-lhe que contestasse um artigo publicado pelo "Diário de Barcelona" com o nome de "El mundo de los Espíritus" em que se ridicularizava o Espiritismo chamando-o de "Monstruosidade".

Amália iniciou a polêmica com a réplica publicada pela "Gaceta de Cataluna".

Em abril de 1878, instada por Luís, Amália rebateu as críticas ao Espiritismo feitas por Manuel Lasarte e publicadas pelo "Ateneo Libre".

Em novembro de 1878, o orador católico Vicente de Manterola iniciou uma série de conferências combatendo a Doutrina. Amália ia assistir a essas conferências e refutava seus argumentos pela "Gaceta de Cataluna".

Ao iniciar o ano de 1879, Manterola publicou "El Satanismo o sea, Ia Cátedra de Satanás, combatida desde Ia Cátedra dei Espíritu Santo — Refutación de los errores de Ia Escuela Espiritista". Em 5 de março, Amália começou a refutar sua obra, o que fez em 46 artigos. Esses artigos, e os anteriores, foram enfeixados pelo editor Juan Torrents que publicou um livro intitulado "El Espiritismo refutando los errores dei Catolicismo".

Luís Llach e Juan Torrents convenceram Amália a dirigir um jornal espírita, que pretendiam fundar e, a 22 de maio de 1879, saiu o primeiro número de "La Luz dei Porvenir". A edição foi denunciada tendo em vista um artigo redigido por Amália sob o título de "La idea de Dios", sendo a publicação suspensa por 42 semanas. Todavia, a 12 de junho, saía a publicação de um novo jornal "El eco de Ia Verdad", que publicou 26 números, até o reaparecimento de "La Luz dei Porvenir" a 11 de dezembro. Desde então, o "Luz" foi a grande seara de trabalho da notável pioneira do Espiritismo espanhol.

A 9 de maio de 1879, pela primeira vez, se manifesta seu guia espiritual — Padre Germano — através da mediunidade de Eudaldo, estimulando-a a prosseguir sem desfalecimento.

Em julho de 1880, Luís entregou a Amália 3 volumes de conferências pronunciadas pelo padre Lianas, que foram refutadas em 15 artigos publicados pelo "La Luz dei Porvenir" e transcritos pela "Gaceta de Cataluna".

Em março de 1884, o padre Sallarés deu, na Catedral de Barcelona uma série de conferências contra o Espiritismo, e Amália combateu seus argumentos em 10 artigos publicados pelo "Luz" e por "El Dilúvio".

Em fevereiro de 1885, o jesuíta padre Fita falou na Catedral de Barcelona sobre o Espiritismo e através do "Luz" Amália o refutou em 9 artigos que foram transcritos por "El Dilúvio".

Quando a mediunidade de Eudaldo eclipsou-se, foi ao seu encontro uma amiga — Maria — cujos dons mediúnicos desabrochavam que se ofereceu para trabalhar com ela. Através da sua mediunidade, recebeu muitas das páginas enfeixadas neste livro.

Amália era médium inspirada e, na leitura deste volume, pode-se identificar, com facilidade, os trabalhos que foram recebidos por ela mesma.

Até os últimos dias, a grande missionária viveu a braços com enfermidades redentoras e, principalmente, com a cegueira, que foi sua provação maior.

Os dados que anotamos foram retirados das "Memórias" que escreveu em vida. Depois de desencarnada, em 10 de julho de 1912, por intermédio da médium Maria, completou suas memórias narrando suas angústias e sofrimentos, sua certeza e sua luta.

Amália Domingo Soler, a quem todos nós espíritas devemos uma existência inteira dedicada ao trabalho de iluminação da Humanidade, desencarnou na madrugada de 29 de abril de 1909, quando contava 73 anos de idade. 





16 setembro 2022

Arigó e a Mediunidade

Com o lançamento do filme “Predestinado: Arigó e o Espírito Dr. Fritz”, a leitura do livro Arigó: Vida, Mediunidade e Martírio, do professor José Herculano Pires, tornou-se oportuna, em virtude de o autor ter convivido com o médium, onde pode obter informações valiosas para a estruturação do livro.

As matérias do livro estão divididas em três partes, a saber: Parte I — O Impacto Arigó: vida, mediunidade e martírio; Parte II — Arigó e o Paranormal: benzedura, mitologia, situação social...; Parte III — Depoimentos Médicos: especialista, professor de cirurgia, indivíduo metérgico...

Logo no início do livro diz: “É preciso deixar bem claro para o leitor, seja ele espírita, católico, protestante, livre-pensador, materialista ou de qualquer outra posição ideológica, que o caso Arigó não é religioso. Tem, naturalmente, o seu aspecto religioso, mas o seu ponto central, o seu interesse fundamental é o desafio que ele lança aos meios científicos”.

Um fato importante: José Pedro de Freitas, vulgo Arigó, era um homem simples, cuja religião era o catolicismo. Somente depois, se tornou espírita.

No capítulo VIII da terceira parte, "Balanço do Caso Arigó", faz um resumo daquilo que viu e ouviu, ou seja, do que pode observar pessoalmente em Congonhas e colher nos depoimentos médicos. 

Eis os relatos: 

a) Balanço dos fenômenos

Fazendo um rápido balanço dos fenômenos relatados pelos médicos que ouvimos, chegamos a estas conclusões:

1. Arigó age em estado de transe, pronunciando frases em alemão e falando português com sotaque alemão. Condição verificada por nós e confirmada por todos os médicos que ouvimos, embora alguns não possam afirmar que as frases estranhas sejam exatamente de alemão por não conhecerem suficientemente essa língua.

2. Arigó age de maneira ríspida, não procurando agradar ninguém, nem mesmo os que declinam sua qualidade de médico. Não procura clientela e nem mostra desejo de conservá-la.

3. As intervenções — tanto as operações quanto os chamados exames à ponta de faca — são feitas sem anestesia, sem assepsia, sem qualquer cuidado pré-operatório, sem ação hipnótica, aplicação de técnica letárgica, de acupuntura, de kuatsu, sem instrumentos ou ambientes adequados. Os pacientes não acusam dor e se mostram conscientes durante o ato, respondendo a perguntas.

4. Os diagnósticos são feitos por meio extrassensorial, inclusive à distância. Aos pacientes presentes Arigó geralmente pergunta o que sofrem, mas receita enquanto falam e muitas vezes corrige os doentes. De outras vezes receita para uma moléstia corriqueira de que o doente se queixa, mas acusa aos familiares e a outras pessoas a presença de câncer, realmente existente.

5. Os diagnósticos, as receitas e as operações são efetuados com extrema rapidez. O médico Ary Lex cronometrou a extração de um quisto sinovial realizado em trinta segundos. Verificamos pessoalmente no trabalho de consultas a média de uma receita por minuto.

6. Arigó deixa a faca ou o bisturi pendurado nos olhos do paciente, depois de enfiá-los entre o globo ocular e a pálpebra, na direção da arcada superciliar. Move a faca ou o bisturi na região ocular sem o menor cuidado, com violência, voltando o rosto para outro lado e sem provocar ferimentos. Produz com a faca a protrusão do globo ocular. Na presença do médico Elias Boainain deixou o bisturi e a faca pendurados, ao mesmo tempo, num único olho do paciente.

7. Arigó produz a hemostasia e a coagulação do sangue por meio de ordens verbais ou simples aplicação de pequenas mechas de algodão. Na presença da médica Maria de Lourdes Pedroso fez o sangue parar na curva do maxilar do paciente, no momento exato em que devia escorrer pelo pescoço.

8. Arigó identifica pessoas entre o povo, inclusive médicos que pretendiam observar anonimamente os fenômenos, como ocorreu com a médica psiquiatra referida no item acima.

9. Arigó limpa a faca ou o bisturi nas mãos dos circunstantes ou em suas roupas e depõe nas suas mãos as peças anatômicas extraídas. Na presença da psiquiatra acima referida limpou o bisturi na blusa de uma moça e a blusa não ficou suja, embora o bisturi ficasse limpo.

10. Arigó produziu na presença do médico José Hortêncio de Medeiros Sobrinho a cicatrização imediata de uma incisão para extração de quisto sinovial, deixando no lugar "apenas uma leve cicatriz."

Todos esses fenômenos são de natureza evidentemente paranormal, testemunhados pelos médicos e por milhares de pessoas de todos os graus de cultura que têm ido à procura do sensitivo. Outros fenômenos, como o aparecimento de líquidos em mechas de algodão, nas mãos de Arigó ou de pessoas que o ajudam, inclusive médicos, e o movimento de instrumentos cirúrgicos sem contato do médium, são relatados por centenas de pessoas.

b) Balanço das operações

As operações relatadas pelos médicos que depuseram nesta série foram as seguintes:

1. Pterígio, nos depoimentos do oftamologista e cirurgião ocular Sérgio Valle, que citou como testemunha o seu colega Peri Alves Campos; do especialista em cirurgia geral, Ary Lex; da psiquiatra Maria de Lourdes Pedroso.

2. Catarata, no depoimento do cardiologista José Hortêncio de Medeiros Sobrinho, que mencionou uma técnica de raspagem. O médico Ladeira Marques, do Rio, na citação que fizemos, refere-se à extração do cristalino. Essa contradição aparece em numerosos relatos, parecendo que Arigó emprega duas técnicas diferentes, em ocasiões diversas. Ouvimos de uma jovem oculista a acusação de que Arigó usa uma técnica de raspagem, empurrando o cristalino de maneira perigosa, para dentro da órbita, segundo um velho processo chinês. Este é um caso curioso a ser esclarecido.

3. Sinusite, com perfuração do assoalho do seio frontal, no depoimento da psiquiatra Maria de Lourdes Pedroso, confirmando um dos episódios do relato de nossas observações pessoais.

4. Quisto sinovial, drenagem sem fechamento do corte, no depoimento do cirurgião Ary Lex; extração, com fechamento e cicatrização paranormal imediata no depoimento do médico Hortêncio de Medeiros Sobrinho.

5. Lipoma, duas extrações no depoimento do cirurgião Ary Lex, que cronometrou uma delas, verificando que foi realizada em apenas trinta segundos.

6. Fundo de olho, com protrusão ocular restabelecendo a visão de um cego desde a infância, no depoimento do médico Hortêncio de Medeiros, que não pode precisar a natureza exata dessa intervenção. Também o médico Ladeira Marques, do Rio, refere-se a uma operação semelhante.

7. Surdez, com introdução de uma pinça envolta em algodão nos ouvidos do paciente, sem extração de cera ou de qualquer outro elemento. O algodão saiu apenas manchado de serosidade amarelada, e o paciente ficou ouvindo. Depoimento do médico Hortêncio de Medeiros Sobrinho.

c) Casos de cura

Os casos de cura relatados pelos depoimentos médicos desta série são os seguintes:

1. Câncer, cura radical por receituário de uma paciente de 28 anos, casada, no depoimento do médico Hortêncio de Medeiros Sobrinho. Caso comprovado com exames e operações anteriores, exames e operações posteriores. Cura radical, numa paciente de 30 anos, casada, no depoimento do médico Oswaldo Lidger Conrado. Caso comprovado, como o anterior, mas não por operação posterior. Devemos juntar a este item o importante caso de remissão do processo canceroso num paciente médico, de 72 anos de idade, relatado pelo médico Oswaldo Conrado, e o caso de cura radical de câncer da laringe que serviu de ilustração a um de nossos artigos no Diário de S. Paulo, relatado pelo próprio paciente, o cirurgião-dentista Otto Teixeira de Abreu, consultório à rua Riachuelo, nesta capital. Caso comprovado anteriormente por quinze radiografias, uma laringoscopia e uma biopse.

2. Cura à distância (Arigó em Congonhas e o paciente em Salvador, na Bahia) de um caso de uremia em estado de coma, no depoimento do médico Oswaldo Conrado. Esse caso envolve também o fenômeno de precognição ou premonição, tendo o sensitivo anunciado a vinda futura do doente a São Paulo, que se confirmou.