18 dezembro 2024

Natal

 “Os ensinamentos de Jesus devem servir para transformar não apenas um homem, mas toda a Humanidade”.

Natal. Do latim natale significa nascimento. Dia em que se comemora o nascimento de Cristo (25 de dezembro). 

O nascimento de Cristo sempre esteve envolvido em controvérsias. Para uns, seria 1.º de janeiro; para outros, 6 de janeiro, 25 de março e 20 de maio. Pelas observações dos chineses, o Natal seria em março, que foi quando um cometa, tal qual a estrela de Belém, reluziu na noite asiática no ano 5 d.C. Como data festiva, é um arranjo inventado pela Igreja e enriquecida através dos tempos pela incorporação de hábitos e costumes de várias culturas: a árvore natalina é contribuição alemã (século VIII); o Papai Noel (vulgo São Nicolau) nasceu na Turquia (século IV); os cartões de natal surgiram na Inglaterra, em meados do século XIX. (Estado de São Paulo, p. D3)

O nascimento de Jesus está relacionado à manjedoura e ao anúncio profético. Coincide com a percepção de uma nova luz para a humanidade sofredora. Nesse sentido, o Espírito Emmanuel, em Roteiro, diz-nos que antes de Cristo, a educação demorava-se em lamentável pobreza, o cativeiro era consagrado por lei, a mulher aviltada qual alimária, os pais podiam vender os filhos etc. Com Jesus, entretanto, começa uma era nova para o sentimento. Iluminados pela Divina influência, os discípulos do Mestre consagram-se ao serviço dos semelhantes; Simão Pedro e os companheiros dedicam-se aos doentes e infortunados; instituem-se casas de socorro para os necessitados e escolas de evangelização para o espírito popular etc. (Xavier, 1980, cap. 21)  

Papai Noel, símbolo do Natal, é usado pelos comerciantes, a fim de incrementar as vendas dos seus produtos no final de cada ano. O espírito do natal, segundo a propaganda, está relacionado com a fartura da mesa, a quantidade de brinquedos e outros produtos que o consumidor possa ter em seu lar. À semelhança dos reflexos condicionados, estudados por Pavlov, há repetiçãointensidade e clareza dos estímulos à compra, dando-nos a entender que estamos comemorando o renascimento de Cristo. Se não prestarmos atenção, cairemos na armadilha do consumismo exacerbado, dificultando a meditação e a reflexão durante esta data tão especial para a Humanidade.  

O espírito do Natal deve ser entendido como a revivescência dos ensinos de Cristo em cada uma de nossas ações. Não há necessidade de esperarmos o ano todo para comemorá-lo. Se em nosso dia-a-dia estivermos estendendo simpatia para com todos e distribuindo os excessos de que somos portadores, estaremos aplicando eficazmente a “Boa-Nova” trazida pelo mestre Jesus. “Não se pode servir a Deus e a Mamon”. A perfeição moral exige distinção entre espírito e matéria. A riqueza existe para auxiliar o homem no seu aperfeiçoamento espiritual. Se lhe dermos demasiado valor, poderemos obscurecer nossa iluminação interior. Útil se torna, assim, conscientizarmo-nos de que somos usufrutuários e não proprietários dos bens terrenos.  

Um conquistador diferente. A história está repleta de conquistadores: Sesóstris, em seu carro triunfal, pisando escravos e vencidos, em nome do Egito sábio; Nabucodonosor, arrasando Nínive e atacando Jerusalém; Alexandre, à maneira de privilegiado, passa esmagando cidades e multidões; Napoleão Bonaparte, atacando os povos vizinhos. A maioria desses homens fizeram as suas conquistas à custa de punhal e veneno, perseguição e força, usando exército e prisões, assassínio e tortura.

“Tu, entretanto, perdoando e amando, levantando e curando, modificaste a obra de todos os déspotas e legisladores que procediam do Egito e da Assíria, da Judéia e da Fenícia, da Grécia e de Roma, renovando o mundo inteiro. Não mobilizaste soldados, mas ensinaste a um punhado de homens valorosos a luminosa ciência do sacrifício e do amor. Não argumentaste com os reis e com os filósofos; entretanto, conversaste fraternalmente com algumas crianças e mulheres humildes, semeando a compreensão superior da vida no coração popular”. (Xavier, 1978, cap. 49, p. 261) 

Natal espírita. Na noite em que o mundo cristão festeja a Natividade do Menino Jesus, os espíritas devem se lembrar de comemorar o nascimento da Doutrina Espírita, entendida como a terceira revelação, um novo marco no desenvolvimento espiritual da humanidade, em que todos os problemas, todas as dúvidas, todas as dores serão explicadas à luz da razão e do bom senso.

Fonte de Consulta

ESTADO DE SÃO PAULO. 21/12/1996

XAVIER, F. C. Roteiro, pelo Espírito Emmanuel. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1980.

XAVIER, F. C. Pontos e Contos, pelo Espírito Irmão X. 4. ed., Rio de Janeiro: FEB, 1978.

13 dezembro 2024

Pão Divino

O Espírito Emmanuel, no capítulo 173 — "Pão Divino", do livro Vinha de Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, comenta a seguinte citação evangélica: “Moisés não vos deu o pão do Céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do Céu.” — Jesus. (João, 6:32.)

O escopo de toda arregimentação religiosa é congregar crentes a fim de que absorvam as ideias mais puras do Evangelho de Jesus, preparando as almas para a grandeza da vida religiosa. E o que se observa ao longo do tempo? Templos de pedra arruínam-se, princípios dogmáticos desaparecem, cultos externos modificam-se, revelações ampliam-se e sacerdotes passam.

Consideremos, porém, os serviços da fé viva, que dão base para toda a tarefa religiosa. De acordo com Emmanuel, esses serviços "representam aquele pão que Moisés dispensou aos hebreus, que sustentava o corpo apenas por um dia, e cuja finalidade primordial é a de manter a sublime oportunidade da alma em busca do verdadeiro pão do Céu".

A missão do Espiritismo Evangélico, como um verdadeiro libertador de consciências, é fornecer o pão puro, para que nos traga mais certeza, alimente nossa alma com mais conhecimentos, aumente o grau de nossa felicidade na Terra. Sejamos, também, cada um de nós pão de luz para todo aquele que tem fome e sede de justiça.

O Espiritismo dá ênfase ao esforço pessoal. Por quê? A salvação da alma não vem com aparências externas. Não é apenas orando, pedindo graças, favores, mas sim, colocar mãos à obra no trabalho árduo: primeiro convencermo-nos a nós mesmos; depois, convencer os outros dos benefícios da missão evangélica. Não sejamos a letra morta de que nos fala o Evangelho, mas os fiéis divulgadores da boa nova, trazida por Jesus. 

Estejamos convencidos de que o nosso culto do pão divino para renovação, purificação e engrandecimento da alma deve se fundamentar no esforço pessoal. Nesse sentido, observações de ordem fenomênica destinam-se ao olvido, afirmativas doutrinárias elevam-se para o bem, horizontes do conhecimento dilatam-se ao infinito e processos de comunicação com o invisível progridem sempre.

"Se procuras, pois, a própria felicidade, aplica-te com todas as energias ao aproveitamento do pão divino que desce do Céu para o teu coração, através da palavra dos benfeitores espirituais, e aprende a subir, com a mente inflamada de amor e luz, aos inesgotáveis celeiros do pão celestial".


Nutrição Espiritual

O Espírito Emmanuel, no capítulo 134 — “Nutrição Espiritual”, do livro Pão Nosso, psicografado por Francisco Candido Xavier, comenta a seguinte citação evangélica: “Bom é que o coração se fortifique com graça e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram.” — Paulo. (HEBREUS, 13:9.)

Nesta lição, o Espírito Emmanuel elabora alguns raciocínios acerca dos vícios da alma e os vícios da alimentação corpo, alertando-nos para cuidarmos tanto do corpo quanto do Espírito. Há necessidade dessa atenção, pois nossa caminhada neste planeta de provas e expiações está sujeita a altos e baixos, devido ao grau inferior de nossa evolução espiritual.

Muitas pessoas, iludidas pelo apego à matéria e aos seus gozos, costumam trocar a água pura pelas bebidas alcoólicas, sem ter consciência do mal que estão causando ao seu corpo e, por conseguinte, à sua alma. As recomendações evangélicas enaltecem a nossa mudança comportamental, pois adquirindo virtudes em vez dos vícios, chegaremos ao porto seguro da salvação.

O alimento do coração funda-se nas realidades simples do caminho evolutivo. Observe como os grandes religiosos passavam os seus dias. Muitos deles, numa cela, rezando em prol da paz e da harmonia entre as pessoas. Sua comida era parca, tendo o cuidado de ficar mais tempo louvando o mestre Jesus.  “A estrada religiosa deve se afastar dos deslumbramentos da fantasia que procede do exterior e focar no esforço mais amplo do aprimoramento interior”.

O crente e o fenômeno. A busca do fenômeno ou de situações que lhe atendam aos caprichos nocivos é muito prejudicial. Isso acontece porque “ele ainda não tomou consciência de que as sensações empolgantes da zona fenomênica se tornam inúteis ao espírito, quando este não possui recursos interiores suficientes para compreender as finalidades”.

O Espírito Emmanuel conclui:

Inúmeros aprendizes guardam a experiência religiosa, que lhes diz respeito, por questão puramente intelectual. Imperioso, porém, é reconhecer que o alimento da alma para fixar-se, em definitivo, reclama o coração sinceramente interessado nas verdades divinas. Quando um homem se coloca nessa posição íntima, fortifica-se realmente para a sublimação, porque reconhece tanto material de trabalho digno, em torno dos próprios passos, que qualquer sensação transitória, para ele, passa a localizar-se nos últimos degraus do caminho.

 

12 dezembro 2024

Homens de Fé

O Espírito Emmanuel, no capítulo 9 — “Homens de Fé”, do livro Pão Nosso, psicografado por Francisco Candido Xavier, comenta a seguinte citação evangélica: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.” — Jesus. (MATEUS, 7:24.)

Nesta lição, convém estarmos cientes daquilo que tem substância, valor, contrastando com o seu contrário, que é o supérfluo, o passageiro. De nada adianta vermos os grandes pregadores do Evangelho como as expressões máximas do Cristianismo. O correto seria lembrarmo-nos de que isso somente aconteceu porque não esqueceram da vigilância indispensável ao justo testemunho.

Diante dessa lição, poderíamos perguntar quais são realmente esses homens de fé? Nesse sentido, o Mestre destaca, entre todos os discípulos, é aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Assim, os homens de fé não são somente os palavrosos e entusiastas, mas também todos aqueles que ouvem com atenção os ensinamentos de Jesus e procuram pô-los em prática no dia-a-dia.

Ressaltemos, também, o estimado valor dos homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da Boa Nova, cuidam, desvelados, da solução de todos os problemas do dia ou da ocasião, sem permitir que suas edificações individuais se processem longe das bases cristãs imprescindíveis.

Embora a palavra seja indispensável para a propagação da ideia evangélica, nenhum aprendiz deverá esquecer o valor do silêncio, a fim de que a ponderação se faça ouvida, dentro da própria alma, norteando-lhe os destinos.

A construção de homens de fé, dentro de nós mesmos, exige esforços hercúleos, no sentido de não nos deixarmos levar pelas facilidades da porta larga, onde imperam os vícios de todas as espécies,  e que nos conduzirão, inevitavelmente, à queda.

 

Espíritos Sofredores: o Castigo

Allan Kardec, no capítulo IV — "Espíritos Sofredores", da Segunda Parte — Exemplos, de O Céu e o Inferno, trata do problema do castigo, ou mais especificamente, da exposição geral do estado dos culpados por ocasião da entrada no mundo dos Espíritos, ditada à Sociedade Espírita de Paris, em outubro de 1860. Eis algumas notas.

1) Os Espíritos endurecidos, egoístas e maus são tomados de uma dúvida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro. O insulamento e a inércia para fazer o mal os desespera.

2) Não conseguem levantar o olhar às moradas superiores porque estão ensimesmados sobre si mesmos, e presos à lembrança de suas faltas passadas, que eles põem continuamente em ação pelos seus gestos ridículos.

3) Em vista disso, atiram-se para a Terra como abutres famintos, procurando entre os homens uma alma que lhes dê fácil acesso às tentações. Encontrando-a fazem-na um adepto de seu mal.

4) Sentem-se felizes nos casos em que veem propagar-se a ideia do mau. Quando em contato com o bem, sentem os espinhos do remorso.

5) Quando se lhe apresentam a reencarnação, veem como num espelho as provações terríveis que os aguardam. Querem recuar, mas a lei natural é mais potente.

6) Na condição de encarnado, "fechadas as pupilas, ele vê um clarão que desponta, ouve estranhos sons; a alma, prestes a deixar o corpo, agita-se impaciente, enquanto as mãos crispadas tentam agarrar as cobertas... Quereria falar, gritar àqueles que o cercam: — Retenham-me! eu vejo o castigo! — Impossível! A morte sela-lhe os lábios esmaecidos, enquanto os assistentes dizem: Descansa em paz!"

7) "No mundo dos Espíritos, retribuem-lhe outros Espíritos o mal que fez; castigado, confuso e escarnecido, por sua vez vagueia e vagueará até que a divina luz o penetre e esclareça, mostrando-lhe o Deus vingador, o Deus triunfante de todo o mal, e ao qual não poderá apaziguar senão à força de expiação e gemidos".

Alguns casos relatados neste capítulo: Novel, Augusto Michel, Exprobrações de um Boêmio, Lisbeth, Príncipe Ouran, Pascal Lavic, Ferdinando Bertin, Francisco Riquier e Clara.

Fonte de Consulta

Kardec, Allan. O Céu e o Inferno — Capítulo IV — "Espíritos Sofredores".

 

11 dezembro 2024

Os Tempos Estão Chegados: Sinais dos Tempos

Os sinais dos tempos. Para os incrédulos, eles não têm nenhuma importância; para o maior número dos crentes, eles têm qualquer coisa de místico e de sobrenatural. Para o Espiritismo, o nosso globo está sujeito à lei do progresso, físico e espiritual.

O duplo progresso. O progresso se realiza de duas maneiras: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, por modificações mais bruscas; cada uma delas resulta num movimento ascensional mais rápido, o qual marca, com sinais nítidos, os períodos progressivos da humanidade. Ressalte-se que o progresso se realiza em virtude da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável.

Será que Deus, depois de ter estabelecido as leis, se torna indiferente? Não. Deus vela pela execução de suas leis. Se o seu pensamento cessar de agir um só instante, o Universo seria como um relógio sem o pêndulo regulador. Os Espíritos que povoam o espaço são seus ministros encarregados dos detalhes, segundo as atribuições relativas ao seu grau de adiantamento.

E as perturbações que observamos dessa ordem universal? Como se explica? Uma vontade única mantém a unidade por toda parte. As perturbações são os movimentos parciais e isolados, que só nos parecem irregulares, porque nossa vista é circunscrita.

Depois do progresso material, devemos cuidar para fazer reinar entre nós a caridade, a fraternidade e a solidariedade para assegurar o bem-estar moral. Nesse caso, devemos incluir a destruição do egoísmo e do orgulho. E marcará uma das fases principais da humanidade. E envolverá toda a humanidade. O processo se dará pela luta inevitável das ideias. De tal conflito nascerão forçosamente perturbações temporárias, até que o terreno haja sido desobstruído e o equilíbrio restabelecido.

Eis a percepção do Espírito Arago: "Quando se diz que a humanidade chegou a um período de transformação, e que a Terra deve se elevar na hierarquia dos mundos, não vede nestas palavras nada de místico, mas, ao contrário, o cumprimento de uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra a má vontade humana."

Este é um pequeno resumo: para uma visão mais abrangente, consultar o livro.

Kardec, Allan. A Gênese — Capítulo XVIII — "Os Tempos Estão Chegados"


Mediunismo

Mediunismo. A expressão “Mediunismo”, criada por Emmanuel, designa as formas primitivas de Mediunidade, que fundamentam as crenças e religiões primitivas. Estão associadas, assim, ao Mediunismo todas as religiões primitivas, sem desenvolvimento cultural e intelectual, as religiões africanas e os diversos tipos de sincretismos religiosos.

A diferença entre Mediunismo e Mediunidade pode ser vislumbrada na conscientização do problema mediúnico. Nesse caso, a Mediunidade é o Mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à reflexão religiosa e filosófica e às pesquisas científicas.

A Mediunidade foi marginalizada pelas religiões e correntes do pensamento espiritualista. Por quê? Devido a Mediunidade ser apontada nas religiões como de natureza diabólica, nas doutrinas espiritualistas refinadas como um campo inferior e perigoso de manifestações suspeitas e perigosas, acusada de responsável pela loucura do mundo.

Tendo em vista a primitividade do Mediunismo, ele deveria ser condenado? Não. Condenar o Mediunismo seria condenar a fonte que nos fornece a água. Há ricos filões de fenômenos no solo fecundo do Mediunismo à espera dos investigadores espíritas.

Os diversos ramos do Mediunismo podem ser encontrados nos terreiros de Umbanda, com práticas mais elevadas, voltadas para o bem; nos de Quimbanda, com práticas menos evoluídas, como o uso de sangue de animais e a queima de pólvora, revelando a brutalidade dos ritos selvagens.

O Espiritismo, pelo seu caráter filosófico e científico, fornece-nos uma visão mais acurada das práticas mediúnicas. Elas resumem-se na prece e na meditação, no passe (imposição das mãos, do Evangelho) e na doutrinação caridosa dos espíritos sofredores ou vingativos.

Mediunismo e barbárie. Não é o Mediunismo que responde pela barbárie, mas o apego do homem aos interesses mundanos e o desejo de vencer com mais facilidade e segurança, sob a suposta proteção espiritual de criaturas incultas e grosseiras.

Fonte de Consulta

Pires, J. H. Mediunidade. Capítulo VI — “O Mediunismo".

 

10 dezembro 2024

Charlatanismo e Prestidigitação

O Capítulo 28 — “Charlatanismo e Prestidigitação”, de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, trata dos médiuns interesseiros e das fraudes.  

Charlatanismo. É a prática de alguém que, de má fé, propaga a cura de doenças por meio de métodos secretos ou infalíveis, sem respaldo científico. O crime está previsto no artigo 283 do Código Penal e a pena é de detenção de três meses a um ano, além de multa. Prestidigitação. A palavra "prestidigitação" tem origem no francês prestidigitation. Significa "arte de prestidigitador; agilidade de mãos". A prestidigitação é uma técnica ou arte que consiste em iludir o espectador com truques que dependem da agilidade, especialmente das mãos. Alguns sinônimos de prestidigitação são: Ilusionismo, Mágica, Manigância, Manobra, Passe-passe, Prestigio. 

Em se tratando do charlatanismo e da prestidigitação, é necessário averiguar se o médium agiu com ou sem interesse próprio.  Que motivo teriam as pessoas que praticassem a mistificação sem nenhuma vantagem?

No exercício da mediunidade, devemos ter muito cuidado, pois a faculdade mediúnica é concedida para a prática do bem. Nesse caso, Espíritos bons podem se afastar dos médiuns que pretendem usar essa faculdade como meio para alcançar qualquer coisa contrária aos desígnios da Previdência. Egoísmo, cupidez, orgulho e prepotência são os alvos que devemos combater em nós mesmos.

Espíritos inferiores gostam de mistificar, mas não gostam de ser mistificados. Se espontaneamente se entregam a brincadeiras e aos caprichos da curiosidade, por gostarem de se divertir, não lhes agrada servir de passatempo aos outros nem de comparsas para ganhar dinheiro. Observe que a prestidigitação poderia ser praticada como passatempo em reuniões improvisadas e frívolas, mas nunca em assembleias sérias em que só se admitem pessoas honestas.

Sobre o médium pago. Muito se desconfia dele, porque o abuso provém entre os médiuns pagos e não aqueles que se dedicam a servir a causa cristã. Há que se considerar, também, nem todo médium pago é nocivo. Depende muito de seu caráter e seus objetivos. Os Espíritos bons julgam mais a intenção do que o fato material.

A fraude tem sempre uma finalidade, algum interesse material. Onde nada se tem a ganhar, não há nenhum interesse em enganar. Por isso dissemos, a propósito dos médiuns mercenários, que melhor de todas as garantias é um desinteresse absoluto.

De todos os fenômenos espíritas, os de efeitos físicos são mais propensos à fraude. Primeiro, porque se dirigem mais aos olhos do que à inteligência, são os que os prestidigitação mais facilmente pode imitar. Segundo, porque despertam curiosidade mais do que os outros e são mais apropriados a atrair multidão e consequentemente mais produtivos.

Leitura Complementar 

Lição 78 — "Verdades e Mentiras", do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel.

Caso do Sr. Home, descrito na Revista Espírita — fevereiro de 1858. 

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Para a British Society for Psychical Research (Sociedade de Pesquisas Psíquicas Britânica) S.P.R. britânica, a experimentação é a via científica de se chegar a uma verdade científica. O rigor era tanto que, se um médium fosse surpreendido em flagrante delito de Fraude, era definitivamente excluído das investigações da sociedade. 

 

 

Pedi e Obtereis

O capítulo 27 — “Pedi e obtereis”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, trata dos seguintes tópicos: Condições da Prece — Eficácia da Prece — Ação da Prece. Transmissão do Pensamento — Preces Inteligíveis — Da Prece pelos Mortos e pelos Espíritos Sofredores — Instruções dos Espíritos: — Modo de Orar — Ventura da Prece

Condições da prece. Quando orarmos não devemos nos colocar em evidência. O correto é orarmos sem fingimento e sem muitas palavras, mas pela sinceridade delas. “Antes de orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-a, porque a prece não poderia ser agradável a Deus, se não partisse de um coração purificado de todo sentimento contrário à caridade”.

25 novembro 2024

Na Senda Escabrosa

“Nunca te deixarei, nem te desampararei.” — Paulo. (Hebreus, 13:5.)

Senda. Do latim semita, -ae, significa caminho estreito, estrada, modo de vida ou conduta. Em escolas de religião ou filosofia esotérica, um suposto percurso de progresso espiritual. Escabroso. Do latim scabrosus, significa rugoso, áspero, sujo.

Jesus Cristo deve ser o centro de nossas atenções. Ele é o governador espiritual do Planeta Terra. Nesse sentido, todos os outros Espíritos de luz devem obediência a ele. Sua relação com Deus pode ser verificada: “Jesus sempre esteve com Deus. E Deus, por sua vez, sempre esteve com Jesus. A vontade de um sempre foi a do outro"; "São um pelo pensamento — uma vez que tudo quanto o Cristo realizava e realiza ainda é sob a inspiração direta de Deus".

Os ensinamentos de Jesus podem ser encontradas nas suas parábolas, nas bem-aventuranças e nas lições que se reportam ao Reino dos Céus. Eis algumas lembranças: Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra; quem se elevar será rebaixado; a fé transporta montanhas, tua fé te salvou, só será livre aquele que não mais pecar, aquele que não prejudicar o seu próximo, enfim aquele que praticar a lei de Deus.

Corpo e mente. A relação que podemos estabelecer entre mente e corpo é muito simples: na mente, temos os processos e atividades que, na sua maioria, são de caráter cognitivo; no corpo, as condições, os meios para ela se expressar, principalmente através do cérebro. Cuidar bem do cérebro ajuda enormemente a manifestação de nossa mente.

O Espírito Emmanuel, nessa passagem, diz-nos que a palavra do Senhor não se reporta somente à sustentação da vida física. Elucida-nos que muito mais de pão do corpo, necessitamos do pão do espirito. O corpo sofre fome e reclama o alimento restaurador, mas as necessidades e desejos da alma provocam, por vezes, aflições desmedidas, exigindo mais ampla alimentação espiritual.

Prossegue instruindo-nos que há momentos de profunda exaustão em nossas reservas mais íntimas. As energias parecem esgotadas; as esperanças se retraem, ocasionando sombras espessas dentro de nós.  As inquietações sofridas provocam o nevoeiro velado. O Todo-Misericordioso, contudo, ainda aí, não nos deixa completamente relegados à treva de nossas indecisões e desapontamentos.

A promessa da Divina Bondade resume-se: “Nunca te deixarei, nem te desampararei”. Nem solidão, nem abandono. Os Espíritos de luz, os nossos protetores individuais, denominados anjos da guarda, embora muitas vezes ocultos, sem o som das trombetas, estão nos assessorando com a suas vibrações, as suas inspirações e seus avisos salutares.

O que se nos pede é a manutenção de nossa tranquilidade, como um relógio durante a tempestade.

Fonte de Consulta

XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, Capítulo 41 

 

 

22 outubro 2024

Quem se Elevar Será Rebaixado

Este assunto faz parte do Capítulo VII — "Bem-Aventurados os Pobres de Espírito" de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Eis os diversos tópicos deste capítulo: O Que se Deve Entender por Pobres de Espírito — Quem se Elevar Será Rebaixado — Mistérios Ocultos aos Sábios e Prudentes — Instruções dos Espíritos: — O Orgulho e a Humildade — Missão do Homem Inteligente na Terra.

Um dos tópicos do texto evangélico diz respeito à resposta: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles e disse: Na verdade vos digo que, se não fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois, que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe. (Mateus, XVIII: 1-5). Os outros dois tópicos: 1) há o pedido de uma mãe para que os seus dois filhos, um sentasse à direita e ou outro à esquerda no Reino de Jesus; 2) convidado sentar-se no primeiro lugar ou no último lugar. 

Na essência, o ensinamento sugere que aqueles que se exaltam, buscando status, poder ou reconhecimento, serão humilhados ou rebaixados. Em contraste, aqueles que adotam uma postura humilde e servidora serão exaltados ou reconhecidos. A ideia é que a verdadeira grandeza não está em se exaltar, mas em servir aos outros e viver com modéstia.

princípio da humildade fundamenta-se na criança. Nesta lição, Jesus toma um menino como exemplo da simplicidade de coração. Quer dizer, todo aquele que se fizer pequeno como um menino será o maior no Reino dos Céus. Mostra-nos que não devemos ter pretensões à superioridade ou à infalibilidade. Outras máximas a serem ressaltadas: "Aquele que quiser ser o maior, seja o que vos sirva"; "Porque quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado".

O Espiritismo nos mostra que os grandes no mundo dos Espíritos são os que foram pequenos no mundo material. Os primeiros levam a única riqueza que não é perecível: a virtude. Por outro lado, os poderosos da terra não podem levar a fortuna, os títulos, a glória. “Conservam apenas o orgulho, que torna ainda mais humilhante a sua nova posição, porque veem acima deles, e resplandecentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra”.

Lembremo-nos da existência preexistência da alma. Os Espíritos que mais se elevaram numa existência, são abaixados até o último lugar na existência seguinte, se se deixaram dominar pelo orgulho e a ambição. Não procureis, pois, o primeiro lugar na Terra, nem queiras sobrepor-vos aos outros, se não quiserdes ser obrigado a descer. Procurai, pelo contrário, o mais humilde e o mais modesto, porque Deus saberá vos dar um mais elevado no céu, se o merecerdes.

Empenhemo-nos — sem esperar recompensas — no trabalho de adquirir virtudes, de atualizar as potencialidades de nosso Espírito imortal. E para isso, sejamos sempre simples como as crianças, isto é, sem pretensões desmesuradas que possam atrapalhar o caminho de nossa evolução espiritual.


28 junho 2024

Regra de Ouro

A regra de ouro consiste em tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Pode ser vista sob dois ângulos: 1) sentido negativo: não devemos fazer aos outros o que não queremos que nos façam; 2) sentido positivo: tratar os outros como queremos ser tratados. Tanto um quanto o outro levam-nos ao mesmo fim: respeito ao próximo.

O princípio da reciprocidade é uma ética centrada na regra de ouro, isto é, tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Este princípio é um dos pilares éticos do Cristianismo, do Judaísmo, do Islamismo, do Hinduísmo e do Budismo. Embora em cada religião este princípio se manifeste de maneira específica, no fundo, porém, envolve tratar todos com respeito, justiça e amor ao próximo.

Gestos simples, tolerância, gentileza, respeitos às diferenças...  postos em prática no dia-a-dia , podem contribuir substancialmente para a formação de uma sociedade mais justa, pois auxilia a promover a igualdade de tratamento e respeito mútuo.

Allan Kardec, na pergunta 630 de O Livro dos Espíritos, esclarece-nos que o bem é tudo aquilo que está de acordo com a lei de Deus e o mal é tudo o que dela se afasta. Mas o que significa a lei de Deus? Expressamo-la melhor por intuição do que por palavras. Essa intuição mostra-nos um imperativo básico da lei natural, ou seja, o de "fazer o bem e evitar o mal" (bonum est faciendum, malum vitandum). A sua prática está em seguir a lei áurea: "Fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito".

O Espírito Emmanuel, em Caminho, Verdade e Vida, e Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, oferecem-nos subsídios valiosos para uma melhor compreensão deste assunto. Emmanuel diz-nos que Deus estabeleceu a lei de cooperação como princípio dos mais nobres. Há um só Pai, que é Deus. Todos somos irmãos que devemos nos ajudar mutuamente. Allan Kardec lembra-nos de dois célebres ensinamentos de Jesus: “amar ao próximo como a nós mesmos”; “fazer aos outros o que gostaríamos que nos fosse feito”.

As duas frases acima resumem todos os nossos deveres para com o próximo. Colocando-as em prática, estaremos contribuindo para uma sociedade mais justa e mais fraterna.

 

 

26 junho 2024

Exilados de Capela

O Espírito Emmanuel, no capítulo III — "As Raças Adâmicas", de A Caminho da Luz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, fornece-nos informações valiosas sobre os exilados de Capela, tais como, "O Sistema Capela", "Um Mundo em Transições", "Espíritos Exilados na Terra", "Fixação dos Caracteres Raciais", "Origem das Raças Brancas", "Quatro Grandes Povos" e "As Promessas do Cristo".

O sistema Capela é descrito como uma grande estrela na Constelação do Cocheiro, que recebeu, na Terra, o nome de Cabra ou Capela. A sua luz gasta cerca de 42 anos para chegar à face da Terra. Quase todos os mundos que lhe são dependentes já se purificaram física e moralmente. Mas, como alguns milhões de Espíritos rebeldes estavam atrapalhando o progresso dos demais, grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, buscam na Terra um lugar para recambiá-los.

Jesus, o diretor do planeta Terra, teve a incumbência de receber essa turba de seres sofredores e infelizes. Seriam degredados e andariam desprezados; reencarnariam no seio das raças ignorantes e primitivas; por muitos séculos não veriam a luz de Capela. Jesus, porém, “com a sua palavra sábia e compassiva, exortou essas almas desventuradas à edificação da consciência pelo cumprimento dos deveres de solidariedade e de amor, no esforço regenerador de si mesmas.

Sobre as raças brancas.Grande parte dessas entidades formaram os ascendentes das raças brancas. Em sua maioria, estabeleceram-se na Ásia, de onde atravessaram o istmo de Suez para a África, na região do Egito, encaminhando-se igualmente para a longínqua Atlântida, de que várias regiões da América guardam assinalados vestígios. Não obstante as lições recebidas da palavra sábia e mansa do Cristo, os homens brancos olvidaram os seus sagrados compromissos. Nesse sentido, grande porcentagem ficaram por mais tempo entre nós; outros ainda continuam.

Sobre o paraíso perdido. A reminiscência de um mundo mais ditoso e feliz criou uma das tradições mais longevas, ou seja, as tradições do paraíso perdido, pois estas passaram de gerações a gerações, até que ficassem arquivadas nas páginas da Bíblia.

As raças adâmicas congregam quatro grandes povos: grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia. Notemos que dos árias descende a maioria dos povos brancos da família indo-europeia. Nessa descendência, porém, é necessário incluir os latinos, os celtas e os gregos, além dos germanos e dos eslavos.

Todos os povos esperavam o Cristo Consolador. A Providência, porém, fê-lo reencarnar entre os judeus.

 

05 março 2024

Potencializar o Crescimento do Outro

 “Convém que ele cresça e que eu diminua.” — (João, cap. 3, v. 30)

Centro Espírita deveria ser um celeiro de oportunidades para todos aqueles que o frequentam. Não há necessidade de que alguém monopolize as atividades. Treinar o outro para exercer a nossa função é um bem maior, pois estamos ajudando a potencializar o nosso irmão, passando o bastão que os nossos antecessores no colocaram nas mãos. 

Vejamos o exemplo de João. Tão logo aparece Jesus, considerado o Messias, abre-lhe espaço para o seu crescimento, permanecendo posteriormente, apenas como coadjuvante. Na revelação dada a Allan Kardec, tivemos também outros coadjuvantes, tais como: Léon Denis, que se concentraria no desdobramento filosófico; Gabriel Delanne, que apresentaria a estrada filosófica; Camille Flammarion, que nos descortinaria as paisagens celestes.  

Diz-se que, em relação à mediunidade, deveríamos trabalhar na meia idade e descansar na velhice. Que isso pode significar? À medida que avançamos na idade, devemos deixar alguns cargos e encargos, para que outros possam se desenvolver, se ampliar em criatividade e trabalho na seara do mestre Jesus.

Não seremos avaliados pela nossa narrativa, por sermos ou não famosos, se somos ou não detentores de riqueza. Ao deixarmos este mundo e nos dirigirmos ao além, ao mundo espiritual, uma só coisa importa: nossa consciência. E dependendo da sua pureza, podemos nos beneficiar da felicidade; ou da infelicidade, caso esteja tisnada. 

Observe o que acontece quando nos desfazemos de roupas velhas, de objetos que não temos mais uso, de redes sociais que roubam o nosso tempo. Não sentimos um ímpeto de liberdade, um insight para as coisas do Alto? Parece-nos que o nosso Espírito se elevou, deixou este miserável mundo e foi habitar um outro de mais graça, de mais harmonia, de mais luminosidade.  

Tenhamos em mente o seguinte: quanto menos possuímos, menos temos que cuidar. Por isso, é muito importante aprender a desaprenderDesaprender é jogar no lixo o que não nos serve mais; desaprender é saber dizer não; desaprender é fazer as mesmas coisas, mas de modo diferente; desaprender é pensar pela própria cabeça. O ser humano culto não é aquele que sabe o conteúdo de todos os livros, mas aquele que sabe se situar no meio deles. 

Quanto mais ajudarmos a potencializar o outro, mais estaremos potencializando a nós mesmos, tal qual o trecho evangélico que diz: "ao que muito foi dado muito será pedido".  Mas, aos que souberam aproveitar os ensinamentos, muito lhes será dado.